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<DIV><FONT size=2 face=Arial></FONT>&nbsp;</DIV>
<DIV><FONT color=#ff0000 size=6 face=Forte>Carta O Berro<FONT 
size=3>..................................................................................................<FONT 
face=Georgia><STRONG><EM>repassem</EM></STRONG></FONT></FONT></FONT></DIV>
<DIV><FONT size=2 face=Arial></FONT>&nbsp;</DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message ----- 
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A 
title=carloslicht@gmail.com href="mailto:carloslicht@gmail.com">Carlos 
Lichtsztejn</A> </DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV>
<H2 id=LblTitulo><SPAN id=ctl00_ContentPlaceHolder1_LblTitulo 
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<H1 class=titulo_materia_integra><FONT size=4>Mulheres relatam em livro torturas 
durante a ditadura</FONT></H1>
<P class=titulo_materia_integra><FONT size=2><SPAN 
id=ctl00_ContentPlaceHolder1_LblAssinatura class=data_noticias>Maria Inês 
Nassif, de São Paulo&nbsp; 26/03/2010 Jornal Valor Economico</SPAN><BR><SPAN 
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class=data_noticias></SPAN></FONT></P></SPAN></H2>
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  <TBODY>
  <TR>
    <TD class=printDetalMateria><BR>
      <DIV id=pnToolBar class=info>
      <UL style="POSITION: relative; MARGIN: 0px; WIDTH: 240px"><SPAN 
        id=ctl00_ContentPlaceHolder1_LblAssinatura class=data_noticias>Maria 
        Inês Nassif, de São Paulo</SPAN><BR><SPAN 
        id=ctl00_ContentPlaceHolder1_LblData 
    class=data_noticias></SPAN></UL></DIV></TD></TR></TBODY></TABLE></DIV>
<DIV>
<P class=conteudo_mat_categ align=justify>"Paulo, Paulo, deixe eu falar que nem 
os sem-terra", disse a ex-presa política, ex-militante das Forças Armadas de 
Libertação Nacional (FALN) Áurea Moretti, interrompendo um discurso do ministro 
da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), Paulo Vannuchi. Magra, com 
cabelos brancos e muitas falhas nos dentes, a enfermeira de Ribeirão Preto 
levantou os braços frágeis e esclareceu como era falar como um sem-terra: "Pau 
de arara, nunca mais!" </P>
<P class=conteudo_mat_categ align=justify>Era uma palavra de ordem que propunha 
às cerca de 500 pessoas que se acotovelaram no auditório do segundo andar do 
prédio novo da PUC de São Paulo, para o lançamento do livro "Luta, substantivo 
feminino: mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à 
ditadura". O livro contém a história da vida e da morte de 45 mulheres 
brasileiras no período da ditadura, por responsabilidade do Estado, e o relato 
de 27 outras que sofreram as brutalidades do regime e sobreviveram. Foi editado 
pela SEDH e pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. </P>
<P class=conteudo_mat_categ align=justify>Áurea foi presa em outubro de 1969 e 
barbaramente torturada. Cumpriu três anos e três meses de uma pena de 4,5 anos 
de cadeia e saiu sob condicional - e, como as demais mulheres que estavam lá e 
deram seu relato para o livro, acha que, de sua parte, a anistia foi inócua: 
afinal, ela cumpriu pena; seu torturador nem foi processado pelos crimes que 
cometeu. "Uma vez eu vi um deles na rua, estava de óculos escuros e olhava o 
mundo por cima", disse, depois da solenidade. "Eu estava com a minha filha e 
tremi."</P>
<P class=conteudo_mat_categ align=justify>A intervenção da senhora de jeito 
humilde e sotaque interiorano foi um dos pontos altos de emoção do lançamento do 
livro. Na plateia, estudantes da universidade que foi palco de momentos de 
resistência à ditadura militar de 1964-1985 - a invasão da PUC, em 1977, pela 
polícia do coronel Erasmo Dias, não ocorreu sem uma firme oposição da reitora 
Nadir Kfouri -, junto com militantes de direitos humanos e de movimentos 
feministas, aplaudiram intensamente os participantes.</P>
<P class=conteudo_mat_categ align=justify>O ministro Paulo Vannuchi esclareceu 
que não era "revanchismo" o livro, como também não o é o atacado 3º Plano 
Nacional dos Direitos Humanos, que propõe a criação de uma Comissão da Memória e 
Verdade. "Ninguém propõe a tortura" contra os torturadores, afirmou, mas a 
"construção do futuro" a partir do conhecimento do passado. Sugeriu que, se cada 
membro do oficialato das Forças Armadas - que se opõe de forma dura à 
constituição da comissão - ler o livro, todos eles verão que "não tem cabimento 
essa violência [a tortura] seguir sendo atribuída à toda Arma, à toda 
instituição militar".</P>
<P class=conteudo_mat_categ align=justify>O lançamento do livro foi o primeiro 
evento da SEDH ligado diretamente à questão da memória dos atos da ditadura após 
o lançamento do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, em dezembro, que 
provocou reação do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e dos comandantes 
militares, além de resistências de produtores rurais, setores da imprensa e da 
igreja - devido à defesa de mediação de conflitos agrários, a afirmação de 
"controle social" da imprensa e defesa do aborto. Vannuchi disse que o programa 
defende uma completa liberdade de imprensa e ele, ministro, também, e afirmou 
que, mesmo com os "muitíssimos problemas" da imprensa brasileira, "eles seriam 
agravados" se houvesse uma única imprensa, estatal. Afirmou, no entanto, que a 
SEDH não recuou das reivindicações feministas, nem da defesa de mediação de 
conflitos no campo - "para evitar mais sangue" -, mas fez alterações no texto 
original mantendo as propostas definidas pelas diversas plenárias que desaguaram 
no 3º PNDH. </P>
<P class=conteudo_mat_categ align=justify>"Agradeço a Jobim por ter tornado 
pública essa discussão", afirmou a representante de familiares de desaparecidos 
políticos, Rosalina Santa Cruz. "Sua iniciativa de dar munição aos conservadores 
deu para nós um novo ânimo para a luta". Na defesa do resgate do passado para a 
construção do presente, Rosalina lembrou que a tortura ainda é um dado da 
realidade brasileira e, nas delegacias, pune o jovem, o negro, o pobre e a 
mulher. "Tortura é castigo, é vingança, se arrebenta o indivíduo para que ele 
nunca mais possa retomar o que estava fazendo. Hoje a tortura é feita para 
evitar novas transgressões", disse Rosalina, ela própria vítima da tortura na 
época da ditadura, junto com seu marido. Seu irmão, Fernando Santa Cruz, é 
desaparecido político. E ela considera que, de sua parte, pagou o preço. "Nós 
fomos presos, cumprimos prisão; eles (os torturadores) sequer foram 
processados". Para Flávia Piovesan, professora da pós-graduação da PUC-SP e 
procuradora do Estado de São Paulo, é "inconcebível tratar a tortura como crime 
político". Ela lembrou que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos 
consideram que as leis de anistia "perpetuam a 
impunidade".</P></DIV></BODY></HTML>