<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
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<BODY bgColor=#ffffff>
<DIV><FONT size=2 face=Arial></FONT>&nbsp;</DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">
<DIV><FONT color=#ff0000 size=6 face=Forte>Carta O Berro<FONT 
size=3>.............................................................................<STRONG><EM>.<FONT 
face=Georgia>repassem</FONT></EM></STRONG></FONT></FONT></DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV><FONT size=2 face=Arial></FONT>&nbsp;</DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message ----- 
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A 
title=soniaugusto@uol.com.br href="mailto:soniaugusto@uol.com.br">Augusto 
Buonicore</A> </DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV><FONT size=2 face=Arial></FONT>&nbsp;</DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">
<DIV><FONT face=Arial><STRONG><FONT size=4>Guerrilheiros do Araguaia e seus 
familiares são anistiados</FONT></STRONG></DIV></DIV>
<DIV>
<DIV class=noticia-title><FONT size=2></FONT>&nbsp;</DIV>
<DIV style="BORDER-BOTTOM-WIDTH: 0px" class=noticia-autor><FONT 
size=2></FONT></DIV>
<DIV class=noticia-olho><FONT size=2>A 34ª Caravana da Anistia, organizada pelo 
Ministério da Justiça, julgou na quinta-feira (25), na Câmara Municipal de São 
Paulo, requerimentos de anistia política — entre eles os de Maurício Grabois, 
Dinaelza Coqueiro e Ângelo Arroyo, mortos pela repressão imposta durante o 
regime militar. Os três lutaram na Guerrilha do Araguaia, resistência armada à 
ditadura organizada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Foram anistiados 
também parentes dos guerrilheiros.</FONT></DIV>
<DIV class=noticia-olho><FONT size=2></FONT>&nbsp;</DIV><!-- CONTAINER A -->
<DIV id=containerA>
<DIV class=noticia-int>
<DIV class=img-not><FONT size=2><IMG 
src="http://fmauriciograbois.org.br/admin/fotos/imagem_7_712.jpg" width=585> 
</FONT></DIV>
<P><FONT size=2>O evento começou às 10h e se estendeu até à tarde, organizado 
pela Comissão de Anistia, que aprecia pedidos de anistia política entre 1946 e 
1988, e pelos vereadores Netinho de Paula e Jamil Murad, do PCdoB. Dos 66 mil 
processos protocolados na Comissão desde 2001, cerca de 54 mil já foram 
apreciados. Desde abril de 2008, as Caravanas já passaram por 17 Estados, 
julgando mais de 800 pedidos de anistia nos locais onde ocorreram as supostas 
perseguições. <BR><BR>O ato do dia 25 também foi uma forma de homenagear os 88 
anos do Partido. “Comunistas como esses são o cimento construtor do PCdoB”, 
disse Renato Rabelo, presidente do Partido. Na solenidade, Dolores Arroyo – 
viúva de Angelo, fuzilado durante a Chacina da Lapa em 16 de dezembro de 1976 – 
e Victória Grabois – filha de Maurício, assassinado durante a Guerrilha do 
Araguaia em 25 de dezembro de 1973 e ainda hoje desaparecido – receberam as 
portarias de anistiados políticos dos dois dirigentes comunistas. <BR><BR>Depois 
da sessão especial, o julgamento de cinco requerimentos anistiou, em caráter 
post mortem, Dinaelza Santanta Coqueiro e, cuja reparação econômica será 
transferida para sua mãe, Junilia Soares Santana, 90 anos, que na época fora 
diretamente prejudicada pela morte da filha, reconhecida como arrimo da família. 
<BR><BR>Em sua fala durante a solenidade de homenagem, o presidente do PCdoB 
destacou que “muitos se indagam como o partido conseguiu atravessar períodos de 
tantas adversidades e lutas, empunhando sempre a bandeira da democracia, da 
justiça social, do comunismo; e se perguntam, ao mesmo tempo, como consegue 
manter-se vivo e contemporâneo”. <BR><BR>E o próprio Renato Rabelo responde: 
“tudo isso é possível não apenas pela força das ideias que o partido defende, 
mas porque a realidade mostra – e a crise atual prova – que é possível superar o 
capitalismo. Mas nada disso teria força se não houvesse homens e mulheres 
capazes de lutar por estes ideais, contra este sistema”. <BR><BR>Lembrando da 
trajetória dos três lutadores, disse que a homenagem era fundamental para o 
resgate da história brasileira, para a construção de uma nação mais democrática 
e justa e também para a construção do PCdoB. “É importante que nossa juventude 
saiba quem eles foram, conheça seus exemplos de vida porque se chegamos até aqui 
é graças a pessoas como eles”. <BR><BR><STRONG>Histórias que se 
confundem</STRONG><BR><BR>Presidindo a Comissão na ausência de seu titular Paulo 
Abrão Pires Jr. – em missão no Chile – Sueli Bellato agradeceu ao “apoio que o 
PCdoB sempre deu ao nosso trabalho. Estamos aqui para homenagear a todos que há 
88 anos lutam por uma sociedade melhor, pelo socialismo”. A conselheira leu 
carta em que o presidente da Comissão salienta que a história do Partido 
Comunista “confunde-se com a história das lutas do povo brasileiro por condições 
dignas de vida, e em favor de uma sociedade justa e igualitária”. 
<BR><BR>Segundo Paulo Abrão, “é importante ressaltar que, do ponto de vista da 
história política do Brasil, os comunistas foram os mais perseguidos. Desde a 
formação do Partido Comunista, durante a Velha República, sua trajetória foi 
marcada por violenta repressão policial. Estigmatizado durante o Estado Novo, 
ressurge na Constituinte de 1946 para cair novamente na ilegalidade em 
1947”.<BR><BR>Ele lembrou ainda que no período da ditadura, entre 1964 e 1985, 
“o governo militar não poupou os comunistas – já divididos em dois grandes 
blocos, o PCB e o PCdoB”. “Mais da metade dos desaparecidos políticos 
brasileiros fazem parte dos quadros do PCdoB, entre eles Maurício e Dinaelza, 
mortos na repressão à Guerrilha do Araguaia. <BR><BR>O massacre da Lapa, em 
1976, onde foram assassinados Ângelo Arroyo e Pedro Pomar, desferiu outro duro 
golpe na direção do partido”, completou. O presidente ainda colocou que hoje, 
publicamente, “o Estado brasileiro pede desculpas a esses homens e mulheres, 
grandes comunistas”. <BR></FONT><STRONG><BR><FONT size=2>Orgulho 
comunista</FONT></STRONG><BR><BR><FONT size=2>Durante o ato, antigas e novas 
lideranças do PCdoB que lutaram na ditadura ou que herdaram o legado dos antigos 
dirigentes e militantes usaram a tribuna da Câmara para render suas homenagens. 
O ministro Orlando Silva, do Esporte, disse que “os comunistas ofereceram suas 
próprias vidas para que hoje possamos usufruir do período democrático e de 
prestígio internacional que o Brasil vive”. <BR><BR>O vereador Jamil Murad 
colocou que “um partido temperado na luta de heróis como esses tem o compromisso 
de levar adiante a luta pela soberania, pela democracia, pela liberdade e pelo 
socialismo”.<BR><BR>Netinho de Paula, vereador que figura na nova geração de 
militantes do PCdoB, disse que “inspirado por exemplos assim sigo lutando pelos 
que são exilados em seu próprio país nas periferias do Brasil”. E finalizou 
dizendo: “obrigado, PCdoB, por ter me recebido”. <BR><BR>O secretário de 
Formação do partido e presidente da Fundação Maurício Grabois, Adalberto 
Monteiro também expressou sua admiração. “Homenageá-los é também dar seguimento 
às batalhas pela ampliação da democracia, pela afirmação da soberania do nosso 
país e pela grande causa do socialismo. É dar seguimento à luta pelos direitos 
humanos. É exigir a abertura dos arquivos da ditadura militar e o direito 
humanitário até hoje negado de os familiares enterrarem em túmulo honroso os 
restos mortais de seus entes queridos. É em alto e bom som bradar pelo fim da 
tortura e pela punição daqueles que a praticaram e a praticam. Os exemplos de 
Dina, Arroyo e Grabois nos inspiram. Eles estão aí para nos lembrar de que, sem 
muita luta, sem renúncia e abnegação, não será possível atingir o 
desenvolvimento pleno pelo qual anseiam nosso povo e nosso 
país”.<BR><BR></FONT><FONT size=2><STRONG>Pedido de perdão<BR></STRONG><BR>Após 
sessão em homenagem aos 88 anos do PCdoB na Câmara de São Paulo, a Comissão de 
Anistia julgou cinco pedidos. Entre eles os dos comunistas Dinaelza Coqueiro e 
Maurício Grabois, o do ex-militante da ALN, Vanderley Caixe e de outros três 
requerimentos de familiares de Angelo Arroyo. A todos, o Estado brasileiro – 
através da vice-presidente da Comissão, Suelli Bellato – pediu perdão pelos 
males causados aos perseguidos pela ditadura. <BR><BR>O primeiro caso julgado 
foi o de Maurício Grabois. Sua família pleiteou apenas a declaração de 
anistiado, abrindo mão da reparação econômica. Vitória Lavínia, filha do 
dirigente comunista morto pelos militares em 1973 durante a Guerrilha do 
Araguaia, disse que “nossa família foi especialmente atingida. Perdi meu pai, 
meu irmão André e meu marido Gilberto Olímpio Maria”. Para ela, “a ditadura foi 
devastadora porque matou os melhores filhos de nosso povo”. </FONT></P>
<P><FONT size=2>Vitória também protestou, defendendo a abertura dos arquivos e a 
busca dos restos mortais dos desaparecidos. “Também queremos justiça e que os 
assassinos da ditadura sejam julgados e condenados por seus crimes”. </FONT></P>
<P><FONT size=2>Dirigente&nbsp;do PCdoB, Maurício Grabois exerceu intensa 
militância política junto ao partido e em prol das liberdades democráticas. 
Assumiu papel de destaque na Guerrilha do Araguaia e, segundo relatos, morreu em 
novembro de 1973 pelas mãos do regime militar. Consta do rol dos mortos e 
desaparecidos políticos e até a presente data, seu corpo não foi 
encontrado.<BR><BR></FONT><FONT size=2><STRONG>Famílias 
mutiladas<BR></STRONG><BR>Em seguida, Dolores Arroyo emocionada, viúva de 
Ângelo, morto em 1976 na Chacina da Lapa, Lenine e Camila Arroyo, filhos, foram 
anistiados. Os três tiveram de mudar sua identidade devido à perseguição 
política.</FONT></P><FONT size=2></FONT></DIV><FONT size=2></FONT></DIV>
<DIV><FONT size=2>Dolores – hoje com 80 anos – e Ângelo – que completaria 82 –, 
eram operários e militantes comunistas que se casaram em São Paulo em 1953. Por 
sua atuação, Dolores foi presa em 1950 por “atentado contra a liberdade do 
trabalho” e “paralisação de trabalho seguida de violência ou perturbação da 
ordem”. <BR><BR>Com o golpe de 1964, a família passa a viver na clandestinidade 
e muda-se para Anápolis (GO), onde adota o nome de Maria Cordona. Seu marido 
passou a ser Agenor Cardoso e os filhos Antonio Cardoso e Encarnação Cardoso. 
Camila e Lenine foram afastados do convívio familiar com seu pai diante do 
acirramento das perseguições ao dirigente. Ambos ficaram sabendo de sua morte 
pelos jornais e não puderam acompanhar seu enterro. <BR><BR>Dinaelza Coqueiro, 
guerrilheira morta no Araguaia em abril de 1974, também foi anistiada em caráter 
post mortem. Sua mãe, Junilia Soares Santana, hoje com 90 anos, receberá a 
indenização paga pelo Estado devido ao fato de ter ficado comprovado que sua 
filha era arrimo de família quando passou a ser perseguida. <BR><BR>“Mariadina”, 
como era conhecida, era uma das guerrilheiras mais temidas pelos militares, 
conforme depoimentos de camponeses da região do Bico do Papagaio – que engloba 
partes dos estados do Pará e de Goiás, atualmente Tocantins – onde aconteceram 
os confrontos da Guerrilha do Araguaia. <BR><BR>Conforme o livro “Direito à 
Memória e à Verdade”, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência 
da República, ela teria sido capturada pelos militares e morta quando já não 
oferecia resistência. Antes, ela teria enfrentado seus algozes, cuspindo a cara 
de um deles e xingando o Major Curió. <BR><BR>Para Diva Santana , sua irmã, que 
representava a mãe na sessão, “a concessão da anistia é um resgate da história 
de Mariadina. Quero manifestar o meu reconhecimento à Comissão, que pela 
primeira vez, representando o Estado, pediu perdão a esses brasileiros. É uma 
contribuição à nossa história e ao nosso futuro”. 
<P class=noticia-int>O último caso analisado foi o de Vanderley Caixe (foto) . 
Membro e militante da Frente Aliança Libertadora Nacional, foi punido pela 
Ditadura. Indiciado em inquérito policial e denunciado como incurso nas penas da 
Lei de Segurança Nacional, ficou preso por cinco anos. Após ser libertado foi 
atuar como advogado, em&nbsp;defesa dos camponêses e trabalhadores rurais na 
Paraíba. </P>
<P class=noticia-int><IMG 
src="http://www.dhnet.org.br/direitos/militantes/vanderley_caixe/vanderley_caixe1.jpg"><BR></P>
<P class=noticia-int>Ainda no ramo do Direito, tem trabalhado em prol de presos 
políticos latino-americanos com atuação junto à Corte Interamericana e da 
Comissão de Direitos Humanos da ONU. Emocionado, Caixe reafirmou seus princípios 
socialistas e se disse agradecido pelo reconhecimento. “Sempre lutei e 
continuarei lutando pelo socialismo, pela liberdade”.</P>
<P class=noticia-int>Assista o vídeo: </P>
<P class=noticia-int><A 
href="http://www.youtube.com/watch?v=yKuqYkJbdhs&amp;feature=player_embedded">http://www.youtube.com/watch?v=yKuqYkJbdhs&amp;feature=player_embedded</A>#<BR><BR><BR><FONT 
color=#4c4c4c><EM>Com informações e textoS de Priscila Lobregatte, do Partido 
Vivo</EM><BR><BR></FONT>_____________________________________________________<BR><BR><STRONG>Mensagem 
do presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão</STRONG><BR><BR>Homenagem 
Pública do Estado Brasileiro<BR><BR>A história do Partido Comunista, fundado, no 
Brasil, em 25 de março de 1922, confunde-se com a história das lutas do povo 
brasileiro por condições dignas de vida, e em favor de uma sociedade justa e 
igualitária. Hoje, na data em que os comunistas comemoram os 88 anos de sua 
organização, a nossa homenagem a esses heróis brasileiros, nas pessoas de 
Dinaelza Santana Coqueiro, Maurício Grabois e Ângelo Arroyo que deram a vida 
pela construção da democracia no Brasil.<BR><BR>É importante ressaltar que, do 
ponto de vista da história política do Brasil, os comunistas foram os mais 
perseguidos. Desde a formação do PCB, durante a Velha República, sua trajetória 
foi marcada por violenta repressão policial. Estigmatizado durante o estado 
novo, ressurge na Constituinte de 1946 para cair novamente na ilegalidade em 
1947.<BR><BR>No período da ditadura, entre 1964 e 1985, o governo militar não 
poupou os comunistas – já divididos em dois grandes blocos, o PCB e o PCdoB. 
Inúmeros dirigentes do PCB são presos e torturados, entre eles, Mario Alves, 
Câmara Ferreira e Apolônio de Carvalho. Mais da metade dos desaparecidos 
políticos brasileiros fazem parte dos quadros do PCdoB, entre eles Maurício e 
Dinaelza, mortos na repressão a Guerrilha do Araguaia. O massacre da Lapa, em 
1976, onde foram assassinados Ângelo Arroyo e Pedro Pomar desferiu outro duro 
golpe na direção do partido.<BR><BR>Hoje, publicamente, o estado brasileiro pede 
desculpas a esses homens e mulheres, grandes comunistas, aqui também 
representados por Victória Grabois, Junilia Soares Santana, Camila Arroyo, 
Dolores Cardona Arroyo, Lenine Arroyo e Vanderley Caixe. Encerro tomando 
emprestada uma frase de Antônio Candido referindo-se a Apolônio de Carvalho, com 
a qual homenageio a todos:<BR><BR>“Um timbre especial de elevação, porque não se 
empenhavam na solução de seu destino pessoal, mas na busca de soluções 
coletivas, para que todos pudessem realizar-se um dia numa sociedade 
transformada”. <BR><BR>O Estado brasileiro tem o dever de promover reparação e 
satisfação pública para todos os que tiveram seus projetos de vida interrompidos 
pelas ações do autoritarismo conservador do século XX que promoveu perseguições 
ideológicas para que elas não se repitam.<BR><BR>É sintomático que hoje o Brasil 
está sendo refundado sob as bases de políticas sociais inspiradas nas idéias dos 
que caíram. Hoje, os avanços e a justiça social são construídos com a 
participação ativa e oficial dos comunistas ocupando postos-chave do governo, 
tal qual aspiravam os que lutaram no passado.<BR><BR>Que se diga em alto e bom 
tom: o Brasil reconhece que devemos as conquistas do presente a Mauricio, 
Dinaelza e a Angelo Arroyo!<BR><BR>Paulo Abrão<BR>Presidente da Comissão de 
Anistia do Ministério da 
Justiça<BR><BR>________________________________________________<BR><BR>Intervenção 
de Adalberto Monteiro, presidente da Fundação Maurício Grabois<BR><BR>São Paulo, 
25 de março de 2010.<BR><BR>Sessão solene em homenagem a Dinaelza Coqueiro, 
Ângelo Arroyo e Maurício Grabois<BR><BR>A história da República é marcada longos 
períodos ditatoriais ou de governos retrógados. A democracia sempre foi uma dura 
conquista do povo e das forças políticas democráticas. A ditadura militar 
imposta pelo golpe de 64 e que durou 21 anos foi um ciclo de tirania e violência 
política. Para que a democracia que hoje a Nação respira ressurgisse e a 
liberdade florescesse foi necessário coragem política para enfrentar o regime de 
exceção e terror. Pela liberdade, pela democracia, na galeria dos heróis e 
mártires do nosso país, é grande o número de comunistas. Militantes padeceram 
vasto tempo em prisões. Na carne e na alma foram vítimas de torturas atrozes. 
Neste 25 de março de 2010, quando se comemoram os 88 anos do Partido Comunista 
do Brasil, nos reunimos para homenagear a memória de lutadores e lutadoras, 
intrépidos combatentes do povo brasileiro.<BR><BR>Maurício Grabois, Ângelo 
Arroyo, Dinaelza Soares Santana Coqueiro ao preço da própria vida lutaram pelo 
triunfo da democracia. Com sua participação marcante na luta contra o Estado de 
exceção, deixaram como legado seus exemplos de vida militante em prol de um 
Brasil democrático, soberano, de justiça social como parte do processo de 
conquista do socialismo. <BR><BR>Naquele período, milhares de pessoas e inúmeras 
organizações aderiram à luta contra a ditadura militar. Luta que teve gradações 
e formas distintas. Destaca-se entre elas a Guerrilha do Araguaia, a mais 
importante resistência armada contra a tirania daquele Regime. Uma verdadeira 
epopeia de nosso povo em defesa da liberdade – teve entre seus protagonistas 
Grabois, Arroyo, Dinaelza. Esses heróis de nosso povo deixaram para a história 
um registro de bravura. Forjaram-se como os combatentes destemidos que lutaram 
até o fim, transformando em última trincheira o momento dramático do confronto 
com os algozes da repressão.<BR><BR>Baiana de Vitória da Conquista, Dinaelza 
Soares Santana Coqueiro teve participação destacada no movimento estudantil, 
tendo sido eleita diretora executiva do Diretório Central dos Estudantes da 
Universidade Católica de Salvador. Decidida a lutar contra a ditadura e a 
defender os ideais de justiça e liberdade, ingressou – ao lado do marido, 
Vandick Reidner Pereira Coqueiro, também desaparecido político – no movimento 
guerrilheiro do Araguaia. Atuando sob os codinomes Dinorá e Maria Dina, teve 
presença marcante na Guerrilha. Neste mês de março quando se comemora o 
centenário do Dia Internacional da Mulher, homenagear a memória de Dinaelza é 
reconhecer simbolicamente pelo seu nome o legado quase sempre ocultado da mulher 
brasileira nas grandes jornadas democráticas de nosso país. Quero saudar a 
presença neste evento da irmã de Dinaelza, a incansável batalhadora pelos 
direitos humanos, pelos direitos dos familiares dos mortos e desaparecidos 
políticos, a camarada Diva Santana, do movimento Tortura Nunca Mais, da Bahia. 
<BR><BR>Operário metalúrgico, Ângelo Arroyo ingressou no Partido Comunista do 
Brasil em 1945, com apenas 17 anos. Foi ativista do movimento sindical paulista 
e um dos líderes do Sindicato dos Metalúrgicos na década de 1950, tendo 
participado das históricas greves ocorridas nos anos de 1952-1953 em São Paulo. 
Perseguido pela ditadura militar, foi para o Araguaia como um dos comandantes da 
Guerrilha. Foi, também, um dos poucos sobreviventes daquele episódio. Em fins de 
janeiro de 1974 conseguiu furar o cerco dos militares e reencontrar os 
companheiros do Partido em São Paulo, aos quais entregou um detalhado relatório 
sobre as atividades no Araguaia. Arroyo foi fuzilado em 16 de dezembro de 1976, 
durante uma reunião da direção do PCdoB, no episódio que passou à história como 
a “Chacina da Lapa”. Nosso carinho, nossa homenagem a viúva de Ângelo Arroio, 
Dolores Cardona Arroyo e seus filhos Lenine Arroyo e Camila Arroyo aqui 
presentes e, também, de outros membros de sua família. A família de Arroyo, a 
exemplo de outras, sofreu perseguições e privações de toda ordem, por isso a 
Comissão de Anistia julgará na manhã de hoje os processos da senhora Dolores e 
dos seus filhos, Lenine e Camila.<BR><BR>Maurício Grabois nasceu em 2 de outubro 
de 1912. Homem de larga cultura, jornalista, polemista arguto e político de rara 
sensibilidade, por sua ação e por seu pensamento foi um dos mais destacados 
dirigentes do Partido Comunista do Brasil. Em 1934-1935, participou das jornadas 
gloriosas que resultaram na formação da Aliança Nacional Libertadora (ANL). 
Preso em 1941, ao sair do cárcere integrou a Comissão Nacional de Organização 
Provisória (Cnop), que tinha como principal objetivo a rearticulação do Partido 
– então destroçado pelo Estado Novo. Eleito deputado constituinte em 1945, 
liderou a bancada comunista no Congresso Nacional até janeiro de 1948. Em 1962, 
juntamente com João Amazonas e outros, protagonizou a reorganização do Partido 
Comunista do Brasil. Grabois foi, ainda, o principal comandante da Guerrilha do 
Araguaia. No natal de 1973, em algum ponto das selvas da Amazônia, morreu em 
combate num confronto com os agentes da ditadura. O Partido Comunista do Brasil 
em reconhecimento ao seu legado decidiu associar o seu nome à sua instituição de 
pesquisas, estudos e formação política, primeiramente, denominado, Instituto 
Maurício Grabois e, hoje, Fundação Maurício Grabois.<BR><BR>Nossa homenagem e 
nossa saudação a Victória Grabois, filha de Maurício Grabois, que acaba de 
receber a portaria de Anistiado Político. No presente, Vitória tem se dedicado 
com ardor pelo resgate da verdade, pelos direitos dos familiares dos mortos e 
desaparecidos políticos. Nesse sentido, realizou e realiza importante trabalho 
no grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro. <BR><BR>Devotada a esses 
personagens do povo brasileiro, esta sessão se realiza por iniciativa da 
Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, em parceria com a Fundação 
Maurício Grabois. Não poderíamos deixar de agradecer, pelo inestimável apoio 
concedido, à Câmara Municipal de São Paulo, na pessoa do vereador Jamil Murad – 
autor do requerimento para a realização deste evento e, também, na pessoa do 
vereador Netinho de Paula.<BR><BR>A Comissão de Anistia realiza, assim, mais um 
importante trabalho, de grande significado para a democracia e o avanço de nosso 
país. Instalada pelo Ministério da Justiça em agosto de 2001, a Comissão ganhou 
dinamismo e atuação resoluta nos últimos anos, sob a presidência de Paulo Abrão 
e mesmo antes no período presidido por Marcelo Lavenère. Apresentamos à senhora 
Sueli Bellato, vice-presidente da Comissão, dirigente deste Ato, também nosso 
reconhecimento, extensivo ao conjunto de Conselheiros e Conselheiras, aos 
profissionais da Comissão, pela abnegação com que se dedicam a esse trabalho de 
alcance histórico. A Comissão tem analisado pedidos de reparação econômica 
formulados por pessoas que tiveram suas vidas e suas atividades profissionais 
vilipendiadas pelo regime de exceção que grassou em nosso país a partir de 1964. 
Esse trabalho de reparação não deve ser jamais subestimado, tamanhos foram os 
sofrimentos e os danos trazidos a um sem-número de pessoas pela ditadura 
militar. Contudo, outra dimensão importante do trabalho da Comissão de Anistia 
merece ser por nós destacada. Essa dimensão diz respeito ao resgate da memória. 
<BR><BR>É preciso esclarecer o que de fato ocorreu em momentos obscuros de nossa 
história, apurando, com rigor e isenção, informações de fundamental importância 
para a promoção dos direitos humanos em nosso país. A relevância desse trabalho 
fica ainda mais clara quando atentamos para a necessidade de informar e educar o 
povo brasileiro sobre episódios sombrios de seu passado recente, contribuindo 
assim para evitar que fatos de triste memória jamais se repitam em nosso 
cotidiano. Além disso, resgatar a trajetória de importantes heróis da nação 
brasileira, como Dinaelza, Grabois e Arroyo, é também uma forma de criar 
referências de luta junto às novas gerações. Homenageá-los e também dar 
seguimento às batalhas pela ampliação da democracia, pela afirmação da soberania 
do nosso país e pela grande causa do socialismo. É dar seguimento a luta pelos 
os direitos humanos. É exigir abertura dos arquivos da ditadura militar, é 
exigir o direito humanitário até hoje negado dos familiares enterrarem em túmulo 
honroso os restos mortais de seus entes queridos. É em alto e bom som bradar 
pelo fim da tortura e pela punição daqueles que a praticaram e a 
praticam.<BR><BR>Em suas atividades de estudo, pesquisa e resgate da história 
dos comunistas brasileiros, a Fundação Maurício Grabois tem destacado que um 
país sem memória é um país sem identidade. Por conta disso, a memória pode e 
deve ser vista como uma poderosa ferramenta, capaz de criar referências, 
reforçar vínculos e embasar projetos de sociedade. Assim, no momento em que o 
país discute a necessidade de um novo projeto nacional de desenvolvimento, é de 
fundamental importância revisitar o passado, embora com os olhos no futuro. Como 
bem diz a sabedoria popular de nossa gente, “recordar é viver”. É por isso que 
nossos três heróis permanecem hoje vivos, seu testemunho de luta e de sangue a 
iluminar os caminhos das novas gerações. <BR><BR>Os exemplos de Dina, Arroyo e 
Grabois nos inspiram. Eles estão aí para nos lembrar de que, sem muita luta, sem 
renúncia e abnegação, não será possível atingir o desenvolvimento pleno pelo 
qual anseiam nosso povo e nosso 
país.<BR></P></FONT></DIV></FONT></DIV></BODY></HTML>