<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
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<DIV><FONT size=2 face=Arial></FONT> </DIV>
<DIV><FONT color=#ff0000 size=6 face=Forte><FONT size=7>Carta O
Berro</FONT><FONT
size=3>.......................................................................repassem</FONT></FONT></DIV>
<DIV><FONT color=#ff0000 face=Forte></FONT> </DIV>
<DIV><FONT color=#ff0000 face=Forte></FONT> </DIV>
<DIV><FONT color=#ff0000 face=Forte></FONT> </DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial"> </DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message -----
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A
title=ecaja@hotmail.com href="mailto:ecaja@hotmail.com">Edival Caja</A>
</DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV><SPAN style="DISPLAY: none"> </SPAN> <!--~-|**|PrettyHtmlStartT|**|-~-->
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<DIV id=ygrp-text>
<P> </P>
<P>Excelente entrevista com a grande companheira Jessie Jane exclusiva ao
<STRONG>Jornal A Verdade</STRONG> em fevereiro de 2010, nº 113.<BR>Logo em
seguida enviarei a fantástica entrevista com Abelardo da Hora, do mês de março
(nº 114) do <STRONG>Jornal A Verdade</STRONG>.<BR>Encontrado nas principais
bancas de revista de Belém a Porto Alegre.<BR> <BR><IMG
src="http://pcrbrasil.org/wp-content/uploads/2010/02/averdade.png"><BR><A
href="http://www.averdade.org.br">www.averdade.<WBR>org.br</A> <BR> <BR> <BR>
<TABLE style="BORDER-COLLAPSE: collapse" class=MsoNormalTable border=0
cellSpacing=0 cellPadding=0 width="100%">
<TBODY>
<TR>
<TD
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vAlign=top>
<P class=MsoNormal><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 13.5pt">Jessie Jane: “A raiz da
corrupção que está aí é o golpe militar de 1964”, A
Verdade<O></O></SPAN></B><BR></P></TD></TR>
<TR>
<TD
style="BORDER-BOTTOM-COLOR: #e0dfe3; BACKGROUND-COLOR: transparent; BORDER-TOP-COLOR: #e0dfe3; BORDER-RIGHT-COLOR: #e0dfe3; BORDER-LEFT-COLOR: #e0dfe3"
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<P style="TEXT-ALIGN: right" class=MsoNormal align=right><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><O></O></SPAN></P></TD></TR>
<TR>
<TD
style="BORDER-BOTTOM-COLOR: #e0dfe3; BACKGROUND-COLOR: transparent; BORDER-TOP-COLOR: #e0dfe3; BORDER-RIGHT-COLOR: #e0dfe3; BORDER-LEFT-COLOR: #e0dfe3"
vAlign=top>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">Jessie Jane Vieira de Sousa é
professora do departamento de história do Instituto de Filosofia e
Ciências Sociais (IFCS) e foi diretora do Instituto de janeiro de
2006 a janeiro de 2010. Possui graduação em História pela Universidade
Federal Fluminense (UFF), mestrado em História pela Universidade Estadual
de Campinas e doutorado em História Social pela UFRJ.<O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><IMG
src="http://www.averdade.org.br/uploads/img4b7dfe806b176.jpg" width=250
height=188></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><BR>Filha de um trabalhador
mineiro, Jessie Jane se filiou à Ação Libertadora Nacional (ALN) em 1969.
Na ALN conheceu Colombo e com ele viveu na clandestinidade até 1970. Ambos
foram presos no dia 1º de julho de 1970, quando executavam a ação de
seqüestro do Caravelle PP-PDX da Cruzeiro do Sul, no Rio de Janeiro.
<O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><BR>Estava com 21 anos quando foi
presa e barbaramente torturada. Permaneceu nove anos na penitenciária de
Bangu (Presídio Talavera Bruce). Em 1972, obteve autorização judicial para
se casar e em setembro de 1976, nasceu Leta, sua filha.<O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><BR>Depois que saiu da cadeia foi
morar em Volta Redonda, onde trabalhou construindo arquivo do movimento
operário. De 1999 a 2002, exerceu o posto de diretora do Arquivo Público
do Rio de Janeiro, onde estão arquivados todos os documentos do antigo
DOPS. Como pesquisadora, publicou oito artigos para periódicos, escreveu
dois livros, além de dez textos para jornais e revistas e o mesmo número
de trabalhos para congressos. Nessa entrevista, a professora Jessie Jane
fala sobre a situação atual do país e da universidade
brasileira.<BR><BR><O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">A Verdade</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – Qual a sua avaliação sobre o
golpe militar de 1964 e suas consequências para o povo
brasileiro?<BR><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">Jessie Jane</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – Foi uma das coisas mais
dramáticas da história do Brasil. A sociedade brasileira vivia um momento
de ascensão dos movimentos sociais, avanço da esquerda, dos movimentos
sociais – e o golpe interrompeu isso. Não só do ponto de vista dos
processos políticos que estavam sendo gestados e que foram ceifados. As
consequências aí estão colocadas: corrupção, violência, tudo isso tem a
raiz ali.<O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">A Verdade</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – Para a universidade, em
particular, o que representou a ditadura? <BR><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">Jessie</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – Eu não estava na universidade
quando houve o golpe, mas a UFRJ viveu isso de forma grave. Por
exemplo: no curso em que eu dou aula, História, vários professores foram
expulsos da universidade, houve intervenção, criou-se um vazio na
universidade, do ponto de vista docente, e depois veio o amordaçamento da
discussão. Acho que a universidade é hoje muito mais distanciada das
questões nacionais. A universidade não tem uma interlocução com a
sociedade, sua presença na sociedade é quase nenhuma. Não há projetos
nacionais sendo gestados, isso tudo consequência desse esvaziamento
causado pelo golpe. A universidade que existia no Brasil pré-64
tinha menos jovens. Era, digamos assim, mais elitista do que é hoje. No
entanto, era um espaço de disputa política muito mais ativo. Hoje, ela
vive um marasmo político absoluto. Eu diria até que é um espaço do
conservadorismo, principalmente na área das humanas.<O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">A Verdade</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – Por que até hoje os
torturadores não foram punidos no Brasil?<BR><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">Jessie</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – Por vários motivos. Primeiro
por que há uma cultura política no Brasil que é de sempre as transições
virem de cima; tem um conchavo entre as elites e chega-se a um acordo; e
aí tudo o que passou pertence ao passado, e o passado fica petrificado.
Isso foi feito na história do Brasil inteira, e a tal da transição
democrática que foi feita, foi feita com isso. Tanto é que se diz: “Quem
foram os personagens da transição?”. Tancredo, até Sarney é o
personagem. E aí teve um acordo sinistro na verdade, de silêncio entre os
golpistas, aqueles que eram parte do golpe, a tal da oposição democrática
e até setores da esquerda foram parte desse silêncio. O movimento social
não conseguiu avançar, e aí já estou me referindo ao movimento de defesa
dos direitos humanos. Não consegui construir forças para produzir uma nova
memória, porque a memória que se produziu é uma memória de que houve uma
anistia, de que todo mundo foi anistiado, o que não é verdade.
Quando Lula assumiu o governo, vários setores acharam que, com ele,
iríamos avançar nessa questão, mas Lula não tem nenhum compromisso com
isso. Acho até que, nos últimos dois anos, até avançou um pouquinho com
Tarso Genro no Ministério da Justiça e com Paulo Vannuchi na Secretaria de
Direitos Humanos, mas estamos muito longe disso. Eu tenho dúvidas de se
ainda vamos conseguir punir os torturadores, mas tenho
esperança.<O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">A Verdade</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – O que fica de lição, para o
povo, da luta contra a ditadura? <BR><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">Jessie</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – Acho que há uma coisa que é
importante, principalmente para minha geração: é um pouco da questão da
democracia, entendeu? A gente tinha uma ideia um pouco diferenciada sobre
a discussão democrática, porque a gente sempre pensava na democracia como
uma democracia literal do século 19, aquela democracia do voto que a gente
chamava de democracia burguesa, e que é mesmo, né? Faz parte da revolução
burguesa, essa coisa. Só que, quando você vive num regime ditatorial,
quando você não tem nenhum espaço de expressão, essa democracia burguesa é
importante, e conseguir isso foi importante. Porque ela amplia a
possibilidade de você construir uma democracia real. Quando todos os
segmentos da sociedade conseguem espaço para se organizar, para se
expressar, você vai alargando, pode alargar ou não, não é um resultado
inevitável. Acho que é um pouco o que o Brasil tem tentado fazer ao longo
desses anos, mas nós estamos muito aquém daquilo que deveria ser uma
democracia real, em que todos tivessem acesso a tudo. Mas de qualquer
forma acho que a luta contra a ditadura deu algumas lições para a gente,
principalmente a ideia de quanto pior, é pior mesmo, não é “quanto pior,
melhor”.<O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">A Verdade</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – Qual o papel da luta armada
para a derrota da ditadura militar?<BR><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">Jessie</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – Analisar a luta armada é
supercomplexo, até porque você tem uma interdição da história política
brasileira em discutir essas coisas, e aí um discurso pacifista sempre
tenta obstruir essas possibilidades. Do ponto de vista histórico, você não
tem nenhuma mudança de regime, de modelo, que não tenha sido pela luta
armada. Nenhuma classe entrega o poder a outra sem haver uma revolução ou
qualquer tipo de rebelião. Nunca aconteceu e provavelmente não acontecerá.
O Chile tentou isso e deu no que deu. Isso é uma experiência histórica que
os povos viveram e de que, até hoje, não conheço outro modelo. Se alguém
conhecer, me conte, porque eu não conheço. No caso do Brasil, é preciso
contextualizar a opção da luta armada naquele momento histórico. Alguém
assim falando hoje parece fazer parte de um bando de lunáticos que
resolveram..<WBR>. Bem, mas penso que a luta armada tem, teve um papel na
luta contra a ditadura, mesmo que seja um papel de exemplo.
<O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">A Verdade</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – Este ano foi divulgado um
encontro em que o general Médici, à época presidente do Brasil, e o
presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, discutiram a derrubada do
governo [do presidente chileno Salvador] Allende, em 1973. Em junho do ano
passado, houve um golpe militar em Honduras e muitos acreditam na
participação dos Estados Unidos nesse episódio. Como vê a participação dos
EUA nos golpes militares na América Latina?<BR><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">Jessie</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – Bom, isso tudo está
documentado. É documentação do Departamento de Estado, não sou eu que
estou dizendo. Hoje se conhece toda a intervenção de fato dos Estados
Unidos. Inclusive um colega meu da [cadeira de] História, o Carlos Fico,
acabou de lançar um livro que se chama O grande irmão: da Operação Brother
Sam aos anos de chumbo, que contém documentação do Departamento de Estado
que mostra a presença dos Estados Unidos na articulação do golpe no
Brasil, no Chile. Está mais do que documentado. Então esses golpes todos,
na América Latina, desde os anos 1950, e as intervenções na América
Central, a presença do governo americano... O problema dos Estados Unidos
é que, quando está falando de governo norte-americano, você está falando
de empresas, porque aquilo é um Estado empresarial, de interesses
econômicos, políticos e ideológicos, e, naquele momento, no contexto da
Guerra Fria. Hoje também há a presença dos Estados Unidos, porque se sabe
que o governo Obama é um governo dividido. Há grandes personagens do
Departamento de Estado que têm empresas em Honduras. Há um artigo muito
interessante que saiu no Le Monde Diplomatique falando sobre isso. Que as
empresas, essas empresas bananeiras todas são de americanos, gente do
Departamento de Estado. E tem mais um outro detalhe, que é o seguinte: há
hoje na América Latina um desequilíbrio, digamos assim, na correlação de
forças, porque há governos, não vou dizer governos de esquerda, mas
governos mais populares ou mesmo que ficam do centro para esquerda em
quase todos os países. Na América Central você tem agora El Salvador, a
Guatemala... tem esse Zelaya, que não é nenhuma flor que se cheire, mas
pelo menos é um dissidente da oligarquia. E o Le Monde Diplomatique fazia
uma análise muito interessante, mostrando que o golpe militar em Honduras
era um balão de ensaio desses setores dos falcões americanos com setores
conservadores latino-americanos, dizendo “olha, se der certo quem sabe
poderemos fazer isso em outros lugares”. Por isso eu acho que a reação do
Hugo Chávez é importante porque ele sabe disso: está a Venezuela ali, a
Colômbia que os americanos apoiam estão ali... Na verdade, é a questão da
geopolítica. As pessoas são muito ingênuas nisso. Esses setores
empresariais americanos têm uma estratégia ao lado dos setores
conservadores, e não é à toa que se vê como os jornais burgueses tratam
isso. Está havendo um rearranjo da direita latino-americana. E daqui a
pouco começam as eleições, e eles estão se rearranjando, Essa gente tem
projeto, tem estratégia, e essa é sempre uma estratégia continental.
<O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">A Verdade</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – Que papel pode cumprir a
universidade na conquista de uma nova sociedade?<BR><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">Jessie</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – Hoje? Nenhum. Os estudantes
discutem questões muito pontuais. Mesmo esses estudantes da chamada
extrema-esquerda são muito míopes, não têm uma plataforma de discussão de
Brasil. É tudo muito primário, se resume em lutas quase que intestinas,
eles não têm uma representação na massa estudantil. A maioria dos
estudantes, hoje, chega aqui, estuda e vai para casa, e quer seu diploma
para poder subir na vida. Não se tem um movimento de professores que tenha
discussão além do corporativo – ou então cada um com seu projeto de
pesquisa. Os funcionários são só corporação, só discussão de direitos.
Deveres? Nenhum. Acho que nesse momento a única coisa que você pode fazer
é formar bem seu aluno para ele ser um bom professor. <O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">A Verdade</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – Como vê a atual situação do
Brasil? <BR><BR></SPAN><B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">Jessie</SPAN></B><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"> – De forma muito pessimista.
Acho que os movimentos sociais estão quase todos cooptados pelo governo
federal, uma central sindical absolutamente chapa-branca; uma coisa que o
governo Lula fez, a despeito de todas as coisas boas que foram feitas – e
reconheço que o governo Lula é muito melhor do que o governo Fernando
Henrique, evidente. Mas houve no governo Lula um esvaziamento enorme dos
movimentos sociais. Hoje existe uma cooptação clara e evidente de
lideranças de movimentos. Não vejo nenhuma autonomia nos movimentos
sociais. Quem ainda tenta fazer algum discurso autônomo, mesmo assim muito
fraco, é o MST, que está sendo criminalizado. Também o MST me parece que
está, um pouco, vivendo assim sem rumo. Do ponto de vista sindical, o que
vejo é uma coisa corporativa, esvaziada de conteúdos políticos mais
relevantes, cooptação das centrais. A CUT é uma central chapa-branca. O
resto já era mesmo. Um movimento estudantil também chapa-branca. Essas
organizações que se opõem à UNE também não conseguem ter um discurso que
pegue. Eu vejo aqui, os meninos vêm aqui dizer um monte de abobrinhas, é
uma coisa monocórdia, uma coisa que não tem consequência porque,
para poder atingir o conjunto dos estudantes, é preciso uma fala que tenha
a ver com a vida das pessoas, não adianta querer... Então, eu vejo o
Brasil, hoje, com muitos problemas. Diferente, por exemplo, de um país
como a Bolívia, que tem uma tradição de participação, de demandas, nós
somos uma sociedade hoje muito acomodada nos nossos índices de país em
desenvolvimento.<O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><O></O></SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: right" class=MsoNormal align=right><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><BR></SPAN><I><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt">Gabriela Gonçalves Cardoso, Rio
de Janeiro</SPAN></I><SPAN
style="COLOR: #333333; FONT-SIZE: 9.5pt"><O></O></SPAN></P></TD></TR></TBODY></TABLE></P> <BR><A
href="http://www.averdade.org.br/">www.averdade.<WBR>org.br</A><BR><BR>
<HR>
</DIV></DIV></DIV>
<P>
<HR>
<P></P><BR>Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida.<BR>Verificado por
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