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<DIV><FONT color=#ff0000 size=6 face=Forte>Carta O Berro<FONT
size=3>...................................................................repassem</FONT></FONT></DIV>
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<DIV style="FONT: 10pt arial"> </DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message -----
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"> <A
title=flavia_carlet@yahoo.com.br
href="mailto:flavia_carlet@yahoo.com.br">flavia_carlet@yahoo.com.br</A> </DIV>
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<DIV id=yiv2006024057>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 14.15pt"
class=MsoNormal><B><SPAN><FONT size=4>Quem só entende de
dinheiro e boi não entende nada de
gente</FONT></SPAN></B><SPAN><FONT size=4>. </FONT>
<DIV></SPAN></DIV>
<P style="TEXT-INDENT: 35.4pt"
class=MsoNormal><SPAN><SPAN>
</SPAN>Jacques Távora Alfonsin*.
<DIV></SPAN></DIV>
<P style="TEXT-ALIGN: justify"
class=MsoNormal><SPAN><SPAN> <FONT
size=3> </FONT></SPAN><FONT size=3>O vice-presidente
da Farsul, em artigo publicado na <SPAN> </SPAN>ZH do dia
30 de janeiro, comparou o MST com Dr. Jekyll e Mr. Hide, para
sustentar a tese de que esse Movimento popular é um monstro.
Isso estaria provado por três fatos principais, entre outros:
uma iniciativa de procurador do Incra para apurar práticas
criminosas que teriam ocorrido em um assentamento; tais
assentamentos se constituiriam em fracassos econômicos, favelas
rurais, segundo pesquisa do Ibope; “fome se acaba é com
agricultura forte, e não com invasões, roubos e terrorismo
rural.” </FONT>
<DIV><FONT size=3></FONT></SPAN></DIV>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.4pt"
class=MsoNormal><SPAN><FONT
size=3><SPAN>
</SPAN><SPAN> </SPAN>O pouco que
não passou de opinião preconceituosa do articulista, preocupado
que estava em criticar João Pedro Stedile, uma liderança
nacional do MST, ficou em meia verdade. No dia seguinte, o vice
da Farsul já teve oportunidade de constatar como é perigosa a
generalização precipitada. A mesma ZH publicou matéria extensa
sobre o quanto é antiga a presença de infiltrados dentro do
Movimento, seja para alcaguetar, seja para se aproveitar de uma
organização popular honesta com o fim de praticar atos
desonestos. Por outro lado, mais de uma vez, em vários
assentamentos,<SPAN> </SPAN>o próprio Movimento tomou a
iniciativa de denunciar ao Incra irregularidades ocorridas
nesses agrupamentos de pessoas, pois, como
<SPAN> </SPAN>Paulo Freire já comprovara, o opressor, não
raro, mora dentro do oprimido, e as/os assentadas/os não
pretendem ter em seu meio, gente que pensa, individual,
egoística e anti-socialmente, como a maioria da classe a qual
pertence o vice da Farsul. Assentamento não é lugar de
abigeatário nem de traficante de droga, como entidade rural
patronal e latifundiária não deveria ser abrigo de denúncia
generalista e leviana.
<SPAN> </SPAN><SPAN> </SPAN> </FONT>
<DIV><FONT size=3></FONT></SPAN></DIV>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN><FONT
size=3><SPAN>
</SPAN><SPAN>
</SPAN>Faltou-lhe dizer também que, mal publicada a tal pesquisa
do IBOPE, o IBGE veio em cima do fato (?), demonstrando que quem
alimenta o povo brasileiro não são os grandes proprietários de
terra, por eles tratada como simples mercadoria, escravizada e
explorada em benefício exclusivo das suas exportações. É por
isso, talvez, <SPAN> </SPAN>que não se observa indignação
do mesmo artigo contrária a crimes como o de corromper o Poder
Público, escondendo quem corrompe, explorar trabalho escravo,
impedindo que projetos de lei contrários à tal ignomínia
prosperem; protocolada em 2001, a proposta de emenda
constitucional 438, contra o trabalho escravo, está parada no
Congresso desde 2004... </FONT>
<DIV><FONT size=3></FONT></SPAN></DIV>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 3cm"
class=MsoNormal><SPAN><FONT size=3>Contratar jagunços
assassinos, impor redação às leis, trocar o destino alimentar da
terra por celulose, criar e dominar CPIS, manipular estatísticas
(como aquela que o tal artigo do vice invoca, feita a mando da
CNA), sonegar impostos e depois reclamar anistia para dívidas
públicas e privadas, aconselhar a adição de raticida às águas
que servem os acampamentos do MST, nada disso é crime para a
opinião que criminaliza o Movimento. Celebrar a perseguição
cruel e desumana que parte do Ministério Público do Rio Grande
move contra as/os sem-terra, festejar o fechamento das escolas
itinerantes que o MST mantém, minimizar até o assassinato de um
sem-terra como o de Elton Brum da Silva, perpetrado covardemente
na própria terra (São Gabriel), onde o vice não é vice e sim
presidente do sindicato rural, igualmente, faz parte da poderosa
e sórdida campanha de descrédito que domina grande parte da
mídia contra as/os sem-terra.<SPAN>
</SPAN><SPAN> </SPAN><SPAN> </SPAN> </FONT>
<DIV><FONT size=3></FONT></SPAN></DIV>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 3cm"
class=MsoNormal><SPAN><FONT size=3>Pelo menos para esse tipo de
“agricultura forte”, assim considerada pelo vice da Farsul,
baseada nesse autêntico terrorismo, o MST não é cúmplice, nem
pode ser acusado de impune. Para o sustento perverso dessa
relação ecológica com a terra, humana e social com o povo, não
figura no seu passivo ter ajudado com bois ou com dinheiro.
<SPAN> </SPAN>Nem ele nem os pequenos proprietários rurais
(MPA), os atingidos por barragens (MAB) e as mulheres camponesas
sob a bandeira do MMC. Como qualquer outra organização de povo,
o MST não se julga isento de defeitos, como o vice parece
considerar o modelo de atividade econômica que ele defende; o
Movimento sabe muito bem disso, sem precisar das acusações, da
ativa perseguição e criminalização que lhe são movidas, tanto
pela classe rural a qual o articulista pertence, como por boa
parte do Poder Público. É verdade que ocupa terras e o faz para
fugir do desespero da pobreza e da miséria que ameaçam a vida
das/os sem-terra. Quem o criminaliza e condena, entretanto, não
tem que matar um leão por dia para saciar a fome das crianças
suas filhas. Não fosse o programa bolsa família e as farmácias
caseiras das/os próprios acampadas/os o descumprimento da função
social da propriedade privada dos latifúndios já as teria
eliminado.<SPAN>
</SPAN><SPAN> </SPAN><SPAN>
</SPAN><SPAN>
</SPAN>O patrocínio em dinheiro, bois e poder que inspiram
mente, coração e armas dos novos capitães de mato que andam
vigiando, tentando controlar e se preciso for, matar essa
organização de povo - como parte do Ministério Público do Estado
já decidiu outrora - deve estar colecionando perplexidades. Como
é possível que uma gente tão pobre, vítima secular de campanhas
tão antigas quanto mentirosas, com um passado tão doloroso de
pessoas feridas e mortas, agredida diariamente no corpo e na
moral, ainda resiste? </FONT>
<DIV><FONT size=3></FONT></SPAN></DIV>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN><FONT
size=3><SPAN>
</SPAN><SPAN>
</SPAN>A resposta, salvo melhor juízo, parece
simples.<SPAN> </SPAN>Os seus detratores são fiéis
guardiães de um modelo secular de dominação econômica, política
e jurídica, que, de “moderno” só têm a violência das mesmas
armas que a sua ascendência colonialista e escravocrata lhes
passou disfarçada depois como “liberdade de iniciativa”. As/os
integrantes, agricultoras/ es trabalhadoras/ es pobres do MST, e
outros movimentos populares, bem ao contrário, estão ao lado de
uma nova sociedade e de um novo mundo possível, de uma liberdade
de fato e não só de direito,<SPAN> </SPAN>de uma economia
solidária, na qual o bem-estar de todas/os não seja sonegado
apenas em favor de alguns. </FONT>
<DIV><FONT size=3></FONT></SPAN></DIV>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN><FONT
size=3><SPAN>
</SPAN><SPAN> </SPAN>Assim, pelo menos numa coisa o artigo
do referido vice tem razão. O MST integra aquela fração de povo
que não é boba. Enxerga o mal que esse modelo econômico do
chamado agronegócio capitalista e neoliberal, com raras
exceções, causa ao povo e ao seu país. Injusto,
inconstitucional, ilegal, a intolerabilidade dos efeitos que ele
causa explica e justifica a defesa da dignidade e da cidadania
que o mesmo quer matar, como matou o Elton. Este mostrou que, em
vez de dinheiro, tão ao gosto do raciocínio limitado do artigo
publicado dia 30, essa defesa vale até o sacrifício da própria
vida. Linguagens e ações desse tipo, porém, são incompreensíveis
para quem entende só de dinheiro, lucro, pecúnia. Pecúnia vem do
latim (pecus), de onde derivou pecuária, criação de bois. Isso
não nos obriga a pensar e agir como essa vítima preferida dos
matadouros e frigoríficos.
<SPAN> </SPAN><SPAN> </SPAN><SPAN> </SPAN>
</FONT>
<DIV><FONT size=3></FONT></SPAN></DIV>
<P style="TEXT-ALIGN: justify" class=MsoNormal><SPAN><FONT
size=3>*Advogado do MST. Acesso@via-rs. net </FONT>
<DIV><FONT
size=3></FONT></SPAN></DIV><BR></DIV></BLOCKQUOTE></TD></TR></TBODY></TABLE><BR></DIV></DIV></DIV></DIV></DIV></BLOCKQUOTE></TD></TR></TBODY></TABLE><BR></BODY></HTML>