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<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message -----
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A
title=urda@flynet.com.br href="mailto:urda@flynet.com.br">Urda Alice Klueger</A>
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2010</A></DIV></DIV>
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<FONT size=6>“É preciso descolonizar a globalização” </FONT><BR><B>Em
debate realizado sábado (30) em Salvador, durante do Fórum Social
Mundial Temático da Bahia, pesquisadores e ativistas do movimento social
afirmaram a urgência de se descolonizar o pensamento e o conhecimento na
África e América Latina. Para o africano Samba Buri MBoup, é preciso
descolonizar a globalização, recuperando o patrimônio intelectual
deixado pelos africanos e a contribuição do continente no
desenvolvimento da história e da economia o mundo.</B></DIV>
<DIV class=ecxgmail_quote><STRONG></STRONG><BR> </DIV>
<P style="COLOR: rgb(153,0,0)" class=ecxgmail_quote><I><B>Bia
Barbosa</B></I></P>
<P style="COLOR: rgb(153,0,0)"
class=ecxgmail_quote><STRONG><EM></EM></STRONG> </P>
<DIV class=ecxgmail_quote>Um dos principais desafios para construção de
um outro mundo possível, na busca pela igualdade entre os seres humanos,
é fazer aquilo que está simbolizado na própria logomarca do Fórum Social
Mundial: tratar os continentes de forma igualitária. E um dos primeiros
e mais estratégicos passos neste sentido é o desafio da descolonização
do pensamento e do conhecimento produzido e distribuído nas duas regiões
mais pobres do planeta: a África e a América Latina. Este foi um dos
temas debatidos neste sábado (30), em Salvador, durante do Fórum Social
Mundial Temático da Bahia, onde professores, pesquisadores e militantes
do movimento social chegaram à conclusão de que a própria globalização
também precisa ser descolonizada.<BR><BR><FONT size=4>“Descolonizar o
pensamento é enfrentar os desafios colocados pelo eurocentrismo e pelo
etnocentrismo como modos de pensar dominantes. No quadro histórico
marcado pelo colonialismo europeu, quando essa visão, centrada na
Europa, é utilizada como grade de leitura e interpretação da realidade
de todo o mundo, constrói-se uma visão distorcida dos padrões e da
natureza dos povos”, explica o senegalês Sampa Buri Mboup, professor da
Universidade da África do Sul.<BR><BR>Essência do pensamento colonial, o
eurocentrismo foi, durante séculos, a base do projeto predatório e
opressivo aplicado pelas elites e povos do continente Europeu,
garantindo a manutenção de seus interesses. No Brasil, o colonialismo e
o pensamento produzido no período estão diretamente relacionados à
construção da sociedade brasileira. Era preciso construir um discurso
que justificasse a escravidão e a opressão contra os povos indígenas e
negros.<BR><BR>“Os dominadores se utilizaram de um discurso religioso,
que dizia que os negros precisavam ser purificados através do batismo.
Todos os que aqui chegavam eram batizados e catequizados. O discurso
ideológico, aliado à força, foi um instrumento usado para manter o poder
e construir a estabilidade para a classe dominante”, conta Edson França,
coordenador da Unegro.<BR><BR>Com a crise provocada pela Reforma e a
ascensão do Iluminismo, foi preciso encontrar uma justificativa racional
para a supremacia do eurocentrismo e a conseqüente manutenção da
escravidão no Brasil. Chega então ao país o discurso chamado de racismo
científico, cuja base é a classificação racial, onde o branco está no
alto da pirâmide, do ponto vista da sua superioridade biológica, e o
negro abaixo de qualquer etnia. <BR><BR>“Esse discurso permitiu
animalizar e fazer dele o uso necessário dele. Durante todo o processo
de dominação ele não foi contestado na academia e acabou assimilado pelo
senso comum. Quando o papa disse que negro não tinha alma, ninguém se
contrapôs. Era preciso não apenas justificar a escravidão para as
classes dominantes, mas fazer com que o próprio dominado também
absorvesse o discurso. A baixa auto-estima da população negra permitiu,
então, a intensificação na fragmentação, em vez da unidade para fazer o
combate ao pensamento e à estrutura social vigente”, explica Edson
França.<BR><BR>Quando o racismo deixou de servir aos interesses do
capitalismo moderno – e veio a idéia de que era preciso libertar os
escravos para aumentar a massa de consumidores –, o discurso colonizado
apostou na miscigenação como forma de “branquear o Brasil”. E até hoje
os efeitos provocados pelo pensamento colonial são estruturantes para a
desigualdade entre brancos e não brancos em nosso
país.<BR></FONT></DIV><FONT size=2 face=Arial></FONT>
<DIV class=ecxgmail_quote><BR><B>Descolonizar a globalização</B></DIV>
<DIV class=ecxgmail_quote><STRONG></STRONG><BR><FONT size=4>Para os
movimentos que se organizam em torno do Fórum Social Mundial, há um
número de desafios e apostas estratégicas que se colocam pela frente na
construção deste outro mundo possível no que diz respeito à
descolonização do pensamento. Para o professor Samba Buri MBoup, é
preciso começar descolonizando a compreensão do próprio conceito de
globalização, já que o mundo global também tem sustentado essa
desigualdade. São tarefas que vão da desconstrução do mito da África
como um continente sem história ao combate à idéia da marginalidade do
continente no comércio e na economia.<BR><BR>“Apesar do discurso
dominante, há muitas provas de que a África foi palco de uma história e
ciência tão antigas quanto os primórdios do mundo e central em todos os
momentos da economia mundial: na fase de acumulação primitiva, na
colonização, na revolução industrial, na era pós-colonial e até hoje. A
realidade é apresentada de cabeça pra baixo, para que olhemos para nós
mesmos como se fôssemos menores, enquanto nosso continente é o berço da
civilização humana. É preciso reavaliar o potencial da herança
africana”, cobra MBoup. <BR><BR>No continente mais esquecido do planeta,
a alternativa ao discurso colonial da África é chamada de Renascimento
Africano, um projeto global de sociedade e civilização construído na
resposta coletiva e organizada da África aos desafios da globalização. O
projeto, já encampado por 20 países, propõe o domínio do conhecimento
científico e da tecnologia; a autonomia e rejuvenescimento da
consciência política africana – como resposta à crise de lideranças no
continente –; e a conscientização baseada na unidade dos povos
africanos. <BR><BR>“Há estudos que demonstram de forma clara e
irrefutável a profunda unidade cultural dos povos africanos. Hoje
interceptam o potencial de desenvolvimento africano, a serviço de uma
causa que não é nossa, ao imporem uma situação de monolitismo e
intolerância religiosa, quando a historia africana é de pluralismo. Esta
é uma tarefa que também temos que ensinar nas escolas”, conclui Samba
Buri MBoup.<BR></FONT><BR><BR><SPAN>Fotos: <SPAN>Bia Barbosa</SPAN>
</SPAN><BR></DIV><BR></DIV></BLOCKQUOTE></TD></TR></TBODY></TABLE></DIV></DIV></DIV><BR>
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