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<BODY bgColor=#ffffff>
<DIV><FONT color=#ff0000 size=7 face=Forte>Carta O Berro<FONT 
size=3>.....................................................................................................repassem</FONT></FONT></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV><TR>&nbsp;<FONT size=2>FSP 03/fevereiro/2010</FONT></DIV>
<DIV><FONT size=2></FONT><BR><B><FONT color=#000080 
size=+1>TENDÊNCIAS/DEBATES<BR></FONT></B><BR><BR><B><FONT size=6>É preciso olhar 
para a frente</FONT></B></DIV>
<P><B>WADIH DAMOUS</B><BR><BR></P>
<P>
<TABLE width=250>
  <TBODY>
  <TR>
    <TD>
      <HR SIZE=2 noShade>
      <B><I>A OAB do Rio vai lançar a Campanha pela Memória e pela Verdade, o 
      que inclui a defesa da abertura dos arquivos da ditadura militar 
      </I></B><I></I>
      <HR SIZE=2 noShade>
    </TD></TR></TBODY></TABLE></P>
<P><FONT size=2></FONT><BR><BR><FONT size=4>A SECCIONAL da OAB no Estado do Rio 
vai lançar nos próximos dias a <STRONG>Campanha pela Memória e pela 
Verdade</STRONG>, o que inclui a <STRONG>defesa da abertura dos arquivos da 
repressão política na ditadura militar</STRONG>. As razões que justificam a 
campanha são muitas. Há, em primeiro lugar, razões humanitárias. A mais evidente 
delas diz respeito ao <STRONG>elementar direito das famílias de desaparecidos 
políticos de dar-lhes uma sepultura.</STRONG></FONT><FONT 
size=4><STRONG>&nbsp;<BR></STRONG>Aliás, esse direito é recorrente na história 
da humanidade. Provavelmente, a primeira menção a ele se dá na "Ilíada", de 
Homero (século 8 a.C.), que nos fala de interrupções nos combates na Guerra de 
Troia para que os exércitos homenageassem seus mortos e enterrassem seus corpos. 
<BR>Séculos depois, Sófocles tratou do tema em sua peça "Antígona", encenada na 
Grécia em 422 a.C., como bem lembrou Marcello Cerqueira em recente artigo na 
edição de dezembro de 2009 da "Folha do IAB" (Instituto dos Advogados 
Brasileiros). <BR>Assim, <STRONG>desde que a humanidade se reconhece como tal, é 
respeitado o direito das famílias de enterrar seus mortos</STRONG>. É o que faz, 
aliás, Antígona, na citada peça de Sófocles. Ela cavou com as próprias mãos a 
sepultura do irmão Polinices e pagou com a vida o desafio às ordens de Creonte, 
rei de Tebas. Polinices fora condenado à morte e a não ter direito a uma 
sepultura, para que seu corpo ficasse à disposição de cães e aves de rapina. Ele 
-a exemplo do que se repetiria com outros personagens até nossos tempos- 
desafiara o déspota de então. <BR><STRONG>No Brasil, conhecem-se casos de mães 
que, durante décadas, recusaram-se a mudar de endereço ou a trocar a fechadura 
da porta de casa, na esperança de que um filho preso um dia reaparecesse. 
<BR>Sabe-se de muitos natais em que famílias prepararam a ceia deixando uma 
cadeira vaga na mesa, enquanto esperavam, em vão, o retorno de um ente querido 
para festejar a data com os seus. <BR>Conhecer o destino dos desaparecidos 
políticos, saber em que circunstâncias morreram, quem os assassinou e a mando de 
quem é um direito das famílias.</STRONG> Tanto quanto dar-lhes uma sepultura 
digna. Tal como quis Antígona para seu irmão Polinices. <BR>Mas <STRONG>não só 
razões humanitárias exigem a abertura dos arquivos da repressão 
política.</STRONG> <BR>Os que se opõem a ela e propugnam que se ponha uma pedra 
sobre o assunto lembram a necessidade de olhar para o futuro, e não para o 
passado. É argumento de peso. Afinal, o ressentimento é, sempre, mau 
conselheiro. Na vida pessoal e na política. <BR>Mas justamente <STRONG>a 
necessidade de construir um futuro democrático é que torna necessário o 
conhecimento dos horrores acontecidos durante a ditadura. Mesmo que isso 
signifique submeter a sociedade a um verdadeiro choque e desagradar aos 
militares. <BR>Arrastar o lixo para baixo do tapete só fará com que ele possa 
ressurgir mais tarde</STRONG>. Já a luz do Sol sobre o acontecido fará com que 
se criem anticorpos, impedindo a repetição da barbárie. <BR>O golpe de 1964 é, 
até hoje, cultuado nos quartéis. Chegou-se ao ponto de, no primeiro governo 
Lula, um ministro da Defesa demitir-se por não obter apoio do presidente ao 
questionar uma ordem do dia, lida nos quartéis, de exaltação à ditadura. 
<BR><STRONG>Ora, não é assunto exclusivo das Forças Armadas o tipo de formação 
ministrada aos nossos jovens que se dedicam à carreira militar. Ao contrário, 
essa questão é de interesse da sociedade. Não é aceitável que novas gerações de 
militares sejam formadas com mentalidade antidemocrática. <BR>As Forças Armadas 
devem ser doutrinadas e preparadas para defender a Constituição e o Estado de 
Direito</STRONG>. <BR>Também para isso é importante a abertura dos arquivos. Ela 
trará para o centro da reflexão o papel desempenhado pelas Forças Armadas na 
ditadura e sua herança até hoje. <BR>É mais fácil defender o direito à memória e 
a abertura dos arquivos da repressão esquivando-se do conflito com as Forças 
Armadas e afirmando que elas não participaram, como instituição, de torturas e 
assassinatos. <BR>Mas isso é falso. Ainda que torturadores e assassinos tenham 
sido ínfima minoria dentre os militares, eles não agiram à revelia do comando. 
<BR>Suas ações tiveram o aval dos chefes das Forças Armadas e da ditadura. <BR>É 
por isso que, hoje, o espírito de corpo se faz presente quando se fala em trazer 
luz sobre o que aconteceu ou em punir executores diretos dos crimes. 
<BR>Vivemos, então, uma situação "sui generis". <STRONG>Quase 25 anos depois de 
passarmos a um regime civil, os militares ainda se arvoram no direito de 
determinar os limites até onde podem ir a democracia e o conhecimento de nossa 
história recente</STRONG>. <BR>Por isso também, <STRONG>abrir os arquivos é 
essencial para quem quer construir um Brasil melhor</STRONG>. Isso é o que se 
recomenda para quem olha para a frente. Daí a Campanha pela Memória e pela 
Verdade. </FONT></P></TD></TR>
<P></P><FONT size=4></FONT><FONT size=4></FONT>
<HR>

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