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<P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><STRONG><SPAN 
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 18pt"><FONT color=#ff0000 size=7 
face=Forte>Carta O Berro<FONT 
size=3>...........................................................................................repassem</FONT></FONT></SPAN></STRONG></P>
<P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><STRONG><SPAN 
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 18pt"></SPAN></STRONG>&nbsp;</P>
<P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><STRONG><SPAN 
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 18pt">Histórias da manipulação da 
mídia</SPAN></STRONG><SPAN 
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt"><?xml:namespace prefix = o ns = 
"urn:schemas-microsoft-com:office:office" /><o:p></o:p></SPAN></P>
<P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN 
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt"><BR><SPAN 
class=noticiaautor>Altamiro Borges *</SPAN><o:p></o:p></SPAN></P>
<P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN 
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt"><BR><SPAN class=noticiacidade></P>
<P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN class=noticiadata><SPAN 
style="FONT-SIZE: 13.5pt"><A href="http://www.adital.com.br/"><FONT 
face="Times New Roman">http://www.adital.com.br</FONT></A></SPAN></SPAN><o:p></o:p></P>
<P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal>&nbsp;</SPAN></SPAN><SPAN 
class=noticiatexto><o:p></o:p></SPAN></P>
<P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN 
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">"O Sr. Getúlio Vargas, Senador, 
não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, 
não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de 
governar". Carlos Lacerda, dono do jornal golpista Tribuna da Imprensa 
(01/05/1950). </SPAN><o:p></o:p></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">"Sim, eu uso o poder [da 
Rede Globo], mas eu sempre faço isso patrioticamente". <BR>Roberto Marinho, 
proprietário do maior conglomerado midiático do Brasil. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">Desde a sua origem, a 
chamada grande imprensa se aliou às forças mais reacionárias da política 
brasileira. Ela nunca escondeu o seu ódio aos movimentos sociais, seja aos 
camponeses em luta por um pedaço de terra ou aos operários em greve por melhores 
salários e condições de trabalho. Diante dos governos progressistas, mesmo os 
mais tímidos, ela conspirou e pregou golpes. Com raras exceções, ela deu apoio 
às ditaduras mais arbitrárias e sanguinárias. Através de expedientes sujos, como 
o denuncismo vazio, chantageou o poder público para obter concessões e 
subsídios. O discurso da "liberdade de imprensa" sempre serviu aos propósitos 
ilícitos dos barões da mídia.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN 
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">Como sintetiza o cientista 
político Wanderley Guilherme dos Santos, um dos primeiros a alertar para o 
perigo do golpe militar de 1964, a mídia hegemônica protagonizou todas as 
iniciativas de desestabilização política dos governos de Getúlio Vargas, 
Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart. "A grande imprensa levou 
Getúlio ao suicídio, com base em nada; quase impediu Juscelino de tomar posse, 
com base em nada; levou Jânio Quadros à renúncia, aproveitando-se da maluquice 
dele, com base em nada; tentou impedir a posse de Goulart, com base em nada. A 
grande imprensa, em países em desenvolvimento, é a grande porca das 
instituições" [1].<o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">Elitista e golpista já na 
origem<o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">Os poucos jornais 
burgueses que se consolidaram, tornando-se porta-vozes da elite nativa, nunca 
esconderam sua opção de classe. O Jornal do Brasil, fundado em abril de 1891, 
dois meses após a promulgação da primeira Constituição republicana, publicou 
vários artigos pregando o retorno à monarquia. Devido ao seu conservadorismo, a 
sede do jornal foi atacada por grupos armados e os redatores abandonaram seus 
postos. Já O Estado de S. Paulo, criado em 1875, até defendeu algumas idéias 
progressistas na sua origem, como a abolição da escravatura, com a "indenização 
aos proprietários". Desde o início, porém, o jornal foi um ardoroso inimigo das 
lutas sociais. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">Na revolta de Canudos 
(1893-1897), o Estadão publicou artigo de Olavo Bilac saudando o cruel massacre 
dos camponeses. "Enfim, arrasada a cidadela maldita! Enfim, dominado o antro 
negro, cavado no centro do adusto sertão, onde o profeta das longas barbas sujas 
concentrava sua força diabólica" [2]. Não poupou papel no ataque às primeiras 
greves operárias, satanizando os líderes anarquistas. Em 1932, ele insuflou a 
oligarquia cafeeira paulista num fracassado levante militar. Sob o comando de 
Júlio Mesquita, o jornal foi participante ativo das conspirações que levaram ao 
suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, e ao golpe militar que derrubou João 
Goulart em 1964. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">A Folha de S. Paulo 
nasceu em 1962 da fusão de três jornais - as Folhas da Manhã, da Tarde e da 
Noite. A Folha da Manhã, fundada em 1921, fez oposição cerrada à chamada 
revolução de 1930. Tanto que em 24 de outubro daquele ano, a multidão que 
festejava a deposição de Washington Luís destruiu as máquinas de escrever e os 
móveis da redação deste jornal. O grupo, dominado pela oligarquia paulista, não 
deu tréguas para Getúlio Vargas e, já como Folha de S. Paulo, sob o comando de 
Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira, clamou pelo golpe. Na sequência, 
deu apoio à "linha dura" dos generais e cedeu suas peruas para levar presos 
políticos à tortura [3].<o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">A trajetória do primeiro 
império midiático do Brasil, os Diários Associados, foi mais pragmática. Assis 
Chateaubriand apoiou "a revolução de 1930, mas apenas no que ela tinha de 
conservadora - um nacionalismo com cores fascistas... Logo depois da rápida 
aproximação, ele aderiu ao bloco conservador. Primeiro, ligou-se aos interesses 
britânicos; depois, aos norte-americanos. Fez campanha contra a criação da 
Petrobras. Dizia que ‘a exploração dos recursos naturais do país por estatais 
brasileiras era coisa de comunista’ e que o lema ‘O petróleo é nosso’ era um 
‘chavão soviético’" [4]. Chatô apoiou o golpe de 1964 e lançou a campanha "ouro 
para o bem do Brasil" para legitimar a ditadura e, de forma oportunista, para 
salvar seu império que afundava na crise.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">Os Diários Associados, 
através de dezenas de jornais e rádios e da primeira emissora de televisão do 
país, a TV Tupi, criada em 1950, adotaram o estilo do "jornalismo marrom", 
criado nos EUA no final do século 19 por Handolph Hearst e Joseph Pulitzer. 
Através de artigos sensacionalistas, Chatô pressionou governos e empresários, 
arrancando benesses públicas e anúncios publicitários [5]. Seu império midiático 
foi erguido com base na corrupção ativa. "Chatô fez tudo isso usando 
estritamente o dinheiro dos outros e os favores do Estado. Ele foi amigo de 
todos os presidentes: sentia-se dono do Brasil, ou o ‘rei’, como prefere 
Fernando Morais em sua biografia de Chatô, talvez para enfatizar as 
arbitrariedades e o absolutismo desse barão da imprensa tupiniquim" 
[6].<o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">Anarquistas, comunistas e 
Última Hora<o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">No conturbado período 
histórico que antecedeu o golpe de 1964, a imprensa ainda não havia se 
consolidado como poderosa indústria monopolista. Na tardia formação do 
capitalismo nacional, o jovem movimento operário e sindical investiu na luta de 
idéias e construiu veículos próprios. Os anarquistas, hegemônicos nesta fase, 
editaram jornais com expressiva tiragem, concorrendo com os veículos burgueses. 
Estudos apontam a existência de mais de 500 jornais operários desde o surgimento 
das primeiras oficinas até a revolução de 1930. O primeiro deles foi o Jornal 
dos Tipógrafos, criado no Rio de Janeiro, em 1858, como decorrência da primeira 
greve no país.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">Com a crise do anarquismo 
e a fundação do Partido Comunista, em 1922, "a imprensa anarquista perde espaço 
e o seu lugar é assumido pela imprensa comunista. Esta será a principal 
ferramenta de disputa ideológica e política com a nova burguesia industrial e as 
velhas oligarquias", explica Vito Giannotti. "Em 1946, os comunistas tinham, em 
quase todos os estados, vários jornais. Oito eram diários: Tribuna Popular (RJ), 
Jornal do Povo (PE), Hoje (SP), Momento (BA), Democrata (CE), Folha do Povo 
(PE), Tribuna Gaúcha e Folha Capixaba... Nos subúrbios da capital, no Rio de 
Janeiro, era comum encontrar brigadas de comunistas vendendo a Tribuna Popular. 
Entre eles estavam comunistas ilustres, como Oscar Niemeyer, Gregório Bezerra e 
Graciliano Ramos" [7]. Foi a segunda maior rede de jornais diários do país, 
superada apenas pelos Diários Associados. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">A imprensa anarquista e 
comunista, porém, foi sempre barbaramente perseguida. Jornalistas e gráficos de 
esquerda foram presos e assassinados e seus jornais foram empastelados. Para 
conter o avanço das idéias socialistas, o governo autoritário do general Eurico 
Gaspar Dutra cassou, em 7 de maio de 1947, o registro legal do Partido Comunista 
do Brasil - que teve curtos suspiros de vida legal neste período da história. Em 
10 de maio de 1948, também cassou o mandato de todos os parlamentares comunistas 
- um senador, 14 deputados federais e 46 deputados estaduais. Seus jornais foram 
fechados e 15% dos sindicatos reconhecidos oficialmente sofreram 
intervenção.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">Além destes veículos 
anticapitalistas, um jornal disputou a hegemonia neste período com as suas 
idéias nacionalistas - a Última Hora. Criado em 1951 por Samuel Wainer, um judeu 
nascido na Bessarábia (região situada entre a Romênia e a Ucrânia), o jornal 
inovou com reportagens vivas, diagramação criativa e um time qualificado de 
jornalistas. Ele cresceu rapidamente e montou sua rede nacional, com edições em 
várias capitais. Getúlio Vargas, acossado pela imprensa golpista, investiu 
pesado neste veículo, reunindo o apoio de empresários nacionalistas, como o 
banqueiro Walter Moreira Sales e os industriais Francisco Matarazzo e Ricardo 
Jafet. Instituições estatais, como o Banco do Brasil, também participaram do 
consórcio que financiou a Última Hora.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">A "oligarquia da grande 
imprensa", como atacava Wainer, não deu trégua ao concorrente. Chatô, Roberto 
Marinho e Carlos Lacerda, dono da golpista Tribuna de Imprensa, usaram o artigo 
160 da Constituição, que proibia estrangeiros de serem donos de jornais, para 
exigir o fechamento da Última Hora. Em 1953, eles arrancaram a instalação de uma 
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a origem e o 
financiamento do jornal. Wainer se defendeu num documento intitulado "O livro 
branco da imprensa amarela", mas chegou a ser preso. O suicídio de Getúlio 
Vargas, em 24 de agosto de 1954, levou multidões às ruas e fez a Última Hora 
vender 700 mil exemplares. Na seqüência, o jornal deu irrestrito apoio a João 
Goulart até sua deposição em 1964. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">Uma das primeiras ações 
dos generais golpistas foi cassar os direitos políticos de Samuel Wainer, que se 
exilou na Europa. Outros veículos nacionalistas e de esquerda, como A Classe 
Operária, fundado em 1925, também foram fechados. O regime militar uniformizou a 
imprensa brasileira. Somente a mídia conservadora, de direita, pôde prosperar. 
Nos primeiros anos da brutal ditadura, prevaleceu o clima da "paz dos 
cemitérios". A liberdade de expressão, e não a falsa "liberdade de imprensa" dos 
empresários do setor, foi suprimida com truculência. Aos poucos, organizações e 
jornalistas progressistas reuniram força e coragem para erguer a heróica 
imprensa alternativa, com jornais como O Pasquim, Opinião e Movimento [8]. 
<o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN 
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt"><BR>NOTAS<o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">1- "Wanderley Guilherme 
dos Santos analisa a crise". Entrevista para Maurício Dias. Revista Carta 
Capital, 17/06/05.<BR>2- Maria de Lourdes Eleutério. "A imprensa a serviço do 
progresso". História da imprensa no Brasil. Editora Contexto, SP, 2008.<BR>3- 
Ler o artigo "A morte do ‘democrata’ Octavio Frias", na página??? deste livro. 
<BR>4- "Meias verdades". Retrato do Brasil. Editora Manifesto, MG, 2006.<BR>5- 
Ana Maria de Abreu Laurenza. "Batalhas em letra de fôrma: Chatô, Wainer e 
Lacerda. História da imprensa no Brasil. Editora Contexto, SP, 2008.<BR>6- 
Bernardo Kucinski. "Chatô: o poder da chantagem". Revista Teoria&amp;Debate, 
março/abril de 1995.<BR>7- Vito Giannotti. História das lutas dos trabalhadores 
no Brasil. Editora Mauad, RJ, 2007.<BR>8- José Carlos Ruy. "Alternativos: 
imprensa de resistência". Revista Princípios, agosto de 
2007.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt">[Extraído do quarto 
capítulo do livro "A ditadura da mídia", publicado pela Associação Vermelho e 
Editora Anita Garibaldi. Quem desejar adquirir o livro, entrar em contato com 
Eliana Ada no endereço eletrônico - <A 
href="mailto:livro@vermelho.org.br">livro@vermelho.org.br</A>]<BR><SPAN 
class=noticiaautor>* </SPAN></SPAN><STRONG><SPAN 
style="FONT-FAMILY: Arial">Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB - 
Partido Comunista do Brasil</SPAN></STRONG><SPAN 
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 13.5pt"><o:p></o:p></SPAN></P>
<P style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><o:p><FONT 
face="Times New Roman">&nbsp;</FONT></o:p></P></DIV></BODY></HTML>