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<BODY lang=PT-BR link=blue bgColor=#ffffff vLink=purple>
<DIV><FONT color=#ff0000 size=7 face=Forte>Carta O Berro<FONT
size=3>....................................................................................................repassem</FONT></FONT></DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial"> </DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message -----
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A
title=maurice.politi@googlemail.com
href="mailto:maurice.politi@googlemail.com">Maurice Politi</A> </DIV>
<DIV> </DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV>
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<TD
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<P style="MARGIN-BOTTOM: 12pt" class=MsoNormal><SPAN
class=titulo11><B><FONT color=black size=4
face="bitstream Vera Sans"><SPAN style="FONT-SIZE: 15pt">Desafio da
Comissão da Verdade deverá ter acesso a arquivos das Forças
Armadas</SPAN></FONT></B></SPAN> <BR><BR><SPAN
class=assinatura11><BLOCK><FONT color=#6c7962 size=1
face="bitstream Vera Sans"><SPAN style="FONT-SIZE: 8.5pt">Gilberto
Costa</BLOCK> </SPAN></FONT></SPAN><FONT color=#6c7962 size=1
face="bitstream Vera Sans"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'bitstream Vera Sans'; COLOR: #6c7962; FONT-SIZE: 8.5pt"><BR><SPAN
class=assinatura11><I><BLOCK><FONT color=#6c7962
face="bitstream Vera Sans"><SPAN style="FONT-STYLE: italic">Repórter da
Agência Brasil</SPAN></FONT></BLOCK></I> </SPAN></SPAN></FONT></P></TD>
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<P class=MsoNormal><FONT color=black size=1
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<P style="LINE-HEIGHT: 12.75pt" class=MsoNormal><FONT color=black size=1
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<P class=MsoNormal><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
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vAlign=top>
<P><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt">Brasília - A Comissão Nacional da Verdade deverá
ter um grande acervo de documentos sobre a perseguição a dissidentes
políticos durante a ditadura militar (1964-1985). O Arquivo Nacional
dispõe dos papéis e registros dos setores de informação e monitoramento do
Ministério da Justiça, do Ministério das Relações Exteriores, do
Ministério das Comunicações e de universidades públicas. Além desses, há
informações de investigações da Polícia Federal à época do
regime.<BR><BR>Há também dados mais recentes, como os produzidos após a
redemocratização. Três incursões ao Pará e Tocantins renderam mais de 300
depoimentos sobre a Guerrilha do Araguaia (ocorrida no começo dos anos
1970)</SPAN></FONT>; os oito anos de trabalho da Comissão da Anistia do
Ministério da Justiça acumularam 60 mil processos sobre perseguições,
demissões arbitrárias, tortura e exílio nos 21 anos de regime militar.
Ainda há acervos como os do Brasil, Nunca Mais e de particulares como do
Major Curió sobre o Araguaia, revelado no ano passado, e que o Ministério
Público tenta obter.<BR><BR>“A Comissão da Verdade não realizará seu
trabalho partindo do zero”, diz Paulo Abrão, presidente da Comissão da
Anistia. Ele espera, no entanto, que a comissão tenha acesso aos arquivos
da inteligência do Exército, Marinha e Aeronáutica. “O desafio da Comissão
estará em chegar a esses documentos e verificar sua veracidade”, disse à
<B><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold">Agência Brasil</SPAN></B>. Desde a
redemocratização na década de 80, os militares afirmam, no entanto, que os
documentos desses centros de informação foram destruídos.<BR><BR>Paulo
Abrão é um dos seis membros do grupo de trabalho (GT) nomeado na última
quarta-feira (27) pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para
elaborar até abril o anteprojeto de lei que institui a Comissão Nacional
da Verdade. Os outros participantes são Erenice Guerra (secretária
executiva da Casa Civil), ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos),
Vilson Marcelo Vedana (consultor jurídico do Ministério da Defesa), Marco
Antônio Barbosa (presidente da Comissão Especial sobre Mortos e
Desaparecidos Políticos) e Paulo Sérgio Pinheiro (ex-secretário de
Direitos Humanos, representante da sociedade civil no GT). A Casa Civil
coordena os trabalhos. </P>
<P class=western><FONT color=black size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; COLOR: windowtext; FONT-SIZE: 12pt">Para
o presidente do Clube Militar, general Gilberto Figueiredo, “à primeira
vista, a formação do grupo parece completamente desequilibrada. Parece
difícil pensar em isenção”. Em sua opinião, o GT poderia ter um
representante do Ministério da Defesa, um da Secretaria dos Direitos
Humanos e os demais seriam historiadores e cientistas políticos que
“examinem os fatos, sem a carga de paixão”. O general disse não ver
problemas na instalação de uma comissão da verdade, “para verificar o que
realmente ocorreu”. </SPAN></FONT></P>
<P class=western><FONT color=black size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; COLOR: windowtext; FONT-SIZE: 12pt">Na
avaliação do cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, “essa coisa de dois
lados é conversa fiada. Só há um lado para se apurar: o da
responsabilidade dos agentes do Estado”. O ex-secretário pontua que o GT e
a Comissão Nacional da Verdade deverão trabalhar com base no diálogo e no
que já está previsto em lei</SPAN></FONT><FONT color=black size=3
face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; COLOR: windowtext; FONT-SIZE: 12pt">;</SPAN></FONT><FONT
color=black size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; COLOR: windowtext; FONT-SIZE: 12pt">
como a Lei nº 9140/95, que reconheceu como mortas as pessoas desaparecidas
durante o regime militar. </SPAN></FONT></P>
<P class=western><FONT color=black size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; COLOR: windowtext; FONT-SIZE: 12pt">O
presidente da Comissão da Anistia, Paulo Abrão, reforça a necessidade de
diálogo e também descarta que haja dois lados para serem apurados. “Não
podemos raciocinar nesses termos. O pressuposto primeiro é que todas as
partes têm intrínseca vontade em apurar a verdade”</SPAN></FONT></P>
<P class=MsoNormal><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt"></SPAN></FONT> </P></TD></TR><!-- .replace('<p>','').replace('</p>','') --></TBODY></TABLE>
<P class=MsoNormal><FONT size=2 face=Arial><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 10pt"></SPAN></FONT> </P>
<P class=MsoNormal><FONT size=2 face=Arial><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 10pt"></SPAN></FONT> </P>
<P class=MsoNormal><FONT size=2 face=Arial><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 10pt"></SPAN></FONT> </P>
<P class=MsoNormal><FONT size=2 face=Arial><SPAN
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<TABLE style="WIDTH: 100%" class=MsoNormalTable border=0 cellSpacing=0
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<TR>
<TD
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<P class=MsoNormal><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt">30 de Janeiro de 2010 - 10h08 - Última modificação
em 30 de Janeiro de 2010 - 14h28 </SPAN></FONT></P><!--
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<br><br>
<p align=center><img tal:replace="structure python:here.getObjFSImg(tamanho='tile')" /></p>
</tal:block>
</tal:block>
</tal:block>
-->
<P style="MARGIN-BOTTOM: 12pt" class=MsoNormal><FONT size=3
face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt"><BR><BR></SPAN></FONT><SPAN
class=titulo11><B><FONT color=black size=4
face="bitstream Vera Sans"><SPAN style="FONT-SIZE: 15pt">Há um esforço de
setores da sociedade em apagar a ditadura da história do país, diz
filósofo</SPAN></FONT></B></SPAN> <BR><BR><SPAN
class=assinatura11><BLOCK><FONT color=#6c7962 size=1
face="bitstream Vera Sans"><SPAN style="FONT-SIZE: 8.5pt">Gilberto
Costa</BLOCK> </SPAN></FONT></SPAN><FONT color=#6c7962 size=1
face="bitstream Vera Sans"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'bitstream Vera Sans'; COLOR: #6c7962; FONT-SIZE: 8.5pt"><BR><SPAN
class=assinatura11><I><BLOCK><FONT color=#6c7962
face="bitstream Vera Sans"><SPAN style="FONT-STYLE: italic">Repórter da
Agência Brasil</SPAN></FONT></BLOCK></I> </SPAN></SPAN></FONT></P></TD>
<TD
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<P class=MsoNormal><FONT color=black size=1
face="bitstream Vera Sans"><SPAN
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<P style="LINE-HEIGHT: 12.75pt" class=MsoNormal><FONT color=black size=1
face="bitstream Vera Sans"><SPAN
style="DISPLAY: none; FONT-FAMILY: 'bitstream Vera Sans'; COLOR: black; FONT-SIZE: 8.5pt"></SPAN></FONT> </P>
<TABLE style="WIDTH: 100%" class=MsoNormalTable border=0 cellSpacing=0
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<TBODY>
<TR>
<TD
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<P class=MsoNormal><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt"><A
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<TD
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vAlign=top>
<P><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt">Brasília - Após a Segunda Guerra Mundial, os
judeus sobreviventes revelaram que seus carrascos asseguravam que ninguém
acreditaria no que havia ocorrido nos campos de concentração. A história,
no entanto, não cumpriu o destino previsto pelos nazistas, muitos foram
condenados e o episódio marca a pior lembrança da
humanidade.</SPAN></FONT></P>
<P><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt">Crimes cometidos em outros momentos de exceção
também levaram violadores de direitos humanos a serem interrogados em
comissões da verdade e punidos por tribunais, como na África do Sul, em
Ruanda, na Argentina, no Uruguai e Paraguai.</SPAN></FONT></P>
<P><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN style="FONT-SIZE: 12pt">Para
filósofo Vladimir Safatle, professor da Universidade de São Paulo (USP),
há um lugar que resiste à memória do horror e a fazer justiça às vítimas:
o Brasil. Nenhum agente do Estado ditatorial (1964-1985), envolvido em
crimes como sequestro, tortura, estupro e assassinato de dissidentes
políticos, foi a julgamento e preso. </SPAN></FONT></P>
<P><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN style="FONT-SIZE: 12pt">Em
março, será lançado o livro <I><SPAN style="FONT-STYLE: italic">O Que
Resta da Ditadura</SPAN></I> (editora Boitemço), organizado por Safatle e
Edson Teles. A obra tenta entender como a impunidade se forma e se
alimenta no Brasil. Para Safatle,o Brasil continua uma democracia
imperfeita por resistir a uma reavaliação do período da ditadura militar
(1964-1985) e por manter uma relação complicada entre os Três
Poderes. </SPAN></FONT></P>
<P><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt"><BR><B><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold">Agência
Brasil: </SPAN></B>O Brasil tem alguma dificuldade com o seu
passado?<B><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold"><BR>Vladimir
Safatle:</SPAN></B> Existe um esforço de vários setores da sociedade em
apagar a ditadura, quase como se ela não tivesse existido. Há leituras que
tentam reduzir o período à vigência do AI-5 [<I><SPAN
style="FONT-STYLE: italic">Ato Institucional nº 5</SPAN></I>], de 1968 a
1979. E o resto seria uma espécie de democracia imperfeita, que não se
poderia tecnicamente chamar de ditadura. Ou seja, existe mesmo no Brasil
um esforço muito diferente de outros países da América Latina, que
passaram por situações semelhantes, que era a confrontação com os crimes
do passado. É a ideia de anular simplesmente o caráter criminoso de um
certo passado da nossa história.</SPAN></FONT></P>
<P><B><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-WEIGHT: bold">ABr:</SPAN></FONT></B> Há quem
diga que o Brasil não teve de fato uma ditadura clássica depois de 1964,
mas sim uma "ditabranda" se comparada à da Argentina e a do Uruguai, por
exemplo. <BR><B><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold">Safatle:</SPAN></B> Essa
leitura é do mais clássico cinismo. É inadmissível para qualquer pessoa
que respeite um pouco a história nacional. Afirmar que uma ditadura se
conta pela quantidade de mortes que consegue empilhar numa montanha é
desconhecer de uma maneira fundamental o que significa uma ditadura para a
vida nacional. A princípio, a quantidade de mortes no Brasil é muito menor
do que na Argentina. Mas é preciso notar como a ditadura brasileira se
perpetuou. O Brasil é o único país da América Latina onde os casos de
tortura aumentaram após o regime militar. Tortura-se mais hoje do que
durante aquele regime. Isso demostra uma perenidade dos hábitos herdados
da ditadura militar, que é muito mais nociva do que a simples contagem de
mortes. </P>
<P><B><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-WEIGHT: bold">ABr:</SPAN></FONT></B> Qual o
reflexo disso?<BR><B><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold">Safatle:</SPAN></B>
Significa um bloqueio fundamental do desenvolvimento social e político do
país. Por outro lado, existe um dado relevante: a ditadura de certa
maneira é uma exceção. Ela inaugurou um regime extremamente perverso que
consiste em utilizar a aparência da legalidade para encobrir o mais claro
arbítrio. Tudo era feito de forma a dar a aparência de legalidade. Quando
o regime queria de fato assassinar alguém, suspender a lei, embaralhava a
distinção entre estar dentro e fora da lei. Fazia isso sem o menor
problema. Todos viviam sob um arbítrio implacável que minava e corroía
completamente a ideia de legalidade. É um dos defeitos mais perversos e
nocivos que uma ditadura pode ter. Isso, de uma maneira muito peculiar,
continua.</P>
<P><B><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-WEIGHT: bold">ABr:</SPAN></FONT></B> Então, a
semente da violência atual do aparato policial foi plantada na ditadura?
<BR><B><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold">Safatle:</SPAN></B> Não é difícil
fazer essa associação, pois nunca houve uma depuração da estrutura
policial brasileira. É muito fácil encontrar delegados que tiveram
participação ativa na ditadura militar, ainda em atividade. No estado de
São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin indicou um delegado que era
alguém que fez parte do DOI-Codi [<I><SPAN
style="FONT-STYLE: italic">Destacamento de Operações de Informações -
Centro de Operações de Defesa Interna</SPAN></I>]. Teve toda uma
discussão, mas esse debate não serviu sequer para ele voltasse atrás na
nomeação. Se você levar em conta esse tipo de perenidade dos próprios
agentes que atuaram no processo repressivo, não é difícil entender por que
as práticas não mudaram.</P>
<P><B><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-WEIGHT: bold">ABr:</SPAN></FONT></B> Estamos
atrás de outros países, como Argentina e África do Sul, na investigação e
julgamento de crimes cometidos pelo Estado?<BR><B><SPAN
style="FONT-WEIGHT: bold">Safatle:</SPAN></B> Estamos aquém de todos os
países da América Latina. Nosso problema não é só não ter constituído uma
comissão de verdade e justiça, mas é o de que ninguém do regime militar
foi preso. Não há nenhum processo. O único processo aceito foi o da
família Teles contra o coronel [<I><SPAN style="FONT-STYLE: italic">Carlos
Alberto Brilhante</SPAN></I>] Ustra, que foi uma declaração simplesmente
de crime. Ninguém está pedindo um julgamento e sim uma declaração de que
houve um crime. Legalmente, sequer existiram casos de tortura, já que não
há nenhum processo legal. E levando em conta o fato de que o Brasil tinha
assinado na mesma época tratados internacionais, condenando a tortura,
nossa situação é uma aberração não só em relação à Argentina e à África do
Sul, mas em relação ao Chile, ao Paraguai e ao Uruguai.</P>
<P><B><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-WEIGHT: bold">ABr:</SPAN></FONT></B> Que
expectativa o senhor tem quanto ao funcionamento da Comissão Nacional da
Verdade, prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), para
apurar crimes da ditadura? <BR><B><SPAN
style="FONT-WEIGHT: bold">Safatle:</SPAN></B> Uma atitude como essa é a
mais louvável que poderia ter acontecido e merece ser defendida custe o
que custar. O trabalho feito pelo ministro Paulo Vannuchi [<I><SPAN
style="FONT-STYLE: italic">secretário dos Direitos Humanos, da Presidência
da República</SPAN></I>] e pela Comissão de Direitos Humanos é da mais
alta relevância nacional. Acho que é muito difícil falar o que vai
acontecer. A gente está entrando numa dimensão onde a memória nacional, a
política atual e o destino do nosso futuro se entrelaçam. Existe uma frase
no livro <I><SPAN style="FONT-STYLE: italic">1984</SPAN></I>, de George
Orwell, que diz: “Quem controla o passado controla o futuro”. Mexer com
esse tipo de coisa é algo que não diz respeito só à maneira que o dever de
memória vai ser institucionalizado na vida nacional, mas à maneira com que
o nosso futuro vai ser decidido. </P>
<P><B><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-WEIGHT: bold">ABr:</SPAN></FONT></B> Mas,
antes mesmo da criação da Comissão da Verdade, os debates já estão muito
acalorados.<BR><B><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold">Safatle:</SPAN></B> O
melhor que poderia acontecer é que se acirrassem de fato as posições e
cada um dissesse muito claramente de que lado está. O país está dividido
desde o início. Veja a questão da Lei da Anistia. O programa do governo
[<I><SPAN style="FONT-STYLE: italic">PNDH 3</SPAN></I>] em momento algum
sugeriu uma forma de revisão ou suspensão da lei. O que ele sugeriu foi
que se abrisse espaço para a discussão sobre a interpretação da letra da
lei. Porque a anistia não vale para crimes de sequestro e atentados
pessoais. A confusão que se criou demonstra muito claramente como a
sociedade brasileira precisa de um debate dessa natureza, o mais rápido
possível. Não dá para suportar que certos segmentos da sociedade chamem
pessoas foram ligadas a esses tipos de atividades de “terroristas”. É
sempre bom lembrar que no interior da noção liberal de democracia, desde
John Locke [<I><SPAN style="FONT-STYLE: italic">filósofo inglês do século
17</SPAN></I>], se aceita que o cidadão tem um direito a se contrapor de
forma violenta contra um Estado ilegal. Alguns estados nos Estados Unidos
também preveem essa situação.<BR><BR><B><SPAN
style="FONT-WEIGHT: bold">ABr:</SPAN></B> O termo “terrorista” é usado por
historiadores que não têm qualquer ligação com os militares e até mesmo
por pessoas que participaram da luta armada. Usar a palavra é
errado?<BR><B><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold">Safatle:</SPAN></B>
Completamente. É inaceitável esse uso que visa a criminalizar
profundamente esse tipo de atividade que aconteceu na época. A ditadura
foi um estado ilegal que se impôs através da institucionalização de uma
situação ilegal. Foi resultado de um golpe que suspendeu eleições, criou
eleições de fachada com múltiplos casuísmos. Podemos contar as vezes que o
Congresso Nacional foi fechado porque o Executivo não admitia certas leis.
O fato de ter aparência de democracia porque tinham algumas eleições
pontuais, marcadas por milhões de casuísmos, não significa nada. No Leste
Europeu também existiam eleições que eram marcadas desta mesma maneira.Um
Estado que entra numa posição ilegal não tem direito, em hipótese alguma,
de criminalizar aqueles que lutam contra a ilegalidade. Por trás dessa
discussão, existe a tentativa de desqualificar a distinção clara entre
direito e Justiça. Em certas situações, as exigências de Justiça não
encontram lugar nas estruturas do Direito tal como ele aparecia na
ditadura militar. Agora, existem certos setores que tentam aproximar o que
aconteceu no Brasil do que houve na mesma época na Europa, com os grupos
armados na Itália e na Alemanha. As situações são totalmente diferentes
porque nenhum desses países era um Estado ilegal. E não há casos no Brasil
de atentado contra a população civil. Todos os alvos foram ligados ao
governo.</P>
<P><B><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-WEIGHT: bold">ABr:</SPAN></FONT></B> Os
assaltos a banco não seriam atentados às pessoas comuns que estavam nas
agências? <BR><B><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold">Safatle:</SPAN></B> Todos
os que participaram a atentados a bancos não foram contemplados pela Lei
da Anistia e continuaram presos depois de 1979. Pagaram pelo crime. Isso
não pode ser utilizado para bloquear a discussão. Dentro de um processo de
legalidade, de maneira alguma o Estado pode tentar esconder aquilo que foi
feito por cidadãos contra eles, como se fossem todos crimes ordinários. Se
um assalto a banco é um crime ordinário, eu diria que a luta armada, a
luta contra o aparato do Estado ilegal, não é. Isso faz parte da
nossa noção liberal de democracia.</P>
<P><B><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-WEIGHT: bold">ABr:</SPAN></FONT></B> Que
democracia é a nossa que tem dificuldades de olhar o passado?<BR><B><SPAN
style="FONT-WEIGHT: bold">Safatle</SPAN></B>: É uma democracia imperfeita
ou, se quisermos, uma semidemocracia. O Brasil não pode ser considerado um
país de democracia plena. Existe uma certa teoria política que consiste em
pensar de maneira binária, como se existissem só duas categorias: ditadura
ou democracia. É uma análise incorreta. Seria necessário acrescentar pelo
menos uma terceira categoria: as democracias imperfeitas.</P>
<P><B><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-WEIGHT: bold">ABr:</SPAN></FONT></B> O que
isso significa?<BR><B><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold">Safatle:</SPAN></B>
Consiste em dizer basicamente o seguinte: não há uma situação totalitária
de estrutura, mas há bloqueios no processo de aperfeiçoamento democrático,
bloqueios brutais e muito visíveis. Existe uma versão relativamente
difundida de que a Nova República é um período de consolidação da
democracia brasileira. Diria que não é verdade. É um período muito
evidente que demonstra como a democracia brasileira repete os seus
impasses a todo momento. O primeiro presidente eleito recebeu um <I><SPAN
style="FONT-STYLE: italic">impeachment</SPAN></I>, o segundo subornou o
Congresso para poder passar um emenda de reeleição e seu procurador-geral
da República era conhecido por todos como “engavetador-geral”, que levou a
uma série de casos de corrupção que nunca foram relativizados. O terceiro
presidente eleito muito provavelmente continuou processos de negociação
com o Legislativo mais ou menos nas mesmas bases. Chamar isso de
consolidação da estrutura democrática nacional é um absurdo. Os poderes
mantêm uma relação problemática, uma interferência do poder econômico
privado nas decisões de governo. Um sistema de financiamento de campanhas
eleitorais que todos sabem que é totalmente ilegal e é utilizado por todos
os partidos sem exceção.</P><!-- .replace('<p>','').replace('</p>','') -->
<P class=MsoNormal><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt"><BR><BR></SPAN></FONT><SPAN
class=rodape11><I><FONT color=#7b8c8a size=1
face="bitstream Vera Sans"><SPAN style="FONT-SIZE: 8.5pt">Edição: Enio
Vieira</SPAN></FONT></I></SPAN> </P></TD></TR></TBODY></TABLE>
<P class=MsoNormal><FONT size=2 face=Arial><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 10pt"></SPAN></FONT> </P>
<TABLE style="WIDTH: 100%" class=MsoNormalTable border=0 cellSpacing=0
cellPadding=0 width="100%">
<TBODY>
<TR>
<TD
style="PADDING-BOTTOM: 0.75pt; PADDING-LEFT: 0.75pt; PADDING-RIGHT: 0.75pt; PADDING-TOP: 0.75pt">
<P class=MsoNormal><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt">26 de Janeiro de 2010 - 18h37 - Última modificação
em 26 de Janeiro de 2010 - 19h22 </SPAN></FONT></P><!--
<tal:block condition="python:here.portal_type=='ATPhoto'">
<tal:block condition="not:isAnon">
<tal:block condition="python:template.id == 'atct_edit'">
<br><br>
<p align=center><img tal:replace="structure python:here.getObjFSImg(tamanho='tile')" /></p>
</tal:block>
</tal:block>
</tal:block>
-->
<P style="MARGIN-BOTTOM: 12pt" class=MsoNormal><FONT size=3
face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt"><BR><BR></SPAN></FONT><SPAN
class=titulo11><B><FONT color=black size=4
face="bitstream Vera Sans"><SPAN style="FONT-SIZE: 15pt">Indicados seis
nomes do GT da Comissão da Verdade</SPAN></FONT></B></SPAN> <BR><BR><SPAN
class=assinatura11><BLOCK><FONT color=#6c7962 size=1
face="bitstream Vera Sans"><SPAN style="FONT-SIZE: 8.5pt">Gilberto
Costa</BLOCK> </SPAN></FONT></SPAN><FONT color=#6c7962 size=1
face="bitstream Vera Sans"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'bitstream Vera Sans'; COLOR: #6c7962; FONT-SIZE: 8.5pt"><BR><SPAN
class=assinatura11><I><BLOCK><FONT color=#6c7962
face="bitstream Vera Sans"><SPAN style="FONT-STYLE: italic">Repórter da
Agência Brasil</SPAN></FONT></BLOCK></I> </SPAN></SPAN></FONT></P></TD>
<TD
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width=10>
<P class=MsoNormal><FONT color=black size=1
face="bitstream Vera Sans"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'bitstream Vera Sans'; COLOR: black; FONT-SIZE: 4.5pt"></SPAN></FONT> </P></TD></TR></TBODY></TABLE>
<P style="LINE-HEIGHT: 12.75pt" class=MsoNormal><FONT color=black size=1
face="bitstream Vera Sans"><SPAN
style="DISPLAY: none; FONT-FAMILY: 'bitstream Vera Sans'; COLOR: black; FONT-SIZE: 8.5pt"></SPAN></FONT> </P>
<TABLE style="WIDTH: 100%" class=MsoNormalTable border=0 cellSpacing=0
cellPadding=0 width="100%">
<TBODY>
<TR>
<TD
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vAlign=top width=32>
<P class=MsoNormal><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt"><A
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<TD
style="PADDING-BOTTOM: 0.75pt; PADDING-LEFT: 0.75pt; PADDING-RIGHT: 0.75pt; PADDING-TOP: 0.75pt"
vAlign=top>
<P><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt">Brasília - O Diário Oficial da União deve publicar
amanhã (27) os nomes dos seis componentes do grupo de trabalho que
deverá elaborar até abril o projeto de lei para criar a Comissão Nacional
da Verdade. Esta comissão vai apurar crimes comuns praticados por agentes
do Estado desde 1946 até 1988, sobretudo durante a ditadura militar
(1964-1985).<BR><BR>De acordo com a Casa Civil da Presidência da
República, os nomes do governo são: o ministro Paulo Vannuchi, da
Secretaria Especial de Direitos Humanos (Sedh)</SPAN></FONT>; Paulo Abrão,
presidente da Comissão de Anistia; Erenice Guerra, secretária-executiva da
Casa Civil; Vilson Marcelo Vedana, consultor jurídico do Ministério da
Defesa.<BR><BR>Além desses nomes, já estavam indicados cientista político
Paulo Sérgio Pinheiro (ex-secretário de Direitos Humanos) e do advogado
Marco Antônio Rodrigues Barbosa (presidente da Comissão de Mortos e
Desparecidos Políticos).<BR><BR>A criação do GT foi determinada pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva em decreto de 13 de janeiro. Segundo
o documento, o grupo deverá formular anteprojeto de lei que defina como a
Comissão da Verdade funcionará. A portaria com os nomes da Comissão da
verdade sairá com três dias de atraso em relação ao previsto no decreto
presidencial.<BR><BR>Outros países que passaram por regimes não
democráticos como a Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Peru e até a
África do Sul (pós-Apartheid) já criaram comissões da verdade para
verificar abusos cometidos durante o período de ditadura.<BR><BR>“A
Comissão da Verdade não processa e não prende ninguém”, esclarece o
advogado Belisário dos Santos Júnior, da Comissão de Mortos e Desparecidos
políticos. Caberá a comissão apurar eventuais crimes como tortura,
sequestro, estupro e assassinatos e encaminhar processos relativos à
Justiça. <BR><BR>“A Comissão da Verdade é fundamental para que as
cicatrizes sejam fechadas”, disse Barbosa, ao anunciar o nome de Paulo
Sérgio Pinheiro. O presidente da Comissão de Mortos e desaparecidos tem
expectativa que o Congresso Nacional elabore este ano a lei da Comissão da
Verdade e que a Justiça faça os julgamentos. <BR><BR>“Eu espero que os
agentes do estado cumpram seus deveres”, disse Barbosa. Ele comentou a
demora do julgamento sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito
Fundamental (ADPF nº 153), que questiona a extensão da anistia da ditadura
militar (Lei 6.6683, de 28/8/1979) a crimes comuns cometidos contra presos
políticos.<BR><BR>No próximo dia 3 de fevereiro, completará um ano que o
Supremo Tribunal Federal (STF) aguarda parecer da Procuradoria Geral da
República (PGR) sobre a arguição. A ação foi iniciada em outubro de 2008
pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). </P>
<P class=MsoNormal><FONT size=3 face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt"><BR><!-- .replace('<p>','').replace('</p>','') --><BR></SPAN></FONT><SPAN
class=rodape11><I><FONT color=#7b8c8a size=1
face="bitstream Vera Sans"><SPAN style="FONT-SIZE: 8.5pt">Edição: Enio
Vieira</SPAN></FONT></I></SPAN> </P></TD></TR></TBODY></TABLE>
<P class=MsoNormal><FONT size=2 face=Arial><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 10pt"></SPAN></FONT> </P>
<P style="TEXT-ALIGN: center" class=MsoAutoSig align=center><FONT size=3
face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt"></SPAN></FONT> </P></DIV>
<P></P>-- <BR>Você recebeu esta mensagem porque está inscrito no Grupo "CASC"
em<BR>Grupos do Google, criado pela Comissão de Anistia do Ministério da
Justiça, uma vez que você está inserido entre os membros do Comitê de
Acompanhamento da Sociedade Civil.<BR> <BR>*****<BR>Para postar neste
grupo, envie um e-mail para<BR>casc_ca-mj@googlegroups.com<BR>Para cancelar a
sua inscrição neste grupo, envie um e-mail
para<BR>casc_ca-mj+unsubscribe@googlegroups.com<BR>Para ver mais opções, visite
este grupo em<BR><A
href="http://groups.google.com.br/group/casc_ca-mj?hl=pt-BR">http://groups.google.com.br/group/casc_ca-mj?hl=pt-BR</A>
</BODY></HTML>