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<DIV><FONT color=#ff0000 size=7 face=Forte>Carta O Berro<FONT
size=3>...................................................................................................................</FONT><FONT
size=4>repassem</FONT></FONT></DIV>
<DIV><FONT color=#ff0000 size=4 face=Forte></FONT> </DIV>
<DIV><FONT size=2></FONT> </DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message -----
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A
title=fernando.55.campos@gmail.com
href="mailto:fernando.55.campos@gmail.com">Fernando Soares Campos</A> </DIV>
<DIV> </DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV>
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<H1><SPAN style="COLOR: #ff6600">Assaz Atroz
</SPAN></H1></DIV></DIV></DIV></DIV></DIV>
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<H2><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt">Sábado, 9 de janeiro de 2010</SPAN></H2>
<DIV><A
name=1261321d6d164e85_126130adcdaa0b4c_1261307df7d2ce0e_200781571754322278></A>
<H3><A
href="http://assazatroz.blogspot.com/2010/01/gente-nao-se-despede-de-mario-benedetti.html"
target=_blank><SPAN style="FONT-SIZE: 24pt">A gente não se despede de Mário
Benedetti</SPAN></A><SPAN style="FONT-SIZE: 24pt"></SPAN></H3>
<DIV><A
href="http://2.bp.blogspot.com/_p3DFlceiyyg/S0gaFFFjNMI/AAAAAAAACA4/zyEOyuVz27U/s1600-h/demorou.bmp"
target=_blank><IMG
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style="COLOR: #de7008"></SPAN></A>
<P align=justify><BR><SPAN
style="FONT-FAMILY: Monotype Corsiva; FONT-SIZE: 12pt">Urda Alice
Klueger<BR><BR></SPAN><A
href="http://1.bp.blogspot.com/_p3DFlceiyyg/S0gaPxpHDvI/AAAAAAAACBA/x7lw3u2viBw/s1600-h/urda.jpg"
target=_blank><SPAN style="FONT-SIZE: 18pt"><IMG
style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; MIN-HEIGHT: 161px; WIDTH: 173px; FLOAT: left"
border=0 alt=""
src="http://1.bp.blogspot.com/_p3DFlceiyyg/S0gaPxpHDvI/AAAAAAAACBA/x7lw3u2viBw/s320/urda.jpg"></SPAN></A><EM><STRONG><SPAN
style="FONT-SIZE: 24pt">E</SPAN></STRONG></EM><SPAN style="FONT-SIZE: 12pt">le
já estava com mais de trinta anos quando eu nasci, mas só fui conhecê-lo em
idade adulta. Um ser como ele, único na sua espécie, decerto já andava a
espargir o seu pó de pirlimpimpim por sobre sangues, lutas e esperanças lá na
altura em que eu nasci, mas muito tempo passou para eu tomar contato com a sua
magia – fui criança, fui adolescente, fui jovem, tornei-me madura (será que
algum dia a gente, realmente, amadurece?) sem me dar conta que ali, do outro
lado da fronteira (fronteiras, pois também viveu como exilado. Como alguém com a
espantosa grandeza d’alma que ele tinha não andar exilado em plena Operação
Condor, quando os que nos dirigiam eram títeres formatados por algo nefando como
a Escola das Américas[1]?) havia aquele homem que era pura luz, e que como
nenhum outro até então soube contar e cantar esta nossa América na limpidez
lúcida e corajosa dos seus versos ímpares.<BR><BR>Mário Benedetti entrou na
minha vida através de um poema de amor que era cheio de erotirmo, e fiquei
curiosa com aquele poeta que me chegava do Uruguai (embora os tantos exílios), e
tão curiosa fiquei que quis saber mais, e fui mergulhando na sua produção, na
sua longa obra de tão longos anos, até o dia em que me deparei com aquele poema
único dos únicos: “Te quiero”:<BR></SPAN><BR><SPAN
style="FONT-FAMILY: Monotype Corsiva; FONT-SIZE: 14pt"><EM>“(...)<BR>Tus ojos
son mi conjuro<BR>contra la mala jornada;<BR>te quiero por tu mirada<BR>que mira
y siembra futuro.<BR><BR>Tu boca que es tuya e mia<BR>tu boca no se
equivoca<BR>te quiero por que tu boca<BR>sabe gritar rebeldia.<BR><BR>Se te
quiero es porque sos<BR>mi amor mi cómplice y todo.<BR>Y en la calle codo a
codo<BR>somos muchos más que dos.<BR>(...)” [2]</EM><BR></SPAN><BR><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt">Céus, aquilo era o meu sonho de vida! “...Em la calle
codo a codo somos muchos más que dos.” Calou-me tão fundo à alma que fiquei a
pensar se haveria para mim este parceiro que me completaria tão completamente,
tão completamente... Sonha-se; assim é a vida, e ninguém como Mário Benedetti
para nos atirar para dentro do mundo diáfano, colorido e real dos sonhos –
depois de se ler um poema assim, a gente passa a ver que tudo é possível.
Tomei-me de tal carinho por “Te quiero” que como que o afivelei com toda a força
ao meu coração sempre tão solitário, e ele era como um arrimo para a minha
solidão, enquanto descobria mais e mais pérolas desse uruguaio único que era
capaz de desestabilizar ditadura cruéis com a força da sua palavra, a ponto de
estar tendo sempre que ir trocando de país por onde o Condor voava...<BR><BR>A
gente querendo ou não, a vida vai passando e muitas coisas vão acontecendo. Em
maio de 2009 eu estava convidada para um evento cultural no Mestrado em Letras
da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai – URI -na cidade de Frederico
Westphalen/RS, grande evento internacional, que reunia gente da área de Letras
de mais de um país. Lá estavam três uruguaios convidados: o escritor Ignacio
Martinez, Mariel Cardozo e Graciela Veiga. Foram dias e noites maravilhosas,
onde desfrutamos de inúmeras atividades culturais naquele cursos de Letras que
me pareceu, também, único – nunca vi outro com tal qualidade e garra pelos
lugares onde até hoje andei – e onde professores e convidados fazíamos as
refeições juntos em lindos restaurantes, refeições que acabavam se transformando
em tertúlias, e numa dessas noites, à hora da sobremesa, os uruguaios passaram a
declamar poemas de sua terra, notadamente de Mário Benedetti, e eu pedi: “Ah,
por favor, por favor, declamem Te quiero, aquele que diz: Y en la calle codo a
codo somos muchos más que dos!".<BR><BR>Muito vã a minha ênfase! Se eu cá de
outro país, de outra língua, sabia tanto do poema para dizer seu nome e aquele
pedacinho fascinante, o que esperar de legítimos uruguaios? Então houve o
momento mágico: nuestros hermanos passaram imediatamente para o poema, mas não
se limitaram a declamá-lo: no Uruguai, ele é música! Ignácio Martinez tomou de
um violão, e pela primeira vez na vida eu ouvia, transformados em canção,
aqueles versos únicos:<BR></SPAN><BR><SPAN
style="FONT-FAMILY: Monotype Corsiva; FONT-SIZE: 14pt"><EM>“(...)Te quiero em mi
paraíso;<BR>es decir, que em mi país<BR>la gente vive feliz<BR>aunque no tenga
permisso (...)” [3]</EM></SPAN><BR><BR><SPAN style="FONT-SIZE: 12pt">Aquele foi
um dos momentos pelos quais vale a pena viver! Emocionadíssima, coração aos
saltos, lágrimas nos olhos, eu esperei o final daquela canção fascinante e então
assegurei aos irmãos uruguaios: “Se Mário Benedetti morrer antes que eu, não
importa se daqui a um ou a vinte anos, eu vou fazer uma crônica de despedida a
ele relembrando este momento ímpar aqui em Frederico Westphalen, na companhia de
vocês!”.<BR><BR>Um dia ou dois depois voltei para minha casa – e no terceiro dia
depois daquela noite, Mário Benedetti morreu, aos 89 anos. Gastara até o fim a
sua vida usando a palavra como carícia e como arma contundente, e deixou para a
humanidade um legado que dificilmente poderá ser suplantado. Eu fiquei com
aquilo engolido na minha alma como se tivesse um espinho a atravessá-la, e só
agora, mais de sete meses depois, é que me sento para fazer a despedida
prometida lá em Frederico Westphalen.<BR><BR>Só que não é despedida, porém. Lá
do outro lado da vida, Mário Benedetti não nos abandona. Faz um dia ou dois que
ele, de repente, reaparece na telinha do meu computador, trazendo toda a
esperança e a inquietação que sempre causou ao longo da sua
vida:<BR></SPAN><BR><SPAN
style="FONT-FAMILY: Monotype Corsiva; FONT-SIZE: 14pt"><EM>“Que passaria se un
dia<BR>Despertarmos dandonos<BR>Cuenta de que somos mayoría?<BR>(...)<BR>Que
passaria?”[4]</EM></SPAN><BR><BR><SPAN style="FONT-SIZE: 12pt">Ah! Mestre,
Mestre, não há como despedir-me de ti! És como nosso alter ego, nossa
consciência mais profunda, nossa esperança mais certa, nossa sensibilidade mais
aflorada! Que acontecerá quando na rua, lado a lado, formos muito mais que dois?
Ai, Mestre, como me atinges profundamente o coração!<BR><BR>Blumenau, 06 de
janeiro de 2010 – Dia de Reis</SPAN><BR><BR><BR><SPAN
style="FONT-FAMILY: Monotype Corsiva; FONT-SIZE: 14pt">Urda Alice
Klueger</SPAN><BR>Escritora.<BR><BR>Colabora com esta nossa Agência Assaz
Atroz<BR><BR>_________________________________________________<BR><BR><EM><SPAN
style="FONT-FAMILY: Georgia; FONT-SIZE: 14pt"><STRONG>Notas:</STRONG></SPAN></EM><BR><BR><SPAN
style="FONT-FAMILY: Georgia; FONT-SIZE: 10pt"><EM>[1] A Escola das Américas,
instituição estadunidense que funcionou desde 1946 no Panamá, formando
torturadores e outros sádicos para dominarem a América dita Latina, atualmente
está funcionando no Fort Benning, estado da Geórgia/EUA, com o nome de Instituto
de Cooperação para a Segurança Hemisférica.<BR><BR>[2] “(...) Teus olhos são meu
conjuro/ contra a má jornada/ te quero por teu olhar/ que olha e semeia o
futuro// Tua boca é tua e minha/ tua boca não se equivoca/ te quero porque tua
boca/ sabe gritar rebeldia.// Se te quero é porque sois/ meu amor, minha
cúmplice e tudo. E nas ruas lado a lado/ somos muito mais que dois.(
...)<BR><BR>[3] “Te quero em meu paraíso/ e dizer que em meu país/ as pessoas
vivem felizes/ embora não tenham permissão.(...)”<BR><BR>[4] Que aconteceria se
um dia/ despertarmos dando-nos/ conta de que somos mayoria? (...) Que
aconteceria?</EM></SPAN><BR><BR>_________________________________________________<BR><BR><EM>PressAA</EM><BR><BR><A
href="http://assazatroz.blogspot.com/"
target=_blank>http://assazatroz.blogspot.com/</A><BR><A
href="http://santanadoipanema.blogspot.com/"
target=_blank>http://santanadoipanema.blogspot.com/</A><BR><A
href="http://pressaa.blogspot.com/"
target=_blank>http://pressaa.blogspot.com/</A></P>
<P
align=justify>.</P></DIV></DIV></DIV></DIV></DIV></DIV></DIV></DIV></DIV></DIV>
<P></P></BODY></HTML>