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<DIV><FONT color=#ff0000 size=6 face=Forte>Carta O BERRO<FONT 
size=3>...............................................................repassem</FONT></FONT></DIV>
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<P><STRONG>*OS TORTURADORES – O GOLPE MILITAR DE 1964 – CRIME HEDIONDO NÃO TEM 
ANISTIA*<BR><BR></STRONG><BR>Laerte Braga<BR><BR>Há uma forma bem simples de 
encarar o golpe militar de 1964 e que depôs o<BR>governo constitucional do 
presidente João Goulart instaurando um período de<BR>violência, barbárie e 
entrega do País a interesses de uma nação, os Estados<BR>Unidos e grupos 
econômicos internacionais.<BR><BR>As redes de tevê hoje gostam de exibir cenas 
de assaltos fracassados em que<BR>os assaltantes, na iminência de virem a ser 
presos, mantêm uma ou duas<BR>famílias como reféns.<BR><BR>O que os militares 
fizeram em 1964 foi isso. Seqüestraram a nação inteira e<BR>nos mantiveram 
reféns debaixo de um imenso tacão nazista, transformando o<BR>Brasil num mero 
acessório no jogo das grandes potências e em boa parte desse<BR>período 
transformando seus “comandantes” (o verdadeiro comando era externo,<BR>vinha de 
fora) em novos milionários (a corrupção é companheira inseparável<BR>da 
violência), tudo isso sustentado em câmaras de tortura, 
estupros,<BR>assassinatos, a absoluta falta de respeito e princípios de 
dignidade dos que<BR>se sustentam na barbárie e na boçalidade que é a regra 
geral, ainda hoje, da<BR>maioria dos nossos chefes militares.<BR><BR>As vítimas 
somos todos os brasileiros, uns em maior, outros em menor escala,<BR>mas as 
vítimas somos todos os brasileiros. E não se constrói uma nação livre<BR>e 
soberana sem que sua História seja contada sem pontos e vírgulas ocultos<BR>ou 
omitidos e que sirvam para esconder mentiras e farsas travestidas 
de<BR>substantivos ou adjetivos pomposos, como democracia, liberdade, 
patriotismo,<BR>dever cumprido, etc.<BR><BR>Os que mantêm famílias como reféns 
nesses assaltos corriqueiros de nossos<BR>dias (as forças de segurança estão 
mais preocupadas com a segurança dos<BR>donos do País e estigmatização da luta 
popular, a criminalização de<BR>movimentos como o MST) justificam a ação como 
conseqüência da miséria, da<BR>necessidade de sobrevivência, da falta de 
perspectivas. Os que seqüestraram<BR>o Brasil em 1964 buscaram justificar o ódio 
à liberdade, à democracia,<BR>escondidos num “patriotismo” canalha, mal 
disfarçado ou por outra, que nem<BR>preocuparam-<WBR>se em disfarçar.<BR><BR>A 
história das forças armadas brasileiras revela militares de grandeza<BR>ímpar, 
caso do marechal Teixeira Lott, do marechal Luís Carlos Prestes, do<BR>major 
Cerveira, do sargento Gregório Bezerra, do capitão Carlos Lamarca, 
e<BR>certamente, e alguns anônimos sacrificados na absoluta falta de 
escrúpulos<BR>dos seqüestradores do Brasil.<BR><BR>No Fórum Social Mundial de 
2003, em Porto Alegre, uma freira iraquiana, irmã<BR>Sherine, disse a milhares 
de pessoas que lotavam o Gigantinho, ginásio do<BR>Internacional, que a grande 
tragédia do seu país, o Iraque, era o petróleo.<BR>O que deveria ser a riqueza 
de seu povo, permitir o progresso comum a todos,<BR>a existência, a coexistência 
e a convivência em bases dignas e humanas, se<BR>transformava em tragédia, pela 
cobiça dos seqüestradores, no caso os<BR>norte-americanos, os britânicos, os 
países subalternos que os seguiram e as<BR>grandes empresas que vieram 
atrás.<BR><BR>Somos o maior País da América Latina. Do ponto de vista 
territorial,<BR>político, econômico, chave para os interesses dos EUA nessa 
parte do mundo.<BR>O golpe de 1964 começou com a deposição do ditador Vargas em 
1945 e o que se<BR>prenunciava democracia manteve-se no governo do condestável 
do Estado Novo,<BR>o marechal Eurico Gaspar Dutra. Derrotou o projeto militar de 
eleger o<BR>brigadeiro Eduardo Gomes, fundador da Aeronáutica brasileira e 
projeto da<BR>direita para o Brasil (era um homem digno, de caráter, diferente 
de Médice,<BR>Castello, Costa e Silva, Figueiredo, esse tipo de gente).<BR><BR>O 
projeto tornou a fracassar em 1950 quando Getúlio Vargas voltou ao poder<BR>pela 
maioria absoluta dos votos dos brasileiros derrotando o mesmo Eduardo<BR>Gomes. 
A guinada do novo Getúlio (se é que podemos dizer assim) que<BR>resultou, por 
exemplo, na criação da PETROBRAS (a imensa e esmagadora<BR>maioria dos militares 
era contra embora fossem muitos os militares que<BR>lutavam a favor na campanha 
“o petróleo é nosso”), essa guinada, o ranço do<BR>anti-getulismo e de 
conquistas da classe trabalhadora ao longo do período<BR>que vai da revolução de 
1930 até a morte de Getúlio, em agosto de 1954, deu<BR>força à indústria do 
golpe, com largo alcance num primeiro momento na<BR>Marinha e na Aeronáutica e 
em seguida se alastrando pelo Exército, onde os<BR>chefes militares 
identificados com o País iam sendo afastados ou<BR>literalmente peitados pelos 
nazi/fascistas.<BR><BR>Foram os que subscreveram o manifesto dos coronéis em 
1954, pedindo o<BR>afastamento do então ministro do Trabalho João Goulart que 
havia aumentado o<BR>salário mínimo em 100%. Entre os signatários desse 
manifesto, golpistas a<BR>serviço da empresa privada e interesses estrangeiros 
como Golbery do Couto e<BR>Silva, Cordeiro de Faria e outros que viriam a ser 
proeminentes figuras dez<BR>anos mais tarde na boçalidade tramada e comandada 
por Washington, o<BR>seqüestro do Brasil por bandidos fardados.<BR><BR>*UM 
BREVE, MAS SUFICIENTE DEPOIMENTO DE UM CORONEL/TORTURADOR*<BR><BR>A tradição 
histórica das forças armadas brasileiras é na sua maior parte<BR>golpista e de 
direita, ou seja, fascista. Seu alinhamento e submissão a<BR>Washington tem sido 
quase total. Ainda agora, no golpe que derrubou o<BR>presidente constitucional 
de Honduras, um coronel brasileiro, aluno da<BR>escola de golpes para a América 
Latina, situada na base militar dos EUA em<BR>Tegucigalpa, emitiu parecer 
favorável ao golpe, rotulando-o de democrático.<BR><BR>Somo ainda, mesmo em um 
suposto processo democrático, os seqüestrados e<BR>ameaçados pela barbárie dessa 
gente. Estamos confinados aos limites da<BR>mentalidade tacanha e podre desses 
militares.<BR><BR>O depoimento prestado pelo coronel Brilhante Ulstra, 
comandante do DOI/CODI<BR>(Destacamento de Operações de Informações/Centro de 
Operações de Defesa<BR>Interna), à Procuradora da Justiça Militar em São Paulo, 
Hevelize Jourdan<BR>Covas (esteve em Brasília para ouvir um dos principais 
assassinos do período<BR>militar) é um primor de desfaçatez e amoralidade. O 
fato aconteceu em 15 de<BR>outubro na Corregedoria da Justiça Militar. E serve 
como um dos fios dos<BR>vários novelos enrolados pela ditadura militar e seu 
caráter de subordinação<BR>a governo de outro país, violência e 
crueldade.<BR><BR>Brilhante Ulstra, responsável por um dos mais cruéis centros 
de tortura,<BR>estupros e assassinatos da ditadura militar, declarou que chegou 
a São Paulo<BR>na primeira quinzena de 1970 e que “o terrorismo aumentava cada 
vez mais,<BR>principalmente no estado de São Paulo e no Rio de Janeiro”. A 
definição de<BR>“terrorismo” do carrasco Ultra refere-se aos resistentes ao 
seqüestro do<BR>Brasil por militares subordinados a um governo estrangeiro e a 
empresas e<BR>interesses que não os de nosso País.<BR><BR>Segundo o coronel, 
preparado inclusive por organismos internacionais<BR>preocupados com a repulsa 
popular ao golpe, os “órgãos policiais” foram<BR>surpreendidos pela ação dos 
“terroristas”. Estudantes, trabalhadores,<BR>camponeses, donas de casa. Para ele 
esse tipo de resistência pegou de<BR>surpresa operações especiais como a OBAN 
(OPERAÇÃO BANDEIRANTES)<WBR>,<BR>subordinada ao II Exército, com sede na capital 
paulista e montada por<BR>militares, polícia estadual e empresas. O filme 
CIDADÃO BOILESEN, exibido já<BR>em vários pontos do Brasil mostra a participação 
do empresário Boilesen, de<BR>origem dinamarquesa na repressão aos que lutavam 
contra a ditadura. Mercedes<BR>Benz, Supergasbrás, FOLHA DE SÃO PAULO, FIESP 
(Federação das Indústrias de<BR>São Paulo) etc.<BR><BR>Diante desse quadro o 
próprio presidente da República (ditador) elaborou uma<BR>diretriz de “segurança 
interna” que deu poderes aos generais de Exército<BR>(são três as patentes de 
general no Brasil, de Brigada, de Divisão e de<BR>Exército), então comandantes 
militares de suas respectivas áreas, para<BR>combater o “terrorismo”.<BR><BR>Em 
cada área foi criado um Conselho de Defesa Interna (CONDI), um centro 
de<BR>operações – CODI - e um destacamento para operações (DOI). A atuação 
do<BR>coronel Brilhante Ulstra abrangeu, segundo suas próprias declarações, 
o<BR>período de vinte e nove de setembro de 1970 a vinte e três de janeiro 
de<BR>1974. O período Médice, semelhante à ditadura Pinochet no 
Chile”<BR><BR>Segundo Brilhante Ulstra o comandante do II Exército, general José 
Canavarro<BR>Pereira, lhe deu plenos poderes para combater o “terrorismo”. 
Ulstra era<BR>major à época e a frase/ordem de Canavarro foi a seguinte – 
“major, amanhã o<BR>senhor assumirá o comando do DOI/CODI. Estamos numa guerra. 
Vá assuma e<BR>comande com dignidade”. Comandar, Brilhante Ulstra comandou. 
Dignidade não<BR>me consta que assassinos, torturadores, sobretudo de presos por 
crime de<BR>opinião, indefesos, não me consta que tenha.<BR><BR>Cínico, amoral, 
chegou a dizer em seu depoimento que a partir deste momento<BR>sua família 
corria perigo com constantes ameaças às suas vidas e que as<BR>funções foram 
exercidas com “sacrifícios e privações”. É típico de canalhas<BR>esse tipo de 
defesa para o inconfessável.<BR><BR>Relatou os “atos de terrorismo” em linhas 
gerais, falou de “crimes de<BR>resistentes”, negou a tortura, admitiu que, 
eventualmente, pode ter havido<BR>algum excesso, que muitos presos arrependidos 
acabavam por ajudar na<BR>apuração dos “crimes”, dá para imaginar as “pregações 
pelo arrependimento”.<BR>Negou qualquer participação no crime contra Wladimir 
Herzog e beirando os<BR>limites da hipocrisia absoluta falava que os “suicídios” 
eram “suicídios<BR>mesmo”.<BR><BR>Repugnante. Repulsiva a figura.<BR><BR>Trecho 
de seu depoimento – “que afirma que trinta e sete pessoas foram<BR>mortas no 
DOI/CODI durante seu comando, apresentando relação com dados<BR>completos das 
pessoas citadas. Que estes trinta e sete militantes morreram<BR>nas ruas em 
combate com os seus subordinados, ou então, quando reagiam ou<BR>tentavam fugas 
em pontos normais, pontos de polícia ou e pontos frios. Que<BR>quando morriam em 
uma destas situações não era possível solicitar perícia<BR>local, pois os 
terroristas agiam com cobertura armada, havendo risco de<BR>ataque aos agentes 
que preservavam o local; que o corpo era levado ao DOI,<BR>sendo feito contato 
com o DOPS, para o encaminhamento ao IML, para autópsia<BR>e abertura de 
inquérito”.<BR><BR>As autópsias foram executadas pelo médico Harry Shibata 
proibido de exercer<BR>a medicina e banido da profissão por assinar laudos 
falsos sobre mortos por<BR>tortura nas dependências do DOI/CODI sob o comando do 
coronel Brilhante<BR>Ulstra.<BR><BR>Brilhante Ulstra fala em ter orgulho das 
funções que exerceu e seu<BR>depoimento é público. As instituições da classe 
médica não carregaram a<BR>vergonha de ter em seus quadros Harry 
Shibata.<BR><BR>*A DITADURA VEIO DE FORA – A DOUTRINA DA SEGURANÇA 
NACIONAL*<BR><BR>* *<BR><BR>A renúncia de um tiranete corrupto, alcoólatra e 
irresponsável em agosto de<BR>1961, Jânio da Silva Quadros, fazia parte de uma 
tentativa de golpe. Só que<BR>Jânio não combinou nada com ninguém, a não ser os 
copos que tomava,<BR>enfrentou a oposição de Carlos Lacerda (então governador do 
antigo estado da<BR>Guanabara, hoje cidade do Rio de Janeiro), um dos seus 
principais aliados ao<BR>negar-lhe favores pessoais (entendia ser Lacerda um 
risco para seus<BR>projetos), acabou trazendo de volta à cena os militares que 
desde a<BR>deposição de Getúlio em 1945 vinham tentando impor ao Brasil o 
modelo<BR>cristão, ocidental e fascista desenhado em Washington.<BR><BR>Foi 
assim em 1954, em 1955 quando tentaram criar obstáculos à posse do<BR>presidente 
eleito, Juscelino Kubistchek e após a renúncia de Jânio. O vice<BR>João Goulart 
estava em missão oficial na China e os três ministros militares<BR>resolveram 
negar-lhe o direito constitucional de assumir a presidência da<BR>República. O 
marechal Odílio Denys (que traiu seus principais companheiros,<BR>dentre o 
marechal legalista Teixeira Lott), o brigadeiro Grum Moss e o<BR>almirante 
Sílvio Heck.<BR><BR>Foi a resistência popular e a ação do governador do Rio 
Grande do Sul,<BR>Leonel Brizola que, num primeiro momento, conseguiu assegurar 
a posse de<BR>Jango num regime parlamentarista votado às pressas ( Brizola 
recebeu apoio<BR>do general Machado Lopes, comandante do III Exercito, no Rio 
Grande do Sul)<BR>e num presidencialismo obtido pelo voto popular em janeiro de 
1963, quando<BR>Jango, definitivamente, assumiu o governo.<BR><BR>A revolução 
cubana e a explosão de movimentos populares em toda a América<BR>Latina por 
governos livres dos interesses e do tacão fascista de Washington<BR>levaram 
empresas e governo dos EUA a criarem uma comissão específica para<BR>situações 
semelhantes em todo o mundo a chamada Comissão Tri-lateral AAA –<BR>AMÉRICA, 
ÁSIA e ÁFRICA – e foi essa comissão que desenvolveu a chamada<BR>doutrina de 
segurança nacional, minuciosamente descrita pelo padre Joseph<BR>Comblin num 
livro com o mesmo nome “a doutrina da segurança nacional”, aqui<BR>editado pela 
Editora Civilização Brasileira.<BR><BR>Se no A de América Latina surgiram 
ditaduras além das já existentes na<BR>América Central principalmente, surgiram 
também conflitos na Ásia e na<BR>África. No Vietnã, onde os franceses foram 
derrotados, em países africanos<BR>que lutavam por sua independência do 
colonialismo europeu (britânico,<BR>francês, belga, holandês e português). Os 
outros dois As da comissão.<BR><BR>No caso latino-americano um governo de centro 
esquerda como o de João<BR>Goulart, com propósitos de reforma agrária, 
nacionalização plena do<BR>petróleo, dos setores básicos da economia, não 
interessava e nem interessa<BR>aos EUA. Quem imagina que os Estados Unidos seja 
uma União de estados<BR>equivoca-se. Pode até ter sido, mas é apenas uma união 
de quadrilhas de<BR>banqueiros sionistas, empresários, o complexo 
militar/empresarial a que se<BR>referiu o general Eisenhower, hoje sob a batuta 
de um cervejeiro, Barack<BR>Obama. Branco de pele negra eleito presidente da 
República.<BR><BR>A derrubada do governo Goulart foi tomada montada em 
Washington com ação<BR>direta do embaixador dos EUA no Brasil (documentos 
oficiais revelam isso e<BR>estão à disposição no arquivo público daquele país, 
no Congresso<BR>norte-americano)<WBR>, Lincoln Gordon, do general Vernon 
Walthers, designado para<BR>comandar as forças armadas brasileiras pelo fato de 
falar português e ser<BR>amigo do ditador Castello Branco.<BR><BR>As lições de 
1961, quando não conseguiram evitar a posse de Goulart, foram<BR>aprendidas e 
farsas de defesa da democracia como a “marcha da família com<BR>Deus pela 
liberdade”, pregações histéricas e abertamente golpistas de Carlos<BR>Lacerda, o 
controle da maior parte da mídia, a descarada intervenção<BR>norte-americana nas 
eleições de 1962 através de um instituto laranja para o<BR>golpe (IBAD – 
INSTITUTO BRASILEIRO DE AÇÃO DEMOCRÁTICA), todo um cenário,<BR>para se chegar ao 
golpe.<BR><BR>1964 representou um grande expurgo de militares legalistas, 
nacionalistas,<BR>socialistas, ou comunistas, mais de dois mil, uma tomada de 
poder por<BR>delegados de Washington e um briga de vaidades entre generais 
repletos de<BR>medalhas por bom comportamento, ou torturadores como Brilhante 
Ulstra, por<BR>assassinatos, estupros, tortura, etc.<BR><BR>E já um ano depois 
foi rejeitado nas urnas quando Negrão de Lima e Israel<BR>Pinheiro foram eleitos 
respectivamente governadores da Guanabara e de Minas<BR>Gerais, mesmo sendo 
homens de centro. Toda uma ação planejada, bem pensada,<BR>dentro do contexto e 
dos limites traçados pela Comissão Tri-lateral AAA,<BR>foram seguidos à risca e 
a repressão brutal, sangrenta, assassina, cruel dos<BR>militares brasileiros 
começou desordenada, organizou-se precariamente (do<BR>ponto de vista deles) na 
OPERAÇÃO BANDEIRANTES, mas atingiu a limites de<BR>perfeição e requintes de 
barbárie na criação dos DOI/CODI, por todas as<BR>áreas militares e a associação 
com ditaduras de países como a Argentina, o<BR>Uruguai, o Chile e o Paraguai, na 
Operação Condor (objeto de mestrado da<BR>doutora Neuza Cerveira e com 
documentos oficiais), a partir dos centros do<BR>verdadeiro terrorismo, o de 
Washington.<BR><BR>Instrutores norte-americanos passaram a assessorar militares 
e policiais<BR>brasileiros, caso de Dan Mitrione o mais conhecido deles. 
Terminou executado<BR>em combate em Montevidéu no Uruguai.<BR><BR>Não só o 
treinamento, como a presença de agentes estrangeiros, a conivência<BR>e a 
submissão de militares brasileiros aos norte-americanos, como tecnologia<BR>de 
ponta na tortura transformaram o País num grande campo de concentração,<BR>onde 
quem não estava preso, silenciava com medo do terror oficial, ou então<BR>era 
cúmplice.<BR><BR>Brihante Ulstra é o exemplo claro, pronto e acabado de militar 
indigno em<BR>qualquer força armada digna se é que esse tipo de força armada 
existe. Ou se<BR>levarmos em conta o que chamam de honra militar.<BR><BR>É só 
uma ponta do processo que gerou monstros fardados e travestidos 
de<BR>democratas, patriotas, Brasil afora.<BR><BR>A ditadura veio de fora e 
dentro do contexto da guerra-fria, escorada na<BR>doutrina de segurança 
nacional.<BR><BR>Barbárie, violência e entreguismo puro, em 
essência.<BR><BR>Essa característica estúpida e boçal dos ditadores e seus 
sicários e não<BR>poderia ser outra, é genética, logo mostrou-se insuficiente 
para seduzir os<BR>brasileiros. Em 1970 o protesto da população foi silencioso. 
O número de<BR>votos nulos e brancos foi maior que o de válidos, mas os esquemas 
para que<BR>vencessem prevaleceram. Em 1974, derrotados de forma explícita nas 
urnas,<BR>tentaram manter as aparências, editaram o pacote de abril (governo 
Geisel),<BR>alterando as regras como a criação do senador biônico, eleito 
indiretamente,<BR>para evitar a perda da maioria nas eleições de 1978, até que, 
em 1982<BR>começaram a ruir definitivamente, mas logo os donos inventaram a 
democracia<BR>como a que temos, com figuras como Collor, FHC e agora tentam 
impingir José<BR>Collor Serra, assustados com as poucas, mas significativas e 
expressivas<BR>conquistas do governo Lula, sobretudo a perspectiva de um Brasil 
soberano,<BR>numa América Latina que começa a se levantar contra o império 
nazi/sionista<BR>dos EUA.<BR><BR>Nas eleições de 1982, já sem o bi-partidarismo 
imposto de cima para baixo e<BR>sem o AI-5, a ditadura valeu-se de um penúltimo 
casuísmo. Ao perceber que<BR>seria derrotada nos grandes centros do País, em 
estados como Minas, São<BR>Paulo, Rio, Pernambuco, Rio Grande do Sul e outros, o 
ministro da Justiça<BR>Leitão de Abreu vinculou os votos de ponta a ponta, ou 
seja, ao votar num<BR>candidato de determinado partido, todos os demais 
candidatos teriam que ser<BR>do mesmo partido. Seriam eleitos desde os 
governadores, dois terços do<BR>Senado, a totalidade da Câmara dos Deputados, 
assembléias legislativas,<BR>prefeitos e câmaras de vereadores e estava em jogo 
a eleição do presidente<BR>da República em 1984, ainda pela via indireta, como 
previa a carta imposta<BR>desde o governo de Castello e golpeada em 1968 pelo 
AI-5.<BR><BR>Isso implicou na necessidade de reações imediatas da oposição para 
sua<BR>sobrevivência e estados como Rio Grande do Sul e Pernambuco foram 
perdidos<BR>na manobra, além, lógico, da maioria do Congresso Nacional. A 
ditadura não<BR>controlava os chamados grandes centros urbanos, mas os 
“coronéis” (esses com<BR>aspas) e os sem aspas controlavam o interior do Brasil, 
o que Tancredo<BR>chamava de “burgos podres”.<BR><BR>*OS APETITES PRESIDENCIAIS 
E DITATORIAIS*<BR><BR>* *<BR><BR>* *<BR><BR>O golpe militar de 1964, para além 
de interesses internacionais sobre e no<BR>Brasil, a cumplicidade das elites 
econômicas do País, revelou também<BR>apetites ditatoriais para além das forças 
armadas. Castello Branco foi uma<BR>imposição de Washington a partir do general 
Vernon Walthers, seu amigo<BR>pessoal (era o oficial de ligação entre as tropas 
da FEB e dos EUA na IIª<BR>Grande Guerra) e dos governadores Magalhães Pinto, 
Carlos Lacerda e Ademar<BR>de Barros, respectivamente de Minas Gerais, Guanabara 
e São Paulo.<BR><BR>Os três apostavam numa rápida transição de um governo 
militar para um<BR>governo civil eleito pelo voto direto, tanto quanto na 
eliminação de<BR>eventuais adversários à esquerda (ou presa, ou exilada, 
cassada) ou de<BR>Juscelino, a princípio, o grande favorito para as eleições de 
1965.<BR><BR>O acordo que permitiu a eleição de Castello Branco, então chefe do 
Estado<BR>Maior do Exército e ligado à extinta UDN (foi cogitado para ser o vice 
de<BR>Jânio Quadros em 1960), todo ele conduzido sob a inspiração de 
Vernon<BR>Walthers e a batuta dos três principais governadores brasileiros, 
incluiu o<BR>antigo PSD e, lógico, JK, que era senador pelo estado de Goiás. O 
PSD<BR>era maioria<BR>no Congresso, setores do partido estavam levantando a 
candidatura do<BR>marechal Eurico Gaspar Dutra, ex-presidente e fora do campo de 
interesses e<BR>disputas dos golpistas. Dutra foi o condestável do estado novo 
em 1937 e<BR>quem comandou (diante do fato consumado) a deposição de Getúlio em 
1945.<BR><BR>Magalhães Pinto, governador de Minas, ainda tem sua biografia não 
escrita<BR>com todas as letras reais. Um dos políticos mais corruptos e 
pusilânimes de<BR>nossa história. Sem caráter algum, sem princípios, o tipo do 
sujeito<BR>asqueroso, pois fala mansa, cheio de armadilhas e por aí afora. Ao 
perceber<BR>o inevitável, que dentro das forças armadas havia dois grupos 
distintos, os<BR>duros (Costa e Silva) e os moderados (Castello) e vários 
subgrupos em torno<BR>dos dois, assentou-se numa moita e ficou esperando para 
ver quem levaria a<BR>taça. Seria esse, como foi, o seu caminho.<BR><BR>Lacerda 
apostava nos seus vínculos com militares principalmente na Marinha e<BR>na 
Aeronáutica. Estivera no palco principal dos acontecimentos políticos<BR>desde o 
suicídio de Vargas, a renúncia de Jânio (bancou a candidatura do<BR>maluco 
dentro da UDN) e o golpe. Eram seus trunfos para ser ungido<BR>presidente em 
1965, contando inclusive com eleições indiretas num 
primeiro<BR>momento.<BR><BR>Ademar sabia que estava na corda bamba, era visto 
como corrupto pelos<BR>militares e contava apenas terminar seu governo em São 
Paulo e num golpe de<BR>sorte virar uma espécie de presidente de 
conciliação.<BR><BR>Magalhães pulou no colo de Costa e Silva, virou ministro das 
Relações<BR>Exteriores. Lacerda num acesso de raiva ao saber que não seria o 
presidente<BR>em seguida a Castello acabou cassado e Ademar nem o governo 
terminou em São<BR>Paulo. Foi cassado e substituído por Laudo Natel.<BR><BR>JK 
saiu de cena mais cedo ainda. Pressionado pela linha dura Castello 
não<BR>cumpriu o que fora acordado quando de sua eleição. No meio do seu 
governo<BR>foi emparedado por Costa e Silva, seu ministro do Exército e a 
tentativa de<BR>indicar um civil, Bilac Pinto para sucedê-lo, morreu na frase de 
Costa e<BR>Silva ao viajar para o exterior e sabendo das manobras para demiti-lo 
–<BR>“viajo ministro e volto ministro” –. Estava definido ali o 
futuro<BR>presidente.<BR><BR>A linha dura vencera essa disputa e figuras como 
Jarbas Passarinho (major<BR>que traiu Lott, traiu Castello e quem se lhe 
opusesse) começam a aparecer e<BR>a dominar o cenário. O fato de ser major não o 
impedia de ser o principal,<BR>ou um dos principais articuladores da linha dura. 
Virou inclusive o<BR>preferido dos falcões norte-americanos para o desmonte do 
ensino público no<BR>País, entidades estudantis e dos sindicatos. Um célebre 
convênio MEC/USAID<BR>(Ministério da Educação e Cultura e Agência Internacional 
dos EUA para o<BR>Desenvolvimento – braço da CIA).<BR><BR>Sobre Magalhães Pinto 
um episódio que ilustra a grandeza de João Goulart. JK<BR>e Lacerda 
reconciliam-<WBR>se e promovem a criação da FRENTE AMPLA, em 1968.<BR>Levam a 
idéia a Goulart (Brizola e Jânio rejeitam) e a tentativa era a de<BR>uma grande 
mobilização popular pela retomada do processo democrático. Na<BR>viagem para 
Montevidéu onde foram encontrar-se com Jango, Lacerda confessou<BR>a Juscelino 
seu constrangimento diante das muitas críticas que fizeram ao<BR>ex-presidente e 
do seu papel no golpe de 1964.<BR><BR>Ao entrar na casa de Jango encontrou o 
ex-presidente de braços abertos para<BR>um abraço e ouviu as seguintes palavras 
–“venha cá governador, me dê um<BR>abraço, nunca lhe votei ódio, rancor ou 
mágoa, pois o senhor sempre foi<BR>oposição ao meu governo e a mim. Tenho asco 
do governador Magalhães Pinto<BR>que na manhã do golpe telefonou-me jurando 
lealdade. Não gosto de<BR>traidores”. Lacerda abraçou-o com lágrimas nos olhos e 
certamente um<BR>profundo remorso dentro de si.<BR><BR>O que não estava no 
programa foi o derrame sofrido por Costa e Silva. Fraco,<BR>ridículo, jogador 
contumaz, dominado pela corrupção familiar (sua mulher e<BR>filho), criou um 
problema para os golpistas. O vice era Pedro Aleixo, antigo<BR>deputado da UDN e 
de formação liberal. Israel Pinheiro, governador de Minas,<BR>em meio aos 
acontecimentos, convocara Aleixo a BH para tentarem uma frente<BR>de 
resistência. Aleixo abriu mão.<BR><BR>Sai o segundo golpe dentro do golpe. Os 
ministros militares sob o comando do<BR>general Aurélio Lyra Tavares afastam o 
presidente, formam uma junta militar<BR>(o AI-5 já era uma realidade) e promovem 
uma eleição dentro dos quartéis<BR>para evitar um racha de grandes proporções 
entre os militares. Sendo a força<BR>maior o Exército votou (oficiais) para 
escolher entre Garrastazu Medice e<BR>Afonso Albuquerque Lima. Medice levou 
amparado por Orlando Geisel e o terror<BR>desorganizado ganhou contornos de 
horror e boçalidade milimetricamente<BR>planejados e executados.<BR><BR>A 
eleição de Medice atende à doutrina de segurança nacional e o Brasil passa<BR>a 
ser o centro dos golpes na América Latina. Da tortura, da barbárie, 
da<BR>violência e da estupidez características de tiranos.<BR><BR>O que antes 
era uma operação financiada por empresários, a OBAN, vira<BR>Operação Condor 
envolvendo todo o chamado Cone Sul (Brasil, Argentina,<BR>Uruguai, Paraguai e 
Chile e estende-se a América Latina como um todo). Era<BR>literalmente um 
esquadrão da morte. Mataram Orlando Letelier, Carlos Pratts,<BR>Juan José 
Torres, centenas de resistentes, Juscelino Kubistchek, uma<BR>história ainda não 
contada em sua totalidade.<BR><BR>Os militares se viram obrigados a esse jogo de 
cena de troca de generais<BR>entre outras coisas por conta de uma decisão do 
governo Castello Branco.<BR>Castello extinguiu o posto de marechal da reserva e 
limitou o tempo de<BR>generalato a quatro anos. Antes um general poderia 
permanecer na ativa até a<BR>chamada expulsória (70 ou 75 anos, não me recordo 
bem).<BR><BR>O desgaste internacional a que o Brasil se viu exposto com o 
governo Medice,<BR>a condenação por crimes sistemáticos contra os direitos 
humanos, a reação<BR>popular a cada eleição, acabou permitindo a Golbery do 
Couto e Silva,<BR>principal articulador dos chamados militares moderados, 
ressuscitar o<BR>general Ernesto Geisel, irmão de Orlando e que no início do 
golpe fora<BR>designado para o STM (Superior Tribunal Militar), uma espécie de 
túmulo para<BR>oficiais generais das três armas).<BR><BR>Se não era afinado com 
o irmão Ernesto, o ministro Orlando Geisel não se<BR>apôs e sendo ele a figura 
principal do governo Medice. Uma espécie de<BR>rodízio ficou acertado, o que 
permitiu a Ernesto Geisel ser eleito<BR>presidente da República, já consciente 
que era preciso começar a bater em<BR>retirada no velho estilo não tão depressa 
que pudesse parecer covardia, nem<BR>tão devagar que pudesse significar 
provocação.<BR><BR>O ministério do Exército nessa composição de caserna foi para 
o general<BR>Sílvio Frota que sequer falava, apenas grunhia e vociferava, 
bisonho e<BR>tacanho, mas com forte apetite para ditador. Quando percebeu que o 
indicado<BR>de Geisel seria o general João Batista Figueiredo, então chefe do 
SNI,<BR>tentou um golpe, abortado por um rápido contragolpe de Geisel com apoio 
do<BR>chefe do Gabinete Militar, general Hugo Abreu, de grande prestígio na 
tropa.<BR>A posição de Hugo Abreu soou estranha à linha dura, já que um dos 
seus<BR>integrantes.<BR><BR>Sem o AI-5, com a anistia decretada por Geisel, a 
volta dos exilados, a<BR>linha dura tenta articular-se em torno de Walter Pires, 
ministro do<BR>Exército, mas figura medíocre, sem liderança e escolhido 
exatamente por<BR>isso.<BR><BR>Figuras como Jarbas Passarinho, Mário Andreazza e 
outros pretendentes à<BR>presidência acabam atropelados por Tancredo Neves, em 
1984, em seguida ao<BR>maior movimento popular do País, a campanha pelas 
diretas. Custaram a<BR>perceber que a candidatura de Tancredo fora costurada 
desde sua eleição em<BR>1982 para o governo de Minas e entre os costureiros, o 
general e<BR>ex-presidente Ernesto Geisel. Geisel foi chefe do Gabinete Militar 
de<BR>Tancredo no período do parlamentarismo, no governo do presidente 
João<BR>Goulart.<BR><BR>Octávio de Aguiar Medeiros, general e a mais importante 
figura do governo<BR>Figueiredo (na área militar, na econômica Delfim Neto já 
havia engolido<BR>Mário Henrique Simonsen), foi o último general do período de 
1964 a<BR>alimentar a pretensão de virar ditador. Não conseguiu sequer ensaiar 
um<BR>segundo passo, ele e Figueiredo não mais que relinchavam.<BR><BR>*A 
ANISTIA*<BR><BR>* *<BR><BR>* *<BR><BR>O acordo costurado pelo ditador Ernesto 
Geisel para suspender a vigência do<BR>AI-5 e decretar a Anistia começou pelas 
mãos de Petrônio Portela<BR>(ex-udenista, janguista, traiu no dia quando 
percebeu a vitória dos<BR>golpistas. Soltou um manifestou de apoio a Jango pela 
manhã, era governador<BR>do Piauí e outro de apoio ao golpe à tarde). Candidato 
a presidente morreu<BR>ministro da Justiça do governo Figueiredo.<BR><BR>Foi 
designado ministro da Justiça no governo do ditador João Batista<BR>Figueiredo 
exatamente para conduzir o processo que permitisse ao partido<BR>oficial eleger 
o primeiro presidente civil e acreditava que seria ele o<BR>indicado.<BR><BR>A 
essa altura do campeonato, nos Estados Unidos, matriz e condutor do 
golpe<BR>(houve arranhões durante o governo Geisel) a passagem de Jimmy Carter 
pela<BR>presidência desarticulou algumas forças pré-históricas, o bastante para 
que<BR>ditadura latino-americanas se sentissem ameaçadas.<BR><BR>É um detalhe 
significativo, mesmo Carter não tendo sido reeleito (nos anos<BR>que se seguiram 
ao término da IIª Grande Guerra, apenas quatro presidente<BR>não foram reeleitos 
nos EUA. John Kennedy que morreu assassinado em 1963.<BR>Seu sucessor Lyndon 
Johnson que desistiu em 1968 de pleitear a reeleição.<BR>Jimmy Carter que foi 
derrotado por Ronald Reagan e George Bush pai que<BR>perdeu para Bil 
Clinton).<BR><BR>O grande temor dos militares é que na eventualidade de um 
presidente civil<BR>com amplo apoio popular pudesse, com a anistia, adotar 
medidas de punição<BR>para torturadores como Brilhante Ulstra, Torres de Mello, 
Erasmo Dias, Romeu<BR>Tuma e outros tantos. Revanchismo era a palavra chave dos 
contrários à<BR>medida. Geisel estendeu a anistia a todos segundo ele 
“vencedores e<BR>vencidos”. Ao mesmo tempo que permitia a volta dos exilados, 
garantia a<BR>impunidade para o esquadrão da morte golpista.<BR><BR>E um grande 
obstáculo. A maioria dos militares se mostrou contra a anistia a<BR>Leonel 
Brizola em quem enxergavam o maior risco de volta das esquerdas ao<BR>poder. 
Carter, ironias à parte, foi o grande trunfo de Brizola. Militares<BR>ligados à 
Operação Condor haviam decidido assassinar o ex-governador no<BR>exílio no 
Uruguai, assim limpavam o terreno e Carter retirou Brizola às<BR>pressas de 
Montevidéu, evitando que o fato se consumasse.<BR><BR>Em 1979 voltavam os 
exilados e estavam cobertos pela garantia da impunidade<BR>os assassinos 
fardados do golpe de 1964. Os civis também. Romeu Tuma hoje 
é<BR>senador.<BR><BR>Brizola foi eleito governador do estado do Rio de Janeiro a 
despeito da<BR>tentativa de fraude num esquema conhecido como PROCONSULT, com 
participação<BR>de escroques, militares da linha dura e da REDE GLOBO. A 
empresa<BR>totalizadora de votos contava parte dos votos em branco para 
Wellington<BR>Moreira Franco, de um jeito que ao final da totalização Brizola 
fosse<BR>derrotado.<BR><BR>O esquema falhou por conta de uma armadilha montada 
para o presidente da<BR>PROCONSULT, testa de ferro dos verdadeiros interessados, 
onde a confissão<BR>foi explícita e o Tribunal Regional Eleitoral não teve 
alternativa outra que<BR>não totalizar os votos de forma correta e a REDE GLOBO 
engolir o resultado,<BR>inclusive com uma entrevista de Brizola.<BR><BR>O 
diretor de jornalismo da REDE, Armando Nogueira, acabou demitido ao<BR>admitir 
publicamente o erro da GLOBO.<BR><BR>A anistia no Brasil foi conseqüência de um 
processo de rejeição e<BR>repugnância pela ditadura militar, de necessidade de 
respirar ar puro, que<BR>acabou se transformando por força de ajustes aqui e 
ali, num grande acordo<BR>imposto goela abaixo e que manteve intactos os porões 
da ditadura.<BR><BR>Se os vampiros de 1964 hoje estão envelhecidos, surgiram 
figuras como Nelson<BR>Jobim, sinistro em todos os sentidos e permanece intocada 
na base militar,<BR>em sua maioria, a visão tacanha, bisonha e golpista que 
gerou 1964.<BR><BR>O tal profissionalismo, ou a consciência da realidade 
nacional, postura<BR>democrática, percepção que o papel de forças armadas é o de 
garantir a<BR>integridade do território nacional, a soberania do Brasil, de 
qualquer força<BR>armada em seu próprio País, em boa parte da América Latina e 
dos países que<BR>ensejaram a chamada COMISSÃO TRI-LATERAL – AAA (AMÉRICA, ÁSIA 
E ÁFRICA),<BR>nada disso existe. Está viva, embora momentaneamente enfraquecida 
– não<BR>tanto quanto se supõe – sobrevive o espírito golpista.<BR><BR>E começa 
numa reserva de direito inaceitável consagrado pela constituição de<BR>1988, 
imposto, de zelar pela ordem interna no Brasil. Os militares<BR>brasileiros, 
basicamente, permanecem subordinados a interesses das elites<BR>econômicas 
nacionais e internacionais. E na realidade da globalização 
(ou<BR>“globalitarização” como afirmou Milton Santos), adereço das 
grandes<BR>potências, particularmente os EUA.<BR><BR>*O GOVERNO LULA – SÍSTOLE E 
DIÁSTOLE – A REAÇÃO DE JOBIM E DOS MILITARES*<BR><BR>* *<BR><BR>* *<BR><BR>Certa 
feita perguntaram a Golbery do Couto e Silva, um dos principais<BR>ideólogos do 
golpe de 1964, a razão de ser de uma ditadura militar num País<BR>de dimensões 
continentais como o nosso, implicitamente o que significava<BR>abrir mão de um 
Brasil livre e soberano e o porquê de períodos que<BR>alternavam uma relativa 
democracia, como agora, a momentos de violência como<BR>1964, fazendo do Brasil 
uma espécie de república de bananas, epíteto aos<BR>países da América Central 
sob o controle da norte-americana United Fruit.<BR><BR>A resposta de Golbery foi 
simples. O Brasil seria como que um coração que em<BR>seu processo de 
funcionamento, ora bombeia sangue para fora do músculo<BR>cardíaco, a sístole e 
ora relaxa e se enche de sangue – antes de cada batida<BR>-, a diástole. Ou 
seja, qualquer que fosse a situação, democracia ou<BR>ditadura o modelo seria 
sempre o mesmo. Abrir ou fechar era conseqüência das<BR>exigências do modelo 
político e econômico num determinado contexto de tempo.<BR><BR>Mais ou menos 
como a democracia pode ir até determinado ponto e ponto final.<BR>Se dali 
passasse, era hora de fechar. Endurecer.<BR><BR>A morte de Tancredo não gerou 
nos militares maiores preocupações, exceto no<BR>grupo do general Ernesto Geisel 
que tinha em torno do ex-presidente um<BR>projeto mais amplo. Uma travessia mais 
segura, ou pelo menos com riscos<BR>menores. Sarney não oferecia perigo algum, é 
um político menor, um “coronel”<BR>da ditadura, uma das muitas figuras 
asquerosas da política nacional.<BR><BR>A constituição de 1988, a despeito de 
muitas conquistas, mas todas sem pisar<BR>fora da linha do modelo (ou se uma ou 
outra o fizesse, o caso da emenda<BR>Gasparian que limitava os juros seriam 
ignoradas) consagrou as forças<BR>armadas como guardiãs da democracia. Ninguém 
pode guardar, tendo que<BR>avaliar, o que não conhece, ou o que não tem como 
princípio.<BR><BR>E pior, se não tem autonomia para isso. As forças armadas 
brasileiras, isso<BR>não tem nada a ver com o sucateamento da instituição, é 
outra história,<BR>outra discussão, noutro plano, são subordinadas ao modelo 
econômico vigente<BR>e isso passa por subordinação aos EUA. O nacionalismo de 
determinados<BR>setores termina no primeiro grito de ordinário marche, em sua 
maioria e a<BR>despeito de grandes líderes militares, mas todos via de regra 
colocados à<BR>margem.<BR><BR>O que molda a democracia brasileira é o esquema 
FIESP/DASLU, uma combinação<BR>de banqueiros, empresários, latifundiários 
escorados numa classe política<BR>podre (a maioria). Esse tipo de gente, elite, 
é apátrida. Gravita em torno<BR>de Wall Street.<BR><BR>Collor foi um acidente de 
percurso, um erro na linha de montagem da REDE<BR>GLOBO (parte viva do processo 
e um desafio a ser vencido, o da comunicação)<BR>e Itamar um breve período de 
transição para um “Collor” mais seguro e<BR>confiável, Fernando Henrique 
Cardoso, sem favor algum o político mais<BR>sórdido da história contemporânea do 
Brasil.<BR><BR>Um “general” Anselmo. Amoral, não hesitou em ajustar o País aos 
interesses<BR>econômicos de um mundo sem alternativas que o capitalismo ofereceu 
e impôs<BR>após a derrocada da União Soviética (por conta de erros de 
governos<BR>soviéticos, como muito mais pelas virtudes que pelos 
defeitos).<BR><BR>A eleição de Lula revela o verdadeiro caráter dessas elites e 
dos militares.<BR><BR>Um presidente operário, com propostas reformistas, que 
esbarra na<BR>necessidade de alianças políticas espúrias para sobreviver e 
conseguir<BR>avanços maiores ou menores, minimamente, preservar alguma coisa da 
soberania<BR>nacional.<BR><BR>E que recebeu um País falido, em vias de viver o 
mesmo processo vivido pela<BR>Argentina após a saída de Menem e a eleição de De 
La Rúa. Era a aposta da<BR>extrema-direita, já definida no campo político de 
PSDB e quejandos.<BR><BR>Lula escora-se numa invenção muito bem definida por 
Ivan Pinheiro<BR>“capitalismo a brasileira”. É atropelado por escândalos 
montados,<BR>orquestrados e dirigidos pela mídia. Cai em armadilhas, mas 
consegue através<BR>de políticas compensatórias aqui e ali, além de alianças com 
setores<BR>ponderáveis do empresariado, superar os escândalos, sair de 
armadilhas,<BR>alcançar níveis de melhoria social até então desconhecidos da 
grande maioria<BR>dos brasileiros das classes mais baixas e por conta disso, 
montado numa<BR>política externa competente (Celso Amorim), somando ainda o seu 
carisma<BR>pessoal, aos trancos e barrancos transformar-<WBR>se num presidente 
que a<BR>despeito de qualquer crítica e dentro do modelo, pode, tranquilamente, 
ser<BR>citado como um dos três maiores. Getulio, Juscelino e ele. Jango fica 
fora<BR>por não ter completado seu governo, certamente teria alcançado 
resultados<BR>excelentes com as chamadas reformas de base.<BR><BR>O que Tancredo 
chamava de “burgos podres”, os territórios controlados<BR>eleitoralmente pelos 
“coronéis” políticos, é hoje a grande força de Lula,<BR>mas paradoxalmente, 
acrescentado de ponderáveis setores da intelectualidade,<BR>de forças de 
esquerda. Os grandes contingentes eleitorais urbanos são<BR>exatamente os que se 
deixam manipular pelo maior desafio à tarefa de<BR>formação e conscientização 
cidadã (palavra extremamente desgastada).<BR><BR>A mágica de uma política 
econômica ortodoxa, da busca de ruptura do<BR>monopólio norte-americano em 
setores da economia, uma ou outra peitada nos<BR>grandes interesses 
internacionais (que permitiram o avanço do empresariado<BR>nacional, mesmo 
associados ao estrangeiro, daí a “concessão”) e uma inegável<BR>melhoria na 
qualidade de vida de brasileiros em regiões onde a fome era a<BR>plantação 
principal, são esses, em linhas gerais, os traçados da<BR>popularidade do 
presidente, do seu carisma, de seu prestígio internacional,<BR>levando em conta 
também a crise que até hoje afeta os EUA, a China surgindo<BR>e se consolidando 
como grande economia e o capitalismo percebendo e sentindo<BR>o fim do 
neoliberalismo.<BR><BR>E, de repente, um grito de independência em vários países 
latino-americanos.<BR>Venezuela, Equador, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Nicarágua, 
El Salvador, a<BR>própria Argentina, em maior ou menor escala, mas uma escalada 
que impediu,<BR>por exemplo, a ALCA – ALIANÇA DE LIVRE COMÉRCIO DAS AMÉRICAS – 
algo como uma<BR>recolonização de toda a América Latina. A “mexicanização” dessa 
parte do<BR>mundo. O México hoje é um mero adereço dos EUA.<BR><BR>Essa política 
que muitas vezes é executada como pêndulo, ou seja, tropas<BR>brasileiras 
exercendo seus instintos assassinos no Haiti, ou na condenação<BR>de Uribe 
(traficante que governa a Colômbia com apoio dos EUA) quando do<BR>bombardeio 
contra território equatoriano (com cumplicidade criminosa de<BR>militares 
daquele país), trouxe a sensação que somo um gigante desperto,<BR>caminhando 
para caminhos de democracia plena, popular, quando, na verdade,<BR>não 
conseguimos nada mais que alargar a camisa de força do capitalismo.<BR><BR>E um 
dilema. Jogar o jogo enquanto se luta por algo maior, ou virar as<BR>costas e 
sair de campo?<BR><BR>Entregar o País a figuras como José Collor Serra, ou Aécio 
Pirlimpimpim<BR>Neves, ou qualquer outro nessa linha?<BR><BR>Marchar ao lado de 
Dilma Roussef na perspectiva de alargar um pouco mais a<BR>camisa de força e 
tentar rompê-la?<BR><BR>No Congresso do Partido Comunista Brasileiro o 
secretário geral Ivan<BR>Pinheiro deixou claro que a despeito das criticas a 
Lula e ao seu governo, o<BR>PCB não será o responsável por nenhum retrocesso, 
pois tem consciência da<BR>etapa que vivemos no processo histórico, mas nem por 
isso será cúmplice de<BR>equívocos ou recuos comprometedores de possibilidades 
de avanços efetivos na<BR>construção da democracia popular.<BR><BR>Cabe como 
luva em qualquer análise sobre jogar o jogo e como jogar para<BR>qualquer 
movimento ou partido de esquerda, socialista, ou comunista,<BR>democrático que 
seja lato senso. Transcende aos limites do PCB para<BR>inserir-se num espectro 
bem mais amplo, no mínimo o do bom senso e da<BR>consciência da etapa que 
vivemos.<BR><BR>É um delírio de Lula imaginar que possa resgatar a história 
sombria da<BR>ditadura militar e seus porões, mas é um dever, à medida que um 
delírio<BR>fundamental para o reencontro do Brasil consigo próprio, recuperar 
e<BR>cicatrizar o corte brutal que foi a ditadura no curso de nossa 
caminhada.<BR><BR>E é um delírio quando se imagina que militares e elites 
chegaram a um ponto<BR>de compromisso democrático, ou maturidade (putz) que 
aceitarão sem reagir<BR>esse tipo de atitude.<BR><BR>O projeto do secretário de 
Direitos Humanos Paulo Vanuchi é mais ou menos<BR>como você estar preso num tubo 
imenso, fétido, escuro e sem bem entender<BR>nada do que acontece e de repente 
encontrar a saída, a porta para respirar<BR>ar puro.<BR><BR>A reação de Nelson 
Jobim (ministro da Defesa) e dos chefes militares foi uma<BR>peitada no 
presidente e não surpreende ninguém, ou se surpreender,<BR>surpreende aos 
ingênuos.<BR><BR>Jobim foi ministro da Justiça de FHC e quando o processo de 
privatizações<BR>passou a enfrentar obstáculos no Judiciário, eivado de 
irregularidades,<BR>ilegalidades, corrupção, foi mandado para o STF onde ao 
tomar posse se<BR>declarou “líder do governo nesta corte”, iniciando a 
desmoralização da tal<BR>corte, que corre até hoje com Gilmar 
Mendes.<BR><BR>Cumpriu seu papel e voltou à sua origem. Foi para o governo Lula 
na esteira<BR>de alianças espúrias que pode tornar Hélio Costa, homem da GLOBO, 
vice de<BR>Dilma Roussef (assim como José Roberto Arruda seria o de 
Serra).<BR><BR>Os mais de oitenta por cento de popularidade de Lula não passam 
por ter<BR>levado aos brasileiros a necessidade de resgatar sua história e 
mostrar a<BR>barbárie que se viveu com o golpe de 1964. Muito menos exibir 
figuras<BR>trágicas como Brilhante Ulstra, coronel, cheio de medalhas de 
bom<BR>comportamento e cumprimento do dever, se levarmos em conta que dever 
se<BR>cumpria nas câmaras de tortura, estupros, assassinatos de adversários 
do<BR>golpe.<BR><BR>Essa popularidade começa e termina dentro dos limites do 
jogo eleitoral, do<BR>sistema, do modelo. Se pisar fora da linha chega a hora da 
sístole. O<BR>coração patriótico dos militares e das elites se contrai e se 
fecha para<BR>expulsar o sangue e curiosamente, para encher de sangue as veias 
do Brasil,<BR>para usar a imagem de Galeano noutro plano, noutra 
dimensão.<BR><BR>A hipótese de golpe, suave, brando, o que for, não pode ser 
excluída e nem<BR>deixada de lado.<BR><BR>A criminalização de movimentos 
populares, principalmente o MST (MOVIMENTO<BR>DOS TRABALHADORES RURAIS SEM 
TERRA), a forma como a mídia age na construção<BR>de zumbis alienados na 
mentalidade de consumir em shoppings, vai exigir<BR>muito mais que popularidade 
de oitenta por cento que resulta de duas ou três<BR>refeições 
diárias.<BR><BR>Vai exigir que se enfrente o modelo e isso só com organização 
popular. Se,<BR>como disse Ivan Pinheiro, o partido que dirige não vai ser 
responsável pelo<BR>retrocesso, a bola, nesse momento, está com Lula. E pelo 
jeito o presidente<BR>chegou atrasado, tomou um “xambão como dizia Waldir Amaral 
narrando jogos de<BR>futebol.<BR><BR>Vai ter que jogar, se quiser, nas regras do 
modelo, do contrário, vai ter<BR>que vir para as ruas e buscar o que lhe cabia 
fazer desde o primeiro<BR>momento, forças para romper esse dique de impunidade, 
corrupção e<BR>instituições falidas, num faz de conta que vivemos numa 
democracia.<BR><BR>Os caminhos do Brasil passam pela unidade latino-americana. 
Não passam por<BR>Washington. Nem pelo esquema FIESP/DASLU. E braços tucanos, 
DEMocratas, ou<BR>de “socialistas” comprados a doze mil por mês, assim padrão 
Roberto Freire.<BR><BR>Os generais são só paus mandados dessa gente e a reação a 
abertura dos baús<BR>da ditadura é o exercício de esconder suas vergonhas. O 
lado tétrico das<BR>forças armadas.<BR><BR>Não é o lado de Lott, nem de Prestes, 
nem de Lamarca, nem de Cerveira e dos<BR>muitos militares silenciosos diante 
dessas vergonhas (a minoria), ou dos<BR>tantos que tombaram nos expurgos 
sangrentos e dolorosos de 1964.<BR><BR>Esse tumor tem que ser extirpado e essa 
história mostrada aos brasileiros.<BR>Do contrário seremos sempre meia 
democracia, isso não existe.<BR><BR>Não é possível a convivência num mesmo corpo 
e esse corpo se manter sadio,<BR>de Paulo Vanuchi e Celso Amorim, com vírus 
letais como Jobim, Hélio Costa e<BR>outros.<BR><BR>O significado real de 
Honduras é esse. O de alerta. E por isso Honduras é<BR>toda a América 
Latina.<BR><BR></P></DIV></DIV></DIV></BODY></HTML>