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<P align=left><B><FONT color=#ff0000 size=5 face=forte>
<MARQUEE width=322 scrollAmount=20 scrollDelay=200>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<TR>
<TD vAlign=top align=left><FONT size=5><IMG border=0 hspace=0 alt=""
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<TD vAlign=top align=right><SPAN class=noticia_tema><FONT
size=5></FONT></SPAN></TD></TR></TBODY></TABLE>
<DIV><SPAN class=noticia_titulo><FONT size=5>Leonardo Boff fala sobre os rumos
do planeta terra e do ser humano</FONT></SPAN></DIV>
<DIV><FONT size=2 face=Arial></FONT><BR><SPAN class=noticia_autor>Rogéria Araújo
*</SPAN></DIV>
<DIV><BR><SPAN class=noticia_texto>As mobilizações sociais e os alardes sobre os
prejuízos que a ação humana vem causando ao meio ambiente não foram suficientes
para garantir o fechamento de acordos eficazes durante a 15ª Conferência das
Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), concluída sexta-feira (18) em
Copenhague, na Dinamarca. </DIV>
<DIV id=mudaFonte>
<P>Os líderes mundiais demonstraram mais uma vez preferência pelo
desenvolvimento do capital em detrimento da vida. Ainda assim, a postura de
desdém para com os problemas climáticos do planeta não está engessando as ações
da população na luta por pequenas mudanças. A evidência dada à causa ambiental
tem servido para gerar consciência e, aos poucos, mudar maus hábitos de consumo.
"O lugar mais imediato é começar com cada um", acredita <STRONG>Leonardo
Boff.</STRONG></P>
<P></P><IMG border=0 alt="" align=left
src="http://www.adital.com.br/arquivos/23%20boff.jpg" width=300>Em entrevista à
<STRONG>ADITAL</STRONG>, o teólogo, filósofo e escritor fala sobre a necessidade
de começarmos as mudanças que irão beneficiar a Terra por nós. "Cada um em seu
lugar, cada comunidade, cada entidade, enfim, todos devem começar a fazer alguma
coisa para dar um outro rumo à nossa presença neste planeta". Para Boff, não
devemos depositar nossas esperanças nas decisões que vêm de cima.
<P></P>
<P><STRONG>Adital - O senhor acredita na vontade política dos grandes líderes
mundiais em reverter a situação climática em que se encontra nosso
planeta?</STRONG></P>
<P><STRONG>Leonardo Boff </STRONG>- Não acredito. Os grandes não possuem nenhuma
preocupação que vá além de seus interesses materiais. Todas as políticas até
agora pensadas e projetadas pelo G-20 visam salvar o sistema
econômico-financeiro, com correções e regulações (que até agora não foram
feitas) para que tudo volte ao que era antes. Antes reinava a especulação a mais
desbragada que se possa imaginar. Basta pensar que o capital produtivo, aquele
que se encontra nas fábricas e no processo de geração de bens soma 60 trilhões
de dólares. </P>
<P>O capital especulativo, baseado em papéis, alcançava a cifra de 500 trilhões.
Ele circulava nas bolsas especulativas do mundo inteiro, gerenciado por
verdadeiros ladrões e falsários. A verdadeira alternativa só pode ser: salvar a
vida e a Terra e colocar a economia a serviço destas duas prioridades. Há uma
tendência autosuicidária do capitalismo: prefere morrer ou fazer morrer do que
renunciar aos seus benefícios.</P>
<P><STRONG>Adital - Muito esperada a COP 15, que acontece em Copenhague,
Dinamarca, parece não apontar para resultados eficazes e em comprometimentos
mais sérios. Qual deve ser o papel da sociedade civil caso os resultados não
sejam os esperados?</STRONG></P>
<P><STRONG>Leonardo Boff </STRONG>- Chegamos a um ponto em que todos seremos
afetados pelas mudanças climáticas. Todos corremos riscos, inclusive de grande
parte da humanidade ter que desaparecer por não conseguir se adaptar nem mitigar
os efeitos maléficos do aquecimento global. Não podemos confiar nosso destino a
representantes políticos que, na verdade, não representam seus povos mas os
capitais com seus interesses presentes em seus povos. Precisamos nós mesmos
assumir uma tarefa salvadora. Cada um em seu lugar, cada comunidade, cada
entidade, enfim, todos devem começar a fazer alguma coisa para dar um outro rumo
à nossa presença neste planeta. Se não podemos mudar o mundo, podemos mudar este
pedaço do mundo que somos cada um de nós.</P>
<P>Sabemos pela nova biologia e pela física das energias que toda atividade
positiva, que vai na direção da lógica da vida, produz uma ressonância
morfogenética, como se diz. Em outras palavras, o bem que fazemos não fica
reduzido ao nosso espaço pessoal. Ele se ressoa longe, irradia e entra nas redes
de energia que ligam todos com todos e reforçam o sentido profundo da vida. </P>
<P>Daí podem ocorrer emergências surpreendentes que apontam para um novo modo de
habitar o planeta e novas relações pessoais e sociais mais inclusivas,
solidárias e compassivas. Efetivamente, se nota por todas as partes que a
humanidade não está parada nem enrijecida pelas perplexidades. Milhares de
movimentos estão buscando formas novas de produção e alternativas que respondem
aos desafios.</P>
<P>Somente em ONG existem mais de um milhão no mundo inteiro. É da base e não da
cúpula que sempre irrompem as mudanças.</P>
<P><STRONG>Adital - Nunca as questões ambientais estiveram tão em evidência como
nos últimos anos. Termos como aquecimento global, mudanças climáticas apesar de
vários alertas feitos há bem mais tempo, hoje fazem parte do cotidiano de muita
gente em todo o planeta. Nessa "crise civilizatória" ainda há tempo para se
fazer algo? De onde poderá vir essa "salvação"?</STRONG></P>
<P><STRONG>Leonardo Boff </STRONG>- Se trabalharmos com os parâmetros da física
clássica, aquela inaugurada por Newton, Galileo Galilei e Francis Bacon,
orientada pela relação causa-efeito, estamos perdidos. Não temos tempo
suficiente para introduzir mudanças, nem sabedoria para aplicá-las. Iríamos
fatalmente ao encontro do pior. Mas se trocarmos de registro e pensarmos em
termos do processo evolucionário, cuja lógica vem descrita pela física quântica
que já não trabalha com matéria mas com energia (a matéria, pela fórmula de
Einstein, é energia altamente condensada) aí o cenário muda de figura. </P>
<P>Do caos nasce uma nova ordem. As turbulências atuais prenunciam uma
emergência nova, vinda daquele transfundo de Energia que subjaz ao universo e a
cada ser (chamada também de Vazio Quântico ou Fonte Originária de todo ser). As
emergências introduzem uma ruptura e inauguram algo novo ainda não ensaiado.
Assim não seria de se admirar se, de repente, os seres humanos caiam em si e
pensem numa articulação central da humanidade para atender as demandas de todos
com os recursos da Terra que, quando racionalmente gerenciados, são suficientes
para nós humanos e para toda a comunidade de vida (animais,plantas e outros
seres vivos).</P>
<P>Possivelmente, chegaríamos a isso face um perigo iminente ou após um desastre
de grandes proporções. Bem dizia Hegel: o ser humano aprende da história que não
aprende nada da história, mas aprende tudo do sofrimento. Prefiro Santo
Agostinho que nas Confissões ponderava: o ser humano aprende a partir de duas
fontes de experiência: o sofrimento e o amor. O sofrimento pela Mãe Terra e por
seus filhos e filhas e o amor por nossa própria vida e sobrevivência irão ainda
nos salvar. </P>
<P>Então não estaríamos face a um cenário de tragédia cujo fim é fatal mas de
uma crise que nos acrisola e purifica e nos cria a chance de um salto rumo a um
novo ensaio civilizatório, este sim, caracterizado pelo cuidado e pela
responsabilidade coletiva pela única Casa Comum e por todos os seus
habitantes.</P>
<P><STRONG>Adital - Há varias demandas para que a Corte Penal Internacional
reconheça os crimes ambientais como crime de lesa humanidade. O senhor acha que
seria uma alternativa?</STRONG></P>
<P><STRONG>Leonardo Boff </STRONG>- As leis somente têm sentido e funcionam
quando previamente se tenha criado uma nova consciência com os valores ligados
ao respeito e ao cuidado pela vida e pela Terra, tida como nossa Mãe, pois nos
fornece tudo o que precisamos para viver. Havendo essa consciência, ela pode se
materializar em leis, tribunais e cortes que fazem justiça à vida, à Humanidade
e à Terra com punições exemplares. Caso contrário, os tribunais possuem um
caráter legalista, de difícil aplicação, sem sua necessária aura moral que lhe
confere legitimidade e reconhecimento por todos. </P>
<P>Então devemos primeiro trabalhar na criação dessa nova consciência. Eu mesmo
estou trabalhando com um pequeno grupo, a pedido da Presidência da Assembléia da
ONU, numa Declaração Universal do Bem Comum da Terra e da Humanidade. Ela deverá
entrar por todos os meios de comunicação, especialmente, pela Internet para
favorecer a criação desta nova consciência da humanidade. A nova centralidade
não é mais o desenvolvimento sustentável, mas a vida, a humanidade e a Terra,
entendida como Gaia, um superorganismo vivo.</P>
<P><STRONG>Adital - Por outro lado não se cogita nada do tipo voltado para o
consumo, por exemplo, que tem interferência direta no caos em que se tornou a
Terra. Poderia falar um pouco sobre isso?</STRONG></P>
<P><STRONG>Leonardo Boff </STRONG>- O propósito de todo o projeto da
modernidade, nascido já no século XVI, está assentado sobre a vontade de poder
que se traduz pela vontade de enriquecimento que pressupõe a dominação e
exploração ilimitada dos recursos e serviços da Terra. Em nome desta intenção se
construiu o projeto-mundo, primeiro pelas potências ibéricas, depois pelas
centro-europeias e por fim pela hegemonia norte-americana. No início não havia
condições de se perceber as consequências funestas desta empreitada, pois
incluía entender a Terra como um simples baú de recursos, algo sem espírito que
poderia ser tratada como quiséssemos. Surgiu o grande instrumento da
tecno-ciência que facilitou a concretização deste projeto. Transformou o mundo,
surgiu a sociedade industrial e hoje a sociedade da informação e da automação.
</P>
<P>Toda esta civilização oferece aos seres humanos, como felicidade, a
capacidade de consumo sem entraves, seja dos bens naturais seja dos bens
industriais. Chegamos a um ponto em que consumimos 30% a mais do que aquilo que
a Terra pode reproduzir. Ela está perdendo mais e mais sustentabilidade e sua
biocapacidade. Ela simplesmente não aguenta mais o nível excessivo de consumo
por parte dos donos do poder e dos controladores do processo da modernidade. Os
20% mais ricos consomem 82,4% de toda a riqueza da Terra, enquanto os 20% mais
pobres têm que se contentar com apenas 1,6% da riqueza total. Agora nos damos
conta de que uma Terra limitada não suporta um projeto ilimitado. Se quiséssemos
universalizar o nível de consumo dos países ricos para toda a Humanidade,
cálculos já foram feitos - precisaríamos de pelo menos 3 Terras iguais a esta, o
que se revela como uma impossibilidade. Temos que mudar, caso quisermos superar
esta injustiça social e ecológica universal e termos um mínimo de equidade entre
todos.</P>
<P><STRONG>Adital - Até que ponto o senhor acredita que a sociedade civil
organizada pode ser agente de uma nova prática de consumo?</STRONG></P>
<P><STRONG>Leonardo Boff </STRONG>- Deve-se começar em algum lugar. O lugar mais
imediato é começar com cada um. O desafio, face ao problema universal, é
convencer-se de que podemos ser mais com menos. Importa fazer uma opção por uma
simplicidade voluntária e por um consumo compassivo e solidário pensando em
todos os demais irmãos e irmãs e demais seres vivos da natureza que passam fome
e estão sofrendo todo tipo de carência. Mas para isso, devemos realizar a
experiência radicalmente humana de que de fato somos todos irmãos e irmãs e que
somos ecointerdependentes e que formamos a comunidade de vida. </P>
<P>A economia se orientará para produzir o que realmente precisamos para a vida
e não para a acumulação e para o supérfluo, uma economia do suficiente e do
decente para todos, respeitando os limites ecológicos de cada ecossistema e
obedecendo aos ritmos da natureza. Isso é possível. Mas precisamos de uma
"metanoia" bíblica, de uma transformação de nossos hábitos, de nossa mente e de
nossos corações. Essa transformação constitui a espiritualidade. Ela não é
facultativa, é necessária. Cada um é como a gota de chuva. Uma molha pouco. Mas
milhões e milhões de gotas fazem uma tempestade, agora um tsunami do<BR>bem.</P>
<P><STRONG>Adital - O Brasil, por conta da Floresta Amazônica e outra matas
nativas, deveria ter um papel fundamental na questão ambiental. Como o senhor
avalia a postura do governo brasileiro em relação ao tema?</STRONG></P>
<P><STRONG>Leonardo Boff </STRONG>- O governo brasileiro não acumulou ainda
suficiente massa crítica nem consciência da importância da floresta amazônica
para os equilíbrios climáticos da Terra inteira. Se o problema é o excesso de
dióxido de carbono na atmosfera, então são as florestas as grandes
sequestradoras deste gás que produz o efeito estufa e, em conseqüência, o
aquecimento global. </P>
<P>Elas absorvem os gases poluentes pela fotossíntese e os transforma em
biomassa, liberando oxigênio. Ao invés de estabelecer a meta de desmatamento 0 e
ai ser rígido e implacável, por amor à humanidade e à Terra, o governo
estabelece que até 2020 vai reduzir o desmatamento até 15%. E há políticas
contraditórias, pois de um lado o Ministério do Meio Ambiente combate o
desmatamento, por outro o BNDS financia projetos de expansão da soja e da
pecuária que avançam sobre a floresta. Por detrás estão grandes interesses do
agronegócio que pressionam o governo a manter uma política flexível e danosa
para o equilíbrio da Terra.</P>
<P><STRONG>Adital - Todavia percebe-se grande atuação de movimentos sociais e
entidades em defesa da natureza e cobrando mais de seus governos em âmbitos
internacionais. Acredita que haja, no momento, mais empoderamento?</STRONG></P>
<P><STRONG>Leonardo Boff </STRONG>- Acredito que a Cúpula de Copenhague terá
função semelhante que teve a Eco-92 no Rio de Janeiro. Depois da Eco-92 surgiu
no mundo inteiro a questão da sustentabilidade e da crítica ao sistema do
capital visto como essencialmente anti-ecológico, pois ele implica uma produção
ilimitada à custa da extração ilimitada dos recursos e serviços da natureza.
Creio que a partir de agora a Humanidade tomará consciência de que ou ela, a
partir da sociedade civil mundial, dos movimentos, organizações, instituições,
religiões e igrejas, muda de rumo ou então terá que aceitar a dizimação da
biodiversidade e o risco do extermínio de milhões e milhões de seres humanos,
não excluída a eventualidade do desaparecimento da própria espécie humana. </P>
<P>Essa consciência vai encontrar os meios para pressionar as empresas, os
grandes empreendimentos e os Estados para encontrarem uma nova relação para com
a Terra. O problema não é a Terra, mas nossa relação para com ela, relação de
agressão e de exploração implacável. Precisamos estabelecer um acordo Terra e
Humanidade para que ambos possam conviver interdependentes, com sinergia e
espírito de reciprocidade. Sem isso não teremos futuro. O futuro virá a partir
da força da semente, quer dizer, das práticas humanas pessoais e comunitárias
que criam redes, ganham força e conseguem impor um novo arranjo que garantirá um
novo tipo de história. </P>
<P> </P></DIV></SPAN>
<DIV><BR><SPAN class=noticia_autor>* Jornalista da Adital</SPAN></DIV></DIV>
<P></P></BODY></HTML>