<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
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<P align=left><B><FONT color=#ff0000 size=5 face=forte>
<MARQUEE width=322 scrollAmount=20 scrollDelay=200>CARTA O BERRO. 
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message ----- 
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A 
title=jfabelha@terra.com.br href="mailto:jfabelha@terra.com.br">Flavio 
Abelha</A> </DIV>
<DIV><BR><FONT size=4 face=Arial>FONTE:http://leituraglobal.com</DIV></DIV>
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<H2><FONT size=7>A contrarrevolução jurídica</FONT></H2>
<P><EM>por Boaventura de Sousa Santos</EM></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">Está em curso uma contrarrevolução jurídica em 
vários países latino-americanos. É possível que o Brasil venha a ser um 
deles.</P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">Entendo por contrarrevolução jurídica uma forma 
de ativismo judiciário conservador que consiste em neutralizar, por via 
judicial, muito dos avanços democráticos que foram conquistados ao longo das 
duas últimas décadas pela via política, quase sempre a partir de novas 
Constituições.</P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">Como o sistema judicial é reativo, é necessário 
que alguma entidade, individual ou coletiva, decida mobilizá-lo. E assim tem 
vindo a acontecer porque consideram, não sem razão, que o Poder Judiciário tende 
a ser conservador. Essa mobilização pressupõe a existência de um sistema 
judicial com perfil técnico-burocrático, capaz de zelar pela sua independência e 
aplicar a Justiça com alguma eficiência.</P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">A contrarrevolução jurídica não abrange todo o 
sistema judicial, sendo contrariada, quando possível, por setores 
progressistas.</P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">Não é um movimento concertado, muito menos uma 
conspiração. É um entendimento tácito entre elites político-econômicas e 
judiciais, criado a partir de decisões judiciais concretas, em que as primeiras 
entendem ler sinais de que as segundas as encorajam a ser mais ativas, sinais 
que, por sua vez, colocam os setores judiciais progressistas em posição 
defensiva.</P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">Cobre um vasto leque de temas que têm em comum 
referirem-se a conflitos individuais diretamente vinculados a conflitos 
coletivos sobre distribuição de poder e de recursos na sociedade, sobre 
concepções de democracia e visões de país e de identidade nacional.</P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">Exige uma efetiva convergência entre elites, e 
não é claro que esteja plenamente consolidada no Brasil. Há apenas sinais 
nalguns casos perturbadores, noutros que revelam que está tudo em aberto. 
Vejamos alguns.</P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">- Ações afirmativas no acesso à educação de 
negros e índios. Estão pendentes nos tribunais ações requerendo a anulação de 
políticas que visam garantir a educação superior a grupos sociais até agora dela 
excluídos.</P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">Com o mesmo objetivo, está a ser pedida (nalguns 
casos, concedida) a anulação de turmas especiais para os filhos de assentados da 
reforma agrária (convênios entre universidades e Incra), de escolas itinerantes 
nos acampamentos do MST, de programas de educação indígena e de educação no 
campo.</P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">- Terras indígenas e quilombolas. A ratificação 
do território indígena da Raposa/Serra do Sol e a certificação dos territórios 
remanescentes de quilombos constituem atos políticos de justiça social e de 
justiça histórica de grande alcance. Inconformados, setores oligárquicos estão a 
conduzir, por meio dos seus braços políticos (DEM, bancada ruralista) uma vasta 
luta que inclui medidas legislativas e judiciais.</P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">Quanto a estas últimas, podem ser citadas as 
“cautelas” para dificultar a ratificação de novas reservas e o pedido de súmula 
vinculante relativo aos “aldeamentos extintos”, ambos a ferir de morte as 
pretensões dos índios guarani, e uma ação proposta no STF que busca restringir 
drasticamente o conceito de quilombo.</P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">- Criminalização do MST. Considerado um dos 
movimentos sociais mais importantes do continente, o MST tem vindo a ser alvo de 
tentativas judiciais no sentido de criminalizar as suas atividades e mesmo de o 
dissolver com o argumento de ser uma organização terrorista.</P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">E, ao anúncio de alteração dos índices de 
produtividade para fins de reforma agrária, que ainda são baseados em censo de 
1975, seguiu-se a criação de CPI específica para investigar as fontes de 
financiamento.</P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">- A anistia dos torturadores na ditadura. Está 
pendente no STF arguição de descumprimento de preceito fundamental proposta pela 
OAB requerendo que se interprete o artigo 1º da Lei da Anistia como inaplicável 
a crimes de tortura, assassinato e desaparecimento de corpos praticados por 
agentes da repressão contra opositores políticos durante o regime militar.</P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">Essa questão tem diretamente a ver com o tipo de 
democracia que se pretende construir no Brasil: a decisão do STF pode dar a 
segurança de que a democracia é para defender a todo custo ou, pelo contrário, 
trivializar a tortura e execuções extrajudiciais que continuam a ser exercidas 
contra as populações pobres e também a atingir advogados populares e de 
movimentos sociais.</P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify">Há bons argumentos de direito ordinário, 
constitucional e internacional para bloquear a contrarrevolução jurídica. Mas os 
democratas brasileiros e os movimentos sociais também sabem que o cemitério 
judicial está juncado de bons argumentos.</P></DIV></DIV></FONT></DIV>
<P><FONT size=2 face=Arial></FONT></P></BODY></HTML>