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<P align=left><B><FONT color=#ff0000 size=6 face=forte>
<MARQUEE width=322 scrollAmount=20 scrollDelay=200>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<TBODY>
<TR>
<TD class=contentheading width="100%">
<DIV><STRONG><FONT size=6>Apocalipse agora</FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG>(correio da cidadania)</STRONG></DIV></TD>
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<TBODY>
<TR>
<TD vAlign=top width="70%" colSpan=2 align=left><SPAN class=small><FONT
color=#999999 size=1 face=Tahoma><FONT size=4><STRONG>Escrito por Frei
Betto</STRONG></FONT> </FONT></SPAN> </TD></TR>
<TR>
<TD class=createdate vAlign=top colSpan=2><FONT size=2
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<TR>
<TD vAlign=top colSpan=2>
<P></P>
<P>O fim do mundo sempre me pareceu algo muito longínquo. Até um
contra-senso. Deus haveria de destruir sua Criação? Hoje me convenço de
que Deus nem precisa mais pensar em novo dilúvio. O próprio ser humano
começou a provocá-lo, através da degradação da natureza. </P>
<P></P>
<P>Os bens da Terra tornaram-se posse privada de empresas e oligopólios. A
causa de 4 bilhões de seres humanos viverem abaixo da linha da pobreza, e
1,2 bilhão padecerem fome, é uma só: toda essa gente foi impedida de
acesso à terra, à água, à semente, às novas técnicas de cultivo e aos
 sistemas de comercialização de produtos. </P>
<P></P>
<P>A decisão dos EUA e da China de ignorarem a Conferência de Copenhague
sobre Mudanças Climáticas torna mais agônico o grito da Terra. Os dois
países são os principais emissores de CO2 na atmosfera. São os grandes
culpados pelo aquecimento global. Ao decidirem boicotar Copenhague e adiar
o compromisso de reduzirem suas emissões, eles abreviam a agonia do
planeta. </P>
<P></P>
<P>Felizmente, a 25 de novembro o presidente Obama, sob forte pressão,
voltou atrás e desdisse o que falara em Pequim. Os EUA, responsáveis por
23% das emissões mundiais de CO2, prometerão em Copenhague reduzir, até
2020, 17% das emissões de gases de efeito estufa; 30% até 2025; e 42% até
2030. </P>
<P></P>
<P>Por que o recuo? Além da pressão dos ecologistas, Obama deu-se conta de
que ficaria mal na foto ignorar Copenhague e comparecer em Oslo, dia 10 de
dezembro – quando se comemora o 61º aniversário da Declaração Universal
dos Direitos Humanos – para receber o prêmio Nobel da Paz. Portanto, na
véspera estará na capital da Dinamarca. </P>
<P></P>
<P>Curioso, todos os prêmios Nobel são entregues em Estocolmo, exceto o da
Paz. Por uma simples e cínica razão: a fortuna da Fundação Nobel, sediada
na Suécia, resulta da herança do inventor da dinamite, Alfred Nobel
(1833-1896), utilizada como explosivo em guerras. Como não teve filhos,
Nobel destinou os lucros obtidos por sua patente a quem se destacar em
determinadas áreas do saber. </P>
<P></P>
<P>Há uma lógica atrás da posição ‘ecocida’ dos EUA e da China. São dois
países capitalistas. O primeiro abraça o capitalismo de mercado; o segundo
o de Estado. Ambos coincidem no objetivo maior: a lucratividade, não a
sustentabilidade. </P>
<P></P>
<P>O capitalismo, como sistema, não tem solução para a crise ecológica.
Sabe que medidas de efeito haverão de redundar inevitavelmente na redução
dos lucros, do crescimento do PIB, da acumulação de riquezas. </P>
<P></P>
<P>Se vivesse hoje, Marx haveria de admitir que a crise do capitalismo já
não resulta das contradições das forças produtivas. Resulta do projeto
tecnocientífico que beneficia quase que exclusivamente apenas 20% da
população mundial. Esse projeto respalda-se numa visão de qualidade de
vida que coincide com a opulência e o luxo. Sua lógica se resume a
"consumo, logo existo". Como dizia Gandhi, "a Terra satisfaz as
necessidades de todos, menos a voracidade dos consumistas". </P>
<P></P>
<P>Exemplo disso é a recente crise financeira. Diante da ameaça de quebra
dos bancos, como reagiram os governos das nações ricas? Abasteceram de
recursos as famílias inadimplentes, possibilitando-as de conservar suas
casas? Nada disso. Canalizaram fortunas – um total de US$ 18 trilhões -
para os bancos responsáveis pela crise. Eduardo Galeano chegou a pensar em
lançar a campanha "Adote um banqueiro", tal o desespero no setor. </P>
<P></P>
<P>O planeta em que vivemos já atingiu os seus limites físicos. Por
enquanto não há como buscar recursos fora dele. O jeito é preservar o que
ainda não foi totalmente destruído pela ganância humana, como as fontes de
água potável, e tentar recuperar o que for possível através da despoluição
de rios e mares e do reflorestamento de áreas desmatadas. </P>
<P></P>
<P>Ecologia vem do grego "oikos", significa casa, e "logos", conhecimento.
Portanto, é a ciência que estuda as condições da natureza e as relações
entre tudo que existe - pois tudo que existe co-existe, pré-existe e
subsiste. A ecologia trata, pois, das conexões entre os organismos vivos,
como plantas e animais (incluindo homens e mulheres), e o seu meio
ambiente. </P>
<P></P>
<P>Essa visão de interdependência entre todos os seres da natureza foi
perdida pelo capitalismo. Nisso ajudou uma interpretação equivocada da
Bíblia - a idéia de que Deus criou tudo e, por fim, entregou aos seres
humanos para que "dominassem" a Terra. Esse domínio virou sinônimo de
espoliação, estupro, exploração. Os rios foram poluídos; os mares,
contaminados; o ar que respiramos, envenenado. </P>
<P></P>
<P>Agora, corremos contra o relógio do tempo. O Apocalipse desponta no
horizonte e só há uma maneira de evitá-lo: passar do paradigma de
lucratividade para o da sustentabilidade. </P>
<P></P>
<P><B></B></P>
<P><B>Frei Betto é escritor, autor do romance "Um homem chamado Jesus",
lançamento da editora Rocco para o Natal 2009.</B>
</P></TD></TR></TBODY></TABLE></DIV>
<P><FONT size=2 face=Arial></FONT></P></BODY></HTML>