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<BODY bgColor=#ffffff>
<DIV><FONT color=#ff0000 size=5 face=Forte>Carta O Berro<FONT
size=3>....................................................repassem</FONT></FONT></DIV>
<DIV><FONT color=#ff0000 face=Forte></FONT> </DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message -----
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A
title=agfilho2009@ig.com.br href="mailto:agfilho2009@ig.com.br">ARTHUR GONCALVES
FILHO</A> </DIV>
<DIV><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt">De:<SPAN
style="mso-tab-count: 2"> </SPAN><A
href="mailto:virtin@redvirtin.com">virtin@redvirtin.com</A> </SPAN></DIV></DIV>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt"></SPAN></P><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt"></SPAN></P>
<DIV
style="BORDER-BOTTOM: navy 1pt solid; BORDER-LEFT: navy 1pt solid; PADDING-BOTTOM: 1pt; PADDING-LEFT: 4pt; PADDING-RIGHT: 4pt; BORDER-TOP: navy 1pt solid; BORDER-RIGHT: navy 1pt solid; PADDING-TOP: 1pt; mso-border-alt: solid navy .5pt">
<P
style="BORDER-BOTTOM: medium none; TEXT-ALIGN: justify; BORDER-LEFT: medium none; PADDING-BOTTOM: 0cm; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; PADDING-LEFT: 0cm; PADDING-RIGHT: 0cm; BORDER-TOP: medium none; BORDER-RIGHT: medium none; PADDING-TOP: 0cm; mso-border-alt: solid navy .5pt; mso-padding-alt: 1.0pt 4.0pt 1.0pt 4.0pt"
class=MsoNormal><FONT size=3><B><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; COLOR: blue">Eduardo Galeano</SPAN></B><B><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial"> – Quatro frases que fazem o nariz do Pinóquio
crescer</SPAN></B></FONT></P></DIV>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt; mso-ansi-language: ES"
lang=ES></SPAN> </P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><B><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; COLOR: red; FONT-SIZE: 11pt">1 – Somos todos culpados
pela ruína do planeta.</SPAN></B></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt"></SPAN> </P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt">A saúde do mundo está feito um caco.
‘Somos todos responsáveis’, clamam as vozes do alarme universal, e a
generalização absolve: se somos todos responsáveis, ninguém é. Como coelhos,
reproduzem-se os novos tecnocratas do meio ambiente. É a maior taxa de
natalidade do mundo: os experts geram experts e mais experts que se ocupam de
envolver o tema com o papel celofane da ambiguidade. Eles fabricam a brumosa
linguagem das exortações ao ‘sacrifício de todos’ nas declarações dos governos e
nos solenes acordos internacionais que ninguém cumpre. Estas cataratas de
palavras – inundação que ameaça se converter em uma catástrofe ecológica
comparável ao buraco na camada de ozônio – não se desencadeiam gratuitamente. A
linguagem oficial asfixia a realidade para outorgar impunidade à sociedade de
consumo, que é imposta como modelo em nome do desenvolvimento, e às grandes
empresas que tiram proveito dele. Mas, as estatísticas confessam. Os dados
ocultos sob o palavreado revelam que 20 por cento da humanidade cometem 80 por
cento das agressões contra a natureza, crime que os assassinos chamam de
suicídio, e é a humanidade inteira que paga as consequências da degradação da
terra, da intoxicação do ar, do envenenamento da água, do enlouquecimento do
clima e da dilapidação dos recursos naturais não-renováveis. A senhora Harlem
Bruntland, que encabeça o governo da Noruega, comprovou recentemente que, se os
7 bilhões de habitantes do planeta consumissem o mesmo que os países
desenvolvidos do Ocidente, “faltariam 10 planetas como o nosso para satisfazerem
todas as suas necessidades.” </SPAN><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt; mso-ansi-language: ES" lang=ES>Uma
experiência impossível.</SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt">Mas, os governantes dos países do
Sul que prometem o ingresso no Primeiro Mundo, mágico passaporte que nos fará, a
todos, ricos e felizes, não deveriam ser só processados por calote. Não estão só
pegando em nosso pé, não: esses governantes estão, além disso, cometendo o
delito de apologia do crime. Porque este sistema de vida que se oferece como
paraíso, fundado na exploração do próximo e na aniquilação da natureza, é o que
está fazendo adoecer nosso corpo,<SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN>está envenenando nossa alma e está deixando-nos sem mundo.</SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt"></SPAN> </P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><B><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; COLOR: red; FONT-SIZE: 11pt">2 – É verde aquilo que
se pinta de verde.</SPAN></B></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt"></SPAN> </P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt">Agora, os gigantes da indústria
química fazem sua publicidade na cor verde, e o Banco Mundial lava sua imagem,
repetindo a palavra ecologia em cada página de seus informes e tingindo de verde
seus empréstimos. “Nas condições de nossos empréstimos há normas ambientais
estritas”, esclarece o presidente da suprema instituição bancária do mundo.
Somos todos ecologistas, até que alguma medida concreta limite a liberdade de
contaminação.</SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt">Quando se aprovou, no Parlamento do
Uruguai, uma tímida lei de defesa do meio-ambiente, as empresas que lançam
veneno no ar e poluem as águas sacaram, subitamente, da recém-comprada máscara
verde e gritaram sua verdade em termos que poderiam ser resumidos assim: “os
defensores da natureza são advogados da pobreza, dedicados a sabotarem o
desenvolvimento econômico e a espantarem o investimento estrangeiro.” O Banco
Mundial, ao contrário, é o principal promotor da riqueza, do desenvolvimento e
do investimento estrangeiro. Talvez, por reunir tantas virtudes, o Banco
manipulará, junto à ONU, o recém-criado Fundo para o Meio-Ambiente Mundial. Este
imposto à má consciência disporá de pouco dinheiro, 100 vezes menos do que
haviam pedido os ecologistas, para financiar projetos que não destruam a
natureza. Intenção inatacável, conclusão inevitável: se esses projetos requerem
um fundo especial, o Banco Mundial está admitindo, de fato, que todos os seus
demais projetos fazem um fraco favor ao meio-ambiente. O Banco se chama Mundial,
da mesma forma que o Fundo Monetário se chama Internacional, mas estes irmãos
gêmeos vivem, cobram e decidem em Washington. Quem paga, manda, e a numerosa
tecnocracia jamais cospe no prato em que come. Sendo, como é, o principal credor
do chamado Terceiro Mundo, o Banco Mundial governa nossos escravizados países
que, a título de serviço da dívida, pagam a seus credores externos 250 mil
dólares por minuto, e lhes impõe sua política econômica, em função do dinheiro
que concede ou promete. A divinização do mercado, que compra cada vez menos e
paga cada vez pior, permite abarrotar de mágicas bugigangas as grandes cidades
do sul do mundo, drogadas pela religião do consumo, enquanto os campos se
esgotam, poluem-se as águas que os alimentam, e uma crosta seca cobre os
desertos que antes foram bosques.</SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt"></SPAN> </P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><B><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; COLOR: red; FONT-SIZE: 11pt">3 – Entre o capital e o
trabalho, a ecologia é neutra.</SPAN></B></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt"></SPAN> </P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt">Poder-se-á dizer qualquer coisa de
Al Capone, mas ele era um cavalheiro: o bondoso Al sempre enviava flores aos
velórios de suas vítimas... As empresas gigantes da indústria química,
petroleira e automobilística pagaram boa parte dos gastos da Eco 92: a
conferência internacional que se ocupou, no Rio de Janeiro, da agonia do
planeta. E essa conferência, chamada de Reunião de Cúpula da Terra, não condenou
as transnacionais que produzem contaminação e vivem dela, e nem sequer
pronunciou uma palavra contra a ilimitada liberdade de comércio que torna
possível a venda de veneno.</SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt">No grande baile-de-máscaras do fim
do milênio, até a indústria química se veste de verde. A angústia ecológica
perturba o sono dos maiores laboratórios do mundo que, para ajudarem a natureza,
estão inventando novos cultivos biotecnológicos. Mas, esses desvelos científicos
não se propõem encontrar plantas mais resistentes às pragas sem ajuda química,
mas sim buscam novas plantas capazes de resistir aos praguicidas e herbicidas
que esses mesmos laboratórios produzem. Das 10 maiores empresas do mundo
produtoras de sementes, seis fabricam pesticidas (Sandoz-Ciba-Geigy, Dekalb,
Pfizer, Upjohn, Shell, ICI). </SPAN><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt; mso-ansi-language: ES" lang=ES>A
indústria química não tem tendências masoquistas.</SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt">A recuperação do planeta ou daquilo
que nos sobre dele implica na denúncia da impunidade do dinheiro e da liberdade
humana. A ecologia neutra, que mais se parece com a jardinagem, torna-se
cúmplice da injustiça de um mundo, onde a comida sadia, a água limpa, o ar puro
e o silêncio não são direitos de todos, mas sim privilégios dos poucos que podem
pagar por eles. Chico Mendes, trabalhador da borracha, tombou assassinado em
fins de 1988, na Amazônia brasileira, por acreditar no que acreditava: que a
militância ecológica não pode divorciar-se da luta social. Chico acreditava que
a floresta amazônica não será salva enquanto não se fizer uma reforma agrária no
Brasil. Cinco anos depois do crime, os bispos brasileiros denunciaram que mais
de 100 trabalhadores rurais morrem assassinados, a cada ano, na luta pela terra,
e calcularam que quatro milhões de camponeses sem trabalho vão às cidades
deixando as plantações do interior. Adaptando as cifras de cada país, a
declaração dos bispos retrata toda a América Latina. As grandes cidades
latino-americanas, inchadas até arrebentarem pela incessante invasão de exilados
do campo, são uma catástrofe ecológica: uma catástrofe que não se pode entender
nem alterar dentro dos limites da ecologia, surda ante o clamor social e cega
ante o compromisso político.</SPAN></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt"></SPAN> </P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><B><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; COLOR: red; FONT-SIZE: 11pt">4 – A natureza está fora
de nós.</SPAN></B></P>
<P style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt"></SPAN> </P>
<DIV style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt">Em seus 10 mandamentos, Deus
esqueceu-se de mencionar a natureza. Entre as órdens que nos enviou do Monte
Sinai, o Senhor poderia ter acrescentado, por exemplo: “Honrarás a natureza, da
qual tu és parte.” Mas, isso não lhe ocorreu. Há cinco séculos, quando a América
foi aprisionada pelo mercado mundial, a civilização invasora confundiu ecologia
com idolatria. A comunhão com a natureza era pecado. E merecia castigo. Segundo
as crônicas da Conquista, os índios nômades que usavam cascas para se vestirem
jamais esfolavam o tronco inteiro, para não aniquilarem a árvore, e os índios
sedentários plantavam cultivos diversos e com períodos de descanso, para não
cansarem a terra. A civilização, que vinha impor os devastadores monocultivos de
exportação, não podia entender as culturas integradas à natureza, e as confundiu
com a vocação demoníaca ou com a ignorância. Para a civilização que diz ser
ocidental e cristã, a natureza era uma besta feroz que tinha que ser domada e
castigada para que funcionasse como uma máquina, posta a nosso serviço desde
sempre e para sempre. A natureza, que era eterna, nos devia escravidão. Muito
recentemente, inteiramo-nos de que a natureza se cansa, como nós, seus filhos, e
sabemos que, tal como nós, pode morrer assassinada. Já não se fala de submeter a
natureza. Agora, até os seus verdugos dizem que é necessário protegê-la. Mas,
num ou noutro caso, natureza submetida e natureza protegida, ela está fora de
nós. A civilização, que confunde os relógios com o tempo, o crescimento com o
desenvolvimento, e o grandalhão com a grandeza, também confunde a natureza com a
paisagem, enquanto o mundo, labirinto sem centro, dedica-se a romper seu próprio
céu.</SPAN></DIV>
<DIV style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt"></SPAN> </DIV>
<DIV style="TEXT-ALIGN: justify; MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class=MsoNormal><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial; FONT-SIZE: 11pt"><STRONG><EM><U>Freely-translated
from Spanish by Arthur Goncalves Filho on December 5,
2009</U></EM></STRONG></SPAN></DIV>
<P>
<HR>
<P></P><BR></BODY></HTML>