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<P align=left><B><FONT color=#ff0000 size=5 face=forte>
<MARQUEE width=322 scrollAmount=20 scrollDelay=200>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<DIV><FONT size=2 face=Arial><IMG border=0 hspace=0 alt="" align=baseline
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<P class=data><STRONG><FONT size=2>novembro/2009</FONT></STRONG></P>
<P class=titulo><STRONG><FONT size=3></FONT></STRONG> </P></DIV>
<DIV class=titulo><FONT color=#800000 size=5><STRONG>Perón, Getúlio,
Lula</STRONG></FONT></DIV>
<DIV class=corpo><STRONG><FONT size=2><STRONG><FONT
size=2></FONT></STRONG></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV class=corpo><FONT size=2 face=Tahoma><STRONG><FONT
size=3></FONT></STRONG></FONT> </DIV>
<DIV class=corpo><FONT size=2 face=Tahoma><STRONG><FONT size=3>Quando acusou
Lula de uma espécie de neoperonista, FHC vestia, em cheio, o traje da direita
oligárquica latinoamericana. Que não perdoou e segue sem perdoar os líderes
populares latinoamericanos que lhes arrebataram o Estado de suas mãos e
impuseram lideranças nacionais com amplo apoio
popular.</FONT><BR><BR></DIV></STRONG></FONT>
<DIV class=corpo><STRONG><FONT face=Tahoma>Os três – Perón, Getúlio e Lula – têm
em comum a personificação de projetos nacionais, articulados em torno do Estado,
com ideologia nacional, desenvolvendo o mercado interno de consumo popular, as
empresas estatais, realizando políticas sociais de reconhecimento de direitos
básicos da massa da população, fortalecendo o peso dos países que governaram ou
governam no cenário internacional.<BR><BR></FONT></STRONG></DIV>
<DIV class=corpo><STRONG><FONT face=Tahoma>Foi o suficiente para que se
tornassem os diabos para as oligarquias tradicionais – brancas, ligadas aos
grandes monopólios privados familiares da mídia, aos setores exportadores,
discriminando o povo e excluindo-o dos benefícios das políticas estatais. Apesar
das políticas de desenvolvimento econômico, especialmente industrial, foram
atacados e criminalizados como se tivessem instaurados regimes anticapitalistas,
contra os intereses do grande capital. Quando até mesmo os interesses dos
grandes proprietários rurais – nos governos dos três líderes mencionados – foram
contemplados de maneira significativa.<BR><BR></FONT></STRONG></DIV>
<DIV class=corpo><STRONG><FONT face=Tahoma>Perón e Getúlio dirigiram a
construção dos Estados nacionais dos nossos dois países, como reações à crise
dos modelos primário-exportadores. Fizeram-no, diante da ausência de forças
políticas que os assumissem – seja da direita tradicional, seja da esquerda
tradicional. Eles compreenderam o caráter do período que viviam, se valeram do
refluxo das economias centrais, pelos efeitos da crise de 1929, posteriormente
pela concentração de suas economías na II Guerra Mundial, tempo estendido pela
guerra da Coréia.<BR><BR></FONT></STRONG></DIV>
<DIV class=corpo><STRONG><FONT face=Tahoma>A colocação em prática das chamadas
políticas de substituição de importações permitiram a nossos países dar os
saltos até aqui mais importantes de nossas histórias, desenvolvendo o mais longo
e profundo ciclo expansivo das nossas economias, paralelamente ao mais extenso
processo de conquisas de direitos por parte da massa da população,
particularmente os trabalhadores urbanos.<BR><BR></FONT></STRONG></DIV>
<DIV class=corpo><STRONG><FONT face=Tahoma>Se tornaram os objetos privilegiados
do ódio da direita local, dos seus órgãos de imprensa e dos governos imperiais
dos EUA. Dos jornais oligárquicos – <I>La Nación, La Prensa, La Razón</I>, na
Argentina, ao que se somou depois o <I>Clarin; o Estadao, O Globo,</I> no
Brasil, a que se somaram depois os ódios da FSP e da Editora Abril. Os
documentos do Senado dos EUA confirmam as articulações entre esses órgãos da
imprensa, as FFAA, os partidos tradicionais e o governo dos EUA nas tentativas
de golpe, que percorreram todos os governos de Perón e de
Getúlio.<BR><BR></FONT></STRONG></DIV>
<DIV class=corpo><STRONG><FONT face=Tahoma>Não por acaso bastou terminar aquele
longo parêntese da crise de 1929, passando pela Segunda Guerra e pela guerra da
Coréia, com o retorno maciço dos investimentos estrangeiros – particularmente
norteamericanos, com a indústria automobilística em primeiro lugar -, para que
fossem derrubados Getúlio, em 1954, e Perón, em 1955.
<BR><BR></FONT></STRONG></DIV>
<DIV class=corpo><STRONG><FONT face=Tahoma>Mas os fantasmas continuaram a
asombrar os oligarcas brancos, que sentiam que aqueles líderes plebeus – tinham
desprezo pelos líderes militares, que deveriam, na opinião deles, limitar-se à
repressão dos movimentos populares e aos golpes que lhes restabeleceriam o poder
– lhes tinham roubado o Estado e, de alguma forma, o
Brasil.<BR><BR></FONT></STRONG></DIV>
<DIV class=corpo><STRONG><FONT face=Tahoma>O golpe militar argentino de 1955
inaugurou a expressão “gorila” para designar o que mais tarde o ditador
brasileiro Costa e Silva chamaria, de “vacas fardadas”. A direita apelava aos
quartéis, porque não conseguia ganhar eleições dos líderes populares. Durante os
anos 50, no Brasil, fizeram articulações golpistas o tempo todo contra Getúlio,
até que o levaram ao suicídio. Tentaram impedir a posse de JK, alegando que
tinha ganho as eleições de maneira fraudulenta. JK teve que enfrentar duas
tentativas de levantes militares de setores da Aeronáutica contra seu governo,
legitimamente eleito, tentativas sempre apoiadas pela oposição da época, em
conivência com os governos dos EUA.<BR><BR></FONT></STRONG></DIV>
<DIV class=corpo><STRONG><FONT face=Tahoma>O peronismo esteve proscrito
políticamente de 1955 a 1973. Até o nome de Perón era proibido de ser mencionado
na imprensa. (Os opositores usavam Juan para designá-lo ou alguns de seus
apelidos.) Quando foram feitas eleições com um candidato peronista concorrendo –
Hector Campora -, ele triunfou amplamente e – ao contrário de Sarney no Brasil –
convocou novas eleições, truiunfando Perón, que governou um ano, até que foi
dado o golpe de 1976, pelas mesmas forças gorilas.<BR><BR></FONT></STRONG></DIV>
<DIV class=corpo><STRONG><FONT face=Tahoma>No Brasil, o governo João Goulart foi
vítima do mesmo tipo de campanha lacerdista, golpista, articulada com organismos
da “sociedade civil” financiados pelos EUA, articulados com a imprensa privada,
convocando as FFAA para um golpe, que acabou sendo dado em
1964.<BR><BR></FONT></STRONG></DIV>
<DIV class=corpo><STRONG><FONT face=Tahoma>Perón, Getúlio e, agora, Lula, tem em
comum a liderança popular, projetos de desenolvimento nacional, políticas de
redistribuição de renda, papel central do Estado, apoio popular, discurso
popular. E o ódio da direita. Que usou todos os “palavrões”: populista,
carismático, autoritário, líder dos <I>”cabecitas negras”</I>, dos
<I>“descamisados”</I> (na Argentina). A classe média e o grande empresariado da
capital argentina, assim como a clase média (de São Paulo e de Minas,
especialmente) e o grande empresariado, sempre a imprensa das rançosas famílias
donas de jornais, rádios e televisões.<BR><BR></FONT></STRONG></DIV>
<DIV class=corpo><STRONG><FONT size=2><FONT size=3 face=Tahoma>É o ódio de
classe a tudo o que é popular, a tudo o que é nacional, a tudo o que cheira
povo, mobilizações populares, sindicatos, movimentos populares, direitos
sociais, distribuição de renda, nação, nacional, soberania. FHC se faz herdeiro
do que há de mais retrógado na direita latinoamericana – da UDN de Lacerda,
passando pelos gorilas do golpe argentino de 1955, pelos golpistas brasileiros
de 1964, pelo anti-peronismo e o anti-getulismo, que agora desemboca no
anti-lulismo. Ao chamar Lula de neo-peronista, quer usar a o termo como um
palavrão, como acontece no vocabulário gorila, mas veste definitivamente a roupa
da oligarquia latinoamericana, decrépita, odiosa, antinacional, antipopular. Um
fim político coerente com seu governo e com seus amigos
aliados.</FONT><BR></FONT></STRONG></DIV>
<DIV class=autor><FONT size=2 face=Arial></FONT> </DIV></BODY></HTML>