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<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=5>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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lang=EN-US></SPAN></FONT></FONT></STRONG></FONT> </DIV>
<DIV><FONT size=2><STRONG><FONT face=Times><FONT size=5><SPAN
lang=EN-US>Lançamento em <st1:City w:st="on"><st1:place w:st="on">São
<st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName></st1:place></st1:City>:
</SPAN><SPAN lang=EN-US style="FONT-SIZE: 16pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt">24
de outubro</SPAN><SPAN lang=EN-US> de 2009 – a partir das </SPAN></FONT><SPAN
lang=EN-US style="FONT-SIZE: 16pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt">11
horas</SPAN></FONT></STRONG><SPAN lang=EN-US><BR></SPAN></FONT><FONT
size=5><STRONG><FONT face=Times><SPAN lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 16pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt">Memorial da
Resistência</SPAN><SPAN lang=EN-US> – Largo General Osório. 66 - Luz´ - SP -
SP</SPAN></FONT></STRONG></FONT></DIV>
<DIV><FONT size=2><FONT size=5><STRONG><FONT face=Times><SPAN
lang=EN-US></SPAN></FONT></STRONG></FONT></FONT> </DIV>
<DIV><FONT size=2><FONT size=5><STRONG><FONT face=Times><SPAN lang=EN-US><IMG
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border=0>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN lang=EN-US><FONT
face=Times>Este livro conta parte importante da história da ditadura militar sob
o ponto de vista dos presos políticos, homens e mulheres, que continuaram sua
luta dentro das prisões políticas sem se render ao inimigo.</FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN lang=EN-US><o:p><FONT
face=Times> </FONT></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN lang=EN-US><FONT
face=Times>A partir de um diário de greve de fome, escrito numa cela da
enfermaria da Penitenciária Regional de Presidente Venceslau, extremo oeste de
São <st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName>, em 1972, feita para
impedir a separação e a repressão dos combatentes encarcerados, é contado o
cotidiano das pessoas presas por um Estado que sequer admitia a existência de
presos políticos.<SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN lang=EN-US><FONT
face=Times>Resgatado 37 anos depois e transcrito na íntegra, tal qual foi
escrito na época, somam-se a esse diário vários documentos importantíssimos,
nunca antes publicados ou que nunca foram analisados adequadamente, para
entender o que movia os repressores na sua sanha e quem eram os militantes
contra a ditadura. </FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN lang=EN-US><o:p><FONT
face=Times> </FONT></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN lang=EN-US><FONT
face=Times>A lógica da repressão e as muitas tentativas de quebrar a
determinação de continuar o combate, mesmo presos, contra um regime ilegal e
ilegítimo surgem nitidamente neste livro, que desnuda as diferenças políticas
daquelas pessoas nas mãos do inimigo.</FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN lang=EN-US><FONT
face=Times>Resistência atrás das grades é um retrato fiel de uma época cruel.
Acima de tudo, este livro mostra que a generosidade de uma geração de
brasileiros foi maior do que a barbárie do terrorismo de Estado, implantado com
o golpe de Estado em
1964.</FONT></SPAN></P></SPAN></FONT></STRONG></FONT></FONT></DIV>
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<TR>
<TD class=contentheadingres width="100%"><FONT size=5><STRONG>Perdemos a
noção do tempo</STRONG></FONT> </TD>
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<TABLE class=contentpaneopenres>
<TBODY>
<TR>
<TD vAlign=top align=left width="70%" colSpan=2><SPAN class=small><FONT
face=Tahoma color=#999999 size=1><FONT color=#000000><STRONG>Escrito por
Pedro Tierra</STRONG></FONT> </FONT></SPAN> </TD></TR>
<TR>
<TD class=createdate vAlign=top colSpan=2>Out-2009 </TD></TR>
<TR>
<TD vAlign=top colSpan=2>
<P></P>
<P>"Perdemos a noção do tempo". Esse é o primeiro verso dos: "Poemas do
Povo da Noite". A versão definitiva do poema foi escrita em outubro de
1974, na Penitenciária do Carandiru, quando eu já cumprira o segundo ano
de prisão. Antes fora rabiscada em pedaços de papel de cigarro, em letra
miúda, ou memorizada para escapar das revistas constantes nas celas do
10º. Batalhão de Caçadores – 10º. BC, Goiânia; do Pelotão de Investigações
Criminais – PIC, no Setor Militar Urbano, em Brasília; da OBAN/DOI-CODI do
II Exército; do DOPS; do Presídio Tiradentes; do Presídio do Hipódromo; ou
da Casa de Detenção e da Penitenciária do Estado de São Paulo, no complexo
Carandiru e do Presídio Romão Gomes, em São Paulo. Não exatamente porque
os carcereiros dessas instituições cultivassem especial interesse pela
poesia... </P>
<P></P>
<P><B>"Perdemos a noção do tempo"</B> </P>
<P></P>
<P><IMG title=livro_poemasdopovodanoite_g.jpg
style="FLOAT: left; MARGIN: 5px" height=308
alt=livro_poemasdopovodanoite_g.jpg
src="http://www.correiocidadania.com.br/images/stories/resenhas/livro_poemasdopovodanoite_g.jpg"
width=220>Cabe uma breve reflexão sobre ele. É possível perceber o tempo
de várias formas. Quinze anos depois dos acontecimentos que o livro narra,
um general confortavelmente instalado em sua poltrona de reformado diria
numa entrevista em que contava reminiscências sobre sua participação em
interrogatórios de prisioneiros políticos, durante a vigência do AI – 5, a
seguinte frase: "O primeiro objetivo do interrogador é fazer com que o
interrogado perca a noção do tempo." Impressionou-me a coincidência dos
termos. Assim começam a ruir as defesas dos prisioneiros. O método
consistia, além da brutalidade dos espancamentos, dos choques elétricos,
do pau-de-arara, da cadeira-do-dragão, em oferecer a comida em horários
diferentes, sem nunca repetir o mesmo ciclo; despertar altas horas da
madrugada quem passara os últimos dias sem saber distinguir o dia da
noite, encerrado numa cela sem luz; enfiar a cabeça do preso num capuz
para que não fosse capaz de compor uma idéia clara sobre os espaços por
onde era conduzido; chamá-lo para o interrogatório e devolvê-lo para a
cela sem nenhuma pergunta; destruir metodicamente todas as referências,
todos os laços com a realidade que antes o cercava para deixá-lo
inteiramente vulnerável. No século XX em que, mais do que em qualquer
outra época da história, a ciência foi posta, de forma monstruosa, a
serviço da dor e da morte, é necessário registrar que o general tinha
razão, e mais, que alcançou, em parte, seu objetivo. </P>
<P></P>
<P>"Há um amontoado de corpos no vagão, esta dor lancinante no joelho
direito. Os dias e as noites. Faço um esforço e tento contar os dias,
contar as noites. Isso talvez me ajudará a ver claro. Quatro dias, cinco
noites. Mas talvez eu tenha contado mal ou então há dias que se
transformam em noites. Tenho noites a mais, noites a revender. Uma manhã,
é seguro, foi numa manhã que esta viagem começou. Toda aquela jornada. Em
seguida uma noite. E depois uma outra jornada. Estávamos ainda na França e
o trem apenas tinha se mexido. Ouvíamos vozes, às vezes ferroviários além
do ruído das botas dos sentinelas. Esqueça esta jornada, isto foi o
desespero. Uma outra noite. Levanto um outro dedo na penumbra. Um terceiro
dia. Uma outra noite. Três dedos da mão esquerda. É nesse dia que estamos.
Quatro dias, então, e três noites. Avançamos rumo à quarta noite, ao
quinto dia. Rumo à quinta noite, ao sexto dia. Mas somos nós que
avançamos? Estamos imóveis, amontoados uns sobre os outros, é a noite que
avança, a quarta noite rumo a nossos futuros cadáveres imóveis".** </P>
<P></P>
<P>Reproduzo aqui a íntegra do parágrafo de onde extraí as linhas que me
serviram de epígrafe. Com ele, o espanhol, Jorge Semprún abre sua pequena
obra-prima de denúncia: "A grande viagem". Por que essa obsessão em contar
os dias e as noites? Por que a desesperada determinação de não deixar
escapar o comboio das horas? De alimentar a patética ilusão de sobre ele
exercer algum controle? Ainda que a visão só antecipe os futuros
"cadáveres imóveis"? </P>
<P></P>
<P>Talvez porque naqueles primeiros dias, o prisioneiro perceba o tempo
como arrimo, amparo, um muro, enfim, que o protege na batalha em que é
lançado nu diante do desconhecido. Cada instante que passa será um tijolo
no abrigo construído para defender o que resta de sua remota humanidade,
devorada pela tortura e pelo medo. Contudo, se o tempo é um muro que o
protege, também será o lobo que o sitia. Pelas artes do medo, vaza para
dentro e morde a medula. O medo desumaniza. Impõe a cegueira do reflexo e
do instinto. Cava até chegar aos ossos. Liberta o animal que pulsa sob o
verniz da razão. Coragem não é precisamente ausência de medo. É quando a
razão, ao medo se sobrepõe pela porta do delírio e devolve ao prisioneiro,
num lampejo brusco, aquela esperança contra toda esperança: o torturador
pode me matar, mas não pode me vencer. Porque a minha morte é a minha
vitória sobre sua força. O tempo então se converte no fio que mede os
limites de sua resistência à dor. Os limites da lealdade às suas
convicções e aos seus companheiros que, por uma palavra que lhe escape,
podem perder a liberdade e, naquelas circunstâncias, freqüentemente, a
vida. </P>
<P></P>
<P>Essas foram, em parte, as circunstâncias em que foram escritos e
remetidos para fora das prisões, os Poemas do Povo da Noite. Durante cinco
anos de pena eles iludiram a censura e cegaram os olhos dos carcereiros.
Pelas mãos e pelo desassombro de pessoas que perceberam na poesia uma
sutil e misteriosa habilidade para resistir à brutalidade dos tiranos. E
acender, ainda que tênue, um lume de esperança no coração dos que lutam.
Talvez elas, as circunstâncias, de algum modo, contribuam para que o
leitor compreenda os tempos subterrâneos que esses versos denunciam. E,
com Bertolt Brecht, esta geração que declina possa pedir "Aos que vão
nascer": </P>
<P></P>
<P>(...)"Vós que vireis na crista da onda </P>
<P>em que nos afundamos, </P>
<P>pensem </P>
<P>quando falarem de nossas fraquezas </P>
<P>também nos tempos de treva </P>
<P>que haveis escapado. </P>
<P>Andávamos então, trocando de países como de sandálias </P>
<P>envolvidos em lutas de classes, desesperados </P>
<P>quando havia só injustiça e nenhuma revolta. </P>
<P></P>
<P>Entretanto, sabemos: </P>
<P>também o ódio à baixeza deforma as feições. </P>
<P>Também a ira pela injustiça torna rouca a voz. </P>
<P>Ah, e nós </P>
<P>que queríamos preparar o chão para o amor, </P>
<P>não pudemos, nós mesmos, ser amigos ." </P>
<P></P>
<P>Mas, vós, quando chegar o tempo </P>
<P>do homem ser parceiro do homem </P>
<P>pensai em nós com simpatia." </P>
<P></P>
<P>A indagação que permanece para a sociedade brasileira hoje e para os
que virão é essa: "Mas somos nós que avançamos? Ou "(...) é a noite que
avança", sobre nós como afirma Semprún? </P>
<P></P>
<P><B>*Pedro Tierra é poeta. Cumpriu cinco anos de cárcere durante a
vigência do AI-5. É Conselheiro da Fundação Perseu Abramo.</B> </P>
<P></P>
<P><B>**Jorge Semprún, romancista, roteirista de cinema e militante
espanhol. Sobreviveu ao Campo de Concentração de Buchenwald. Autor, entre
outras obras, de "A grande viagem", "A segunda morte de Ramón Mercader",
"Autobiografia de Federico Sánchez", "Um belo domingo". </B></P>
<P></P>
<P><B>Ficha técnica</B> </P>
<P></P>
<P>Editora: Editora Fundação Perseu Abramo em co-edição com a Publisher
Brasil Editora </P>
<P>Título: Poemas do povo da noite </P>
<P>Autor: Pedro Tierra </P>
<P>ISBN: 978-85-76430-73-5 (Perseu Abramo) </P>
<P>ISBN: 978-85-85938-58-1 (Publisher Brasil) </P>
<P>Número de páginas: 248pp </P>
<P>Valor: R$ 35,00 </P>
<P></P>
<P>Mais informações nos sites da editora <A href="http://www.efpa.com.br/"
target=_blank><FONT color=#cc3300>http://www.efpa.com.br/</FONT></A> ou da
Fundação Perseu Abramo <A href="http://www.fpabramo.org.br/"
target=_blank><FONT color=#cc3300>http://www.fpabramo.org.br/</FONT></A>
</P>
<P></P></TD></TR></TBODY></TABLE></DIV></BODY></HTML>