<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
<HTML xmlns:o = "urn:schemas-microsoft-com:office:office"><HEAD><TITLE>Nova pagina 1</TITLE>
<META http-equiv=Content-Type content="text/html; charset=windows-1252">
<META content="MSHTML 6.00.2900.3132" name=GENERATOR>
<STYLE></STYLE>
</HEAD>
<BODY bgColor=#ffffff>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV>
<META content="Microsoft FrontPage 5.0" name=GENERATOR>
<META content=FrontPage.Editor.Document name=ProgId>
<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=5>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
<META content="MSHTML 6.00.2900.3132" name=GENERATOR>
<STYLE></STYLE>
<DIV> </DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2>
<DIV class=content-title>
<H2 class=title>CESE apóia MST e condena criminalização </H2></DIV><!-- /content-header --><!-- /mission --><!-- /content-top -->
<DIV id=content-area><!-- read more pages -->
<DIV class=node ?>
<P class=date>16 de outubro de 2009</P>
<DIV class=content>
<P>A Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE, organização não-governamental
sediada em Salvador, que congrega várias igrejas evangélicas e também a Igreja
Católica, divulgou nota de apoio ao MST, em defesa da revisão dos índices de
produtividade e contra a criminalização dos movimentos sociais. Leia a nota:</P>
<P><B>APOIO AO MST</B></P>
<P>Em defesa da revisão dos índices de produtividade e contra a criminalização
dos movimentos sociais</P>
<P>"Recentemente, comemoramos uma importante vitória dos movimentos sociais.
Graças à adesão de entidades de defesa de direitos, intelectuais, professores,
juristas, escritores, artistas e cidadãos do país e exterior, foram reunidas
mais de quatro mil assinaturas para o Manifesto em Defesa da Democracia e do
MST.</P>
<P>O documento mobilizou a sociedade para apoiar o Movimento dos Trabalhadores
Sem Terra e conseguiu impedir a instalação de uma CPI proposta pela bancada
ruralista, com apoio da grande mídia, que tentava criminalizar o Movimento. Para
o MST, a CPI seria uma represália à pressão que a entidade vem fazendo para a
revisão dos índices de produtividade, defasados desde 1975.</P>
<P>A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito contra o MST foi arquivada por
número insuficiente de assinaturas. Ao todo, 45 deputados federais desistiram de
assinar a proposta protocolada por três políticos do DEM: a senadora Kátia Abreu
(DEM-TO) e os deputados federais Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Onyx Lorenzoni
(DEM-RS), líderes da bancada ruralista no Congresso Nacional.</P>
<P>A CESE assinou o Manifesto e continua apoiando os trabalhadores rurais na
campanha pela revisão dos índices de produtividade. Principalmente num momento
como este, em que foram divulgados dados do Censo Agropecuário pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), comprovando o que o Movimento
vinha denunciando: a concentração de terras aumentou no Brasil nos últimos 10
anos!"</P>
<P>GRILAGEM DO LARANJAL</P>
<P>Segundo Eliana Rolemberg, Diretora Executiva da CESE, é impressionante como a
justiça, o congresso e a mídia tratam de maneira absolutamente diferente as
questões que envolvem o conflito de terras. “De um lado, vemos uma impunidade
absurda no caso de assassinatos de trabalhadores rurais, de defensores dos
direitos humanos e até de religiosos que defendem a reforma agrária e a posse de
terras por agricultores e populações tradicionais.</P>
<P>Por outro, é imediato o julgamento das ações do MST, numa atitude quase
generalizada de criminalizar o Movimento, sem antes descobrir as causas, apurar
os fatos”, afirma Eliana, que cita o caso ocorrido na fazenda Cutrale, em São
Paulo, uma das maiores empresas do agronegócio brasileiro, que planta laranjas
para exportação em terreno ocupado irregularmente, grilando terras públicas.</P>
<P><FONT size=4><STRONG>Relator da ONU defende ação do MST no
Brasil<BR></STRONG></FONT><BR>AE - Agencia Estado, 17 de outubro de
2009<BR><BR>SÃO PAULO - O advogado belga Olivier De Schutter, relator especial
da<BR>Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Alimentação,
defendeu<BR>ontem em Brasília a estratégia do Movimento dos Sem-Terra (MST) de
ocupar<BR>terras e exigir sua destinação para a reforma agrária. "É uma forma
de<BR>chamar a atenção para o problema", disse De Schutter em
entrevista<BR>coletiva, segundo informações da Agência Brasil.<BR><BR><BR><BR>O
relator também fez referências à concentração fundiária no País, que,<BR>além de
ser alta na comparação com outros países, aumentou nos últimos<BR>anos, conforme
levantamento estatístico divulgado pelo Instituto<BR>Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) em setembro. "A concentração<BR>fundiária é um problema no
Brasil", apontou De Schutter.<BR><BR><BR><BR>O relator da ONU veio ao Brasil
para participar de um seminário<BR>internacional sobre direito à alimentação,
organizado pelo Ministério do<BR>Desenvolvimento Social, e para coletar dados
para um estudo sobre<BR>problemas relacionados à alimentação ao redor do mundo.
Segundo suas<BR>declarações, o acesso à terra é uma das questões centrais no
debate sobre<BR>a produção de alimentos. As informações são do jornal O Estado
de S.<BR>Paulo.<BR><BR><BR><STRONG><FONT size=4>DISCURSO DA DEPUTADA IRINY
LOPES (pt-es) Na CAMARA DOS DEPUTADOS</FONT></STRONG></P>
<P>15 de outubro de 2009</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'"><FONT
size=3><FONT face="Times New Roman">A tentativa de criminalização do MST por
parte de ruralistas não é recente. Uma liderança sem terra do Espírito Santo
costuma dizer que para os latifundiários “pior do que pobre é pobre
organizado”.<SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>Essa é a história do
escravismo reprisada num moto-contínuo desde o Brasil colonial.
<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><FONT size=3><FONT
face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'">Os
sem terra de hoje são os negros do passado (e do presente também). Os
assentamentos são os quilombos que os senhores de engenho da atualidade
pretendem dizimar, usando, como outrora, forças policiais, políticas,
judiciárias, além do aparato midiático.<SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN>Só isso justifica a última investida da CNA contra o MST, ao encomendar
ao Ibope uma pesquisa deliberadamente direcionada e com amostragem frágil, para
demonstrar o fracasso da reforma agrária. Nenhum pesquisador mais atento
consideraria significativo generalizar a realidade de mais de oito mil
assentamentos, onde vivem 870 mil famílias, em uma pesquisa feita em apenas nove
assentamentos, envolvendo mil famílias. Isso significa 0,1% do total. Um dos
locais escolhidos pela CNA/Ibope para o levantamento é um assentamento da década
de 70, dentro do </SPAN><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-language: PT-BR">Projeto
Integrado de Colonização, portanto, da ditadura militar, e que já está
incorporado à região metropolitana de Recife. É curioso que tenha sido escolhido
um exemplo que não pode sequer se considerado assentamento. Esse é apenas um dos
fatos questionáveis nesse trabalho.</SPAN><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'"><o:p></o:p></SPAN></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'"><FONT
size=3><FONT face="Times New Roman">É no mínimo desonesto querer analisar a
Reforma Agrária sob a ótica do capitalismo e colocar como parâmetro de
produtividade o agronegócio que a CNA defende. Reforma Agrária para os sem
terra, assim como para quilombolas e índios, igualmente vítimas da invasão de
terras, da grilagem desmedida dos grandes negócios, não é apenas ocupação
territorial. É questão de vida, de cidadania, de segurança alimentar, de cultura
e história de um povo. <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'"><FONT
size=3><FONT face="Times New Roman">Em 1988, a sociedade brasileira, calada e
oprimida por um regime militar que durou duas décadas, foi às ruas e exigiu que
os parlamentares constituintes garantissem na lei máxima do país direitos
negados há mais de 500 anos por uma elite que continua, como antes, voraz,
violenta e, para ser redundante, antidemocrática. A Constituição de 88 é o
retrato do que nós brasileiros consideramos o mínimo de reparação. Terras
devolutas, griladas, improdutivas devem ser, necessariamente, destinadas à
Reforma Agrária. Comunidades quilombolas e indígenas têm direito ao
reconhecimento de suas áreas. <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'"><FONT
size=3><FONT face="Times New Roman">Em qualquer lugar do mundo lei é para ser
cumprida. No Brasil, desde a invasão portuguesa, existe para ser “interpretada”
e aplicada conforme o interesse de latifundiários, dos grandes projetos, da
elite, com anuência do Judiciário. <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'"><FONT
size=3><FONT face="Times New Roman">Um exemplo claríssimo é o da transnacional
de sucos Cutrale, em São Paulo, que a TV repetiu exaustivamente imagens de sem
terra destruindo pés de laranja. A Comissão Pastoral da Terra lembra que a área
faz parte de um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e que
pertencem à União. “A fazenda Capim, com mais de 2,7 mil hectares, foi grilada
pela Sucocítrico Cutrale” há quase cinco anos, sabendo que se tratava de invasão
de terra pública.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'"><FONT
size=3><FONT face="Times New Roman">Diz a CPT: “a ação dos sem terra tinha
intenção de chamar a atenção para o fato de uma terra pública ter sido grilada
por uma grande empresa e pressionar o Judiciário, já que, há anos, o Incra
entrou com ação para ser imitido na posse destas terras que são da União. As
primeiras ocupações na região aconteceram em 1995. Passados mais de 10 anos,
algumas áreas foram arrecadadas e hoje são assentamentos. A maioria das terras,
porém, ainda está nas mãos de grandes grupos
econômicos”.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'"><FONT
size=3><FONT face="Times New Roman">Quem foi criminoso nessa história: a
multinacional que invadiu deliberadamente uma área pública, contando que terá
uma regularização fundiária a seu favor, ou 450 famílias que aguardam há mais de
10 anos, acampadas em lonas na beira de estrada, debaixo de sol e chuva, que o
governo e o Judiciário cumpram a Constituição e destinem as terras para reforma
agrária? <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'"><FONT
size=3><FONT face="Times New Roman">Temos no Espírito Santo situação semelhante
com a Fazenda Ipiranga, em Ponto Belo. Há nove anos, as famílias esperam
acampadas pela resolução do caso.<SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>O
processo já concluiu pela destinação da área para fins de reforma agrária,
faltando apenas uma assinatura para conclusão. Reconhecer direitos significa
efetivá-los na prática. <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'"><FONT
size=3><FONT face="Times New Roman">Os ataques do que o MST tem sido vítima nos
últimos anos não é gratuito. A criminalização faz parte de uma estratégia para
dizimar resistências. <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'"><FONT
size=3><FONT face="Times New Roman">O que é crime neste país, cuja lei existe
para ser ignorada pelo próprio Judiciário: é 1% de todos os proprietários
controlarem 46% das terras (cerca de 98 milhões de hectares), ou mantermos
durante décadas 130 mil famílias brasileiras acampadas à beira da estrada, à
espera de um pedaço de terra para plantar e
sobreviver?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'"><FONT
size=3><FONT face="Times New Roman">Esse parâmetro cruel e desigual faz com que
o país, a despeito dos avanços sociais do governo Lula, não consiga reverter sua
sina, a hereditariedade, as sesmarias de antigamente e suas violências diárias
contra os pobres desse lugar.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt; LINE-HEIGHT: 16pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><FONT
size=3><FONT face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'">Não
são esses poucos latifundiários que colocam alimento na mesa do brasileiro.
Isso, o Censo agropecuário de 2006, divulgado recentemente, revelou. A
agricultura familiar (na qual se inclui assentamentos), </SPAN><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-language: PT-BR">embora
ocupe apenas 24,3% da área total dos estabelecimentos agropecuários, é
responsável por 40% do Valor Bruto da Produção gerado. </SPAN><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'">E
é ela também quem mais emprega: é responsável por 75% da mão-de-obra no campo.
<o:p></o:p></SPAN></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'"><FONT
size=3><FONT face="Times New Roman">O Censo nos diz ainda algo que devemos
analisar com a responsabilidade que a nossa função pública exige: o Brasil é o
país com maior concentração de terras do planeta. Tanta desigualdade é, por si
mesma, uma violência que nós parlamentares não podemos assistir passivamente.
<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'"><FONT
size=3><FONT face="Times New Roman">E aqui, evoco a memória do amigo,
companheiro camponês Adão Pretto, que como deputado federal defendeu durante
anos os sem terra dos ataques da imensa bancada ruralista, que queria,
inclusive, classificar o MST como entidade terrorista, na CPMI da Terra.
<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><FONT size=3><FONT
face="Times New Roman"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'">Adão
era um, mas quando defendia seu povo parecia um exército. Como se centenas de
ancestrais estivessem a lhe dar força necessária para encarar a maior bancada do
Congresso. Meu querido companheiro se foi nesse início de ano. Adão não está
mais aqui, mas a sua luta não morreu. E é em nome dela que conclamo todos os
companheiros de esquerda do Legislativo, àqueles que não toleram a injustiça, a
desigualdade, que não conseguem assistir indiferentes a fome e a miséria de um
povo construída pelos lucros das grandes empresas, dos latifundiários, que
levantem a voz contra a criminalização dos movimentos sociais. Porque eles são
maioria de direito e de fato nesse país. E é em nome deles e em memória de Adão
Pretto que eu respondo aos que nos julgam distantes da luta:
“presente”.</SPAN><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-language: PT-BR"><o:p></o:p></SPAN></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
style="FONT-FAMILY: 'Arial Unicode MS'; mso-fareast-font-family: 'Arial Unicode MS'; mso-bidi-font-family: 'Arial Unicode MS'"><o:p><FONT
face="Times New Roman" size=3> </FONT></o:p></SPAN></P>
<DIV class=frame-2>
<H3>Colunas</H3></DIV>
<DIV class=colunas id=article><VAR>16 de Outubro de 2009 - 0h31</VAR>
<H1> Viva o MST!</H1>
<ADDRESS>João Guilherme Vargas Netto *</ADDRESS>
<H2> Vocês podem não concordar comigo, mas admiro, apoio e defendo o MST.
Ou, como eles dizem, sou amigo do MST.</H2><SPAN>Em seus 25 anos de lutas, o
movimento conseguiu fazer de sua plataforma- a reforma agrária e a posse da
terra pelo trabalhador- um tema essencial da vida brasileira.<BR><BR>Na dureza
das condições em que vivem milhões de camponeses, mesmo os recém-chegados nas
cidades e os assentados, o MST tem conseguido desempenhar um papel civilizador
que emociona quem deseja o progresso social, a democracia e o fortalecimento da
sociedade brasileira como um todo.<BR><BR>Seus inimigos, os reacionários, os
latifundiários e a grande imprensa, são cruéis e bem articulados. Por dá cá
aquela palha, tentam incendiar o ambiente e isolar, derrotar, desmoralizar e
destruir o MST. Às vezes apóiam-se em erros cometidos; mas na maioria dos casos
escondem-se atrás dos assassinatos, das provocações e da repressão
brutal.<BR><BR>O movimento sindical dos trabalhadores tem muito a aprender com o
MST. Destaco três aspectos:<BR><BR>1) A constância dos objetivos- uma vez
estabelecida sua pauta, o MST persegue a sua realização com várias táticas-
ocupar, resistir, produzir- que se desdobram no tempo e se adaptam às condições
em todas as regiões do Brasil;<BR><BR>2) A qualificação dos dirigentes e
ativistas- o esforço permanente é o da formação, desde as crianças até famílias
inteiras. As escolas do MST são exemplares e o seu sistema de ensino, baseado na
mística e educação de qualidade, ultrapassa com folga as necessidades imediatas
do movimento;<BR><BR>3) O espírito de militância- as bandeiras do MST, as mais
amplas ou as mais restritas, são ardorosamente levantadas, junto com as foices,
em todas as manifestações realizadas, com <BR>constância e consciência.<BR><BR>O
movimento sindical dos trabalhadores, com sua experiência unitária e respeitando
as diferenças, deveria fazer um esforço urgente de aproximação com o MST e
escutá-lo com mais atenção e assiduidade.<BR></SPAN>
<DIV align=right><BR> </DIV></DIV>
<DIV class=assinatura><IMG height=60
src="http://admin.paginaoficial1.tempsite.ws/admin/arquivos/biblioteca/joaoguilherme2177.jpg"
width=55>
<P>* É consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São
Paulo</P>
<P> </P>
<DIV><FONT face=Arial size=2><STRONG>16.10.2009</STRONG></FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><U><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt"><FONT face="Times New Roman">MST X
CUTRALE<o:p></o:p></FONT></SPAN></U></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><o:p><FONT
face="Times New Roman" size=3> </FONT></o:p></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 36pt"><FONT face="Times New Roman">O que é
<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 36pt"><FONT face="Times New Roman">mais
chocante?<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><o:p><FONT face="Times New Roman" size=3> </FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><U><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt"><FONT face="Times New Roman">Hamilton Octavio de
Souza<o:p></o:p></FONT></SPAN></U></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Times New Roman"
size=3> </FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><FONT
face="Times New Roman" size=3>Na última semana, primeiro a TV Globo, depois os
demais veículos da grande imprensa neoliberal, exploraram ao máximo – com
sensacionalismo e forte dose de criminalização – a imagem de trabalhadores sem
terra arrancando pés de laranja numa área grilada da empresa multinacional
Cutrale, no município de Iaras, interior de São Paulo. Evidentemente o assunto
teve grande repercussão pública e foi alvo de manifestações precipitadas e
raivosas de setores da direita – muito mais por afirmação ideológica do que pela
relevância dos fatos.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><FONT
face="Times New Roman" size=3>Pouco se falou que a terra invadida pela empresa
Cutrale pertence à União, é terra pública, e que deveria ter sido usada para
assentamento da reforma agrária há muitos anos, conforme projeto do INCRA, mas
que foi grilada e vendida para particulares de forma ilegal. Tanto é que a área
é ainda hoje objeto de inúmeras ações e pendências judiciais. O crime original –
grilagem – foi ignorado pela mídia.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><FONT
face="Times New Roman" size=3>Portanto, a ocupação feita pelas famílias e
trabalhadores rurais sem terra foi legítima e estratégica, na medida em que
reafirmou a defesa do patrimônio da União e chamou a atenção das autoridades
para a destinação inicial da área, que é o projeto de assentamento de famílias
empenhadas em viver, trabalhar e produzir no campo. Chamou a atenção da
sociedade também para a necessária e urgente plantação de alimentos, já que o
Brasil tem sido obrigado a importar arroz, feijão e trigo – enquanto o
agronegócio só se preocupa com produtos de exportação. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><FONT
face="Times New Roman" size=3>Lá mesmo em Iaras, mais de 400 famílias estão
acampadas e aguardam, há anos, uma decisão da Justiça sobre aquelas terras. Se
tivessem sido regularizadas pela reforma agrária, com certeza estariam rendendo
alimentos mais baratos para o povo brasileiro.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><FONT
face="Times New Roman" size=3>O que é mais chocante: pés de laranja arrancados
em protesto ou mais de 400 famílias –mulheres, velhos e crianças – vivendo em
acampamentos precários?</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><FONT
face="Times New Roman" size=3>Na pressa para criminalizar os trabalhadores sem
terra pela ocupação em Iaras, a grande imprensa corporativa não fez qualquer
associação com a destruição dos laranjais ocorrida nos últimos dois anos, pelos
próprios produtores, especialmente no Estado de São Paulo, porque os preços
impostos pelas indústrias do suco eram insuficientes para a manutenção dessas
plantações. A área total de plantio da laranja foi reduzida em milhares de
hectares por obra dos próprios produtores, em especial dos pequenos produtores,
que preferiram migrar para outras lavouras ao invés de trabalhar de graça para o
oligopólio industrial do suco de laranja.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><FONT
face="Times New Roman" size=3>O que é mais chocante: pés de laranja arrancados
pelo protesto dos sem terra ou laranjais inteiros destruídos porque o cartel do
suco inviabilizou a atividade dos produtores, desempregou os trabalhadores e
provocou a elevação no preço da fruta vendida no mercado consumidor
brasileiro?</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><FONT
face="Times New Roman" size=3>Antes mesmo de investigar e apurar corretamente o
que aconteceu em Iaras, antes mesmo de ouvir todos os lados envolvidos no caso
da área grilada da Cutrale, como mandam as regras básicas do bom jornalismo, a
imprensa corporativa deu grande destaque ao vídeo e à versão da policia
estadual, a qual, todo mundo sabe, tem posição partidária, atua sempre contra os
movimentos sociais (urbanos e rurais) e é conhecida por difundir versões
mentirosas e distorcidas sobre os fatos, como nos episódios da Escola Base, nos
assassinatos de maio de 2006 no Estado de São Paulo e, mais recentemente, no
assassinato de uma jovem na favela de Heliópolis, na capital
paulista.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><FONT
face="Times New Roman" size=3>Agora no caso de Iaras, mais uma vez a grande
imprensa neoliberal conservadora aceitou sem vacilar a versão de “vandalismo”
dada pela polícia e não se preocupou em checar, <I
style="mso-bidi-font-style: normal">in loco</I>, com as famílias de sem terra e
com os trabalhadores rurais da Cutrale, a verdadeira história sobre o ocorrido.
Entre fazer jornalismo e comprometer-se com a verdade, a grande imprensa
corporativa preferiu ficar com a versão mais adequada aos seus interesses
ideológicos. Mais uma vez essa mídia deu guarida e projeção para as posições
mais atrasadas e reacionárias da sociedade brasileira, que são reconhecidamente
contra a reforma agrária e contra as lutas dos movimentos sociais do campo e da
cidade.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><FONT
face="Times New Roman" size=3>O que é mais chocante: pés de laranja arrancados
pelo protesto dos sem terra, em área pública grilada por empresa multinacional
ou a existência de uma imprensa e de uma polícia que mentem para defender os
interesses das elites econômicas e políticas, as mesmas que impedem o Brasil de
ser um país mais justo e mais igualitário, que está em 75º lugar no Índice de
Desenvolvimento Humano da ONU?</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><FONT
face="Times New Roman" size=3>Você decide.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Times New Roman"
size=3> </FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><FONT size=3><FONT
face="Times New Roman">Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor da
PUC-SP.<o:p></o:p></FONT></FONT></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Times New Roman"
size=3> </FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><o:p><FONT
face="Times New Roman" size=3> </FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt"><o:p><FONT
face="Times New Roman" size=3> </FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Times New Roman"
size=3> </FONT></o:p></P></FONT></DIV></DIV></DIV></DIV></DIV></FONT></DIV></BODY></HTML>