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<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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REDAÇÃO</STRONG></FONT></DIV>
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<P class=fontGeral>Publicada em:19/08/2009 </P></TD></TR>
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<P class=fontDestaque><IMG height=11
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width=18>30 ANOS DE ANISTIA</P></TD></TR>
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<TD width=560><BR><BR>
<P class=fontGeralNoticias><B>Recife (PE) - No próximo sábado 22 de
agosto, comemoram-se os 30 anos da anistia no Brasil. Por isso
recupero aqui algumas impressões da leitura de um livro fundamental,
“Direito à memória e à verdade”, editado pela Secretaria Especial
dos Direitos Humanos da Presidência da República. <BR><BR>O livro
“Direito à memória e à verdade” é um livro grande, com 500 páginas,
nas dimensões de 23 x 30 centímetros. Por suas dimensões físicas, é
um livro que somente comporta ser conduzido como um escudo, como um
símbolo de orgulho, para ser ostentado nas praças e nos ônibus. Mas
o que mesmo exibe e informa tal volume?<BR><BR>De um ponto de vista
frio, o livro é como uma recondução a um mundo que se rebela contra
a mediocridade, contra tudo o que for mesquinho e pequeno. Em suas
páginas amarelas, quem lê suas letras lê o destino de homens. Quem
lê as suas linhas lê a luta de uma geração. E, coisa mais
interessante, este é um livro sem autor. Melhor, é um livro de
autores, de muitos autores, um registro de vidas reunidas como em
uma coleção de prontuários de polícia. Os seus perfis saem das
páginas dos processos, e poucas vezes se viram processos tão
antiprocessos. São homens e mulheres, são jovens e quase-crianças,
são velhos, malditos e amaldiçoados pela dor na consciência. São
renegados que se matam. São homens tornados seres desequilibrados,
são gente, enfim, em condições-limite.<BR><BR><BR><BR><I>“Maria
Auxiliadora Lara Barcellos (1945-1976) <BR><BR>Maria das Dores
atirou-se nos trilhos de um trem na estação de metrô Charlottenburg,
em Berlim... tinha sido presa 7 anos antes, Nunca mais conseguiu se
recuperar plenamente das profundas marcas psíquicas deixadas pelas
sevícias e violências de todo tipo a que foi submetida. Durante o
exílio registrou num texto... ‘Foram intermináveis dias de Sodoma.
Me pisaram, cuspiram, me despedaçaram em mil cacos. Me violentaram
nos cantos mais íntimos. Foi um tempo sem sorrisos. Um tempo de
esgares, de gritos sufocados, de grito no escuro’....
<BR><BR><BR><BR>Nilda Carvalho Cunha (1954-1971) <BR><BR>Sua prisão
é confirmada no relatório da Operação Pajuçara, desencadeada para
capturar ou eliminar Lamarca e seu grupo. Foi liberada no início de
novembro, profundamente debilitada em conseqüência das torturas
sofridas e morreu no dia 14 de novembro, com sintomas de cegueira e
asfixia. Nilda tinha acabado de completar 17 anos quando foi
presa... ‘Você já ouviu falar de Fleury? Nilda empalideceu, perdia o
controle diante daquele homem corpuloso. – Olha, minha filha, você
vai cantar na minha mão, porque passarinhos mais velhos já cantaram.
– Mas eu não sei quem é o senhor. – Eu matei Marighella. Vou acabar
com essa sua beleza- e alisava o rosto dela....
<BR><BR><BR><BR>Odijas Carvalho de Souza (1945-1971) <BR><BR>Odijas
foi levado para o Hospital da Polícia Militar de Pernambuco em
estado de coma, morrendo dois dias depois, aos 25 anos... ‘No dia 30
de janeiro de 1971 fui acordado cedo por uma grande movimentação.
Por volta das 7 horas, Odijas passou diante da cela, conduzido por
policiais. Apesar da existência da porta de madeira isolando a sala
do corredor, chegaram até nós os gritos de Odijas, os ruídos das
pancadas e das perguntas cada vez mais histéricas dos torturadores.
Durante esse período, Odijas foi trazido algumas vezes até o
banheiro, colocado sob o chuveiro para em seguida retornar ao
suplício. Em uma dessas vezes ele chegou até a minha cela e pediu-me
uma calça emprestada, porque a parte posterior de suas coxas estava
em carne viva. Os torturadores animalizados se excitavam ainda mais,
redobrando os golpes exatamente ali”. </I><BR><BR><BR><BR>Como vêem,
difícil é manter a serenidade, a frieza, um ar apolíneo, razoável,
sensato, diante desse mundo que se encontra submerso, mas jamais
superado, morto, vencido. Eu, que não sabia como começar, confesso
que também não sei como pôr fim a estas linhas. Eu havia escrito
antes notas, reflexões, coisas digamos mais sociológicas, dignas de
tese, que iludem toda a gente, que pode nos tomar como um ser culto,
inteligente, sábio, espirituoso. Basta de falsidade, porque
<BR><BR><I>“ – Teu nome completo é Mário Alves de Souza Vieira?
<BR><BR>- Vocês já sabem. <BR><BR>- Você é o secretário-geral do
comitê central do PCBR?<BR><BR>- Vocês já sabem. <BR><BR>- Será que
você vai dar uma de herói? ... <BR><BR><BR><BR>Horas de
espancamentos com cassetetes de borracha, pau-de-arara, choques
elétricos, afogamentos. Mário recusou dar a mínima informação e,
naquela vivência da agonia, ainda extravasou o temperamento através
de respostas desafiadoras e sarcásticas. Impotentes para quebrar a
vontade de um homem de físico débil, os algozes o empalaram usando
um cassetete de madeira com estrias de aço. A perfuração dos
intestinos e, provavelmente, da úlcera duodenal, que suportava há
anos, deve ter provocado hemorragia interna”. </I><BR><BR>É terrível
que a importância de um livro, que a importância da palavra escrita,
se dê em relatos tão cruéis. Mas a realidade não se escolhe. Quem
toca nesse livro, toca em destinos. </B><BR><BR></P></TD></TR>
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