<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
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<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV>
<DIV><FONT face=Forte color=#ff0000 size=6><FONT size=7>Carta O
Berro</FONT><FONT
size=3>................................................................................................repassem</FONT></FONT></DIV>
<DIV>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Forte
color=#ff0000></FONT> </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face=Arial
size=2></FONT></o:p> "A tarefa será sempre a de preservar e construir. Sem
pressa e sem pausa. Porque, como bem o escreveu <STRONG>Antônio
Machado</STRONG>: “A história não caminha ao ritmo de nossa impaciência”. </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face=Arial
size=2></FONT></o:p> </P>
<TABLE class=MsoNormalTable
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<TD
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<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B>8/8/2009</B><o:p></o:p></P></TD></TR>
<TR style="mso-yfti-irow: 1">
<TD
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<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"> <o:p></o:p></P></TD></TR>
<TR style="mso-yfti-irow: 2">
<TD
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<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><IMG height=9
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<TD
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<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 18pt"><STRONG><FONT size=6>América Latina... a
encruzilhada.</FONT></STRONG> </SPAN><o:p></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"> <o:p></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B>Ensaio de Washington
Uranga </B><o:p></o:p></P></TD></TR>
<TR style="HEIGHT: 3.75pt; mso-yfti-irow: 3">
<TD
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<P class=MsoNormal
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<TR style="HEIGHT: 3.75pt; mso-yfti-irow: 4">
<TD
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<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-line-height-alt: 3.75pt"> <o:p></o:p></P></TD></TR>
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<TD
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<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt">“Há nos novos movimentos sociais na
América Latina com outra concepção de poder e da forma de </SPAN><IMG
height=261 hspace=6 src="cid:082b01ca1850$8f8440e0$0200a8c0@vcaixe"
width=172 align=right border=2 v:shapes="_x0000_s1026"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt">fazer política. Existe um regresso à idéia da base
e da comunidade como origem e legitimidade da política, que orienta
necessariamente em direção a outras formas de estruturar a organização e a
distribuição do poder. Há aqui uma contradição importante com as velhas
estruturas políticas e com sua metodologia de acúmulo do poder”. A
afirmação é de <A
href="http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=21700"
target=_blank><STRONG>Washington Uranga</STRONG></A> (foto),
jornalista, uruguaio, radicado na Argentina no Seminário
“<EM>América Latina: Por uma integração desde ‘abajo’”.</EM>
</SPAN><o:p></o:p></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt">O Seminário foi promovido pelo
<STRONG>Centro de Formação <st1:PersonName ProductID="Milton Santos"
w:st="on">Milton Santos</st1:PersonName> – Lorenzo Milani</STRONG> e
realizou-se nos dias 20 e 21 de junho de 2009 <st1:PersonName
ProductID="em Curitiba (PR" w:st="on">em Curitiba (PR</st1:PersonName>) na
Casa do Trabalhador, administrada pelo Centro de Pesquisa e Apoio aos
Trabalhadores (<STRONG>CEPAT</STRONG>).</SPAN><o:p></o:p></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt">Reproduzimos na íntegra o “ensaio”
de <STRONG>Washington Uranga</STRONG> utilizado em sua
assessoria.</SPAN><o:p></o:p></P>
<P style="TEXT-ALIGN: right" align=right><EM><SPAN
style="FONT-SIZE: 7.5pt">Como compaginar a aniquiladora idéia
</SPAN></EM><I><SPAN style="FONT-SIZE: 7.5pt"><BR><EM>da morte com este
incontável afã da vida?</EM><BR></SPAN></I><STRONG><SPAN
style="FONT-SIZE: 7.5pt">Mario Benedetti,</SPAN></STRONG><SPAN
style="FONT-SIZE: 7.5pt"> “Cotidianas”, 1979</SPAN><o:p></o:p></P>
<P>Encontrar critérios interpretativos comuns que nos permitam entender
América Latina costuma ser uma tarefa árdua. Porque se bem existem muitos
fatores que nos unem e nos congregam, no histórico, no econômico, no
político, social e cultural, não é menos certo que as diferenças são
importantes de país para país e, ainda dentro destes, entre as
regiões.<BR> <BR>E como bem diz <STRONG>Gabriel García
Márquez</STRONG> estamos ainda em tempo de crer em “uma nova e arrasadora
utopia da vida, onde ninguém possa decidir por outros até a forma de
morrer, onde de verdade seja certo o amor e possível a felicidade, e onde
as estirpes condenadas à cem anos de solidão tenham finalmente e para
sempre uma segunda oportunidade sobre a terra.” Por isso vale
a pena seguir pensando e pensando-nos em meio de uma realidade que sempre
é intrincada, difícil mas da que florescem permanentemente motivos de
esperança e novas motivações. Com <STRONG>García Márquez</STRONG> e tantos
outros e outras que queremos aferrar-nos a uma “nova e arrasadora utopia
da vida”.<o:p></o:p></P>
<P>Com este horizonte buscaremos alguns parâmetros que nos permitam gerar
critérios interpretativos. <o:p></o:p></P>
<P><STRONG>1. O sentido do latino-americano</STRONG><o:p></o:p></P>
<P>Existe realmente um sentido latino-americano? Ou o que resulta ainda
mais difícil pensar. América Latina e o Caribe podem pensar-se como
unidade?<o:p></o:p></P>
<P> Tem pelo menos três fatores para levar em conta em função desta
denominação.<o:p></o:p></P>
<P><STRONG><SPAN
style="FONT-FAMILY: Symbol; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'; mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol"><SPAN
style="mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol">§</SPAN></SPAN></STRONG> <U>As
raízes e a história comum</U>.<o:p></o:p></P>
<P>Somos parte de um mesmo povo, irmanado pela história e por nossas
raízes assentadas nos povos tradicionais destas terras. Desde os
<EM>Astecas</EM> do norte até os <EM>Mapuches</EM> do extremo sul. Estes
povos tradicionais que povoaram nossas terras desde tempos imemoráveis
marcam com fogo nossa identidade.<BR>A eles se somaram logo as diferentes
correntes migratórias. Com distintos objetivos, sortes e destinos. Com
histórias de dominação, de conflitos e de guerras. Também de rebeldias e
rebeliões.<o:p></o:p></P>
<P>Sobre a raiz indígena tradicional, foram se cruzando mestiçagens para
configurar novos rastros históricos. Não só desde a Europa chegaram os
imigrantes. Também desde a África. Nosso povo tem histórias comuns.
Configura-se sobre a base do entrecruzamento de etnias e de povos
migrantes. Todos, desde diferentes lugares têm uma tradição de lutas.
Nossa América Latina e Caribe foi fazendo-se um povo comum desde
baixo. <o:p></o:p></P>
<P><STRONG><SPAN
style="FONT-FAMILY: Symbol; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'; mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol"><SPAN
style="mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol">§</SPAN></SPAN></STRONG> <U>As
lutas nos irmanam</U><o:p></o:p></P>
<P>Os interesses internos e externos foram gerando entre nós processos de
balcanização, de separação entre países. A revisão histórica nos diz que
vários do que hoje são venerados como nossos heróis pátrios nunca pensaram
as divisões políticas que hoje delimitam nossas fronteiras.<o:p></o:p></P>
<P><STRONG>Bolívar</STRONG> sempre imaginou uma pátria grande, que
contivesse a todos os países sul-americanos. O mesmo pode se dizer de
<STRONG>Artigas </STRONG>ou de <STRONG>San Martín</STRONG>. E assim de
cada um dos que costumamos chamar de “libertadores”. <o:p></o:p></P>
<P>As lutas emancipadoras posteriores também tem sido lutas comuns. As
reivindicações têm sido comuns e sobre essa base, das demandas e das
necessidades re-surgiu na época recente o conceito a latinoamericaneidade.
Hoje, paradigmaticamente os povos tradicionais que habitaram inicialmente
estas terras são os que nos convocam e apelam pela unidade
latino-americana e caribenha sobre bases étnico-culturais. Neles radica em
grande parte a reclamação da grande nação latino-americana.
<o:p></o:p></P>
<P><STRONG><SPAN
style="FONT-FAMILY: Symbol; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'; mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol"><SPAN
style="mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol">§</SPAN></SPAN></STRONG> <U>A
necessidade de construir um futuro comum</U><o:p></o:p></P>
<P>Por ultimo, o sentido do latino-americano está baseado também no
destino comum. O processo de integração é ao mesmo tempo um horizonte e
uma necessidade. Não existe um destino livre e justo que não seja a partir
de um processo integrador. A liberação de nossos povos passa
inevitavelmente pela unidade.<o:p></o:p></P>
<P><BR><STRONG>2. América Latina e a crise atual.</STRONG><o:p></o:p></P>
<P>Nosso sub-continente segue sendo muito pobre. Segundo o Anuário 2008 da
<STRONG>CEPAL</STRONG> (Comissão Econômica para América Latina) se bem a
pobreza diminuiu respeito aos anos precedentes (38,7 % em 1994 e 35,9 % no
ano 2000), o índice continua sendo muito alto: 28,9% da população. O mesmo
acontece com a indigência: 40,8% em 1994, 37,8% no ano 2000 e 28,1% em
2007.<o:p></o:p></P>
<P>Mas o índice alarmante e grave é aquele que se refere à distribuição do
ingresso. Só para exemplificar, na Argentina o décimo mais alto da
população recebia, segundo o último dado conhecido (2006), o 40,8% do
ingresso, enquanto o décimo mais baixo recebia apenas o 1,2%. Na Bolívia
no ano <st1:metricconverter ProductID="2007 a" w:st="on">2007
a</st1:metricconverter> distância foi de 43,5% a 0,4% e no Brasil no mesmo
ano de 48,0% a 08%. <o:p></o:p></P>
<P>A pobreza é o nosso problema. Temos pobreza estrutural e um dos nossos
maiores obstáculos é a desigualdade que tem na distribuição do ingresso
sua manifestação mais evidente. <BR> <BR>Hoje há
abundantes considerações sobre “a crise”. Se a manifestação latente da
crise é a indigência e a pobreza para grande parte de nossos irmãos e
irmãs latino-americanos poderíamos dizer que nossos povos vivem
permanentemente em crise. Mas não é desta crise da que falam os titulares
dos jornais escritos e <st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>evisivos. Falam da “crise financeira” ou da
“crise bancária”. Ousaria dizer que estamos frente a uma crise do sistema
capitalista em geral. E a explicação em torno das hipotecas “sub-prime”
com suas conseqüências nos bancos e nas instituições financeiras, não é
mais que outra expressão da pobreza de um sistema que mostra sinais de
esgotamento. <o:p></o:p></P>
<P>A chamada “crise global” é uma quebra que vai além do financeiro e do
bancário, para projetar-se sobre a economia real, a partir de causas
estruturais apoiadas numa exagerada “financeirização” da economia e as
conseqüentes operações especulativas. <BR> <BR>Esta crise
não está desvinculada de fatores políticos. Em realidade é também o
resultado de uma feroz disputa entre os possuidores do capital, mercados e
oligopólios. Trata-se de uma luta brutal pela acumulação do capital entre
quem mais têm e dominam o sistema. Existe uma lógica “<EM>darwiniana</EM>”
do capitalismo global, em busca da sobrevivência só dos “mais aptos”, quer
dizer, dos maiores e melhor organizados oligopólios. <BR> <BR>Um
bom dado para medir o nível da crise é o desemprego. Segundo a Organização
Internacional do Trabalho (<STRONG>OIT</STRONG>) o número de desempregados
no mundo, que foi de 190 milhões em 2008, poderia incrementar-se em 51
milhões durante 2009. E se forem analisados dados da pobreza (considerando
por pobre quem recebe menos de dois euros diários) os pobres alcançarão
1400 milhões de pessoas, quer dizer, o 45% da população economicamente
ativa do planeta. <o:p></o:p></P>
<P><STRONG>Como nos afeta a crise?</STRONG><o:p></o:p></P>
<P>Em primeiro lugar: somos parte desse chamado “mundo global”. Por sermos
parte da periferia do mundo globalizado costumamos receber mais prejuízos
do que benefícios.<o:p></o:p></P>
<P>Mas de maneira muito sintética podemos mencionar algumas das
conseqüências mais diretas:<o:p></o:p></P>
<P><STRONG>a</STRONG>. Nossos países latino-americanos e caribenhos
são fundamentalmente exportadores dos chamados “<EM>commodities</EM>”. Os
preços destes produtos desceram bruscamente e isso está gerando recessão e
desocupação.<BR><STRONG>b.</STRONG> Os emigrantes latino-americanos
que residem nos países centrais diminuíram suas remessas às nações de
origem, sendo que este é um rubro de enorme importância econômica em
países tais como República Dominicana e Equador, para mencionar tão só
dois exemplos.<BR><STRONG>c.</STRONG> O dito anteriormente tem sido
seguido do regresso de muito imigrantes que pressionam sobre o mercado de
trabalho de nossos países.<o:p></o:p></P>
<P>Mas qualquer consideração não deve perder de vista que para enxergar o
mundo de hoje, temos de seguir reconhecendo a hegemonia que tem os Estados
Unidos. A crise atravessa o mundo globalizado e a potência dominante da
terra não duvida em transladar, para além de qualquer discurso, as
conseqüências dessa crise para a periferia.<o:p></o:p></P>
<P>Também é certo que, devido às estratégias econômicas desenhadas pelos
governos da região, particularmente na América do Sul, os efeitos desta
crise não serão tão graves como <st1:PersonName
ProductID="em outros momentos. Não" w:st="on">em outros momentos.
Não</st1:PersonName> haverá grande depressão. Mas dada a estrangeirização
de nossas economias é inevitável que as mesmas estejam afetadas como
“<EM>coletazos</EM>” do que acontece nos países centrais. A recessão já
começa a sentir-se e não sabemos o quanto será de profunda.<o:p></o:p></P>
<P>Teremos de ver, em termos econômicos, se são encontradas receitas para
absorver os efeitos mediantes a implantação de medidas econômicas que
reforcem a produção e o comercio intra-regional. Este deveria ser um
resultado lógico dos processos de integração. Porém, é preciso que se diga
que se bem se tem dado passos, a integração é ainda uma declamação mais
que uma realidade efetiva. Especialmente a partir do surgimento dos
governos que denominaremos de “progressistas” a integração instalou-se
como um tema de agenda de primeiro nível. Mas existem limitações demais,
pouco olhar estratégico e, com certeza, poucas apostas de médio e longo
prazo para fazer da integração um processo integral.<o:p></o:p></P>
<P>Mas cabe também outro questionamento: qual será a conseqüência para o
campo popular? Porque é bem sabido que este tipo de situação cria
condições para que aqueles que detêm o capital e o poder utilizem a
conjuntura para afirmar-se em suas posições e para concentrar ainda mais o
poder e a riqueza.<BR> <BR>Certamente o impacto mais importante será
em termos econômicos, em quanto à perda de postos de trabalho e nova queda
do nível de ingressos. Conseqüência: mais pobreza e mais
indigência.<BR> Mas gostaria deixar aqui uma questão pendente para
tentar retomar-la mais adiante: como afeta esta crise o nível de
organização dos setores populares? Partindo da base de que a organização é
a maior riqueza que têm os setores populares e a carência desta
organização a maior pobreza. <BR><STRONG> </STRONG><B><BR><STRONG>3.
Nossa história recente</STRONG></B><o:p></o:p></P>
<P>A história latino-americana pode ler-se a partir de uma lógica pendular
que tem nos levado de um extremo ao outro do arco ideológico, passando por
experiência do mais diverso tipo.<o:p></o:p></P>
<P> O último quarto do século passado nos instalou como protagonistas
ou vitimas, nos mais diversos cenários.<o:p></o:p></P>
<P> Vivimos os setenta com ar desenvolvimentista, apoiado na lógica
de substituição de importações e as condicionadas inversões que Estados
Unidos fez para a região como lógica reação à revolução <st1:PersonName
w:st="on">cuba</st1:PersonName>na (1959) e ao alinhamento marxista do
governo de <STRONG>Fidel Castro</STRONG> (1961). À luz desta realidade
econômica alumiaram governos democráticos sujeitos à hegemonia do grande
amo da região, mas também cresceram os movimentos políticos
antiimperialistas e antioligárquicos. <o:p></o:p></P>
<P>Para isso se somaram muitas experiências e tradições do sindicalismo
anarquista, dos nacionalismos e dos populismos, com as novas correntes
libertárias que se embeberam, por um lado, nos novos ares libertários da
revolução <st1:PersonName w:st="on">cuba</st1:PersonName>na e, por outro,
nas idéias de libertação inspiradas no cristianismo revolucionário e na
teologia da libertação.<o:p></o:p></P>
<P>No meio deste processo também houve intervenções violentas, em
particular dos exércitos, então convertidos em guardiões dos interessas
das oligarquias nativas. Sem a pretensão de esgotar as referências é
bom lembrar, pelo significativo, a experiência socialista no Chile,
encabeçada por Salvador <STRONG>Allende,</STRONG> mas também o governo
peronista de <STRONG>Héctor Cámpora</STRONG> na Argentina. Antes e depois
destas e outras iniciativas no marco institucional surgiram as
organizações político-militares inspiradas na revolução <st1:PersonName
w:st="on">cuba</st1:PersonName>na e na teoria do foco. A luta armada
brotou então como uma miragem metodológica para assegurar a
mudança.<o:p></o:p></P>
<P>Todas estas iniciativas, umas e outras, tiveram como resposta o
terrorismo de Estado, a forma mais cruel e sangrenta de esmagar qualquer
iniciativa popular ou de resistência. Esta metodologia, da que foram parte
os exércitos de nossos países, mas também todo o aparelho repressivo
internacional movido pelos Estados Unidos implicou na mais sangrenta
repressão que tenhamos memória. Podemos falar dos trinta mil desaparecidos
na Argentina, da ditadura de <STRONG>Augusto Pinochet</STRONG>, do
“<EM>Plano Condor</EM>” para os países do sul, da promoção dos
paramilitares na Colômbia e dos “contras” nicaragüenses. Toda uma profusão
de mecanismos de morte que deixaram pisadas muito graves na nossa vida
política, em nossa cultura e no sentido da vida mesma. Mas esta época
também deixou ensinamentos e gravou com fogo a cultura política da
resistência que mais tarde ressurgiria das formas mais variadas.
<o:p></o:p></P>
<P>Não haveria que olhar este período tão só desde essa perspectiva. Para
entender sua verdadeira dimensão a ofensiva da “segurança nacional” tem
que lembrar também que o fato respondeu fundamentalmente ao objetivo de
mudar o modelo de produção de nossos países, eliminando todo vestígio de
produção industrial de grande escala, para converter-nos em provedores de
matérias primas básicas. Mais uma forma de aprofundar nossa dependência.
<o:p></o:p></P>
<P>Dali ao retorno à democracia. Estamos falando de democracias débis,
condicionadas economicamente, estruturalmente. Também social e
politicamente. Mas nosso retorno à democracia fez-se por um custo
altíssimo. Muitos companheiros e companheiras foram assassinados,
desaparecidos, mortos fisicamente. Perdemos grande parte de nossos
melhores dirigentes e até hoje nos fazem falta.<o:p></o:p></P>
<P>Os cidadãos da grande maioria de nossos países sul-americanos tivemos
de re-aprender a democracia. “Com a democracia se come, se educa, se sara”
disse alguma vez o presidente argentino<STRONG> Raúl Alfonsín</STRONG>
(1983-1989) E a realidade demonstrou que não é assim. A democracia é um
projeto vazio se carece de um projeto que lhe dê sustentação. E esse
projeto não pode ser apenas a formalidade democrática.<o:p></o:p></P>
<P>Os anos sem representação política efetiva deixaram também aos povos
sem institucionalidade política. As velhas estruturas partidárias, de
corte conservador, populista, liberal ou social-democrata não respondiam
às novas situações. Acentuou-se a crise da representatividade e os
partidos políticos se converteram em esqueletos vãos, sem sustentação e
sem sentido. <o:p></o:p></P>
<P>Quebrou-se o “contrato” político social e quem dirigia tradicionalmente
ficou assim exposta à crítica e ao desprestigio. O retorno às democracias
teve essa carência. A democracia foi ficando vazia, débil. De distintas
maneiras (porque o processo da Concertação Chilena foi diferente ao do
Brasil de <STRONG>Fernando Henrique Cardoso</STRONG> e ao argentino) todos
os países se enfrentaram à linha seguida da etapa do ajuste
neoliberal.<BR> <BR> Todos afrontaram a mesma
receita:<o:p></o:p></P>
<P>- Estado mínimo atuando como garante para o capital
privado<BR>- Privatização compulsiva dos serviços<BR>- Redução
do emprego<BR>- Contração do salário<BR>- Transnacionalização e
toma de ganâncias por parte do capital especulativo financeiro
internacional.<BR>Este é o resultado do mandado surgido em 1990 do
<EM>Consenso de Washington</EM>. Nossas economias ficaram novamente
cativas dos desígnios internacionais e não tivemos uma política forte,
capaz de dar resposta às novas circunstâncias.<o:p></o:p></P>
<P>Mas também é certo que nas penumbras do ajuste neoliberal gestaram-se
movimentos de resistência, desenvolveram-se as organizações sociais e de
base, muitas das quais foram encarregando-se das tarefas que o Estado
abandonou.<o:p></o:p></P>
<P>Se gerou então um espaço que, ao mesmo tempo em que, resistiu o ajuste
neoliberal constituiu a base mais importante de uma nova cultura política,
gerando outra agenda e um olhar baseado em direitos e na busca de
justiça.<o:p></o:p></P>
<P>Tem que se destacar o espaço da economia social, como uma tentativa
muito importante de construir alternativas. Entenda-se bem que a economia
social não é a economia dos pobres e da exclusão. É uma maneira de pensar
a economia global e total desde a perspectiva dos pobres e gerando
experiências desde uma perspectiva de solidariedade e não tão só de
acumulação de ganâncias. É um tema que tem de ser
aprofundado.<o:p></o:p></P>
<P>Todas estas organizações e iniciativas foram também a principal
sustentação da nova alvorada de governos de corte “progressista” (para
usar um apelativo comum ainda que não corresponda de maneira estrita a
todos eles) que hoje conduzem politicamente a sub-região.<o:p></o:p></P>
<P><STRONG>4. Os movimentos sociais: novos sujeitos sociais
emergentes</STRONG><o:p></o:p></P>
<P><STRONG>4.1</STRONG> <U>Alguns antecedentes
significativos</U><o:p></o:p></P>
<P>Não existe a pretensão de localizar todos os antecedentes a respeito do
surgimento dos movimentos sociais na região. A enumeração que se faz a
continuação corre o risco de deixar de fora alguns acontecimentos que
podem ser significativos a partir de diferentes olhares. No entando,
<st1:PersonName ProductID="o que se" w:st="on">o que se</st1:PersonName>
busca é colocar questões fundamentais que podem servir de referência
histórica à realidade que hoje apresentam os movimentos sociais nesta
parte do mundo. <o:p></o:p></P>
<P>A referência oas movimentos sociais na América Latina precisa fixar seu
olhar no processo histórico para encontrar ali antecedentes que nos ajudem
a explicar também o momento presente. Isto dito apesar da novidade
evidente que têm muitas das mobilizações e os movimentos
recentes.<o:p></o:p></P>
<P>Desde o final do século XIX e começos do XX a formação clássica dos
movimentos sociais na América Latina contou com uma forte influência do
anarquismo, vindo com a imigração européia, especialmente da Itália e da
Espanha. O proletariado industrial surgiu a partir da expansão
manufatureira e se desenvolveu com os processos de industrialização dos
anos trinta.<o:p></o:p></P>
<P>Na segunda década do século XX nasceram importantes iniciativas de
sindicalização do movimento operário no Peru, Argentina, Brasil e México.
A greve transformou-se na arma principal da luta reivindicativa, em
particular a favor da jornada de oito horas e a melhora das condições de
trabalho. Estes movimentos, embora conseguiram alguns dos objetivos
propostos, também foram fortemente reprimidos, como o acontecido de 1919
no Peru.<o:p></o:p></P>
<P>A revisão desta experiência e a influência da Revolução Russa vai
conduzir o alinhamento de grande parte do movimento operário
latino-americano com a Internacional Comunista.<o:p></o:p></P>
<P>O movimento operário tem sido fundamental na consolidação das lutas
reivindicatórias na região e neste sentido foi grande a contribuição do
marxismo e leninismo através dos partidos comunistas. Uma mensão especial
deve ser feita à influência que teve os altos índices de sindicalização
dos trabalhadores mineiros em países como a Colômbia, Peru e Bolívia. No
último destes países, o movimento mineiro boliviano teve um papel
protagônico na década de quarenta, sendo o ator principal da revolução
boliviana.<o:p></o:p></P>
<P>A nível campesino, é preciso situar como acontecimento fundamental a
Revolução Mexicana de 1910. neste feito o campesinato, com grande base
indígena, serviu de apoio e de base política à reforma, mesmo que suas
principais demandas, vinculadas com a posse da terra, não entraram na
agenda das principais reivindicações.<BR> <BR>Na década de vinte os
movimentos campesinos cresceram e se desenvolveram na América Central,
alimentados pela condição de exploração dos trabalhadores rurais,
submetidos pelas empresas norte-americanas que usufruíam de grandes
plantações para a exportação. Se instalou o tema da reforma agrária e
assim cresceram e se desenvolveram lideranças como a de César Sandino na
Nicarágua e <EM>Farabundo Martí,</EM> em El Salvador. <BR> <BR>Não
seria completo o olhar a respeito dos antecedentes dos movimentos sociais
na região sem uma referência ao movimento estudantil e às organizações de
classe média. <o:p></o:p></P>
<P>A reforma universitária nos anos vinte gerou uma mobilização de grande
importância e serviu para articular ações em torno da reforma dos planos
de estudo, a participação dos estudantes no governo da universidade e a
articulação do movimento estudantil com as organizações sociais e
políticas. Como dados significativos vale mencionar a reforma
universitária na Argentina (1918) e o movimento educacional mexicano dos
anos trinta. A ela precisa-se somar as tentativas de articulação entre os
movimentos in<st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>ectuais e
social ( a fundação da revista <EM>Amauta</EM> por <st1:PersonName
ProductID="José Carlos" w:st="on"><STRONG>José
Carlos</STRONG></st1:PersonName><STRONG> Mariátegui</STRONG> em Lima entre
1926-1930) e a revolução modernista no Brasil em 1922.<o:p></o:p></P>
<P>Neste elenco de antecedentes não se pode deixar de lado os movimentos
populares e populistas que articularam o movimento operário, os movimentos
sociais e as novas formas de organização política. Nesta linha se localiza
o varguismo no Brasil, o peronismo na Argentina, o cardenismo relacionado
com a revolução mexicana, o movimento liderado por Jacobo Arbenz na
Guatemala em 1952 e o movimento revolucionário boliviano que combina do
campesinato com os mineiros.<o:p></o:p></P>
<P>Entre os marcos históricos é necessário apontar: a Revolução Cubana
(1959), o Governo da Unidade Popular no Chile (1970-73), o regresso do
peronismo com <STRONG>Hector Cámpora</STRONG> e <STRONG>Juan Diego
Perón</STRONG> na Argentina (1973-76) e o governo de <STRONG>Velasco
Alvarado</STRONG> no Peru a partir de 1968. Muito mais tarde, em
<st1:metricconverter ProductID="1979, a" w:st="on">1979,
a</st1:metricconverter> Revolução Sandinista na Nicarágua.<o:p></o:p></P>
<P>Todos estes acontecimentos foram contribuindo com a construção de uma
agenda que depois seria retomada também pelos movimentos
sociais.<o:p></o:p></P>
<P>Os principais temas dessa agenda nos anos posteriores
seriam:<o:p></o:p></P>
<P> A questão campesina<SPAN
style="FONT-FAMILY: Symbol; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'; mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol"><SPAN
style="mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol">§</SPAN></SPAN><BR> Os
direitos indígenas<SPAN
style="FONT-FAMILY: Symbol; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'; mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol"><SPAN
style="mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol">§</SPAN></SPAN><BR> A
propriedade da terra<SPAN
style="FONT-FAMILY: Symbol; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'; mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol"><SPAN
style="mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol">§</SPAN></SPAN>
e a reforma agrária<o:p></o:p></P>
<P><st1:metricconverter ProductID="4.2 A" w:st="on"><STRONG>4.2</STRONG>
<U>A</U></st1:metricconverter><U> emergência dos novos movimentos
sociais</U><o:p></o:p></P>
<P>Corre-se o risco de simplificação ao se falar dos novos movimentos
sociais, pois não existe uma caracterização que contemple a todos
eles.<o:p></o:p></P>
<P>Segundo <STRONG>Boaventura de Sousa Santos</STRONG> as
características próprias destes movimentos na América Latina é a de
introduzir “novos fatores (…) na relação regulação-emancipação e na
relação subjetividade-cidadania”, entendendo que “a maior novidade dos
novos movimentos sociais reside em que constituem tanto uma crítica de uma
regulação social capitalista, como uma crítica da emancipação social
socialista tal como foi definida pelo marxismo”.<o:p></o:p></P>
<P> E acrescenta que “a denuncia de novas formas de opressão implica,
pois, a crítica ao marxismo e ao movimento operário tradicional, assim
como a crítica ao chamado ‘socialismo real’. O que é visto por estes como
fator de emancipação (o bem-estar material, o desenvolvimento tecnológico
das forças produtivas) se transforma, nos novos movimentos sociais, em
fator de regulação. Por outro lado, porque as novas formas de opressão se
revelam discursivamente nos processos sociais onde se forja a identidade
das vítimas, não há uma pré-constituição estrutural dos grupos e dos
movimentos de emancipação, por isso o movimento operário e a classe
operária não têm uma posição privilegiada nos processos sociais de
emancipação”. <o:p></o:p></P>
<P>Em tanto e em quanto estes chamados novos movimentos sociais cresceram
e se desenvolveram no marco do período do apogeu neoliberal, podem
caracterizar-se como novas formas de resistência, entre outras razões
porque os problemas econômicos colocaram estas organizações na defensiva.
Entre outros faotres, precisa-se considerar a inflação, o desemprego, a
deteriorização dos níveis salariais, a falta de investimentos e a perda da
qualidade de vida. <o:p></o:p></P>
<P>Tudo o que foi acima citado resulta em ruptura dos laços sociais, com o
aumento da violência, da criminalidade e do consumo de drogas. Todas estas
são conseqüências do recente avanço do neoliberalismo.<o:p></o:p></P>
<P>Neste cenário de crise crescem e se desenvolvem os novos movimentos
sociais. Enraizados nas tradições que antes mencionamos, porém tomados e
exigidos pelas novas urgências e pela necessidade de dar respostas às
demandas dos setores de base.<o:p></o:p></P>
<P>Não se pode deixar de lado que o ajuste e a rescisão neoliberal se fez
também sobre a base da repressão institucional e, em alguns casos, com
regimes autoritários.<o:p></o:p></P>
<P>Enquanto o movimento operário buscou reorganizar-se de maneira
sumamente cuidadosa, com uma cau<st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>a que se misturou, mais de uma vez e
conforme os casos, com negociações com o poder em busca da sobrevivência,
o movimento estudantil praticamente desapareceu.<o:p></o:p></P>
<P>Apareceram, então, novas formas de organização, na forma de movimentos
sociais, que no começo tomaram características próprias de reivindicações
liberais muito rpóximas aos princípios da democracia tradicional (o voto,
os direitos individuais, etc). Ainda que também pode-se advertir a
continuidade das demandas mais clássicas, como a luta por melhores
salários, a defesa da terra e a reforma agrária, entre
outras.<o:p></o:p></P>
<P>Em um primeiro momento estes movimentos se localizaram fora dos
partidos tradicionais, buscando sua própria autonomia, mas também para não
contaminar-se com o desprestígio sempre crescente das forças
políticas.<o:p></o:p></P>
<P>Os <U>temas da agenda foram</U>:<BR> <BR><STRONG><SPAN
style="FONT-FAMILY: Symbol; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'; mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol"><SPAN
style="mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol">§</SPAN></SPAN></STRONG> A
defesa dos direitos humanos<BR><STRONG><SPAN
style="FONT-FAMILY: Symbol; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'; mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol"><SPAN
style="mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol">§</SPAN></SPAN></STRONG> O
meio ambiente<BR><STRONG><SPAN
style="FONT-FAMILY: Symbol; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'; mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol"><SPAN
style="mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol">§</SPAN></SPAN></STRONG> Os
direitos da mulher<BR><STRONG><SPAN
style="FONT-FAMILY: Symbol; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'; mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol"><SPAN
style="mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol">§</SPAN></SPAN></STRONG> A
defesa das minorias<BR><STRONG><SPAN
style="FONT-FAMILY: Symbol; mso-ascii-font-family: 'Times New Roman'; mso-hansi-font-family: 'Times New Roman'; mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol"><SPAN
style="mso-char-type: symbol; mso-symbol-font-family: Symbol">§</SPAN></SPAN></STRONG> A
propriedade da terra<o:p></o:p></P>
<P>Estes novos temas se incorporaram aos anteriores e se misturaram, sem
muita claridade na agenda dos movimentos, entre outras coisas porque se
tornou difícil a articulação política e organizativa. Embora falou-se
muito de “redes” e “articulações” nenhuma delas se conseguiu com
facilidade, especialmente porque tornou-se difícil renunciar os
interesses particulares e setoriais. Nisto haveria que contabilizar o
déficit de atividade política que deixaram como seqüela as ditaduras e os
governos autoritários.<o:p></o:p></P>
<P>Precisa-se levar em conta, no entanto, que em alguns casos, como no
Brasil, gerou-se também um processo pelo qual os movimentos pretenderam
dar um salto à política partidária. É o que aconteceu no Brasil
através do <STRONG>PT</STRONG> como canalizador das iniciativas e das
reivindicações dos movimentos diversos.<o:p></o:p></P>
<P>Outros, como o <STRONG>MST</STRONG> (Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra) continuam afirmados na luta pelo território e pelos direitos do
povo campesino. Sua vinculação com a política continua sendo
reivindicativa, ainda que desenvolvam tarefas políticas em função de um
projeto mais amplo, o olhar tende a fortalecer mais ao movimento em função
dos objetivos próprios que a propor-se diretamente como objetivo a tomada
do poder. Inclusive sua política de alianças tem mais a ver com o primeiro
do que com a tomada de poder no Estado, ao que continua-se considerando em
termos burgueses e distante da democracia popular.<o:p></o:p></P>
<P>Tão pouco há que desestimar o que tem significado como fenômeno novo a
globalização da luta dos movimentos sociais. A realização dos Fóruns
mundiais nos quais defendeu-se a idéia de “outro mundo possível” se
converteu em um importante alimentos dessas iniciativas, mas também em uma
possibilidade de intercâmbio, de crescimento, de enriquecimento dos
diferentes atores.<o:p></o:p></P>
<P>A questão indígena requer uma referência particular, pois tem se
tornado relevante em toda a região na última década. Certamente, um fato
sumamente significativo foi o levantamento <STRONG>zapatista</STRONG> na
selva Lacandoma no México em 1994. pela legitimidade das reclamações, mas
também pela originalidade metodológica, o zapatismo, relacionando demandas
indígenas e campesinas, tornou visível e alentou a emergência de outras
manifestações culturais e políticas dos povos originários.<o:p></o:p></P>
<P>Hoje é preciso olhar com especial atenção ao governo <STRONG>Evo
Morales</STRONG> na Bolívia, apoiado em um forte conteúdo étnico, porém
também a emergência dos movimentos de raiz indígena no Equador, em bom
diálogo com Correa, no Peru, onde foram brutalmente reprimidos, e no
Brasil, onde não conseguiram transcender com suas
reivindicações.<o:p></o:p></P>
<P>E nesta etapa a agenta voltou a enriquecer-se com novos temas. Assim
começou-se a falar do indigenismo não somente como movimento
reivindicativo étnico, mas também como crítica cultural, dos
afroamericanos, das questões de gênero e meio ambiente e da qualidade de
vida, entre outros.<o:p></o:p></P>
<P><st1:metricconverter ProductID="4.3 A" w:st="on"><STRONG>4.3</STRONG>
<U>A</U></st1:metricconverter><U> questão da
intersubjetividade</U><o:p></o:p></P>
<P>Quando se fala destes novos movimentos sociais surge rapidamente o tema
da intersubjetividade para explicar que a luta emancipatória destes grupos
não se formula em termos de objetivos políticos encaminhados à tomada do
poder, antes, pessoal, social e cultural. Disto também se desprende a
agenda, onde aparecem temas diretamente vinculados a estas reivindicações:
ambiente, qualidade de vida, direitos, justiça, paz, etc.<o:p></o:p></P>
<P>A categoria classe, próprias das litas inspiradas no marxismo, tem sido
claramente deslocadas pelo conceito de setores e grupos sociais. Porém, ao
mesmo tempo as reivindicações que se postulam vão desde a mudança do
modelo global (uma aspiração muito além da luta pelo poder político
imediato) até demandas locais (água, serviços, educação ou direito à
comunicação)<o:p></o:p></P>
<P>Geralmente não existe um referente organizador que uma as diferentes
demandas. Isto torna difícil a coincidência e a articulação, que vão além
das articulações ocasionais ou conjunturais.<o:p></o:p></P>
<P>Existe, no entanto, um debate a respeito de se estas reivindicações são
novas em si mesmas ou formam parte da agenda anterior e nunca concluída
dos antigos movimentos sociais e políticos. <o:p></o:p></P>
<P>O que sim deve ficar claro é que diferentemente dos antigos movimentos
que se moviam no espaço do Estado, estes novos movimentos reivindicativos
se localizam claramente no cenário da sociedade civil. O acesso destes
últimos ao estado acabou cooptando-os e absorvendo suas demandas como
forma de controle por parte do poder político.<o:p></o:p></P>
<P>De fato, não é o caso de colocar uma falsa oposição ou uma opção entre
uns e outros. São parte dos dinamismos presentes e complementários. É
certo também que, até o momento na América Latina não se construiu opções
políticas que permitam uma sinergia entre estes dois movimentos como parte
da consolidação de uma alternativa política diferente. Pois seria
equivocado pensar que da parte dos novos movimentos existe uma repulsa da
política em seu sentido tradicional. Trata-se, ao contrário, de uma
ampliação do sentido da política, que tem que ser complementaria de outras
formas para gerar perspectivas de mudança.<o:p></o:p></P>
<P>Há nos novos movimentos outra concepção de poder e da forma de fazer
política. Existe um regresso à idéia da base e da comunidade como origem e
legitimidade da política, que orienta necessariamente em direção a outras
formas de estruturar a organização e a distribuição do poder. Há aqui uma
contradição importante com as velhas estruturas políticas e com sua
metodologia de acúmulo do poder. Esta também é uma fonte de diferenças e
uma tensão não resolvida.<o:p></o:p></P>
<P>Daí deriva também uma contradição real entre a tradicional democracia
representativa e a democracia participativa que propunham os novos
movimentos. O real é que uma não pode existir sem a outra. Aqui voltamos
sobre o olhar anterior a respeito da busca da complementaridade e a
sinergia.<o:p></o:p></P>
<P>Assim como assinala <STRONG>Martín Retamozo</STRONG> é preciso pensar
“em duas lógicas de intervenção política” dentro das quais os movimentos
sociais implicam “um processo de conformação de subjetividades coletivas,
uma articulação de demandas e a consecução de processos de ação e
identidade coletiva”. E acrescenta que “como forma de intervenção dos
setores subalternos, os movimentos sociais podem ser concebidos operando
no espaço da disputa da origem social, questionando certa estruturação que
outorga nomes e determinados nós que seguram a ordem de dominação”.
<o:p></o:p></P>
<P><STRONG>5. Os governos “progressistas”</STRONG><o:p></o:p></P>
<P>No final do ano passado se completaram dez anos da chegada de
<STRONG>Hugo Chávez</STRONG> no poder (06 de dezembro de 1998). Foi este o
acontecimento que inaugurou uma nova etapa nesta parte do mundo , o
que denominaremos como governos “progressistas”.<o:p></o:p></P>
<P>Quais foram as características comuns que, indo além das diferenças,
podem ser atribuídas a estes governos que chamamos
“progressistas”?<o:p></o:p></P>
<P><STRONG>1</STRONG>. O rechaço ao neoliberalismo e, de modo geral,
a todas as políticas derivadas do Consenso de
Washington<BR><STRONG>2</STRONG>. Políticas econômicas destinadas a
consolidar a produção local e o mercado
interno.<BR><STRONG>3.</STRONG> Complementariamente ao item anterior,
um reforço dos processos de integração econômica regional e proteção de
mercados. <BR><STRONG>4.</STRONG> Níveis mais elevados de integração
política e atuação conjunta em defesa dos interesses deste grupo de
países. <BR><STRONG>5.</STRONG> Reafirmação do sistema político
democrático e tentativa de recriar a política mediante a integração dos
movimentos sociais e organizações de base.<o:p></o:p></P>
<P>Nesta caracterização pode-se incluir os governos de<STRONG> Luiz Inácio
Lula da Silva</STRONG> (Brasil), <STRONG>Michelle Bachelet</STRONG>
(Chile), <STRONG>Evo Morales</STRONG> (Bolívia) <STRONG>Néstor
Kirchner</STRONG> e <STRONG>Cristina Fernández de Kirchner</STRONG>
(Argentina), Tabaré <STRONG>Vázquez (</STRONG>Uruguai), <STRONG>Rafael
Correa</STRONG> (Equador) e finalmente <STRONG>Fernando Lugo</STRONG>
(Paraguay). São, na verdade, estes sete presidentes os que sintetizam esta
nova etapa latino americana. <o:p></o:p></P>
<P>Menção à parte mereceria a passagem de <STRONG>Martín Torrijos</STRONG>
pela presidência de Panamá e o retorno de <STRONG>Daniel Ortega</STRONG> à
presidência da Nicarágua.<o:p></o:p></P>
<P>Porém, seguindo o caso dos governos anteriormente mencionados, devem-se
distinguir pelo menos dois processos bem diferenciados para fornecer
conclusões semelhantes na política. <o:p></o:p></P>
<P>O primeiro caracterizou-se pela emergência dos movimentos sociais e
populares, também aqueles gestados em tempos de resistência, derrotando
dirigentes políticos e governos neoliberais. <o:p></o:p></P>
<P>Neste caso podem escrever-se Venezuela, Bolívia e
Equador.<o:p></o:p></P>
<P>Diferentemente, tanto no Brasil, como no Uruguai a mudança produziu-se
por um processo de acumulação eleitoral e de construção política de longo
tempo realizada em um caso pelo <STRONG>PT</STRONG> e no outro pela
<STRONG>Frente Ampla. </STRONG><o:p></o:p></P>
<P> A Argentina é um caso particular, onde se somam diferentes
fatores, porém com grande predominância do primeiro modelo. O Paraguai é
uma combinação de ambos. <o:p></o:p></P>
<P> O pesquisador uruguaio <STRONG>Raúl Zibecchi</STRONG> caracteriza
estes governos, apesar de suas diferenças, da seguinte
maneira:<o:p></o:p></P>
<P>“1. (…) Têm algo fundamental em comum: a preocupação da centralidade do
Estado, transformado em sujeito das
mudanças.<BR>“<st1:metricconverter ProductID="2. A" w:st="on">2.
A</st1:metricconverter> marginalização dos movimentos que na década de
1990 e prencípios de 2000 eram os protagonistas da resistência
neoliberal. <BR> 3. A contradição dominante passou a ser entre
os governos e as direitas, uma mudança que arrastou os movimentos sociais
para uma tormenta estatal da qual uma porção fundamental ainda não
conseguiu sair.<BR> “4. Existem algumas tendências, ainda dispersas,
que apontam para a recuperação dos movimentos sobre novas bases e em base
a novos temas e formas de intervenção. <o:p></o:p></P>
<P>Não somente aderimos a esta caracterização, mas também assumimos ao
mesmo tempo em que se coloca uma questão entre os governos e estes
movimentos, muitos dos quais, pelo menos numa primeira etapa, não puderam
superar o risco da subordinação ao Estado. <o:p></o:p></P>
<P>No fundo desta análise o que continua vigente é a questão não resolvida
da alternativa política em nossos países. De sete ou oito anos atrás,
até esta data, a maioria de nossos países viveram períodos
econômicos de crescimento nunca vistos antes, como resultado do
crescimento dos preços internacionais de nossas matérias-primas. Melhorou
nossa posição relativa no mercado internacional. <o:p></o:p></P>
<P>O anterior se refletiu em índices do <STRONG>PIB</STRONG> porém, tal
como assinalamos no começo deste trabalho, não se traduziu em
distribuições significativas da riqueza, apesar de que este propósito
sempre esteve presente no discurso dos governantes de cada
tempo.<o:p></o:p></P>
<P>Pode-se dizer, então, que os chamados governos progressistas, embora
tenham dado passos importantes para sanar muitas seqüelas instaladas
na ofensiva neoliberal, não puderam resolver questões econômicas de base,
como é, em essência, a instalação de um modelo diferente que gere maior
justiça e equidade. A economia melhorou em termos gerais, os índices são
melhores para todos e como conseqüência disso também diminuiu a
percentualmente a pobreza. Porém, as condições estruturais não
variaram.<o:p></o:p></P>
<P>Como conseqüência, persiste o agudo processo de concentração da riqueza
em poucas mãos, não se detiveram na saída de capitais e os limites à
intervenção estrangeira na região são mais de cunho político e discursivo
do que real. <BR> <BR>Não obstante o anterior, está claro, tal como
afirma <STRONG>Zibecchi</STRONG>, que o enfrentamento atual e entre os
governos e as direitas, porque os grupos econômicos querem impedir, de
todas as formas, a perda de privilégios e, inclusive, a derrota
ideológica. <o:p></o:p></P>
<P>A nível político se nota maior autonomia em relação às potências
externas à região, e maior construção coletiva de critérios comuns de
política internacional. A integração avançou em termos econômicos (há
maior complementação comercial e financeira) porém muito menos em outros
níveis como o político, o social e o cultural. <o:p></o:p></P>
<P> Não existe também uma reforma do Estado que o posicione
<st1:PersonName ProductID="em outro lugar. Ainda" w:st="on">em outro
lugar. Ainda</st1:PersonName> que haja diferenças entre os países (Chile,
por exemplo, tem um Estado mais eficiente em relação aos demais) não é
possível devolver ao Estado tarefas que lhe foram tiradas, sem rediscutir
o papel do Estado e fornecer-lhe as ferramentas e os recursos necessários.
Este trabalho está pendente.<o:p></o:p></P>
<P>Porém, um dos grandes déficits destes governos tem sido, por diferentes
razões, a reforma política. A Venezuela, com <STRONG>Chávez</STRONG>,
pretende uma reforma político cultural para desterrar o modelo liberal
republicano clássico. A Bolívia iniciou um caminho semelhante, porém está
atravessada pela disputa étnica, territorial e econômica. O presidente
<STRONG>Correa</STRONG> no Equador é quem parece avançar com maior
firmeza, ainda que com maior prudência e lentidão, por esse caminho que
supõe a difícil integração entre o novo e o velho, entre os novos
movimentos e a antiga política. E isso deve-se fazer dando aos atores
emergentes um papel protagônico que lhes permita conduzir o processo.
<o:p></o:p></P>
<P>Tanto na Argentina quanto no Brasil uma das maiores dificuldades tem
sido encontrar a maneira deintegrar os novos movimentos sociais na gestão
política e na gestão do Estado. Em determinado momento pensou-se que estes
movimentos poderiam oxigenar a política, reformá-la, dar-lhe outra tônica.
<o:p></o:p></P>
<P>Hoje fica claro que as figuras chaves da política se repetem e, salvo
exceções, as lideranças sociais não extravasam até as filas políticas e
que as metodologias dos partidos não se modificaram de maneira
substancial. <o:p></o:p></P>
<P>No Brasil, Argentina, Chile e Uruguai os processos eleitorais que se
aproximam não garantem a consolidação do mesmo estilo de governo. Podem
produzir-se, em todos estes casos, regressões importantes com a
conseqüente restauração de práticas políticas e econômicas que exigiram
grande esforço para serem transformadas. <o:p></o:p></P>
<P>A gestão de <STRONG>Fernando Lugo</STRONG> no Paraguai está rodeada de
muita falta de recursos humanos e materiais. O processo político social
ali é sumamente instável e não existem garantias que permitam olha o
futuro com otimismo. Ninguém pode esquecer que a ditadura de
<STRONG>Alfredo Stroessner</STRONG> ainda tem seus rastos marcados no
cotidiano dos paraguaios e na sua cultura política. O desafiu é
reconstruir o país. Tarefa extremamente difícil. <o:p></o:p></P>
<P>Em síntese, é preciso dizer que não há uma nova forma de fazer política
que haja iluminado a sombra destes novos governos progressistas. Haverá
que esperar, não obstante, a evolução da realidade na Venezuela, Bolívia e
Equador onde parece gestar-se uma revolução político cultural de maior
envergadura. <o:p></o:p></P>
<P>Sim haveria que trabalhar em cima dos aprendizados feitos, sobre as
formas de participação popular, sobre as experiências de gestão, sobre as
práticas de democracias participativa que vem sendo geradas. Há ali um
caudal de experiências e uma massa crítica que não pode ser
desaproveitada. <o:p></o:p></P>
<P>O Peru e a Colômbia mereceriam uma análise particular que não cabe
neste trabalho. Basta dizer que no momento representam, especialmente
Colômbia com a presidência de Uribe, o vozerio mais importante da visão
neoliberal da história e os intérpretes mais claros dos interesses dos
Estados Unidos na região.<BR> <BR><STRONG>6. Alguns temas para
continuar aprofundando.</STRONG><BR> <BR> Sem nenhuma pretensão
de concluir, queria deixar alguns temas abertos para <st1:PersonName
ProductID="o debate" w:st="on">o debate</st1:PersonName>: <o:p></o:p></P>
<P><STRONG>a.</STRONG> Foram feitos avanços no campo econômico,
porém, a falta de reformas estruturais e a interdependência que instala o
capitalismo global, não permitem afirmar a irreversibilidade dos avanços
conquistados nos últimos anos em nossos países. <o:p></o:p></P>
<P><STRONG>b.</STRONG> Em matéria política notam-se dois processos
bem diferentes. Venezuela, Bolívia e Equador avançam em reformas políticas
que têm componentes culturais muito fortes, apoiados nos indígenas,
mestiços e afroamericanos. Nos demais países as reformas econômicas não
foram acompanhadas por mudanças políticas de transcendência que melhorem a
qualidade da participação e abram um novo tipo de liderança e de
participação. <o:p></o:p></P>
<P><STRONG>c</STRONG>. Os novos movimentos sociais aportam uma
riqueza muito importante ao cenário, porque melhoram a agenda e regeneram
a participação. No entanto, faltam modos de integração entre estes e a
política para aumentar seu poder e capacidade de incidência em relação à
gestão do Estado sem que por isso terminem sendo finalmente cooptados por
este. Assim colocados, estes movimentos continuam ocupando a função da
resistência e da crítica, porém distante da tomada de decisões.
<o:p></o:p></P>
<P><STRONG>d.</STRONG> O espaço da comunicação é um âmbito de luta
simbólica pelo poder. Ali se constroem sentidos interpretativos e os
diferentes atores buscam consolidar sua hegemonia a partir do discurso.
Nos dias de hoje a comunicação é um âmbito controlado por grandes grupos
econômicos concentrados e os setores e grupos populares estão totalmente à
margem. Democratizar a comunicação e por em prática o direito efetivo à
comunicação parece ainda uma meta muito distante, ainda que essencial à
democracia. <o:p></o:p></P>
<P><STRONG>e.</STRONG> Para além do discursivo, o processo de
integração se fragiliza também pelo efeito da crise econômico financeira
dos países centrais que geram o processo de retratação e políticas de
proteção das economias nacionais que afetam o processo integrador. No
econômico, para mencionar dois temas chaves, é preciso avançar mais
rapidamente na idéia do banco comum e de uma moeda única para todos os
países. São ferramentas indispensáveis que só se alcançarão diminuindo as
diferenças relativas e com grande vontade política. <o:p></o:p></P>
<P><STRONG>f</STRONG>. A integração de nossos países continua
precisando de um olhar mais horizontal e não limitado à economia. Não há
integração política horizontal e tampouco em outros aspectos sociais e
culturais. A agenda da integração continua sendo econômica, quando não
meramente tributária. Precisamos ferramentas políticas de integração
construídas desde baixo e os movimentos sociais e as organizações
populares têm que por o tema da integração na agenda de suas prioridades.
Quem com maior consciência faz uma contribuição neste sentido, até agora,
tem sido os povos indígenas, também porque superam o marco das
reivindicações para fazer uma crítica cultural e radical a todo o sistema.
<o:p></o:p></P>
<P><STRONG>g</STRONG>. A crescente urbanização, o aumento da
comercialização de droga e a indigência de muitos, fazem um
coque<st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName> sumamente perigoso que
aumenta a criminalidade e a violência. Não aparecem alternativas à vista e
antes que respostas integrais repetem-se receitas que propõe maior
segurança somente com violência e repressão. <o:p></o:p></P>
<P><STRONG>h.</STRONG> Existem grandes setores da juventude que, por
todos os fatores mencionados vêem com pessimismo seu futuro e adotam uma
atitude agressiva ao seu meio, que conduz a muitos episódios de violência
de todo tipo. A sociedade e os dirigentes assistem com medo e desconcerto,
quando não com xenofobia e demandas de repressão, estas situações para as
quais não aparecem soluções sociais, políticas e econômicas à
mão.<BR> <BR><STRONG>i</STRONG>. A questão ecológica, sobre a
diversidade e a água como recurso indispensável está surgindo a cada dia
com mais força. Outra vez são os povos originários os principais
responsáveis por esta reivindicação. É preciso investigar, denunciar e
debater uma agenda específica sobre estes pontos, convertendo-os em
questão central do debate político. <o:p></o:p></P>
<P>Estes e, certamente outros são os problemas, mas também os desafios.
Conjunturalmente vvive-se um momento de incertezas a respeito do futuro
imediato. No entanto, existem reservas espirituais e políticas, para
aprofundar e melhorar o caminho traçado nos últimos anos. Faz falta
investir em criatividade e vontade para cimentar a solidariedade e a
esperança. É necessário que os novos atores se unam, construam redes e
alimentem os processos de integração ainda que por cima dos Estados e dos
governos. <o:p></o:p></P>
<P>A tarefa será sempre a de preservar e construir. Sem pressa e sem
pausa. Porque, como bem o escreveu <STRONG>Antônio Machado</STRONG>: “A
história não caminha ao ritmo de nossa impaciência”. É preciso alimentar a
esperança com a certeza de que o futuro é múltimplo e está por
construir-se. O que hoje façamos configura o cenário de amanhã. E fazer a
história é nossa principal responsabilidade. Porque, como diz Eduardo
Galeano: “ao fim e ao cabo, somos o que fazemos para mudar o que somos”.
<o:p></o:p></P>
<P>Curitiba (Brasil), 20 de junho de 2009.<o:p></o:p></P>
<P> ________________<o:p></o:p></P>
<P><STRONG>Bibliografia:</STRONG><o:p></o:p></P>
<P>BORON, Atilio; “<EM>Globalización y problemas del desarrollo</EM>”,
Conferencia dictada en el XI Encuentro Internacional de Economistas, La
Habana, 2-6 marzo de 2009 <BR>DOS SANTOS, Theotonio; <EM>De la resistencia
a la ofensiva: el programa alternativo de los movimientos</EM>
sociales.OSAL 65, Año V no. 15, setiembre-diciembre 2004. <A
href="http://168.96.200.17/ar/libros/osal/osal15/dossantos15.pdf">http://168.96.200.17/ar/libros/osal/osal15/dossantos15.pdf</A>.
<BR>Consultado 17.06.09<BR>ZIBECCHI, Raúl; ¿<EM>Autonomía o nuevas formas
de intervención? La compleja relación entre gobiernos y movimientos</EM>.
2009. <A
href="http://www.ircaamericas.org/esp/5807">http://www.ircaamericas.org/esp/5807</A>
Consultado 28.05.09<o:p></o:p></P>
<P><o:p> </o:p></P></TD></TR></TBODY></TABLE>
<P class=MsoNormal
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