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<BODY bgColor=#ffffff>
<DIV><FONT face=Forte color=#ff0000 size=6>Carta O Berro<FONT
size=3>...................................................................................repassem</FONT></FONT></DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">
<DIV> </DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: -14.2pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l1 level1 lfo1"><SPAN><STRONG><FONT
size=4><SPAN style="mso-list: Ignore"><SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'"><FONT size=5><FONT size=2>----- Original
Message ----- </FONT></P>
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><STRONG><FONT size=2>From:
</FONT></STRONG><A title=caiquemiranda@globo.com
href="mailto:caiquemiranda@globo.com"><STRONG><FONT size=2>Carlos Henrique
Tibiriçá
Miranda</FONT></STRONG></A><STRONG> </STRONG><STRONG>
</STRONG><FONT size=1></DIV>
<P><STRONG><FONT
size=5>
A NATUREZA DA CRISE E SUAS CIRCUNSTÂNCIAS PARA O BRASIL</FONT><FONT
size=4> por João Pedro Stédile</FONT></STRONG></P>
<P><STRONG><FONT size=5>- </FONT><FONT size=3>PARTE II -
FINAL</FONT></STRONG></P></FONT></FONT></SPAN></SPAN></FONT></STRONG></SPAN>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: -14.2pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l1 level1 lfo1"><SPAN><STRONG><FONT
size=4><SPAN style="mso-list: Ignore"><SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'"><FONT
size=5><STRONG></STRONG></FONT></SPAN></SPAN></FONT></STRONG></SPAN> </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: -14.2pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l1 level1 lfo1"><SPAN><STRONG><FONT
size=4><SPAN style="mso-list: Ignore"><SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'"><FONT
size=5><STRONG>3 .</STRONG></FONT> </SPAN></SPAN>Como a direita trata
o tema da crise na imprensa:</FONT></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify"><o:p> </o:p></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 18pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Qual
é o discurso da direita brasileira hoje nos meios de comunicação? Primeiro, de
que a crise é de todos. Segundo, que não se sabe por que, de repente, caiu de
pára-quedas. A crise não tem culpado. Ela apareceu no jornal nacional: “Estamos
em crise”. Poderia ter sido anunciada pela menina do meteriológico lá: “pessoal,
vai ter chuva no nordeste, seca no sul e para todos, crise!” Uma obra
assim...</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Bem
se a crise é todos e não tem culpados, o governo tem que fazer alguma coisa, né,
pra eles. Pra salvar as empresas brasileiras. Então, tudo se justifica. Alguém
fez alguma crítica aos 4 bilhões que o Banco do Brasil pegou do nosso dinheiro
pra salvar o banco Votorantim? Quatro bilhões num cheque só do presidente do
Banco do Brasil! Pra salvar o banco Votorantim. Coitado do Antonio Ermírio né! O
sujeito é trabalhador, ele levanta mais cedo, e as 5 horas já está trabalhando.
</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Quarta
falácia da imprensa burguesa sobre a crise. “Pessoal, é grave, mais vai passar
rápido”. Parece aquelas vacinas em criança: “dói, mas vai passar rápido, viu!”.
É isso que eles ficam dizendo pra população. No entanto, se alguém resolver
criticar, ou se levantar, que a burguesia está exigindo? Criminalização! O MST
está apanhando por antecipação. Nós estamos sendo reprimidos toda semana. Ontem
mesmo, tô aqui puto da cara, porque despejaram uma área <st1:PersonName
w:st="on" ProductID="em Minas Gerais">em Minas Gerais</st1:PersonName>, com
cento e poucas famílias, que estavam há doze anos, já com casa de material,
chiqueiro, aí vem a polícia militar com a tropa de choque, com aqueles
tratores... destruíram tudo! Porque um juizinho de primeira instância deu uma
liminar, sendo que o proprietário da terra deve ao Banco do Brasil 70 milhões!
Mas ninguém analisa. Mas por que tanta repressão? Nós estamos analisando que
estamos apanhando por antecipação. Ou seja, “vamos bater<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>nos que reclamam pros outros ficarem
quietos”. Então, faz parte dessa ideologia dos meios de comunicação. Todo dia
falam mal do MST. Mas não vai ser só do MST. Deixa os petroleiros continuarem a
fazer mais uma grevinha que eles pegam os petroleiros também. Se alguém lutar,
eles reagem, repressão!.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify"><o:p> </o:p></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: -14.2pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l1 level1 lfo1"><SPAN><FONT
size=4><STRONG><SPAN style="mso-list: Ignore"><SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'"><FONT
size=5>4.</FONT></SPAN></SPAN>Perspectivas para a classe trabalhadora
brasileira</STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: -14.2pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l1 level1 lfo1"><SPAN><FONT
size=4><STRONG><o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN> </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Bem,
agora, nos últimos 10 minutinhos, as perspectivas para a classe trabalhadora.
</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Primeiro,
vocês já sabe, nós estamos ferrados. Grande novidade! </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Então,
o primeiro aspecto que eu queria comentar, é que o contexto histórico da luta de
classes no Brasil é adverso para a classe trabalhadora. Ou seja, a crise, embora
gere contradições que depois nós vamos ver, mas ela veio num momento muito ruim,
porque justamente desde a derrota política que nós tivemos de 1989 até agora, na
nossa opinião nós vivemos num descenso do movimento de massas. Uma derrota
política da classe trabalhadora. Qual foi a última greve geral que nós fizemos?
Qual foi a grande última manifestação? Até pros comícios políticos! Se os
políticos não levarem Chitãozinho e Chororó, “Frique-frique e Frique-Fró” e as
saias cada vez mais levantadas, o povo não vai nem pra 1º. De maio. Isso reflete
o descenso do movimento de massas, a situação adversa que a classe trabalhadora
está vivendo. Então nós estamos vivendo um momento muito difícil pelo descenso
do movimento de massas, pela derrota ideológica que nós sofremos. A vitória
hegemônica do neoliberalismo que agora nós estamos vendo. Sei que muitos aqui
são estudantes universitários: o que a universidade está produzindo nos últimos
10 anos? Um monte de cabeça vazia que dá dó. Agora que nós estamos percebendo o
desastre que foi o neoliberalismo dentro da Universidade. No período anterior, a
PUC foi um dos pólos da resistência contra a ditadura, e agora é pólo de
resistência a quê? Não vou botar a culpa nos estudantes. Dizer que o mundo
acadêmico, o mundo estudantil é reflexo dessa correlação de forças adversa que a
classe trabalhadora tá vivendo. E reflexo da derrota ideológica que a classe
trabalhadora sofreu com o neoliberalismo que afetou todos os setores. Quem fala
em socialismo hoje? Deus me livre! Já tem que acrescentar outros adjetivos:
democrático, plural, num sei o quê... Socialismo é socialismo! Socialização da
propriedade dos meios de produção, ponto! Democracia é o que se refere ao regime
político, como é que você vai organizar o poder político da sociedade.
Socialismo como modo de produção, não tem subterfúgio! Mas é difícil, viu!</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Então,
desse contexto que vem desses últimos anos, é infelizmente o baixo nível
político e cultural de nosso povo. Claro que o povo é a única força capaz de
fazer mudança. E precisamente, por ser o único que pode mudar, olhando pra ele,
você percebe. Porque é um povo que tá sendo muito ludibriado pela televisão,
pelos políticos, e por tudo quanto é porcaria. Quer dizer, falta uma tradição
ideológica e cultural. Olha os níveis de leitura! Não é brincadeira, nossa
sociedade ainda é herdeira de 400 anos de escravidão. Não é brincadeira que
Buenos Aires tenha mais livraria que todo o Brasil junto. É isso que é o
reflexo. Não é brincadeira que a Folha de São Paulo, desde 89 venha diminuindo o
número de seus leitores! (isso é uma notícia boa)! É uma pena que seja só na
classe média, mas é reflexo. Aqui não tem tradição de leitura. Nós somos uma
classe trabalhadora empobrecida culturalmente, politicamente. E isso afeta a
reação.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Bem,
sigo. Diante desse cenário tão complexo, as forças que procuram se organizar e
lutar contra a crise, hoje, no meu modo de entender, se aglutinam em torno de 3
alternativas, que, ao longo do seminário, devem ter estado presente aqui.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.45pt; TEXT-INDENT: -18pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo2"><SPAN
style="mso-bidi-font-family: Calibri"><SPAN style="mso-list: Ignore">a)<SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">
</SPAN></SPAN></SPAN>A primeira alternativa, é um grupo de forças populares que
dizem, bom: “frente à crise, socialismo já!”. “Não há mais saída para o
capitalismo, ‘bá-bá-bá’, socialismo!”. É fácil de identificar, não é nenhuma
avaliação, só estou procurando compartilhar. Mas, os setores populares mais
identificados com o PSTU, e com algumas correntes do PSOL, a Causa Operária,
algumas correntes trotskistas defendem essa alternativa: socialismo já!</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.45pt; TEXT-INDENT: -18pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo2"><SPAN
style="mso-bidi-font-family: Calibri"><SPAN style="mso-list: Ignore">b)<SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">
</SPAN></SPAN></SPAN>Num segundo grupo, defendem propostas que nós podemos
classificar como neo-keynesianas. Baixa a taxa de juros, aumenta as políticas
públicas para os pobres, aumenta os programas de compensação social, uma espécie
de New Deal do Roosevelt rebaixado. Vou usar um professor, o Chico de Oliveira,
como meu advogado. Ele diz: “vocês são maldosos, o Stedile, dizer que esse grupo
defende o neo-keynesiano, isso é uma ofensa ao Keynes, o Keynes era mais
radical<SPAN style="mso-tab-count: 1"> </SPAN>!”. E fecho
parênteses, mas evidentemente há forças populares, há correntes sindicais,
movimentos sociais que defendem plataformas inseridas nesse contexto.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.45pt; TEXT-INDENT: -18pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo2"><SPAN
style="mso-bidi-font-family: Calibri"><SPAN style="mso-list: Ignore">c)<SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">
</SPAN></SPAN></SPAN>E há um terceiro grupo, na qual nós da Via Campesina nos
inserimos, que defendemos uma espécie de Projeto Popular. Ou seja, não temos a
ilusão de que o socialismo virá na esquina. Não temos força nem pra tirar o
Meirelles, que todo mundo sabe que ele representa os interesses dos bancos. Foi
presidente mundial do Banco de Boston! Está lá no seu currículum, não precisa
ninguém falar mal. Pô, não temos força pra trocar o Meirelles! Imaginar que
temos correlação de forças pra fazer mudanças socialistas?? E também o
neo-keynesianismo não é uma alternativa popular. Ele pode até recompor a taxa de
lucro, ele pode amenizar o sofrimento da classe trabalhadora, evidentemente. Mas
ele não é uma alternativa pra nós aproveitarmos as contradições da crise e, pelo
menos, entrar pra próxima etapa com um acúmulo de forças maior.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 35.45pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify"><o:p> </o:p></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: -14.2pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l1 level1 lfo1"><SPAN><STRONG><FONT
size=4><SPAN style="mso-list: Ignore"><SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'"><STRONG><FONT
size=4>5.</FONT></STRONG> </SPAN></SPAN>Elementos de um Projeto
Popular para sair da crise</FONT></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: -14.2pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l1 level1 lfo1"><SPAN><STRONG><FONT
size=4><o:p></o:p></FONT></STRONG></SPAN> </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Quais
seriam os parâmetros, os indicativos do que seria um Projeto Popular, que nós
estamos, inclusive, tentando convencer outras forças a aderirem ao que poderia
ser uma plataforma mais unitária. E, por isso também, colocamos nessa plataforma
alguns elementos mais keynesianos, mas na essência seria uma tentativa de
resistência ao capitalismo para acumular força para uma próxima etapa. De
maneira muito rápida, quais seriam os pontos de uma plataforma do Projeto
Popular pra enfrentar a crise:</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.45pt; TEXT-INDENT: -18pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l2 level1 lfo3"><SPAN
style="mso-bidi-font-family: Calibri"><SPAN style="mso-list: Ignore">a)<SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">
</SPAN></SPAN></SPAN><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><I
style="mso-bidi-font-style: normal">Garantia de emprego pra todos</I></B>. Então
não se trata só do Estado fazer políticas de compensação social, o Estado tem
que pegar o dinheiro e tentar investir em áreas da produção que gerem empregos
pra todo mundo. E estabelecer uma espécie de moratória. Todo brasileiro que
quiser trabalhar, o Estado garante emprego pra todos. Aonde? Se cria, na
construção civil, no serviço público, em mil e uma formas. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.45pt; TEXT-INDENT: -18pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l2 level1 lfo3"><SPAN
style="mso-bidi-font-family: Calibri"><SPAN style="mso-list: Ignore">b)<SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">
</SPAN></SPAN></SPAN><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><I
style="mso-bidi-font-style: normal">Redução da jornada sem redução do
salário</I></B>. E, colado a esse, valorização do salário mínimo, que, ta
comprovado por um monte de análises, é o principal mecanismo de distribuição de
renda no Brasil. O salário mínimo, porque pega justamente os mais pobres. Não só
os que ganham de empresa o salário mínimo, mas, sobretudo lembrem-se, que entre
os mais pobres dos brasileiros, estão os 14 milhões que recebem o benefício do
INSS, e o grau de referência do benefício do INSS é o salário mínimo. Então,
automaticamente, você aumenta o salário mínimo, você faz uma transferência
daquele dinheiro público, e dos trabalhadores pra essa camada mais pobre que ta
lá dependente dos benefícios da Previdência. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.45pt; TEXT-INDENT: -18pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l2 level1 lfo3"><SPAN
style="mso-bidi-font-family: Calibri"><SPAN style="mso-list: Ignore">c)<SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">
</SPAN></SPAN></SPAN><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><I
style="mso-bidi-font-style: normal">É estabelecer um pacto de
resistência</I></B>: não aceitar nenhum direito social a menos. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.45pt; TEXT-INDENT: -18pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l2 level1 lfo3"><SPAN
style="mso-bidi-font-family: Calibri"><SPAN style="mso-list: Ignore">d)<SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">
</SPAN></SPAN></SPAN><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><I
style="mso-bidi-font-style: normal">Zerar o superávit primário</I></B>. Esse é o
principal mecanismo econômico de espoliar a sociedade brasileira. Como eu disse
antes, superávit primário hoje representa que o governo transfere todos os anos,
200 bilhões de nosso dinheiro, da Receita Federal pros bancos. Tem que acabar
com isso. E com esses 200 bilhões, nós conseguiríamos então aplicar nessas
políticas por parte do Estado, que poderiam gerar emprego pra todos e ter outra
política de distribuição de renda. Chamo a atenção de vocês: os países da
América Latina são os únicos países que aplicam o superávit primário. Com
exceção, inclusive, de Cuba e Venezuela. São os únicos. Na Ásia ninguém tem
superávit primário. Na Europa e Estados Unidos é déficit cada vez maior. Então,
por que só o Brasil vai seguir nessa política de superávit primário? Pra ser
justo, nos últimos meses com a crise, o superávit primário vem diminuindo, mas
não por vontade do governo, por política. É que como baixou a taxa SELIC,
automaticamente baixa a transferência pros bancos. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.45pt; TEXT-INDENT: -18pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l2 level1 lfo3"><SPAN
style="mso-bidi-font-family: Calibri"><SPAN style="mso-list: Ignore">e)<SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">
</SPAN></SPAN></SPAN>Evidentemente, puxando a brasa pra nossa sardinha, é
aplicar esses recursos num <B style="mso-bidi-font-weight: normal">amplo
programa de reforma agrária</B>, também pra garantir emprego, trabalho e
condições pra população que tá no meio rural, pra eles não virem pra cidade.
</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.45pt; TEXT-INDENT: -18pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l2 level1 lfo3"><SPAN
style="mso-bidi-font-family: Calibri"><SPAN style="mso-list: Ignore">f)<SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">
</SPAN></SPAN></SPAN><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><I
style="mso-bidi-font-style: normal">Reduzir as taxas de juros ao padrões
internacionais</I></B>. Poderia estar inserido nesse contexto de políticas
neo-keynesianas, mas é muito importante. Não só a taxa SELIC, que hoje eles
estão fantasiando: a taxa SELIC está em 11, tem 6 de inflação, então a taxa real
é 5. Tudo bem, do governo pros bancos, mas os bancos continuam cobrando dos
consumidores da indústria e do comércio taxas médias de 48%. Então a sociedade
inteira está transferindo aos bancos praticamente todo o seu esforço de
acumulação. Então, reduzir a taxa de juros não é só a taxa SELIC, tem que ter
uma intervenção do Estado pra impedir que os bancos continuem cobrando esse
verdadeiro assalto que os bancos estão fazendo pra sociedade em geral, pro
comércio (quando tu for comprar uma geladeira, um carro...) e pra indústria,
etc. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.45pt; TEXT-INDENT: -18pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l2 level1 lfo3"><SPAN
style="mso-bidi-font-family: Calibri"><SPAN style="mso-list: Ignore">g)<SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">
</SPAN></SPAN></SPAN><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><I
style="mso-bidi-font-style: normal">Estatizar o sistema financeiro</I></B>.
Porque, nessa etapa do capital financeiro, o pólo central de acumulação, ou
seja, aonde fica a riqueza apropriada pelos capitalistas, não é mais na
indústria e no comércio: é nos bancos, é no capital financeiro. Portanto, se o
Estado, em nome da sociedade, não controlar isso, não tem como tu sair. Não tem
como tu sair da crise em benefício da sociedade. E por isso o Sarkozy defende, e
imagino que ele esteja mais ligado aos setores da indústria francesa. Mas é
evidente, que mesmo numa lógica capitalista, se não houver uma intervenção
estatal, ou seja, uma força maior que controle o sistema financeiro dos países,
não tem volta.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 2cm; TEXT-INDENT: -21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l2 level1 lfo3"><SPAN
style="mso-bidi-font-family: Calibri"><SPAN style="mso-list: Ignore">h)<SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">
</SPAN></SPAN></SPAN><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><I
style="mso-bidi-font-style: normal">Um amplo programa de defesa do meio ambiente
e da vida das pessoas</I></B>. <SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>O
que é isso? Isso é genérico, pode ser apenas doutrinário... Não! Nós temos que
impedir a mudança no Código Florestal, porque é isso que vai fazer com que os
ruralistas acabem com o que ainda tem de recursos naturais. Vocês sabem que eles
querem baixar a reserva legal: de 80 e 50 pra 20. Está lá no Congresso, já
passou pela Câmara, está no Senado agora, ou seja, um negócio concreto, pra
amanhã. Impedir as mudanças de regularização fundiária na Amazônia, eles querem
privatizar a Amazônia até <st1:metricconverter w:st="on"
ProductID="1.500 hectares">1.500 hectares</st1:metricconverter>, por pessoa e
não precisa mais comprovar posse. Tô aqui <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="em S ̄o Paulo">em São Paulo</st1:PersonName> e posso pedir pra algum
preposto registrar <st1:metricconverter w:st="on"
ProductID="1.500 hectares">1.500 hectares</st1:metricconverter> em meu nome. E
depois eu me lembrei: “Ah, tem minha filha também, mais 1.500 pra minha filha”,
“Ah, pra Olívia, que é boa menina, mais <st1:metricconverter w:st="on"
ProductID="1.500”">1.500”</st1:metricconverter>. Isso é mais atrasado que a Lei
601 de 1850. Não precisa nem comprovar posse. Nem comprovar residência. Bom,
isso é a volúpia do capital total, nós temos que impedir isso, pra garantir o
mínimo de reserva dos recursos naturais pro povo brasileiro. Nós temos que
controlar a qualidade dos alimentos. O agronegócio está produzindo veneno, não
comida. E todos os cientistas que tão cuidando da área estão nos alertando, está
proliferando os câncer, 80% deles são originários dos venenos que a população
está comendo. E esse veneno vai pra onde? É veneno químico, originário do
petróleo que é usado sobretudo. Destrói as bactérias do solo, ou vai pra água,
ou vai pro seu estômago. Então continue comprando da Bünge, da Cargill, e feliz
enterro! Que certamente vai morrer 10 anos antes daqueles que se alimentam com
alimentos saudáveis. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 2cm; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Então,
o Estado tem que botar um jeito nisso, francamente, isso aqui já virou casa da
mãe Joana, né. A Anvisa, (saiu na manchete da Folha e num caderno do Brasil de
Fato). A Anvisa fez as pesquisas aqui na Ceagesp, e disse: “tem 20 produtos que
não se recomendam para os seres humanos”. Manchete! E continuam vendendo! Como?
Se a conclusão fosse: “esses 20 produtos não servem para a alimentação animal”,
é capaz que eles teriam tirado do mercado. Porque pode dar febre suína, pode dar
não sei o quê. Então continue comendo maça, moranguinho, tomate, tudo isso só
veneno! Por isso que num tem mais nem gosto. Batata, só veneno! Soja, só veneno!
<SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>Para um Programa Popular pra
enfrentar a crise é preciso fazermos essas mudanças reais pra preservar a vida
das pessoas e pra preservar a natureza, porque se não esses loucos do
capitalismo... Não pensem que eles têm alguma responsabilidade. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.45pt; TEXT-INDENT: -18pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l2 level1 lfo3"><SPAN
style="mso-bidi-font-family: Calibri"><SPAN style="mso-list: Ignore">i)<SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">
</SPAN></SPAN></SPAN><SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><I
style="mso-bidi-font-style: normal">Recuperação da soberania brasileira sobre as
empresas estratégicas de energia, minério</I></B>. Não sei se vocês sabem, a
Eletrobrás que pinta aí como estatal, já tem suas ações vendidas na Bolsa de NY.
Esse é o maior problema que nós temos com lá Itaipu se acertar com os
paraguaios. Porque a Eletrobrás é gestora de Itaipu, e ela não é só uma empresa
pública, tem interesses das privadas que alegam os direitos. Bem, o caso da
Petrobrás, patético né, vocês sabem: 58% das ações são privadas. E o caso da
Vale, que é uma luta histórica.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.45pt; TEXT-INDENT: -18pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l2 level1 lfo3"><SPAN
style="mso-bidi-font-family: Calibri"><SPAN style="mso-list: Ignore">j)<SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">
</SPAN></SPAN></SPAN>E, por último, na nossa plataforma, nós precisamos fazer um
movimento aqui no Brasil, <B style="mso-bidi-font-weight: normal"><I
style="mso-bidi-font-style: normal">pra pressionar o nosso governo para ter uma
outra postura em relação aos organismos internacionais.</I></B> </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 49.65pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Em
vez de valorizar FMI, Banco Mundial, G-20, isso aí tem que fechar. Evidentemente
que nós temos que criar um outro marco internacional, uma outra governança
internacional. E vemos com bons olhos essa iniciativa que os países da Alba
estão fazendo, já criaram uma moeda alternativa que é o Sucre. Que é uma sigla,
embora homônimo do General Sucre, que foi um lutador anticolonialista. Mas na
verdade ela é uma sigla né, o Sistema Unitário de Câmbio, não sei o quê... E nós
temos defendido isso nos movimentos sociais, os governos tem que caminhar
rapidamente para fugir da área do dólar, porque o dólar é o principal mecanismo
de espoliação dos outros países. Desde 1971 quando o Nixon tirou a paridade com
o tesouro e com o ouro. Então, todas as guerras deles eles botam a maquininha
pra funcionar. E distribui os dólares para o mundo. Então, se é pra ter uma
saída razoável diante dessa crise, é aproveitar a crise pra nós construir uma
moeda que seja internacional e sem o controle dos EUA. Segundo o professor Chico
de Oliveira, isso ainda não aconteceu na história da humanidade, todas as moedas
internacionais foram sempre fruto de vitórias militares. Bom, mas ele pode estar
errado também e nós conseguirmos implantar, pela primeira vez na história, uma
moeda que não seja só fruto de vitória militar.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 49.65pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify"><o:p> </o:p></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: -14.2pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l1 level1 lfo1"><SPAN><STRONG><FONT
size=4><SPAN style="mso-list: Ignore"><SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'"><STRONG><FONT size=4>6.
</FONT></STRONG> </SPAN></SPAN>O que fazer com a plataforma
popular?</FONT></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: -14.2pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l1 level1 lfo1"><SPAN><STRONG><FONT
size=4><o:p></o:p></FONT></STRONG></SPAN> </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">A
proposta dos 10 pontos que eu mencionei aqui como sendo o Projeto Popular, não é
uma proposta do MST, é uma proposta que nós estamos construindo nessas plenárias
onde a última delas lá em março tinha 88 movimentos. Isso expressa um conjunto
dessas forças. Claro que um gostaria de dar mais ênfase num ou outro ponto, mas
esses 10 pontos procuram recolher o que poderia ser uma plataforma unitária,
porque todos de certa forma se sentem representados aqui. Eu acho também que
seria exagero pensar que essa plataforma seria a proposta de socialismo XXI. Não
é uma plataforma socialista, evidentemente. Mas nós achamos que, com essa
plataforma, nós podemos acumular forças. E de novo, alguém perguntou no
intervalo, veio-me dizer: “Evidentemente, essa plataforma é inviável por ir lá e
apresentar”, né, ela não cai do céu assim, então “ah, vamos sair da crise, basta
aplicar essa plataforma”. Então, qual é o sentido dessa plataforma? O sentido
dessa plataforma é debater com a sociedade, ou seja, é conscientizar. É fazer um
verdadeiro mutirão entre as pessoas e organizações, de dizer: “a crise é grave,
se nós não segurar, os capitalistas vão tomar as saídas clássicas deles, que já
relatei, mas nós da classe trabalhadora podemos ter outras saídas”. Agora, essas
saídas só são viáveis se nós fizermos luta política. Que significa fazer luta
política? Significa fazer mobilização de massas, grandes manifestações, grandes
lutas de massas que possam, então, acumular força social. Isso que é luta
política, é ter força. Quando você não tem força acumulada de gente organizada,
não é política, é apenas doutrina. “Eu acredito nisso...” Então, evidentemente
que os companheiros que comentaram isso têm toda razão. Isso aqui é apenas uma
plataforma de fazer trabalho de conscientização. Agora, sua viabilidade não é se
o argumento está bem escrito, sua viabilidade só vai ser dada se houver um
processo de mobilização e organização de massas. Bom, é impossível no Brasil? Na
atual situação, agora, final de maio de 2009, claro que nós estamos no descenso,
mas as massas aprendem muito rápido. E nós podemos chegar a uma situação de que
em curto prazo haja um reascenso do movimento de massas. Ninguém pode dizer que
vai continuar 5 anos em descenso e que vai ter mais 5 meses. Isso faz parte da
psicologia social, da capacidade que nós tivermos de indignar nosso povo.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">O
lado bom dessa conjuntura é que a burguesia brasileira não tem projeto para o
país. Ao contrário da crise de 29, vocês devem ter comentado nas outras sessões.
Na crise de <st1:metricconverter w:st="on" ProductID="29, a">29,
a</st1:metricconverter> burguesia brasileira se unificou em torno do Getúlio
Vargas, e ele teve que construir uma unidade a “manu-militar”: deu um pau nos
paulistas, deu um pau nos comunistas, e deu um pau nos fascistas. Aí unificou a
burguesia, inclusive subjugou a força parcelas da burguesia industrial paulista
ignorante, centralizou eles e a partir de 37 implementou o modelo que durou até
<st1:metricconverter w:st="on" ProductID="1980. A">1980. A</st1:metricconverter>
rigor, esse é o modelo do Getúlio Vargas. Bem, é um projeto da burguesia
brasileira, de desenvolvimento do capitalismo nacional subordinado,
dependente.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Agora,
a vantagem. Que diante da nova crise, que esperamos que seja prolongada
mesmo,<SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>qual é o projeto da
burguesia brasileira? Não tem! E isso é bom pra nós, nos <SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>livramos deles, pelo menos. E isso abre
espaço pra que a classe trabalhadora construa um projeto, uma plataforma que
seja nosso, pra enfrentar a crise. Para a burguesia brasileira, o único projeto
dela é ter ainda maior dependência do capital internacional. Não só de
dependência, ou seja, de aprofundar nossa subordinação. Exemplo: na nova
re-divisão internacional do trabalho e do capital, no projeto do capital, ao
Brasil cabe apenas o papel de ser exportador de matéria prima. Eu fico
horrorizado com essas viagens aí pra China, em que o governo e empresários se
orgulham de vender mais soja, mais minério e agora petróleo cru. Como se fosse
uma vantagem, mas isso é um desastre! É o Brasil voltar à colônia, e é isso que
os capitalistas internacionais querem. Que o Brasil cumpra apenas o papel de
exportador de matéria prima. Esse seria o nosso papel. E a burguesia brasileira
aceita. “Tá bom, desde que você dê um pedaço do teu lucro, então tô satisfeito”
Mas isso não é projeto de desenvolvimento nacional! Porque nenhum país do mundo
se desenvolveu exportando matéria prima. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Quero
compartilhar, como ilustração, uma informação que circulou essa semana de um
estudioso ligado à Via Campesina sobre a economia dos Estados Unidos e freqüente
aqui no Brasil, o agronegócio usar como argumento de justificação que os EUA é o
maior exportador mundial. “Tá vendo, os EUA é a maior potência e maior
exportador de matéria prima, esse é o nosso caminho!” Santa ignorância,
estatisticamente está comprovado: o agronegócio deles, dos EUA, de todo PIB
agrícola, 88% é pro mercado interno, eles exportam apenas 12% do que produzem na
agricultura. Ou seja, o centro da riqueza produzida na agricultura nos EUA é pro
mercado interno, pro povo americano comer mais, eles só exportam 12%. E aqui, no
Brasil, é o contrário, só querem exportar, exportar, exportar... como se fosse a
solução. E mais do que isso. Há setores da burguesia brasileira que além de
aceitar esse papel subalterno, ainda mais aprofundado com a crise, aceitam a
reconversão das empresas brasileiras como subimperialistas. Então, vão lá ler de
novo a teoria da dependência do Ruy Mauro Marini, ele foi um profeta nisso.
Agora está cada vez mais claro, que também nesse marco de aprofundar nossa
subordinação, eles vão entregar às empresas brasileiras o papel de subexplorar
os mercados e as riquezas dos outros países da América Latina. Esse é o papel
que a Eletrobrás está fazendo com Itaipu, papel que a Petrobrás está fazendo na
Bolívia, no Equador, que a Odebrecht, a Andrade Gutiérrez fazem com outros
países.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">O
tema do pré-sal. Claro, me passei aqui correndo, porque de certa forma ele está
subentendido. Primeiro naquela política dos EUA de se apoderar dos recursos
naturais. Então, o pré-sal é nossa principal riqueza agora que ta lá debaixo do
oceano. E é por isso a CPI da Petrobrás. É por isso todos esses movimentos que o
PMDB está fazendo. Porque eles estão se mexendo? É pra se apoderarem do pré-sal.
E é o que as empresas já estão fazendo. Vocês sabem que nós temos já várias
empresas transnacionais, como a Shell, até uma portuguesa, e outras empresas que
já ganharam os leilões da parte de cima. É só eles furarem mais 7 mil metros que
eles chegam no pré-sal. E algumas delas já estão furando. Então as
multinacionais já têm até o direito, se nós não alterarmos a legislação, eles
vão acessar o pré-sal. E o que os geólogos estão dizendo pra nós é de que no
caso do pré-sal é ainda mais grave porque tudo leva a crer que ele é uma imensa
lagoa lá embaixo, que vai do Espírito Santo até Santa Catarina. Então quem
acessar a lagoa, vai ter acesso a todo petróleo.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Bem,
evidentemente que nós temos que incluir em nossa luta a defesa do petróleo como
parte dessa luta pra sair da crise, porque justamente os capitalistas
internacionais, e seus aliados aqui no Brasil, eles vão fazer de tudo para que
eles tenham o direito de se apropriar dessa, que está sendo classificada, como a
principal reserva de riqueza natural do planeta. Então você imagina com que
ganância eles vão vir pra cá disputar conosco. Vai ser uma verdadeira guerra.
Não pensa que vai ser com abaixo-assinado que nós vamos salvar o pré-sal, claro
que não. Nós vamos fazer o abaixo-assinado pra provocar o debate. Mas nós só
vamos salvar o pré-sal de novo se vier o reacenso de massas, se nós fizermos
grandes mobilizações, porque o inimigo vai ser daquele tamanhão. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Então,
me desculpem por passar do tempo, essas são as idéias gerais que nós estamos
debatendo sobre a crise nos movimentos sociais. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify">Muito
obrigado pela atenção.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 14.2pt; TEXT-INDENT: 21.25pt; LINE-HEIGHT: normal; TEXT-ALIGN: justify"><FONT
face=Arial size=2></FONT> </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
class=MsoFootnoteReference><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt"><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; FONT-FAMILY: Calibri; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-size: 11.0pt; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[1]</SPAN></B></SPAN></SPAN></SPAN></B></SPAN><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; LINE-HEIGHT: 115%; mso-bidi-font-size: 11.0pt"> Palestra
no Curso de Especialização sobre a Crise. Promovido pelo curso jornalismo da
PUC-SP/CEPIS/ENFF. João Pedro Stedile – </SPAN></B></P></DIV></BODY></HTML>