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<DIV><FONT face=Forte color=#ff0000 size=6>Carta O Berro<FONT
size=3>.......................................................................repassem</FONT></FONT></DIV></DIV>
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<P class=data>23/07/2009</P>
<P class=titulo><FONT size=5><STRONG>Os chacais de guarda</STRONG></FONT></P>
<P class=corpo>O que seria dos interesses das elites dominantes, se não
contassem com escribas, pagos pelas empresas de mídia privada, para tentar fazer
passar esses interesses com se fossem os interesses do país? Para isso eles
contam com equipes de “cães de guarda”, que defendem, com unhas e dentes, os
interesses das elites dominantes, especialmente concentrados na
mídia.<BR><BR>Tentam, por exemplo, identificar a liberdade com a liberdade do
capital, condenando qualquer forma de limitação à sua livre circulação. Tentar
identificar liberdade com a existência da grande propriedade privada, opondo-se
a qualquer definição de critérios sociais para a propriedade, especialmente a
monopólica e a propriedade não produtiva no campo, opondo-se a qualquer tipo de
ação de socialização da propriedade. Porque essas próprias empresas são
monopolistas. <BR><BR>O filósofo francês Paul Nizan escreveu um livro, em 1932,
a que deu o nome de “Cães de guarda” para se referir aos intelectuais que
prestam serviço de promover legitimidade e dar razões de sobrevivência ao poder
das elites dominantes. “Eles adorariam ser Zola, mas para acusar as vítimas...”,
escreve Serge Halimi, no prefácio da edição mais recente do livro, mencionando
como esses guardiães da ordem estabelecida adoram estar de acordo com seus
patrões, acusando os pobres, os marginalizados, as vítimas do sistema, como se
fossem verdugos. “Quanto à sua obra, ela se autodestrói um quarto de segundo
depois do tiro de morteiro midiático...”, acrescenta Halimi.<BR><BR>Na
introdução do livro de Halimi, “Os novos cães de guarda” – publicado no Brasil
pela Jorge Zahar -, Pierre Bourdieu recorda como trabalhos de denuncia desse
tipo contribui a “arruinar um dos suportes invisíveis da prática jornalística, a
amnésia...” E se pergunta: “por que, de fato, os jornalistas não deveriam
responder por suas palavras, dado que eles exercem um tal poder sobre o mundo
social e sobre o próprio mundo do poder?”<BR><BR>Mas, entrando já diretamente
nos chacais de guarda daqui – para não ofender aos cães -, se tiverem paciência,
olhem alguns dos livros que decretaram o fim do governo Lula em 2005. Uma
jornalista que insiste em fazer comentários sem voltar sobre o que disse ontem,
sustentava seu livro oportunista para ganhar dinheiro e agradar seus patrões com
a crise de 2005, apoiada por outro colunista que come nas mesmas mãos, que
reiterava essa morte do governo na contracapa do livro. Como não tem compromisso
algum com o que escrevem, que só se justifica pelos serviços prestados a seus
empregadores, fontes e outros representantes das elites dominantes, seguem em
frente como se não tivessem dito nada ontem, como seguirão amanhã fingindo que
não disseram nada hoje. Não são mais do que ventríloquos dessas
elites.<BR><BR>Indo mais longe: a imprensa que convocou os militares a dar golpe
militar, apoiou a derrubada do governo legalmente constituído de Jango e
sustentou o golpe militar, inclusive reproduzindo as versões mentirosas que
escondiam os seqüestros, as torturas e os fuzilamentos dos opositores, segue de
acordo com as posições que tiveram. Um dos jornais, que emprestou seus carros,
para que os órgãos repressivos da ditadura atuassem disfarçados de jornalistas,
nem sequer tentou se defender das gravíssimas acusações, que faz com que a
empresa, os jornais que publicam e os membros dos comitês editoriais, tenham as
mãos sujas de sangue pelos seqüestros, torturas e execuções da ditadura. Ao não
fazerem autocrítica, automaticamente aceitam ter cometido esses crimes de lesa
democracia e jornalismo minimamente objetivo.<BR><BR>Essa mesma mídia vive
acusando o povo de “não ter memória”. Talvez seja essa a razão pela qual elegem
e reelegem os lideres políticos execrados diariamente pela mídia, porque hoje
não obedecem a seus desígnios. <BR><BR>Mas são eles os primeiros a cultuarem a
falta de memória, a amnésia, de todos, ao esquecer o que disseram ontem.
Estiveram a favor da ditadura, com que moral acusam governos e partidos de não
ser democráticos?<BR><BR>O que dizem os empregados de uma empresa que
praticamente nasceu durante a ditadura, foi o órgão oficial da ditadura? Que
legitimidade acreditam que podem ter órgãos dessa empresa?<BR><BR>Um dos
colunistas de um dos jornais da imprensa de propriedade de uma das poucas
famílias que dominam de forma monopolista o ramo, se orgulha de nunca ter ido
aos Forúns Sociais Mundiais, por ter ido a todos os Foruns de Davos – onde
manifestamente ele se sente no seu mundo. Seria bom ele ouvir agora os arautos
da globalização – incluído seu prócer FHC – para saber o que pensam da crise
atual, provocada por suas políticas. Teria que se deslocar não a Davos, mas
algumas prisões, onde alguns deles foram encarcerados, depois de reveladas suas
trapaças – alias, nenhuma delas revelada pela imprensa, conivente e complacente
com o ricaços de Davos.<BR><BR>Um outro jornalista disse, em outro momento da
sua carreira, em conferência pública, que quando um jornalista senta para
escrever uma matéria, pensa, em primeiro lugar, no dono da empresa; em segundo,
nas fontes do que vai publicar; em terceiro na enorme quantidade de
desempregados do lado de fora da empresa. A esse filtro haveria que acrescentar
as agências de publicidade e os grandes grupos econômicos que financiam os
órgãos de imprensa e acabam pagando os seus salários.<BR><BR>Foi se criando uma
verdadeira casta de jornalistas, empregados dos maiores meios de imprensa no
Brasil, promíscuos com o poder, que renunciam a qualquer ataque aos interesses
do poder que dominou o país durante séculos: capital financeiro, grandes
monopólios, latifundiários, as próprias grandes empresas monopólicas da mídia, o
imperialismo norteamericano, o FMI, o Banco Mundial, a OMC, a direita política –
Tucanos, DEM, FHC, Serra, Tasso Jereissatti, Jarbas
Vasconcellos.<BR><BR>Preferem, para conveniência de seus empregos e dos
interesses dos seus patrões, atacar o que incomoda à direita – sindicatos, o
MST, o pensamento critico, as universidades publicas, os partidos de
esquerda.<BR><BR>Além dos casos mencionados, há os pobres diabos que querem
adquirir certo verniz “intelectual” – não agüentam a inveja do pensamento
crítico – e citam autores, viajam pelo mundo em eventos sem nenhuma importância,
escrevem em jornais e falam em rádios e TVs, sem nenhum prestigio, colunas que
ninguém leva a sério ou mesmo lê. Um deles foi chefe de gabinete de um dos
ditadores, depois foi demitido, fotografado na cama para a Playboy, tentando
mostrar méritos que não conseguiu na política e que circulava nos governos
anteriores com toda promiscuidade pelos ministérios e Palácio do Planalto – de
que esse tipo de gente sentem uma falta danada.<BR><BR>A ideologia do “’quarto
poder” se tornou antiquada, porque o monopólio da mídia privada detém muito mais
poder do que isso, termina dando direção ideológica e política aos fracos
partidos opositores. Claro que o que realmente não são é “contra-poder”, porque
na verdade fazem parte intrínseca dos poderes constituídos, como força
conservadora.<BR><BR>Como a noticia se transformou definitivamente em uma
mercadoria na mão dessa casta, perdeu toda credibilidade. Conhece-se o caso de
colunistas econômicos que fingem estar preocupados com a situação de um setor do
empresariado, ao vendem reunião e assessoria com eles, em troca de defender mais
explicitamente seus interesses. Se devem às suas fontes, a tal ponto que a
editoria econômica passou a ser a mais comprometida com os interesses criados,
de forma similar a como certa cobertura policial se deve às fontes nas
delegacias e nas policias, sem as quais ficam sem seus “furos”. <BR><BR>“Quem
paga, comanda”, recorda Halimi. E a mídia, como sabemos é financiada não pelos
leitores com as compras na banca e as assinaturas, mas pelas agencias de
publicidade. E vejam quem são os grandes anunciantes, com os quais a mídia tem o
rabo preso – bancos, telefonias, fabricas de automóveis, etc. Não pelas
organizações populares, sindicatos, centros culturais, nada disso. Quem paga,
comanda. Já vieram jornais, rádiosm televisões, colunistas, fazem campanha de
denuncia – com um pouquinho da sanha que tem contra o governo e a esquerda –
contra os bancos, suas falcatruas, contra as grandes corporações mutlinacionais,
contra a lavagem de dinheiro nos paraísos fiscais? Nâo, porque seria tiro no pé,
atentado contra os que financiam a essa mídia.<BR><BR>Perguntado sobre como a
elite controla a mídia, Chomsky respondeu: “Como ela controla a General Motors?
A questão nem se coloca. A elite não tem que controlar a General Motors. Ela lhe
pertence. Albert Camus disse que a mídia francesa se tornou “a vergonha do
país.” E a nossa? O Brasil e seu povo têm orgulho ou vergonha dessa mídia que
anda por ai?<BR><BR>A lei apresentada pelo governo argentino para regulamentar o
audiovisual – umas das razões da brutal ofensiva da imprensa de lá contra seu
governo – determina que as empresas da mídia tem que declarar publicamente suas
fontes de financiamento – quem as financia, com que quantidades de dinheiro.
Poderiam aproveitar e declarar publicamente quanto ganham os magnatas dessa
casta midiática, enquanto a massa dos jornalistas ganha uma miséria, é
terceirizado e passível a qualquer momento de serem mandado embora, se não
cumprem à risca as orientações que os chacais lhes impõem.<BR><BR>Um jornalista
norteamericano citado por Halimi, disse: “Sobre as questões econômicas
(impostos, ajuda social, política comercial, luta contra o déficit, atitude em
relação aos sindicatos), a opinião dos jornalistas de renome tornou-se muito
mais conservadora à medida que suas rendas foram aumentando”.<BR><BR>Quem
discorda dos consensos que tentam impor nos seus desagradabilíssimos e
redundantes programas de entrevistas ou suas colunas de merchandising , como se
sabe, é chamado de “populista”, de “demagogo”, de “aventureiro”. Que são, como
também se sabe, os governantes que fazem políticas sociais e têm alto nível de
apoio da população. Por isso chamam sempre os mesmos, seus amigos, operadores
das bolsas de valores, empresários que passam a lhes dever favores, para dizer
as mesmas baboseiras que a realidade não se cansa de desmentir.<BR><BR>“Mídias
cada vez mais concentradas, jornalistas cada vez mais dóceis, uma informação
cada vez mais medíocre” –conclui Halimi. E cita um político de direita francês,
Claude Allègre, sobre as possibilidades do meio midiático se reformar: “Eu vou
lhes dar uma resposta estritamente marxista, eu que jamais fui marxista: porque
não há interesse... Por que vocês queriam que os beneficiários dessa situação
sintam necessidade de mudá-la?” E, para concluir, conforme se aproxima a
Conferencia Nacional de Comunicação, declaração do também conservador jornalista
Frances Jacques Julliard: “Uma das reformas mais urgentes neste país, seria
aquela que pudesse dar às mídias um mínimo de seriedade e de dignidade.
Sobretudo de dignidade!” <BR></P></DIV></DIV></BODY></HTML>