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<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO. 
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<H2 class=post-title>&nbsp;</H2>
<H2 class=post-title><A title="Permanent Link: Olho por&nbsp;olho" 
href="http://brasiliaeuvi.wordpress.com/2009/07/06/olho-por-olho/" 
rel=bookmark><FONT color=#676e04>Olho por&nbsp;olho</FONT></A></H2>Postado 
por&nbsp;Leandro Fortes&nbsp; <A title="Ver todos os posts em Imprensa" 
href="http://pt-br.wordpress.com/tag/imprensa/" rel="category tag"><FONT 
color=#990000>Imprensa</FONT></A>&nbsp;<BR>&nbsp;</DIV>
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<P><IMG class=alignnone height=300 alt="" 
src="http://www.livrariaresposta.com.br/fotos/record_olho_por_olho.jpg" 
width=200></P>
<P>De volta aos quartéis, em 1985, os militares golpistas de 1964, com o apoio 
das gerações seguintes da caserna, decidiram silenciar sobre os crimes 
perpetrados durante a ditadura militar. Tratava-se de um plano de esquecimento 
calcado na Lei da Anistia, de 1979, mas surpreendentemente desconstruído logo 
nos primeiros meses da redemocratização. Sem estardalhaço, no dia 15 de julho de 
1985, o livro “Brasil: Nunca Mais” apareceu nas principais livrarias do país e 
provocou um terremoto nas pretensões de amnésia coletiva alimentadas pela turma 
fardada que havia mandado e desmandado, por 21 anos, na República. O BNM era uma 
obra de 312 páginas, resultado de seis anos de trabalho clandestino de 
voluntários sob o manto protetor do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, 
ex-arcebispo de São Paulo, e do falecido reverendo Jaime Wright, pastor 
presbiteriano defensor da causa dos direitos humanos no Brasil. O livro era um 
resumo sucinto, mas devastador, da rotina de torturas, assassinatos e 
desaparecimentos forçados de presos políticos durante a ditadura.</P>
<P>Mestre em fazer autopsias em defuntos quentes da crônica política nacional, o 
jornalista Lucas Figueiredo faz do&nbsp;processo de construção do “Brasil: Nunca 
Mais” o ponto de partida para, então, desnudar outro livro, fruto de uma reação 
das sombras,&nbsp;o Projeto Orvil, idealizado nos quartéis para ser o 
contraponto dos saudosistas&nbsp;da ditadura aos fatos e nomes relacionados pelo 
BNM. Essa duelo entre opostos que se atraem, como observa Figueiredo,&nbsp;paira 
sobre a narrativa do&nbsp;livro “Olho por olho”, editado pela Record. A 
sequência de informações baseia-se numa impressionante incursão pela doutrina 
militar brasileira forjada pelo anticomunismo e pelas paranóias ideológicas 
estimuladas e difundida pelas forças armadas durante a Guerra Fria. O “Orvil” 
(isso mesmo, livro ao contrário), longe (na verdade, incapaz) de ser uma obra 
literária, é uma compilação das muitas apostilas sobre guerra revolucionária, 
até pouco tempo em voga nas escolas e academias militares do país.</P>
<P>Lucas Figueiredo é especialista em investigação jornalística e autor de 
livros-reportagens fundamentais para se entender a história política nacional, 
em tempos distintos. Foi durante a apuração de um deles, “Ministério do 
Silêncio” (Record, 2005), sobre a formação dos serviços secretos brasileiros, 
que Figueiredo se bateu com a informação sobre a existência do “Orvil”, projeto 
ordenado pelo ex-ministro do Exército Leônidas Pires, durante o governo José 
Sarney, para reduzir o dano provocado pelas revelações do “Brasil: Nunca 
Mais”.</P>
<P>Ao conseguir botar as mãos, em 2007, em um dos 15 exemplares do “Orvil” ainda 
existentes, Lucas tornou pública a primariedade das orientações políticas que 
transformaram o Exército brasileiro, por duas décadas, numa máquina de perseguir 
opositores e, eventualmente, triturar seres humanos. Ao longo de quase mil 
páginas – mal escritas, militarmente hierarquizadas -, os autores se deram ao 
trabalho de rebater as acusações com trechos de doutrina de segurança nacional e 
versões fajutas sobre mortes de prisioneiros em combates inexistentes. Dá mil 
voltas, sem nunca sequer chegar perto do único assunto sobre o qual valeria a 
pena ler um livro dessa natureza: a verdade sobre a tortura e os 
torturadores.</P>
<P>José Sarney vetou a publicação do livro, em 1988, depois de avisar ao general 
Leônidas Pires que não iria iniciar uma crise à toa. O militar acatou a idéia e 
a tomou como ordem. Agiram bem, os dois. Mas o destino do “Orvil” foi o de virar 
uma espécie de bíblia secreta dos adoradores dos porões. Parte do texto, 40 
páginas, começou a vazar, em 2000, justamente, por sites de conteúdo de 
extrema-direita mantidos e apoiado por ex-militares oriundos dos órgãos de 
repressão da ditadura. Foi a partir de muitas informações retiradas do “Orvil” 
que o mais conhecido torturador do regime, o coronel Carlos Alberto Brilhante 
Ustra, ex-chefe do DOI-CODI de São Paulo, produziu duas pérolas do 
anti-revanchismo deflagrado pelas Forças Armadas, nos últimos vinte anos: 
“Rompendo o silêncio”, de 1987; e “A verdade desnudada”, de 2006.</P>
<P>Lucas Figueiredo colocou as mãos em um exemplar encapado do “Orvil” e o 
dissecou com afinco. Teve o cuidado de cruzar informações em bases de dados 
distintas. É a visão do repórter que norteia o encadeamento dos capítulos de 
“Olho por olho”, o título&nbsp;a sugerir a&nbsp;óbvia vingança. A estrutura de 
jornalismo literário torna simples e didática, quando não divertida, a 
compreensão dessa passagem assustadoramente recente da história nacional. 
Mostra, por exemplo, que no afã de recontar a história da ditadura, os militares 
do Projeto Orvil acabaram por revelar o destino de presos políticos 
desaparecidos. A principal revelação de Figueiredo, no entanto, não é exatamente 
o conteúdo do “Orvil”, embora isso já valha a leitura, mas a bizarra salada 
ideológica do livro secreto da ditadura, para não falar da infinita capacidade 
de seus guardiões de reinventarem a verdade.</P></DIV>
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