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..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<DIV id=tema>1 DE JULHO DE 2009 - 16h34</DIV>
<DIV id=texto>
<H1><FONT color=#ff0000>Os camponeses, o Partido e a Guerrilha do Araguaia
</H1><BR><FONT color=#000000><B>por Augusto Buonicore*</B><BR><BR>
<DIV id=lead style="FONT-FAMILY: Arial, Verdana; BACKGROUND-COLOR: #efefef"
align=left>À Edite, Pedro Carretel, Alfredo, Luís Vieira, Juarez, Jair, Levy,
Batista, Luíz Viola, Joaquim e Lourival – camponeses guerrilheiros mortos no
Araguaia. Mártires do povo brasileiro.</DIV><BR>
<DIV id=imagem><FONT face=Arial size=2></FONT><BR><I>O povo do Araguaia reunido
dia 18 de junho deste</I> </DIV></DIV>
<DIV id=artigo>
<P>Nestas últimas semanas dois acontecimentos ajudaram a jogar mais luzes sobre
o movimento guerrilheiro ocorrido na região do Araguaia entre 1972 e 1974. Um
deles foi o julgamento do processo de anistia para os camponeses vitimados pela
repressão policial-militar no período. O outro foi a abertura dos arquivos do
famigerado major Curió, matéria publicada em “O Estado de São Paulo”.</P>
<P>Pelo menos duas novas informações vieram à tona sob fatos que já tínhamos
fortes indícios que teriam ocorrido. A primeira delas diz respeito às execuções
dos combatentes aprisionados. Agora temos um número mais exato delas. Foram
revelados os nomes de mais 16 guerrilheiros friamente executados depois de terem
sido presos e interrogados. Isso elevou o número para 41 pessoas assassinadas
daquela maneira. O que não significa que outros tantos guerrilheiros não tenham
sido imediatamente executados depois de presos em combate.</P>
<P>Através do Dossiê Curió tivemos maiores detalhes das atrocidades cometidas
pelas Forças Armadas, como a cabeça decepada do líder estudantil Antônio
Guilherme Ribas. No Araguaia ocorreu uma política de extermínio que lembrou
muito o massacre ocorrido na guerra de Canudos. O fato de as informações terem
sido dadas por um oficial do exército, diretamente envolvido na repressão, dá a
eles um valor especial. Afinal, Curió é agora um réu confesso. Que a justiça
brasileira faça a sua parte. </P>
<P>A segunda informação, trazida pelo julgamento e pelo dossiê Curió, se refere
ao grau de participação dos camponeses na guerrilha. Desde a divulgação do
Relatório de Ângelo Arroyo, sub-comandante da guerrilha que havia escapado do
cerco do exército no início de 1974, ficamos sabendo da adesão de onze
camponeses à luta armada e o apoio de 90% da população. A visita dos familiares
dos guerrilheiros mortos à região em 1979 - e depois as inúmeras matérias
jornalísticas e pesquisas acadêmicas – confirmaram a simpatia da população pelos
jovens guerrilheiros. Muitos deles, como Osvaldão e Diná, viraram verdadeiras
lendas populares. Contudo, o temor de represálias por parte das Forças Armadas –
recém saídas do poder – dificultou muito o desvendamento completo da relação
estabelecida entre os camponeses e os guerrilheiros. Somente agora o medo parece
se dissipar e a verdade surge com maior vigor.</P>
<P>Os últimos acontecimentos confirmaram o relatório Arroyo. Mais do que isso,
eles nos dizem que a adesão dos camponeses foi maior do que se sabia até então.
Segundo os documentos de Curió, o PCdoB teria recrutado para guerrilha 20
habitantes locais – e não 11 como se pensava. Segundo o “Estadão” o número de
combatentes teria chegado a 98, que contavam com o apoio logístico de outros 158
moradores. Estes recebiam os guerrilheiros em suas casas, alimentava-os,
avisava-os sobre a presença de tropas na região, recusavam-se a prestar
informações ao Exército e defendiam a guerrilha em locais públicos. Um número
menor chegou a fazer trabalho de espionagem, transmitir recados e até mesmo
participar de pequenas ações militares. </P>
<P>A maioria desses apoiadores foi presa e barbaramente torturada. Cerca de dez
camponeses morreram lutando ao lado da guerrilha – uma grande parte deles
aprisionada e executada friamente. Por sinal, o primeiro prisioneiro assassinado
pela repressão foi o barqueiro Lourival Paulino e Moura. Ele pertencia, segundo
Curió, ao grupo de apoiadores fortes da guerrilha. </P>
<P><STRONG><FONT size=5>Araguaia: um foco?</FONT></STRONG> </P>
<P>No final da década de 1970 era predominante a opinião de que a Guerrilha do
Araguaia havia sido mais uma tentativa – a última – de se implantar o foquismo
no país. Mudava-se apenas o terreno principal no qual se daria a luta. Em vez de
ser nas grandes cidades - onde haviam combatido o pessoal da VPR, ALN, MR-8 - a
ação passaria a se desenvolver no campo. </P>
<P>A principal argumentação utilizada era que os guerrilheiros no Araguaia não
teriam realizado um trabalho político prévio entre os camponeses e, assim,
subestimado a necessidade da participação popular no processo revolucionário.
Portanto, na prática, não teriam sido as ideias da Guerra Popular, defendidas
pelos documentos oficiais do PCdoB, que teriam prevalecido e sim a “teoria” do
foco, desenvolvida por Regis Debray. <BR>Recentes investigações demonstraram que
esses críticos estavam errados. Quer no plano do esquema teórico quer do ponto
de vista da prática, o que se tentou realizar no Araguaia foi algo bastante
diferente das experiências tipicamente foquistas, como as realizadas pelos
grupos armados urbanos e por Che Guevara na Bolívia entre 1966 e 1967.
<BR>Talvez uma breve comparação entre a estratégia do Araguaia e a da guerrilha
boliviana, um paradigma do método foquista numa área rural, possam elucidar as
diferenças entre as duas concepções e métodos. Aqui não vai nenhum juízo de
valor até porque os dois movimentos revolucionários, apesar de todo o heroísmo
de seus participantes, foram derrotados. </P>
<P>O agrupamento guerrilheiro comandado por Che, por exemplo, era composto de
muitas pessoas que não conheciam bem o terreno e a população onde atuavam –
várias delas nem ao menos eram bolivianas. Uma de suas grandes preocupações era
de não serem avistadas pelos moradores locais. Não houve qualquer trabalho
social ou político antes - ou mesmo depois - de iniciada a luta armada. Esta
começou apenas quatro meses após a sua chegada na área. Por fim, não tinham
ligações sólidas com o Partido Comunista ou outra organização política
revolucionária que pudesse expandir ou dar repercussão nacional ao movimento. Em
certo sentido, a guerrilha substituía o partido. </P>
<P>O PCdoB, dentro da esquerda revolucionária brasileira, foi o maior crítico
das teorias e métodos foquistas. No principal documento sobre o problema da luta
armada – “Guerra Popular: Caminho da Luta Armada no Brasil” – afirmou: “A teoria
do foco conduz à renúncia do trabalho entre as massas e não confia na capacidade
desta de assimilar as ideias revolucionárias e de se lançarem à luta (...). A
concepção do foco nega a necessidade do Partido e defende que o grupo armado é
vanguarda política da revolução”. </P>
<P>Pelo contrário, a teoria da Guerra Popular exigiria “que os combatentes
tivessem forjado sólidos vínculos com as massas da região e soubessem formular
suas reivindicações, conhecessem perfeitamente o terreno em que fossem atuar e
que este, por suas condições geográficas, fosse favorável às forças
revolucionárias e desfavorável às do inimigo”. Foi essa – e não outra -
concepção que norteou a montagem e o desenvolvimento da Guerrilha do
Araguaia.</P>
<P>Os militantes do PCdoB começaram a chegar na região em 1966 – cerca de seis
anos antes da eclosão do conflito. Imediatamente foram se integrando à população
local, como posseiros, pequenos comerciantes etc. Não procuraram construir uma
vida apartada da comunidade onde atuavam. Diante da impossibilidade de
desenvolver uma ação abertamente política, realizaram inúmeros trabalhos
sociais. Constituíram-se em verdadeiros exemplos para aquele povo. Somente isso
explica o carinho depositado neles.</P>
<P>Depois de atacados pelo exército e iniciada a resistência armada – foi disso
que se tratou – os guerrilheiros iniciaram um amplo trabalho político. Criaram
uma organização de massa e de frente-única: a União pela Liberdade e Democracia
do Povo (ULDP). Os seus vinte e sete pontos programáticos tinham em conta as
reivindicações mais sentidas da população local. Chegaram a ser constituídos
treze núcleos da ULDP com dezenas de participantes. Tentou-se, ainda que com
pequeno sucesso, incorporar esses moradores à guerrilha. Portanto, nada estava
mais distante de uma política tipicamente foquista que a experiência
desenvolvida no Araguaia.</P>
<P>Naqueles anos, a maior influência no interior do PCdoB era o maoismo. A
própria opção pelo esquema da Guerra Popular prolongada demonstra isso. Contudo,
mesmo em relação às teses chinesas a concepção que norteou a construção da
Guerrilha do Araguaia tem uma importante nuance: apesar de afirmar que o terreno
principal da revolução brasileira era o interior do país, não apregoou o cerco
das cidades pelo campo. Também não houve o abandono do trabalho político nos
principais centros urbanos. Nesse período, por exemplo, o Partido passou a ser
majoritário no interior da UNE clandestina e organizou a União da Juventude
Patriótica (UJP), que chegou a ter cerca de 300 integrantes no Rio de Janeiro. A
grande maioria dos militantes do Partido permaneceu nas cidades. Apenas um
pequeno número de pessoas – não superior a 20% dos seus efetivos - foi deslocado
para o trabalho de preparação da luta armada no campo.</P>
<P><STRONG><FONT size=5>Guerrilhas em tempos sombrios</FONT></STRONG></P>
<P>Por outro lado, não quero dizer que a teoria da Guerra Popular Prolongada,
ainda que mitigada, tenha sido a concepção e a forma de luta mais adequadas às
condições do Brasil no início da década de 1970. Com toda certeza não foram. O
principal erro, talvez, tenha sido absolutizar um modelo de revolução e tentar
aplicá-lo em condições muito diferentes de onde havia sido originalmente
formulado: China e Vietnã. Estes eram países marcadamente agrários, coloniais
(ou semi-coloniais) e tinham parte de seus territórios ocupados militarmente por
potências imperialistas. Pelo contrário, na segunda metade da década de 1960, o
Brasil já era um país capitalista de médio porte e com uma classe operária
numerosa. Chegamos a ser a 8ª potência do mundo e, embora dependentes, estávamos
longe da condição de colônia. </P>
<P>Existia, também, uma visão imprecisa sobre a correlação de forças existente
no país no início dos anos 1970. Acreditava-se que a ditadura militar era um
regime em desagregação e que estávamos às vésperas de uma nova ascensão do
movimento democrático e popular. Não se captava as consequências sociais e
políticas do chamado Milagre Econômico (1969-1974) e sua capacidade de ganhar
amplos setores das camadas médias urbanas – um dos pivôs da crise do regime
ocorrida em 1968 – e neutralizar parcelas importantes da própria classe
operária. Lula, recentemente, chegou a afirmar que se tivesse havido eleições
diretas em 1970, Médici possivelmente teria ganhado com folga. Tese
questionável, mas que reflete o espírito de um operário médio paulista naquela
época. <BR>A dura repressão política e o rápido crescimento
econômico (ainda que excludente) criaram uma situação extremamente desfavorável
para as forças oposicionistas e, principalmente, para o desenvolvimento da
“guerra de guerrilhas”. Entre 1974 e 1975, com o início da crise econômica, a
“abertura política”, o crescimento das forças democráticas e populares,
especialmente do movimento operário, os comunistas foram obrigados a mudar sua
estratégia revolucionária.</P>
<P>O PCdoB, por exemplo, abandonou muitas das ideia presentes no documento
“Guerra Popular: caminho da luta armada no Brasil”, rompendo com os modelos
rígidos de revolução. A partir de então indicaria a necessidade da combinação
dialética entre múltiplas formas de luta (pacíficas e não-pacíficas), que
poderiam se dar em diferentes cenários (campo e cidade) dependendo das
correlações de forças existentes e das experiências acumuladas pelo povo
brasileiro. A revolução, como diria Mariátegui, não seria “decalque nem cópia e
sim criação heróica das massas”. A Guerrilha do Araguaia, com seus acertos e
erros, decididamente, contribuiu nesse longo processo de aprendizagem. </P>
<P><STRONG>Veja a matéria sobre o Dossiê do Curió</STRONG></P>
<P><A
href="http://www.aleac.ac.gov.br/aleac/edvaldomagalhaes/index.php?option=com_content&task=view&id=1305&Itemid=2"
target=_blank http: www.aleac.ac.gov.br aleac edvaldomagalhaes
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<P><A
href="http://www.estadao.com.br:80/especiais/com-arquivo-curio-araguaia-ganha-nova-versao,63173.htm"
target=_blank http: www.estadao.com.br:80
com-arquivo-curio-araguaia-ganha-nova-versao,63173.htm??
especiais>http://www.estadao.com.br:80/especiais/com-arquivo-curio-araguaia-ganha-nova-versao,63173.htm</A></P>
<P>Sobre o julgamento dos camponeses do Araguaia</P>
<P><A href="" target=_blank http: www.vermelho.org.br
base.asp?texto="58577''">http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=58577</A></P>
<P><BR><STRONG>Leia outros artigos do autor:</STRONG> </P>
<P>Em Defesa do Araguaia<BR><A href="" target=_blank http: www.vermelho.org.br
base.asp?texto="17243''">http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=17243</A></P>
<P>A Guerrilha do Araguaia renasce a cada dia<BR><A href="" target=_blank http:
www.rebelion.org hemeroteca brasil
040415buonicore.htm??>http://www.rebelion.org/hemeroteca/brasil/040415buonicore.htm</A></P>
<P> </P></DIV><BR>
<DIV id=fonte><BR>
<HR SIZE=1>
<DIV id=autor><IMG src="http://www.vermelho.org.br/ctt/img_upload/aut_51.jpg"
align=left>
<P><STRONG>*Augusto Buonicore</STRONG>, Historiador, mestre em ciência política
pela Unicamp</P></DIV><BR
clear=all></DIV></FONT></FONT></DIV></DIV></BODY></HTML>