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<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=5>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
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<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
class=noticiatitulo><STRONG><FONT
size=5>ORAÇÕES</FONT></STRONG></SPAN><o:p></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR><SPAN class=noticiaautor>Frei
Betto *</SPAN><o:p></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"> <o:p></o:p></P>
<P><STRONG><FONT size=4>Pai-Nosso<o:p></o:p></FONT></STRONG></P>
<P>Pai-nosso que estais no céu, e sois nossa Mãe na Terra, amorosa orgia
trinitária, criador da aurora boreal e dos olhos enamorados que enternecem o
coração, Senhor avesso ao moralismo desvirtuado e guia da trilha peregrina das
formigas do meu jardim,<o:p></o:p></P>
<P>Santificado seja o vosso nome gravado nos girassóis de imensos olhos de ouro,
no enlaço do abraço e no sorriso cúmplice, nas partículas elementares e na
candura da avó ao servir sopa,<o:p></o:p></P>
<P>Venha a nós o vosso Reino para saciar-nos a fome de beleza e semear partilha
onde há acúmulo, alegria onde irrompeu a dor, gosto de festa onde campeia
desolação,<o:p></o:p></P>
<P>Seja feita a vossa vontade nas sendas desgovernadas de nossos passos, nos
rios profundos de nossas intuições, no voo suave das garças e no beijo voraz dos
amantes, na respiração ofegante dos aflitos e na fúria dos ventos subvertidos em
furacões,<o:p></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Assim na Terra como no céu, e
também no âmago da matéria escura e na garganta abissal dos buracos negros, no
grito inaudível da mulher aguilhoada e no próximo encarado como dessemelhante,
nos arsenais da hipocrisia e nos cárceres que congelam vidas. <o:p></o:p></P>
<P>O pão nosso de cada dia nos dai hoje, e também o vinho inebriante da mística
alucinada, a coragem de dizer não ao próprio ego, o domínio vagabundo do tempo,
o cuidado dos deserdados e o destemor dos profetas, <o:p></o:p></P>
<P>Perdoai as nossas ofensas e dívidas, a altivez da razão e a acidez da língua,
a cobiça desmesurada e a máscara a encobrir-nos a identidade, a indiferença
ofensiva e a reverencial bajulação, a cegueira perante o horizonte despido de
futuro e a inércia que nos impede fazê-lo melhor,<o:p></o:p></P>
<P>Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e aos nossos devedores, aos
que nos esgarçam o orgulho e imprimem inveja em nossa tristeza de não possuir o
bem alheio, e a quem, alheio à nossa suposta importância, fecha-se à
inconveniente intromissão, <o:p></o:p></P>
<P>E não nos deixeis cair em tentação frente ao porte suntuoso dos tigres de
nossas cavernas interiores, às serpentes atentas às nossas indecisões, aos
abutres predadores da ética,<o:p></o:p></P>
<P>Mas livrai-nos do mal, do desalento, da desesperança, do ego inflado e da
vanglória insensata, da dessolidariedade e da flacidez do caráter, da noite
desenluada de sonhos e da obesidade de convicções inconsúteis,<o:p></o:p></P>
<P> Amemos. <o:p></o:p></P>
<P><FONT face=Arial size=2></FONT><BR><STRONG><FONT size=4>Ave Maria
latino-americana<o:p></o:p></FONT></STRONG></P>
<P> Ave Maria / grávida das aspirações de nossos pobres, / o Senhor é
convosco / bendita sois vós entre os oprimidos, / benditos os frutos de
libertação / do vosso ventre. <o:p></o:p></P>
<P> Santa Maria, mãe latino-americana / rogai por nós / para que confiemos
no Espírito de Deus, / agora que o nosso povo assume a luta por justiça / e na
hora de realizá-la em liberdade, / para um tempo de paz. / Amém!<o:p></o:p></P>
<P><BR><FONT size=4><STRONG>Oração do pássaro<o:p></o:p></STRONG></FONT></P>
<P> Senhor, tornai-me louco, irremediavelmente louco<BR> Como os
poetas sem palavras para os seus poemas,<BR> As mulheres possuídas pelo
amor proibido,<BR> Os suicidas repletos de coragem perante o medo de
viver,<BR> Os amantes que fazem do corpo a explosão da alma.<o:p></o:p></P>
<P> Dai-me, Senhor, o dom fascinante da loucura<BR> Impregnado na face
miserável do pobre de Assis,<BR> Contido nos filmes dionisíacos de
Fellini,<BR> Resplandecente nas <st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>as policrômicas de Van Gogh, <BR> Presente na
luta inglória de Lampião.<o:p></o:p></P>
<P> Quero a loucura explosiva, sem a amargura<BR> Da razão ética das
pessoas saciadas à noite pela TV,<BR> Da satisfação dos funcionários
fabricantes de relatórios,<BR> Dos deveres dos padres vazios de
amor,<BR> Dos discursos políticos cegos ao futuro.<o:p></o:p></P>
<P> Fazei de mim, Senhor, um louco<BR> Embriagado pelo vosso
amor,<BR> Marginalizado do rol dos homens sérios,<BR> Para poder
aprender a ciência do povo<BR> Em núpcias com a Cruz que só a Fé
entende<BR> Como um louco a outro louco.<o:p></o:p></P>
<P>[Autor de "Diário de Fernando - Nos cárceres da ditadura militar brasileira",
que a editora Rocco faz chegar às livrarias na próxima semana].<o:p></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR><SPAN class=noticiaautor>*
Escritor e assessor de movimentos sociais</SPAN><o:p></o:p></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p> </o:p></P></DIV></BODY></HTML>