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<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO. 
..........repassem.</MARQUEE></P>
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<P class=chapeu>DEBATE ABERTO</P>
<P class=titulo>Autoritarismo e alienação</P>
<P class=linhafina>O que assusta no episódio da USP é que isto possa prenunciar 
o que poderá vir depois das próximas eleições presidenciais. A lógica do porrete 
aproxima-se velozmente do cenário nacional. Estão de parabéns os estudantes, 
funcionários e professores que se solidarizaram. </P>
<P class=headline-link>Luís Carlos Lopes</P>
<P class=texto>O que ocorreu nos últimos dias na Universidade de São Paulo 
demonstra, mais uma vez, a permanência do entulho autoritário na vida política e 
social brasileira. Estudantes, professores e funcionários públicos continuam 
sendo considerados inimigos do Estado e da ordem. Não podem discordar. Devem 
aceitar os ditames do poder. Não podem se manifestar, nem mesmo dentro da 
instituição de que são parte legítima e inquestionável. Se insistem, a polícia 
substitui a política, a violência fica no lugar do diálogo e da 
intercompreensão.<BR><BR>Nestes episódios, como em muitos outros, fica patente 
que ainda não encerramos completamente o velho ciclo da ditadura militar. Ela 
continua aí, pronta para atacar, logo que chamada a agir. Seus esbirros, 
mantidos pelo Estado, já não podem metralhar com balas de aço e chumbo, mas 
podem usar da borracha, do gás e de outras formas de intimidar. Não podem mais 
torturar - como gostariam - mas continuam a impor a "ordem", dentro da 
Universidade, bem como nas comunidades pobres, por meio da força militar. Ainda 
têm a coragem de reclamar de meia dúzia de pedras arremessadas pelo ódio que 
plantam e colhem. <BR><BR>O que assusta é que isto possa prenunciar o que poderá 
vir depois das próximas eleições presidenciais. A lógica do porrete aproxima-se 
velozmente do cenário nacional. Estão de parabéns os estudantes, funcionários e 
professores que se solidarizaram. São fascistas ou covardes os que se calaram ou 
tiveram a coragem de dizer que o movimento não tinha legitimidade. Dentre outras 
barbaridades, chegou-se a dizer que os alunos da USP eram privilegiados frente 
aos das escolas privadas. Aliás, onde estes estão? Será que não dá tempo de 
pensar, tendo que pagar grandes mensalidades para obter um diploma e um título 
formal, isto é, daqueles que são para agradar a família e fazer de conta que se 
aprendeu algo? <BR><BR>Não se sabe o que se passa na cabeça de tanta gente. O 
que é estranho é que hoje, diferentemente, dos anos sessenta e oitenta, é 
impressionante o grau de apatia, de consumismo e de anestesia mental dos jovens 
e de muitos adultos. Nada mais importa do que o último modelo de celular, a 
roupa de grife e o faz-de-conta da vida. Afinal, eles também estão na 
"fauculdade", mesmo que não saibam escrever nada e irão ser, certamente, 
‘"deplomados". Se alguém duvidar, basta consultar bobagens similares na 
Internet, um canal de comunicação também fortemente usado na barbárie do tempo 
presente. <BR><BR>O problema não é somente que se assassine a língua. O mais 
grave é o desinteresse por tudo que é realmente importante na vida deles. 
Imagina-se, no que se refere à vida dos outros. Está-se longe da época onde o 
"coração de estudante" era também o dos operários e camponeses. Bater ou matar 
um bastava para atingir a todos. A rebeldia vinha em um átimo, logo que a 
notícia corria.<BR><BR>Hoje, ao contrário, grande parte dos estudantes foi 
anestesiada ao nascer. Poucos se importam ou mesmo pensam que são parte da mesma 
comunidade. Para manter a imunidade de acesso ao "deserto do real", basta que 
vejam TV, ou que usem de modo pouco inteligente as demais mídias etc. A 
sociedade em que estes jovens vivem é igualmente anestesiada, dar-lhe-á todo o 
apoio de que precisam. Nas mídias convencionais e em parte das alternativas 
encontrarão o mesmo conforto. <BR><BR>Por causa disto tudo, se têm que saudar os 
que sobraram. Os que não se dobram e continuam a insistir na pureza do "coração 
de estudante", aqueles que nunca esqueceram independentemente da idade que hoje 
tenham. Os que acreditam no sonho e na poesia da vida e não a pensam como algo 
insosso e difícil de engolir. Que venham bombas, balas de borracha, discursos 
mentirosos, autoridades sem respeito. Que venham todos. Eles não poderão jamais 
nos destruir. <BR></P><BR>
<P class=linha-fina>Luís Carlos Lopes é professor, sempre estudou na escola 
pública e fez seu doutorado na Universidade de São Paulo, no mesmo prédio 
bombardeado pela polícia nos recentes acontecimentos. 
<BR></P></DIV></DIV></BODY></HTML>