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<DIV><EM><FONT color=#ff0000><STRONG><FONT face=Forte size=6>Carta O Berro<FONT
size=3>...........................................................................................................repassem</FONT></FONT></STRONG></FONT></EM></DIV>
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<DIV><EM><FONT color=#620309><STRONG><FONT size=6>ALAI, America Latina em
Movimento</FONT></STRONG><BR><BR></DIV></FONT></EM>
<DIV id=categorias>Brasil</DIV>
<H2 style="COLOR: #620309"><FONT size=6>Só a luta faz a lei</FONT></H2>
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href="http://alainet.org/active/show_author.phtml?autor_apellido=Tavares+&autor_nombre=Elaine"><FONT
color=#620309>Elaine Tavares </A></FONT></DIV>
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<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG><SPAN> </SPAN>Paulo Freire, o
grande educador brasileiro que é praticamente desconhecido no Brasil, sempre foi
enfático com relação à alfabetização. “Não basta saber ler, é preciso saber ler
o mundo”. Queria dizer com isso que aprender era coisa que ia muito além da
compreensão sobre como se juntavam as letras. Era necessário estar capacitado
também para uma leitura crítica do mundo. E como é que se consegue isso? Não
basta unicamente estudar, ler, ter acesso a múltiplas fontes<SPAN>
</SPAN>de informação, múltiplos pontos de vista. É preciso fundamentalmente
saber de onde se é. E o que isso quer dizer? Que a pessoa precisa ter bem claro
o lugar que ocupa no mundo, o que, no mundo capitalista, nos leva a uma
compreensão da nossa posição de classe.<O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG><SPAN> </SPAN>A votação sobre a
não exigência do diploma para a profissão de jornalista, que aconteceu no STF
brasileiro, diz bem desta questão. Ali estavam os senhores togados,
representantes da classe dominante. São homens nomeados pelos presidentes de
plantão para defender os interesses dos que mandam. Nada mais que isso. Vez ou
outra acontece uma decisão com base na lei, mas sempre é coisa pequena, que não
mexe nas estruturas, porque como bem diz o professor Nildo Ouriques, da UFSC, a
democracia liberal é um regime sem lei. Neste modo de governo, as leis são
mudadas ao bel prazer da minoria que tem o
comando.<O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG><SPAN> </SPAN>Vejamos os
argumentos do ministro Gilmar Mendes para que a profissão prescinda de uma
formação universitária: “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa
faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer
refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso
superior nessa área. O Poder Público não pode restringir, dessa forma, a
liberdade profissional no âmbito da culinária. Disso ninguém tem dúvida, o que
não afasta a possibilidade do exercício abusivo e antiético dessa profissão, com
riscos eventualmente até a saúde e à vida dos consumidores. Logo, um jornalista
não precisa de formação para fazer bom jornalismo.” Alguém
entendeu?<O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG><SPAN> </SPAN>Pois claro. Vamos
supor que o que tivesse em questão fosse a necessidade de uma faculdade de
Direito para que o juiz pudesse julgar a vida de outras pessoas. Poderíamos,
qualquer um, argumentar o seguinte:<SPAN> </SPAN>“Um excelente chefe de
cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima
estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional
registrado mediante diploma de curso superior nessa área. O Poder Público não
pode restringir, dessa forma, a liberdade profissional no âmbito da culinária.
Disso ninguém tem dúvida, o que não afasta a possibilidade do exercício abusivo
e antiético dessa profissão, com riscos eventualmente até à saúde e à vida dos
consumidores. Logo um juiz não precisa de formação para ser um bom juiz. Basta
que ele tenha um bom senso de justiça e estude muito. ” Simples
não?<O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG>Num país onde a maioria da
população, desprovida do acesso à cultura e a educação, que se informa pela
Globo, este simplório argumento representa uma vergonha. E nos causa profundo
pesar ouvir isso de alguém que está acima de praticamente todos os habitantes da
nação, o presidente do STF. É um argumento anti-intelectual, anti-cultural,
anti-vida.<O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG>Minha mãe era uma grande cozinheira,
mas sua comida divina nos era servida em casa, para a família. Não estava ela
inserida no sistema de super-exploração capitalista, atuando numa empresa
transnacional, na qual imperam os conceitos de competição, baixos salários e
disputas intestinas. Não estava ela submetida a patrões, organogramas e metas de
produtividade. Não estava também integrada num regime de divisão do trabalho aos
moldes de garantir maiores lucros aos patrões. Logo, a decisão tomada nesta
quarta-feira pelo STF foi uma decisão de classe. A defesa intransigente dos
donos de jornais e empresários da comunicação que querem apenas gente
minimamente capacitada para ler, não para ler o mundo. Porque o ser crítico,
desejado por Paulo Freire, é um indivíduo perigoso demais. Ele reclama, ele
reivindica, ele luta e ele ensina. A elite brasileira não quer isso para o seu
povo. Há que mantê-lo sempre atado ao cabresto da ignorância, ao entretenimento,
a mais-valia ideológica promovida pelos meios de comunicação de massa. Dá-lhe
Big Brother, a Fazenda e outros quetais.<O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG><FONT size=4>Voltando aos tempos do
início do capitalismo<O:P></O:P></FONT></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG><SPAN> </SPAN>Quando a Idade
Média terminou, foi-se chegando um jeito de organizar a vida que mais tarde
viria a ser chamado de capitalismo. É o supra-sumo da liberdade, dizem os seus
defensores. Nele, o trabalhador tem escolhas. Como era naqueles dias em que as
fábricas passaram a dominar a vida. O povo empobrecido dos burgos tinha como
escolher: ou se submetia a trabalhar vinte horas em condições insalubres e de
quase escravidão, ou estava morto. Grande
escolha.<O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG>Agora, no mundo capitalista da mídia
selvagem e cortesã estamos no mesmo patamar. Os profissionais não precisam de
formação específica, só vocação. Depois, uma vez dentro da empresa terão
escolhas. Ou se submetem a salários mais baixos, condições precárias, opressão,
assédio moral e tudo o que vem de lambuja no processo de super-exploração, ou
não entram nesta profissão tão simples quanto fritar um
bife.<O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG><SPAN> </SPAN>Bueno, e não é
por acaso que o futuro esteja praticamente na mão da empresas de mídia, visto
que hoje em dia a produção de informação é o xodó do planeta. Logo, aquilo que é
a coisa mais importante para um povo, o conhecimento das coisas da vida, ficará
entregue a sanha do capital. Aos trabalhadores restará a opção democrática:
aceitar ou cair fora. Não precisa ser vidente para prever o futuro:
profissionais capacitados serão substituídos por quem aceitar submeter-se a
salários menores. Será o “lindo” mundo habermasiano do consenso. A livre
negociação entre empresários e trabalhadores. O tubarão dialogando com a
sardinha.<O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG><FONT
size=4>Alternativas<O:P></O:P></FONT></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG><SPAN> </SPAN>Quem acompanha a
vida cotidiana dos jornalistas nos locais de trabalho sabe que as coisas vão
piorar muito. Até agora ainda havia um mínimo de regulação, uma pequena fatia de
direitos com a qual o sindicato podia mover-se. Era possível fazer a luta
através da Justiça ou da delegacia do trabalho. Havia um amparo mínimo. Agora
não há mais. Os trabalhadores estão entregues a sua sorte, porque até que se
crie uma nova lei com algum tipo de regulamentação a vida seguirá seu curso
inexorável.<O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><STRONG><SPAN> </SPAN><O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG>Mas, como dizem os cubanos –
acostumados a bloqueios e vicissitudes – às vezes o horror pode servir para o
passo adiante. Nos últimos tempos estávamos entregues a um trabalho sindical
burocratizado, limitado às ações na Justiça. Havia uma apatia dos trabalhadores
frente às lutas, uma espécie de “deixa que o sindicato resolva”. E os
sindicatos, esvaziados de vida, iam arrastando-se, ganhando uma coisinha aqui e
outra ali, amansando o monstro.
<SPAN> </SPAN><O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><STRONG><SPAN> </SPAN><O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG>Agora estamos no chão. Os
empresários ganharam esta batalha. Desregulamentados totalmente, estamos
entregues aos desejos dos patrões. Sem medidas compensatórias via Justiça só
cabe uma ação: a luta mesma, renhida e dura. Voltarmos aos tempos em que os
trabalhadores se reuniam nos sindicatos para conspirar e organizar batalhas
contra o capital. Então, é chegada a hora. De volta às ruas, de volta à
organização, de volta a vida! Foi só uma batalha...Outras
virão.<O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG><SPAN> </SPAN>Por isso, agora,
estamos num momento de viragem. Ou inventamos ou morremos, como dizia Simón
Rodrigues. Para novas liras, novas canções. Nada de soluções atrasadas como a do
Conselho Federal de Jornalismo que só engessa e institucionaliza a luta. Nada
temos a perder, apenas nossos corpos nus, como dizia Marcos Faermann. Só os
trabalhadores unidos e organizados podem mudar o seu destino. Por isso, vamos à
luta. Refazer os mapas, reorientar rumos, mas organizados no
sindicato.<O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG><SPAN> </SPAN>Os patrões talvez
não tenham se dado conta, mas ao nos tirarem tudo podem estar criando “cuervos”.
Nada mais perigoso que um homem sem esperança!<O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><STRONG>Elaine Tavares<SPAN> </SPAN>-
jornalista<O:P></O:P></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN
lang=PT-BR><O:P><STRONG> </STRONG></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR>Existe vida no
Jornalismo<O:P></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR>Blog da Elaine: <A
href="http://www.eteia.blogspot.com/">www.eteia.blogspot.com</A><O:P></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR>América Latina Livre - <A
href="http://www.iela.ufsc.br/">www.iela.ufsc.br</A><O:P></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR>Desacato - <A
href="http://www.desacato.info/">www.desacato.info</A><O:P></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR>Pobres & Nojentas - </SPAN><A
href="http://www.pobresenojentas.blogspot.com/"><SPAN
lang=PT-BR>www.pobresenojentas.blogspot.com</SPAN></A><SPAN
lang=PT-BR><O:P></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal><SPAN lang=PT-BR><O:P> </O:P></SPAN></P></BODY></HTML>