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<BODY bgColor=#ffffff>
<DIV><FONT face=Forte color=#ff0000 size=6><STRONG>Carta O Berro<FONT
size=3>......................................................................repassem</FONT></STRONG></FONT></DIV>
<DIV><STRONG><FONT face=Arial size=2></FONT><BR></STRONG></DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2><STRONG></STRONG></FONT> </DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial"><STRONG>----- Original Message ----- </STRONG>
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><STRONG>From: </STRONG><A
title=beatrice.lista@gmail.com
href="mailto:beatrice.lista@gmail.com"><STRONG>beatrice.lista</STRONG></A><STRONG>
</STRONG></DIV>
<DIV><STRONG>----- Original Message ----- </STRONG></DIV></DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><STRONG>From: </STRONG><A
title=vasaal10@yahoo.com.br href="mailto:vasaal10@yahoo.com.br"><STRONG>valerio
SANTIAGO</STRONG></A><STRONG> </STRONG></DIV>
<DIV><STRONG></STRONG> </DIV></DIV>
<DIV><STRONG><BR></STRONG></DIV>
<TABLE cellSpacing=0 cellPadding=0 border=0>
<TBODY>
<TR>
<TD vAlign=top>
<DIV class=contentpaneopen>
<DIV class=createdate><FONT face=Arial size=2><STRONG></STRONG></FONT><!-- width="100%">--></DIV></DIV>
<DIV class=contentpaneopen><!--</td>
                </tr>--><!--                <tr>
                        <td valign="top" colspan="2">--><SPAN class=suma_intro>
<P class=chamadaverde_maior_corpotexto><STRONG><IMG class=suma_imagem
title=Image style="PADDING-RIGHT: 5px" height=160 alt=Image hspace=0
src="http://www.zedirceu.com.br//images/stories/zedeabreu_entrada1.jpg"
width=127 align=left border=0><FONT size=6>A arte nacional pertence ao
povo</FONT></STRONG></P></DIV>
<DIV><STRONG>A conclusão é de Zé de Abreu que nesta entrevista analisa as
propostas de mudanças na Lei Rouanet, seu ofício de ator e as dificuldades
de se fazer arte neste país. Também fala de política, mídia e conta seus
projetos futuros. <BR></STRONG></DIV></SPAN><SPAN class=suma_corpo>
<P class=chamadaverde_maior_corpotexto><STRONG><IMG class=suma_imagem
title=Image style="PADDING-RIGHT: 5px" height=188 alt=Image hspace=0
src="http://www.zedirceu.com.br//images/stories/zedeabreu_home2clara.jpg"
width=138 align=left border=0>A arte nacional pertence ao povo </STRONG>
<DIV><STRONG></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG>A conclusão é do ator José de Abreu, com a bagagem de quem
possui mais de 40 anos dedicados à dramaturgia brasileira. Nascido em
Santa Rita do Passa Quatro (SP), foi na capital paulista que o estudante
de Direito da PUC-SP estreou nos palcos com <EM>Morte e Vida
Severina</EM>, de João Cabral de Melo Neto, em 1967.<BR><BR>Militante do
movimento estudantil, lutou contra a ditadura militar e teve sua carreira
interrompida após ser preso no Congresso de Ibiúna. Exilado em 68,
retornou ao país em 1974, passando a morar, inicialmente, em Pelotas
(RS).<BR><BR>Nesta entrevista, o ator de cinema, teatro e televisão
explica o seu ofício e como se prepara na construção de seus personagens.
Também aponta as dificuldades que cerceiam a produção artística hoje no
país e garante, com a experiência de suas viagens, que um expressivo
número de cidades brasileiras já contam com pelo menos um
teatro.<BR><BR>Sobre as mudanças propostas à Lei Rouanet, Abreu critica a
atual forma de captação de recursos e afirma que "na prática, 80% ou mais
dos projetos, embora aprovados e com autorização, não conseguem captar um
tostão. Quem consegue captar é gente famosa ou amigos dos empresários".
<BR><BR>O guerrilheiro das artes neste país também fala - e gosta - de
política. Apóia a candidatura da ministra Dilma Rousseff, critica a
polarização da mídia e nos conta sobre a experiência de vivenciar
personagens históricos como seu recente papel de Juscelino Kubistcheck no
filme "</STRONG><A
href="http://www.youtube.com/watch?v=7eBA1Mfy8aQ"><STRONG>Bela Noite para
Voar</STRONG></A><STRONG>".<BR><SPAN
class=chamadalaranja_corpotexto></SPAN></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN>
Você que tem como um de seus últimos filmes o "Bela Noite para Voar", em
que faz o papel do ex-presidente Juscelino Kubitscheck, que análise faz
sobre o cinema brasileiro hoje? <BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> O cinema brasileiro é
o único no mundo que vive da produção e não da exibição. A captação de
recursos pela Lei do Audiovisual (de isenção fiscal), funciona no mesmo
sistema da Lei Rouanet, ou seja, você tem que pagar tudo e todos os que
trabalham no filme - equipe técnica, aluguel do equipamento, negativo,
fitas de vídeo, diretor, produtor, roteirista, atores, enfim, tudo.
<BR><BR>Depois você capta recursos junto às distribuidoras que normalmente
são norte-americanas e seguem outro mecanismo fiscal. Para que possam
mandar para fora o lucro que tem com o blockbuster americano, elas são
obrigadas a aplicar uma parte no país de destino dos filmes - por exemplo,
o Brasil - também em incentivo fiscal. É desta forma que o filme é lançado
e distribuído.<BR> <BR>Se o filme atingir até 1 milhão de
espectadores, empatou. Ninguém ganha nada, entra em cartaz e vai embora.
Ninguém recebeu o dinheiro da bilheteria. Se o filme tiver de 2 mi a 3
milhões de espectadores começa a haver um retorno de bilheteria para o
dono do filme. Agora, veja, isso não interessa à distribuidora americana.
Óbvio que se o filme fizer um baita sucesso, der 6 milhões de
espectadores... Mas a grana mesmo, ela já ganhou no momento em que aplicou
o dinheiro no Brasil.</STRONG><SPAN
class=chamadapreta_maior_corpotexto><BR></DIV></SPAN>
<DIV><STRONG>Então, é uma coisa insólita. Você fez um filme que demora em
média dois anos - se for muito rápido, geralmente uma produção
independente leva de dois a quatro anos - teu filme fica uma semana em
cartaz e acabou! Há filmes que nem chegam a ser lançados, só em festivais
porque o cara não consegue uma distribuidora. Imagine, não é lançado! E
você não vê a pessoa reclamar disso, porque ele é pago na produção e não
na bilheteria.</STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><SPAN class=chamadapreta_maior_corpotexto>O filme é do
governo brasileiro</SPAN><BR><BR><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[
Zé Dirceu ]</SPAN> Qual o papel da televisão nisso? Qual o papel que o
Canal Brasil, por exemplo, pode desempenhar?<BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> O Canal Brasil ficou
muito sólido de uns cinco anos pra cá, mudou a direção. O Paulo Mendonça
está fazendo um trabalho muito intenso, mas não tem dinheiro para comprar.
Eles pagam pouco para exibir o filme. O que faz um filme brasileiro
normal, onde o diretor e o produtor tem certa presença? Vai para o cinema,
deste vai para o DVD, depois para o canal fechado, para o canal aberto (da
Globo ou Canal Brasil) e acabou. Normalmente, prefere-se a Globo porque
ela passa mais e dá uma baita visibilidade. O Canal Brasil ainda é muito
incipiente e embora tenha melhorado muito, ainda tem pouco
público.<BR><BR>Hoje, eu estou numa batalha para produzir um longa. Penso
sempre: será que não tem outra maneira de distribuir cinema no Brasil que
não seja essa maneira convencional? Já que o filme é pago com o dinheiro
do povo, não tem uma maneira de fazer esse filme chegar até os verdadeiros
donos? Esse filme não é do produtor, é do governo brasileiro. É por isso
que o Juca [Ferreira, ministro da Cultura) está dizendo que quer pelo
menos pedaços dos direitos na nova regulamentação da Lei Rouanet. Ou seja,
o ministro da Cultura quer que o governo federal fique com algum direito
sobre a obra patrocinada. Tem muita lógica. <BR><BR>Ando pensando no
exemplo da Carla Camurati que faz no cinema, o que faço muito com o
teatro: sair viajando. Com o cinema é muito mais fácil porque você pode
montar uma equipe de 50 pessoas e sair pelo Brasil distribuindo os
filmes.<BR><BR><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN>
Você está dizendo que faz uma verdadeira guerrilha. <BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> É uma
guerrilha.<BR><BR><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu
]</SPAN> Guerra mesmo é a industrialização do cinema.<BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> Mas aí, você corre o
risco de ter seu filme cinco dias em cartaz e acabou. Ele nunca mais
entra. Depois que foi, queimou.<BR><BR><SPAN
class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN> E o DVD?<BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> É muito
importante.<BR><BR><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu
]</SPAN> Você não pode vender um milhão de cópias do filme?<BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> Existe o problema da
pirataria. No momento em que você coloca o DVD na rua, no dia seguinte
eles estão vendendo a R$10. Você pode, talvez, segurar um filme sem
pirataria, se tiver muito controle, no máximo até o dia da estréia, porque
aí o cara entra com uma camerazinha e no dia seguinte, a fita pirata está
à venda.<BR> <BR>Não sei como ainda, mas o futuro será através da
Internet para você atingir todos os rincões do país. Recentemente, saiu
uma pesquisa sobre o que é a aceitação das lan house. O brasileiro gosta
de comunicação e internet é a comunicação. <BR><BR><SPAN
class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN> Mas não encontramos
ainda uma forma de pagar (aos autores e donos) pelos direitos na
internet.<BR><BR><SPAN class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu
]</SPAN> Ainda não, mas para a música já. Ontem a Macintosh estava
comemorando 1 bi de downloads de programas, músicas e jogos do mundo Mac.
Tudo pago. Evidente que eles dão muitas coisas. Os joguinhos para
telefone, por exemplo. 80% são pagos e 20% gratuito. Mas...<BR><BR><SPAN
class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN> Você falou sobre
alterações na Lei Rouanet. Qual a sua opinião sobre as propostas e as
mudanças em estudos? Quais os pontos positivos e os inconvenientes? Como o
mundo da cultura está recebendo isso?<BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> É muito difícil. Veja
só a história da regionalização da cultura. Quando fugi da ditadura, fui
parar em Pelotas. Eu produzi teatro no Rio Grande do Sul durante dez anos
e vou te dizer: você pode fazer o melhor produto cultural no RS, e vem o
pior do Rio e de São Paulo, e você perde a concorrência. Você pode montar
uma peça com 20 atores, passar um ano ensaiando, belos músicos e
cenógrafos, um texto de peso, um Brecht, uma baita produção e estrear num
teatro em Porto Alegre, com um grupo gaúcho. Vem uma pessoa qualquer da
Globo com um monólogo vagabundo, e aí não tenha dúvidas, vai lotar o
teatro com o monólogo vagabundo.<BR><BR>O que acontece na Lei Rouanet? O
que se diz é que Rio e São Paulo pegam de 80% a 90% do incentivo fiscal.
Agora, o desconhecido do Rio e de São Paulo continua não pegando, assim
como o desconhecido do Piauí. Mas o conhecido do Piauí pega porque um bom
cineasta, um bom escritor, um bom pintor do Piauí vão conseguir patrocínio
nas empresas do Piauí. Mas o desconhecido de São Paulo e o do Piauí não
vão. Essa é a questão do regionalismo.<BR><BR>Outra história é a seguinte:
a Lei Rouanet deu para o diretor de marketing da empresa o direito de
escolher o que ele vai patrocinar. O governo quer ter uma parte nessa
escolha através do Fundo Nacional de Cultura. Esse Fundo é o restolho, o
que sobrou do patrocínio, mais o dinheiro que o governo federal bota nele.
Por exemplo, eu consigo um patrocínio de R$ 500 mil para fazer um filme e
gasto R$ 400 mil - R$ 100 mil vão para o Fundo Nacional de Cultura. Eu
captei pra mim, não precisei, então devolvo e é esse dinheiro que vai para
o Fundo.<BR><BR><IMG class=suma_imagem title=Image
style="PADDING-RIGHT: 5px" height=219 alt=Image hspace=0
src="http://www.zedirceu.com.br//images/stories/entrevistas/zedeabreu_int.jpg"
width=175 align=right border=0>O que o ministro Juca está propondo é um
critério artístico para patrocinar. Por exemplo, um critério óbvio é que o
Cirque de Soleil não precisa de R$12 milhões do Bradesco. Isso é óbvio. E
custa caro! Mas aí, (a analisar por aí) você vai chegar nas estatais de
São Paulo que captam 80% da Lei Rouanet - vide Orquestra Sinfônica e
várias entidades que entram na Lei Rouanet, embora o Estado tenha uma lei
própria e possa bancar a Orquestra. Mas, captam pela lei
federal.</STRONG></DIV>
<DIV><STRONG>Devíamos ter duas maneiras de fazer a captação. Do jeito que
está é impossível. A FUNARTE gasta tudo o que ganha enxugando gelo. Se o
prefeito da minha terra, ou o de Santa Rita do Passa Quatro resolver fazer
uma biblioteca ou o cara da banda resolver comprar instrumentos, ele faz
uma Lei Rounet. E pensa que uma vez aprovado (enquadrado) na Lei, o
governo já vai dar dinheiro para ele. A maioria dos caras não sabem que é
depois da aprovação (enquadramento) na Lei Rouanet que ele tem que captar
o dinheiro. Na prática, 80% ou mais dos projetos, embora aprovados e com
autorização, não conseguem captar um tostão. Quem consegue captar é gente
famosa ou amigos dos empresários. <BR><BR>A FUNARTE gasta quase toda a
verba analisando projetos. Contrata técnicos que fazem a análise de cada
projeto, um por um e de todas as especializações. Eles analisam projetos
que sabem que não vão captar, mas é uma democracia. Se estiver dentro da
Lei, direitinho na planinha... Se a análise técnica for aprovada, volta
para o Ministério que publica no Diário Oficial – e o Ministério é
obrigado a aprovar todos os que cumpram as exigências da lei. Aí o cara
vai captar e descobre que vai começar o seu trabalho. <BR><BR>Frente a
isso, e porque o Ministério sabe quem capta, fizemos um banco de
produtores para ver se conseguirmos passar isso à frente. No ano passado
houve um tráfico tão grande de projetos que o Ministério não tinha
capacidade para liberar. Como fazer? Você vai proibir que as pessoas façam
projetos? Claro que não. Agora, o Juca [Ferreira] além da análise técnica,
quer fazer a avaliação artística, no sentido do artístico-cultural - ou
seja, decidir, “esse projeto interessa ao povo brasileiro? Esse projeto
merece ter dinheiro do povo?”<BR><BR></STRONG><STRONG><SPAN
class=chamadapreta_maior_corpotexto>Empresários e governos <BR>tem pontos
de vista diferentes</SPAN><BR><BR><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[
Zé Dirceu ]</SPAN> O mesmo critério que deveriam ter as empresas que tomam
as decisões (de patrocinar o projeto).<BR> <BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> Não. Na verdade, as
empresas que tomam a decisão querem o contrário do que quer o governo. O
governo quer que o não famoso e o regional tenham condições de captar; e
ao conseguir, que faça o ingresso a R$ 10,00 e não a R$ 50. Já o
empresário, pelo contrário, seu interesse é a visibilidade que ele terá
com a marca. Esse é o seu retorno. <BR><BR>Normalmente, se o projeto é
bom, se ele está bem estruturado em termos da produção em relação à
divulgação, se o elenco é bom, se o livro é bem escrito, se o músico for
competente, se o artista tem tradição e não vai dar mancada, o empresário
patrocina. O ponto de vista do empresário é muito diferente do ponto de
vista do governo. O empresário quer botar a sua marca no jornal e na
cabeça das pessoas que vão ver a peça, compram o livro ou ouvem a música.
Já o governo quer que esse dinheiro volte para o povo de alguma
maneira.<BR></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN>
Qual balanço você faz desses seis anos de governo Lula na área da
cultura?<BR><BR><SPAN class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN>
O Gilberto Gil conseguiu dar uma dimensão muito maior para o Ministério da
Cultura, pela sua presença pessoal. Sem falar que era um ministro artista.
Ele cantava nas manifestações políticas. Agora, uma das falhas do PT (e
isso desde o começo do partido) é que a questão cultural não é uma
coisa... <BR><BR>Lembro-me que teve um ano em que o PT ganhou muitas
prefeituras. O [Paulo] Betti, o [Sérgio] Mamberti e o Wagner Tiso fizeram
um documento a todos os prefeitos do país, para organizar secretarias de
cultura e tal... E não tiveram retorno. Agora, o acerto foi ter botado o
Gil (no ministério) e agora o Juca, que está fazendo um trabalho muito bom
de discussão da Lei Rouanet. Há muito tempo não se discute a Lei. Não tem
mais reunião de classe. <BR><BR><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé
Dirceu ]</SPAN> No começo do governo houve a tentativa de mudar os
critérios e inventaram aquela história do “stalinismo” (acusação), mas
antes que deixassem o debate evoluir, o governo recuou. E só depois
descobriram que estava bem dividido. Essa discussão foi logo no começo da
gestão Lula, pegava pontos como critérios da publicidade para distribuir
patrocínio. Esse debate que o Juca está fazendo foi cortado lá no começo,
com a pressão da mídia.<BR><BR><SPAN class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de
Abreu ]</SPAN> Sim.<BR></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><SPAN class=chamadapreta_maior_corpotexto>Teatro é presença
ao vivo </SPAN><BR></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN>
Você exercita o ofício de ator em diversos campos da arte: cinema, teatro,
televisão. Quais as diferenças e o que pode ser melhorado em cada um
desses meios para o trabalho do ator, e para estimular o público a ir ao
teatro e a ver filmes brasileiros, por exemplo?<BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> O teatro é a presença
ao vivo. Eu decoro uma cena de televisão em cinco minutos, mas uma cena de
teatro, eu demoro um mês. Não sei o porquê. Medo de errar? No teatro, tem
peça que eu lembro até hoje; já na televisão, você acabou de fazer a cena,
vai trocar de roupa e se o cara disser “tem um problema”, você tem que
responder “me dá o texto de novo porque apagou”. Gravou, apaga. É memória
volátil. No teatro, você demora muito para decorar e nunca mais
esquece.<BR><BR><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN>
Mas você tem que incorporar o personagem na televisão, no teatro e no
cinema.<BR><BR><SPAN class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN>
Isso é a mesma coisa. A diferença é que no teatro a última pessoa no fundo
tem que ver o que você está fazendo. Então, é tudo mais exagerado, o
volume de voz, o gestual. Na televisão e no cinema, se você está no plano
aberto, pode exagerar um pouco, mas conforme a câmera vai fechando na tua
cara, menos você representa.<BR><BR>No primeiro filme que fiz, eu mexi a
sobrancelha. A câmara estava aqui e o diretor cortou e disse: “se você
fizer esse barulho terá que botar áudio, porque tua sobrancelha estará com
4 metros”. Então, você não pode fazer nada. Essa relação se aprende com o
tempo, mas quanto maior a lente, menos você faz. Se o cara falou “bota uma
50”, você já começa a ficar preocupado; se for 75, 100 e 120, não faz
nada; 40, 32, 20, você pode fazer caras e bocas.<BR><BR>No teatro não tem
nada disso, é você e o público. No cinema, a câmera faz coisas para você.
Um close maior aumenta a força do seu personagem. Não é preciso fazer na
cara e na voz, como requer o teatro. Agora, o método de interpretação é o
mesmo: arar a terra de forma que isso vá germinando. Você faz uma vida que
não existe. Existe uma ciência que estuda isso inventada pelo Constantin
Stanislavski, que tem um método racional para você melhorar como
ator.<BR><BR>Por exemplo, fui fazer o Juscelino Kubitscheck, um papel de
época. Estudei toda a época do JK, sua vida; a da mãe e do pai, fotos
daquele tempo. Fui para Diamantina (MG), conversei com a dona Sarah
Kubitscheck, com suas filhas, netas e genros. Esta é a terra que você vai
plantando para ver ser nasce alguma coisa dali. Mas existe o método
objetivo, não tem essa de “inspiração”. Isso é piada. Na hora da estréia
não tem um ator de teatro que não sente vontade de sair correndo e ir
embora. É desesperador e quanto mais difícil a peça, mais desesperado você
fica. Isso não existe nem na TV, nem no
cinema.<BR><BR></STRONG><STRONG><SPAN
class=chamadapreta_maior_corpotexto>Público: qual química é essa?
<BR>Ninguém sabe</SPAN>.<BR><BR><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé
Dirceu ]</SPAN> O que no Brasil tem melhorado para o ator? O que tem sido
feito para estimular o público a ir ao cinema e ao teatro?<BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> No teatro brasileiro,
com raríssimas exceções, só faz sucesso comédia. Virou uma loucura. O
preço é caro, mas se fosse comparar com o preço de quando eu comecei a
minha carreira, hoje custaria R$300. Na realidade, o preço caiu.
<BR><BR>Não há como comparar com o cinema, em que você pode pegar um filme
e colocar em 300 salas. Teatro tem que fazer uma sessão por dia, no máximo
duas, mas não há público para isso. Veja, o público caiu tanto que quando
comecei a minha carreira, eu fazia peças na 3ª, 4ª, duas sessões na 5ª
sábado e domingo. Hoje, você só faz 6ª, sábado e domingo em São Paulo. No
Rio é de 5ª a domingo. Hoje, em São Paulo, três dias da semana. Antes nós
fazíamos oito sessões, era o exigido nos contratos que assinávamos nas
décadas de 60 a 80. <BR><BR>Teatro virou uma arte muito específica. Dentro
dessa especificidade, só faz sucesso um Shakespeare, um Brecht, ou uma
superprodução com atores muito bons - como está fazendo sucesso o Wagner
Moura - ou essas 300 peças de comédia. Hoje em dia, você pega o
pessoal que faz o Zorra Total, eles estão com peças lotadas em todas as
cidades no interior de São Paulo.<BR><BR>O cinema é uma incógnita maior do
que o teatro. O que faz (filme) "<EM>O </EM>Menino da Porteira" colocar um
milhão com 300 cinemas, e "Se Eu Fosse Você 2" colocar 6 milhões? "Se Eu
Fosse Você 1" não teve nem um milhão e pouco de espectadores... O que faz?
Pode ser o Tony Ramos na novela das oito? O Tony é engraçado? Agora,
exatamente saber o que é, qual química é essa, ninguém
sabe.<BR></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN>
"Dois Filhos de Francisco"...<BR><BR><SPAN class=chamadaverde_corpotexto>[
Zé de Abreu ]</SPAN> O que fez "Dois Filhos de Francisco" ter 5 milhões?
Ninguém sabe! O Daniel Filho chegou para o Breno [Silveira] e disse: “você
está frito, nunca mais fará um sucesso desses, sua carreira só pode cair”.
Foi o primeiro filme do Breno e já teve esse sucesso!<BR><BR><IMG
class=suma_imagem title=Image style="PADDING-RIGHT: 5px" height=168
alt=Image hspace=0
src="http://www.zedirceu.com.br//images/stories/entrevistas/zedeabreu_ze.jpg"
width=316 border=0></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN>
Milhões de brasileiros tem uma história parecida com esta. O filme trouxe
de volta (a história) uma geração que há 20 ou 30 anos saiu do interior e
passou a vida toda...<BR><BR><SPAN class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de
Abreu ]</SPAN> Foi o primeiro filme que quebrou o preconceito contra o
caipira.<BR><BR><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN>
Trouxe a vida dessa gente.<BR><BR><SPAN class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé
de Abreu ]</SPAN> Quando lançaram aqui no Rio, inclusive, para tirar o
preconceito, eles pediram aos críticos que não vissem o filme como se
fosse um filme de cantor brega. <BR><BR><SPAN
class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN> Mas não é de cantor
brega.<BR><BR><SPAN class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN>
Esse filme ultrapassou tudo isso. Já "O Menino da Porteira" não aconteceu.
Jogaram tudo muito em cima do Daniel. Hoje, está com 1 milhão de
espectadores e esperava-se 4 a 5 milhões.<BR><BR><SPAN
class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN> O brasileiro gosta de
arte? <BR><BR><SPAN class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> O
brasileiro gosta muito de arte. <BR></STRONG><SPAN
class=chamadapreta_maior_corpotexto><BR><STRONG>O brasileiro não é
<BR>conservador de jeito nenhum</STRONG></SPAN><BR><BR><STRONG><SPAN
class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN> Qual a sua avaliação
do público brasileiro? Ele está preparado para a inovação? É
conservador?<BR><BR><SPAN class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu
]</SPAN> Não é conservador de jeito nenhum. Eu viajo muito pelo Brasil e
muitas vezes, você liga para o prefeito e ele diz “o povo da minha cidade
não gosta de teatro!” “Quantas peças o Sr. teve aí, prefeito?” “Que eu
saiba nenhuma...” “Então, como o Sr. sabe que o povo não gosta? Deixa eu
ir aí, é barato...” Como eu não tenho patrocínio, vou por conta do hotel,
alimentação e um tanque de diesel - toda prefeitura tem uma bomba de
diesel por conta do caminhão de lixo. Aí, você vai, o prefeito leva a
família e quando vê, todo mundo bate palma. As pessoas querem ver, gostam
mesmo. Agora, você tem que ir atrás.<BR><BR><SPAN
class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN> Tem crescido o número
de municípios com política cultural?<BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> Muito, demais. Uma
revolução. Toda cidade tem teatro. Acho que chegou a um ponto que os
prefeitos não tinham o que fazer - fizeram as praças, o coreto, o clube -
e veio a pergunta: “O que eu faço?” “Faz um teatro, bota o nome da sua mãe
e pronto!” Brincadeiras à parte, teatro é um negócio que fica, mesmo que
não tenha muito ator. Em 1994, um ano que eu rodei muito, não tinha
teatro. Hoje em dia... Na sua região (Passa Quatro-MG), por exemplo, toda
cidade tem teatro.<BR><BR><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé
Dirceu ]</SPAN> Mas a minha região é muito desenvolvida!<BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> Santa Rita do Passa
Quatro (a minha terra) tem teatro também. O prefeito conseguiu reformar o
cinema velho e a prefeitura conseguiu aprovar. Em Poços de Caldas tem,
inclusive, o Luis Nassiff é de lá.<BR><BR>Agora, é importante dizer que
como a TV Globo, não existe em nenhum país do mundo. Talvez a Índia com o
cinema... Ao mesmo tempo em que a Globo faz com que fiquemos extremamente
conhecidos, há um lado inverso: ela dá muito para o povo brasileiro em
termos de novela, minissérie, humorismo. É muita oferta de graça, sem sair
de casa. Você vê na televisão os mesmos bons atores que você vê no cinema.
Nos Estados Unidos só agora a televisão está botando bons atores. Antes,
eles só faziam cinema. Na Índia, a comunicação de massa é o cinema. Quando
tem, por exemplo, um ator conhecido de um filme badalado, são filas de
duas a três horas. Todo mundo quer ir à estréia. A Globo dá o arroz com
feijão, a alimentação cultural que você precisa de ficção, de ver ator,
cenógrafo, diretor. Esses elementos da arte teatral e cinematográfica, ela
dá isso de graça ao povo brasileiro.<BR><BR><SPAN
class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN> Como é representar
personalidades históricas, como o presidente Juscelino em "Bela Noite para
Voar", ou mesmo, em "Fala Zé!" que você tem levado e que no fundo é um
pouco de cada um de nós da geração de 68. <BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> Sobre o Juscelino,
tem um negócio interessante. Meu pai, que era goiano, em 05 de outubro de
1955, enquanto ouvia a apuração da eleição (a votação foi no dia 03)
passou mal. Cinco dias depois, ele morreu. Minha mãe contava que ele era
juscelinista. Eu era muito novo, tinha 9 anos. Mas ela falava que como ele
era goiano, e Juscelino tinha falado de Brasília (prometido construir a
capital num comício nesse Estado), todos os goianos estavam torcendo para
que ele fosse eleito.<BR><BR>Essa história do Juscelino caiu nas minhas
mãos novamente quando eu fiz Anos Dourados. Eu fazia um militar
juscelinista. Era um major da Aeronáutica, algo raro na época. Tanto que o
sogro dele fazia um brigadeiro lacerdista, o Zélio Góis. E a dona Sarah
Kubistchek, quando uma produtora de Minas quis fazer a vida do Juscelino
no teatro, mandou me chamar. Acredito que por conta desse personagem. Aí,
eu fui estudar a vida do Juscelino. E digo a você: se eu tenho alguma
cultura, 80% dela vem desse estudo que faço para compor meus personagens.
Agora mesmo, para a novela das oito, eu fui para a Índia, fiquei lá (na
novela que vai até 11 de setembro, Zé de Abreu faz Pandit, um sacerdote
indiano). E estou estudando sânscrito, mantra, canto. <BR><BR>Então,
comecei a estudar sobre o JK. Falei com a dona Sarah, li os livros do
Juscelino, fiquei amigo do [Carlos Heitor] Cony. Esse livro <EM>Bela Noite
para Voar</EM> é do Pedro Rogério Moreira. Tem muito material para
estudar. Conversei com muita gente. O Cony sabe muita coisa sobre o
Juscelino.Também o Cel. Afonso Heliodoro que era amigo pessoal do
Juscelino, o Carlos Murilo Felício dos Santos, líder dele na Câmara. Fazer
o Juscelino foi muito legal. Pena que a peça que montamos em Brasília e em
Belo Horizonte, chegou no Rio no final de 1989. Era a disputa presidencial
de Collor e Lula. Então, não dava, ninguém ia ao teatro. Nós íamos nas
manifestações. Lembra-se da manifestação na Cinelândia?<BR><BR><SPAN
class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN> E o "Fala
Zé"?<BR><BR><SPAN class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> Foi
uma coisa de idade. Aos 60 anos dá vontade de falar do passado. A gente
começou a produzir a peça antes do estouro da boiada, escrita por um
gaúcho fundador do PT do Rio Grande do Sul. Na realidade, a peça falaria
sobre um monte de Zés. Eu ia começar com o Zé Bonifácio e chegaria até o
Zé Dirceu. Eu iria costurar essa história, mas no fim, ela ficou uma
biografia minha, na qual passo por você, pelo Zé Mentor, e pelo tempo que
nós passamos juntos.<BR><BR>Já percorri mais de 200 cidades com esta peça.
Nela, nós falamos muito sobre a ditadura. A gente mostra, ridiculariza e
brinca com esse período, inclusive, com a tortura, as cenas na cadeia, a
barra pesada. Primeiro fazemos rir, mas de repente, puxamos a cordinha.
Tem momentos em que o público está rindo e de repente, você fala uma coisa
extremamente grave, como Matta Machado, por exemplo. Você se lembra? Ele
roncava muito, nós ficamos presos uns cinco dias juntos - eu, você o Matta
Machado, o Arantes, Zé Roberto.<BR><BR>Na peça eu digo que ele roncava
muito e no meio do papo conto: Matta Machado veio de uma família de
políticos mineiros, o pai dele era deputado federal e foi morto na
tortura. Se o cara era filho de deputado federal e foi morto na tortura,
imaginem o que eles não faziam com quem não era filho de deputado federal!
Então, são essas coisas. <BR><BR><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[
Zé Dirceu ]</SPAN> Tem muito público?<BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> Tem muito público.
Mas, eu tenho que chegar na cidade antes do jornal do almoço. Esse jornal
é fundamental para o pessoal saber da peça. Se você vai em cidade muito
insólita, que ninguém vai, eles só acreditam quando veem o artista e você
anda pela cidade.<BR><BR><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu
]</SPAN> Você está muito conhecido.<BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> Sim, às vezes, as
pessoas não sabem bem o meu nome. Lembram mais o nome do
personagem.<BR><BR><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu
]</SPAN> Inclusive, eu montei uma tenda para você ler a mão do
pessoal.<BR><BR><SPAN class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN>
Vou comprar uma salinha em Copacabana.<BR><BR></STRONG><STRONG><SPAN
class=chamadapreta_maior_corpotexto>Estamos tendo um problema<BR>sério com
a mídia</SPAN><BR><BR><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu
]</SPAN> Zé, quais suas expectativas profissionais e como você está vendo
o Brasil politicamente? <BR><BR><SPAN class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé
de Abreu ]</SPAN> Profissionalmente, estou contratado até 2014. Minha
posição na Globo é muito sólida. Eu posso fazer cinema e teatro, só não
posso fazer televisão (em outras emissoras). Agora, o negócio é ter tempo.
Até outubro gravo a novela. Ela estreou em janeiro – o Boni nunca deixava
novela estrear em janeiro, tinha que ser sempre em abril, pelo menos a das
oito, que é quando o país volta... <BR></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG>Politicamente vamos ver. Acredito que estamos tendo um
problema sério com a mídia. Hoje, a Internet e os blogs independentes,
apesar de terem menos força, estão conseguindo (se impor). Eu freqüento
muito blogs, até abri mão do meu. Escrevo muito para o Nassif. Na verdade,
eu gosto de falar sobre política. <BR><BR>Agora, eu vou produzir meu longa
e começa a filmar no ano que vem, em abri, no Rio Grande do Sul. É uma
história sobre a imigração judaica.</STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><IMG class=suma_imagem title=Image style="PADDING-RIGHT: 5px"
height=193 alt=Image hspace=0
src="http://www.zedirceu.com.br//images/stories/entrevistas/zedeabreu_ze2.jpg"
width=283 border=0> </STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN> E
politicamente, a gente avança?<BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> Avança! Vou fazer
campanha para a Dilma. A próxima eleição vai ser uma guerra. A vida é
dura. Nunca o Brasil esteve tão dividido. Em blog a gente briga muito. Eu
criei um personagem (um codinome) e às vezes, entro nos blogs. O meu
personagem entra e começa com aquela história do paulista que reclama do
trânsito: “esse Lula fica aí e agora qualquer pobre pode ter carro! Por
isso que o trânsito não anda! Outro dia, eu estava no avião e o cara
perguntou quanto ia demorar para baixar porque estava com vontade de fazer
xixi! Nem sabe que tem banheiro no avião, e como é que anda de avião? Isso
é culpa de quem? De quem? Do Lula! É óbvio.”<BR><BR>Vocês não tem idéia de
como tem gente que vai na minha, ou melhor, na do personagem. Está tudo
muito dividido. Os blogs são uma coisa impressionante. E garanto que estou
muito mais radical do que você quanto à mídia. Nós nunca tivemos uma
imprensa tão raivosa e a campanha no ano que vem vai dividir muito o
Brasil. Antes um cara para escrever uma carta no jornal era uma coisa...
Hoje, para escrever e publicar na internet é muito mais rápido. E ainda dá
para ser anônimo. Às vezes, você coloca uma defesa e vai levar cacetada.
Acho que nem pode falar teu nome no blog do Reinaldo Azevedo.
<BR><BR><SPAN class=chamadalaranja_corpotexto>[ Zé Dirceu ]</SPAN> A
imprensa está partidarizada, o jornal editorializado. Criaram o jornalismo
de escândalo e não tem mais do que tratar. O assunto deles era a crise...
Agora, a crise está acabando e o país vai crescer 3%.<BR><BR><SPAN
class=chamadaverde_corpotexto>[ Zé de Abreu ]</SPAN> Totalmente. O que foi
essa história da ficha da Dilma Rousseff? (na Folha de S.Paulo, uma ficha
forjada). Pára com isso! Por que não assumem como os jornais americanos o
lado em que estão e ponto final? </STRONG></DIV>
<DIV><BR><BR><EM><STRONG>(Veja mais vídeos e participe da Comunidade Site
Zé Dirceu no </STRONG><A
href="http://www.bcyou.com/zedirceu/"><STRONG>BCyou</STRONG></A></EM></DIV></SPAN>
<DIV><STRONG></STRONG></DIV></TD></TR></TBODY></TABLE><BR><STRONG>
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