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..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<B>MUNDO</B></FONT></SPAN></SPAN></P>
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<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
class=noticiatitulo><STRONG><FONT size=5>Hobsbawm: a Era das
Incertezas</FONT></STRONG></SPAN><o:p></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
size=2></FONT><BR> </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"> Por Verena
Glass<o:p></o:p></P>
<P><BR>Em entrevista exclusiva à Revista Sem Terra, o historiador Eric Hobsbawm
apresenta ao leitor sua avaliação das origens, efeitos e desdobramentos da crise
mundial.<o:p></o:p></P>
<P>Desde que sua magnitude se fez sentir, com seus capítulos ambiental,
climático, energético, alimentar e, por fim, econômico, acadêmicos, sociólogos,
economistas, políticos e lideranças sociais procuram entender e explicar suas
causas, e analisar e prever suas conseqüências. Muitos têm buscado respostas e
soluções apenas no próprio universo econômico. Outros concluíram que vivemos uma
crise civilizatória, e que o capitalismo implodiu por seus próprios desmandos.
Mas ninguém parece ter respostas definitivas sobre o que nos prepara o futuro.
Assim também Hobsbawm, o maior historiador marxista da atualidade. Aos 92 anos,
o autor de algumas das mais importantes obras acerca da história recente da
humanidade, como "A Era das Revoluções" (sobre o período de <st1:metricconverter
ProductID="1789 a" w:st="on">1789 a</st1:metricconverter> 1848), "A Era do
Capital" (1848-1875), "A Era dos Impérios" (1875-1914) e "A Era dos Extremos - O
Breve Século 20", lançado em 1994, não arrisca previsões sobre como será o mundo
pós-crise.<o:p></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">
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</IFRAME>Nesta entrevista, concedida por e-mail de Paris,
porém, Hobsbawm apresenta suas opiniões como contribuição ao debate. De
certezas, apenas a de que, se a humanidade não mudar os rumos da sua convivência
mútua e com o planeta, o futuro nos preserva maus agouros. Cético e ao mesmo
tempo esperançoso, não acredita que uma nova ordem mundial surgirá das cinzas do
pós-crise, mas acha que ainda existem forças capazes de propor novas formas de
organização e cultura políticas e sociais, como o MST. <o:p></o:p></P>
<P>Revista Sem Terra - O planeta vive hoje uma crise que abalou as estruturas do
capitalismo mundial, atinge indiscriminadamente atores em nada responsáveis pela
sua eclosão, e que talvez seja um dos mais importantes "feitos" da moderna
globalização. Na sua avaliação, quais foram os fatores e mecanismos que levaram
a esta situação?<o:p></o:p></P>
<P>Eric Hobsbawm - Nos últimos quarenta anos, a globalização, viabilizada pela
extraordinária revolução nos transportes e, sobretudo, nas comunicações, esteve
combinada com a hegemonia de políticas de Estado neoliberais, favorecendo um
mercado global irrestrito para o capital em busca de lucros. No setor
financeiro,<BR>isto ocorreu de forma absoluta, o que explica porque a crise do
desenvolvimento capitalista ocorreu ali. Apesar do fato de que o capitalismo
sempre - e por natureza - opera por meio de uma sucessão de expansões geradoras
de crises, isto criou uma crise maior e potencialmente ameaçadora para o
sistema, comparável à Grande Depressão que se seguiu a 1929, mesmo que seja cedo
para avaliarmos todo o seu impacto. Um problema maior tem sido que a tendência
de declínio das margens de lucro, típico do capitalismo, tem sido
particularmente dramática porque os operadores financeiros, acostumados a
enormes ganhos com investimentos especulativos em épocas de crescimento
econômico, têm buscado mantê-los a níveis insustentáveis, atirando-se em
investimentos inseguros e de alto risco, a exemplo dos financiamentos
imobiliários "subprime" nos EUA. Uma enorme dívida, pelo menos quarenta vezes
maior do que a sua base econômica atual foi assim criada, e o destino disso era
mesmo o colapso.<o:p></o:p></P>
<P>RST - Como resposta à crise econômica, governos e instituições financeiras
estão concentrados em salvar os sistemas bancário e financeiro, opção que tem
sido considerada uma tentativa de cura do próprio vetor causador do mal. No que
deve resultar este movimento?<o:p></o:p></P>
<P>EH - Um sistema de crédito operante é essencial para qualquer país
desenvolvido, e a crise atual demonstra que isso não é possível se o sistema
bancário deixa de funcionar. Nesse sentido, as medidas nacionais para
restaurá-lo são necessárias. Mas o que é preciso também é uma reestruturação do
Estado por exemplo, através das nacionalizações, a "desfinanceirização" do
sistema e a restauração de uma relação realista entre ativos e passivos
econômicos. Isso não pode ser feito simplesmente combinando vastos subsídios
para os bancos com uma regulação futura mais restrita. De toda forma, a
depressão econômica não pode ser resolvida apenas via restauração do crédito.
São essenciais medidas concretas para gerar emprego e renda para a população, de
quem depende, em última instância, a prosperidade da economia
global.<BR> <BR>RST - Antes de se agudizar o caos econômico, o mundo
começou a sofrer uma sucessão de abalos sociais e ambientais, como a falta
global de alimentos, as mudanças climáticas, a crise energética, as crises
humanitárias decorrentes das guerras, entre outros. Como você avalia estes
fatores na perspectiva do paradigma civilizatório e de desenvolvimento do
capitalismo moderno?<o:p></o:p></P>
<P>EH - Vivemos meio século de um crescimento exponencial da população global, e
os impactos da tecnologia e do crescimento econômico no ambiente planetário
estão colocando em risco o futuro da humanidade, assim como ela existe hoje.
Este é o desafio central que enfrentamos no século 21. Vamos ter que abandonar a
velha crença - imposta não apenas pelos capitalistas - em um futuro de
crescimento econômico ilimitado na base da exaustão dos recursos do planeta.
Isto significa que a fórmula da organização econômica mundial não pode ser
determinada pelo capitalismo de mercado que, repito, é um sistema impulsionado
pelo crescimento ilimitado. Como esta transição ocorrerá ainda não está claro,
mas se não ocorrer, haverá uma catástrofe.<o:p></o:p></P>
<P>RST - O capitalismo tem adquirido, cada vez mais, uma força hegemônica na
agricultura com o crescimento do agronegócio. Muitos defendem que a Reforma
Agrária não cabe mais na agenda mundial. Como vê este debate e a luta pela terra
de movimentos sociais como o MST e a Via Campesina?<o:p></o:p></P>
<P>EH - A produção agrícola necessária para alimentar os seis bilhões de seres
humanos do planeta pode ser fornecida por uma pequena fração da população
mundial, se compararmos com o que era no passado. Isso levou tanto a um declínio
dramático das populações rurais desde 1950, quanto a uma vasta migração do campo
para as cidades. Também levou a um crescente domínio da agricultura por parte
não tanto do grande agronegócio, mas principalmente de empreendimentos
capitalistas que hoje controlam o mercado desta produção. Da mesma forma, têm
aumentado os conflitos entre agricultores e iniciativas empresariais na disputa
pela terra para propósitos não agrícolas (indústrias, mineração, especulação
imobiliária, transporte etc.), bem como pela sua posse e pela exploração dos
recursos naturais. A Reforma Agrária sem duvida não é mais tão importante para a
política como foi há 40 anos, pelo menos Insustentável: crescimento econômico e
da população colocam em risco o futuro da amizade na América Latina, mas
claramente permanece uma questão central em muitos outros países. Na minha
opinião, a crise atual reforça a importância da luta de movimentos como o MST,
que é mais social do que econômica. Em tempos de vacas gordas é muito mais fácil
ganhar a vida na cidade. Em tempos de depressão, a terra, a propriedade familiar
e a comunidade garantem a segurança social e a solidariedade que o capitalismo
neoliberal de mercado tão claramente nega aos migrantes rurais
desempregados.<o:p></o:p></P>
<P>RST - Na virada do século, um novo movimento global de resistência social
tomou corpo através do que ficou conhecido como altermundialismo. Surgiu o Fórum
Social Mundial, e grandes manifestações contra a guerra e instituições
multilaterais, como a OMC, o G8 e a ALCA, na América Latina, ganharam as ruas.
Na sua avaliação, o que resultou destes movimentos? E hoje, como vê estas
iniciativas?<o:p></o:p></P>
<P>EH - O movimento global de resistência altermundialista merece o crédito de
duas grandes conquistas: na política, ressuscitou a rejeição sistemática e a
crítica ao capitalismo que os velhos partidos de esquerda deixaram atrofiar.
Também foi pioneiro na criação de um modo de ação política global sem
precedentes, que superou fronteiras nacionais nas manifestações de Seattle e nas
que se seguiram. Grosso modo, logrou formular e mobilizar uma poderosa opinião
pública que seriamente pôs em cheque a ordem mundial neoliberal, mesmo antes da
implosão econômica. Seu programa propositivo, porém, tem sido menos efetivo, em
função, talvez, do grande número de componentes ideologicamente e emocionalmente
diversos dos movimentos, unificados apenas em aspirações muito generalistas ou
ações pontuais em ocasiões específicas.<o:p></o:p></P>
<P>RST - Principalmente na América Latina, os anos 2000 trouxeram uma série de
mudanças políticas para a região com a eleição de governadores mais
progressistas. A sociedade civil organizada ganhou espaço nos debates políticos,
mas os avanços na garantia dos direitos sociais ainda esperam por uma maior
concretização. Como analisa este fenômeno?<o:p></o:p></P>
<P>EH - O fator mais positivo para a América Latina é a diminuição efetiva da
influência política e ideológica - e, na América do Sul, também econômica - dos
EUA. Um segundo fator muito importante é o surgimento de governos progressistas
- novamente mais fortes na América do Sul - , inspirados pela grande tradição da
igualdade, fraternidade e liberdade, que comprovadamente está mais viva aí do
que em outras regiões do mundo neste momento. Estes novos regimes têm se
beneficiado de um período de altos preços de seus bens de exportação. Quão
profundamente serão afetados pela crise econômica, principalmente
<st1:PersonName ProductID="o Brasil e" w:st="on">o Brasil e</st1:PersonName> a
Venezuela, ainda não está claro. Suas políticas têm logrado algumas melhorias
sociais genuínas, mas até agora não reduziram significativamente as enormes
desigualdades econômicas e sociais de seus países. Esta redução deve permanecer
a maior prioridade de governos e movimentos progressistas.<o:p></o:p></P>
<P>RST - Diante da crise civilizatória, do fracasso do capitalismo e da
inoperância dos sistemas multilaterais, que não foram aptos a enfrentar as
grandes questões mundiais, as esquerdas têm se debatido na busca de
alternativas; mas nem consensos nem respostas parecem despontar no horizonte.
Haveria, em sua opinião, a possibilidade real da construção de um novo
socialismo, uma nova forma de lidar com o planeta e sua gente, capaz de
enfrentar a hegemonia bélica, econômica e política do
neoliberalismo?<o:p></o:p></P>
<P>EH - Eu não acredito que exista uma oposição binária simples entre "um novo
socialismo" e a "hegemonia do capitalismo". Não existe apenas uma forma de
capitalismo. A tentativa de aplicar um modelo único, o "fundamentalismo de
mercado" global anglo-americano, é uma aberração histórica, que potencialmente
colapsou agora e não pode ser reconstruída. Por outro lado, o mesmo ocorre com a
tentativa de identificar o socialismo unicamente com a economia centralizada
planejada pelo Estado dos períodos soviético e maoísta. Esta também já era
(exceto talvez se nosso século for reviver os períodos temporários de guerra
total do século 20). Depois da atual crise, o capitalismo não vai desaparecer.
Vai se ajustar a uma nova era de economias que combinarão atividades econômicas
públicas e privadas. Mas o novo tipo de sistemas<BR>mistos tem que ir além das
várias formas de "capitalismo de bem estar" que dominou as economias
desenvolvidas nos trinta anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial.<BR>Deve
ser uma economia que priorize a justiça social, uma vida digna para todos e a
realização do que Amaratya Sen chama de potencialidades inerentes aos seres
humanos. Deve estar organizada para realizar o que está além das habilidades do
mercado dos caçadores-de-lucro, principalmente para confrontar o grande desafio
da humanidade neste século 21: a crise ambiental global. Se este novo sistema se
comprometer com os dois objetivos, poderá ser aceitável para os socialistas,
independente do nome que lhe dermos. O maior obstáculo no caminho não é a falta
de clareza e concordância entre as esquerdas, mas o fato de que a crise
econômica global coincide com uma situação internacional muito perigosa,
instável e incerta, que provavelmente não estabelecerá uma nova estabilidade por
algum tempo. Entrementes, não há consenso ou ações comuns entre os Estados,
cujas políticas são dominadas por interesses nacionais possivelmente
incompatíveis com os interesses globais.<o:p></o:p></P>
<P>RST - Conceitos como solidariedade, cooperação, tolerância, justiça social,
sustentabilidade ambiental, responsabilidade do consumidor, desenvolvimento
sustentável, entre outros, têm encontrado eco, mesmo de forma ainda frágil, na
opinião pública. Acredita que estes princípios poderão, no futuro, ganhar força
e influenciar a ordem mundial? Vê algum caminho que possa aproximar a humanidade
a uma coabitação harmoniosa?<o:p></o:p></P>
<P>EH - Os conceitos listados estão mais para slogans do que para programas.
Eles ou ainda precisam ser transformados em ações e agendas (como a redução de
gases de efeito estufa, encorajada ou imposta pelos governos, por exemplo), ou
são subprodutos de situações sociais mais complexas (como "tolerância", que
existe efetivamente apenas em sociedades que a aceitam ou que estão impedidas de
manter a intolerância). Eu preferiria pensar na "cooperação" não apenas como um
ideal generalista, mas como uma forma de conduzir as questões humanas, como as
atividades econômicas e de bem estar social. Me entristece que a cooperação e a
organização mútua, que eram um elemento tão importante no socialismo do século
19, desapareceram quase que completamente do horizonte socialista do século 20 -
mas felizmente não da agenda do MST. Espero que esta lista de conceitos continue
conquistando o apoio e mobilize a opinião pública para pressionar efetivamente
os governos. Não acredito que a humanidade alcançará um estado de "coabitação
harmoniosa" num futuro próximo. Mas mesmo se nossos ideais atualmente são apenas
utopias, é essencial que homens e mulheres lutem por elas.<o:p></o:p></P>
<P>RST - O senhor, que estudou com profundidade a história do mundo e as
relações humanas nos últimos séculos, o que espera do futuro?<o:p></o:p></P>
<P>EH - Se a crise ambiental global não for controlada, e o crescimento
populacional estabilizado, as perspectivas são sombrias. Mesmo se os efeitos das
mudanças climáticas possam ser estabilizados, produzirão enormes problemas que
já são sentidos, como a crescente competição por recursos hídricos, a
desertificação nas zonas tropicais e subtropicais, e a necessidade de projetos
caros de controle de inundações <st1:PersonName
ProductID="em regiões costeiras. Também" w:st="on">em regiões costeiras.
Também</st1:PersonName> mudarão o equilíbrio internacional em favor do
hemisfério Norte, que tem largas extensões de terras árticas e subárticas
passíveis de serem cultivadas e industrializadas. Do ponto de vista econômico, o
centro de gravidade do mundo continuará a se mover do Oeste (América do Norte e
Europa) para o Sul e o Leste asiático, mas o acúmulo de riquezas ainda
possibilitará às populações das velhas regiões capitalistas um padrão de vida
muito superior às dos emergentes gigantes asiáticos. A atual crise econômica
global vai terminar, mas tenho dúvidas se terminará em termos sustentáveis para
além de algumas décadas. Politicamente, o mundo vive uma transição desde o fim
da Guerra Fria. Se tornou mais instável e perigoso, especialmente na região
entre Marrocos e Índia. Um novo equilíbrio internacional entre as potências - os
EUA, China, a União Européia, Índia e Brasil - presumivelmente ocorrerá, o que
poderá garantir um período de relativa estabilidade econômica e política, mas
isto não é para já. O que não pode ser prevista é a natureza social e política
dos regimes que emergirão depois da crise. Aqui as experiências do passado não
podem ser aplicadas. O historiador pode falar apenas das circunstâncias herdadas
do passado. Como diz Karl Marx: a humanidade faz a sua própria história. Como a
fará e com que resultados, muitas vezes inesperados, são questões que
ultrapassam o poder de previsão do historiador.<o:p></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR><SPAN class=noticiaautor>*
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Brasil</SPAN><o:p></o:p></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p> </o:p></P></DIV></BODY></HTML>