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<DIV style="FONT: 10pt arial"><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><SPAN
style="mso-list: Ignore"><SPAN style="FONT-SIZE: 18pt"><o:p><FONT face=Forte
color=#ff0000 size=6>Carta O Berro<FONT
size=3>................................................................................................repassem.</FONT></FONT></o:p></SPAN></DIV>
<DIV>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 18pt"><o:p><FONT face=Arial
size=2></FONT></o:p></SPAN> </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 18pt"><o:p><FONT face=Arial size=2><STRONG>Este é um dos
trabalhos do professor Emílio Gennari, estudioso em sociologia e história.
Escolhemos esse texto, embora longo, mas que será apresentado todas as
terças-feira, por parte.</STRONG></FONT></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 18pt"><o:p><FONT face=Arial size=2><STRONG>Trata-se de uma
análise de leve leitura que permite ir ao fundo dos problemas que as pessoas
enfrentam e que o sistema capitalista na sua ilógica reproduz na sociedade,
tratando-a mais como doença do que um problema
</STRONG></FONT></o:p></SPAN><SPAN style="FONT-SIZE: 18pt"><o:p><FONT face=Arial
size=2><STRONG>que advém do modo em que estão estabelecidas as relações de
produção, e se projetam na conduta das pessoas em sociedade: os seus desejos, as
suas ilusões e mesmo do relacionamento humano.</STRONG></FONT></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 18pt"><o:p><FONT face=Arial size=2><STRONG>As leis do
capitalismo não somente mantém o indivíduo em alienação permanente mas se
reproduz perversamente na vida em sociedade.</STRONG></FONT></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 18pt"><o:p><FONT face=Arial size=2><STRONG>O nome dado a este
trabalho, <U>"Da Alienação à Depressão: caminhos capitalistas da exploração do
sofrimento"</U>. Diz o que vamos conhecer, conhecendo os meandros que nos impõem
essa sociedade.</STRONG></FONT></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 18pt"><o:p><FONT face=Arial size=2><STRONG>Imprima as partes
que vamos lhe enviando e estude. Um mundo novo vai lhe clarear com pistas para
entendê-la e, para a desalienação.</STRONG></FONT></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 18pt"><o:p><FONT face=Arial size=2><STRONG>Um
abraço.</STRONG></FONT></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 18pt"><o:p><FONT face=Arial
size=2><STRONG>Vanderley</STRONG></FONT></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 18pt"><o:p><FONT face=Arial
size=2><STRONG></STRONG></FONT></o:p></SPAN> </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 18pt"><o:p><FONT face=Arial size=2><STRONG>ps.agradecemos a
professora Urda Alice Klueger , a professora Nádia e ao professor Emílio Gennari
por permitir a divulgação pela <FONT color=#ff0000><EM>Carta O
Berro</EM></FONT>.</STRONG></FONT></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 18pt"><o:p><FONT face=Arial
size=2></FONT></o:p></SPAN> </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 18pt"><o:p><FONT face=Arial
size=2></FONT></o:p></SPAN> <FONT face=Arial size=4><U>Parte
4</U></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 18pt; mso-bidi-font-size: 22.0pt"></SPAN></B> </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 18pt; mso-bidi-font-size: 22.0pt">Emilio<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>Gennari</SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><SPAN style="FONT-SIZE: 18pt; mso-bidi-font-size: 22.0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">professor</SPAN><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"> Emílio Gennari atua como Educador
popular e é Monitor de<BR>Formação Política do Núcleo de Educação Popular 13 de
Maio<BR>(NEP-13). É autor de vários livros nas áreas de Educação, Sociologia e
História.</SPAN><o:p></o:p></SPAN></P></SPAN></SPAN></B>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.4pt; TEXT-INDENT: -18pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 53.4pt"><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><SPAN
style="mso-list: Ignore"></SPAN></SPAN></B> </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.4pt; TEXT-INDENT: -18pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 53.4pt"><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><SPAN
style="mso-list: Ignore"></SPAN></SPAN></B> </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.4pt; TEXT-INDENT: -18pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 53.4pt"><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><SPAN
style="mso-list: Ignore"></SPAN></SPAN></B> </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt 53.4pt; TEXT-INDENT: -18pt; TEXT-ALIGN: justify; mso-list: l0 level1 lfo1; tab-stops: list 53.4pt"><FONT
size=5><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><SPAN
style="mso-list: Ignore">4.<SPAN
style="FONT: 7pt 'Times New Roman'">
</SPAN></SPAN></SPAN></B><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Os mortos-vivos do
trabalho.</SPAN></B></FONT></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><o:p> </o:p></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “Aposto
que isso tem a ver com o assédio moral!”, afirma o ajudante ao tentar demonstrar
que está aprendendo a lição.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “Sim e
não”, responde enigmática a coruja.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “Mas,
Nádia, este é um tema tão atual que não há quem não fale dele! E depois há
milhares de processos judiciais contra as empresas que não só condenam esta
prática como cobram compensações em dinheiro pelos estragos!”, insiste o homem
ao não se dar por vencido.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “O seu
problema, querido bípede de óculos, é que o ângulo a partir do qual você enxerga
a realidade continua fechado demais. É verdade que sair do umbigo para ver o pé
já é um avanço, mas ainda não basta para perceber o que está em jogo e, muito
menos, para criar condições capazes de reverter os processos que descrevemos
acima. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Para
início de conversa, fique sabendo que não mais do que 10% dos que sofrem alguma
injustiça no trabalho recorrem a um processo judicial e, destes, 6 fecham
acordos bem inferiores aos próprios direitos, o que deixa os patrões numa
situação extremamente confortável e com a clara sensação de que as vantagens da
exploração do sofrimento vão propiciar aumentos consideráveis da eficiência e
dos lucros ainda por muito tempo. Além disso, vale lembrar que a prática do
assédio moral em suas mais variadas modalidades não é nova, mas tem sim a mesma
idade do trabalho realizado para outrem em troca de pagamentos que possibilitem
a própria sobrevivência. Chefes e patrões sempre perseguiram trabalhadores e
trabalhadoras ora de forma aberta, ora disfarçada, com medidas autoritárias ou
com tapinhas nas costas, gritarias ou repreensões paternalistas. Em todos os
casos, o objetivo dos constrangimentos criados era sempre o mesmo: extrair mais
trabalho, mais produção, mais lucro, enfim, melhorar as possibilidades e os
ritmos da acumulação.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">O que é
novo, portanto, não é o assédio moral, mas a realidade que abre as portas a
distúrbios psíquicos, físicos e psicossomáticos cuja ocorrência cresce
dia-após-dia até mesmo em profissões nas quais o dispêndio de esforço físico
ainda é superior ao grau de tensão nervosa que acompanha o desempenho individual
das tarefas. Nas páginas anteriores, vimos como as formas de solidariedade e
companheirismo foram sendo desestruturadas em suas bases humanas fundamentais
pelo aperfeiçoamento dos mecanismos que levam a considerar o outro como um
concorrente a ser derrotado. Ao ocultar a injustiça e inibir a capacidade de
indignação o indivíduo não só passa a considerar natural e inevitável o que não
é, como assimila as vivências propostas a ponto de aderir a uma servidão
voluntária que vai levá-lo à sua destruição. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">A condição
para que estas pressões realizem <st1:PersonName ProductID="o que o" w:st="on">o
que o</st1:PersonName> capital deseja é que o sujeito esteja só, abandonado
pelos demais, enfraquecido em sua capacidade de ver e resistir à injustiça,
incapaz de pronunciar o famoso <I>você me paga</I> ou <I>você não perde por
esperar</I> com o qual a dignidade ferida dificulta a resignação, pressiona por
algum tipo de reação e, ao reafirmar sua participação no grupo dos que não
aceitam baixar a cabeça, renova os vínculos e a revolta dos demais que são
vítimas da mesma situação. Por isso, mais que à fragilidade das pessoas, o
avanço do assédio moral e das patologias a ele relacionadas é proporcional ao
recuo da solidariedade e, com ele, da possibilidade de uma resposta que procure
atingir diretamente as causas do sofrimento.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Mas isso
não é tudo. Para que as pessoas falem de si mesmas, de seus anseios, angústias
ou temores e para que se sintam livres de colocar em palavras seus sucessos,
seus sonhos e frustrações de forma aberta e duradoura é necessário que haja um
vínculo de confiança no seio do trabalhador coletivo. Sem este laço de
reciprocidade é quase impossível se submeter à apreciação e ao julgamento do
outro, vencer o medo de ser ignorado ou censurado, alimentar com idéias, valores
e formas de comportamento a identidade coletiva de resistência, enfim consolidar
o chão sobre o qual se constrói a percepção comum da realidade e dos sentimentos
de revolta perante a injustiça.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Sozinho e
sem uma autêntica comunicação com os colegas, o sujeito torna-se alvo fácil das
manobras de assédio que o desestabilizam cada vez mais na medida em que aumentam
nele o medo de ser visto como fraco, frouxo, incompetente ou imprestável pela
chefia e desacreditado pelos colegas. A partir disso, ele consente em calar,
duvida da validade de sua experiência e percepção toda vez que esta se choca com
a visão dominante, sente pesar ainda mais em suas costas os efeitos deletérios
do trabalho e, sem perceber, começa a andar de ré em direção ao abismo. Ele dá
início ao processo que o transforma em morto-vivo no dia em que os vínculos com
os demais se desgastam a tal ponto de impossibilitar o compartilhamento real da
experiência que o sujeito tem da realidade vivenciada por todos. Este vazio
passa a ser preenchido pelo medo, pelo retraimento, pela necessidade de
sustentar a suposta eficiência das barreiras que cada funcionário ergue para se
defender, pelos ressentimentos em relação aos demais, pela sensação de aridez
oriunda da falta de convívio com os colegas e pela agressividade com a qual
ataca quem atua no sentido de acordá-lo da anestesia que melhora sua capacidade
de tolerar o sofrimento”.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “E o
resultado disso?”.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">-
“Resultado: distúrbios do sono, gastrites, úlcera, problemas cardíacos,
hipertensão, doenças de origem psicossomática e, o que mais assusta, burn out,
síndrome do pânico, depressão e até mesmo o suicídio”.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “Burn...
o que...?!?”, pede o secretário intrigado.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">-
“Facilmente confundido com o estresse, o burn out é algo bem mais insidioso.
Pressionado pelo trabalho, o indivíduo experimenta uma sensação de exaustão
física e emocional, eleva sua irritação e agressividade diante de situações
corriqueiras até perceber que seu corpo e sua capacidade de reação estão
entrando em pane. Como o próprio termo inglês indica, o sujeito se sente como
uma terra totalmente queimada, um solo sobre o qual passou um fogo abrasador que
transformou em cinzas todas suas energias físicas e psíquicas abrindo caminhos
para a ocorrência de distúrbios bem mais graves. Freqüentemente registrado entre
<st1:PersonName w:st="on">professor</st1:PersonName>es, bancários, agentes
penitenciários, executivos e trabalhadores que lidam diretamente com o público
em geral, este distúrbio revela uma ligação direta com uma tensão emocional
crônica que nasce do contato excessivo com os outros e, particularmente, dos que
dependem ou exigem seus cuidados. As primeiras manifestações costumam se
disfarçar de insônia, hipertensão, úlceras digestivas, lapsos de memória,
impaciência com colegas e familiares, sensação de fadiga crônica e frustração,
vontade de largar tudo, de se mandar ou de sentimentos de onipotência
acompanhados de traços típicos do comportamento paranóico. Estes sintomas, via
de regra, acabam sendo tratados por si só e raramente são vistos como sinais de
algo profundo e devastador a ser corrigido com práticas que busquem restabelecer
o equilíbrio entre a vida no trabalho e a vida pessoal, ética e familiar”.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “E,
quanto à síndrome do pânico? Será que o trabalho chega a ser tão assustador a
ponto de provocá-la?”, pergunta o homem entre a ironia e a desconfiança.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “Dos
estudos consultados, aprendi que o trabalho não é a única causa deste distúrbio,
mas sempre que a vida profissional é a base do pânico, nos deparamos com
antecedentes de situações de muito estresse, metas elevadas, prazos apertados,
responsabilidades excessivas, longos períodos de trabalho sem intervalos
suficientes para repor as energias, tédio, a presença de uma atmosfera ruim na
empresa, relações pessoais desgastadas, fracasso em obter promoções, medo da
demissão ou uma profunda sensação de frustração em relação ao acerto de contas
imposto pela realidade entre a idealização do próprio trabalho (ou de seu papel,
como é o caso, por exemplo, dos trabalhadores na educação e do judiciário) e os
magros resultados obtidos apesar do elevado dispêndio de energias.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Associada
aos elementos descritos nas páginas anteriores, a presença desses fatores pode
levar a um descontrole do sistema de alarme do nosso corpo. Não sei se você
sabe, mas toda vez que o cérebro detecta algum perigo, dispara uma série de
reações químicas que nos deixam prontos para uma reação imediata. Nosso coração
bate mais rápido e mais forte, a respiração se intensifica, os músculos se
tendem, a temperatura do corpo sobe e a pele fica suada. Trata-se de algo normal
que, ao ocorrer, prepara o organismo a enfrentar um perigo real. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Nos
portadores da síndrome do pânico, este mecanismo está desregulado e desencadeia
falsos alarmes diante de situações corriqueiras que não representam qualquer
tipo de ameaça. É como se uma sirene disparasse sem razão aparente, sem que haja
uma ameaça real. Isso não significa que o sentimento de pavor e de pânico dos
portadores desta síndrome não sejam reais e que seus corpos não passem pela
mesma sensação física experimentada por qualquer pessoa diante de um perigo
iminente. Simplesmente, o que acontece é que o gatilho destinado a detonar a
reação química funciona na hora errada, quando não há motivo para isso. Ao
experimentar um sentimento de súbito terror e uma sensação de morte, a mente das
vítimas do pânico dispara, o coração parece sair pela boca, o suor molha a
roupa, dores no peito, falta de ar, tontura e a clara impressão de que todo o
controle sobre as próprias ações será paralisado ou perdido leva-as ao
desespero. Sem terem consciência disso, a crise de pânico instala nelas o medo
do medo. Ou seja, começam a temer que novos ataques possam acontecer e passam a
evitar pessoas, lugares e situações que, em sua concepção, podem desencadear o
pânico. Inevitavelmente, as atitudes defensivas adotadas para fugir de um novo
ataque acabam provocando sérios transtornos em todos os aspectos da vida
profissional e social dos que são atingidos por esta síndrome. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Assim como
o primeiro beijo a gente nunca esquece, o primeiro ataque de pânico marca
profundamente a memória com uma sensação de ruína iminente que se auto-alimenta
na medida em que suas vítimas deixam de prestar atenção naquilo que está em
volta delas e passam a se concentrar diretamente sobre o que está dentro delas.
Sentimentos, dores, sensações ou qualquer mudança nas reações do corpo, por
simples que sejam, são percebidas como sinal de que algo pior está a caminho. Do
medo de um infarto ao de estar enlouquecendo, da insegurança mais simples ao
temor de certos pensamentos e sentimentos, o pânico provoca um círculo vicioso
do qual é difícil sair sozinhos. Ainda que o primeiro ataque tenha durado poucos
minutos, a sensação é tão devastadora que sua recuperação não vai ocorrer da
noite para o dia, mas sim num lento processo no qual é essencial que o portador
da síndrome aprenda a não fugir diante do que teme, não procure expedientes para
tentar evitar, prevenir ou reduzir o pânico, mas comece a enfrentar o medo e os
ataques para perceber que ele consegue sobreviver a seus efeitos, que é mais
forte do que eles e que o próprio ataque é totalmente seguro.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Entre os
principais problemas para dar início a esta empreitada está a incapacidade do
indivíduo perceber a relação que existe entre os ataques de pânico e as
situações estressantes que foram se acumulando nos últimos doze meses e deixaram
marcas profundas tornadas invisíveis pela sobreposição das terríveis sensações
produzidas pela crise de pânico. Em geral, as pessoas acham que o primeiro
ataque se deu em função de algo imediato, quando, na verdade, este é apenas o
resultado visível de um descontrole ocorrido meses antes e que pode vir a se
manifestar pela primeira vez em situações banais ou até mesmo no gozo de um
período de férias, quando o afastamento do trabalho parece motivo suficiente
para não procurar nele as causas da síndrome. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">A
sobrecarga acumulada não tem hora marcada para disparar a sensação de terror que
se experimenta e sua concretização se afasta no tempo. Com o ritmo lento das
gotas que vão enchendo o pote, situações estressantes vivenciadas no trabalho
estão entre os fatores que preparam silenciosamente o seu futuro
transbordamento. Por esta razão, o que confunde ainda mais as pessoas que sofrem
deste distúrbio é o fato delas se fixarem na gota d’água que fez o vaso derramar
sem se dar conta de que isso só ocorreu porque ele estava cheio. Diante da
ausência de fatos imediatamente visíveis, elas passam a acreditar que os
distúrbios se devem a alguma doença grave do cérebro cujo ponto final é a morte
ou a loucura.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">O problema
é que o medo do pânico mantém o pânico vivo e deturpa em suas vítimas a
interpretação de tudo o que acontece <st1:PersonName
ProductID="em volta delas. Dias" w:st="on">em volta delas. Dias</st1:PersonName>
bons ou ruins são comuns à toda a humanidade, e para a maior parte da população
até mesmo as situações desagradáveis acabarão ficando para trás na medida em que
as pessoas deixam de pensar nelas. Para as vítimas do pânico, porém, um dia ruim
é sinônimo de que tudo dá errado, por isso, elas ficam tensas o dia inteiro,
sentem-se pesarosas, incomodadas e acabam alimentando o pavor de ter mais um
ataque de pânico”.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “Mas
isso é complicado demais para que um colega de trabalho possa ser de alguma
ajuda!”, afirma o secretário ao apoiar o queixo na palma da mão esquerda.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Alfinetada
por esta conclusão, Nádia fixa o olhar no rosto do seu ajudante, cruza as asas
na altura do peito e, batendo a pata direita na mesa, lança uma expressão de
reprovação que sublinha o “Será mesmo?!?” que acaba de se espalhar pela sala em
alto e bom som.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Com a
cabeça dobrada sobre os papéis, os ouvidos humanos parecem se abrir humildemente
ao inesperado. Mais alguns instantes de silêncio e, em tom sério, a coruja
diz:</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “A
primeira coisa que qualquer colega pode fazer é não piorar o que já está
difícil, mas, para isso, ele precisa entender como os portadores deste distúrbio
vêem o mundo. Ou seja, é necessário olhar para a realidade não com os próprios
óculos, mas pelas lentes através das quais eles enxergam o que está
<st1:PersonName ProductID="em volta deles. O" w:st="on">em volta deles.
O</st1:PersonName> problema maior é que, aliada ao individualismo e à competição
que marcam presença nos locais de trabalho, a falta de informação sobre estes
distúrbios costuma ampliar os estragos existentes toda vez que as pessoas tentam
ajudar à sua maneira, ou seja, pelas lentes através das quais elas vêem a vida e
buscam lhe dar um sentido.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Pra início
de conversa, ajudaria bastante se, na dúvida sobre o que fazer, quem convive com
as vítimas do pânico parasse de considerar como frescura, falta de caráter,
parafuso solto ou sinal de miolo mole as expressões que os portadores da
síndrome deixam transparecer em meio a mil constrangimentos e temores. Gozações,
brincadeiras, frases preconceituosas ou apelos a sanções disciplinares por parte
da chefia servem apenas para alimentar o medo de ver a própria vida ir por água
abaixo, abundantemente presente nas pessoas atingidas por esse distúrbio. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">O que mais
assusta é perceber como gente instruída ou considerada <I>de bem</I> procura
tirar proveito dos distúrbios alheios para afastar o colega e ter assim a chance
inesperada de subir na carreira. Aparentemente inofensivos e lógicos, seus
comentários contribuem para que o outro que sofre se torne invisível perante os
demais (e só volte a aparecer na hora do escárnio) e mostram-se incapazes de
perceber que a situação vivenciada pelo colega é, na verdade, um sinal de alerta
em relação à possibilidade do trabalho vir a danificar do mesmo modo sua própria
integridade física e mental. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">O irônico
disso tudo é que exatamente estas pessoas são as primeiras e mais agitadas na
hora de dizer que <I>aqui ninguém ajuda</I>, <I>ninguém dá uma chance</I> quando
seus projetos de ascensão são borrados ou obstaculizados por situações simples e
corriqueiras. Cegos de amor pelo capital e pela ética que este viabiliza, são
incapazes de perceber que não são <I>os outros</I> a se afastarem deles, mas,
sim, são eles que atuam prioritariamente no sentido de desqualificar, derrotar
e, portanto, colocar o outro bem longe de suas vidas e preocupações, impedindo
assim um mínimo de vivência coletiva.</P>
<P class=MsoBodyTextIndent style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">Segundo, mas não menos
importante, seria bom se, na tentativa de ajudar, não empurrássemos o colega
para mecanismos que atrasam e dificultam sua recuperação. Estou me referindo,
por exemplo, aos convites à resignação, a se conformar com a própria sorte como
se a síndrome do pânico fosse uma sina ou, pior ainda, um castigo de Deus. Na
mesma linha, não é para oferecer remédios que ajudem a acalmar nem para
confirmar as atitudes que levam a evitar as situações nas quais a vítima do
pânico acredita vir a ter um novo ataque e nem mesmo convidar a <I>tomar uma
branquinha</I> pra esquecer. Por melhores que sejam as intenções, é muito bom
que a solidariedade não se expresse no levantar o tapete debaixo do qual o
portador da síndrome pretende esconder exatamente o que precisa enfrentar para
trilhar o caminho da cura.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Ao lado do
que não é bom praticar, vale a pena esboçar algumas atitudes simples que podem
fazer a diferença. No lugar de ridicularizar ou menosprezar a sensação de
terror, procure estar com o colega nos momentos em que a insegurança e o pânico
começam a se manifestar. Não precisa ser psicólogo ou psiquiatra, mas apenas
gente que mereça este nome, para sustentá-lo na hora em que sua leitura dos dias
ruins tende a alimentar a convicção de que não vai conseguir sair dessa ou está
voltando à estaca zero. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Parece
paradoxal, mas na medida em que o atingido pela síndrome vai tendo melhoras, o
medo de perder a sensação renovada de que a vida vale a pena ser vivida faz ele
notar mais os dias ruins do que os bons. A memória do sofrimento padecido nos
ataques passados age como um carrasco que, com sorriso maldoso, lembra que tudo
volta à estaca zero, insinua que a recuperação nunca vai acontecer e que o
pânico irá sempre mergulhá-lo na terrível espiral do medo. Nestes casos, agir
positivamente não é apelar para o pensamento positivo, tão abstrato e irreal
para o portador da síndrome a ponto de receber o convite como uma
desconsideração de seus sofrimentos. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Trata-se,
isso sim, de ajudar a memória a agir no sentido inverso, ou seja, de resgatar as
situações e as dificuldades já superadas, de recuperar os progressos já
conseguidos, de cutucar a situação de choque e abalo temporário com a percepção
de que não há cura milagrosa que faça o pânico desaparecer da noite pro dia, mas
sim um caminho gradual no qual as crises se tornam mais espaçadas no tempo e
menos intensas. <st1:PersonName w:st="on">Enfim</st1:PersonName>, ajude a
lembrar das pequenas melhoras conseguidas como prova material de que épocas boas
são novamente possíveis, de que se continuar observando e fazendo o que já deu
algum resultado ele poderá atravessar esta fase e consolidar sua recuperação
que, no momento, parece colocada em dúvida por uma recaída temporária. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">As
palavras terão efeito multiplicado quando blindadas por atitudes concretas que
procuram transformar em gesto de solidariedade a presença amiga revelada pelo
que dizemos. Basta pouco: ajude o colega a evitar algumas situações que acirram
a tensão no trabalho ao mesmo tempo em que apontam que não é ele que está
ficando louco, mas é o trabalho que serve a todos doses diárias de veneno que,
em vez de ajudar a reagir, mergulham as pessoas no isolamento, no sentimento de
culpa, na insegurança causada pela ameaça de <I>ser o próximo a dançar</I>,
enfim numa ansiedade desgastante e desesperadora. Se não dá pra transformar um
portador da síndrome do pânico em militante sindical, é possível agir no sentido
de deixar marcos que, individual ou coletivamente, podem vir a questionar as
certezas do senso comum e visualizar na prática que as coisas podem e devem ser
diferentes.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Não se
trata de algo extraordinário, mas sim de atitudes simples, simplesmente humanas,
que ao ampliar a percepção da realidade ajudam a visualizar possíveis caminhos
de mudança e, sobretudo, a colocar na ordem do dia a necessidade do envolvimento
e da responsabilidade individual na solução dos problemas coletivos”.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “Agora,
com a depressão as coisas devem ser mais complexas...”, comenta o homem em tom
de desculpa.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “É
verdade – reconhece a ave em meio a um longo suspiro. Mas o tamanho do problema
e o grau de dificuldade que impõe não são razões suficientes para desistirmos de
buscar respostas. Ainda que não haja uma depressão igual à outra, que esta tenha
origens diferenciadas ou se manifeste em graus e profundidades que variam de
pessoa a pessoa, que vitime o trabalhador e o arraste por caminhos tortuosos
cuja superação envolve uma releitura do passado e do presente que só um
especialista pode ajudar a realizar, quem procura organizar o local de trabalho
não pode se limitar a constatar ou denunciar os possíveis vínculos desse
transtorno com as relações de produção. Ele precisa entender seus mecanismos e
efeitos sobre as pessoas atingidas para que suas ações o aproximem de quem
retorna ao posto após passar por abalos depressivos e sua conduta sirva de
crítica real (atenção: eu disse real, não verbal) dos elementos que fazem do
sofrimento humano um dos combustíveis destinados a aumentar a produtividade e os
lucros”.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “Mas
será que dá mesmo para percebermos como o deprimido vê o mundo?”.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “A sua
pergunta faz sentido não só em relação ao debate sobre os elementos que permitem
enfrentar os novos desafios da atuação na base, mas também pelo fato da própria
Organização Mundial da Saúde apontar os distúrbios depressivos como responsáveis
pela quarta causa de morte e incapacidade em escala mundial com uma clara
tendência a ocuparem o segundo lugar até 2020 logo atrás das doenças do
coração.<A title="" style="mso-footnote-id: ftn1"
href="mhtml:mid://00002278/#_ftn1" name=_ftnref1><SPAN
class=MsoFootnoteReference><SPAN style="mso-special-character: footnote"><SPAN
class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[1]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A>
</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Em breves
palavras, as depressões não são uma realidade passageira, mas sim algo que as
mudanças em andamento dentro e fora das empresas tendem a tornar cada vez mais
presente no cotidiano da história, na medida em que o enfraquecimento dos laços
sociais apaga as dimensões essenciais da vida coletiva e fortalece o isolamento
do indivíduo. Chamado a enfrentar sozinhos os traumas, as alegrias, as
angústias, os sucessos e os fracassos de sua tensão para o reconhecimento, sem
vivências coletivas que permitam sustentar e dar sentido ao sofrimento que é
chamado a enfrentar, constantemente pressionado pelas ameaça de vir a ser um
<I>sem futuro</I> e pelos seus próprios sonhos de consumo, o sujeito tende a se
aniquilar na exata medida em que a busca do <I>ter</I> para compensar a falta de
<I>ser</I> o transforma numa ilha sacudida pela tempestade. Viver o
individualismo dos novos tempos, como dizia Einstein, <I>é estar trabalhando sob
o delírio apático pelo qual cada um é separado do outro, do resto do mundo
material, do universo, quando na verdade somos todos partes inteiramente
conectadas do próprio universo</I>.<A title="" style="mso-footnote-id: ftn2"
href="mhtml:mid://00002278/#_ftn2" name=_ftnref2><SPAN
class=MsoFootnoteReference><SPAN style="mso-special-character: footnote"><SPAN
class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[2]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">O impacto
destes mecanismos nas vítimas da depressão leva-as a experimentarem uma perda de
energia, de interesse e de satisfação na rotina do cotidiano acompanhada, em
geral, por sentimentos de culpa, dificuldade de concentração, sentimentos de
impotência e de fracasso, incapacidade de experimentar prazer (in<st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>ectual, estético, alimentar e sexual),
irritabilidade, uma profunda sensação de que a existência deixou de ter sentido
e pensamentos de morte ou de suicídio. Esta situação de abatimento pode se
expressar através de frases que apontam a ausência de qualquer perspectiva
futura e de força para reagir ou pelo reconhecimento explícito de que não se tem
mais valor algum. </P>
<P class=MsoBodyTextIndent style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">A percepção negativa que
o depressivo tem da própria vida se reforça diariamente com as distorções que
acompanham sua leitura da realidade. No ambíguo turbilhão da cotidianidade onde
se confundem sentimentos e sensações opostas, as vítimas deste transtorno
extraem lições negativas de situações que, numa condição de equilíbrio
emocional, não apontariam neste sentido; retiram detalhes de seu contexto,
superestimam sua importância e interpretam unilateralmente toda a sua
experiência à luz do fragmento escolhido; generalizam facilmente conclusões
precipitadas a partir de casos específicos e isolados; tendem ora a
supervalorizar, ora a subestimar ou minimizar atributos pessoais, acontecimentos
ou possibilidades futuras; relacionam consigo mesmos fatos ou reações alheias
mesmo quando não há elementos para isso e colocam suas vivências em categorias
opostas, o que faz com que tudo vire oito ou oitenta.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">A soma
desses mecanismos faz com que a depressão degrade o <I>eu</I> da pessoa, eclipse
sua capacidade de dar ou receber afeição, destrua a conexão com os demais,
aniquile a capacidade de estar apaziguadamente apenas consigo mesmo e faz com
que tudo o que está acontecendo no presente não passe de uma antecipação da dor
futura, tão forte e tão intensa a ponto de apagar o passado e o presente.
<I>Tornar-se deprimido é como ficar cego, a escuridão no início gradual acaba
englobando tudo; é como ficar surdo, ouvindo cada vez menos até que um silêncio
terrível o envolve, até que você mesmo não pode fazer qualquer som para penetrar
o silêncio. É como sentir sua roupa se transformando lentamente em madeira, uma
rigidez nos cotovelos e joelhos progredindo para um terrível peso e uma isolante
imobilidade que o atrofiará e, dentro de algum tempo, o destruirá</I>.<A
title="" style="mso-footnote-id: ftn3" href="mhtml:mid://00002278/#_ftn3"
name=_ftnref3><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[3]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A>
Na depressão, as coisas mais simples exigem um dispêndio colossal de energia.
Atender ao <st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>efone pede um esforço
sobre-humano, pois o braço pesa tanto quanto um elefante. Descer da cama, trocar
de roupa, tomar banho, raspar a barba são atividades impossíveis para quem sente
estar precisando de um guincho só para levantar a perna e fazê-la tocar o piso.
</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Além
disso, <I>quando você está deprimido, precisa do amor de outras pessoas e, no
entanto, a depressão provoca ações que destroem esse amor. Os deprimidos,
geralmente enfiam alfinetes em seus botes salva-vidas</I>.<A title=""
style="mso-footnote-id: ftn4" href="mhtml:mid://00002278/#_ftn4"
name=_ftnref4><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[4]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A>
Pouco a pouco, <I>eles se tornam invisíveis porque sua própria doença faz com
que cortem os contatos e as ligações humanas. A reação das pessoas ao encontrar
alguém que sofre desse distúrbio é de rejeição e desconforto. Os que não estão
afligidos pela doença não gostam de vê-la porque a visão do que ela produz os
enche de insegurança e provoca ansiedade</I>.<A title=""
style="mso-footnote-id: ftn5" href="mhtml:mid://00002278/#_ftn5"
name=_ftnref5><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[5]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Nos casos
mais graves, <I>a existência se torna um inferno tão insuportável que o temor da
vida pode superar em peso o temor da morte e abrir as portas para o
suicídio</I>.<A title="" style="mso-footnote-id: ftn6"
href="mhtml:mid://00002278/#_ftn6" name=_ftnref6><SPAN
class=MsoFootnoteReference><SPAN style="mso-special-character: footnote"><SPAN
class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[6]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A>
Ou seja, se o comum é as pessoas não conseguirem pensar o mundo sem a sua
presença, o deprimido pode chegar à conclusão de que o mundo seria um lugar
melhor sem ele”.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “O que
ainda não consigo entender – diz o ajudante ao coçar a cabeça – é como alguém
pode chegar a esse ponto sem se dar conta do que está acontecendo...”.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">-
“Simples, querido bípede de óculos. Via de regra, qualquer um de nós se comporta
como uma castanheira centenária que, do alto de sua copa viçosa vê brotar uma
pequena trepadeira na base do seu tronco. Para quem já enfrentou ventos,
tempestades, frio, calor, secas e enchentes, o pequeno parasita parece algo
totalmente insignificante ou que, com certeza, não pode ser visto como uma
ameaça a quem, do alto de sua força e solidez, já atravessou os séculos. O
problema é que aquele broto vai crescendo, não com uma velocidade assustadora ou
efeitos imediatamente devastadores, mas sim devagarzinho, como quem busca um
simples abrigo, uma chance para crescer ou um ponto de apoio para sair do chão e
conquistar novas alturas. Trata-se de um processo lento, feito de idas e vindas,
aparentemente inofensivo e perante o qual a castanheira sempre se ressegura com
a certeza de que ela é maior, de que, afinal, o incômodo gerado pelo parasita
não é tão grande e que os braços que agarram seu tronco dão até um colorido
diferente que a distingue das demais árvores da floresta. Estação após estação,
a trepadeira cresce a tal ponto que a árvore se sente sufocada, perde sua
capacidade de respirar e articular as funções que proporcionam sua estabilidade
e crescimento. Mas agora é tarde. A experiente castanheira mergulha de cabeça no
pior dos mundos, ou seja, tem a morte como única perspectiva concreta de futuro
imediato. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Neste
momento, ela lança um grito de dor que, não poucas vezes, ganha a forma de um
profundo silêncio ou da mais terrível solidão diante das árvores que, a um passo
dela, continuam povoando a floresta. Sozinha ela não pode fazer nada. Faz-se
necessária e urgente a intervenção de uma ajuda especializada que desbaste a
trepadeira e envenene suas raízes. A terapia e os antidepressivos são a foice e
o veneno que serão usados na árdua tarefa de matar o parasita e salvar a
castanheira. Como ela, o deprimido sente quando a trepadeira murcha e cai, mas,
ao mesmo tempo, percebe que lhe restam poucas folhas para apostar na recuperação
e que suas raízes estão ainda muito frágeis. </P>
<P class=MsoBodyTextIndent style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt">O que é necessário para a
estrita sobrevivência continua presente, mas não é nada agradável viver assim.
Não é possível a castanheira se sentir forte, bela, sólida e resistente desta
maneira. Qualquer brisa torna-se uma ameaça às poucas folhas que restam e, agora
mais do que nunca, ela precisa se concentrar sobre si própria e poder contar com
o apoio e a presença desinteressada das demais árvores da floresta, cujos
troncos, ramos e folhas podem reduzir o impacto das intempéries e facilitar sua
recuperação. Se é verdade que cabe à castanheira reunir as lembranças que a
depressão afasta e protegê-las para o futuro, assimilar o alimento mesmo quando
causa repugnância, movimentar seus ramos até quando cada folha parece pesar uma
tonelada, bloquear os terríveis pensamentos que lhe inundam a mente, ter a
coragem de superar a vergonha de continuar tomando os remédios, ouvir as árvores
que torcem por sua recuperação e acreditar que vale a pena viver por elas mesmo
quando, no fundo, não acredita nisso, é verdade que também a floresta tem que
fazer a sua parte”.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “Por
exemplo...?”</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “Ora, um
bom começo seria se as manifestações de abatimento próprias da depressão não
fossem recebidas com ações que tendem a agravá-las. Refiro-me, por exemplo, às
advertências da chefia, sanções disciplinares, ridicularização dos colegas,
acusações gratuitas de falta de motivação, insinuações de que <I>o cara é
experto e está fazendo corpo mole para os outros se ferrarem</I>, marginalização
ou exclusão do grupo, avaliações de desempenho ou julgamentos éticos pelos quais
o colega deprimido sente estar cedendo em sua fragilidade diante do que os
demais parecem suportar sem grandes problemas. Se para a empresa só vale quem
produz e dá o sangue para o lucro, para quem busca reconstruir vínculos de
amizade e confiança capazes de alterar a percepção do trabalhador coletivo sobre
o sentido do trabalho, as atenções devem ser centradas em comportamentos que
revelam traços de autêntica humanidade, in<st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>igência, lealdade e coragem para dar o nome aos
bois ou colocar o dedo nas feridas.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Trocado em
miúdos, isso significa que devemos evitar, por exemplo, constatações tais como
<I>ele está pra baixo porque não tem Deus no coração</I>. Algumas concepções e
seitas religiosas tornam muita gente incapaz de ver que, como doença, a
depressão, e não a falta de religião (que, por sinal, costuma ser prática
corrente de um bom número de deprimidos), faz com que os olhos sejam cobertos
por um véu cinzento através do qual o mundo e a vida passam a não ter cor. Isso
significa que, como doença, a depressão se deposita esmagadoramente por cima da
personalidade. Quanto mais o deprimido procura juntar os cacos dele mesmo, mais
esse transtorno se encarrega de mostrar-lhe que ele vai continuar desmoronando e
se fragmentando cada vez mais. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Por isso,
além de não ter nenhum contato privilegiado com o céu, quem julga um doente com
base na fé é tão cego que sequer consegue perceber que está condenando alguém
que já vive o inferno na terra em nome do mesmo Deus em quem diz acreditar e
que, por sinal, ordena a qualquer homem de fé que ele deveria ser o primeiro a
estender gratuita e desinteressadamente a mão a quem está se esforçando para
sair do abismo. O preconceito baseado numa errônea interpretação religiosa da
vida e dos acontecimentos faz com que algumas pessoas sintam a sensação do dever
cumprindo mesmo quando acabam de jogar uma bigorna de ferreiro para alguém que,
ao estar se afogando, pede uma mão, um galho, um pedaço de corda, enfim algo ao
qual se agarrar para não afundar de vez. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Um segundo
elemento, tão prejudicial quanto o anterior, se expressa através de um convite
nefasto que ganha as feições de um conselho de amigo: <I>no seu lugar, eu
jogaria fora esses remédios. São eles que te deixam lerdo e bobo</I>. As pessoas
não percebem que esta amostra típica do senso comum não só aumenta a vergonha do
deprimido de ter que depender de uma medicação forte para manter um equilíbrio
emocional que, às vezes, permanece instável por anos a fio, como é tão absurda
quanto aconselhar alguém que está no meio de um tiroteio a se livrar do colete à
prova de bala pelo simples fato de que este o faz suar ou está completamente
fora de moda.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Mas há
algo aparentemente inofensivo que é igualmente prejudicial. Se, normalmente, um
bom café ajuda a <I>pegar no tranco</I>, no deprimido, aquela xícara fumegante
de líquido preto serve apenas para devorar as poucas energias com as quais conta
e estimula respostas que tem a ansiedade como fator predominante. Algo bem
parecido ocorre com o guaraná em pó ou com bebidas estimulantes que acabam
jogando gasolina no fogo das sensações que o ajudam o deprimido a mergulhar mais
em seus piores sentimentos. As coisas não são diferentes em relação ao álcool e
às drogas. Além de cortar o efeito da medicação e desgastar ainda mais o
organismo debilitado, deixam o portador desse transtorno com dois problemas: a
depressão e as drogas.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Não é
difícil que haja também situações nas quais, sem perceber, corremos o risco de
transformar no seu contrário uma atitude honesta de sincero companheirismo.
Sensibilizadas com a situação dos colegas, há pessoas que passam a tratá-los
como se fossem totalmente incapacitados sem perceber que a depressão pode agir
exatamente no sentido da vítima do distúrbio se achar realmente incapacitada,
talvez até mais do que normalmente seria. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Na mesma
linha, podemos ler a insistência de alguns convites a fazer, a se mexer, a se
levantar ou a participar de algo que force o deprimido a sair do seu isolamento.
O problema é que quando a doença é mais forte do que sua vontade, a capacidade
de reação positiva cai abaixo de zero e, ao perceber que não consegue dar a
volta por cima, o doente mergulha ainda mais nas malhas da depressão”.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “Agora é
que fiquei mais confuso ainda!”, prorrompe o secretário ao balançar a cabeça e
empurrar os óculos contra a testa.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “A
depressão, meu caro, prende as pessoas nas armadilhas da própria mente – diz a
coruja ao apoiar a asa no peito do ajudante. Por isso, ajudar um deprimido é bem
mais complexo do que aparenta ser. Às vezes, a única maneira que temos de fazer
isso é ficando por perto, compartilhando com ele o seu silêncio, uma xícara de
chá, uma música, respeitando seu momento e até mesmo sua vontade de ser deixado
em paz. Em breves palavras trata-se de fazer com que nossas atitudes, por
simples e singelas que sejam, lhe façam sentir a presença de uma mão amiga, de
alguém disposto a ouvir e dialogar com seus momentos, de um olhar que torce por
sua recuperação, de um coração que comemora de pé qualquer pequeno sinal com o
qual o colega consegue romper o seu silêncio e a sua solidão. Mais do que servir
para dar conselhos (que, em geral, não passam de um pé no saco<A title=""
style="mso-footnote-id: ftn7" href="mhtml:mid://00002278/#_ftn7"
name=_ftnref7><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[7]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A>),
as palavras, os gestos ou a presença silenciosa devem ser discretos,
desinteressados e, por isso mesmo, fortes quanto basta para que o deprimido
perceba que a vida dele é importante para os seus colegas de trabalho. Parece
incrível, mas o simples fato de saber que outras pessoas se preocupam com o que
lhe acontece é, em si, suficiente para afetar profunda e positivamente as ações
e o espírito de quem sofre desse transtorno. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">O
estabelecimento de relações mínimas de confiança não se dá por decreto ou por um
ato unilateral da própria vontade, mas em práticas que, ao respeitar a situação
do outro, não o tratam como criança, incapacitado ou coitadinho, mas apenas como
amigo que precisa de ajuda e compreensão. Por este caminho, tanto o deprimido,
como quem vive no isolamento ou na solidão proporcionadas por atitudes
individualistas, pode recuperar aos poucos o interesse pela fala, ou seja, para
colocar em palavras o que sente, sofre e faz ele se desequilibrar. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Às vezes,
o prelúdio desse momento vem através do choro que, freqüentemente, indica a
entrada da pessoa nos compartimentos mais profundos da emoção. Expressões como
<I>Seja homem! Pare de chorar!</I>, <I>força, força, isso já vai passar</I>, ou
<I>segure as lágrimas! Anime-se!</I>, não ajudam a fazer com que quem está
chorando possa dar voz ao que está mais no fundo dele, a expressá-lo, e, via de
regra, deixam claro que não estamos dispostos a ouvir. Como conversar sobre si
mesmo é colocar a própria mente diante do julgamento do outro, é necessário que
quem chora, e sobretudo ele, sinta que está sendo entendido em seu drama e não
condenado, desqualificado ou reprovado pelo que está vivenciando. Por isso, uma
frase como <I>se as suas lágrimas tivessem voz, o que estariam dizendo?</I>
ajudaria bem mais a vencer a dura tarefa de romper a barreira do silêncio. Ao
colocar em palavras o que sente, até a vítima da depressão tem uma boa chance de
melhorar o seu estado de espírito, de, ao falar, começar a dar o justo valor às
coisas, a continuar articulando seus sentimentos. Se discursos sobre
acontecimentos negativos são dolorosos, falar sobre o sofrimento concreto ajuda
a aliviá-lo.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Passo a
passo, a abertura que se estabelece com o deprimido deixa livre acesso a colocar
em dúvida suas expressões categóricas como <I>sei que as coisas nunca vão
mudar</I>, <I>não tem mais jeito de eu ficar bom</I> ou <I>é sempre assim, hoje
estou um pouco melhor, mas já sei que amanhã vai ser pior</I>. Se a confiança já
abriu a porta da comunicação, o seu convite a dar um passo de cada vez, a
resistir dando tempo ao tempo e o resgate das melhoras alcançadas pode ajudar a
questionar o falso senso de desamparo, a dar o justo valor aos acontecimentos, a
perceber que as coisas estão assim neste momento, mas não vai ser sempre assim,
ou, ainda, a fazer a pessoa perceber que é a depressão que está falando através
dela.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Como não
há palavras mágicas que proporcionem o fim imediato dos pesados efeitos deste
distúrbio, faz-se necessária a construção de uma relação adulta, capaz de
perceber e valorizar, inclusive, o olhar mais aguçado que o deprimido tem da
realidade, sua velocidade e essencialidade na hora de ir direto ao ponto, sem
rodeios, sem meias palavras, sem ocultar aspectos verdadeiros que costumam ferir
a sensibilidade alheia. Rejeitada pelo senso comum como ameaça à sua busca de
segurança, esta visão pode ajudar a descobrir os caminhos pelos quais, ao
apostar no companheirismo sincero podemos descobrir os elos perdidos de uma
relação humana que sirva de base à reconstrução do sentimento de indignação com
o qual o trabalhador coletivo pode reavivar sua rebeldia”.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “E eu
que acreditava que a depressão fosse frescura de rico, ou que desse pra resolver
com algum texto de auto-ajuda...”.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “Esse
erro comum é parte do que continua levando colegas de trabalho a se afastarem um
do outro por acreditarem que os transtornos depressivos não passam de
fragilidade pessoal típica de quem não tem o que fazer e no que pensar. A
realidade, porém, é bem diferente. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">A
depressão atravessa as barreiras das classes sociais, mas o seu tratamento não.
<I>Isso significa que a maioria dos deprimidos pobres continua pobre e
deprimida; na verdade, quanto mais tempo permanecem pobres e deprimidos, mais
pobres e deprimidos se tornam. A pobreza é deprimente e a depressão é
empobrecedora, levando à disfunção e ao isolamento. A humildade da pobreza marca
uma relação passiva com o destino, uma condição que nas pessoas de maior poder
econômico denuncia a necessidade de tratamento imediato. Os pobres deprimidos se
percebem como extremamente desamparados, tão desamparados que não buscam nem
aceitam apoio.<o:p></o:p></I></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><I>È
relativamente fácil de reconhecer a depressão que atinge alguém de classe média.
Você vive sua vida essencialmente boa e de repente começa a se sentir mal o
tempo todo. Não tem vontade de ir trabalhar; não tem nenhuma sensação de
controle sobre sua vida; tem a impressão de que jamais realizará algo e que a
própria experiência é destituída de significado. À medida que você se torna
crescentemente retraído, começa a atrair a atenção de amigos, colegas de
trabalho e família, que não conseguem entender porque você esta desistindo tanto
de tudo que sempre lhe deu prazer. Sua depressão é inconsistente com sua
realidade pessoal e inexplicável com sua realidade pública.<o:p></o:p></I></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><I>No
entanto, se você está no último degrau da escada social, os sinais podem ser
menos imediatamente visíveis. Para os miseráveis e oprimidos, a vida sempre foi
péssima, e eles jamais se sentiram ótimos; nunca conseguiram manter um emprego
decente; nunca tiveram expectativa de realizar muita coisa; e certamente nunca
lhes passou pela cabeça terem controle sobre o que lhes acontecia. A condição
normal dessas pessoas é muito semelhante à depressão, sendo assim difícil de
identificar seus sintomas. O que é sintomático? O que é racional e não
sintomático? Há uma vasta diferença entre simplesmente ter uma vida difícil e
ter uma alteração de humor, e embora seja comum pressupor que a depressão é o
resultado natural de uma vida assim, a realidade é freqüentemente o inverso.
Afligido pela depressão incapacitante, você deixa de fazer algo com sua vida e
permanece ancorado no escalão mais baixo, esmagado pela própria idéia de se
ajudar</I>.<A title="" style="mso-footnote-id: ftn8"
href="mhtml:mid://00002278/#_ftn8" name=_ftnref8><SPAN
class=MsoFootnoteReference><SPAN style="mso-special-character: footnote"><SPAN
class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[8]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A>
Inclusive, esta é uma das razões pela quais, além da leviandade e da falta de
comprovação científica do que é apontado em muitos textos de auto-ajuda, quando
as dicas veiculadas são apresentadas a muitos deprimidos como possível saída de
sua situação, elas não se tornam incentivo a dar a volta por cima, mas se
transformam na pá-de-cal que alimenta sua autodestruição”. </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “Pelo
que você disse no início do capítulo, só resta falar do suicídio!”, relembra a
língua num tom típico de quem teria preferido esquecer dessa parte.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “È
verdade. Mas não há muito a ser dito no âmbito deste estudo. Deixando de lado os
dados de uma velha prática pela qual acidentes de trabalho com mortes de clara
responsabilidade da empresa, eram apresentados como suicídios de trabalhadores
perturbados por transtornos mentais <A title="" style="mso-footnote-id: ftn9"
href="mhtml:mid://00002278/#_ftn9" name=_ftnref9><SPAN
class=MsoFootnoteReference><SPAN style="mso-special-character: footnote"><SPAN
class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[9]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A>
e os que têm sido registrados após o processo de enxugamento e privatização dos
bancos públicos, a apuração dos suicídios que ocorrem durante o andamento normal
do processo produtivo tem se tornado cada vez mais difícil.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">De um
lado, é comum as empresas impedirem o acesso dos pesquisadores ao local alegando
se tratar de casos em que há uma perícia e um inquérito policial em andamento, o
que dificulta o acesso aos colegas e aos familiares da vítima; de outro, quem
trabalhava com o suicida se nega a falar tanto por medo de represálias por parte
da chefia e dos patrões como porque lembrar do acontecido é trazer à memória a
possibilidade de que o desgaste provocado pelo trabalho no colega que se foi é
uma ameaça real que pode levar mais alguém do grupo a percorrer o mesmo caminho;
e o suicida, obviamente, não pode ser entrevistado. Estabelece-se, assim, um
silêncio cúmplice no qual, por razões e interesses diferenciados, todos preferem
atribuir a desajustes e fragilidades pessoais a razão de fundo que levou alguém
a acabar com a própria vida.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Apesar
disso, vários elementos apontam uma relação direta entre as mudanças que se
instalam dentro e fora dos locais de trabalho e a elevação do número de
suicídios. Entre os casos mais alarmantes está o da China. Nas três últimas
décadas este país da Ásia passou por reformas econômicas profundas e um
acelerado processo de industrialização. As mudanças desencadeadas pelas
transformações ocorridas nas cidades e no campo fizeram com que a cultura do
lucro abalasse a estrutura tradicional das famílias e dos clãs, causando uma
comoção na sociedade e na psique dos chineses, sobretudo os que estão submetidos
a elevados níveis de estresse. <I>A desenfreada corrida para ganhar dinheiro
provocou um incremento no individualismo e no espírito de competição entre as
pessoas, fortes pressões no trabalho e sobre o filho único – cujos pais exigem
que tenha êxito.<o:p></o:p></I></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><I>Em um
país onde três e até quatro gerações vivem sob o mesmo teto, os vínculos
familiares estão esfacelados. Os anciãos são abandonados – algo inconcebível
anteriormente – enquanto milhões de pais no campo deixam seus filhos para ir
trabalhar nas grandes cidades, onde sentem a falta de raízes.<o:p></o:p></I></P>
<P class=MsoBodyTextIndent2 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><EM>Apesar das amplas e
novas possibilidades de educação, viagens, divertimentos e, principalmente, de
ascensão social, o angustiante sentimento de precariedade aumentou para muitos
chineses. Anteriormente, o Partido Comunista regia suas vidas, e tudo era
simples. O partido garantia um ‘prato de arroz’, sinônimo de emprego vitalício,
moradia, cuidados médicos e educação. Nada disso existe mais. Por essa razão,
muitos chineses sentem-se perdidos.</EM></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><EM>Com
250 mil a 300 mil suicídios por ano, segundo informado pelos especialistas, ou
seja, um suicídio a cada dois minutos, a China representa a quarta parte dos
suicídios no mundo, com aproximadamente a sexta parte da
população.<o:p></o:p></EM></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><I>De
acordo com Huo Datong, o primeiro psicanalista a abrir um consultório na China,
‘com as reformas, a sociedade se tornou mais complicada, o individualismo mais
forte, e os problemas psicóticos cada vez mais graves. (...) Nos hospitais
psiquiátricos existem muitos pacientes por causa do desenvolvimento econômico
que provocou uma dissolução das relações com os pais e a família, um isolamento
dos outros’. A ruptura dos valores tradicionais, o acirramento do
individualismo, os sonhos de consumo, a tensão e as pressões para ganhar
dinheiro fragilizam sobretudo os grupos que ocupam os níveis mais baixos da
pirâmide social da China capitalista. Neste país, não só o suicídio é a
principal causa de morte entre os 15 e os 34 anos como o número de ocorrências
nas áreas rurais é três vezes superior ao das cidades e, de acordo com as
estatísticas disponíveis, esta é a única nação do planeta onde as mulheres
cometem mais suicídio do que homens (58%)</I>.<A title=""
style="mso-footnote-id: ftn10" href="mhtml:mid://00002278/#_ftn10"
name=_ftnref10><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[10]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">Ainda que
a situação da China não possa ser generalizada, ela representa talvez a prova
mais atual e contundente dos estragos provocados na saúde mental das pessoas
pelo avanço da acumulação capitalista. Do mesmo modo, ela confirma que, mais do
que em fragilidades estritamente individuais, a razão pelo aumento dos
distúrbios psicóticos de vária ordem e gravidade deve ser procurada no caldo de
cultura proporcionado pelo desenvolvimento da globalização nos países centrais e
periféricos. Para bom entendedor, meia palavra basta”.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">-
“Caramba! Se as coisas estão assim, quer dizer que estamos ffffffritos!”,
exclama o homem perplexo e assustado.</P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify">- “Eu não
teria tanta certeza – rebate Nádia ao piscar os olhos. Ainda que nosso estudo
sirva mais para definir o comportamento do vírus do que para apontar uma vacina
eficiente, já é possível ao menos esboçar algumas pistas de reflexão que
visualizem possíveis caminhos para o movimento sair do atoleiro em que se
encontra. E como se trata de algo que não é tão simples quanto parece, é bom
mesmo você se preparar para o nosso último capítulo que, longe de lapidar
conclusões definitivas, se limita a rabiscar rumos e possibilidades numa pequena
síntese que vamos chamar com o nome sugestivo de...”</P>
<DIV style="mso-element: footnote-list"><BR clear=all>
<HR align=left width="33%" SIZE=1>
<DIV id=ftn1 style="mso-element: footnote">
<P class=MsoFootnoteText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><A title=""
style="mso-footnote-id: ftn1" href="mhtml:mid://00002278/#_ftnref1"
name=_ftn1><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[1]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A><FONT
size=2> Dados publicados em HORNSTEIN, Luis. <B>As depressões: afetos e humores
do viver</B>, Ed. Via Lettera/CEP, São Paulo, 2008, pág. 9.</FONT></P></DIV>
<DIV id=ftn2 style="mso-element: footnote">
<P class=MsoFootnoteText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><A title=""
style="mso-footnote-id: ftn2" href="mhtml:mid://00002278/#_ftnref2"
name=_ftn2><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[2]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A><FONT
size=2> A citação de Einstein encontra-se em SOLOMON, Andrew. <B>O demônio do
meio-dia: uma anatomia da depressão</B>, Ed. Objetiva, Rio de Janeiro, 2002,
pág. 125.</FONT></P></DIV>
<DIV id=ftn3 style="mso-element: footnote">
<P class=MsoFootnoteText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><A title=""
style="mso-footnote-id: ftn3" href="mhtml:mid://00002278/#_ftnref3"
name=_ftn3><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[3]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A><FONT
size=2> Idem, pág. 48.</FONT></P></DIV>
<DIV id=ftn4 style="mso-element: footnote">
<P class=MsoFootnoteText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><A title=""
style="mso-footnote-id: ftn4" href="mhtml:mid://00002278/#_ftnref4"
name=_ftn4><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[4]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A><FONT
size=2> Idem, pág. 105.</FONT></P></DIV>
<DIV id=ftn5 style="mso-element: footnote">
<P class=MsoFootnoteText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><A title=""
style="mso-footnote-id: ftn5" href="mhtml:mid://00002278/#_ftnref5"
name=_ftn5><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[5]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A><FONT
size=2> Idem, pág. 298.</FONT></P></DIV>
<DIV id=ftn6 style="mso-element: footnote">
<P class=MsoFootnoteText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><A title=""
style="mso-footnote-id: ftn6" href="mhtml:mid://00002278/#_ftnref6"
name=_ftn6><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[6]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A><FONT
size=2> Idem, pág. 230.</FONT></P></DIV>
<DIV id=ftn7 style="mso-element: footnote">
<P class=MsoFootnoteText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><A
title="" style="mso-footnote-id: ftn7" href="mhtml:mid://00002278/#_ftnref7"
name=_ftn7><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[7]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A><FONT
size=2> Não. Não se trata de uma citação ao pé da letra, mas sim de um pedido de
desculpas por este ‘linguajar’ impróprio às corujas das melhores famílias. O
problema é que Nádia não encontrou no Aurélio uma expressão
equivalente.</FONT></P></DIV>
<DIV id=ftn8 style="mso-element: footnote">
<P class=MsoFootnoteText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><A title=""
style="mso-footnote-id: ftn8" href="mhtml:mid://00002278/#_ftnref8"
name=_ftn8><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[8]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A><FONT
size=2> <SPAN style="mso-bidi-font-size: 12.0pt">SOLOMON, Andrew. <B>O demônio
do meio-dia: uma anatomia da depressão</B>, Ed. Objetiva, Rio de Janeiro, 2002,
pág. 312.</SPAN></FONT></P></DIV>
<DIV id=ftn9 style="mso-element: footnote">
<P class=MsoFootnoteText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><A
title="" style="mso-footnote-id: ftn9" href="mhtml:mid://00002278/#_ftnref9"
name=_ftn9><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[9]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A><FONT
size=2> De acordo com depoimentos de dirigentes sindicais dos mineiros, em Nova
Lima, região da Grande Belo Horizonte, toda vez que havia um acidente com morte
nas minas da Morro Velho, a assistente social da empresa visitava a família da
vítima oferecendo café e bolachas para o velório, além do caixão e uma coroa de
flores. Transtornados pela perda do ente querido e confiando na boa fé da
representante da empresa, os familiares acabavam assinando papéis em branco que
deveriam supostamente servir para acelerar a liberação das verbas rescisórias e
a eventual pensão da viúva. Tempos depois, ao receber bem menos do esperado, a
esposa e os filhos da vítima acabavam descobrindo que suas assinaturas haviam
sido usadas para atestar a existência de desequilíbrios mentais do falecido,
apontados pela empresa como causa única do acidente.</FONT></P></DIV>
<DIV id=ftn10 style="mso-element: footnote">
<P class=MsoFootnoteText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><A
title="" style="mso-footnote-id: ftn10" href="mhtml:mid://00002278/#_ftnref10"
name=_ftn10><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="mso-special-character: footnote"><SPAN class=MsoFootnoteReference><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">[10]</SPAN></SPAN></SPAN></SPAN></A><FONT
size=2> A citação e os dados foram extraídos de uma matéria produzida pela
agência de notícia AFP sob o título <I>Reformas econômicas: saúde mental dos
chineses expõe o elevado custo do progresso</I>, em: <B>Gazeta Mercantil</B>,
17/12/2008.</FONT></P></DIV></DIV></DIV></BODY></HTML>