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<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message -----
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A
title=soniaugusto@uol.com.br href="mailto:soniaugusto@uol.com.br">Augusto
Buonicore</A> </DIV>
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<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT><BR></DIV>
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<DIV align=center></DIV></DIV>Saudosistas da ditadura </H1>
<DIV id=imagem><BR></DIV>
<DIV id=artigo>
<P>No início desta semana, o Palácio Duque de Caxias, no Rio de Janeiro,
foi palco de mais um ataque verborrágico dos saudosistas da ditadura militar,
protagonizado desta vez pelo general-de-exército Paulo César de Castro, 64, que
em cerimônia para oficializar sua substituição na chefia do Departamento de
Educação e Cultura do Exército e passagem à reserva, fez um seu discurso de
despedida em que exaltou o golpe militar de 1964.</P>
<P>Ele elogiou o ditador Garrastazú Medici como ''exemplo de honestidade,
coragem moral e audácia''; disse que o golpe militar foi uma ''revolução
democrática'' e chamou os que resistiram à ditadura de ''arautos da sarna
marxista'', inimigos ''astutos e insidiosos''. Por fim, disse que estava
orgulhoso por ter ''participado do movimento de descomunização do Brasil'' e
analteceu a patrulha para que a ''lepra ideológica'' (da esquerda) fosse mantida
bem afastada dos currículos, salas de aula e locais de instrução. Não satisfeito
com os ataques à democracia, o general também aproveitou a platéia de amigos de
farda para ironizar as políticas de cotas raciais na educação.</P>
<P>Pobre alma doentia. É o mínimo que se pode dizer deste general que, para
espanto geral dos verdadeiros democratas era, até março deste ano, responsável
pela educação no Exército.</P>
<P>Passados 25 anos desde o fim da ditadura, é incrível que existam nas Forças
Armadas comandantes que não assimilaram até hoje a redemocratização do país.
Redemocratização que, é bom lembrar, está cada vez mais consolidada justamente
pela ação daqueles que o general qualificou jocosamente como os ''arautos da
sarna marxista''. Graças a esta redemocratização que o general pode falar o que
pensa sem ser repreendido. Cabe destacar que o comandante do Exército, general
Enzo Peri, estava na cerimônia e ao ser questionado pela imprensa sobre o
discurso de Paulo César de Castro, se absteve de criticar o colega de farda.
Disse apenas que ''cada um tem o direito de ter sua opinião''. </P>
<P>Mas a liberdade de opinião não pode ser confundida com amnésia e impunidade.
É bom que os saudosistas da ditadura não se esqueçam que a extensão da Lei da
Anistia para aqueles que cometeram crimes de perseguição, tortura e assassinato
a serviço do regime militar ainda é um assunto em debate no país. Nações
vizinhas como Argentina, Uruguai e Chile já avançaram no sentido de punir os
crimes da ditadura, e espera-se que o Brasil siga a mesma linha.</P>
<P>A sorte dos brasileiros é que esta camarilha anticomunista que ainda existe
nas Forças Armadas está quase toda aposentada, na reserva, tendo cada vez menos
palanques e oportunidades de manifestar sua opinião preconceituosa e
historicamente falsa. Apenas meia dúzia de sites e publicações ultradireitistas,
frequentadas por neonazistas, fascistas, <EM>skinheads</EM>, seguidores de
seitas extremistas católicas e ex-militares ainda dão ouvidos e publicam o que
esta gente pensa.</P>
<P>Mas independentemente do isolamento destas opiniões, cabe a pergunta: quanta
verborragia anticomunista não foi despejada sobre a cabeça da nova geração de
oficiais militares, que não têm em seus currículos a prestação de serviços para
a ditadura? E quantos ainda existem na ativa repetindo o mesmo discurso? </P>
<P>Diante desta incógnita, é preciso que as forças democráticas e progressistas
mantenham-se vigilantes e repudiem toda e qualquer exaltação do sujo e
repugnante período da ditadura.</P></DIV><BR></FONT></DIV></BODY></HTML>