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<HTML xmlns:o = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" xmlns:st1 =
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<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=5>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<DIV><BR></DIV>
<DIV>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 16pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>SOBRE A PERIGOSA ESTRATÉGIA
DO PRESIDENTE OBAMA<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 20pt; LINE-HEIGHT: 115%"><o:p> </o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 16pt; LINE-HEIGHT: 115%">Miguel Urbano
Rodrigues<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 20pt; LINE-HEIGHT: 115%"><o:p> </o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Cumpridos os primeiros três
meses na Casa Branca, Barack Obama continua em estado de graça. Sobre o jovem
presidente negro chovem elogios.<SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN><o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Uma máquina de propaganda bem
concebida conseguiu que a promoção do sucessor de George Bush adquirisse
características inéditas. Não somente assumiu proporções mundiais como a maioria
dos epígonos é sincera na apologia do novo herói americano, não se apercebendo
de que o coro dos elogios é estimulado por uma engrenagem made in
USA.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>No auge de uma gigantesca
crise do capitalismo, inseparável de uma crise de civilização, Obama é
apresentado como o sucessor dos pais da Pátria do final do século XVIII, o líder
providencial sobre cujos ombros caiu a missão de salvar a humanidade dos perigos
que a ameaçam, tarefa que somente o seu país, os EUA, poderá liderar e concluir
com êxito.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>O quase endeusamento do
salvador é acompanhado por uma ofensiva mediática paralela sobre as virtudes do
exemplar chefe de família. A esposa e as filhas tornaram-se tema de reportagens
apologéticas na TV, na Internet e na grande imprensa. Até o cão das meninas
inspirou artigos que correm pelo mundo.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Essa poderosa orquestração
promocional empurra o cidadão comum, de Washington a Tóquio, de Brasília ao
Cairo para <SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>a conclusão de que,
afinal, o destino da humanidade depende hoje muito mais da grandeza de um homem
excepcional que do quefazer dos povos.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Desmontar essa campanha e
chamar à realidade centenas de milhões de pessoas que por ela são confundidas é,
creio, um dever dos intelectuais progressistas.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><o:p> </o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>DO MITO À REALIDADE</STRONG>
<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><o:p> </o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Barack Obama é um homem
inteligente, mais honesto e bem intencionado do que a quase totalidade dos
presidentes que o precederam. <o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Acredito que há meia dúzia de
anos não lhe passaria pela cabeça a ambição de chegar à Casa Branca. Foram as
circunstâncias e o seu grande talento oratório na comunicação com as massas que
contribuíram decisivamente para que esse mestiço, filho de um imigrante de
Quénia, fosse eleito presidente dos EUA.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Um factor importante pesou na
vitória tida por impossível quando nas primárias disputou a candidatura pelo
Partido Democrata: a sua experiência como senador proporcionara-lhe um
conhecimento aprofundado da sociedade estadunidense e do sentimento de aversão
do americano médio pelas engrenagens apodrecidas do Poder, em
Washington.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Esses trunfos, muito
importantes, não bastam, porem para transformar quase de um dia para outro o ex
– senador pelo Illinois num estadista super
dotado.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>O apoio ostensivo do grande
capital foi determinante para a eleição de Obama no contexto de uma crise do
sistema mais complexa e profunda do que a iniciada com o <I>crash </I>de Wall
Street em 1929.O mundo da Finança preferiu o politico que prometia <I>mudar tudo
</I><SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>ao republicano McCain,
comprometido com a herança de Bush.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Os sacerdotes do dinheiro não
são ingénuos. <o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Transcorridos três meses, o
Presidente que popularizou os <I>slogans «</I>Sim, nós podemos!» e «Sim, é
possível!», mudou muito pouca coisa.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG><SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>Obama cultiva um populismo sem
precedentes na Casa Branca.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>O esboço de um grande futuro
que ele ajudará a construir é uma constante no discurso retórico em que a
ambição do projecto ganha credibilidade pelo tom humanizado do estadista
pessoalmente desambicioso, inconformado com o sofrimento dos seus compatriotas
pobres e decidido a materializar o velho sonho de uma paz perpetua na Terra,
erradicando dela os flagelos do terrorismo e da
guerra.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Mas, em vésperas de festejar
os 100 dias, os actos do Presidente não correspondem às promessas e à esperança
que suscitou. <o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>No plano interno, na área
estratégica da Economia, Obama formou um gabinete com alguns dos mais destacados
cérebros que conceberam a desregulação do sistema financeiro dos anos 90,
estopim da borbulha especulativa cujo estouro gerou o pânico no mundo do
capital. Três dos colaboradores a quem tinha confiado postos-chave da
Administração tiveram de renunciar por estarem envolvidos <st1:PersonName
w:st="on" ProductID="em esc¬ndalos. Outros">em escândalos.
Outros</st1:PersonName>, como Paul Volcker, Lawrence Summers e Timothy Geithner,
não escondem uma fidelidade granítica ao neoliberalismo e às grandes
transnacionais e bancos que o Estado se esforça por salvar da
falência.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Afirmando que comparecia na
Cimeira do G-20 sobretudo para ouvir e recuperar a confiança de velhos aliados,
o Presidente Obama fez aprovar em Londres, no fundamental, a estratégia que a
maioria dos Europeus, sobretudo Sarkozy e a chanceler Merkel recusavam.
<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Os 750 mil milhões atribuídos
ao FMI e os 250 mil milhões de apoio a direitos especiais de saque, bem como os
100 mil milhões destinados ao Banco Mundial e a outros bancos confirmaram que a
politica de socorro aos bancos e banqueiros corruptos, responsáveis pela crise,
vai prosseguir, nela cabendo um papel importantíssimo à instituição financeira
que comandou a imposição do neoliberalismo em escala
mundial.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>No tocante à política
internacional, Obama, longe de trabalhar pela paz, não se desviou até agora da
linha belicista da Administração anterior, traçada pelos neoconservadores
bushianos.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Hillary Clinton, à frente do
Departamento de Estado, está a desempenhar o papel que dela se poderia esperar.
O seu sorriso permanente e o discurso recheado de promessas ocultam mal as suas
posições de conservadora empenhada em aplicar com firmeza o conselho de
Lampedusa no <I>Il Gatopardo: </I>mudar na aparência alguma coisa para que tudo
fique, afinal, na mesma.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Não parece dar-se conta de
que num mundo em crise nada hoje é estático e tudo está em
movimento.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>A política <st1:PersonName
w:st="on" ProductID="em relação à Palestina">em relação à
Palestina</st1:PersonName> é, com retoques cosméticos, a mesma. As declarações
de Obama quando, antes da eleição, <SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>visitou e elogiou Israel, não justificam
a esperança de uma revisão profunda da aliança com o sionismo, não obstante o
novo governo israelense, de extrema-direita, se negar a admitir a criação de um
Estado Palestino. É inquietante que o seu chefe de Gabinete na Casa Branca, um
dos chamados homens do Presidente mais influentes, seja Rahme <SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>Emanuel, um sionista
fanático.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Quanto ao Iraque, Obama
retoma a tese de Bush sobre o êxito da pacificação do país, situação que
permitiria o regresso aos EUA de dezenas de milhares de soldados, de acordo com
o calendário estabelecido. Sabe que mente e todas as semanas dezenas de pessoas
morrem ali em acções de violência atribuídas sempre a organizações terroristas e
à Al Qaeda, como se a Resistência não existisse. No Norte, em Mossul, a
tendência é, aliás, para um agravamento da
contestação.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Washington recusa-se a
reconhecer que o Iraque é um país ocupado e vandalizado, com um governo
fantoche.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Relativamente ao Irão, o
discurso agressivo de Bush foi substituído por outro, de abertura ao diálogo.
Mas o Presidente norte-americano defende a aplicação de novas sanções se o
governo de Ahmadinejad não se submeter às suas exigências, isto é, a renunciar a
um projecto que Teerão garante estar orientado para o aproveitamento da energia
nuclear com fins exclusivamente pacíficos. <o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><o:p> </o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>AFEGANISTAO: ESTRATEGIA
PERIGOSA NUMA GUERRA PERDIDA<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><o:p> </o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Na sua campanha para a Casa
Branca, Obama já havia feito afirmações irresponsáveis sobre a guerra no
Afeganistão. Eleito, retomou o tema com insistência, afirmando que vencer essa
guerra seria um objectivo prioritário na sua politica
internacional.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Não disponho de informações
sobre qual dos conselheiros do Presidente é responsável pela sua obsessão afegã.
Mas a adesão ao projecto de transformar em pólo estratégico na luta contra o
terrorismo a guerra de agressão ao povo afegão, iniciada por Bush como
represália absurda pelos atentados do 11 de Setembro, é reveladora das lacunas
culturais de Obama.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Há poucos dias, o Presidente
advertiu os europeus -ao pedir-lhes um maior envolvimento militar no
Afeganistão, nomeadamente através do reforço das tropas de combate integradas na
força da NATO – que a luta contra o terrorismo era inseparável de um desfecho
vitorioso naquela guerra distante num pais em que identificava, pela presença
activa da Al Qaeda, <SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>a maior ameaça
ao Ocidente civilizado, particularmente à Europa.
<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>A resposta ao apelo não
parece tê-lo satisfeito, por insuficiente. <o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Na sua opinião, Bin Laden,
oculto algures nas áreas tribais do Paquistão, dirige do seu refúgio os talibans
que controlam hoje extensas regiões no país.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Acontece que os EUA não se
limitam já a combater os chamados «rebeldes» no território afegão. Os
bombardeamentos de aldeias paquistanesas por aviões da USAF não tripulados
tornaram-se rotineiros em operações responsáveis pela morte de muitos civis ali
residentes.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>O general Petraeus,
comandante-chefe para toda a Região do Médio Oriente e Ásia Central, chegou,
entretanto, algo tardiamente, à conclusão de que a guerra não pode ser vencida
por meios exclusivamente militares. <o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>O Pentágono e o Presidente
foram informados de que a solução do problema passa pela abertura de negociações
com um sector do inimigo terrorista.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>O general identifica três
grupos diferenciados entre os talibans. Um de fanáticos islamistas, minúsculo,
talvez uns 10%, irredutível na sua decisão de combater os invasores; um segundo,
maioritário, de gente que apoia a insurreição por ódio aos estrangeiros, mas
neutralizável; um terceiro, a terça parte, recuperável. Petraeus sugere a
abertura de negociações com essa facção, admitindo que, tal como ocorreu no
Iraque com milhares de sunitas, esses talibans possam tornar-se futuros aliados.
Essa tese conta com o apoio do presidente Karzai, ex-funcionário subalterno de
uma companhia petrolífera norte-americana. O objectivo de estabilizar o país -
da sua «democratização» já não se fala - exige o estimulo ao desenvolvimento
económico, a reconstrução de cidades destruídas, o combate vitorioso à produção
e exportação de ópio.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Tais metas são inatingíveis.
Em primeiro lugar porque o dinheiro da ajuda internacional tem sido embolsado
pela gente de Karzai. É esclarecedor que a produção da papoila do ópio tenha
aumentado extraordinariamente a partir da ocupação
americana.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Petraeus terá sido
influenciado por um ex-oficial do exército australiano, hoje seu assessor
influente. Esse obscuro militar, definido já por alguns <I>media
</I>estadunidenses como um estratego genial, defende uma acção psicológica junto
das populações para reconquistar a sua confiança. Quanto aos talibans
vacilantes, sugere a sua compra para os fazer mudar de campo, transformando-os
de de inimigos em aliados.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Li algures que Petraeus tem
paixão pela História, mas não demonstra ter percebido que o ambicioso projecto
de «pacificação» do seu colaborador australiano é afinal uma repetição daqueles
que os generais Westmoreland, Challe e Spinola idearam para o Vietname, a
Argélia e a Guine Bissau. Acontece que todos fracassaram.
<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Mas os factos confirmam que o
Presidente identifica na escalada no Afeganistão um pilar da sua estratégia de
combate mundial ao terrorismo. Segundo as agências noticiosas, aproximadamente
21 000 soldados vão ser transferidos do Iraque para o Afeganistão e o Presidente
vai pedir ao Congresso mais 98 mil milhões de dólares para fin anciar e «vencer»
a guerra <o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Obama não terá disposto de
tempo para estudar a história do país que foi alias berço de grandes
civilizações cuja memória é transmitida por ruínas belíssimas que fazem do país
um dos maiores museus arqueológicos naturais da
humanidade.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>O Presidente certamente
desconhece que ao longo de 23 séculos, desde a chegada de Alexandre da
Macedónia, todos os invasores do actual território do Afeganistão foram
enfrentados com extraordinária coragem pelos habitantes, nomeadamente os
antepassados dos pashtuns, a minoria mais numerosa num pais que continua a ser
um mosaico de nacionalidades.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Os mongóis de Gengis Khan
renunciaram a conquistar a Índia depois de sofrerem enormes perdas na travessia
da cordilheira do Hindu Kush.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>A Inglaterra imperial invadiu
três vezes o país. Na primeira, em 1848, um exército de 14 000 homens foi
totalmente destruído na retirada de Cabul para a fronteira. O único oficial
sobrevivente, o Dr. Brydon, médico da expedição, chegou a Jalalabad montado numa
mula para anunciar a catástrofe. Na segunda guerra, em 1878, uma brigada
britânica de 4000 homens foi aniquilada pelo príncipe Ayub Khan na batalha de
Maiwand, às portas de Kandahar. A terceira, em 1919, iniciada com um ataque
afegão a guarnições da fronteira, findou quando Londres reconheceu a plena
independência do país, submetido a um regime de
protectorado.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG><SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>Transcorrido mais de meio século,
milhares de soldados soviéticos morreram em combate nas montanhas afegãs, na
década de 80, durante o conflito que opôs a Revolução afegã às organizações de
mujahedines, armadas e financiadas pelos EUA.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Uma constante na torrencial
desinformaçao sobre a guerra no Afeganistão é a insistência em atribuir à Al
Qaeda o comando da insurreição na qual os talibans do mullah Omar seriam a única
organização guerrilheira que enfrenta as tropas de ocupação (da NATO e dos
EUA).<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Ora no Afeganistão o árabe,
língua de Bin Laden e da maioria dos dirigentes da Al Qaeda, é praticamente
desconhecido. Os dois idiomas oficiais são o dari (variedade do persa) e o
pashto, ambos indo-europeus.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>É falso também atribuir aos
talibans todas as acções de combate aos ocupantes. Muitas tribos da fronteira,
sobretudo os waziris, os momand, os shinwar, e outras, lutam por ódio ao invasor
e não sob comando taliban. Nos confrontos com as tropas estrangeiras participam
inclusive – segundo notícias divulgadas na Suécia – ex-dirigentes do Partido
Democrático do Povo, na clandestinidade desde o fim da Revolução
Afegã.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><o:p> </o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>A DERROTA SERÁ O
DESFECHO</STRONG> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><o:p> </o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>O republicano Robert Gates,
mantido por Obama à frente do Pentágono aprova obviamente com entusiasmo a
escalada prevista para o Afeganistão. Hillary Clinton
também.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Não surpreende que em
Portugal, o ministro da Defesa, com o aval de Sócrates, tenha anunciado o
reforço da participação militar portuguesa nas forças da NATO, afirmando com
orgulho que ela serve os interesses do Estado.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>À ignorância soma-se a
irresponsabilidade socratiana.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Uma derrota humilhante espera
os EUA no Afeganistão. O desfecho dessa guerra antecipadamente perdida será
talvez, pelas suas consequências, mais grave do que a retirada do
Vietname.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Semana a semana mais
envolvido nas malhas da engrenagem que nos EUA controla o Poder sob o manto da
Finança, o Presidente avança em múltiplas frentes para fracassos <SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>que tornarão cada vez mais distante o seu
grande objectivo: superar a crise em que o capitalismo está atolado, meta
imprescindível à manutenção da hegemonia mundial exercida pelo
país.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Não ponho em causa o homem.
Mas é inquietante que o Obama que anuncia romanticamente para um futuro remoto
um planeta desnuclearizado, em paz perpétua, não se aperceba de que no exercício
da Presidência está a negar, de concessão em concessão ao <I>establishment,
</I>os compromissos assumidos com o seu povo e a dar continuidade a uma
estratégia imperialista de dominação universal.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>A decisão, tomada na semana
passada, de arquivar os processos instaurados aos torcionários das Forças
Armadas que no Iraque cometeram crimes hediondos, expressa uma nova e alarmante
capitulação. Argumenta que esses militares agiram de «boa fé», cumprindo ordens
superiores, na convicção de que serviam a Pátria.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>Cabe recordar que o Tribunal
de Nuremberga condenou à pena máxima oficiais generais nazis que em sua defesa
invocaram precisamente esse argumento.<SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN><o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><STRONG>A apologia irracional do novo
presidente dos EUA não pode apagar a realidade: a estratégia que desenvolve,
longe de remover a ameaça à humanidade que o imperialismo estadunidense
configura, dá-lhe continuidade.<o:p></o:p></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 12pt; LINE-HEIGHT: 115%"><o:p><STRONG> </STRONG></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN lang=PT>Vila Nova de Gaia,
18 de Abril de 2009 </SPAN><SPAN lang=PT
style="FONT-SIZE: 16pt; LINE-HEIGHT: 115%"><o:p></o:p></SPAN></P></DIV></BODY></HTML>