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<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<H1 class=documentFirstHeading>Finalizar cabalmente bloqueio a Cuba é a prova de
fogo de Obama para as Américas</H1>
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<DIV class=documentByLine><SPAN class=documentAuthor>por <A
href="http://www3.brasildefato.com.br/v01/author/michelle"><FONT
color=#77929f>Michelle Amaral da Silva</FONT></A></SPAN> <SPAN
class=documentModified><SPAN>última modificação</SPAN> 16/04/2009 15:56 </SPAN>
<DIV class=documentContributors>Colaboradores: Atilio A. Boron</DIV>
<DIV class=reviewHistory></DIV></DIV></DIV>
<P class=documentDescription>Se Obama quer dar um novo começo à relação com a
América Latina e o Caribe, o primeiro passo inevitável é levantar totalmente o
bloqueio a Cuba</P>
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title="Se Obama quer dar um novo começo à relação com a América Latina e o Caribe, o primeiro passo inevitável é levantar totalmente o bloqueio a Cuba"
alt="Se Obama quer dar um novo começo à relação com a América Latina e o Caribe, o primeiro passo inevitável é levantar totalmente o bloqueio a Cuba"
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<P></P>
<DIV align=right><I>16/04/2009</I></DIV>
<P class=western><I><BR></I></P>
<P class=western><I>Atilio A. Boron</I></P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western>A iminente cúpula das Américas colocará à prova a seriedade das
palavras pronunciadas por Joseph Biden na "Cúpula do Progressismo", sediada em
Viña del Mar, em finais de março. Nesta oportunidade, o vice-presidente dos
Estados Unidos disse que "acabou a época em que dávamos ordens". O curioso é
que, em que pese as tão promissoras palavras, Biden foi muito enfático ao
afirmar que continuaria o bloqueio contra Cuba, próximo de cumprir meio século
de vida. Como conciliar ambas as colocações? A Casa Branca diz, por meio de seu
qualificado porta-voz, que deseja instalar na região um clima de diálogo,
respeito e compreensão; mas, simultaneamente, revela que não está disposta a pôr
fim a um bloqueio criminoso e ilegal que recebeu o repúdio universal há décadas.
Qual dessas duas afirmações representa a política de Barack Obama para nossa
região?</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western>Com sua enigmática declaração, Biden fortalece a impressão de
que a administração Obama não parece muito preocupada em se diferenciar de seu
antecessor. As grandes orientações da política externa de George W. Bush gozam
de muito boa saúde nas duas áreas estratégicas da Casa Branca: guerra e
economia. Na primeira, tendo não só ratificado em seu cargo o falcão Robert
Gates como secretário de Defesa, mas também reforçando a presença militar
estadunidense no Afeganistão e Paquistão, enquanto que a prolongada estadia de
suas tropas no Iraque parece destinada a converter esse sofrido país num eterno
enclave neocolonial norte-americano. No tocante à economia, a equipe de
assessores e especialistas selecionada por Obama reúne os cérebros que
conceberam e levaram à prática a radical desregulamentação do sistema financeiro
dos anos 90, causadora da fenomenal explosão da bolha especulativa no verão
boreal de 2008. O que se sabe de gente como Robert Rubin, Lawrence Summers,
Timothy Geithner e Paul Volcker é que lhes caracteriza uma irredutível
fidelidade ao neoliberalismo e aos interesses que este representa: o capital
financeiro e os gigantescos oligopólios norte-americanos. Sua presença na nova
administração dos democratas manifesta seu pertinaz empenho em restaurar a
situação existente antes do estouro da crise, aplicando o mesmo remédio que
resultou na atual débâcle. Havia outros economistas que, desde uma perspectiva
crítica e ao mesmo tempo realista, poderiam ter assessorado muito melhor Obama:
mencionemos apenas dois, Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia em 2008, e
Joseph Stiglitz, que obteve o mesmo galardão em 2001. Porém, Obama preferiu
depositar confiança nos desgastados gurus do neoliberalismo, com o que se esvaem
as esperanças de uma saída razoavelmente civilizada para a crise atual. O show
midiático montado dias atrás pelo G-20 em Londres não permite pensar em outra
coisa.</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western>Sob tais condições, as declarações do novo governo
estadunidense no sentido de flexibilizar algumas restrições em matéria de
viagens e visitas de familiares a Cuba merecem um aplauso, mas a manutenção do
bloqueio econômico à Ilha é absolutamente inaceitável e deve ser condenada sem
atenuantes. Isso assinala, inequivocamente, a magnitude do hiato que separa o
Obama da campanha eleitoral do Obama ocupante da Casa Branca. Agregamos também o
abismo que separa as ilusões dos cultores da "obamania" em muitos países da
região e fora dela, principalmente na Europa, das políticas que aquele está
levando a cabo em sua inescapável condição de chefe do império. Suas promessas
de revisar a política anticubana que os sucessivos governos da Casa Branca
instalaram desde os próprios inícios da Revolução parecem destinadas a serem
levadas pelo vento. Até agora, o que se notam são gestos dirigidos a maquiar o
bloqueio, mas nada mais. Um bloqueio que, convém lembrar, é econômico,
comercial, financeiro, migratório (pela canalhesca "Lei de Ajuste Cubano") e
informático, impedindo a Ilha de acessar bandas de internet de alta
velocidade.</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western>A obstinada manutenção dessa situação é um sintoma revelador de
surpreendentes patologias políticas que entorpecerão a gestão inovadora que
deveria ter um presidente estadunidense enfrentado com uma crise como a atual.
Quais patologias? Vejamos: em primeiro lugar, a de uma superpotência
imperialista que, no lugar de definir sua política externa em função de
interesses nacionais e critérios globais, mantém uma agressiva política contra
um país, Cuba, que de maneira alguma ameaça sua segurança nacional. O resultado
foi um aprofundamento do descrédito dos EUA na arena internacional, a irritação
dos governos e populações do hemisfério e uma sensível perda de influência na
região, posta em evidência pelo espetacular fracasso da ALCA, ignominiosamente
sepultada na cúpula anterior de presidentes, que se deu em Mar del Plata, em
2005. Qual foi o pecado de Cuba? Algo imperdoável para os amos do império: ter
lutado exitosamente pela sua autodeterminação e por sua dignidade, livrando-se
das cadeias que a jogaram primeiro no colonialismo espanhol e depois no
imperialismo norte-americano. Por isso se castiga a Ilha brutalmente, como uma
punição diante de sua ousadia e como uma lição a quem sonhar imitá-la. No
entanto, o tempo se encarregou de demonstrar que tal política só conseguiu
alimentar o sentimento anti-imperialista das massas e criar as condições para o
surgimento de uma série de governos de esquerda e centro-esquerda que, por
distintas razões, frustraram o sonho americano de uma América Latina submetida
aos desígnios da ALCA.</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western>Em segundo lugar, os EUA se apresentam como um curioso país
que, pelo dito mais acima, não tem uma, mas duas políticas externas: uma para
Cuba e outra para o resto do mundo. Em matéria migratória, a "Lei de Ajuste
Cubano" concede o Green Card a qualquer cidadão cubano que pise solo
norte-americano; para o resto do mundo, no entanto, existem complicadíssimos
trâmites de imigração. O migrante haitiano ou dominicano que arrisca sua vida
atravessando o Caribe em frágeis embarcações será preso e devolvido ao seu país
de origem em caso de ser pego; o cubano, por sua vez, uma vez que pisa o solo
estadunidense automaticamente passa a desfrutar de todos os benefícios que se
concedem aos imigrantes legais. No caso da fronteira sul dos EUA, a perseguição
aos mexicanos ou centro-americanos sem documentos é implacável: não só se
levantou um infame muro na fronteira asteca-estadunidense, como também estão à
vista a caça a "la migra" e os massacres dos vigilantes das fronteiras, tudo
contrastando odiosamente com o trato privilegiado que se dá aos imigrantes
cubanos. Outro exemplo de patologia política: o Departamento de Estado condena
incansavelmente o regime de partido único de Cuba, denuncia os supostos déficits
de sua "qualidade institucional" e proclama abertamente a necessidade de
produzir uma "mudança de regime", eufemismo para se referir à concretização da
contra-revolução. Porém, essa política, com sua definição de princípios,
contrasta chamativamente com as fraternais relações que Washington cultiva com a
Arábia Saudita, país no qual os partidos políticos são proibidos, o despotismo
monárquico é absoluto e a democracia uma quimera; contrasta também com as
intensas relações econômicas forjadas com países como China e Vietnã, cujos
sistemas de partidos são muito similares ao que existe em Cuba. Qual a razão de
tamanha discriminação, de colossal inconsistência da política exterior
norte-americana? Não há razão alguma, só a chantagem de um lobby mafioso, ante o
qual Washington se prostra desonrosamente.</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western>Terceira patologia: o bloqueio revela que Cuba ocupa um lugar
especialíssimo no imaginário da classe dominante estadunidense. Apesar do tempo
transcorrido, seus integrantes e seus representantes políticos não se conformam
por ter perdido Cuba e insistem em recuperá-la, em se apropriar dela apelando a
qualquer recurso. Cuba é sua doentia obsessão, sentem-na como um troféu de
guerra – de uma guerra em que os patriotas cubanos haviam derrotado o poder
colonial espanhol e que depois os EUA, com sujas artimanhas, arrebatou-lhes a
vitória – e em nome dele são capazes de qualquer coisa. Quase meio século de
bloqueio é um fenômeno que não tem paralelo na história do imperialismo.
Impérios anteriores, desde Esparta e Roma até hoje, sitiaram por um tempo
algumas cidades. Mas sustentar um bloqueio integral como o de que padece Cuba é
algo sem precedentes na história da humanidade. Constitui uma monstruosidade,
uma verdadeira aberração e uma imperdoável imoralidade. A manutenção de uma
política que fracassou ostensivamente, que terminou por ilhar os EUA, só pode
ser compreendida como sinal da decadência da classe política norte-americana.
Com a iminente reabertura das relações diplomáticas com a Costa Rica e El
Salvador, os EUA serão o único país do sistema interamericano que não tem
relações com Cuba. Como sustentar uma política que não só fracassou em promover
a tão desejada "mudança de regime" como também converteu os EUA em um tipo de
pária do sistema internacional, quando, na última votação da Assembléia Geral da
ONU, o bloqueio foi condenado por 185 dos 192 países membros da organização?</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western>Consequentemente, se Obama quer dar um novo começo à relação
com a América Latina e o Caribe, há um primeiro passo inevitável: levantar total
e incondicionalmente o bloqueio e iniciar de imediato conversas para normalizar
a relação com Havana. Deve reconhecer que Cuba não está isolada e que quem o
está são os EUA. Com o transcorrer dos anos o prestígio de Cuba se agigantou,
porque, sendo um país pequeno, demonstrou uma notável coerência e fortaleza em
sua política externa. Cuba ajuda mais que os EUA aos povos de nossa América e,
em geral, do terceiro mundo; e o faz com seus médicos, seus alfabetizadores,
seus técnicos, seus treinadores esportivos e seu amplíssimo programa de
cooperação científica e técnica, com cerca de 100 países. Cuba dá, enquanto os
EUA tiram. E a exemplar resistência cubana granjeou o respeito da comunidade
internacional, e muito especialmente dos povos e governos da América Latina e
Caribe, quaisquer sejam suas orientações políticas. Os governantes que acudirão
ao encontro de Trinidad e Tobago não poderão aprofundar as relações de
cooperação com a Casa Branca em matérias como a migração, o narcotráfico, o
terrorismo e tantas outras, a menos que se remova pela raiz o obstáculo da
retirada do bloqueio a Cuba. Do contrário, pagarão um enorme custo político e
poderão ser desalojados do governo mais cedo que tarde. Há vários exemplos
recentes que ilustram a afirmação.</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western>Demorar no cancelamento do bloqueio só servirá para prejudicar
o interesse nacional dos EUA e dos numerosos indivíduos e empresas deste país,
sacrificados em aras de um lobby como o aglutinado pela Fundação Nacional
Cubano-americana, que é uma verdadeira vergonha para a política norte-americana.
Isso está se tornando cada vez mais óbvio para uma parte crescente da dirigência
política local. A carta que o senador Richard Lugar enviara ao presidente Barack
Obama em 30 de março deste ano é bastante eloqüente. Nela, o senador de Indiana
diz que a política dos EUA em relação a Cuba fracassou e que, devido a isso,
"nossos interesses políticos e de segurança mais globais" estão sendo socavados,
o que requer uma "transição nas relações cubano-estadunidenses". E o momento
seria agora mesmo: a Cúpula das Américas. Richard Lugar agrega que a política
seguida pela Casa Branca contrasta gritantemente com o amadurecido
relacionamento dos países da América Latina e Caribe com a ilha. As recentes
declarações anunciando planos de restabelecer as relações diplomáticas com a
Costa Rica e El Salvador, a série de visitas a Havana dos presidentes de
Equador, Bolívia, Venezuela, Chile, Argentina, Brasil, Haiti, República
Dominicana, Guatemala, Nicarágua e Honduras, e vários mais da região caribenha,
e a incorporação de Cuba ao Grupo do Rio demonstram, em seu juízo, a solidão em
que caíram os EUA e a União Européia, assim como a ONU, que aprovou uma
resolução muito amplamente referendada pelos demais países condenando o embargo
dos EUA durante os últimos 17 anos. "Para o resto do mundo", continua Lugar,
"nosso atual enfoque desafia toda a lógica: ainda durante os mais ásperos
momentos da Guerra Fria, os canais diplomáticos diretos com a ex-União Soviética
jamais foram cortados". Agregaríamos: como é possível que os EUA mantenham
conversas com países como Irã e Coréia do Norte e se neguem terminantemente a
fazê-lo com Cuba? Como justificar tão doentia fixação?</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western>A mensagem de Lugar é suficientemente clara: em uma época de
crise como esta a Casa Branca não pode se dar o luxo de seguir sendo vista com
enorme receio por povos e governos da região. Sua credibilidade internacional
como uma potência que se arrogou a missão de promover a paz, a liberdade e a
democracia se desvanece irreparavelmente pela sua política anticubana, à parte
de tantas outras. A intenção de Obama de ser visto como uma radical na renovação
da política estadunidense ficaria em palavras vazias de conteúdo se seu governo
não produzir, agora mesmo, uma radical retificação de sua política com a ilha,
cujo primeiro passo é o imediato encerramento do bloqueio (que nos EUA preferem
denominá-lo, espertamente, de embargo, conscientes do repúdio universal que
concita tal política). Por outro lado, não deveria escapar da atenção dos
estrategistas norte-americanos que a imprescindível melhora nas relações entre
os EUA e os países da América Latina – imprescindível, digamos, dada a inédita
debilidade da superpotência, diante das aventuras militares sem rumo no Iraque e
Afeganistão e brutalmente golpeada pela crise econômica – se veria negativamente
influenciada pela manutenção do bloqueio. Todos os países da região, mesmo
aqueles governados por partidos ou coalizões de direita, se manifestaram contra
o bloqueio e, para Washington, seria impossível conferir credibilidade à sua
promessa de fundar um novo padrão de relações interamericanas se, ao mesmo
tempo, preserva uma retórica e uma política inspiradas no apogeu da Guerra Fria.
Não só se prejudicam os interesses econômicos ianques como também se atenta
contra a credibilidade global de sua política exterior.</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western>Em outras palavras, as boas relações no âmbito interamericano
deverão se construir sobre a base de gestos e iniciativas concretos que
demonstrem a seriedade das intenções da Casa Branca, sua capacidade real para
produzir políticas inovadoras e os alcances de seu apregoado compromisso com a
ordem hemisférica baseada no diálogo e o respeito mútuo. Os governos da América
Latina e Caribe que comparecerão à Cúpula de Trindad e Tobago sabem que, sem
acabar com o bloqueio, a nova ordem que Washington pretende construir será
inviável, estará morta antes de nascer. Apesar de sua ausência, Cuba terá um
papel estelar nesta reunião e nossos governos deverão atuar com grande firmeza e
coordenadamente para exigir o fim do bloqueio; caso contrário, serão
co-participantes do fracasso, pagando um alto preço em seus respectivos países.
Em Port of Spain Obama se defrontará com a hora da verdade. Sua conduta neste
conclave será a prova de fogo que colocará a nu se está ou não à altura dos
desafios que lhe impõe a história. E isso não só em relação à questão cubana,
mas também diante dos gravíssimos obstáculos que brotam da crise geral do
capitalismo.</P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western><I><B>Atílio Boron é doutor em Ciência Política pela
Universidade de Harvard e professor titular de Teoria Política na UBA
(Universidade de Buenos Aires). É autor do livro "Império e Imperialismo. Uma
leitura crítica de Michael Hardt e Antonio Negri", publicado pela editora CLACSO
em 2002.</B></I></P>
<P class=western><BR></P>
<P class=western><I>Website: http://www.atilioboron.com</I></P>
<P class=western><I>Trazido por Gabriel Brito, jornalista. Publicado
originalmente no <SPAN class=link-external><A
href="http://www.correiocidadania.com.br/">Correio da
Cidadania</A></SPAN>.</I></P></DIV>
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