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<BODY bgColor=#ffffff>
<DIV><BR></DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2>
<DIV align=center><FONT face=Forte color=#ff0000 size=6>Carta O Berro<FONT 
size=3>.........................................................................................................repassem</FONT></FONT></DIV>
<DIV align=center><FONT face=Forte color=#ff0000 
size=3></FONT><BR>&nbsp;</DIV><BR><IMG alt="" hspace=0 
src="cid:0c5101c9bd50$252784b0$0200a8c0@vcaixe" align=baseline border=0><BR>
<P class=data align=left>14 DE ABRIL DE 2009 - 17h15</P>
<H1><FONT color=#ff0000>Márcio Moreira Alves: memória histórica contra 1964 
</H1><BR><FONT color=#000000><B>por Diorge Alceno Konrad*</B><BR><BR>
<DIV id=lead style="FONT-FAMILY: Arial, Verdana; BACKGROUND-COLOR: #efefef" 
align=left>Passados pouco mais de 40 anos, o 13 de dezembro de 1968 continua a 
travar sua luta histórica contra certa memória. Naquela fatídica data, a 
Ditadura Civil-Militar, instaurada pelo Golpe de 1964, aprofundava a repressão 
do seu regime.</DIV>
<DIV id=imagem>Se em quatro anos e meio, os golpistas não conseguiram impedir a 
resistência ao modelo associado e dependente que reinseriu o Brasil na divisão 
internacional capitalista do trabalho, o AI-5 foi derradeiro para concluir o 
processo iniciado em 31 de março. Porém, o estopim tinha que ser aceso, 
justificado por um motivo. E ele logo apareceu: o discurso no Congresso do então 
deputado do MDB, Márcio Moreira Alves, em 1968.</DIV>
<DIV id=artigo>
<P>Na História, a causa imediata e aparente pouco tem a ver com as causas 
profundas e essenciais. Assim como o assassinato de Fernando não explica a I 
Guerra Mundial, mas tem relação com ela, sendo o pretexto para acioná-la,[1] o 
discurso de Márcio Moreira Alves é a ponta do iceberg para entendermos o AI-5. 
Segundo a irmã de Márcio, Maria Helena Moreira Alves, ''embora o discurso 
passasse desapercebido na imprensa, os militares escolheram-no como pretexto 
para provocar uma grande crise política''. Segundo a autora, o discurso foi 
''particularmente útil aos seus propósitos', pois tocou&nbsp; em ''um ponto 
sensível na estratégia geral de controle social do Estado''. Ai mesmo tempo, ia 
ao encontro de um planejamento em andamento de um segundo golpe de Estado, o 
qual já vinha sendo preparado, que daria ''mais liberdade na defesa da Segurança 
Interna''.[2] Daniel Aarão Reis Filho explica que a Ditadura, em um processo de 
perda de popularidade e legitimidade, oriunda de dificuldades econômicas 
(geradas por uma rígida política monetarista) e políticas (problemas decorrentes 
de gerenciar múltiplas forças que haviam participado do Golpe e que desgastavam 
o poder), recorreu à força bruta. Sobretudo em finais de 1968, quando ocorria 
uma erosão política ainda maior de sua capacidade de direção política, pois o 
que de fato a preocupava era a questão das dissidências no próprio interior das 
direitas.[3]</P>
<P>Logo que tomaram o poder, depondo o governo legítimo de Jango e rompendo com 
a legalidade constitucional, os reacionários asseclas do Tio Sam na América 
Latina procuraram demover a organização dos movimentos sociais e políticos 
construídos no período democrático, entre 1945 a 1964.</P>
<P>Os primeiros alvos foram os movimentos sociais do campo (como as Ligas 
Camponesas), as organizações sindicais (como o Comando Geral dos Trabalhadores - 
CGT) e as instituições partidárias do campo popular, trabalhista, democrático e 
socialista. Seus líderes foram colocados na lista dos ''inimigos da pátria'', 
tudo para que se consolidasse a ''redentora'', autodenominada de ''revolução'', 
cuja função era varrer do Brasil qualquer símbolo de transformação e progresso 
social, proclamadas pelas ''Reformas de Base'', como a reforma agrária, a 
reforma urbana, a reforma universitária, a reforma administrativa, a reforma 
tributária, etc.</P>
<P>Não é verdade que o Brasil estava ameaçado por dois projetos golpistas, um de 
esquerda e outro de direita, como reivindica certa revisão historiográfica 
recente. As reformas propostas pelo governo de João Goulart, todas elas nada 
socializantes, muito menos comunistas, procuravam arredondar o ''círculo 
quadrado'' de uma revolução burguesa incompleta, cuja direção de classe sempre 
propensa a tomar posição de ''sócia menor'' do capital estrangeiro. Assim, 
defendendo o latifúndio monocultor e exportador e o imperialismo ávido em manter 
estruturas colonialistas de dominação, no lugar de estimular o mercado interno, 
tirar milhões de miséria social e realmente repartir as riquezas do País, o 
Golpe de 1964 reinseriu o Brasil sob tutela política norte-americana.</P>
<P>As medidas autoritárias, e não foram poucas, através de quatro Atos 
Institucionais e outras mais, no entanto, foram insuficientes para ''pacificar'' 
uma população talhada nas tradições das resistências indígenas, quilombolas e 
anti-escravistas, nos símbolos de Palmares, Guararapes, conjurações mineira e 
baiana, Revolução Pernambucana e Confederação dos Tamoios, Balaiada, Sabinada, 
Malês, Farroupilhas, Abolição, Canudos, Contestado, Insurreição 
Nacional-Libertadora e vários outros marcos da luta popular de brasileiros que 
não se acomodaram diante da opressão. Se operários e sem-terra foram reprimidos 
ao nascer do Golpe, restavam outros mais, além dos intelectuais, dos artistas, 
dos estudantes, dos militantes clandestinos e daqueles que não se intimidaram, 
denunciando a Ditadura aqui e no exterior.</P>
<P>Foi contra essa resistência que se deu o que se convencionou chamar de 
''Golpe dentro do Golpe''. O que determinada historiografia e a parte 
majoritária da memória midiática tenta mascarar, depois de 45 anos, foi a 
participação e o apoio político-econômico de grandes corporações nacionais e 
multinacionais que financiaram o regime para que seus interesses se 
consolidassem.</P>
<P>Apenas em ''contos da carochinha'' ainda se acredita que os militares da 
''linha dura'' foram os únicos protagonistas do ''fechamento'' do regime. Apenas 
em visões justificadoras e coniventes com o terrorismo de Estado, implantado em 
1964 e reforçado com o AI-5, que matou, que torturou, que exilou, que reprimiu, 
que escorraçou de cargos públicos seus ''inimigos'', pode se encontrar o 
argumento extemporâneo e a-histórico de que o fim do habeas-corpus, a 
instituição da pena de morte, a criação dos decretos-secretos (tão execráveis 
como a retroativade da lei dos tempos nazistas) e tantas outras anomalias 
jurídicas, foram construídas como consequência da luta armada e de esquerda.</P>
<P>Na verdade, o AI-5 foi a alternativa mais despótica ainda que civis e 
militares da Ditadura encontraram para aprofundar o projeto de entreguismo que 
assolou o país a partir de 1964, o qual enfrentava grande resistência ainda em 
1968. A partir dali, sobretudo com a eliminação direta dos oponentes e com o 
''milagre econômico'', sustentado na poupança externa, a Ditadura consolidou seu 
projeto. E, em 21 anos de duração, elevou nossa dívida externa de 4 para 100 
bilhões de dólares, massacrou uma geração e impediu que o desenvolvimento do 
país encontrasse a maioria de seu povo.</P>
<P>Passados os 40 anos do AI-5 ainda disputamos essa memória. Falta a abertura 
de muitos arquivos para que se complete o resgate desta história, sempre em 
consonância com o lema anti-ditadura: ''para que não se esqueça, para que nunca 
mais aconteça''.[4]</P>
<P>Pois, foi nestas trágicas coincidências da História, quando ainda rememoramos 
criticamente o AI-5, que o Brasil perdeu Márcio Moreira Alves. Apontado ainda 
por certos livros didáticos de História e por certa memória efêmera como o 
responsável direto pela edição do Ato Institucional que aprofundou a Ditadura, 
em 1968, Marcito se tornou um dos símbolos mais significativos daquele contexto. 
Isso significa afirmar de antemão que seu papel não foi nada significativo na 
conjuntura do AI-5 e da luta contra a Ditadura? De maneira alguma. Denunciando o 
regime de arbítrio, repressão e censura, como tantos, acabou sendo personagem 
importantes da luta pela democracia em nosso país.</P>
<P>Lembro dele, sereno e atento, fazendo a cobertura da Conferência do PCdoB, em 
1995, em Brasília, quando o Partido consolidou o Programa Estratégico para o 
Socialismo em nosso País. Ali estava um personagem que cedo viu o que 
representava para o cerceamento da democracia o governo da Ditadura 
Civil-Militar pós-1964.[5]</P>
<P>Márcio Emmanuel Moreira Alves nasceu na cidade do Rio de Janeiro, então 
Distrito Federal, em 14 de julho de 1936, pouco menos de um ano antes da 
Ditadura do Estado Novo. Filho e neto de importantes famílias de políticos 
mineiros e cariocas, iniciou profissionalmente aos 17 anos, como repórter do 
Correio da Manhã, jornal carioca, sendo correspondente de guerra do jornal, em 
1956, no conflito anglo-egípcio, resultante da nacionalização do canal de Suez 
pelo presidente do Egito, Gamal Nasser.</P>
<P>No ano seguinte, em setembro, cobriu uma crise política em Alagoas, quando a 
Assembléia Legislativa se reunia para decretar o impeachment do então governador 
Muniz Falcão, acusado do assassinato do deputado oposicionista Marques da Silva, 
morto em Arapiraca. Durante a sessão, a Assembléia alagoana foi invadida, 
travando-se um tiroteio entre os deputados, ocasião em que ex-deputado estadual 
Humberto Mendes - sogro do então governador Muniz Falcão - foi assassinado. 
Neste mesmo episódio, Márcio Moreira Alves foi baleado, e mesmo ferido enviou a 
matéria, ganhando com essa cobertura o prêmio Esso de reportagem de 1958.</P>
<P>Em fevereiro de 1960 participou da comitiva do então candidato à presidência 
da República, Jânio Quadros, na visita que fez a Cuba, a convite de Fidel 
Castro.</P>
<P>Antes do Golpe de 1964, assessorou o ministro Francisco San Tiago Dantas, 
durante suas gestões nas Relações Exteriores (1961-1962) e no Ministério da 
Fazenda (1963). Em 1963 bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais, iniciado 
na UERJ, cinco anos antes.</P>
<P>Voltou-se contra os golpistas de 1964, a partir da edição, ainda em abril, do 
Ato Institucional nº 1 (AI-1), sendo um dos primeiros opositores. No mesmo ano, 
juntamente com Hermano Alves, Carlos Heitor Cony , Oto Maria Carpeaux e Edmundo 
Muniz, comandou a campanha em defesa dos presos políticos, denunciando a prática 
de torturas em prisões brasileiras, uma marca de uma memória apagada, pois 
muitos ainda afirmam que as primeiras denúncias de tortura só vieram a público 
após o AI-5.</P>
<P>Além da luta política, como articulista e repórter político do Correio da 
Manhã, esteve na linha de frente no combate à política econômica e financeira do 
ministro do Planejamento, Roberto Campos (1964-1967), o Bob Fields, a quem 
acusava, justamente, de entreguismo das riquezas do país aos estrangeiros.</P>
<P>Em novembro de 1966, foi eleito deputado federal pela antiga Guanabara, já na 
legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Após o início do mandato, em 
fevereiro de 1967, se tornou um dos mais destacados parlamentares da oposição à 
Ditadura na Câmara. Além disso, em julho de 1967, após o lançamento, teve 
apreendido seu livro-denúncia Torturas e torturados,[6] liberado em seguida por 
decisão judicial. No livro, para o autor, ''a exposição da onda de crimes 
oficiais que varreu o Brasil nos primeiros meses do golpe militar de 1964 (...) 
foi feita com objetividade e com o propósito de deixar estes crimes documentados 
para o julgamento do futuro''. Esta obra é fundamentalmente um documento que 
desmente as apressadas versões históricas e jornalísticas que remetem aos anos 
de chumbo como a época em que a Ditadura torturou e censurou, entre 1968&nbsp; e 
1973. Estabelece, equivocadamente, a divisão da Ditadura em três fases e 
consolida a noção discutível de linha dura como sinônimo dos tempos do general 
Emílio Garrastazu Médici na presidência da República e como uma tendência 
política apenas de uma minoria de militares radicais sem relação alguma com o 
poder civil.[7]</P>
<P>Outro livro seu, O Cristo do povo (1967), foi apreendido por determinação do 
ministro da Justiça, Luis Antônio da Gama e Silva (1967-1969), segundo o governo 
porque ''ofendia a dignidade das forças armadas''. Na obra, a partir de pesquisa 
de campo, o autor procurou compreender porque as classes dominantes do Brasil, 
ao retomarem o poder pelo Golpe de Estado de 1964, proclamavam-se anticomunistas 
e, ao mesmo tempo, perseguiam organizações e pessoas reconhecidamente cristãs. 
Ali, de forma pioneira, estudou a posição e a divisão da Igreja Católica no 
Brasil, em decorrência das posições assumidas pelos Papas João XXIII e Paulo VI, 
a partir das recomendações do Concílio Vaticano II, pesquisando suas relações 
com organizações como a Juventude Operária Católica, a Juventude Universitária 
Católica e o Movimento de Educação de Base, bem como as dificuldades que tiveram 
de enfrentar durante o governo de Castelo Branco.</P>
<P>Em 1968, participou da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou 
a venda de terras brasileiras a estrangeiros, ao mesmo tempo em que apoiou as 
manifestações estudantis que exigiam o retorno da democracia, condenando s 
repressão do governo Artur da Costa e Silva (1967-1969). Assim, aos poucos, se 
tornava uma dos maiores opositores públicos dos militares e do alicerce civil da 
Ditadura Pós-1964.</P>
<P>Com a intensificação das manifestações, o governo aumentou a repressão 
institucional e policial, como no fechamento da Universidade Federal de Minas 
Gerais e a invasão da Universidade de Brasília (UnB).</P>
<P>Esta última repercutiu no Congresso. Em protesto contra a invasão da UnB, em 
2 de setembro, Marcio Moreira Alves pronunciou seu famoso discurso, conclamando 
os brasileiros a realizar um ''boicote ao militarismo'', não participando da 
comemoração da Independência do Brasil cinco dias depois.[8]</P>
<P>O pronunciamento foi considerado pelos ministros militares como ofensivo 
''aos brios e à dignidade das forças armadas''. Diante dele, o procurador-geral 
da República Décio Meireles Miranda, deu entrada junto ao Supremo Tribunal 
Federal (STF), em 12 de outubro, ao pedido de cassação do mandato de Marcito, 
além seu enquadramento no artigo 151 da Constituição: por ''uso abusivo do 
direito de livre manifestação e pensamento e injúria e difamação das forças 
armadas, com a intenção de combater o regime vigente e a ordem democrática [sic] 
instituída pela Constituição''.[9]</P>
<P>Em 18 de novembro, o deputado apresentou a sua defesa.[10] No dia 11 de 
dezembro, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara concedeu licença para 
processar Marcio Moreira Alves, pedido recusado pelo plenário (216 votos contra 
e 141 a favor) no dia seguinte, quando ao final, os deputados cantaram o hino 
nacional. Em sua defesa, Marcito proferiu uma das mais célebres frases da luta 
política contra a Ditadura: ''que o Poder Legislativo se recuse a entregar a um 
pequeno grupo de extremistas o cutelo da sua degola. Volta-se o Brasil para a 
decisão que tomaremos. Mas só a História nos julgará''.[11]</P>
<P>No dia seguinte, no fatídico13 de dezembro, o presidente Costa e Silva editou 
o AI-5, cujas medidas já vinham sendo defendidas pelos reacionários desde julho. 
Com este Ato Institucional, além da decretação do recesso do Congresso Nacional 
(medida que vigorou até outubro de 1969), foi dada legalidade ao aprofundamento 
da repressão, nas quais, entre outras medidas, ficou permitido ao presidente da 
República: decretar o recesso do Congresso Nacional e de outros órgãos 
legislativos, independentemente de qualquer apreciação judicial; a cassar 
mandatos eletivos e suspender, por dez anos, os direitos políticos de qualquer 
cidadã; decretar o confisco de bens de ''todos quantos tenham enriquecido 
ilicitamente''; suspender a garantia do habeas-corpus; intervir nos estados e 
municípios sem as limitações previstas na Constituição.[12]</P>
<P>Em 30 de dezembro foi divulgada a primeira lista de cassações do AI-5. A 
lista, encabeçada por Marcio Moreira Alves, caçava 11 deputados federais. Antes 
do final do ano, Marcito deixou clandestinamente o país, rumo ao Chile (ficou lá 
até 1971, viajando para a Venezuela, a Colômbia, o Equador, o Peru, a Argentina, 
a Bolívia, o México e os Estados Unidos, em conferências em mais de 40 
universidades). Depois, seguiu para a França, onde se doutorou pela Fundação 
Nacional de Ciências Políticas de Paris.</P>
<P>Entre finais de 1973 e início de 1974 viveu em Havana, dando aulas na 
Faculdade de Ciências Políticas, ocasião em que escreveu Trabalhadores na 
Revolução de Cuba, a partir de depoimentos da família na qual se hospedou 
durante esta temporada cubana.[13] Em abril de 1974 foi para Lisboa, onde 
lecionou no Instituto Superior<BR>de Economia de Lisboa (hoje o Instituto 
Superior de Economia e Gestão).</P>
<P>Com a Lei da Anistia, retornou ao Brasil em setembro de 1979. Depois disso, 
com a extinção do bipartidarismo, em 29 de novembro do mesmo ano, e a 
conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento 
Democrático Brasileiro (PMDB). Na legenda, em 1982 e 1986, concorreu à Câmara 
dos Deputados pelo Rio de Janeiro, mas não conseguiu se eleger, apesar de 
expressivas votações. Nessa década esteve em cargos políticos nos estados de São 
Paulo e Rio de Janeiro, até 1990, quando pediu desligamento do PMDB a fim de 
reiniciar sua atuação na imprensa, tornando-se colaborador do Jornal do Brasil, 
de O Estado de São Paulo e de O Globo. Ali, passou a cobrir, em Brasília, os 
trabalhos da revisão constitucional, tornando-se colunista diário, encarregado 
de assuntos de política nacional.[14]</P>
<P>Foi nessa condição que testemunhou a 8ª Conferência do PCdoB, em 1995, quando 
o Partido definiu seu Programa Socialista, um dos marcos na história recente da 
esquerda no Brasil.[15] Na ocasião, o jornalista e a política se 
(re)encontraram, pois estavam frente a frente dois importantes combatentes que, 
por armas diversas, porém igualmente legítimas, combateram a Ditadura.</P>
<P>Em 3 de abril de 2009, dois dias depois dos 45 anos do Golpe Civil-Militar, 
Márcio Moreira Alves se foi. Mas a memória de todos os que ousaram lutar pela 
democracia, reconhecerão em Marcito, entre tantos outros, umas de suas 
trincheiras históricas. Sobretudo, para continuarmos lutando.</P>
<P><BR>&nbsp;</P>
<P><STRONG>Notas</STRONG></P>
<P>[1] Francisco Fernando da Áustria, foi assassinado pelo estudante 
servo-bósnio Gavrilo Princip, em 28 de Junho de 1914, quando se encontrava em 
Sarajevo (capital da então província austro-húngara da Bósnia) para comandar 
manobras militares. Os austríacos culparam a Sérvia pela morte e exigiram desta 
a repressão e a autorização para que policiais austríacos participassem na 
investigação do atentado e a punição dos responsáveis. A contrariedade da Sérvia 
em defesa de sua soberania, estourou a guerra interimperialista de 1914 a 1918, 
aliando alemães com a Áustria-Hungria, enquanto que em apoio aos sérvios estavam 
a França, a Rússia e a Grã-Bretanha, entre outros que se somaram mais tarde.</P>
<P>[2] Cf. ALVES, Maria Helena Moreira. Estado e oposição no Brasil (1964-1984). 
2 ed. Petrópolis: Vozes, 1984, p. 129. </P>
<P>[3] Ver REIS FILHO, Daniel Aarão. ''Ditadura e sociedade: as reconstruções da 
memória''. In. REIS FILHO, Daniel Aarão; RIDENTI, Marcelo; MOTTA, Rodrigo Patto 
Sá (orgs.). O Golpe e a Ditadura Militar. 40 anos depois (1964-2004), p. 41.</P>
<P>[4] Estas considerações iniciais já foram apresentadas, de forma mais 
resumida, coincidentemente pouco antes da morte de Márcio Moreira Alves, no 
artigo ''40 anos depois do AI-5'', publicado no Jornal da SEDUFSM - Seção 
Sindical dos Docentes da UFSM, Santa Maria, edição de fevereiro de 2009, p. 
12.</P>
<P>[5] Márcio Moreira Alves, que passou a denunciar e se opor à Ditadura após a 
edição do AI-1. Antes disso, como outros personagens importantes que se 
arrependeram mais ou menos tarde (Teotônio Vilela, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom 
Ivo Lorscheiter, etc), emblematicamente, havia apoiado o Golpe.</P>
<P>[6] Com prefácio de Alceu Amoroso Lima, o Tristão de Ataíde, o livro, com 
documentos e testemunhos, foi escrito ao longo de uma árdua campanha de 
imprensa. Suas denúncias chegaram a sensibilizar o marechal, Castelo Branco, sob 
cujo governo as torturas ocorreram e os torturadores continuaram impunes. O 
presidente- ditador mandou ao Nordeste, o general Ernesto Geisel, chefe da Casa 
Militar, cuja missão teve como resultado a permissão para que Marcito entrasse 
nas prisões do Recife e confirmasse as denúncias recebidas.</P>
<P>[7] Ver esta versão em BORGES, Nilson. ''A Doutrina de Segurança Nacional e 
os governos militares''. In. FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucília de Almeida Neves 
(orgs.). O Brasil Republicano. O tempo da ditadura. Regime militar e movimentos 
sociais em fins do século XX. Livro 4. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 
2003, p. 15-42, especialmente p. 22.</P>
<P>[8] No discurso, o deputado afirmou: ''Todos reconhecem ou dizem reconhecer 
que a maioria das forças armadas não compactua com a cúpula militarista que 
perpetra violências e mantém este país sob regime de opressão. Creio ter 
chegado, após os acontecimentos de Brasília, o grande momento da união pela 
democracia. Este é também o momento do boicote. As mães brasileiras já se 
manifestaram. Todas as classes sociais clamam por este repúdio à polícia. No 
entanto, isto não basta. É preciso que se estabeleça, sobretudo por parte das 
mulheres, (...) o boicote ao militarismo. Vem aí o 7 de setembro. As cúpulas 
militaristas procuram explorar o sentimento profundo de patriotismo do povo e 
pedirão aos colégios que desfilem junto com os algozes dos estudantes. Seria 
necessário que cada pai, cada mãe , se compenetrasse de que a presença dos seus 
filhos nesse desfile é o auxílio aos carrascos que os espancam e os metralham 
nas ruas. Portanto, que cada um boicote esse desfile''. Disponível na íntegra em 
<A href="" target=_blank http: www.marciomoreiraalves.com 
discurso2968.htm??>http://www.marciomoreiraalves.com/discurso2968.htm</A>. 
Acesso em 12 abr. 2009. Grifos nossos.</P>
<P>[9] Grifos nossos.</P>
<P>[10] Ver a defesa em <A href="" target=_blank http: 
www.marciomoreiraalves.com 
defesa.htm??>http://www.marciomoreiraalves.com/defesa.htm</A>. Acesso em 12 abr. 
2009.</P>
<P>[11] Disponível na íntegra em <A href="" target=_blank http: 
www.marciomoreiraalves.com 
discurso12.68.htm??>http://www.marciomoreiraalves.com/discurso12.68.htm</A>. 
Acesso em 12 abr. 2009.</P>
<P>[12] Ver a íntegra do AI-5 em <A href="" target=_blank http: 
www.unificado.com.br calendario 12 
ai5.htm??>http://www.unificado.com.br/calendario/12/ai5.htm</A>. Acesso em 12 
abr. 2009.</P>
<P>[13] No livro é revelada a visão que os Gutierrez (nome fictício dado à 
família) têm do processo revolucionário cubano. Ali, se fala da ''desorganização 
das primeiras milícias revolucionárias, das dificuldades de abastecimento que 
atravessaram durante os piores anos do bloqueio comercial, da escassez de 
gêneros alimentícios, dos erros cometidos pelos dirigentes sindicais, do 
absenteísmo operário, das vicissitudes do serviço militar, das deficiências do 
transporte coletivo interprovincial'' e, ''sobretudo, do que devem à Revolução e 
do que representa ser cubano no período pós revolucionário''. Ver estas 
indicações em <A href="" target=_blank http: www.marciomoreiraalves.com 
livro.1979.2.htm??>http://www.marciomoreiraalves.com/livro.1979.2.htm</A>. 
Acesso em 12 abr. 2009.</P>
<P>[14] As referências fundamentais deste artigo sobre Márcio Moreira Alves se 
encontram em ABREU, Alzira Alves de (Coord.). Dicionário histórico-biográfico 
brasileiro pós-1930. Rio de Janeiro: Editora CPDOC/FGV, 2001. Também 
reproduzidas em <A href="" target=_blank http: www.marciomoreiraalves.com 
quem.htm??>http://www.marciomoreiraalves.com/quem.htm</A>#.</P>
<P>[15] Ver a íntegra do Programa em <A href="" target=_blank http: 
www.vermelho.org.br pcdob programa 
??>http://www.vermelho.org.br/pcdob/programa/</A>.<BR></P></DIV><BR>
<DIV id=fonte><BR>
<HR SIZE=1>

<DIV id=autor><IMG src="http://www.vermelho.org.br/ctt/img_upload/aut_54.jpg" 
align=left> 
<P><STRONG>*Diorge Alceno Konrad</STRONG>, Doutor em História Social do Trabalho 
pela UNICAMP</P></DIV><BR 
clear=all></DIV></FONT></FONT></FONT></DIV></BODY></HTML>