<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
<HTML><HEAD>
<META http-equiv=Content-Type content="text/html; charset=windows-1252">
<META content="MSHTML 6.00.2900.3132" name=GENERATOR>
<STYLE></STYLE>
</HEAD>
<BODY bgColor=#ffffff>
<DIV><FONT face=Forte color=#ff0000 size=6>Carta O Berro<FONT 
size=3>...........................................................................repassem</FONT></FONT></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV>
<H1 class=documentFirstHeading>1964: democratas e ditatoriais</H1>
<DIV>
<DIV class=documentByLine>
<DIV class=documentContributors><FONT face=Arial size=2></FONT>&nbsp;</DIV>
<DIV class=reviewHistory>O que são 45 anos – transcorridos desde aquele primeiro 
de abril até hoje? O que foi aquilo? O que restou daquilo?</DIV></DIV></DIV>
<DIV class=newsImageContainer><IMG class=newsImage 
title="O que são 45 anos – transcorridos desde aquele primeiro de abril até hoje? O que foi aquilo? O que restou daquilo?" 
alt="O que são 45 anos – transcorridos desde aquele primeiro de abril até hoje? O que foi aquilo? O que restou daquilo?" 
src="http://www3.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/1964-democratas-e-ditatoriais-1/image_mini"> 
</DIV>
<DIV class=plain>
<DIV align=right><I></I>
<DIV align=left><I><BR><BR></I></DIV></DIV>
<P></P>
<P class=titulo></P>
<DIV class=plain>
<DIV align=right><I>30/03/2009</I><BR>
<DIV align=left><I>Emir Sader</I></DIV>
<DIV align=left>&nbsp;</DIV>
<DIV align=left>Os golpistas – incluída toda a imprensa, menos a <I>Última 
Hora</I> – insistiam em dizer que a data era 31 de março; nós, que era primeiro 
de abril. Ainda mais que eles tentavam dizer que tinha sido uma “revolução”, 
confessando o prestigio da palavra revolução – até ali identificado com a 
revolução cubana.<BR><BR>O que são 45 anos – transcorridos desde aquele primeiro 
de abril até hoje? O que foi aquilo? O que restou daquilo?<BR><BR>Medido no 
tempo, parece algo distante. Afinal, tinham transcorridos apenas 34 anos desde a 
revolução de 30 - o momento de maior ruptura progressista na história 
brasileira. Período que incluiu os 15 anos do primeiro governo de Getúlio e os 
19 de democracia liberal, incluídos os 4 do novo mandato de Getúlio e os 5 do 
JK.<BR><BR>Nem é necessário discorrer muito para dizer que se tratou de um golpe 
militar, que introduziu uma ditadura militar. Nem a “ditabranda” da FSP (Força 
Serra Presidente), nem o “autoritarismo” de FHC – todas tentativas de suavizar o 
regime. Um regime dirigido formal e realmente pela alta oficialidade das FFAA, 
que reorganizou o Estado em torno dessas instituições, tendo o SNI como seu 
instrumento de militarização das relações sociais. Um regime que atuou 
politicamente a favor da hegemonia do grande capital nacional e internacional. 
Para isso, entre suas primeiras medidas estiveram a intervenção militar em todos 
os sindicatos e o arrocho salarial – a proibição de qualquer campanha salarial, 
sonho de todo grande empresário.<BR><BR>Para que se criasse um clima que 
desembocou no golpe militar, foi montada uma campanha de desestabilização que – 
hoje se sabe, pelas atas do Senado dos EUA – tinha sua condução diretamente 
naquele país, com participação direta do então embaixador norte-americano e a 
cumplicidade ativa da grande mídia – que até hoje não fizeram autocrítica do 
papel ditatorial que tiveram, nem mesmo a FSP, que emprestou seus carros para 
ações repressivas da Oban -, somada às mobilizações feitas pela Igreja Católica 
e pelos partidos de direita – com o lacerdismo moralizante na cabeça. 
<BR><BR>Nunca como naquele período as grandes empresas privadas lucraram tanto. 
Foram elas as maiores beneficiárias da repressão – prisões arbitrárias, 
torturas, fuzilamentos, desaparições, entre outras formas de violência de um 
regime do terror. Foram o setor economicamente hegemônico durante a ditadura –ao 
contrário da visão inconsistente de FHC, de que uma suposta “burguesia de 
Estado” seria o setor hegemônico, para absolver os grandes monopólios nacionais 
e internacionais.<BR><BR>O Brasil vinha vivendo um processo importante de 
democratização social, política e cultural. O movimento sindical se expandia, os 
funcionários públicos passavam a incorporar-se a ele, os militares de baixa 
graduação passavam a poder se organizar e se candidatar ao Parlamento, se 
desenvolvia a sindicalização rural, acelerava-se a criação de uma forte e 
diversificada cultural popular – no cinema, no teatro, nas artes plásticas, -, 
um movimento editorial de esquerda se fortalecia muito.<BR><BR>Foi para brecar a 
construção da democracia que o golpe foi dado. Com um caráter abertamente 
antidemocrático e fortemente antipopular – como as decisões imediatas contra os 
sindicatos e campanhas salariais demonstram -, foi um instrumento do grande 
capital e da estratégia de guerra fria dos EUA na região.<BR><BR>1964 se 
constituiu em um momento de forte inflexão na história brasileira. O modelo de 
desenvolvimento industrial passou a se centrar na produção para a alta esfera do 
consumo e a para a exportação, acentuando a concentração de renda e a 
desigualdade social, assim como a dependência. <BR><BR>O Brasil que saiu da 
ditadura, 21 anos depois, era um país diferente daquele de 1964. As organizações 
democráticas e populares haviam sido duramente golpeadas. A imprensa havia sido 
depurada dos órgãos de esquerda. (Não esquecer que a resistência na imprensa foi 
feita pela chamada imprensa nanica, por si só uma denúncia da imprensa 
tradicional.) O país havia se transformado no mais desigual do continente mais 
desigual do mundo.<BR><BR>Vários dirigentes da ditadura ainda andam por aí, 
junto com seus filhos e netos, dando lições de democracia, sendo entrevistados e 
escrevendo artigos na imprensa. A imprensa não dirá nada ou tentará, uma vez 
mais, se passar por vítima da ditadura, escondendo o papel real que desempenhou. 
(Que tal republicar as manchetes de cada órgão naquele primeiro de abril de 
1964?) Na resistência e na oposição à ditadura se provou quem era e é democrata 
no Brasil. ( O texto foi originalmente publicado no Blog do 
Emir)<BR></DIV></DIV><BR>
<P><I><B>Emir Sader é filósofo, cientista político e professor da Universidade 
Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), onde coordena o Laboratório de Políticas 
Públicas.</B></I></P>
<P><STRONG><EM>====================================================================================================================================</EM></STRONG></P>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT>&nbsp;</DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message ----- 
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A 
title=pauta@consciencia.net 
href="mailto:pauta@consciencia.net">Consciência.Net</A> </DIV>
<DIV>&nbsp;</DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<H2 class=date-header 
style="COLOR: rgb(153,51,153); FONT-FAMILY: arial,helvetica,sans-serif"><FONT 
size=2>Abril 01, 2009</FONT></H2><FONT 
style="FONT-FAMILY: arial,helvetica,sans-serif" size=2><A 
name=2781211320320285333></A></FONT>
<H3 class="post-title entry-title" 
style="FONT-FAMILY: arial,helvetica,sans-serif"><FONT size=4>45 anos do Golpe: 
memória da luta e resistência do campesinato na Ditadura Militar</FONT> </H3>
<P><FONT style="FONT-FAMILY: arial,helvetica,sans-serif" size=2><B>"Agora que o 
País se livrou do fantasma da comunização, podemos repetir o que vínhamos 
dizendo exaustivamente: todo comunista é covarde e mau caráter. (...) Enfim, 
começa hoje uma nova era para o Brasil. Confiemos no espírito público dos homens 
que salvaram a democracia brasileira (...)". Foi com essas palavras que um dos 
jornais de maior circulação da época anunciou em seu editorial o novo regime 
político imposto aos brasileiros em 1964: a ditadura militar. Leia texto da 
Comissão Pastoral da Terra, regional Nordeste II.</B><A 
href="javascript:togglecomments('cpt-memoria20090401')"></A><BR><BR></FONT></P>
<DIV class=commentshown id=cpt-memoria20090401 
style="FONT-FAMILY: arial,helvetica,sans-serif"><FONT size=2>Ao amanhecer o dia 
1° de abril daquele ano, o Brasil viveria, por um período que duraria 21 anos, 
um dos momentos mais nefastos na história do país. Após exatos 45 anos, setores 
que patrocinaram a ditadura insistem em classificá-la de "ditabranda" ou de uma 
época de pequenos excessos cometidos. Os movimentos sociais e as organizações 
populares não esquecem o horror vivido e as conseqüências políticas ocasionadas 
por aquele regime.<BR><BR><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold">Momentos de 
efervescência política nos anos que antecederam o Golpe</SPAN><BR><BR>"Os anos 
que antecederam o '64' foram de uma efervescência política muito grande no 
Brasil, sobretudo no Nordeste e no campesinato", comenta o Padre Hermínio 
Canova, da Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e que 
acompanhou a resistência e luta das organizações camponesas que iam surgindo até 
então. Para o Padre Hermínio, aquele período anterior ao Golpe foi um marco para 
a luta dos trabalhadores brasileiros, um período de ascenso de massas, 
potencializado ainda mais pela referência à Revolução Cubana e às reformas de 
base anunciadas por Goulart.<BR><BR>A mobilização do campesinato também foi um 
elemento fundamental para o avanço das lutas populares naquele período. No 
início dos anos 60, consolidavam-se organizações como as Ligas Camponesas que, 
sobretudo no Nordeste foram importantes instrumentos de organização e de atuação 
do campesinato.<BR><BR><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold">O golpe interrompe o 
processo de luta do campesinato</SPAN><BR><BR>As organizações e lideranças 
camponesas que faziam a defesa da Reforma Agrária e dos direitos humanos foram 
massacradas com a Ditadura Militar. O integrante do Núcleo de Documentação dos 
Movimentos Sociais da UFPE e preso político no regime, o professor de 
Comunicação Social, Luis Momesso, enfatiza que a ditadura teve como um dos seus 
principais eixos de apoio o latifúndio - que se via ameaçado pelas mobilizações 
populares.<BR><BR>Lideranças como Francisco Julião e João Pedro Teixeira, das 
Ligas Camponesas de Pernambuco e da Paraíba foram alguns dos símbolos da 
resistência e luta no Nordeste e se consolidaram como "elementos perigosos" para 
as forças reacionárias. Ainda dois anos antes do golpe, João Pedro Teixeira foi 
brutalmente assassinado, enquanto Francisco Julião foi perseguido, preso e 
exilado nos anos da ditadura.<BR><BR>As medidas impostas pela Ditadura para o 
campo foram logo postas em prática. O regime intensificou o avanço do capital no 
campo e o fortalecimento do latifúndio, através da entrada de maquinários 
modernos e agrotóxicos. Foi anulada a lei de 1962, que controlava remessas de 
lucros para o estrangeiro, dando força e permitindo a entrada em larga escala 
das multinacionais no país. "Esse é considerado um dos períodos em que 
latifundiários, empresários e usineiros mais expulsaram os camponeses, 
posseiros, indígenas e quilombolas de suas terras", afirma Hermínio. A massa de 
camponeses expulsa do campo, desempregada e sem nenhum direito garantido, 
migravam para as cidades sem perspectivas de vida e emprego.<BR><BR>Como forma 
de mascarar as tensões no campo e colocar um freio nos movimentos campesinos, o 
governo de Castelo Branco emitiu, em 1965, o estatuto da Terra. Mesmo contendo 
avanços, como falar pela primeira vez da função social da propriedade e da 
desapropriação para fins de Reforma Agrária, o estatuto não tinha o objetivo de 
sair do papel e ainda conseguia acobertar o latifúndio em um único item que 
assegurava que "a propriedade declarada empresa rural não poderia ser 
desapropriada".<BR><BR>A repressão aos que se posicionavam contra o Regime 
tornou-se ainda mais brutal em 1968, com o Ato Institucional n° 5 (AI 5). O 
decreto deu ao regime militar poder absoluto. A partir daí, as organizações de 
caráter político de oposição ao regime foram barbaramente massacradas e 
perseguidas. "Nos Sindicatos de Trabalhadores Rurais mais atuantes, a diretoria 
era substituída por interventores do estado, os chamados `pelegos´ e lideranças 
camponesas foram brutalmente assassinadas, presas e torturadas", relembra 
Hermínio.<BR><BR>O campesinato seguiu resistindo ao cenário de terror e 
violência protagonizado pela Ditadura Militar. Segundo Hermínio "umas das áreas 
mais cobiçadas para o avanço do capital na ditadura era a pré-Amazônia - que 
compreende os estados de Tocantins, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul." 
Foi naquela região, em 1975, em plena ditadura militar, que surgiu a Comissão 
Pastoral da Terra, como resposta à grave situação dos trabalhadores rurais, 
desenvolvendo um serviço pastoral e contribuindo com a luta e organização do 
campesinato contra a implementação do regime, que fazia o jogo dos interesses 
capitalistas nacionais e transnacionais.<BR><BR><SPAN 
style="FONT-WEIGHT: bold">Solidariedade e resistência no campo em 
Pernambuco</SPAN><BR><BR>No estado, a luta dos camponeses e camponesas 
violentados pela ditadura militar contou com a solidariedade e a dedicação de 
pessoas que também seriam consideradas figuras indesejadas da Ditadura Militar 
Brasileira. Dom Helder Câmara, designado para ser o arcebispo de Olinda e 
Recife, chegou à capital pernambucana nos primeiros dias do Golpe 
Militar.<BR><BR>Por sua atuação social e política de repúdio ao Regime Militar, 
o "Arcebispo vermelho", como era denominado na época, foi perseguido e censurado 
pelos militares. Dom Helder ainda conseguiu realizar várias viagens ao exterior 
onde denunciava as violações de direitos humanos cometidas pela ditadura 
brasileira.<BR><BR>Outro lutador do povo que sempre esteve ligado às lutas do 
campesinato foi Gregório Bezerra. Nascido na região do Agreste do estado 
pernambucano, Gregório começou a trabalhar nas lavouras de cana com quatro anos 
para ajudar a família. Integrante do PCB, foi preso político e exilado durante o 
regime. Faleceu em outubro de 1983, deixando um legado de luta e resistência 
para Pernambuco e o Brasil.<BR><BR><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold">45 anos 
depois: continua a perseguição política aos movimentos de luta pela 
terra</SPAN><BR><BR>Após 45 anos, camponeses a camponesas são insistentemente 
criminalizados por levantarem a bandeira da Reforma Agrária. Casos mais recentes 
- como o fechamento das escolas itinerantes do MST no Rio Grande do Sul, em 
fevereiro deste ano, e a criminalização de lideranças de organizações do campo, 
como o caso do advogado da CPT, José Batista Afonso, são exemplos de que a 
perseguição política aos movimentos de luta pela terra persiste.<BR><BR>Para o 
professor Momesso, "a ditadura não existe mais enquanto regime, mas o 
capitalismo continua. As mesmas pessoas que patrocinavam a ditadura estão hoje 
no Governo, como Sarney. O capital não tem projeto para a sociedade, e nesse 
contexto, a tendência dele é radicalizar pela violência, sempre foi. Quando não 
é pela via do estado, é via milícias armadas contratadas pelos latifundiários. 
Nós estamos em uma democracia que é violência, é ditadura também", finaliza 
Momesso.</FONT></DIV>
<P><FONT face=Arial 
size=2>=================================================================================================================================================================</FONT></P>
<P><FONT face=Arial size=2></FONT><SPAN 
style="FONT-SIZE: 14pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: 'Arial Black'"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: #9900ff; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
face=Arial><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: red; FONT-FAMILY: Verdana"><?xml:namespace prefix 
= o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /><o:p>&nbsp;</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B 
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 16pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>"NÃO RESOLVEMOS A QUESTÃO CENTRAL DA 
REFORMA<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B 
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 16pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>DO PAPEL DAS FORÇAS ARMADAS", DIZ JOSÉ 
DIRCEU.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" 
align=left><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>José Dirceu de Oliveira e Silva completava 15 dias de 
maioridade, mas ainda era um adolescente político. Trabalhava em um escritório 
na Praça da República, no centro de São Paulo, estudava no Colégio Paulistano e 
fazia cursinho pré-vestibular. Tinha acabado de fazer 18 anos quando viu 
descendo pela Rua da Consolação, vindo da Rua Maria Antônia, estudantes do 
Colégio Mackenzie fazendo manifestação em favor do golpe militar de 64. Contra 
os alunos direitistas, o jovem Zé Dirceu teve certeza de que estava do lado 
certo, mas jamais imaginou que poderia liderar nos anos seguintes parte da 
resistência à ditadura militar que vigorou por 21 anos. Passados 45 anos de sua 
maioridade e do golpe, José Dirceu avalia o período, refuta teses tais como “o 
AI-5 foi culpa das guerrilhas urbanas” ou que “a luta armada prolongou o regime 
ditatorial”. Ele reconhece o legado econômico do período, mas avalia que o país 
teria se saído muito melhor sob a democracia. <SPAN 
style="mso-spacerun: yes">&nbsp;</SPAN>O ex-presidente do Partido dos 
Trabalhadores (PT), ex-ministro-chefe da Casa Civil dn primeiro mandato do 
presidente Lula e deputado cassado por seus pares (sob acusação de envolvimento 
com o mensalão) analisa que, após quase 25 anos de redemocratização, o país 
precisa rever o papel das Forças Armadas e passar a limpo sua história 
contemporânea. A seguir, os trecho principais de entrevista por telefone, 
concedida no dia 26 deste mês. <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B 
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>Agência Brasil – No momento do golpe militar, o 
senhor já era militante?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" 
align=left><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>José Dirceu – A minha militância política e um novo 
mundo que descobri aconteceram quando eu entrei para a PUC [Pontifícia 
Universidade Católica] para fazer o curso de Direito. Ali começo a militar com 
amigos do Partido Comunista Brasileiro, fazer cineclube, protestar contra o 
autoritarismo vigente na escola, contra as anuidades, contra o fechamento dos 
centros acadêmicos, pela associação atlética [da faculdade], contra o 
recrudescimento da ditadura com a Lei Suplicy [que extinguiu a União Nacional 
dos Estudantes - UNE e as uniões estaduais de estudantes] e com o Ato 
Institucional nº 2 [escrito “à nação” e que estabeleceu a suspensão de direitos 
políticos e eleição indireta para presidente, além de censura à propaganda 
considerada “subversiva”, entre outras 
medidas].<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B 
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>ABr – A esquerda fez uma leitura errada dos 
acontecimentos que antecederam o golpe, avaliando que poderia haver 
resistência?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" 
align=left><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – O golpe era um golpe anunciado, que tem 
raízes na Escola Superior de Guerra. Tinha uma avaliação de que haveria 
tentativa de golpe, mas não houve uma preparação para resistir. Ainda que os 
norte-americanos estivessem preparados. Os americanos tinham mandado uma frota 
da Marinha para cá e estavam preparados não só para reconhecer os golpistas 
[como representantes legítimos do Estado brasileiro], como também para fazer uma 
intervenção política e militar ao lado deles. Em grande parte, o golpe foi 
financiado, articulado e apoiado pelos americanos. Depois disso e até o governo 
Geisel, toda política interna e externa refletiu essa ligação carnal com os 
Estados Unidos. O Juracy Magalhães [ministro das Relações Exteriores do governo 
Castelo Branco, 1966-1967] disse que “o que é bom para os Estados Unidos é bom 
para o Brasil”.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B 
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>ABr – Qual a pior conseqência do 
golpe?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" 
align=left><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Evidentemente a ditadura em si foi o pior. 
Há muitos aspectos da política econômica: concentração de renda, êxodo rural, 
empobrecimento das classes populares e endividamento. O que marca a ditadura é a 
repressão, as torturas, os crimes políticos, os desaparecimentos, a censura, o 
impedimento de que o país tivesse instituições democráticas. Até então, o Brasil 
em 70 anos de República viveu 35 de ditadura. Isso trouxe conseqüências graves 
para a formação política e cívica do país. O saldo que a ditadura deixou foi 
trágico: não só pelos assassinatos e torturas, mas pela cassação dos direitos 
políticos dos milhares que foram diretamente cassados como eu, mas de todo o 
povo brasileiro que não pôde exercer os 
direitos.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B 
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>ABr – Na sua vida, a cassação e o exílio foram os 
piores momentos?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" 
align=left><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – O golpe me despertou para a política, assim 
como aconteceu com milhões de brasileiros. O Brasil não parou de lutar. Fizemos 
questão de manter as ruas na mão daqueles que se opunham à ditadura. Nós 
mantivemos centros acadêmicos abertos e mobilizações de alguns setores contra a 
ditadura, como os de intelectuais, artistas, professores, jornalistas. Tentamos 
fazer uma ponte com o movimento sindical que se levantou em 1968, em Osasco 
(SP). A cassação do meu habeas corpus pelo Ato Institucional nº 5 foi o pior 
momento [que o impediu sair da prisão, feita durante o 30º Congresso da UNE, no 
interior de São Paulo].<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B 
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>ABr – Por que o movimento estudantil capitaneou a 
resistência ao regime militar?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" 
align=left><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Os estudantes pertenciam a uma geração 
libertária que saiu de casa, foi trabalhar e estudar nas grandes cidades sem 
depender dos pais. Foi uma geração avessa ao conservadorismo cultural e moral e 
ao autoritarismo que existia no país. O movimento estudantil foi mais do que 
luta contra a ditadura, foi uma revolução de comportamento. Isso coincide com um 
momento de grandes transformações no mundo.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B 
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>ABr – Olhar isso com uma certa nostalgia não esconde 
a dureza que foram aqueles anos?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" 
align=left><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Não, a vida é assim, tem muitas facetas, é 
um arco-íris. A luta nossa teve seus momentos de tristeza e dor pelas derrotas, 
mas teve seus momentos de alegria e vitória pela criação e pelos 
sonhos.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B 
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>ABr – A luta armada levou o país ao 
AI-5?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" 
align=left><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Não. Isso é uma tese sem fundamento que até 
serve de justificativa para o golpe. Os atos institucionais nº 1 e nº 2 já 
mostram a natureza da ditadura. Todo golpe tem uma natureza violenta porque é 
uma solução fora da política. Dizer que a repressão teve como causa a 
resistência à ditadura é uma coisa simplesmente inaceitável. Então não se pode 
lutar pela liberdade? Esse tipo de conceito não corresponde aos fatos 
históricos. Ditadura era ditadura. Também foram reprimidos os partidos políticos 
de oposição. O Partido Comunista Brasileiro, que não participou da luta armada, 
também foi reprimido. Não tem sentido esse 
argumento.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B 
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>ABr – A visão revolucionária de alguns setores estava 
equivocada? A visão reformista do citado “Partidão” talvez fosse a leitura mais 
adequada daqueles momentos?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" 
align=left><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – A luta armada tem, em primeiro lugar, uma 
justificativa pelo menos moral: é o direito à resistência, está previsto na 
carta das Nações Unidas, contra a opressão e um governo ilegítimo que nasceu da 
violência de um golpe militar inconstitucional e se impôs pela força. 
Evidentemente que não foi o método mais correto. Não soubemos combinar a 
resistência armada com a luta política e social. Porém, daí tirar a conclusão de 
que a luta pacífica ou que a resistência institucional poderiam ser 
bem-sucedidas está errado porque elas também foram derrotadas. No processo 
histórico todos aprendemos, não vejo por que dar toda a razão aos pacifistas ou 
negar toda a razão à luta armada, apesar do seu caráter 
militarista.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B 
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>ABr – Qual foi o maior 
aprendizado?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" 
align=left><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Que não se pode fazer nenhuma luta se não 
tiver apoio popular e é preciso aprender com a luta. Nós aprendemos isso e 
exercitamos a partir de 80, muitos fundadores do PT vivemos essa experiência e 
soubemos aproveitá-la na vida política. <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B 
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>ABr – Houve acertos no regime 
militar?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" 
align=left><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Evidentemente houve acertos, não é possível 
governar o país por tanto tempo sem crescimento, sem realizações. O país mudou 
radicalmente. O Brasil de 1985 não é igual ao Brasil de 1964. É um outro país, 
para o bem e para o mal. Caracterizado pela pobreza, perda da soberania popular 
e ausência de instituições democráticas, mas também com infra-estrutura de 
telecomunicações, rodoviária, energia, apesar de ter abandonado as ferrovias, 
não ter desenvolvido a hidrovia, e de a produção de energia nuclear não ter dado 
certo. Teve endividamento externo, mas o país criou uma indústria petroquímica, 
a Petrobras sobreviveu, se constituiu a Eletrobrás, a Telebrás. Não se conseguiu 
criar uma indústria de TI [tecnologia da informação], mas o país avançou na 
indústria pesada, de máquinas e equipamentos, apesar de<SPAN 
style="mso-spacerun: yes">&nbsp; </SPAN>não ter conseguido acompanhar o 
desenvolvimento tecnológico mundial. O Brasil começou a criar as bases para a 
agricultura e a groindústria que tem hoje. O saldo absoluto negativo é no social 
e político. No econômico - como o país trabalhou, produziu, acumulou muito e 
aumentou sua população -, é inegável que houve crescimento, mas nada disso 
justifica a ditadura. Tudo isso poderia ter sido feito com democracia e teria 
sido feito melhor. Talvez, por exemplo, não teríamos visto um desenvolvimento 
urbano tão concentrador, tanta favelização. Talvez a participação do trabalho na 
renda nacional teria sido maior, feito a reforma agrária em uma época que teria 
outro impacto.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B 
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>ABr – Que diferenças e semelhanças o senhor apontaria 
entre aquele projeto de desenvolvimento e o projeto atual do governo 
Lula?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" 
align=left><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Nenhuma semelhança. O país é outro, o mundo 
é outro, não tem nenhuma comparação. Não fazemos o crescimento com base no 
endividamento externo. O país já tem uma base industrial e tecnológica para dar 
saltos. O principal problema do país é combater a pobreza, a desigualdade, e 
fazer uma revolução tecnológica e educacional. Outro problema é fazer a 
integração da América do Sul, que não estava colocada naquela época. O discurso 
era chauvinista, de direita nacionalista, até de sub-imperialismo. Não vejo 
paralelo. Tudo agora é feito na democracia, naquela época não havia participação 
da sociedade. Não se pode comparar.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B 
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>ABr – No governo Geisel, a abertura correu 
riscos?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" 
align=left><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Claro que correu. Só não ocorreu<SPAN 
style="mso-spacerun: yes">&nbsp; </SPAN>porque as forças que lutavam pela 
democracia foram se impondo. A sociedade foi se mobilizando: a Igreja teve um 
papel importante, o MDB [Movimento Democrático Brasileiro, partido de oposição 
ao regime militar que antecedeu o PMDB], os sindicalistas [que depois vão fundar 
o PT], os intelectuais, os jornalistas, a imprensa e as camadas populares que se 
levantaram por melhores condições de vida. O país caminhou para a democracia 
resistindo e lutando. Senão, não teria saído da ditadura. A democracia não é 
obra da distensão e nem dos militares, ela é obra de quem 
lutou.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B 
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>ABr – Por que o Brasil tem tanta dificuldade de 
passar essa história a limpo?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" 
align=left><SPAN 
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT 
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Porque nós não resolvemos uma questão 
central que é a reforma e a revisão do papel das Forças Armadas no país. Foi 
criado o Ministério da Defesa, mas ele não está consolidado. Nunca os militares 
abriram mão de autodefinir as suas políticas. Nunca o Congresso Nacional avocou 
isso para si, o que significa que a sociedade não avocou para si. Existe um 
capítulo não encerrado, como acontece em outras casos. Precisamos, por exemplo, 
fazer uma reforma política e não deixar que o poder econômico, a cada dia, 
controle mais a política, e a política dependa do dinheiro. O Brasil não acertou 
as contas com a sua própria história. Por Gilberto 
Costa/Abr.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P></o:p></SPAN></FONT></SPAN></SPAN><FONT face=Arial 
size=2></FONT><BR>&nbsp;</P>
<P><FONT face=Arial size=2></FONT>&nbsp;</P></DIV>
<DIV id=relatedItems></DIV>
<P></P>
<P></P></DIV>
<DIV id=relatedItems></DIV>
<DIV class=visualClear><FONT face=Arial size=2></FONT></DIV></DIV></BODY></HTML>