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<BODY bgColor=#ffffff>
<DIV><FONT face=Forte color=#ff0000 size=6>Carta O Berro<FONT
size=3>...........................................................................repassem</FONT></FONT></DIV>
<DIV><BR></DIV>
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<H1 class=documentFirstHeading>1964: democratas e ditatoriais</H1>
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<DIV class=documentContributors><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV>
<DIV class=reviewHistory>O que são 45 anos – transcorridos desde aquele primeiro
de abril até hoje? O que foi aquilo? O que restou daquilo?</DIV></DIV></DIV>
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title="O que são 45 anos – transcorridos desde aquele primeiro de abril até hoje? O que foi aquilo? O que restou daquilo?"
alt="O que são 45 anos – transcorridos desde aquele primeiro de abril até hoje? O que foi aquilo? O que restou daquilo?"
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<DIV align=right><I></I>
<DIV align=left><I><BR><BR></I></DIV></DIV>
<P></P>
<P class=titulo></P>
<DIV class=plain>
<DIV align=right><I>30/03/2009</I><BR>
<DIV align=left><I>Emir Sader</I></DIV>
<DIV align=left> </DIV>
<DIV align=left>Os golpistas – incluída toda a imprensa, menos a <I>Última
Hora</I> – insistiam em dizer que a data era 31 de março; nós, que era primeiro
de abril. Ainda mais que eles tentavam dizer que tinha sido uma “revolução”,
confessando o prestigio da palavra revolução – até ali identificado com a
revolução cubana.<BR><BR>O que são 45 anos – transcorridos desde aquele primeiro
de abril até hoje? O que foi aquilo? O que restou daquilo?<BR><BR>Medido no
tempo, parece algo distante. Afinal, tinham transcorridos apenas 34 anos desde a
revolução de 30 - o momento de maior ruptura progressista na história
brasileira. Período que incluiu os 15 anos do primeiro governo de Getúlio e os
19 de democracia liberal, incluídos os 4 do novo mandato de Getúlio e os 5 do
JK.<BR><BR>Nem é necessário discorrer muito para dizer que se tratou de um golpe
militar, que introduziu uma ditadura militar. Nem a “ditabranda” da FSP (Força
Serra Presidente), nem o “autoritarismo” de FHC – todas tentativas de suavizar o
regime. Um regime dirigido formal e realmente pela alta oficialidade das FFAA,
que reorganizou o Estado em torno dessas instituições, tendo o SNI como seu
instrumento de militarização das relações sociais. Um regime que atuou
politicamente a favor da hegemonia do grande capital nacional e internacional.
Para isso, entre suas primeiras medidas estiveram a intervenção militar em todos
os sindicatos e o arrocho salarial – a proibição de qualquer campanha salarial,
sonho de todo grande empresário.<BR><BR>Para que se criasse um clima que
desembocou no golpe militar, foi montada uma campanha de desestabilização que –
hoje se sabe, pelas atas do Senado dos EUA – tinha sua condução diretamente
naquele país, com participação direta do então embaixador norte-americano e a
cumplicidade ativa da grande mídia – que até hoje não fizeram autocrítica do
papel ditatorial que tiveram, nem mesmo a FSP, que emprestou seus carros para
ações repressivas da Oban -, somada às mobilizações feitas pela Igreja Católica
e pelos partidos de direita – com o lacerdismo moralizante na cabeça.
<BR><BR>Nunca como naquele período as grandes empresas privadas lucraram tanto.
Foram elas as maiores beneficiárias da repressão – prisões arbitrárias,
torturas, fuzilamentos, desaparições, entre outras formas de violência de um
regime do terror. Foram o setor economicamente hegemônico durante a ditadura –ao
contrário da visão inconsistente de FHC, de que uma suposta “burguesia de
Estado” seria o setor hegemônico, para absolver os grandes monopólios nacionais
e internacionais.<BR><BR>O Brasil vinha vivendo um processo importante de
democratização social, política e cultural. O movimento sindical se expandia, os
funcionários públicos passavam a incorporar-se a ele, os militares de baixa
graduação passavam a poder se organizar e se candidatar ao Parlamento, se
desenvolvia a sindicalização rural, acelerava-se a criação de uma forte e
diversificada cultural popular – no cinema, no teatro, nas artes plásticas, -,
um movimento editorial de esquerda se fortalecia muito.<BR><BR>Foi para brecar a
construção da democracia que o golpe foi dado. Com um caráter abertamente
antidemocrático e fortemente antipopular – como as decisões imediatas contra os
sindicatos e campanhas salariais demonstram -, foi um instrumento do grande
capital e da estratégia de guerra fria dos EUA na região.<BR><BR>1964 se
constituiu em um momento de forte inflexão na história brasileira. O modelo de
desenvolvimento industrial passou a se centrar na produção para a alta esfera do
consumo e a para a exportação, acentuando a concentração de renda e a
desigualdade social, assim como a dependência. <BR><BR>O Brasil que saiu da
ditadura, 21 anos depois, era um país diferente daquele de 1964. As organizações
democráticas e populares haviam sido duramente golpeadas. A imprensa havia sido
depurada dos órgãos de esquerda. (Não esquecer que a resistência na imprensa foi
feita pela chamada imprensa nanica, por si só uma denúncia da imprensa
tradicional.) O país havia se transformado no mais desigual do continente mais
desigual do mundo.<BR><BR>Vários dirigentes da ditadura ainda andam por aí,
junto com seus filhos e netos, dando lições de democracia, sendo entrevistados e
escrevendo artigos na imprensa. A imprensa não dirá nada ou tentará, uma vez
mais, se passar por vítima da ditadura, escondendo o papel real que desempenhou.
(Que tal republicar as manchetes de cada órgão naquele primeiro de abril de
1964?) Na resistência e na oposição à ditadura se provou quem era e é democrata
no Brasil. ( O texto foi originalmente publicado no Blog do
Emir)<BR></DIV></DIV><BR>
<P><I><B>Emir Sader é filósofo, cientista político e professor da Universidade
Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), onde coordena o Laboratório de Políticas
Públicas.</B></I></P>
<P><STRONG><EM>====================================================================================================================================</EM></STRONG></P>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message -----
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A
title=pauta@consciencia.net
href="mailto:pauta@consciencia.net">Consciência.Net</A> </DIV>
<DIV> </DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<H2 class=date-header
style="COLOR: rgb(153,51,153); FONT-FAMILY: arial,helvetica,sans-serif"><FONT
size=2>Abril 01, 2009</FONT></H2><FONT
style="FONT-FAMILY: arial,helvetica,sans-serif" size=2><A
name=2781211320320285333></A></FONT>
<H3 class="post-title entry-title"
style="FONT-FAMILY: arial,helvetica,sans-serif"><FONT size=4>45 anos do Golpe:
memória da luta e resistência do campesinato na Ditadura Militar</FONT> </H3>
<P><FONT style="FONT-FAMILY: arial,helvetica,sans-serif" size=2><B>"Agora que o
País se livrou do fantasma da comunização, podemos repetir o que vínhamos
dizendo exaustivamente: todo comunista é covarde e mau caráter. (...) Enfim,
começa hoje uma nova era para o Brasil. Confiemos no espírito público dos homens
que salvaram a democracia brasileira (...)". Foi com essas palavras que um dos
jornais de maior circulação da época anunciou em seu editorial o novo regime
político imposto aos brasileiros em 1964: a ditadura militar. Leia texto da
Comissão Pastoral da Terra, regional Nordeste II.</B><A
href="javascript:togglecomments('cpt-memoria20090401')"></A><BR><BR></FONT></P>
<DIV class=commentshown id=cpt-memoria20090401
style="FONT-FAMILY: arial,helvetica,sans-serif"><FONT size=2>Ao amanhecer o dia
1° de abril daquele ano, o Brasil viveria, por um período que duraria 21 anos,
um dos momentos mais nefastos na história do país. Após exatos 45 anos, setores
que patrocinaram a ditadura insistem em classificá-la de "ditabranda" ou de uma
época de pequenos excessos cometidos. Os movimentos sociais e as organizações
populares não esquecem o horror vivido e as conseqüências políticas ocasionadas
por aquele regime.<BR><BR><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold">Momentos de
efervescência política nos anos que antecederam o Golpe</SPAN><BR><BR>"Os anos
que antecederam o '64' foram de uma efervescência política muito grande no
Brasil, sobretudo no Nordeste e no campesinato", comenta o Padre Hermínio
Canova, da Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e que
acompanhou a resistência e luta das organizações camponesas que iam surgindo até
então. Para o Padre Hermínio, aquele período anterior ao Golpe foi um marco para
a luta dos trabalhadores brasileiros, um período de ascenso de massas,
potencializado ainda mais pela referência à Revolução Cubana e às reformas de
base anunciadas por Goulart.<BR><BR>A mobilização do campesinato também foi um
elemento fundamental para o avanço das lutas populares naquele período. No
início dos anos 60, consolidavam-se organizações como as Ligas Camponesas que,
sobretudo no Nordeste foram importantes instrumentos de organização e de atuação
do campesinato.<BR><BR><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold">O golpe interrompe o
processo de luta do campesinato</SPAN><BR><BR>As organizações e lideranças
camponesas que faziam a defesa da Reforma Agrária e dos direitos humanos foram
massacradas com a Ditadura Militar. O integrante do Núcleo de Documentação dos
Movimentos Sociais da UFPE e preso político no regime, o professor de
Comunicação Social, Luis Momesso, enfatiza que a ditadura teve como um dos seus
principais eixos de apoio o latifúndio - que se via ameaçado pelas mobilizações
populares.<BR><BR>Lideranças como Francisco Julião e João Pedro Teixeira, das
Ligas Camponesas de Pernambuco e da Paraíba foram alguns dos símbolos da
resistência e luta no Nordeste e se consolidaram como "elementos perigosos" para
as forças reacionárias. Ainda dois anos antes do golpe, João Pedro Teixeira foi
brutalmente assassinado, enquanto Francisco Julião foi perseguido, preso e
exilado nos anos da ditadura.<BR><BR>As medidas impostas pela Ditadura para o
campo foram logo postas em prática. O regime intensificou o avanço do capital no
campo e o fortalecimento do latifúndio, através da entrada de maquinários
modernos e agrotóxicos. Foi anulada a lei de 1962, que controlava remessas de
lucros para o estrangeiro, dando força e permitindo a entrada em larga escala
das multinacionais no país. "Esse é considerado um dos períodos em que
latifundiários, empresários e usineiros mais expulsaram os camponeses,
posseiros, indígenas e quilombolas de suas terras", afirma Hermínio. A massa de
camponeses expulsa do campo, desempregada e sem nenhum direito garantido,
migravam para as cidades sem perspectivas de vida e emprego.<BR><BR>Como forma
de mascarar as tensões no campo e colocar um freio nos movimentos campesinos, o
governo de Castelo Branco emitiu, em 1965, o estatuto da Terra. Mesmo contendo
avanços, como falar pela primeira vez da função social da propriedade e da
desapropriação para fins de Reforma Agrária, o estatuto não tinha o objetivo de
sair do papel e ainda conseguia acobertar o latifúndio em um único item que
assegurava que "a propriedade declarada empresa rural não poderia ser
desapropriada".<BR><BR>A repressão aos que se posicionavam contra o Regime
tornou-se ainda mais brutal em 1968, com o Ato Institucional n° 5 (AI 5). O
decreto deu ao regime militar poder absoluto. A partir daí, as organizações de
caráter político de oposição ao regime foram barbaramente massacradas e
perseguidas. "Nos Sindicatos de Trabalhadores Rurais mais atuantes, a diretoria
era substituída por interventores do estado, os chamados `pelegos´ e lideranças
camponesas foram brutalmente assassinadas, presas e torturadas", relembra
Hermínio.<BR><BR>O campesinato seguiu resistindo ao cenário de terror e
violência protagonizado pela Ditadura Militar. Segundo Hermínio "umas das áreas
mais cobiçadas para o avanço do capital na ditadura era a pré-Amazônia - que
compreende os estados de Tocantins, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul."
Foi naquela região, em 1975, em plena ditadura militar, que surgiu a Comissão
Pastoral da Terra, como resposta à grave situação dos trabalhadores rurais,
desenvolvendo um serviço pastoral e contribuindo com a luta e organização do
campesinato contra a implementação do regime, que fazia o jogo dos interesses
capitalistas nacionais e transnacionais.<BR><BR><SPAN
style="FONT-WEIGHT: bold">Solidariedade e resistência no campo em
Pernambuco</SPAN><BR><BR>No estado, a luta dos camponeses e camponesas
violentados pela ditadura militar contou com a solidariedade e a dedicação de
pessoas que também seriam consideradas figuras indesejadas da Ditadura Militar
Brasileira. Dom Helder Câmara, designado para ser o arcebispo de Olinda e
Recife, chegou à capital pernambucana nos primeiros dias do Golpe
Militar.<BR><BR>Por sua atuação social e política de repúdio ao Regime Militar,
o "Arcebispo vermelho", como era denominado na época, foi perseguido e censurado
pelos militares. Dom Helder ainda conseguiu realizar várias viagens ao exterior
onde denunciava as violações de direitos humanos cometidas pela ditadura
brasileira.<BR><BR>Outro lutador do povo que sempre esteve ligado às lutas do
campesinato foi Gregório Bezerra. Nascido na região do Agreste do estado
pernambucano, Gregório começou a trabalhar nas lavouras de cana com quatro anos
para ajudar a família. Integrante do PCB, foi preso político e exilado durante o
regime. Faleceu em outubro de 1983, deixando um legado de luta e resistência
para Pernambuco e o Brasil.<BR><BR><SPAN style="FONT-WEIGHT: bold">45 anos
depois: continua a perseguição política aos movimentos de luta pela
terra</SPAN><BR><BR>Após 45 anos, camponeses a camponesas são insistentemente
criminalizados por levantarem a bandeira da Reforma Agrária. Casos mais recentes
- como o fechamento das escolas itinerantes do MST no Rio Grande do Sul, em
fevereiro deste ano, e a criminalização de lideranças de organizações do campo,
como o caso do advogado da CPT, José Batista Afonso, são exemplos de que a
perseguição política aos movimentos de luta pela terra persiste.<BR><BR>Para o
professor Momesso, "a ditadura não existe mais enquanto regime, mas o
capitalismo continua. As mesmas pessoas que patrocinavam a ditadura estão hoje
no Governo, como Sarney. O capital não tem projeto para a sociedade, e nesse
contexto, a tendência dele é radicalizar pela violência, sempre foi. Quando não
é pela via do estado, é via milícias armadas contratadas pelos latifundiários.
Nós estamos em uma democracia que é violência, é ditadura também", finaliza
Momesso.</FONT></DIV>
<P><FONT face=Arial
size=2>=================================================================================================================================================================</FONT></P>
<P><FONT face=Arial size=2></FONT><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: 'Arial Black'"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: #9900ff; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
face=Arial><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: red; FONT-FAMILY: Verdana"><?xml:namespace prefix
= o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /><o:p> </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 16pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>"NÃO RESOLVEMOS A QUESTÃO CENTRAL DA
REFORMA<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 16pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>DO PAPEL DAS FORÇAS ARMADAS", DIZ JOSÉ
DIRCEU.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=left><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>José Dirceu de Oliveira e Silva completava 15 dias de
maioridade, mas ainda era um adolescente político. Trabalhava em um escritório
na Praça da República, no centro de São Paulo, estudava no Colégio Paulistano e
fazia cursinho pré-vestibular. Tinha acabado de fazer 18 anos quando viu
descendo pela Rua da Consolação, vindo da Rua Maria Antônia, estudantes do
Colégio Mackenzie fazendo manifestação em favor do golpe militar de 64. Contra
os alunos direitistas, o jovem Zé Dirceu teve certeza de que estava do lado
certo, mas jamais imaginou que poderia liderar nos anos seguintes parte da
resistência à ditadura militar que vigorou por 21 anos. Passados 45 anos de sua
maioridade e do golpe, José Dirceu avalia o período, refuta teses tais como “o
AI-5 foi culpa das guerrilhas urbanas” ou que “a luta armada prolongou o regime
ditatorial”. Ele reconhece o legado econômico do período, mas avalia que o país
teria se saído muito melhor sob a democracia. <SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>O ex-presidente do Partido dos
Trabalhadores (PT), ex-ministro-chefe da Casa Civil dn primeiro mandato do
presidente Lula e deputado cassado por seus pares (sob acusação de envolvimento
com o mensalão) analisa que, após quase 25 anos de redemocratização, o país
precisa rever o papel das Forças Armadas e passar a limpo sua história
contemporânea. A seguir, os trecho principais de entrevista por telefone,
concedida no dia 26 deste mês. <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>Agência Brasil – No momento do golpe militar, o
senhor já era militante?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=left><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>José Dirceu – A minha militância política e um novo
mundo que descobri aconteceram quando eu entrei para a PUC [Pontifícia
Universidade Católica] para fazer o curso de Direito. Ali começo a militar com
amigos do Partido Comunista Brasileiro, fazer cineclube, protestar contra o
autoritarismo vigente na escola, contra as anuidades, contra o fechamento dos
centros acadêmicos, pela associação atlética [da faculdade], contra o
recrudescimento da ditadura com a Lei Suplicy [que extinguiu a União Nacional
dos Estudantes - UNE e as uniões estaduais de estudantes] e com o Ato
Institucional nº 2 [escrito “à nação” e que estabeleceu a suspensão de direitos
políticos e eleição indireta para presidente, além de censura à propaganda
considerada “subversiva”, entre outras
medidas].<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>ABr – A esquerda fez uma leitura errada dos
acontecimentos que antecederam o golpe, avaliando que poderia haver
resistência?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=left><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – O golpe era um golpe anunciado, que tem
raízes na Escola Superior de Guerra. Tinha uma avaliação de que haveria
tentativa de golpe, mas não houve uma preparação para resistir. Ainda que os
norte-americanos estivessem preparados. Os americanos tinham mandado uma frota
da Marinha para cá e estavam preparados não só para reconhecer os golpistas
[como representantes legítimos do Estado brasileiro], como também para fazer uma
intervenção política e militar ao lado deles. Em grande parte, o golpe foi
financiado, articulado e apoiado pelos americanos. Depois disso e até o governo
Geisel, toda política interna e externa refletiu essa ligação carnal com os
Estados Unidos. O Juracy Magalhães [ministro das Relações Exteriores do governo
Castelo Branco, 1966-1967] disse que “o que é bom para os Estados Unidos é bom
para o Brasil”.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>ABr – Qual a pior conseqência do
golpe?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=left><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Evidentemente a ditadura em si foi o pior.
Há muitos aspectos da política econômica: concentração de renda, êxodo rural,
empobrecimento das classes populares e endividamento. O que marca a ditadura é a
repressão, as torturas, os crimes políticos, os desaparecimentos, a censura, o
impedimento de que o país tivesse instituições democráticas. Até então, o Brasil
em 70 anos de República viveu 35 de ditadura. Isso trouxe conseqüências graves
para a formação política e cívica do país. O saldo que a ditadura deixou foi
trágico: não só pelos assassinatos e torturas, mas pela cassação dos direitos
políticos dos milhares que foram diretamente cassados como eu, mas de todo o
povo brasileiro que não pôde exercer os
direitos.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>ABr – Na sua vida, a cassação e o exílio foram os
piores momentos?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=left><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – O golpe me despertou para a política, assim
como aconteceu com milhões de brasileiros. O Brasil não parou de lutar. Fizemos
questão de manter as ruas na mão daqueles que se opunham à ditadura. Nós
mantivemos centros acadêmicos abertos e mobilizações de alguns setores contra a
ditadura, como os de intelectuais, artistas, professores, jornalistas. Tentamos
fazer uma ponte com o movimento sindical que se levantou em 1968, em Osasco
(SP). A cassação do meu habeas corpus pelo Ato Institucional nº 5 foi o pior
momento [que o impediu sair da prisão, feita durante o 30º Congresso da UNE, no
interior de São Paulo].<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>ABr – Por que o movimento estudantil capitaneou a
resistência ao regime militar?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=left><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Os estudantes pertenciam a uma geração
libertária que saiu de casa, foi trabalhar e estudar nas grandes cidades sem
depender dos pais. Foi uma geração avessa ao conservadorismo cultural e moral e
ao autoritarismo que existia no país. O movimento estudantil foi mais do que
luta contra a ditadura, foi uma revolução de comportamento. Isso coincide com um
momento de grandes transformações no mundo.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>ABr – Olhar isso com uma certa nostalgia não esconde
a dureza que foram aqueles anos?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=left><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Não, a vida é assim, tem muitas facetas, é
um arco-íris. A luta nossa teve seus momentos de tristeza e dor pelas derrotas,
mas teve seus momentos de alegria e vitória pela criação e pelos
sonhos.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>ABr – A luta armada levou o país ao
AI-5?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=left><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Não. Isso é uma tese sem fundamento que até
serve de justificativa para o golpe. Os atos institucionais nº 1 e nº 2 já
mostram a natureza da ditadura. Todo golpe tem uma natureza violenta porque é
uma solução fora da política. Dizer que a repressão teve como causa a
resistência à ditadura é uma coisa simplesmente inaceitável. Então não se pode
lutar pela liberdade? Esse tipo de conceito não corresponde aos fatos
históricos. Ditadura era ditadura. Também foram reprimidos os partidos políticos
de oposição. O Partido Comunista Brasileiro, que não participou da luta armada,
também foi reprimido. Não tem sentido esse
argumento.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>ABr – A visão revolucionária de alguns setores estava
equivocada? A visão reformista do citado “Partidão” talvez fosse a leitura mais
adequada daqueles momentos?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=left><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – A luta armada tem, em primeiro lugar, uma
justificativa pelo menos moral: é o direito à resistência, está previsto na
carta das Nações Unidas, contra a opressão e um governo ilegítimo que nasceu da
violência de um golpe militar inconstitucional e se impôs pela força.
Evidentemente que não foi o método mais correto. Não soubemos combinar a
resistência armada com a luta política e social. Porém, daí tirar a conclusão de
que a luta pacífica ou que a resistência institucional poderiam ser
bem-sucedidas está errado porque elas também foram derrotadas. No processo
histórico todos aprendemos, não vejo por que dar toda a razão aos pacifistas ou
negar toda a razão à luta armada, apesar do seu caráter
militarista.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>ABr – Qual foi o maior
aprendizado?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=left><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Que não se pode fazer nenhuma luta se não
tiver apoio popular e é preciso aprender com a luta. Nós aprendemos isso e
exercitamos a partir de 80, muitos fundadores do PT vivemos essa experiência e
soubemos aproveitá-la na vida política. <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>ABr – Houve acertos no regime
militar?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=left><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Evidentemente houve acertos, não é possível
governar o país por tanto tempo sem crescimento, sem realizações. O país mudou
radicalmente. O Brasil de 1985 não é igual ao Brasil de 1964. É um outro país,
para o bem e para o mal. Caracterizado pela pobreza, perda da soberania popular
e ausência de instituições democráticas, mas também com infra-estrutura de
telecomunicações, rodoviária, energia, apesar de ter abandonado as ferrovias,
não ter desenvolvido a hidrovia, e de a produção de energia nuclear não ter dado
certo. Teve endividamento externo, mas o país criou uma indústria petroquímica,
a Petrobras sobreviveu, se constituiu a Eletrobrás, a Telebrás. Não se conseguiu
criar uma indústria de TI [tecnologia da informação], mas o país avançou na
indústria pesada, de máquinas e equipamentos, apesar de<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>não ter conseguido acompanhar o
desenvolvimento tecnológico mundial. O Brasil começou a criar as bases para a
agricultura e a groindústria que tem hoje. O saldo absoluto negativo é no social
e político. No econômico - como o país trabalhou, produziu, acumulou muito e
aumentou sua população -, é inegável que houve crescimento, mas nada disso
justifica a ditadura. Tudo isso poderia ter sido feito com democracia e teria
sido feito melhor. Talvez, por exemplo, não teríamos visto um desenvolvimento
urbano tão concentrador, tanta favelização. Talvez a participação do trabalho na
renda nacional teria sido maior, feito a reforma agrária em uma época que teria
outro impacto.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>ABr – Que diferenças e semelhanças o senhor apontaria
entre aquele projeto de desenvolvimento e o projeto atual do governo
Lula?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=left><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Nenhuma semelhança. O país é outro, o mundo
é outro, não tem nenhuma comparação. Não fazemos o crescimento com base no
endividamento externo. O país já tem uma base industrial e tecnológica para dar
saltos. O principal problema do país é combater a pobreza, a desigualdade, e
fazer uma revolução tecnológica e educacional. Outro problema é fazer a
integração da América do Sul, que não estava colocada naquela época. O discurso
era chauvinista, de direita nacionalista, até de sub-imperialismo. Não vejo
paralelo. Tudo agora é feito na democracia, naquela época não havia participação
da sociedade. Não se pode comparar.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>ABr – No governo Geisel, a abertura correu
riscos?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=left><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Claro que correu. Só não ocorreu<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>porque as forças que lutavam pela
democracia foram se impondo. A sociedade foi se mobilizando: a Igreja teve um
papel importante, o MDB [Movimento Democrático Brasileiro, partido de oposição
ao regime militar que antecedeu o PMDB], os sindicalistas [que depois vão fundar
o PT], os intelectuais, os jornalistas, a imprensa e as camadas populares que se
levantaram por melhores condições de vida. O país caminhou para a democracia
resistindo e lutando. Senão, não teria saído da ditadura. A democracia não é
obra da distensão e nem dos militares, ela é obra de quem
lutou.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>ABr – Por que o Brasil tem tanta dificuldade de
passar essa história a limpo?<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=left><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: green; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
color=#000000><FONT size=3>Dirceu – Porque nós não resolvemos uma questão
central que é a reforma e a revisão do papel das Forças Armadas no país. Foi
criado o Ministério da Defesa, mas ele não está consolidado. Nunca os militares
abriram mão de autodefinir as suas políticas. Nunca o Congresso Nacional avocou
isso para si, o que significa que a sociedade não avocou para si. Existe um
capítulo não encerrado, como acontece em outras casos. Precisamos, por exemplo,
fazer uma reforma política e não deixar que o poder econômico, a cada dia,
controle mais a política, e a política dependa do dinheiro. O Brasil não acertou
as contas com a sua própria história. Por Gilberto
Costa/Abr.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P></o:p></SPAN></FONT></SPAN></SPAN><FONT face=Arial
size=2></FONT><BR> </P>
<P><FONT face=Arial size=2></FONT> </P></DIV>
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<P></P>
<P></P></DIV>
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<DIV class=visualClear><FONT face=Arial size=2></FONT></DIV></DIV></BODY></HTML>