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<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=5>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message -----
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A
title=carloslicht@gmail.com href="mailto:carloslicht@gmail.com">Carlos
Lichtsztejn</A> </DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV>
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<DIV></DIV></DIV>
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<DIV>
<H2>03/2009 - 07h08</H2>
<H1>Perseguidos da ditadura acusam Fiesp de ter utilizado "lista negra"</H1>
<DIV></DIV>
<DIV>Rodrigo Bertolotto<BR>Do UOL Notícias<BR>Em São
Paulo</DIV></DIV></DIV></DIV></DIV></DIV></DIV>
<DIV>
<DIV>O Fórum de Ex-Presos Políticos do Estado de São Paulo incluiu uma sigla que
não aparecia com tanta frequência nas acusações de perseguição durante a
ditadura militar - além dos conhecidos Dops (Departamento de Ordem Política e
Social), DOI-Codi (Departamento de Operações e Informações do Exército) e SNI
(Serviço Nacional de Inteligência).<BR><BR></DIV>
<CENTER></CENTER>
<DIV><BR>Integrantes do grupo que luta pelas indenizações aos perseguidos e pela
punição aos torturadores afirmam que a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo) dispunha de uma lista, elaborada pelos órgãos de segurança, com os
nomes daqueles que não podiam ser empregados nas fábricas por sua
militância.<BR><BR>"Hoje eles negam, mas havia uma lista negra entre a Fiesp, os
sindicatos patronais e a polícia. Eu não conseguia emprego. Você tinha que
mostrar sempre os antecedentes a qualquer pedido de serviço. Isso barrava sua
vida profissional." Luis Cardoso era metalúrgico e estava entre os agitadores de
uma greve em Osasco em 1968, poucos dias antes do AI-5, o ato institucional que
acabou com últimas liberdades de um regime que começou em 1964 e só terminou no
ano de 1985. Para se sustentar, Cardoso teve que migrar para a construção civil
e para o Mato Grosso.<BR><BR></DIV>
<DIV>
<H3>Grupo de discussão</H3>
<P>Por que o governo não abre arquivos da ditadura militar?</P></DIV>
<DIV>Já Francisca Soares tinha um cargo de chefia em uma agência de marketing,
mas, depois de meses presa e torturada na prisão onde hoje está a estação
Tiradentes do metrô de São Paulo, nunca mais pôde trabalhar na área. "Entrava em
uma agência e, em poucos dias, perdia o emprego. Eles tinham consultado a lista
da polícia", conta a publicitária que foi integrante do POC (Partido Operário
Comunista), organização atuante principalmente dentro movimento estudantil.
Francisca terminou seu curso de história e trabalhou até a aposentadoria como
professora dessa matéria.<BR><BR>"Existia uma lista que o Dops distribuiu para
as empresas, para a Fiesp. Eles não gostam de admitir, mas existia. Quando
houver a abertura dos arquivos do tempo da ditadura, isso vai aparecer", afirma
Artur Gonçalves, que trabalhava em uma empresa marítima britânica quando foi
detido no dia 15 de janeiro de 1973. O motivo da prisão foi seu emprego à noite:
ele dava aulas em um curso supletivo, uma maneira encontrada para arregimentar
novos seguidores para o PCB (Partido Comunista Brasileiro).<BR><BR></DIV>
<DIV>
<H3>Documentação e indenização</H3>
<UL>
<LI><IMG title="Rodrigo Bertolotto/UOL" alt="Rodrigo Bertolotto/UOL"
src="http://e.i.uol.com.br/aventura/ditadura1.jpg" border=0>
<P>Ex-presos políticos analisam documentos desenterrados</P>
<LI><IMG title="Rodrigo Bertolotto/UOL" alt="Rodrigo Bertolotto/UOL"
src="http://e.i.uol.com.br/aventura/ditadura5.jpg" border=0>
<P>Integrante do grupo vê processos de indenização durante reunião</P></LI></UL>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV></DIV>
<DIV>A Fiesp afirma que não há nenhum registro em seu arquivo de documento que
listasse trabalhadores que não podiam ser empregados por sua atuação política
durante a ditadura. "Ou o fato não existiu ou existiu de uma forma tão sigilosa
que não deixou rastro. Pesquisamos nossa documentação, e não há nada", afirmou
Ricardo Viveiros, assessor de imprensa da federação das indústrias. A listagem,
se ainda existe fisicamente, poderia estar com as Forças Armadas, cujos papéis
da época continuam intocados. O tema é aventado desde o período autoritário, mas
ressurgiu com força com a acumulação de processos indenizatórios nos últimos
anos.<BR><BR>As histórias se sucedem. Após quase dois anos preso, o gráfico José
Paiva ficou sem ser contratado de 1971 até 1985, ano da redemocratização do
país. O jeito para sobreviver foi comprar uma impressora, transformar sua
garagem em local de trabalho e receber encomendas.<BR><BR>Militante do PCB e
atuante nos grupos guerrilheiros ALN (Ação Libertadora Nacional, de <A
href="http://educacao.uol.com.br/biografias/carlos-marighella.jhtm"
target=_blank>Carlos Marighella</A>) e VPR (Vanguarda Popular Revolucionária, de
Carlos Lamarca), Paiva imprimia certidões de nascimento para criar identidades
falsas para seus companheiros de ideologia. Também fazia, entre 1964 e 1969,
panfletos contra os militares. Escapou uma vez da prisão porque seu chefe o
avisou que havia na entrada "uns homens armados do drops (sic)": ele escapou
pelos fundos, e o patrão levou uns safanões dos agentes.<BR><BR>Em 1969, porém,
ele caiu na mão das forças do Estado. E serviu de cobaia para a "cadeira do
dragão", artefato de choque elétrico que teria sido criado pela equipe de Sérgio
Paranhos Fleury, delegado do Dops. Em outra sessão de tortura teve duas costelas
quebradas. Hoje recebe R$ 4.900 mensais como indenização reparatória.<BR><BR>Ele
é um dos mais assíduos nas reuniões que acontecem todas as terças. O ritual
inclui um almoço em boteco da praça da Sé, antes do encontro em pomposo salão da
Secretaria de Justiça, no vizinho Pátio do Colégio. Na maioria, eles são
militantes comunistas, principalmente do "Partidão" (PCB). Parte esteve na luta
armada, outra não. Parte recebe as indenizações federais ou estaduais, outra
não.<BR><BR></DIV>
<DIV>
<H3>Enquete: o que fazer com quem torturou?</H3></DIV>
<DIV>O fórum dos ex-presos começou a se reunir em 1998, com três objetivos: 1)
pressionar por indenizações por terem sido presos, torturados e depois
perseguidos profissionalmente; 2) lutar pela prisão dos torturadores,
interrompendo o benefício de não serem processados que a Lei de Anistia de 1979
lhes garantiu; 3) expor para os jovens o que foi esse período da história
nacional. <BR><BR>Em 2001, o fórum foi legalizado como entidade. No ano
seguinte, o governo federal estabeleceu uma lei (número 10.559) que ampliava as
indenizações que começaram a ser distribuídas na década anterior. <BR><BR>Ainda
hoje o período divide opiniões, com os papéis de vilão e mocinho se invertendo
segundo o lado de onde se viu os fatos. Por seu lado, os militares e policiais
feridos em ação também recebem um ressarcimento. O que os ex-presos não admitem
é a impunidade de quem aplicou tortura nos detidos pela ditadura - nos vizinhos
Argentina e Uruguai, por exemplo, houve processos e prisões dos
envolvidos.<BR><BR></DIV>
<DIV>
<H3>Reuniões e anotações</H3>
<UL>
<LI><IMG title="Rodrigo Bertolotto/UOL" alt="Rodrigo Bertolotto/UOL"
src="http://e.i.uol.com.br/aventura/ditadura2.jpg" border=0>
<P>Perseguidos se reúnem em sala da secretária de Justiça de SP</P>
<LI><IMG title="Rodrigo Bertolotto/UOL" alt="Rodrigo Bertolotto/UOL"
src="http://e.i.uol.com.br/aventura/ditadura3.jpg" border=0>
<P>Ex-segurança de Prestes, Ferreira faz anotação durante encontro</P></LI></UL>
<UL>
<LI><IMG title="Rodrigo Bertolotto/UOL" alt="Rodrigo Bertolotto/UOL"
src="http://e.i.uol.com.br/aventura/ditadura6.jpg" border=0>
<P>Grupo protestou contra o uso do termo "ditabranda" pela
Folha</P></LI></UL></DIV>
<DIV>O próprio governo Lula está dividido sobre o assunto: o Ministério da
Justiça (Tarso Genro) e a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (Paulo
Vannuchi) defendem a volta do debate pela responsabilização dos crimes de
tortura, enquanto essa posição é criticada pelo ministro da Defesa, Nelson
Jobim. Já a AGU (Advocacia Geral da União) enviou no mês passado ao STF (Supremo
Tribunal Federal) seu parecer a respeito da punição aos torturadores do período
da ditadura (1964-1985) em que manteve o entendimento de que eles também são
beneficiados pela Lei da Anistia. <BR><BR>"Justamente porque não se puniu
aqueles torturadores que esse crime (a tortura) continua acontecendo nas
delegacias de todo o país até nossos dias", argumenta Rafael Martinelli, 86, o
presidente do fórum. Ele liderou o sindicato dos ferroviários até 1964 e foi,
entre 1958 e 1962, suplente do deputado federal <A
href="http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u604.jhtm"
target=_blank>Menotti Del Picchia</A>, escritor modernista que se arriscou na
vida política à época.<BR><BR>Outro habitué do encontro que teve relacionamento
com personagem famoso é Orlando Ferreira. Ele foi segurança do líder comunista
<A href="http://educacao.uol.com.br/biografias/luis-carlos-prestes.jhtm"
target=_blank>Luis Carlos Prestes</A> na virada da década de 50 para a de 60. Em
um bloquinho, ele anota tudo o que é discutido na reunião. E se queixa das
sequelas da prisão e da tortura. "Não durmo direito, acordo toda a noite. Fico
logo assustado se passa um carro na rua ou bate uma porta durante a noite. Isso
é consequência de ter sido preso quando meus filhos eram pequenos",
relata.<BR><BR>Nos encontros que o <B>UOL Notícias</B> presenciou, o
ex-sindicalista Jano Ribeiro circulava com fotocópias de fichas do Dops que
foram desenterradas em fazenda na região de Franca (SP). Tudo para ajudar a
"companheirada" que ainda não recebe a indenização. "Nesse ritmo nem os bisnetos
vão receber esse dinheiro", afirma o ex-funcionário do sindicato dos
metalúrgicos de São Bernardo do Campo que foi preso duas vezes por sua ligação
com o PCB e atualmente recebe mensalmente R$ 1.380.<BR><BR>A queixa sobre
lentidão ecoa ainda mais entre aqueles que ainda não foram beneficiados. É o
caso de Artur Gonçalves. "A caravana da anistia é marketing puro. Eles estão
selecionando alguns presos notáveis e pessoas ligadas ao PT ou ao governo e
estão fazendo um show para a mídia", afirma. Por ter sempre trabalhado na
iniciativa privada e sem atuação sindical, ele tem maior dificuldade para obter
sua indenização na lei aprovada no final do governo Fernando Henrique Cardoso.
<BR><BR>Outra que não recebe é Ieda de Seixas, cuja família foi toda detida pela
ligação de seu pai, Joaquim, com o PCB e o sindicato dos petroleiros. O pai foi
morto na prisão, enquanto ela (então com 24), uma irmã (de 21), um irmão (16
anos) e a mãe ficaram presos meses e submetidos à tortura. "Minha família tem um
defeito crasso: tentar consertar o mundo", afirma, lembrando que dois tios
também foram para a cadeia durante a ditadura anterior, a de <A
href="http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u55.jhtm"
target=_blank>Getúlio Vargas</A> (1937-1945). "A sequela que fica é emocional,
mas não penso em meus torturadores. Eles não são seres humanos, são monstros",
desabafa Ieda.<BR><BR></DIV>
<DIV>
<DIV>
<H3>Ditadura no Uruguai</H3>
<UL>
<LI><A
href="http://noticias.uol.com.br/ultnot/internacional/2009/03/15/ult1859u768.jhtm"
target=_blank>Uruguaios fazem campanha contra a anistia</A><IMG
src="http://img.uol.com.br/ico_ler.gif" border=0>
<LI><A
href="http://noticias.uol.com.br/ultnot/internacional/2009/03/15/ult1859u769.jhtm"
target=_blank>Fim da Lei de Caducidade devolveria independência<BR>à Justiça,
diz coordenador da campanha</A><IMG src="http://img.uol.com.br/ico_ler.gif"
border=0> </LI></UL></DIV></DIV>
<DIV>Ela relata que reencontrou o torturador de seu pai logo após a volta da
democracia (<I>confira depoimento no vídeo acima</I>). Era Carlos Alberto Ustra,
que atendia pelo codinome "major Tibiriçá" - o militar nega seu envolvimento com
o crime, apesar da série de denúncias. Outro que reencontrou o personagem do
regime foi Francisco Ferreira, dirigente sindical que se juntou a Marighella na
ALN durante os anos de chumbo. "Vi o Tibiriçá em uma praia de Alagoas, com dois
seguranças na areia enquanto ele tomava banho de mar. Se tivesse uma
metralhadora na hora, atirava neles. Mas não valeria a pena ir preso de novo por
esse cara", sentencia Ferreira.<BR><BR>Raiva ele também sente quanto vê que a
juventude pouco conhece esse passado recente do país. "Minha nora, que estuda
Direito, não sabia nada dessa história. Parece que foi apagada." </DIV>
<DIV> </DIV>
<DIV><A href="http://noticias.uol.com.br/politica/2009/03/16/ult5773u793.jhtm"
target=_blank>http://noticias.uol.com.br/politica/2009/03/16/ult5773u793.jhtm</A></DIV>
<DIV></DIV></DIV></BODY></HTML>