<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
<HTML xmlns:o = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" xmlns:st1 =
"urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags"><HEAD>
<META http-equiv=Content-Type content="text/html; charset=windows-1252">
<META content="MSHTML 6.00.2900.3132" name=GENERATOR>
<STYLE></STYLE>
</HEAD>
<BODY bgColor=#ffffff>
<DIV><STRONG><FONT face=Forte color=#ff0000 size=6>Carta O Berro<FONT
size=3>........................................................................................repassem</FONT></FONT></STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><FONT face=Forte color=#ff0000></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT face="Arial Black">PARTE II</FONT></STRONG></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT><FONT face=Arial size=2></FONT><BR></DIV>
<DIV>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN><STRONG><FONT
size=5>A oposição parte para a luta armada</FONT></STRONG></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN><STRONG><o:p></o:p></STRONG></SPAN> </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG><SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>O que significa viver sob uma ditadura
militar? É exagerado achar que a toda hora tem tanque na rua, soldados
desfilando dentro das faculdades. Aparentemente não muda muita coisa, porque
você vai às compras, ao dentista, à praia e ao cinema, namora e casa, vê
<st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>evisão. A não ser o fato de que
seu vizinho é oficial do Exército e você sabe que por isso ele manda aqui no
prédio (e isso pode ser até bom para a vizinhança), o resto parece bem normal.
Mas, se você tiver um pingo de consciência, desconfia que as coisas não vão bem.
Existe um cheirinho de esquisitice: as pessoas falam baixo, há uma nuvem de
mistério cobrindo o país, o estômago fica pesado
demais.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Depois
de 1964 ainda dava para fazer umas passeatazinhas e desafiar o regime. Depois do
AI-5 (dezembro de 1968) o regime tinha fechado de vez. Passeata era dissolvida a
tiros de fuzil. Em cada redação de jornal havia um imbecil da polícia federal
para fazer a censura, Não poderia sair nenhuma notícia que desagradasse ao
governo. Uma simples reportagem esportiva sobre o time do Internacional de Porto
Alegre, com sua camisa vermelha, poderia ser encarada como “propaganda da
Internacional Comunista”. Além da censura, o jornal não podia dizer que tinha
sofrido a censura (isso, claro, também era censurado). O jeito foi botar
receitas de bolo nos vazios deixados pelas partes retiradas pela polícia. As
pessoas estavam lendo uma página sobre política nacional e, de repente, vinha
aquela absurda receita para fazer uma torta de abacaxi. Os espertos sacavam logo
que era um protesto. Os mais ingênuos (por conivência ou conveniência, chegavam
a mandar cartas para as redações dos jornais, pois as receitas, por vezes, eram
irracionais: “cinco quilos de açúcar, <st1:metricconverter w:st="on"
ProductID="100 g">100 g</st1:metricconverter> de farinha de trigo, dois quilos
de sal, vinte tabletes de fermento, uma colher de chá de suco de laranja...” Não
há receita que dê certo assim, hehehe. Claro que existem ainda hoje ingênuos
ainda mais imbecis, que declaram coisas como: “naquele tempo o governo era muito
melhor do que hoje. Bastava abrir os jornais, eles só tinham elogios para o
governo. Aliás, também tinham receitas de bolo muito
boas.”<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG>Ninguém podia falar mal do governo. Reclamação na fila do ônibus
era uma linha até à cadeia. Estudantes e <st1:PersonName
w:st="on">professor</st1:PersonName>es que conversassem sobre política poderiam
ser expulsos da escola ou da faculdade, devido ao decreto-lei nº 477 (1969),
Imagine o clima dentro da sala de aula. <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="Se o professor">Se o <st1:PersonName
w:st="on">professor</st1:PersonName></st1:PersonName> contasse aos alunos o que
você está lendo neste livro, corria o sério risco de não poder voltar mais à
sala de aula. Ou mesmo para a sua própria
casa...<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>_ O
que você acha da situação atual?<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>_ Eu
não acho nada! Tinha um amigo que achava muito e hoje ninguém acha ele! To
fora!<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG>Qualquer aluno novo que tentasse se enturmar era logo suspeito de
pertencer ao SNI. Veja que coisa, a ditadura tolheu até as novas amizades! O
político que fizesse oposição aguda seria logo cassado pelo AI-5. Foi o caso,
por exemplo, do deputado federal Francisco Pinto (MDB), punido em 1974 porque
fez no Congresso um discurso chamando de “ditador” o ditador chileno Pinochet
<st1:PersonName w:st="on" ProductID="em visita ao Brasil">em visita ao
Brasil</st1:PersonName>, o deputado Lysâneas Maciel (MDB) solicitou a criação de
uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar denúncias de corrupção
no regime. Não teve CPI nenhuma e ele ainda foi cassado. É isso aí: numa
ditadura, a sociedade não pode fiscalizar o governo. Os cidadãos estão
enjaulados, mas a corrupção está livre.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Com
tantas dificuldades, como continuar fazendo oposição ao regime? Para muitos
jovens, só havia um caminho a seguir: a luta armada. Falar em guerrilha nos anos
60 arrepiava muita gente. Ela parecia ser a grande arma de libertação dos povos
do Terceiro Mundo. Exemplos não faltavam. <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="Em Cuba, Fidel Castro">Em Cuba, Fidel Castro</st1:PersonName> e Che
Guevara abriram o caminho: No Vietnã, os guerrilheiros de Ho Chi (Minh
derrotavam a maior máquina de guerra do planeta, a do imperialismo
norte-americano. Na Argélia, os guerrilheiros dobraram as tropas francesas e
conquistaram a independência do país. Na própria China, a revolução socialista
foi vitoriosa depois de anos de guerrilha camponesa comandada por Mao Tsetung.
No Brasil não poderia ser diferente: muitos estudantes, velhos militantes da
esquerda e in<st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>ectuais começaram a
organizar grupos guerrilheiros. Para eles, depois do AI-5 não havia mais espaço
para a legalidade. Só a luta armada libertaria o
Brasil.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Ao
contrário do que você possa pensar, o PCB foi contra a luta armada. Os
comunistas acreditavam que a luta no momento não era nem socialismo nem reformas
básicas, mas pelo fim do regime autoritário. Sua estratégia era a de se unir a
todos os grupos democráticos contra o regime. Atuaria, clandestino, no MDB.
Muita gente da esquerda considerou esse programa covarde, reformista (um
xingamento horroroso, pois isso equivaleria a não ser um revolucionário. Mas
naquele momento os comunistas eram qualquer coisa, menos revolucionários...). A
juventude queria a mudança logo, a todo preço. E foram esses jovens, e
ainda, estudantes , intelectuais, operários e camponeses, que foram
a luta armada. Um dos grandes gurus era o francês Regis Debray, que tinha
sido companheiro de guerrilha de Che Guevara. Foi ele que lançou a teoria
foquista: meia dúzia de combatentes criariam um foco guerrilheiro numa área
rural. Primeira etapa, o treinamento militar. Depois, contato com a população.
Ganham a confiança através do trabalho, da honestidade, de solidariedade.
Imagine o efeito disso: o camponês jamais viu um médico e, de repente, aquelas
pessoas o tratam com cuidado, curam seus filhos. Nesse processo, os
guerrilheiros vão transmitindo suas idéias, mostrando que o latifúndio deveria
ser confiscado, que os camponeses precisam se unir e se armar. E quando chegam
os jagunços do fazendeiro, os guerrilheiros estão prontos para responder com
fogo de armas de guerra, Pronto, está deflagrada a luta. Agora, junto com os
camponeses que aderem ao movimento, eles se lançam para o mato. O Exército chega
logo depois, quase sempre truculento: tortura moradores, incendeia barracos,
molesta as meninas. O povo vê com clareza quem está do lado dele. Os
guerrilheiros, por sua vez, nunca enfrentam o Exército de frente. As táticas
incluem emboscadas, ações rápidas e fulminantes. Depois,<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>a fuga veloz: sua mobilidade e ataques
de surpresa são armas letais. Conhecem a região, contam com o apoio logístico
dos moradores. Quase invencíveis. Mas este é um foco. A teoria foquista
imaginava que surgiria outro foco ali, e mais outro adiante, e outro, e outro.
Até que um dia esses focos começariam a se unir para compor um grande exército
popular. Tal como ensinou Mao Tsetung, o campo cercaria a cidade. E a revolução
seria vitoriosa.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Quem
eram esses guerrilheiros? Não eram muitos, apenas algumas centenas. Os
simpatizantes, que eventualmente podiam esconder alguém em casa ou contribuir
com dinheiro, não iam além de uns mil e poucos. Apesar de sonharem com a
revolução proletária, havia poucos operários ou camponeses. Os líderes
geralmente eram antigos comunistas, rompidos com o Partidão porque o PCB estava
contra a luta armada. Ainda tinha um grupo importante de militares desertores do
Exército. Muitos guerrilheiros eram como talvez você seja, amigo leitor, com 17
ou 18 anos de idade, estudantes secundaristas ou acabando de entrar na
faculdade. A maioria dos guerrilheiros foi presa antes de começar a luta armada
no campo. Na verdade, a guerrilha ficou sendo urbana mesmo. A repressão do
governo agia com muita eficácia e em alguns anos os grupos foram
desman<st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>ados. No final, tinham de
assaltar bancos para levantar fundos para a luta e seqüestrar embaixadores em
troca da libertação de presos políticos.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG>A tentativa que teve mais consistência foi a Guerrilha do
Araguaia. Ela se desenvolveu mais ou menos entre 1972 e 1974, organizada pelo PC
do B. Lembremos que, na época, ao contrário do PCB (que era de linha soviética e
contra a luta armada) o PC do B seguia o socialismo chinês (o maoísmo) e apoiava
a guerrilha. Pois bem, no começo dos anos 70, grandes empresas do Sudeste e
multinacionais investiram em pecuária extensiva na região do Tocantins-Araguaia.
Quando chegaram lá, já havia pequenas roças na mão de camponesesposseiros (não
tinham documentos legais da propriedade da terra, apesar de trabalharem nelas
havia muitos anos). Nem quiseram saber, passaram a fazer grilagem das terras
(tomar ilegalmente). Quando o camponês não queria abandonar a terra, os capangas
da empresa iam lá, ateavam fogo no barraco, destruíam a plantação, espancavam os
moradores. Como você pode perceber, as lutas de classes entre os grileiros e os
posseiros eram muito fortes. O PC do B quis aproveitar esse<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>potencial de revolta e chegou na região
para montar uma base de treinamento. Foram descobertos pelo Exército, que
deslocou para região milhares de soldados. Contra uns 60 guerrilheiros. Numa
região isolada do país, imprensa censurada, as pessoas só sabiam alguma coisa
através de boatos. Mas na região do Araguaia até hoje as pessoas humildes se
recordam do que aconteceu. Muitos militares abusaram do poder e espancaram
brutalmente a população para que revelasse os esconderijos dos guerrilheiros. Os
prisioneiros eram torturados de forma bárbara e muitos encontraram a morte
depois que o corpo virou uma massa de pedaços de carne e sangue. Os
guerrilheiros mortos foram enterrados em cemitérios clandestinos e até hoje as
famílias procuram seus corpos. Em <st1:metricconverter w:st="on"
ProductID="1974, a">1974, a</st1:metricconverter> guerrilha do Araguaia estava
destruída.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>O que
dizer sobre essa loucura toda? Foram rapazes e moças, muitos ainda adolescentes,
que tiveram a coragem de abandonar o conforto do lar, a segurança de uma vida
encaminhada, a tranqüilidade da vida de jovem de classe média, para combater um
regime opressor com armas na mão. Pessoas que dão a vida pelo ideal de
libertação de seu povo não podem ser consideradas criminosas. Mesmo que a gente
não concorde com os caminhos trilhados. Eles mataram? Certamente. Mas nunca
torturaram. Nem enterraram suas vítimas <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="em cemit←rios clandestinos. E">em cemitérios clandestinos.
E</st1:PersonName> se o tivessem feito, nada disso justificaria a tortura e o
assassinato executados pelo governo. Além disso,<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>seria mesmo inadmissível pegar em armas
contra um regime antidemocrático que esmagava o povo brasileiro? Que moral uma
ditadura tem para definir como deve ser combatida?</STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG><o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN> </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG>Repressão e Tortura<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Como é
que a ditadura conseguiu dizimar a guerrilha? A repressão foi
selvagem.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG>Imagine que você fosse um guerrilheiro naquela época. Documento
falso, revólver escondido na cintura, olhar assustado para qualquer pessoa da
rua. Distante da família, dos amigos, de qualquer conhecido. Clandestino.
Codinome, ou seja, nome inventado, nem os companheiros sabiam sua identidade. Se
fossem presos, não poderiam te revelar. Vocês se escondem num apartamento
discreto no subúrbio. E mudam de residência quase todo o mês. Esse esconderijo é
chamado de “aparelho”. Um dia, você tem um ponto, ou seja, um encontro marcado
com outro guerrilheiro. Ele não aparece. Provavelmente, caiu (foi preso). Em
algumas horas, debaixo de paulada, pode ser que ele abra. Os meganhas logo vão
chegar. É preciso desativar o aparelho rápido. De repente, chega a polícia.
Tiroteio. Mortes. Se você escapar com vida, vai direto para o porão. Agora sim,
você vai sentir na pele a face mais negra do regime. A tortura. Não houve
guerrilheiro preso que não fosse barbaramente torturado. Ficar pendurado no
pau-de-arara (um cavalete em que o sujeito fica preso pela barra que passa na
dobra do joelho, com pés e mãos amarrados juntos) é um dos piores suplícios.
Além disso, pontapés, queimaduras de cigarros, choques elétricos, alicates
arrancando os mamilos, banhos de ácido, testículos amassados com alicate, arame
em brasa introduzido pela uretra, dente arrancado a pontapés, olhos vazados com
socos. Mulheres estupradas na frente dos filhos, homens castrados. A lista de
atrocidades é infindável. Os torturadores são animais sádicos. Mas além da
maldade pura e simples, havia a necessidade estratégica: a tortura extraía
confissões em pouco tempo, dando oportunidade de prender outras pessoas, que
também seriam torturadas, revelando mais coisas e assim por diante.
Infelizmente, a tortura revelou-se bem eficaz. Houve muita gente, entretanto,
que nada falou. Veja bem, amigo leitor, bastava contar tudo que a tortura
acabaria. Essa era a diabólica proposta. Imagine-se no lugar do preso, apanhando
feito um cão, nu, sangrando, com a cabeça enfiada num balde cheio de fezes e
vômito dos outros. Algumas frases e você seria mandado para um hospital. No
entanto, muitos não falaram. Bravamente, recusaram-se a colaborar com a
repressão. Morto sob tortura tinha o caixão lacrado para ninguém ver o cadáver
arrebentado. O laudo oficial do IML, emitido por médicos venais comprometidos
com a ditadura dizia friamente que a morte tinha ocorrido “em tiroteio com a
polícia”.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Uma
geração que pagou um alto preço por seus sonhos: pagou com o próprio sangue. Por
isso, amigo leitor, se hoje eu posso escrever essas linhas, se hoje você pode
dizer o que pensa, saiba que entre os responsáveis por nossa liberdade estão
aqueles que deram sua vida para que um dia o país não estivesse mais sob o jugo
das botas da tirania.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Mas,
afinal, quem eram os torturadores? Onde as pessoas eram torturadas? Ao contrário
do que se possa pensar, a tortura não era feita em algum lugar escondido, uma
casa de subúrbio ou uma fazenda afastada de tudo. Não, infelizmente as pessoas
eram torturadas em lugares públicos, na frente de muitas testemunhas. Como Mário
Alves, dirigente do PCBR, torturado até a morte nas dependências do Primeiro
Batalhão de Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, Tijuca, Rio de
Janeiro. Reparou no local? Um quar<st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>
do Exército! Como também aconteceu em delegacias, <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="em bases da Marinha. Atrav←s">em bases da Marinha.
Através</st1:PersonName> da Operação Bandeirantes (OBAN), do DOI-CODI, dos
Serviços de Informação das Forças Armadas (CENIMAR, CISA, CIEX), do DOPS e do
SNI, o governo exterminou a guerrilha com
brutalidade.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Claro
que a maioria dos militares não teve nenhum envolvimento com a tortura. Muitos
sequer sabiam que ela estava acontecendo. Mas é inegável que os torturadores
ocupavam importantes posições no aparelho repressivo do Estado: eram policiais
civis, PMs, agentes da polícia federal, delegados, oficiais e sargentos da
Marinha, do Exército, da Aeronáutica, médicos que avaliavam a saúde da vítima e
autorizavam a continuação da tortura.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Muito
triste é saber que alguns desses monstros permanecem na polícia, nas Forças
Armadas e que foram anistiados pelo general Figueiredo em 1979. Neste país,
jamais um torturador sentou no banco dos
réus.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>A
ditadura não se manteve só com violência física. Ela soube se valer de uma
propaganda ideológica massacrante. Numa época em que todas as críticas ao
governo eram censuradas, os jornais, a tevê, os rádios e revistas transmitiam a
idéia de que <st1:PersonName w:st="on" ProductID="o Brasil">o
Brasil</st1:PersonName> tinha encontrado um caminho maravilhoso de
desenvolvimento e progresso. Reportagens sobre grandes obras do governo e o
crescimento econômico do país convenciam a população de que vivíamos numa época
incrível. Nas ruas, as pessoas cantavam: “Ninguém segura esse país.” Os
guerrilheiros eram apresentados como “terroristas”, “inimigos da pátria”,
“agentes subversivos”. Qualquer crítica era vista como “coisa de comunista”, de
“baderneiro”. Houve até quem chegasse ao cúmulo de acusar os comunistas de
responsáveis pela difusão das drogas e da pornografia! O futebol, como não
poderia deixar de ser, foi utilizado como arma de propaganda ideológica. Na
época, a esquerda se perguntava: “O futebol aliena os trabalhadores, é o ópio do
povo?” E houve até quem torcesse para que <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="o Brasil">o Brasil</st1:PersonName> perdesse a Copa: como se o
trabalhador brasileiro precisasse de uma derrota no jogo de futebol para
realmente se sentir oprimido! Ou seja, quem estava supervalorizando o futebol: o
povão ou a esquerda? De qualquer modo, meu amigo, aquela seleção brasileira de
1970 foi simplesmente o maior time de futebol que já existiu. Pelé, Tostão,
Jairzinho, Gérson, Rivelino, Clodoaldo, Carlos Alberto Torres, seus craques são
inesquecíveis. O tricampeonato conquistado na Copa do México encheu o país de
euforia. Nas casas (pela primeira vez a Copa foi transmitida ao vivo pela
<st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>evisão) e ruas o povo explodia de
alegria e cantava: “Todos juntos, vamos / Pra frente Brasil..” Os homens do
governo, claro, trataram logo de aparecer em centenas de fotos ao lado dos
craques. Queriam que o país tivesse a impressão de que só tínhamos ganho a Copa
graças à ditadura militar (embora as vitórias de 1958 e 1962 tivessem sido no
tempo da democracia, com JK e Jango). O prefeito de São <st1:PersonName
w:st="on">Paulo</st1:PersonName>, <st1:PersonName
w:st="on">Paulo</st1:PersonName> (que não era São) Maluf, resolveu dar para cada
jogador um automóvel zero quilômetro de presente. O presidente Médici, vestido
com a camisa rubronegra do Flamengo, era aplaudido de pé por parte da torcida no
Maracanã. Triste país, o general chutava a bola, os torturadores chutavam os
presos. Além do futebol, os brasileiros conheceram uma nova paixão, o
automobilismo. Até hoje, o mundo só teve um único piloto capaz de vencer na sua
estréia na Fórmula 1: o nosso Émerson Fittipaldi, campeão mundial em 1972 e
1974. Nas escolas vivia-se um clima de ufanismo (exaltação da pátria). Todo
mundo tinha de acreditar que <st1:PersonName w:st="on" ProductID="o Brasil">o
Brasil</st1:PersonName> estava se tornando um país maravilhoso. Nos vidros dos
carros, os adesivos diziam: “Brasil - Ame-o ou Deixe-o!” É como se os
perseguidos políticos foragidos tivessem se exilado por antipatriotismo. Um
pontapé na verdade. Claro que essa euforia toda no começo dos anos 70 não vinha
só das vitórias esportivas e da máquina de propaganda do governo. Em realidade,
o país vivia a excitação de um crescimento econômico espetacular. Era o tempo do
“milagre econômico”.</STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG><o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN> </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG>Governo General Emílio Garrastazu Médici (1969 –
1974)<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG><o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG></STRONG></FONT></SPAN> </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Costa
e Silva não teve muito tempo para se alegrar com os efeitos do AI-5. um derrame
o matou, em agosto de 1969. O povo não teve tempo de se alegrar; uma Junta
Militar, comandada pelo general Lyra Tavares, assumiu o governo até se nomear o
novo general-presidente. 0 vice de Costa e Silva, o civil Pedro Aleixo (ex-UDN),
não tinha apoiado totalmente o AI5 e por isso fora jogado para escanteio. No
mesmo ano, ocorreu a Emenda Constitucional nº 1, que alguns juristas consideram
quase como uma nova Constituição. Ela legalizou o arbítrio e os poderes
totalitários da ditadura. Todas aquelas medidas arbitrárias tipo AI-5 e 477
foram incorporadas à Constituição. Além disso, ela estabeleceu que o presidente
podia baixar medidas (decretos-leis) que valeriam imediatamente. 0 Congresso
disporia de 60 dias para examinar o decreto. O Congresso tinha 60 dias para
votar a aprovação. Se depois desse prazo não tivesse havido votação (o Congresso
poderia, por exemplo, estar fechado pelo AI-5, ou com número insuficiente de
membros comparecendo às sessões), ele seria automaticamente aprovado por decurso
de prazo.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Dias
depois, era indicado o novo chefe supremo do país. O novo presidente era o
general Emílio Garrastazu Médici. Seu governo teve dois pontos de destaque: o
extermínio<SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>da guerrilha e o
crescimento econômico espetacular (o “milagre”). Nenhuma época do regime militar
foi tão repressora e brutal, Nunca se torturou e assassinou tanto. Nos porões do
regime, as pessoas tinham suas vidas postas na marca do pênalti. E assim os
órgãos de re-pressão marcaram gols, liquidando guerrilheiros como Marighella
(4/11/69), Mário Alves (16/11/70) e Lamarca
(17/09/71).<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG> Na economia, o ministro Delfim Netto comandou o milagre
econômico. A produção crescia e se modernizava num ritmo espetacular. A
inflação, dentro dos padrões brasileiros, até que era moderada, lá na casa dos
vinte e tantos por cento. Construía-se com euforia. Obras, como a ponte
Rio-Niterói, a rodovia Transamazônica, a refinaria de Paulínia e a instalação da
tevê em cores (1972), pareciam mostrar que a prosperidade seria eterna. A classe
média comprava ações na Bolsa de <st1:PersonName
w:st="on">Val</st1:PersonName>ores e imaginava se tornar grande capitalista.
Para acelerar o crescimento, ampliaram-se as empresas estatais ou criaram-se
novas, principalmente na produção de aço, petróleo, eletricidade, estradas,
mineração e <st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>ecomunicações. Os
nomes delas você já ouviu falar: Petrobrás, Eletrobrás, Telebrás, Correios,
<st1:PersonName w:st="on">Val</st1:PersonName>e do Rio Doce, Companhia
Siderúrgica Nacional, Usiminas e tantos outros. Crescimento e modernização que
não beneficiavam as classes trabalhadoras. Pelo contrário, quanto mais o país
crescia, tanto mais piorava a vida do povo. Em 1969, por exemplo, o salário
mínimo só valia 42% do que representava em 1959, Em 1974, isso desceu para 36%.
Os ricos foram ficando cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres, A
ditadura foi uma espécie de Robin Hood às avessas. Essa distribuição de renda ao
contrário era facilitada pelo fato de que não havia nenhuma greve, nem sindicato
independente, nem a oposição no Congresso tinha margem de manobra. Era uma
ditadura que fazia uma coisa incrível: o país crescia como poucos no mundo e
quanto mais riquezas eram produzidas, mais difícil ficava a vida dos
trabalhadores.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>E a
Rede Globo, principal aliada da Ditadura, sempre lembrando ao povo miserável que
"está tudo bem"...<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Até
nos países mais pobres da África, a mortalidade infantil diminuía. Nas grandes
cidades brasileiras ela crescia, Quanto mais a renda per capita do Brasil
aumentava, mais as crianças pobres morriam porque comiam pouco, não eram
vacinadas, não tinham médico, De repente, houve uma epidemia de meningite,
Doença que pode matar, É preciso que os pais estejam alerta. O que fez a
ditadura? Proibiu que os jornais divulgassem qualquer notícia a respeito. O povo
tinha de ser enganado pela imagem de que no Brasil a saúde pública estava sob
controle, o que veio em seguida era previsível: os pais, sem saber do surto da
doença, não davam muita importância para aquela febrezinha do filho, Achavam que
era só uma gripe, Não levavam para o posto de saúde, Até que a criança morria, A
meningite mataria milhares de meninos e meninas no Brasil, numa das mais
terríveis epidemias do século, Só esse caso já mostra o quanto a ditadura era
absurda, não é mesmo?<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>O
ministro Delfim Netto dizia que era para o povo ter paciência: “temos de esperar
o bolo crescer para depois distribuir os pedaços”. E até hoje o povão está
esperando sua fatia. Pois é, na cara-de-pau, o general-presidente Médici dizia:
“A economia vai bem, só o povo é que vai mal.” Viu? Uma coisinha à toa é que ia
mal, um trocinho assim, sem importância, uma poeirinha desprezível chamada
povo... Grande parte da classe média até que gostava daquilo tudo. Afinal, a
ditadura, além de modernizar a indústria de base, estimulou a de bens de consumo
duráveis. Maravilha das maravilhas: a família de classe média se realizava
existencialmente comprando tevê em cores (desde 1972), aparelhagens de som,
automóveis, eletrodomésticos. E até a classe operária foi arrastada nesse
processo de crença na ascensão social baseada na aquisição do radinho de pilha
ou do tênis maneiro,<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>A
megalomania planejava as obras estatais, Assim como os cabelos eram compridos e
as barras das calças eram “boca-de-sino”, as obras eram gigantescas, o governo
fazia estádios de futebol em tudo quanto era canto, mas as escolas caíam aos
pedaços, A rodovia Transamazônica, importante para iniciar a colonização da
Amazônia, não incluiu nenhum projeto de proteção ao meio-ambiente, aos índios,
aos camponeses e aos garimpeiros. A ponte Rio-Niterói (1974) foi realmente funda
mental para ligar a economia do Nordeste do país ao Sudeste industrial (RJ e
SP), mas ela custou uma fortuna. Certamente teria sido mais barata se as contas
tivessem sido controladas democraticamente. Muita empresa construtora se deu bem
fazendo essa obra encomendada pelo governo, Aliás, em quase todas essas obras
faraônicas (ou seja, enormes, caras e quase inúteis, tal como as antigas
pirâmides dos faraós do Egito) houve esquemas para homens do governo e firmas de
engenharia civil ganharem uma boa grana por fora. Velha história: sem democracia
a roubalheira rola solta porque não há imprensa livre, Congresso
independente.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Um
tratamento especial foi dado às empresas multinacionais (estrangeiras). Elas
tiveram mais favores do governo do que as empresas nacionais! O que não é de se
espantar, pois grande parte dos homens do poder eram profundamente ligados aos
grupos estrangeiros e não hesitaram em usar sua influência. <st1:PersonName
w:st="on">Ana</st1:PersonName>listas como Ricardo Bueno e Moniz Bandeira
chegaram a considerar os ministros Delfim Netto, Mário Henrique Simonsen (que o
presidente Collor queria para seu ministro), Golbery do Couto e Silva, Roberto
Campos e outros como “notórios entreguistas”, ou seja, responsáveis conscientes
pelo favorecimento escancarado do governo aos monopólios estrangeiros, É claro
que hoje em dia não se pode ter mais aquela visão de ódio total às
multinacionais. Afinal, com a internacionalização da economia, ou seja, a
ligação econômica direta entre quase todos os países e continentes, elas se
tornaram peças fundamentais da economia mundial. Inclusive, porque parecem
realmente ser úteis parceiras em alguns setores, já que nenhum país pode ter
sozinho tecnologia e capital para produzir tudo. Todavia, é sensato esclarecer
alguns pontos: por que elas são as responsáveis por grande parte da dívida
externa brasileira? Será benéfico o governo pedir dinheiro emprestado aos
banqueiros internacionais para fazer obras gigantescas a favor das
multinacionais? Ou simplesmente para financiá-las? Será correto que elas mandem
para fora lucros de bilhões de dólares, em vez de aqui reinvestir? Será
interessante o seu poder de levar à falência as empresas nacionais, através de
uma concorrência desleal? Será que elas realmente nos transferem tecnologia ou
só mandam pacotes prontos feitos nos seus laboratórios? Será que elas não mandam
dinheiro escondido "por debaixo do pano"? Será que não interferem na nossa vida
interna, combatendo governos que não lhes interessam, mesmo se estes forem a
favor do povo? Será saudável que produzam aqui remédios e produtos químicos
proibidos em seus países de origem? Por que será que um operário da Volkswagen
ou da Ford no Brasil faz o mesmo serviço, nos mesmos ritmos e níveis de
tecnologia, que operários dessas empresas na Alemanha ou nos EUA e, no entanto,
ganha tão menos? Tantas perguntas...<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Bem,
aí estava o “milagre econômico”: modernização, crescimento acelerado, inflação
moderada, facilidades para o investimento estrangeiro, e também ricos mais ricos
e pobres mais pobres e aumento da dívida externa. Você reparou que era um
esquema parecido com o que já havia no tempo de Juscelino Kubitschek? O
desenvolvimento espetacular das <st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>ecomunicações e da indústria de bens de consumo
duráveis (automóveis, eletrodomésticos, prédios de luxo e mansões financiados
pelo BNH) eram voltados principalmente para a classe média e superior. Milhões
de brasileiros estavam meia por fora desse mercado. Claro, portanto, que essa
festa não iria durar muito. 0 modelo se esgotava e a crise chegava mais rápido
do que o Émerson Fittipaldi.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG>Governo do General Ernesto Geisel ( 1974 – 1979
)<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>O novo
general-presidente, Ernesto Geisel, assumiu o governo num momento difícil da
economia do Brasil e do mundo, Para alimentar o crescimento, ele pediu
emprestado aos banqueiros estrangeiros e tratou de emitir papel-moeda. A
inflação começou a aumentar e a engolir salários. Era o fim do “milagre
econômico”. Agora, a insatisfação crescia. Isso ficava claro com o aumento de
votos do MDB. Geisel percebeu que a ditadura estava chegando ao fim de sua vida
útil. O jeito era acabar com o regime mas manter as coisas sob controle. Com
ele, começaria a “distensão lenta e
gradual”.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>O ano
de 1973 assinalou o inicio de um choque na economia capitalista mundial.
Parecida com a de 1929, mas com efeitos bem menores para os países capitalistas
desenvolvidos, que empurraram a crise para cima do Terceiro Mundo. De certa
forma, os apertos econômicos dos países subdesenvolvidos, nos anos 90, foram
continuação do processo de 1973. Tentaram botar a culpa nos árabes, porque eles
aumentaram os preços do petróleo: Conversa fiada. O aumento foi apenas a
recuperação de preços, que vinham caindo muito, desde os anos 50. Para você ter
uma idéia, antes do aumento imposto pela OPEP (Organização dos Países
Exportadores de Petróleo) em 1973, o preço do barril de petróleo no mercado
mundial era inferior ao do barril de água mineral! Claro que o aumento dos
preços pegou todo mundo de surpresa, aumentou os custos, cortou os lucros,
provocando inflação e desemprego. A crise do petróleo reforçou a crise geral do
capitalismo em 1973. Mas com certeza a crise não foi só energética. Afinal,
países exportadores de petróleo também entraram <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="em crise! O">em crise! O</st1:PersonName> que aconteceu foi uma crise
clássica de superprodução de mercadorias, tal como ocorrera em 1929. Depois da
Segunda Guerra, os EUA representavam metade da produção econômica mundial. Mas
nos anos seguintes a Europa Ocidental recuperou plenamente sua economia. Surgiu
também um grande competidor, o Japão. De repente, o mercado mundial ficou
apertado, não havia como continuar investindo capital nos mesmos ritmos. As
mercadorias começaram a ficar encalhadas e logo vieram as falências, a inflação,
a recessão. Aqui no Brasil, o governo botava a culpa nos outros. Dizia que a
crise era mundial. Certo. Mas por que aqui ela era tão devastadora? Porque a
política econômica da ditadura nos tornava indefesos. O petróleo não
representava nem 25% das nossas importações em 1975. Além disso, não só aumentou
nossa produção interna, como seus preços internacionais cairiam nos anos 80. No
entanto, a crise foi aumentando, ano após ano. Uma coisa tão braba que o nosso
jovem leitor com certeza viveu a maior parte de sua vida sob o signo da crise
econômica brasileira.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>O que
acontece é que o modelo econômico da ditadura era baseado no pequeno mercado
interno, representado pelos ricos e pela classe média. O país estava se
transformando na Belíndia, uma mistura da Bélgica com a Índia: uma quantidade
razoável de pessoas (classe média e superior) com padrão de consumo de país
desenvolvido, vivendo numa área com grandes centros industriais e financeiros,
ou seja, a parte do Brasil parecida com a Bélgica, e a gigantesca maioria
(classe média baixa e classes inferiores)
com<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>padrão
de vida muito baixo, milhões vivendo tão miseravelmente como na Índia. Tinha-se
alcançado um estágio em que não dava para aumentar a produção, por falta de
consumidores aqui dentro. A Bélgica da Belíndia era pequena e a Índia da
Belíndia era cada vez maior. Como produzir mais automóveis se a maioria dos
brasileiros não tinha dinheiro para comprá-los? Ficava claro que só havia um
jeito de ampliar o mercado consumidor: distribuindo renda. Para isso, seria
preciso tocar em privilégios, mexer <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="em interesses poderosos. Ent ̄o">em interesses poderosos.
Então</st1:PersonName>, o regime militar não faria nada
disso.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>O
governo preferiu outro caminho. Para a economia não entrar em recessão, isto é,
para a economia não regredir, o Estado começou a tomar empréstimos externos para
financiar a produção. Supunham que a economia cresceria, que as exportaÇões se
tornariam espetaculares e que tudo isso daria condições de pagar a dívida
externa. Só que os banqueiros internacionais não são trouxas. Emprestaram
dinheiro porque sabiam que <st1:PersonName w:st="on" ProductID="o Brasil">o
Brasil</st1:PersonName> teria de devolver muito mais em forma de juros. Se fizer
mos as contas direitinho no papel, vamos concluir que nos anos 70 e 80,
<st1:PersonName w:st="on" ProductID="o Brasil">o Brasil</st1:PersonName> pagou,
só de juros, muito mais do que pediu emprestado! Ou seja, já pagamos tudo,
continuamos pagando e ficamos devendo mais ainda! A dívida externa funciona como
uma bomba de sucção que chupa os recursos da economia do Brasil. Aliás, o
problema da dívida externa é comum <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="em todo o Terceiro Mundo.">em todo o Terceiro Mundo.</st1:PersonName>
Segundo os dados insuspeitos do Banco Mundial, na década de 80 foram drenados
bilhões de dólares do Terceiro Mundo para o Primeiro. Ou seja, a parte pobre,
esfarrapada e faminta do planeta é que mandou dinheiro para a parte milionária!
Nos anos 90, é óbvio, esse esquema continua. O mais triste é quando a gente
constata que grande parte da dívida externa brasileira foi contraída financiando
a vinda de multinacionais, construindo obras gigantescas só para favorecer
empresas estrangeiras (estradas, hidrelétricas), sem falar construções que o
governo nunca terminou, deixando as máquinas e o material serem destruídos pelo
tempo. Pois é, apertado, o governo precisava de mais dinheiro ainda. Para ele, é
fácil. É só fabricar, emitir papel-moeda. Aí, vem a inflação. Para evitar a
inundação de dinheiro, o governo criou mercados abertos (opens markets),
vendendo títulos, ou seja, papéis expedidos com a garantia do governo, que mais
tarde poderiam ser resgatados (o proprietário devolveria para o governo em troca
de dinheiro) por um valor superior. A idéia era "enxugar" o mercado, mas a
medida deu a maior força para tudo quanto é tipo de especulação financeira, quer
dizer, os empresários manobravam para negociar esses títulos com altos lucros.
Eis aí um dos grandes problemas da economia brasileira a partir dali: a
especulação financeira. Ela é um ganho artificial, já que não envolve nenhum
investimento produtivo. No fundo, está transferindo riqueza da sociedade para o
bolso de alguns espertinhos. A crise se manifestava com a queda da proporção dos
lucros. Os empresários não tinham conversa: buscaram lucrar na marra, botando os
preços lá em cima. Ora, é impossível que os empresários, como um todo, possam
lucrar na base do simples aumento de preços. Quando alguém aumenta os preços, o
outro aumenta também para compensar. Os trabalhadores querem salário maior só
para compensar a perda com os aumentos gerais de preços. Os empresários aumentam
os salários e, em seguida, sobem mais ainda os preços para reparar as perdas com
a alfa de preços e salários. Vira um círculo vicioso. Resultado: o dinheiro vai
perdendo o valor. Espiral inflacionária. E o pior é que geralmente os preços
crescem mais rápido do que os salários. Portanto, quem mais perde com a inflação
são os trabalhadores. Pois a inflação veio a jato, mas os salários andam a passo
de cágado.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>O
general Ernesto Geisel era irmão do arquipoderoso general Orlando Geisel.
Família unida é ditadura unida. Sua presidência ocorreu dentro desse panorama de
crise econômica. Mesmo assim; Geisel se deu ao luxo de ter um ministro do
Trabalho, Arnaldo Prieto, cuja mansão em Brasília, segundo o Jornal do Brasil,
consumia, mensalmente, <st1:metricconverter w:st="on" ProductID="954 kg">954
kg</st1:metricconverter> de carne e <st1:metricconverter w:st="on"
ProductID="432 kg">432 kg</st1:metricconverter> de manteiga, Que coisa: uma
tonelada de bifes por mês, como devia ser gordo o ministro do Trabalho! Bem, com
certeza os salários dos trabalhadores não eram tão
gordos.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>No
meio da crise de energia, <st1:PersonName w:st="on" ProductID="o Brasil">o
Brasil</st1:PersonName> teve a sorte de descobrir petróleo na bacia de Campos
(RJ), em frente à cidade de Macaé. A Petrobrás pôde aumentar sua produção
espetacularmente. Mas Geisel tinha também outros planos para resolver o problema
energético: como não havia dinheiro no Brasil, a solução foi gastar mais
dinheiro ainda. O acordo nuclear Brasil-Alemanha custou uma fortuna de bilhões
de dólares. Para fazer usinas perigosíssimas num país onde 80% do potencial
hidrelétrico ainda não foi aproveitado. Incrível, não? A usina de Angra dos Reis
(RJ) fica exatamente entre os dois maiores centros industriais do país: São
<st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName> e Rio de Janeiro. Imagine se
houvesse um acidente nuclear!<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Na
verdade, a velha Doutrina de Segurança Nacional continuava ativa. Geisel montou
um acordo nuclear com a Alemanha porque acreditava que <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="o Brasil">o Brasil</st1:PersonName> precisava aprender a dominar a
tecnologia capaz de produzir, num futuro próximo, a bomba atômica. Na mesma
época, a Argentina, que vivia uma ditadura militar desde 1976, também sonhava
com cogumelos nucleares. Guerra: coisa de gente que andou tomando uns cogumelos
não exatamente nucleares, não é verdade?<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>No
mesmo ano (1975), teve início o Projeto Pró-álcool. A idéia era substituir a
gasolina pelo álcool combustível. Os usineiros <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="se alegraram. As">se alegraram. As</st1:PersonName> plantações de
cana-de-açúcar foram ocupando tudo quanto é lugar, expulsando os camponeses
moradores, acabando com as plantações de alimentos (tornando a comida mais cara)
e despejando o poluente vinhoto nos rios. Nos anos 80, com a queda do preço
mundial de petróleo, <st1:PersonName w:st="on" ProductID="o Brasil">o
Brasil</st1:PersonName> ficou com uma enorme frota de carros movidos a um
combustível caríssimo. Já em 1990, querendo melhores preços, os usineiros
'`sumiriam" com o álcool. Na verdade, o álcool se revelou um combustível muito
mais caro do que a gasolina (no posto, o álcool é mais barato porque é
subsidiado, ou seja, o governo paga uma parte da conta. Mas onde arruma dinheiro
para fazer essa caridade? Cobrando mais alto pela gasolina. Trocando em miúdos:
quem tem carro a gasolina está ajudando a encher o tanque de quem tem carro a
álcool). <st1:PersonName w:st="on" ProductID="O que se">O que
se</st1:PersonName> viu nesses anos todos foi o governo emprestando milhões de
dólares aos usineiros do Nordeste, do Rio de Janeiro e de São <st1:PersonName
w:st="on">Paulo</st1:PersonName> e depois perdoando as dívidas porque não
suporta mais a choradeira dos produtores de álcool e açúcar. Enquanto isso, os
cortadores de cana continuam passando
fome.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Ora,
por que não estimularam o transporte ferroviário e o fluvial, bem mais baratos,
podendo, em alguns casos, usar energia elétrica? Não foi incompetência. Na
verdade, desde Juscelino que uma das espinhas dorsais de nossa indústria é
fabricação de automóveis e caminhões. As pressões das multinacionais desse setor
forçaram o governo a abandonar outras opões de transporte. As estradas de ferro,
tão importantes nos países desenvolvidos, foram relegadas a segundo plano pelo
governo e as estatais deste setor tiveram seus recursos
cortados.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>O II
PND (Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento) - o I PND foi no governo Médici,
sob a batuta do ministro Delfim Netto -, comandado pelo ministro da Fazenda,
Mário Henrique Simonsen, e pelo do Planejamento, Reis Velloso, tinha como
objetivo começar a substituir as importações de bens de capital (indústria de
base). Para isso, o BNDE concedeu créditos generosos a empresas privadas do
setor, mas principalmente as empresas estatais tiveram grande crescimento,
especialmente a Eletrobrás (que comprou a multinacional Light and Power e levou
adiante a construção da maior usina hidrelétrica do mundo, Itaipu, na fronteira
com o Paraguai), a Embra<st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>
(<st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>efones, satélites de
comunicações, <st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>evisão etc.), a
Petrobrás e as estatais de aço. Tudo isso alimentado por uma dívida externa que
aumentava sem parar. Em breve, os banqueiros viriam cobrar a dívida e os juros.
Aí, a economia sentiria a fona de sucção dos interesses
internacionais.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG>“Distensão ‘lenta, gradual e segura’ rumo à
democracia”<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Os
resultados dos problemas econômicos foi que nas eleições para deputado federal e
estadual e para o Senado, em 1974 e 1978, o MDB teve ótima votação. Um aviso
claro para o pessoal da ditadura se mancar. O povo estava dizendo não ao
regime.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>No
Alto Comando Militar, as divisões políticas se acentuaram. Uns achavam que a
ditadura deveria ir afrouxando, acabando de modo lento e controlado. Talvez,
para os ditadores saírem discretamente pelos fundos, sem ninguém correr atrás
deles. Esses generais moderados e favoráveis ao gradual retorno à normalidade
democrática eram chamados de cas<st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>istas, porque se sentiam continuadores de
Cas<st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName>lo Branco. Era o caso do
próprio Geisel e do presidente seguinte, Figueiredo. Outros militares defendiam
a “linha dura” - alguns desses eram civis -, e queriam apertar mais ainda. Costa
e Silva e Médici, por exemplo, tinham sido de linha dura. Começou então um
combate nos bastidores, entre os militares cas<st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>istas e os linha dura. E os linha dura bem que
pegaram pesado.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Em
outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog, diretor de <st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>ejornalismo da TV Cultura de São <st1:PersonName
w:st="on">Paulo</st1:PersonName>, foi chamado para um interrogatório num
quar<st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName> do Exército, sede do
DOI-CODI. Lá ficou, preso e incomunicável. Dias depois, a família recebeu a
notícia de que ele havia “se suicidado”. Com um detalhe: teria de ser enterrado
em um caixão lacrado, para que ninguém pudesse ver o estado do cadáver. Suicídio
mesmo ou o corpo estava arrebentado pela tortura? No ano seguinte, o operário
Manoel Fiel Filho sofreu o mesmo destino. A farsa era evidente: é óbvio que
ambos tinham sido mortos por espancamento. <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="Em homenagem a Herzog">Em homenagem a Herzog</st1:PersonName>, o
cardeal de São <st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName>, D.
<st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName> Evaristo Arns, junto ao pastor
James Wright e ao rabino Henri Sobel, dirigiu um culto religioso ecumênico
(reunindo as religiões) em frente à catedral da Sé. Havia milhares de pessoas
nesta que foi a primeira manifestação de massa desde 1968. Mostra clara de que a
sociedade civil estava voltando para as ruas para protestar contra o arbítrio.
<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG>Indiretamente, Geisel reconheceu o crime. Não prendeu ninguém,
mas exonerou o comandante do II Exército, responsável pelos acontecimentos.
Deixava claro que não admitiria os atos violentos da linha dura. Em 1978, o
Poder Judiciário daria ganho de causa à família de Herzog, botando a culpa na
União. Sinal dos tempos. Claro que a esquerda não podia dar bobeira. A ditadura
ainda existia. Um trágico exemplo disso foi o massacre da Lapa, quando agentes
do Exército invadiram uma casa nesse bairro da capital paulista, em 1976, onde
se realizava uma reunião secreta de dirigentes do PC do B. As pessoas nem
puderam esboçar reação: foram exterminadas ali mesmo, covardemente. Apesar
disso, Geisel apostava na distensão lenta e gradual. Para isso, teve de usar a
habilidade para derrubar seus opositores de linha dura. A balança pendeu para o
seu lado quando ele, num gesto fulminante, exonerou o general Sílvio Frota
(1977), ministro do Exército, tido como de extrema direita e ligado à
tortura.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>A
partir daí, a dureza do regime começou a diminuir bem devagar. Alguns militares
eram favoráveis à distensão política porque realmente estavam imbuídos de
convicções democráticas. Outros, não tão liberais, avaliavam que as Forças
Armadas estavam começando a se desgastar ao se manter num governo que enfrentava
uma crise econômica violenta. Geisel, portanto, tinha um plano claro: distensão
lenta e gradual. Ou seja, abrir o regime bem devagarzinho e sem perder o comando
sobre ele. Dentro deste espírito de distensão controlada, Geisel buscou evitar
as vitórias eleitorais do MDB. Para isso, mudou as regras das eleições. Seu
ministro da Justiça, Armando Falcão, famoso pela in<st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>igente proibição da transmissão, pela tevê, do
balé Bolshoi de Moscou (bailarinos são presa fácil do comunismo?), inventou a
tal Lei Falcão (1976), que dizia que a propaganda política na tevê só podia
exibir uma foto 3X4 do candidato e seu currículo, lido por um locutor. Nada de
um candidato do MDB aparecer na <st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName>inha ou no rádio para criticar o governo e fazer
propostas novas.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>O
natal de 1977 foi antecipado: Geisel fechou o Congresso e deu um presentinho
para os brasileiros, o Pacotão de Abril. Lindas surpresas. Para começar, a cada
eleição a Arena perdia mais deputados para o MDB. Em breve, o partido do governo
não teria os 2/3 do Congresso necessários para mudar alguma coisa da
Constituição. Então, o Pacotão determinava que a Constituição agora poderia ser
modificada com apenas 50% dos votos dos congressistas mais um. Assim, a Arena
(ainda maioria) garantia seu poder constitucional. No senado, o MDB também
ameaçava. Resultado: o Pacotão determinou que um terço dos senadores passariam a
ser biônicos, ou seja, escolhidos indiretamente pelas Assembléias Legislativas
de cada Estado. Em outras palavras, a Arena já tinha garantido quase 1/3 do
senado, os outros 2/3 seriam disputados com o MDB nas eleições normais, o
Pacotão também alterou o quociente eleitoral, de modo que os estados do
Nordeste, onde a população rural ainda era dominada pelos currais eleitorais, e
portanto votava com a Arena, tivessem assegurado o direito de eleger um número
maior de deputados para o Congresso. No sertão nordestino, chuva mesmo, só de
deputados da Arena. O Pacotão fazia das eleições um jogo de futebol em que o
dono da bola joga de um lado e, ao mesmo tempo, é
juiz.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Em
1978 foi decretado o fim do AI-5, o que mostrava alguma boa vontade de Geisel
com a distensão política, Mas antes de ele acabar com o ato arbitrário, usou o
AI-5 para cassar diversos opositores. Mais ou menos como o pistoleiro que mata
todo mundo e que, depois de acabarem as balas, resolve se arrepender do que fez.
A garantia disso. tudo era a Lei de Segurança Nacional (LSN) que continuava
sendo mantida.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>Em
política exterior, <st1:PersonName w:st="on" ProductID="o Brasil">o
Brasil</st1:PersonName> baseou-se no chamado pragmatismo responsável:
restabeleceu relações com países comunistas como a China, porque isso trazia
vantagem comercial e diplomática. Em 1975, na África, Angola, Moçambique,
Guiné-Bissau e Cabo Verde deixaram de ser colônias de Portugal. No poder,
partidos de orientação marxista, apoiados por Cuba e URSS. Acontecia que o
governo militar ainda seguia a visão da Doutrina de Segurança Nacional que
sonhava <st1:PersonName w:st="on" ProductID="em transformar o Brasil">em
transformar o Brasil</st1:PersonName> na grande potência que dominaria a América
do Sul e o Sul da África. Por isso, <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="o Brasil">o Brasil</st1:PersonName> não teve conversa e apoiou os
governos de esquerda <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="em Angola e Mo￧ambique">em Angola e Moçambique</st1:PersonName>,
inclusive contrariando a vontade do governo racista da África do Sul e dos EUA.
Na verdade, os EUA, do presidente Carter, andaram pressionando o governo militar
brasileiro por causa da violação de direitos humanos (incluindo tortura e
execução de presos políticos). Coisa de americanos: apoiaram o golpe de 64,
depois mudaram de governo e passaram a criticar. Diante disso, e de olho no
acordo nuclear Brasil – Alemanha, Geisel acabou rompendo um acordo militar
Brasil-EUA. Isso mostra uma coisa muito importante: apesar de o regime militar
brasileiro ter sido apoiado pelos EUA, tinha os olhos voltados para outros
imperialismos, como o alemão, inglês, etc.</STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>No
final do seu governo, Geisel passou o bastão para o general Figueiredo. A crise
continuava e as pressões populares pelas mudanças,
também.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG>Bibliografia:<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG>História do Brasil – Luiz Koshiba – Ed.
Atual<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG>História Crítica do Brasil – Mário Schmidt – Ed. Novos
Tempos<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG>História do Brasil – Boris Fausto – Ed.
Difel<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT
size=3><STRONG> <o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: 'Arial Narrow'"><FONT size=3><STRONG>©
Copyleft LCC Publicações Eletrônicas - Todo o conteúdo desta página pode ser
distribuído exclusivamente para fins não comerciais desde que<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>mantida a citação do Autor e<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>da
fonte.<o:p></o:p></STRONG></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 8pt"><o:p><FONT
size=3><STRONG> </STRONG></FONT></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><STRONG> </STRONG></o:p></P></DIV></BODY></HTML>