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<BODY bgColor=#ffffff>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT>&nbsp;</DIV>
<DIV><FONT face=Forte color=#ff0000 size=6>Carta O Berro<FONT 
size=3>.........................................................................repassem.</FONT></FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Forte color=#008000>(Clique nos textos em azul para saber 
mais)</FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Forte color=#008000></FONT>&nbsp;</DIV>
<DIV>&nbsp;</DIV>
<DIV><FONT size=6><STRONG>Um retrato de Gilmar Mendes</STRONG></FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Forte color=#008000></FONT>&nbsp;</DIV>
<DIV><BR><IMG alt="" hspace=0 src="cid:024501c9a36c$38fd7560$0200a8c0@vcaixe" 
align=baseline border=0></DIV>
<DIV>&nbsp;</DIV>
<DIV>A foto bem-apessoada acima (<EM>ver no blog</EM>) está na <A 
href="http://www.stf.gov.br/portal/ministro/listarPresidente.asp">galeria de 
presidentes do site do Supremo Tribunal Federal</A>. Trata-se do ministro Gilmar 
Ferreira Mendes, 52, mato-grossense de Diamantino que já passou por vários 
cargos importantes até galgar ao escalão máximo dos juristas – e conceder dois 
habeas corpus em menos de uma semana ao banqueiro Daniel Dantas. <BR><BR>É o 
retrato dele que vou traçar agora. Nem sempre bem-apessoado, como veremos. 
<BR><BR><STRONG>Impeachment</STRONG> <BR><BR>Na sexta-feira passada, 
sindicalistas da CUT protocolaram <A 
href="http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/07/18/materia.2008-07-18.6936865379/view">pedido 
de impeachment</A> de Gilmar Mendes no Senado. <BR><BR>Antes disso, um <A 
href="http://www.petitiononline.com/w267x65/petition-sign.html">abaixo-assinado 
virtual</A>, escrito por alguém que se identifica como <A 
href="http://congressoemfoco.ig.com.br/Ultimas.aspx?id=23262">Luiz Augusto 
Barroso</A>, exige a mesma coisa: <BR><BR>"Nós, cidadãos brasileiros, 
estarrecidos pelos acontecimentos da última semana, quando vários criminosos, 
entre eles DANIEL DANTAS, foram liberados graças à intervenção do Ministro 
GILMAR MENDES, do Supremo Tribunal Federal, exigimos a saída do Ministro GILMAR 
MENDES DO STF". <BR><BR>Ainda antes, 42 procuradores da República, mais de 100 
juízes federais e a associação de delegados da Polícia Federal protestaram 
contra decisões de Gilmar Mendes durante a Operação Satiagraha. <BR><BR><A 
href="http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2008/07/11/ult5772u308.jhtm">Disseram 
os primeiros</A>: <BR><BR>"As instituições democráticas brasileiras foram 
frontalmente atingidas pela decisão liminar que, em tempo recorde, sob o pífio 
argumento de falta de fundamentação, desconsiderou todo um trabalho 
criteriosamente tratado nas 175 (cento e setenta e cinco) páginas do decreto de 
prisão provisória proferido por juiz federal da 1ª instância, no Estado de São 
Paulo. <BR><BR>As instituições democráticas foram frontalmente atingidas pela 
falsa aparência de normalidade dada ao fato de que decisões proferidas por 
juízos de 1ª instância possam ser diretamente desconstituídas pelo Presidente do 
Supremo Tribunal Federal, suprimindo-se a participação do Tribunal Regional 
Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Definitivamente não há normalidade na 
flagrante supressão de instâncias <BR>do Judiciário brasileiro, sendo, nesse 
sentido, inédita a absurda decisão proferida pelo Presidente do Supremo Tribunal 
Federal.(...<WBR>)" <BR><BR><A 
href="http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2008/07/11/ult5772u310.jhtm">Disseram 
os segundos</A>: <BR><BR>"Nós, juízes federais da Terceira Região abaixo 
assinados, vimos mostrar, por meio deste manifesto, indignação com a atitude de 
Sua Excelência o Ministro Gilmar Mendes, Presidente do Supremo Tribunal Federal, 
que determinou o encaminhamento de cópias da decisão do juiz federal Fausto De 
Sanctis, atacada no Habeas Corpus n. 95.009/SP, para o Conselho Nacional de 
Justiça, ao Conselho da Justiça Federal e à Corregedoria Geral da Justiça 
Federal da Terceira Região.(...)" <BR><BR><A 
href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u421679.shtml">Disseram os 
últimos</A>: <BR><BR>"A Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) 
manifesta sua indignação quanto à nova decisão do ministro Gilmar Mendes que 
determinou a soltura do Senhor Daniel Valente Dantas, em desacordo com a 
jurisprudência dominante, que autoriza a prisão preventiva no caso de prejuízo à 
instrução criminal, e com supressão de instâncias do Poder Judiciário. 
<BR><BR>Referida decisão desprezou o esforço desenvolvido pela Polícia Federal, 
Ministério Público Federal e Justiça Federal, bem como a criteriosa análise da 
legalidade e adequação realizadas pelo Juízo de primeira instância, quando da 
determinação da prisão preventiva do Senhor Daniel Valente Dantas. <BR><BR>(...) 
É inadmissível que à Polícia Federal, responsável por trabalhos conjuntos com o 
Ministério Público e o Poder Judiciário, norteados para a desejada e tempestiva 
mudança de um sistema historicamente focado à prisão de criminosos 
desassistidos, seja atribuída a pecha de ‘canalhas’ e ‘gângsters’. <BR><BR>A 
contrário senso, investigados pelo desvio de bilhões de reais dos cofres 
públicos, inclusive com a tentativa de suborno de Delegado de Polícia Federal, 
são tratados com beneplácito." <BR><BR><STRONG>Polêmicas</STRONG> 
<BR><BR>"Canalha" e "gângster" são só dois dos adjetivos polêmicos usados por 
Gilmar Mendes ao longo de sua vida de jurista. No ano passado, rebatendo a 
divulgação pela PF de dados relacionados à Operação Navalha, Mendes acusou a 
corporação policial de empregar métodos "fascistas" e de cometer "canalhice" 
(semelhança com o caso recente não é mera coincidência)<WBR>. Já disse, durante 
discussão com o também ministro do Supremo Joaquim Barbosa que ele não podia 
"dar lição de moral", porque "não tem condições". Que os procuradores oferecem 
"denúncias ineptas" e os magistrados têm "covardia institucional" ao recebê-las. 
<BR><BR>Em <A 
href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0212200102.htm">reportagem</A> 
intitulada "Polêmico, Mendes acumula atritos com Poder Judiciário", publicada em 
dezembro de 2001, o repórter da Folha de S.Paulo Wladimir Gramacho assim 
escreveu sobre o então advogado-geral da União: "Ao defender os interesses do 
governo, o "juridiquês" de Mendes incorporou termos como "manicômio judiciário", 
na luta pelo fim da greve nas universidades, "autismo dos juízes", na 
privatização do Banespa, e "censura prévia", quando sugeriu que os ministros do 
Supremo Tribunal Federal não falassem mais em off." Na mesma reportagem, ele é 
descrito por Osíris Lopes Filho, ex-secretário da Receita Federal, como "cão da 
ditadura". <BR><BR>Se ele foi cão da ditadura, é difícil saber por quê. Naquela 
época ele ainda não havia entrado no mundo da política, tendo ficado estudando 
Direito (<A 
href="http://www.stf.gov.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/CurriculoGM.pdf">bacharelado, 
dois mestrados e um doutorado</A>) entre 1973 e 1990, no Brasil e na Alemanha. 
Depois disso, tornou-se professor de Direito Constitucional da UnB. <BR><BR>Ou 
melhor, um pouco antes, entre 1985 e 1988, atuou como procurador da República. 
Anos mais tarde, <A 
href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0212200102.htm">incitaria o ódio 
dos colegas procuradores</A> por ter apoiado a redução do poder de investigação 
do Ministério Público. Isso, quando era ainda assessor técnico do Ministério da 
Justiça na gestão de Nelson Jobim, entre 1995 e 1996. <BR><BR>Foi ele que 
redigiu o projeto de lei que pedia a redução das férias dos procuradores de dois 
meses a um mês por ano e – ulalá! – queria que os procuradores do Executivo não 
fossem impedidos de obter promoções. Na época, essa mudança beneficiaria apenas 
a ele e a outros dois procuradores que o assessoravam. Mas voltaremos a supostos 
desvios éticos em poucos parágrafos. <BR><BR><STRONG>Juristucano</STRONG> 
<BR><BR>Antes de ocupar esse cargo estratégico no governo FHC, Mendes foi 
adjunto da Subsecretaria Geral da Presidência da República (1990-1991) e 
consultor-jurí<WBR>dico da Secretaria Geral da Presidência da República 
(1991-1992), quando defendia o ex-presidente Fernando Collor de Melo junto ao 
órgão que hoje preside. Entre 1993 e 1994, foi assessor técnico na relatoria da 
revisão constitucional na Câmara dos Deputados. <BR><BR>Depois de trabalhar com 
Jobim, continuou galgando degraus na era FHC, quando foi subchefe para assuntos 
jurídicos da Casa Civil (1996-2000). <BR><BR>Até que, em 2000, foi convidado ao 
cargo de advogado-geral da União, onde permaneceu até o fim do segundo mandato 
de Fernando Henrique. Retribuiu a gentileza defendendo intransigentemente seu 
padrinho político – muitas vezes, como já vimos, polemizando com a Justiça, o 
Ministério Público e com advogados renomados. <BR><BR>Segundo <A 
href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2107200807.htm">reportagem desta 
segunda-feira na Folha de S.Paulo</A>, ele teve grande apoio de outros tucanos 
para conseguir ter sua indicação ao STF aprovada pelo senado: "Dos 11 ministros 
do STF (Supremo Tribunal Federal) em atividade, Gilmar Mendes foi o que mais 
sofreu contestação para assumir o cargo. Foram 15 votos contrários durante a 
análise de sua indicação pelo plenário do Senado – o triplo de rejeição que 
sofreu o segundo colocado, ministro Eros Grau, com cinco reprovações. (...) 
Registros do Senado mostram que a base de apoio ao governo tucano se mobilizou 
para garantir aprovação do de Mendes para o cargo. Diferente do usual no caso de 
indicação de autoridades, o quórum da sessão foi alto, com 72 dos 81 senadores 
presentes. Os governistas garantiram 57 votos favoráveis contra os 15 
contrários." <BR><BR>Não é à toa que o colunista Elio Gaspari o batizou de 
"juristucano" em artigo publicado em agosto de 2000. Foi indicado ao Supremo por 
Fernando Henrique em junho de 2002 para ocupar a vaga aberta pela aposentadoria 
do ministro José Néri da Silveira. Então com 46 anos, foi o ministro mais jovem 
do STF, superando a ministra Ellen Gracie (então com 54). 
<BR><BR><STRONG>Ética?</STRONG> <BR><BR>Indignado com a indicação, o advogado e 
professor da Faculdade de Direito da USP Dalmo de Abreu Dallari escreveu o 
artigo "<A 
href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0805200209.htm">Degradação do 
Judiciário</A>", publicado na Folha de S.Paulo em 08/05/2002. <BR><BR>Dizia: "Se 
essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que 
estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à 
corrupção e a própria normalidade constitucional"<WBR>. <BR><BR>Um dos 
argumentos usados por Dallari para previsão tão forte foi de que Mendes havia 
sido antiético: "Revelou a revista 'Época' (22/4/ 02, pág. 40) que a chefia da 
Advocacia Geral da União, isso é, o dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400 ao 
Instituto Brasiliense de Direito Público – do qual o mesmo dr. Gilmar Mendes é 
um dos proprietários- para que seus subordinados lá fizessem cursos. Isso é 
contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se 
enquadrar na 'reputação ilibada', exigida pelo artigo 101 da Constituição, para 
que alguém integre o Supremo." <BR><BR>À época, um procurador questionou "451 
contratos firmados, sem licitação, entre a Advocacia Geral da União, quando 
Gilmar era o titular do órgão, e o Instituto Brasiliense de Direito Público, do 
qual é citado como sócio cotista, permitindo que subordinados da AGU 
freqüentassem cursos naquela empresa privada à custa do erário", como informou 
<A href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2203200708.htm">Frederico 
Vasconcelos em 22/03/2007</A>. <BR><BR>Gilmar Mendes rebateu dizendo que se 
trata de uma atividade regular, declarada no Imposto de Renda e, segundo ele, 
informada à Comissão de Ética Pública e ao TCU. <BR><BR>No dia 10 de dezembro do 
ano passado, o ministro Gilmar Mendes <A 
href="http://www.conjur.com.br/static/text/61728,1">lançou na Faculdade de 
Direito</A> do Largo de São Francisco, da USP, em São Paulo, o livro Curso de 
Direito Constitucional, escrito por ele em parceria com dois professores do 
Instituto, que o editou juntamente com a Editora Saraiva. Curiosamente, no dia 
30 de março último, quando ele voltou a lançar seu livro em Curitiba, ele 
lamentou "a atual situação política em que está a Casa Civil, com a ministra 
Dilma Roussef envolvida em denúncias de vazamento de dados sobre o governo do 
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso", conforme <A 
href="http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac148375,0.htm">reportagem de 
Júlio César Lima</A> em O Estado de S. Paulo. Não sei se o ministro está 
aproveitando o cargo para promover seu livro e o Instituto. <BR><BR>O que eu sei 
é que esse pai de dois filhos não só foi empossado ministro como se tornou 
presidente do STF em 23 de abril deste ano, ficando nessa condição até 2010. 
Depois disso, tem até 30 de dezembro de 2025, quando completará 70 anos de 
idade, para se aposentar do Supremo. <BR><BR>E, até lá, quantos Daniel Dantas 
serão liberados? O sorriso enigmático da foto acima – coisa meio Monalisa – não 
responde. <BR><BR><STRONG>07.2008</STRONG></DIV>
<DIV><STRONG></STRONG>&nbsp;</DIV>
<DIV><STRONG></STRONG>&nbsp;</DIV>
<DIV><STRONG>Abraços</STRONG></DIV>
<DIV><STRONG>Cristiano Fádel</STRONG></DIV>
<DIV><STRONG><A 
href="http://www.cristianofadel.com.br">www.cristianofadel.<WBR>com.br</A></STRONG></DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT>&nbsp;</DIV></BODY></HTML>