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<BODY bgColor=#ffffff>
<DIV><FONT face=Forte color=#ff0000 size=6>Carta O Berro<FONT
size=3>..........................................................................repassem</FONT></FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message -----
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A
title=beatrice13@oi.com.br href="mailto:beatrice13@oi.com.br">Beatrice</A>
</DIV>
<DIV> </DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV><FONT face=Verdana><FONT size=2><FONT color=#000080>
<BLOCKQUOTE dir=ltr style="MARGIN-RIGHT: 0px">
<DIV><FONT color=#000000 size=5>A chacina de Gaza. A posição do
Hizbóllah<BR></FONT><FONT size=1><FONT color=#000000>Amal Saad-Ghorayeb,
<I>The Electronic Intifada</I>, 11/1/2009 - </FONT><SPAN
style="FONT-SIZE: 7pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><A
href="http://electronicintifada.net/v2/article10163.shtml">http://electronicintifada.net/v2/article10163.shtml</A><FONT
color=#000000> </FONT></SPAN><SPAN style="mso-spacerun: yes"><FONT
color=#000000> </FONT></SPAN></FONT></DIV></BLOCKQUOTE>
<BLOCKQUOTE dir=ltr style="MARGIN-RIGHT: 0px">
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: right"
align=right><B><SPAN style="FONT-SIZE: 7pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Amal Saad-Ghorayeb</FONT></SPAN></B><SPAN
style="FONT-SIZE: 7pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000>,
cientista social e analista político, é professor da American University, em
Beirute. <BR>É autor de <I>Hizbullah: Politics and Religion</I>. Trabalha
atualmente na pesquisa para outro livro<BR><SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>sobre as alianças regionais entre Iran,
o Hizbóllah, o Hamás e a Síria (<I>IB Taurus</I>), a ser publicado em
2010.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Enquanto Israel consome-se no esforço para aterrorizar os
palestinenses, na tentativa de reduzi-los à total submissão, observadores da
política na Região começam a perguntar-se por que o Hizbóllah ainda não
interveio militarmente no socorro ao Hamás. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Para
responder essas perguntas é preciso conhecer os impedimentos que cercam o
Hizbóllah, tanto quanto as circunstâncias nas quais esses impedimentos não
impedirão que o Hizbóllah intervenha. A pergunta que se tem de fazer não é se
o Hizbóllah agirá. A pergunta é: quando agirá? </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>No
pé em que estão as coisas hoje, o Hizbóllah não está em posição de poder
auxiliar militarmente o Hamás, por exemplo, abrindo uma outra frente de
combate com Israel. Em primeiro lugar, o Hizbóllah e seus apoiadores ainda não
se recuperaram completamente do impacto devastador da resistência contra
Israel, que atacou o Líbano em julho de 2006. Uma ofensiva do Hizbóllah contra
o norte de Israel seguramente enfrentaria força "desproporcional" e seria como
cair numa armadilha para a qual Israel tenta atrair o grupo há meses. À parte
a destruição e a devastação, outra vez o Hizbóllah enfrentaria forte pressão
interna no sentido do desarmamento, e, possivelmente, enfrentaria também outra
onda de conspirações e agressões e atentados, organizadas fora da Região, que
arrastaria o movimento para outra espécie de guerra civil, como aquela em que
o movimento viu-se envolvido em maio de 2008.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Qualquer ação armada do Hizbóllah, agora, não apenas seria internamente
contraproducente para o próprio Hizbóllah quanto seria contraproducente também
para o Hamás, que luta também para legitimar-se como força política de
manifestação dos interesses legítimos dos palestinenses, e não tem interesse
em mostrar-se aliado um grupo tão marcadamente apresentado no ocidente como
"fundamentalista" e "terrorista". O apoio militar, nesse caso, é politicamente
pouco interessante também para o Hamás. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Além
do mais, até agora o Hamás tem conseguido resistir ao massacre imposto por
Israel, sem ter sofrido qualquer abalo na hierarquia organizacional ou em sua
infra-estrutura militar. Nessas circunstância, o Hizbóllah ainda não viu como
indispensável ou urgente qualquer tipo de intervenção direta. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>São
duas as precondições para que o Hizbóllah engaje-se diretamente na luta contra
Israel. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Primeiro, o Hizbóllah intervirá, em socorro ao Hamás, se o Hamás for
realmente ameaçado de destruição, em situação que os analistas regionais
considerem além de qualquer possibilidade de reestruturação a curto prazo.
Esse tipo de situação pode configurar-se, por exemplo, se a infra-estrutura
militar rizomática do grupo sofrer abalo significativo, de modo que realmente
reduza sua capacidade militar – o que ainda não aconteceu; ou se a rede de
comando do grupo for abalada; o que também ainda não aconteceu. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Segundo, o Hizbóllah intervirá, também, se o Hamás ficar em posição tão
enfraquecida a ponto de ter de aceitar qualquer cessar-fogo incondicional, na
linha da proposta de França-Egito, o que enfraquecerá o Hamás (politicamente e
militarmente), na medida em que significará aceitar todas as exigências de
Israel. Nesse caso, o Hizbóllah sentir-se-á obrigado a intervir. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Nessas específicas circunstâncias, do ponto de vista do Hizbóllah, a
necessidade de intervir em socorro ao Hamás superará qualquer custo político
que a ação implique, interno ou externo. Para esse cálculo estratégico, o
Hizbóllah considera (i) a responsabilidade moral que o grupo tem em relação
aos palestinenses chacinados por Israel e (ii) a consciência de que Hizbóllah
e Hamás partilham um mesmo destino estratégico, como movimentos de resistência
à ocupação da Palestina e à ação predatória de Israel em todo o Oriente Médio.
</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Nas
palavras do secretário geral do Hizbóllah, Hassan Nasrállah, em 16/7/2008:
</FONT></P>
<P class=MsoBodyTextIndent style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt 1cm"><FONT color=#000000
size=3>"[a resistência] é projeto de ação e o movimento de resistência a
Israel são um mesmo movimento, seguem um mesmo curso, têm um mesmo
destino, um mesmo objetivo, apesar de haver várias linhas, partidos, grupos,
crenças, seitas e tendências intelectuais e políticas. Os movimentos da
resistência nessa região, especialmente no Líbano e na Palestina, são
movimentos complementares; são movimentos contíguos e complementares;
complementam-se um, o outro."</FONT></P>
<H2 style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Como o Hizbóllah vê
o conflito em Gaza</FONT></H2>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>O
imperativo moral e estratégico para agir contra Israel e a favor do Hamás é
corolário do modo como o Hizbóllah analisa a guerra em Gaza: como mais um
episódio da guerra inclusiva movida pela coalizão em que se reúnem os países
árabes "moderados" e EUA-Israel, contra a <I>jabhit al-mumana'a</I> ( =
"Frente de resistência militar e política") formada por Iran, Síria, Hizbóllah
e Hamás.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Por
essa análise e conforme essa narrativa, os eventos a que se assiste hoje em
Gaza são continuação da guerra de julho de 2006 – o que (i) Israel já admitiu
e (ii) explica a violência selvagem dos ataques contra Gaza. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Israel já disse que um dos motivos do atual massacre de Gaza seria
restaurar o poder de contenção e recuperar a imagem do exército, muito
seriamente abalados em julho de 2006. Para confirmar o acerto de
sua análise, o Hizbóllah observa que a posição que os regimes árabes
ditos "moderados" assumiram em relação a Gaza é quase idêntica à posição que
assumiram em julho de 2006. De fato, o papel dos regimes árabes "moderados"
mudou, apenas, de um "silêncio" e de uma "colaboração" ocultados com Israel,
na guerra de julho, para abertas e declaradas "cooperação" e "parceria" com o
Estado sionista, agora, na guerra contra Gaza. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Essa
análise parece acertada. O apoio de alguns governos árabes, sobretudo de
Mubarak, do Egito, às campanhas militares de Israel tornou-se tão flagrante,
que até o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon (conhecido por suas simpatias
por EUA e Israel) reclamou, dia 29/12, depois de iniciada a agressão militar
contra Gaza, de os governos árabes "não estarem fazendo o necessário" para
auxiliar os palestinenses de Gaza; ao mesmo tempo, diplomatas israelenses e
grande parte da imprensa continuaram a criar embaraços para os aliados árabes
de Israel, tantos foram os elogios por os árabes, afinal, terem claramente
assumido publicamente "um relacionamento" com Israel. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Considerada a extensão da colaboração entre alguns regimes árabes e
Israel, nas recentes (des)aventuras militares de Israel, e considerada a
horrenda selvageria do ataque a Gaza, o episódio em curso – a chacina de Gaza
– está sendo avaliada como particularmente significativa, em termos de
avaliação estratégica, e muito grave, no contexto do conflito em todo o
Oriente Médio, na medida em que (i) é ataque militar contra um governo eleito
(do Hamás); e (ii) é ataque militar direto aos que defendem a criação de um
Estado da Palestina (nas palavras de Nasrállah, dia 29/12: "é ataque militar
direto contra o destino da Palestina"). </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Dado
que o Hamás manifesta a causa da defesa de um Estado da Palestina e, assim,
define a identidade política de seus aliados regionais, o conflito em curso,
em Gaza, põe em disputa e sob ataque não só essa causa mas a causa de todos os
grupos que trabalham nos movimentos de resistência a Israel. Nasrallah foi
muito claro quanto a isso, em sua fala de 28/12: </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt 1cm"><FONT color=#000000
size=3>"O que está acontecendo em Gaza terá repercussões não só sobre Gaza e a
Palestina, mas para toda a <I>umma</I> [termo usado para fazer referência a
uma "nação árabe" em contexto nacionalista e secular e, também, a toda a
comunidade muçulmana em todo o planeta]. Temos de continuar a trabalhar. Não
basta uma manifestação aqui, um comício ali. Todos temos de lutar para nos
defender e defender os pobres."</FONT></P>
<H2 style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>A estratégia
regional do Hizbóllah, no conflito de Gaza</FONT></H2>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Para
o Hizbóllah, o ataque de Israel a Gaza era previsível e estava sendo esperado
desde que Israel passou a violar repetidamente o acordo de cessar-fogo que
assinara com o Hamás, acordo que, um mês antes de que expirasse, o Hamás
anunciou que não renovaria. Parece muito evidente que o Hizbóllah já previa
que Israel atacaria Gaza; parece muito evidente também que já operava
associado ao Hamás, já há algum tempo.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Sinal de que houve essa coordenação de movimentos, Nasrállah falou pela
televisão no dia 15/12, com o claro objetivo de começar a mobilizar apoio
popular para uma campanha "sem prazo para terminar" para pôr fim ao bloqueio
de Gaza e que seria lançada dia 19/12, vários dias antes de começar o assalto
israelense contra Gaza. Não há como pensar em coincidência: dia 14/12, cinco
dias antes, Khaled Meshall, líder político do Hamás, declarou formalmente o
fim do pacto de cessar-fogo, que Israel, como se sabe, sempre violou e jamais
respeitou. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Além
dessa coordenação política, o Hizbóllah muito provavelmente ajudou o Hamás a
preparar-se para enfrentar o ataque de Israel, seja por fornecer armas e
treinamento, seja por contribuir no trabalho de planejamento militar
estratégico. Os especialistas do Hizbóllah confiam muito na competência
organizacional e estratégica do Hamás, o que não deriva de qualquer tipo de
'solidariedade' política e deriva, exclusivamente, de profundo conhecimento
sobre o modo como o Hamás organizou-se, desde o início. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Também aí, nada há de adivinhação. É conclusão a que se pode chegar
facilmente, a partir do que disse à imprensa Muhammad Raad, líder do bloco
parlamentar do Hizbóllah em Beirute, dia 2/1/2009: "Israel se surpreenderá com
o alcance dos Qassams que estão sendo fabricados em Gaza." O mesmo argumento
já transparecia nas declarações de Nasrállah, em março de 2002, quando
confirmou que os três combatentes capturados na Jordânia, quando
contrabandeavam armas para a Cisjordânia, eram, sim, militantes do Hizbóllah.
Na mesma ocasião, Nasrállah disse também que "é dever de todos contribuir como
for possível para a defesa dos palestinenses, também com armas. Se houver
crime aí, mais crime sempre haverá em os EUA armarem Israel, como sempre
armaram, até os dentes." </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>A
luta de resistência do Hamás também parece exibir a 'marca registrada' das
táticas militares que o Hizbóllah usou na guerra de julho (abrigos
subterrâneos interligados por túneis, e os foguetes, usados mais como
instrumentos táticos e de propaganda, do que por algum poder de ataque, que os
foguetes não têm). Tudo isso sugere que as forças militares do Hamás tenham
sido longa e atentamente treinadas pelo Hizbóllah. Nasrállah chegou bem perto
de admiti-lo, dia 31/12, quando disse que "a resistência em Gaza aproveitou,
muito melhor do que o governo de Israel, essas lições [da guerra de julho]."
</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Mais
do que apenas receber treinamento militar, as estratégias militares do Hamás
parecem considerar todas as lições da "nova escola" criada por Imad Mughniyeh,
estrategista militar do Hizbóllah, assassinado em atentado (e que,
pessoalmente, disse várias vezes que treinara e equipara vários grupos da
resistência palestinense, ao longo dos anos). Essas estratégias combinam
táticas convencionais e não-convencionais da tradicional guerra de guerrilhas,
concebidas tanto para libertar territórios ocupados quanto para protegê-los
contra agressão. </FONT></P>
<H2 style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>A estratégia do
Hizbóllah, em relação ao Egito </FONT></H2>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>O
Hizbóllah não coordenou sua atividade no conflito de Gaza apenas com o Hamás;
coordenou-a também com o Iran. Indicação clara dessa coordenação foi o fato de
a campanha iraniana contra o Egito, por ter fechado a passagem de Rafah, ter
sido lançada poucos dias antes de Nasrállah ter sugerido que o Cairo chamasse
de volta o seu representante diplomático em Teeran. Dia 12/12, o aiatolá Ahmad
Khatami, membro do 'conselho de aiatolás', muito fortemente ligado ao supremo
líder religioso do Iran, Imam Khamenei, esbravejou contra os governos árabes,
em linguagem e tom que fazem lembrar o revolucionário discurso de Khomeini dos
anos 80s: "Esqueçam o silêncio. São colaboracionistas. Colaboram com Israel."
</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Referindo-se nominalmente ao Egito, e à colaboração com Israel no
bloqueio de Gaza, Khatami perguntou: "que fim levou seu islamismo? Que fim
levou sua idéia de humanidade?" Na mesma linha, na fala de 28/12, mas mais
incisivo, Nasrállah rejeitou que houvesse algum "silêncio" dos governos
árabes; para ele, não se tratava de "silêncio", mas de declarada "parceria"
com Israel. Como Khatami, Nasrállah também se referiu direta e nominalmente ao
Egito, dizendo que, se mantiver fechada a passagem de Rafah, "também será
parceiro do crime, parceiro de assassinatos e de assassinos, parceiro dos
carrascos da tragédia de Gaza." Nesse ponto, o líder do Hizbóllah convocou "os
milhões" de cidadãos egípcios a tomar as ruas e manifestar sua vergonha, seu
ultraje, para pressionar o governo de Mubarak; ao mesmo tempo, conclamou o
exército egípcio a pressionar o governo no sentido de abrir a passagem de
Rafah – operação que, na prática, 'fura' o bloqueio que Israel impôs a Gaza.
</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Há
quem veja a catarata verbal de Nasrállah contra o governo de Mubarak como
pouco mais que tática diversionista ou compensatória, para desviar a atenção
ou compensar o que, para esses analistas, seria apenas inação do Hizbóllah.
Esse tipo de análise, contudo, não avalia adequadamente a evidência de que
esse tipo de ataque direto a um governo árabe é muito raro nas falas de
Nasrállah. Desde os anos 80, já há quase trinta anos portanto, o Hizbóllah não
atacava de forma tão explícita um governo árabe, nem identificava algum
governo árabe como inimigo. Nem durante a guerra de julho, quando foi muito
clara e muito extensa a cumplicidade entre Israel e governos árabes, Nasrállah
jamais conclamou massas árabes a pressionar governos árabes; e, desde então,
as relações entre o Hizbóllah e aqueles regimes manteve-se estável. Naquele
momento, o Hizbóllah claramente não desejava queimar pontes com os regimes
árabes nem dar-lhes munição para os discursos anti-xiitas, que fariam crescer
as tensões entre xiitas e sunitas. Dada a situação que se configurou em Gaza,
de chacina e massacre, tudo leva a crer que o Hizbóllah entendeu que não é
hora para luvas e procedimentos diplomáticos. Em fala do dia 7/1/2009,
Nasrállah disse que, embora o Hizbóllah não visse como inimigos os governos
que o traíram na guerra de julho "consideraremos como inimigos os que
colaborem para o massacre de Gaze e dos palestinenses."</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>A
política do Hizbóllah mudou; e a ação coordenada com o Iran é, quanto a isso,
sinal de que está em curso uma estratégia comum, Iran-Hisbóllah, para expor a
cumplicidade entre Israel e o governo de Mubarak, com vistas a obter a
abertura da passagem de Rafah e o fim do bloqueio de Gaza. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Esses objetivos servem também ao objetivo maior de abalar os alicerces
da aliança Egito-Israel, objetivo que, por sua vez, visa a enfraquecer a
posição regional de Israel. Pelo que se pode observar, esse tipo de estratégia
foi considerada necessária, dado o "abraço público" entre Egito e Israel, nos
termos usados por um jornalista israelense (<I>Haaretz</I>, 9/1). Diferente do
que houve na guerra de julho, quando Egito e outros governos árabes
"moderados" limitaram-se a culpar o Hizbóllah por agressões cometidas por
Israel, dessa vez o Egito sequer se deu o trabalho de fingir neutralidade, ao
mesmo tempo em que buscava auferir alguma vantagem da campanha de Israel
contra o Hamás. Na guerra de Gaza, o Egito não pode nem desempenhar o papel de
mediador-conspirador, porque, de fato, é parte do conflito. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>É
sabido de todos que o Egito teve conhecimento antecipado do ataque de Israel a
Gaza – e também há quem diga que 'encomendou' o ataque. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>A
indicação mais palpável de que há objetivos comuns, entre Egito e Israel, na
guerra de Gaza, é a insistente recusa, do Egito, de abrir a passagem de Rafah,
recusa que, de fato, é o movimento que, hoje, mantém o bloqueio a Gaza. O
Hizbóllah e seus aliados consideram que a abertura de Rafah é a questão
crucial para avaliar o futuro da guerra de Gaza. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Como
Nasrállah explicou, dia 28/12: "Hoje, o Egito é o xis da questão do que
acontecerá em Gaza. Se a passagem for aberta, e a população de Gaza puder
receber água, alimentos, remédios, dinheiro e eventualmente armas, Israel será
novamente derrotada, como já foi derrotada no Líbano." A importante
experiência histórica do Hizbóllah comprova que o grupo não erra, nesse tipo
de avaliação estratégica. Quando a Síria abriu uma passagem de fronteira para
o Líbano, permitindo o movimento de alimento, armas e refugiados, o Hizbóllah
desencadeou as ações que determinaram seu sucesso militar naquela operação, em
2006. No caso de Rafah, a abertura da fronteira é considerada ainda mais
crucialmente importante, não só porque criará uma linha de suprimento para o
Hamás mas, sobretudo, porque criará uma linha de sobrevivência para toda a
população de Gaza, que enfrenta sítio que já está sendo comparado, sem
exagero, aos mais cruéis sítios das mais cruéis guerras de todos os tempos.
</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Embora a estratégia de Nasrállah<SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN>não tenha sido suficiente para persuadir Mubarak a abrir a passagem de
Rafah, serviu para criar-lhe enormes problemas domésticos e regionais, e
reduziu o papel do Egito, que deixou de poder continuar atacando e passou a
ter de defender-se, superocupado com produzir contra-argumentos, todos
insatisfatórios até agora, para responder às principais acusações do
Hizbóllah, além de ter de ocupar-se, também, com mobilizar outros aliados
"moderados", os quais tiveram também de passar a defender o Egito. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Além
disso, para encobrir os muitos escândalos de corrupção que ameaçam sua
estabilidade, o governo egípcio formulou agora uma iniciativa de cessar-fogo,
na vã esperança de, assim, restaurar sua já perdida posição de prestígio na
Região. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Para
os palestinenses (e para a muito ampla maioria de árabes e egípcios) nenhuma
ação restaurará o prestígio do Egito, enquanto mantiver fechada a passagem de
Rafah. Além do mais, a própria iniciativa de cessar-fogo apresentada pelo
Egito serve sobretudo aos interesses de Israel e aos seus objetivos militares,
tanto quanto serve aos interesses de Máhmude Abbas, na medida em que visa a
restaurar o acordo Fatah-Israel, de 2005, que entregava a supervisão da
fronteira de Rafah às forças de segurança do Fatah e a forças européias de
supervisão. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Embora o Hizbóllah ainda não se tenha manifestado sobre a proposta
encaminhada por França e Egito, o Hamás já manifestou "graves reservas" sobre
o mesmo tema; e o Iran rejeitou-a completamente, imediatamente. Pode-se supor,
portanto, que o passo seguinte, na estratégia Hisbóllah-Iran, será garantir
que o Hamás não seja encurralado até ser obrigado a aceitar a proposta do
Egito, o que implicaria enfraquecimento político e militar do Hamás. O
Hizbóllah e seus aliados apóiam integralmente o movimento pelo qual o partido
Hamás recusa-se a se converter em equivalente islâmico do partido
Fatah.</FONT></P>
<H2 style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>A prontidão do
Hizbóllah, para intervir militarmente</FONT></H2>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Alguns analistas sugeriram que haveria divisões internas no Hizbóllah,
relativas às circunstâncias sob as quais o Hizbóllah daria ajuda militar ao
Hamás. Essas análises não parecem plausíveis. Como já se disse aqui, não cabe
supor que o Hizbóllah tenha sido surpreendido pelo ataque israelense e é
altamente implausível que os estrategistas do Hizbóllah e as lideranças
políticas tenham sido apanhadas no contrapé e, de repente, tenham sido
colhidas por divisões internas que as pressionassem a tomar qualquer tipo de
iniciativa não planejada. A concepção estratégica fundamental da ideologia
do<SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>Hizbóllah, de defender o Hamás
e a população palestinense contra agressões israelenses é, necessariamente,
questão de fundo, sobre a qual jamais houve qualquer divisão e é perfeitamente
consensual dentro do partido.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Além
disso, as lideranças políticas do partido não se comprometeram publicamente
com qualquer política de contenção, nem é provável que o tivessem feito nos
bastidores, como tentaram argumentar alguns funcionários do Líbano no campo
adversário de 14 de março. Quando Saad Hariri, líder da maioria parlamentar no
parlamento libanês, anunciou, no início de janeiro, que Saeed Jalili, chefe do
Conselho de Segurança Nacional do Iran, lhe garantira que o Hizbóllah não
reagiria ao ataque de Israel a Gaza, Nasrállah imediatamente o ridicularizou,
por estar oferecendo "garantias grátis" a Israel. De fato, eu mesmo, que aqui
escrevo, em contato com fonte confiável na embaixada do Iran no Líbano, soube
que Jalili jamais deu qualquer tipo de "garantia" a Hariri.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>A
razão, então, para essa ambiguidade construtiva do Hizbóllah, e venha ou não a
intervir militarmente na guerra de Gaza, parece bem clara: embora até aqui o
Hizbóllah tenha-se mantido à margem do conflito direto, é altamente improvável
que continue assim no caso de haver risco real de o Hamás entrar em colapso.
</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Se
se sabe que a causa dos palestinenses é central na estratégia do Hizbóllah,
considerada, por sua vez, como crucialmente decisiva na resistência contra o
projeto EUA-Israel na Região, o Hizbóllah em nenhum caso permitirá que o Hamás
seja esmagado, seja militarmente seja politicamente – o que seria resultado
inevitável, no caso de o Hamás ser encurralado para uma posição em que seja
obrigado a assinar algum acordo humilhante de cessar-fogo, que enfraqueceria
muito e eventualmente destruiria o movimento. Nesse contexto é que se devem
interpretar os discursos mais recentes do Hizbóllah, de que "jamais abandonará
a defesa dos palestinenses". </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Outra indicação de que o Hizbóllah está pronto para oferecer apoio
militar ao Hamás apareceu também na fala de Nasrállah do dia 29/12, dia
santificado para os Muçulmanos, o Dia da Ashura ("Décimo Dia"), fala que ainda
não foi suficientemente analisada no ocidente, dentre outros motivos porque
não foi sequer divulgada no ocidente: "Espero que todos os aqui reunidos hoje
(...) estejam sempre prontos a responder a qualquer chamado, convocação,
decisão." Embora se possa ler aí que os seguidores do Hizbóllah's estivessem
sendo convocados para defender o próprio direito de defender-se em caso de
agressão de Israel ao Líbano, também se pode argumentar que o Hizbóllah não
precisa convocar seus partidários, que já tantas vezes demonstraram prontidão
e rapidez de resposta, em casos em que se tratou de defender o próprio direito
de defesa. Além do mais, o Hizbóllah não tem qualquer tradição de formular
estratégias e posições de autodefesa; a autodefesa é entendida como direito
não-negociável nem discutível e, muito mais importante, como dever do
Hizbóllah.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><B><FONT size=3><FONT
color=#000000>Cenários de intervenção <o:p></o:p></FONT></FONT></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Embora qualquer ação armada do Hizbullah atraia sobre o movimento a ira
mais cega de Israel, não se pode dizer que haja qualquer dificuldade radical
em o Hizbóllah atrair para essa estratégia o apoio popular dos xiitas;
bastaria, para tanto, que, além de apresentar alguma ação armada contra Israel
como estrategicamente interessante (porque abriria outra frente de combate que
Israel teria de enfrentar), o Hizbóllah a apresente como movimento de legítima
autodefesa. Israel tem fornecidos inúmeros pretextos ao Hizbóllah, na forma de
provocações, das quais o Hizbóllah poder-se-á servir, para iniciar guerra,
também ele, contra o Estado sionista. Além de Israel ainda continuar ocupando
as fazendas de Shebaa e Ghajar, das quais o governo libanês, usando só as vias
diplomáticas, ainda não conseguiu retirar as tropas israelenses de ocupação,
Israel continua, quase rotineiramente, a sequestrar civis libaneses no setor
libanês da Linha Azul. O mais recente desses sequestros aconteceu em dezembro
de 2008.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Ainda mais frequentemente, aviões israelenses invadem o espaço aéreo do
Líbano, em atos diários e repetidos de violação que contrariam o que determina
a Resolução n. 1701, da ONU. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Em
julho de 2008, o Hizbóllah protestou abertamente contra essas violações,
declaradas "provocativas, inaceitáveis, proibidas e condenáveis", e exigindo
que o governo do Líbano e os corpos responsáveis da ONU tomassem as medidas
necessárias para pôr fim àquela prática ilegal. Em 31/7/2008, o jornal libanês
<I>Al-Akhbar</I>, considerado simpático ao movimento, noticiou que o Hizbóllah
planejava tomar "medidas práticas" em resposta àquelas violações. Pela mesma
época, vários jornais, em todo o mundo árabe, noticiaram a instalação de bases
de lançamento de mísseis anti-aéreos nas montanhas do Líbano, para o objetivo
explícito de impedir qualquer violação de seu espaço aéreo por aviões de
Israel. Verdadeiras os falsas essas notícias, a verdade é que o Hizbóllah nem
precisaria derrubar jatos para protestar contra os atos ilegais de Israel;
bastaria pôr-se a disparar foguetes ou mísseis anti-aéreos (ou não) que
"acidentalmente" cairiam nas colônias de ocupação do norte de Israel, como já
aconteceu no passado. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Alguma resposta ao atentado no qual Israel assassinou Mughniyeh também
seria fagulha suficiente para que o Hizbóllah se declarasse em guerra contra
Israel. De fato, não pode haver dúvida de que o Hizbóllah responderá àquele
atentado, mais dia menos dia, considerando-se o significado político e militar
que teve para todo o movimento e lembrando-se que, na fala do dia 14/2/2008,
Nasrállah <SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>falou sobre "uma guerra
aberta" contra Israel. Além disso, uma semana depois, na fala de 22/2/2008,
jurou vingança: "Oh, Hajj Imad, juro em nome de Deus que seu sangue não correu
em vão." É muito provável que o Hizbóllah tenha reservado o direito de
responder àquele atentado em momento em que a resposta sirva a objetivo
estratégico e político mais amplo do que reação de 'olho por olho'. Que melhor
objetivo político e estratégico poderiam supor que haja, do que quando os
palestinenses enfrentam a carnificina selvagem a que o mundo assiste hoje e
para salvar o Hamás de algum colapso que esteja iminente?</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Em
qualquer dos cenários possíveis, o Hizbóllah sempre terá de explicar o
<I>timing</I> de qualquer medida defensiva que venha a adotar. Qualquer ataque
sempre estará plenamente justificado como "preemptive attack", argumento cuja
legitimidade o governo Bush encarregou-se de construir e ensinar ao mundo, no
caso de o Hizbóllah definir-se (como os EUA definiram-se) como "os próximos"
da linha de fogo de um exército de ataque. No caso de Israel, dificilmente
alguém convenceria alguém de que, tendo destruído política e militarmente o
Hamás, o Hizbóllah não seria "o próximo" na linha de fogo do exército de
Israel. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>De
fato, Nasrállah já alertou duas vezes (nas falas de 28/12 e de 7/1) sobre o
risco de que Israel ataque novamente o Líbano a qualquer momento. Nas duas
falas, disse que o Hizbóllah estaria "mais do que preparado" para reagir.
</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Fato
é que as ameaças de Israel ao Líbano não começaram com a guerra de Gaza; já há
mais de um ano, não há discurso oficial do governo de Israel que não inclua
ameaças ao Líbano.</FONT></P>
<H2 style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>O Hizbóllah, como
exército em prontidão</FONT></H2>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>O
Hizbóllah começou a responder àquelas ameaças não só com contra-ameaças mas,
também, com um novo tipo de discurso em que dá destaque ao objetivo de
erradicar Israel da Região, se Israel insistir em definir-se como Estado
sionistas. Nesse novo discurso, há clara referência a "destruir o exército
israelense". A associação direta entre a sobrevivência de Israel como Estado e
a capacidade de contenção do exército israelense não é nova, nos discursos
políticos do Hizbóllah, mas, como Nasrállah explicou detalhadamente na fala de
22/2/2008, a novidade está em atacar diretamente o exército e sua "capacidade
remanescente de contenção", como meio para mudar radicalmente a posição
estratégica de Israel na Região. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>No
primeiro aniversário da guerra de julho, dia 14/8/2007, Nasrállah surpreendeu
simultaneamente, tanto seus apoiadores quanto Israel, ao "prometer" uma
"grande surpresa" em qualquer eventual próximo confronto militar com Israel,
que "poderá mudar o rumo da guerra e todo o destino da Região" e que poderia
levar o Hizbóllah a "uma vitória histórica e decisiva". O Hizbóllah não apenas
conseguiria destruir toda a "capacidade remanescente de contenção" do exército
israelense como, além disso, seria vitória rápida em guerra rápida: "Qualquer
nova guerra será fácil e a vitória virá rápida" – disse Nasrállah, dia
24/8/2008.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Ao
mesmo tempo em que vários analistas conjecturaram que as ameaças de Nasrállah
<SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>sugeririam que o Hizbóllah teria
comprado armas avançadas (mísseis anti-aéreos, por exemplo), nada impede que
se conjecture (idéia que não invalida a conjectura acima) que o Hizbóllah
tenha desenvolvido outros métodos e estratégias que impliquem número muito
maior de combatentes do que antes. Dia 14/2/2008, Nasrállah <SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>disse que "Em qualquer guerra futura
não haverá apenas um Imad Mughniyeh à espera de Israel, nem haverá apenas
algum poucos milhares de combatentes. O Imad Mughniyeh deixou-nos a herança de
dezenas de milhares de combatentes-mártires treinados, equipados e prontos."
Dez dias depois, dia 24/8/2008, Nasrállah disse que esses combatentes lutariam
"por método de luta sem precedentes", o qual, disse, "Israel jamais viu desde
que aqui se implantou". </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>Independente de o quanto o Hizbóllah esteja preparado ou pronto para a
guerra, e de qual seja seu real potencial para destruir a capacidade de
contenção do exército israelense, fato indiscutível é que, para o movimento e
para seus apoiadores e aliados, o objetivo de destruir o regime sionista em
Israel deixou de estar confinado no plano exclusivamente ideológico e passou a
incluir o plano muito objetivo dos interesses e movimentos estratégicos. A
segurança de todos os regimes exige que a perpétua ameaça que Israel
representa para todos, na Região, seja neutralizada de uma vez por
todas.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT
color=#000000>Embora essa lógica possa parecer retrocesso aos anos 50 e 60, o
novo pensamento do Hizbóllah é em tudo muito semelhante à noção de "troca de
regime" e à proposta conhecida como "Solução de Um Estado", que integra as
propostas que os EUA têm elaborado e que, na Região, já deslocaram e
substituíram as idéias de "atirar os judeus (ou os árabes, conforme o lado) no
mar" – presentes, no passado, tanto no fanatismo sionista, quanto no fanatismo
anti-sionista quanto, também, no fanatismo árabe e no fanatismo anti-árabe.
<SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000 size=3>Se a
guerra de Gaza serviu para alguma coisa, ela serviu para levar essa lógica até
a consciência política do mundo árabe e muçulmano. E, quanto a isso, o Hamás e
o Hizbóllah estão vários passos à frente do exército de Israel e seus
comandantes políticos que, no massacre de Gaza, já deram provas suficientes de
que são ou completamente incompetentes ou completamente amorais ou
completamente loucos. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT color=#000000
size=3>________________________________________</FONT></P></BLOCKQUOTE>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 6pt 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></FONT></P></FONT></FONT></FONT></BODY></HTML>