<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
<HTML xmlns:o = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" xmlns:w =
"urn:schemas-microsoft-com:office:word" xmlns:st1 =
"urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags"><HEAD><TITLE>Nova pagina 1</TITLE>
<META http-equiv=Content-Type content="text/html; charset=iso-8859-1">
<META content="MSHTML 6.00.2900.3132" name=GENERATOR>
<STYLE></STYLE>
</HEAD>
<BODY lang=PT-BR vLink=purple link=blue bgColor=#ffffff>
<DIV> </DIV>
<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
<META content="MSHTML 6.00.2900.3132" name=GENERATOR>
<STYLE>@page Section1 {size: 595.3pt 841.9pt; margin: 70.85pt 85.05pt 70.85pt 85.05pt; }
P.MsoNormal {
        FONT-SIZE: 12pt; MARGIN: 0in 0in 0pt; FONT-FAMILY: "Times New Roman"
}
LI.MsoNormal {
        FONT-SIZE: 12pt; MARGIN: 0in 0in 0pt; FONT-FAMILY: "Times New Roman"
}
DIV.MsoNormal {
        FONT-SIZE: 12pt; MARGIN: 0in 0in 0pt; FONT-FAMILY: "Times New Roman"
}
A:link {
        COLOR: blue; TEXT-DECORATION: underline
}
SPAN.MsoHyperlink {
        COLOR: blue; TEXT-DECORATION: underline
}
A:visited {
        COLOR: purple; TEXT-DECORATION: underline
}
SPAN.MsoHyperlinkFollowed {
        COLOR: purple; TEXT-DECORATION: underline
}
SPAN.EstiloDeEmail17 {
        COLOR: navy; FONT-FAMILY: Arial; mso-style-type: personal-reply
}
DIV.Section1 {
        page: Section1
}
</STYLE>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">
<DIV> </DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV class=Section1>
<P class=MsoNormal><I><FONT face="Times New Roman" size=3><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-STYLE: italic"><A
href="mailto:Companheir@s">Companheir@s</A>,<o:p></o:p></SPAN></FONT></I></P>
<P class=MsoNormal><I><FONT face="Times New Roman" size=3><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-STYLE: italic">Repasso </SPAN></FONT></I><I><SPAN
style="FONT-STYLE: italic">artigo interessante do Frei Betto sobre a punição dos
torturadores que está na revista CAROS AMIGOS que chegou às bancas este
mês. <o:p></o:p></SPAN></I></P>
<P class=MsoNormal><I><FONT face="Times New Roman" size=3><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-STYLE: italic">Abraço,<o:p></o:p></SPAN></FONT></I></P>
<P class=MsoNormal><I><FONT face="Times New Roman" size=3><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-STYLE: italic">M.Politi</SPAN></FONT></I></P>
<P class=MsoNormal><I><FONT face="Times New Roman" size=3><SPAN
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-STYLE: italic"></SPAN></FONT></I> </P><FONT
face="Times New Roman" size=3><SPAN style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-STYLE: italic">
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"
align=center><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US">O
STF E A VERDADE HISTÓRICA <BR style="mso-special-character: line-break"><BR
style="mso-special-character: line-break"><o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center; mso-margin-top-alt: auto; mso-margin-bottom-alt: auto"
align=center><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US">Frei
Betto</SPAN></B><SPAN lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Times; mso-ansi-language: EN-US; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'"><o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><BR> <BR><BR>Os
ministros do STF se encontram perante duas alternativas: reiterar a Lei de
Anistia e isentar de punição os responsáveis por crimes da ditadura militar ou
declarar que suas atrocidades são imprescritíveis e, portanto, passíveis de
penalidades.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><BR>Escolhida
a primeira alternativa, descansarão em paz com os setores militares que
mancharam 21 anos de história do Brasil. E terão seus nomes incluídos, pelos
historiadores do futuro, entre os que foram coniventes com os graves crimes
praticados.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><BR>Se
prevalecer a segunda alternativa, haverão de reafirmar a independência da corte
suprema e terão seus nomes registrados na história por terem ouvido o clamor de
justiça das vítimas.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><BR>O
direito de justiça às vítimas é acentuado pela tradição bíblica. Javé não
permite que o sangue de Abel se cristalize em lacre de silêncio, e os apóstolos
identificam na ressurreição de Jesus a “<st1:place w:st="on">volta</st1:place>
por cima” daquele que, preso, torturado e assassinado por dois poderes
políticos, tem a sua memória perpetuada pelos evangelistas. É o que faz da
Igreja primitiva memorial dos mártires, elevados aos altares para que jamais se
esqueça o valor de seu sacrifício.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><SPAN
style="mso-spacerun: yes"></SPAN><BR>A tese de que “é melhor não reabrir as
feridas” é típica de quem se beneficiou de golpes e ditaduras, afirma o espanhol
Prudêncio García, representante da ONU na apuração dos crimes da ditadura
guatemalteca.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><SPAN
style="mso-spacerun: yes"></SPAN><BR>O argumento do ministro Gilmar Mendes, de
que reabrir o debate traria instabilidade ao país, carece de precedente
histórico. Chile, Argentina, Uruguai, Guatemala e El Salvador investigaram os
crimes de suas respectivas ditaduras e, ao punir culpados, reforçaram ainda mais
o Estado de Direito, pilar do regime democrático.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><SPAN
style="mso-spacerun: yes"></SPAN><BR>Na Argentina, a Comissão Nacional sobre o
Desaparecimento de Pessoas (1984), presidida pelo escritor Ernesto Sábato,
extirpou das Forças Armadas os resquícios da ditadura, fez justiça às vítimas,
puniu os responsáveis e ainda tornou um dos denunciantes, Adolfo Perez Esquivel,
merecedor o Prêmio Nobel da Paz. A Marinha <st1:country-region
w:st="on"><st1:place w:st="on">argentina</st1:place></st1:country-region>
admitiu que utilizaram suas instalações (ESMA) para seqüestrar, torturar e
assassinar cidadãos. Nem por isso a democracia se viu
ameaçada.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><BR>No
<st1:country-region w:st="on"><st1:place
w:st="on">Chile</st1:place></st1:country-region>, a Comissão de Verdade e
Reconciliação (1990) passou a limpo a ditadura Pinochet. O Exército reconheceu
que, na Villa Grimaldi, presos políticos sofreram torturas até a morte. A
Marinha admitiu que o mesmo ocorreu a bordo do navio-escola Esmeralda. Nem por
isso a democracia se viu ameaçada.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><BR>Em
<st1:country-region w:st="on"><st1:place w:st="on">El
Salvador</st1:place></st1:country-region>, a Comissão da Verdade (1992) teve o
patrocínio da ONU. O Exército assumiu sua responsabilidade nos massacres de El
Mozote (1981) e dos seis jesuítas da Universidade Centro-Americana (1989), bem
<st1:City w:st="on"><st1:place w:st="on">como</st1:place></st1:City> no
assassinato do arcebispo Oscar Romero (1980). Nem por isso a democracia se viu
ameaçada.<BR><BR>Na Guatemala, a Comissão de Esclarecimento Histórico (1997) fez
a filha de uma das vítimas, assassinada pela ditadura, também merecer o Nobel da
Paz: Rigoberta Menchu. Os militares daquele país reconheceram que uma ala do
Exército cometeu brutal genocídio contra as comunidades indígenas de El Quiché e
Petén.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><BR>Segundo
Prudêncio García, todas essas investigações tiveram em comum o fato de terem
sido posteriores a períodos de terríveis conflitos internos; todas trouxeram luz
à verdade histórica; todas reiteraram a supremacia da força do Direito sobre o
“direito” da força. Em todos os casos, a única parcela da sociedade contrária às
apurações foi exatamente a que se beneficiou das graves violações dos direitos
humanos.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><BR>Walter
Benjamin, ao assinar sua filosofia com o próprio sangue, nos adverte que a
memória das vítimas jamais se apaga. Não se passa borracha na história. Toda
tentativa de fazê-lo resulta em atrocidade intelectual: maculá-la de falsidade e
mentira.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><BR>Na
Alemanha pós-nazista, terminado o julgamento de Nuremberg, iniciou-se um
movimento de ocultação da verdade histórica. Hannah Arendt, após 13 anos de
exílio na França e nos EUA, reagiu indignada ao regressar: “Os alemães vivem da
mentira e da estupidez!”<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><BR>Israel
jamais permitiu que a memória das vítimas do nazismo fosse apagada, esquecida ou
suprimida da história. O anjo de Paul Klee continua a voar para frente e olhar
para trás...<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><BR>“Portar
máscara durante longo tempo estraga a pele”, exclama a escritora tcheca Monika
Zgustova. “Algo parecido ocorre à sociedade que oculta sua própria culpa com a
intenção de livrar-se dela, esquecendo-a. Sociedades e cidadãos devem assumir
coletiva e individualmente a responsabilidade do que fazem ou fizeram nossos
governos. Este é um dos mais importantes atos da dignidade
humana”.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><SPAN
style="mso-spacerun: yes"></SPAN><BR>O caráter da história do Brasil repousa em
mãos dos ministros do STF.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
lang=EN-US
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: EN-US"><BR>Frei
Betto é escritor, autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros
livros.</SPAN></P>
<P class=MsoNormal></SPAN></FONT><SPAN
style="FONT-STYLE: italic"><o:p></o:p></SPAN> </P></DIV></BODY></HTML>