<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
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<DIV><BR></DIV>
<DIV><FONT face=Forte color=#ff0000 size=5>Carta O
Berro........................................................<FONT
size=3>repassem</FONT></FONT></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message -----
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A
title=masquino@gmail.com href="mailto:masquino@gmail.com">Marco Aurelio</A>
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<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV>
<DIV class=gmail_quote><SPAN
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<TBODY>
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<TD
style="FONT-WEIGHT: bold; FONT-SIZE: 14px; FONT-FAMILY: 'Trebuchet MS'; TEXT-ALIGN: left">O
mito do judeu errante<BR>
<DIV style="TEXT-ALIGN: left">Sugestão de Wilson Cunha Junior(Movimento
dos Sem Midia)</DIV></TD></TR>
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<TD
style="FONT-SIZE: 14px; FONT-FAMILY: 'Trebuchet MS'; TEXT-ALIGN: left"><SPAN
style="FONT-SIZE: 12px"><A
href="http://www.alquimidia.org/desacato/index.php?mod=noticia&id=1984"
target=_blank>http://www.alquimidia.org/desacato/index.php?mod=noticia&id=1984</A><BR>
<DIV style="TEXT-ALIGN: left"><SPAN style="FONT-SIZE: 14px">Uma nação é um
grupo unido por um erro comum. Por Gilad Atzmon.
Inglaterra</SPAN><BR></DIV></SPAN></TD></TR></TBODY></TABLE>
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<TBODY>
<TR>
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<P><IMG height=188 alt=""
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<P>O historiador Shlomo Sand, professor da Universidade de Tel Aviv,
inicia seu brilhante estudo do nacionalismo judeu citando a Karl W.
Deutsch: "Uma nação é um grupo unido por um erro comum sobre sua origem e
uma hostilidade coletiva para com seus vizinhos" [1].</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Por muito simples ou
inclusive simplista que pareça, essa cita resume com eloqüência o produto
da imaginação que se encontra emaranhado no nacionalismo judeu moderno e,
sobretudo, no conceito de identidade judia. É óbvio que assinala com o
dedo o erro coletivo que os judeus tendem a cometer cada vez que se
referem a seu "ilusório passado coletivo" e a sua "origem coletiva". De
uma mesma tacada, a leitura que Deutsch faz do nacionalismo lança luz
sobre a hostilidade que, desgraçadamente, corre paralela em quase todos
grupos judeus com respeito à realidade que os rodeia, já seja humana ou
adote a forma de território. Enquanto que a brutalidade com que os
israelenses tratam os palestinos é algo já fartamente conhecido, o áspero
tratamento que os israelenses reservam para sua "terra prometida" e sua
paisagem só agora começa a se revelar. O desastre ecológico que os atuais
israelenses vão deixar será a causa do sofrimento de muitas gerações
futuras. Deixando de lado o muro megalomaníaco que divide a terra santa em
enclaves de depravação e fome, Israel conseguiu contaminar seus principais
rios e riachos com resíduos nucleares e químicos.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">When And How the Jewish
People Was Invented [Quando e como foi inventado o povo judeu] é um estudo
escrito pelo professor Shlomo Sand, um historiador israelense. Trata-se do
estudo mais sério já publicado sobre o nacionalismo judeu e, de longe, a
análise mais corajosa do discurso histórico judeu.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Em seu livro, Sand
consegue provar fora de toda dúvida razoável que o povo judeu nunca
existiu como "raça-nação" e nunca compartilhou uma origem comum. Muito ao
contrário, trata-se de uma colorida mistura de grupos que em várias etapas
da história adotaram a religião judia.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">No caso de que o leitor
acompanhe a linha de pensamento de Sand e chegue a se perguntar "Quando
foi inventado o povo judeu?", a resposta de Sand é bastante simples: "Em
algum momento do século XIX, alguns intelectuais de origem judia na
Alemanha, influenciados pelo caráter folclórico do nacionalismo alemão, se
impuseram a tarefa de inventar "retrospectivamente" um povo, ansiosos por
criar um povo judeu moderno" [2]</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">De acordo com isto, o
"povo judeu" é uma noção artificial formada por um passado fictício e
imaginário com muito pouca substância que o respalde desde os pontos de
vista legista, histórico ou textual. Além disso, Sand – que utilizou
fontes iniciais da antiguidade – chega à conclusão de que o exílio judeu é
também um mito e de que é muito mais provável que os palestinos atuais
sejam os descendentes do antigo povo semita de Judéia/Canaã, em vez da
multidão de asquenazes de origem kazária á qual ele reconhece
pertencer.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">O surpreendente é que,
apesar de que Sand tenha conseguido desmantelar a noção de "povo judeu",
de que destrói a noção de "passado coletivo judeu" e ridiculariza o ímpeto
chovinista nacional judeu, seu livro é um best-seller em Israel. Este
fato, por si mesmo, pode sugerir que aqueles que se chamam a si próprios
"povo do livro" estão agora começando a se dar conta das posturas
enganosas e devastadoras e ideologias que os converteram nisso que Khalid
Amayreh e muitos outros consideram como os "nazistas de nosso tempo".</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"><STRONG> Hitler
triunfou</STRONG></P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Com muita freqüência,
quando se pergunta a um judeu laico e cosmopolita o que é que o converte
em judeu, este costuma replicar mastigando uma resposta vazia: "Foi Hitler
que me fez judeu". Mesmo se o judeu cosmopolita, que é internacionalista,
critica as inclinações nacionalistas de outros povos, insiste em seguir
mantendo seu próprio direito à "autodeterminação". Entretanto, não é ele
que dirige esta exigência de orientação nacional, senão que o diabo, esse
monstro anti-semita chamado Hitler. Conforme parece, o judeu cosmopolita
celebra seu direito ao nacionalismo sempre que puder transferir a culpa a
Hitler.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">No que toca ao judeu
laico cosmopolita, Hitler triunfou. Sand consegue pôr de relevo este
paradoxo. Com muita perspicácia sugere que "enquanto que no século XIX,
referir-se aos judeus como ´uma identidade racial diferente` era um sinal
de anti-semitismo, no Estado judeu isto está mental e intelectualmente
enraizado [3]. Em Israel, os judeus celebram sua diferença e suas
condições únicas. Além do mais, diz Sand, "houve momentos na Europa em que
era possível ser tachado de anti-semita por dizer que todos os judeus
pertencem a uma nação diferente. Hoje em dia, o fato de dizer que os
judeus não foram nunca e continuam sem ser um povo ou uma nação faz com
que uma pessoa possa ser qualificada como odiador de judeus." [4]</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Não deixa de ser
surpreendente que o único povo que conseguiu manter uma identidade
nacional racialmente orientada, expansionista e genocida, a qual não se
diferencia em nada da ideologia étnica nazista, sejam os judeus, que
foram, entre outros, as principais vítimas da ideologia e da prática
nazistas.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"><STRONG>Nacionalismo em
geral e nacionalismo judeu em particular</STRONG></P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Louis-Ferdinand Celine
mencionou que durante a Idade Média, entre as guerras, os cavaleiros
cobravam um alto preço por estar dispostos a morrer em nome de seus
reinos, enquanto que no século XX os jovens não hesitam em morrer em
massa, mas sem pedir nada como recompensa. Para poder compreender esta
mudança na consciência de massas é necessário um modelo metodológico
eloqüente que nos permita decifrar em que consiste o nacionalismo.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Da mesma forma que Karl
Deutsch, Sand considera a nacionalidade como um discurso fantasmático. É
um fato estabelecido que os estudos antropológicos e históricos das
origens de diferentes "povos" e "nações" conduzem à embaraçosa
desintegração de qualquer etnia ou identidade étnica. Daí que é
interessante constatar que os judeus tendem a levar muito a sério seu
próprio mito étnico. A explicação pode ser simples, tal como Benjamin Beit
Halachmi assinalou faz anos. O sionismo estava aí para transformar a
Bíblia, que de texto espiritual passou a ser um "ato cartorial". Por isso,
a verdade da Bíblia ou de qualquer outro elemento do discurso histórico
judeu tem pouca importância, sempre que não interfira com a causa ou com a
prática política nacional dos judeus.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Pode-se supor que a
ausência de uma clara origem étnica não impede que se tenha o sentimento
de pertinência étnica ou nacional. O fato de que os judeus estejam longe
de ser um povo e de que a Bíblia seja um texto muito limitado em ralação à
verdade histórica não impede que gerações de israelitas e judeus se
identifiquem com o rei David ou com o gigante Sansão. Está claro que a
ausência de uma origem étnica inequívoca não impede que as pessoas se
considerem parte de um povo. De maneira similar, também não impede que o
judeu nacionalista tenha o sentimento de pertinência a uma grande
coletividade abstrata.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Nos anos setenta,
Shlomo Artzi, que então era um jovem cantor israelense a ponto de se
converter na maior estrela de rock de Israel, gravou uma canção que
alcançou um êxito multitudinário em questão de horas. Eis aqui os
primeiros versos:</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">De repente</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Um homem se
desperta</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Pela manhã</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Sente que é povo</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">E se põe a caminhar</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">E a todo mundo com quem
se cruza</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Lhe diz shalom</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"> </P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Até certo ponto Artzi
expressou inocentemente em seus versos a brusquedade e a quase
eventualidade da transformação dos judeus em um povo. No entanto, de forma
simultânea, Artzi contribuiu para a ilusão do mito nacional da nação que
busca a paz. Àquelas alturas, Artzi já deveria saber que o nacionalismo
judeu era um ato colonialista a custas do povo autóctone palestino.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Ao que parece, o
nacionalismo, a pertinência nacional e o nacionalismo judeu em particular
são objeto de uma importante tarefa intelectual. É interessante observar
que os primeiros a analisar teórica e metodicamente os assuntos relativos
ao nacionalismo foram ideólogos marxistas. Embora o próprio Marx não tenha
conseguido encontrar uma resposta adequada , o auge das exigências
nacionalistas durante o século XX na Europa oriental e central pegou
desprevenidos a Lenin e a Stalin.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">A contribuição marxista
ao estudo do nacionalismo pode ser considerada como o foco que ilumina a
profunda relação existente entre o auge da livre economia e o
desenvolvimento do Estado nacional [5]. De fato, Stalin resumiu a posição
marxista: "A nação", disse, "é uma sólida colaboração entre seres,
historicamente criada e formada de acordo com quatro fenômenos
compartilhados: a língua, o território, a economia e a significação
psíquica..." [6].</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Como era de esperar, a
tentativa marxista de compreender o nacionalismo carece de uma visão
histórica adequada. Na ausência desta se baseia na luta de classes. Por
razões óbvias, esta visão foi muito popular entre aqueles que crêem no
"socialismo de uma nação", entre os quais podemos incluir aos proponentes
de uma rama esquerdista do sionismo.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Para Sand, o
nacionalismo evolucionou a causa do "êxtase criado pela modernidade que
separa as pessoas de seu passado imediato" [7]. A mobilidade criada pela
urbanização e a industrialização pulverizou o sistema hierárquico social,
assim como a continuidade entre passado, presente e futuro. Sand assinala
que antes da industrialização o camponês feudal não sentia
obrigatoriamente a necessidade de um discurso histórico de impérios e
reinos. O sujeito feudal não necessitava de um abstrato discurso histórico
de amplas coletividades, que tinham muito pouca importância para sua
necessidade existencial imediata e concreta. "Sem uma percepção de
progressão social, se saia bem com um relato religioso imaginário que
continha um mosaico de memória sem dimensão real de um tempo que avança. O
´fim' era o princípio e a eternidade fazia o papel de ponte entre a vida e
a morte" [8]. No mundo urbano moderno e laico, o "tempo" se havia
convertido no principal navio da vida que ilustra um sentido simbólico
imaginário. O tempo histórico coletivo se havia convertido no ingrediente
elementar do pessoal e do íntimo. O discurso coletivo da forma à
significação pessoal e ao que parece ser "real". Por mais que pessoas
banais sigam insistindo que "o pessoal é político", seria muito mais
inteligível afirmar que na prática ocorre o contrário. Na condição
posmoderna, o político é pessoal e o sujeito é falado, em vez de falar por
si mesmo. A autenticidade é um mito que se reproduz a si mesmo sob a forma
de um identificante simbólico.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">A leitura feita por
Sand do nacionalismo como produto da industrialização, da urbanização e da
laicidade tem muito sentido se consideramos a sugestão de Uri Slezkin,
segundo a qual os judeus são os "apóstolos da modernidade", da laicidade e
da urbanização. Se os judeus encontraram a si mesmos no centro da
organização e da laicidade, não deveria surpreender-nos que os sionistas
fossem bastante criativos, como qualquer outro, na hora de inventar seu
próprio relato imaginário coletivo e fantasmático. Porém, ao insistir em
seu direito a ser "como qualquer outro povo", os sionistas conseguiram
transformar seu passado coletivo imaginário num programa global,
expansionista e despiedoso e na maior ameaça para a paz do mundo.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"><STRONG>Não existe uma
história judia</STRONG></P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">É um fato estabelecido
que entre o século I e princípios do XIX não se escreveu nenhum texto
histórico judeu. O fato de que o judaísmo se baseie em um mito histórico
religioso pode ter algo a ver com isto. A tradição rabínica não se
preocupou nunca de investigar adequadamente o passado judeu. É provável
que uma das razões seja a ausência de necessidade de proceder a um esforço
metódico. Para os judeus que viviam em tempos antigos e na Idade Média, a
Bíblia estava aí para responder as perguntas mais relevantes relacionadas
com a vida diária, a significação e o destino judeus. Tal como assinala
Shlomo Sand, "o tempo cronológico laico era alheio ao ´tempo da diáspora',
determinado pela espera da chegada do Messias".</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Entretanto, à luz da
laicidade, a urbanização e a emancipação alemãs e a causa da menor
autoridade dos líderes rabínicos, surgiu a necessidade de uma causa
alternativa entre os nascentes intelectuais judeus. O judeu emancipado se
perguntava quem era, de onde vinha. Também começou a especular que sua
função poderia estar no interior de uma sociedade européia cada vez mais
aberta.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Em 1820, o historiador
judeu alemão Isaak Markus Jost (1793 – 1860) publicou a primeira obra
histórica séria sobre os judeus, intitulada The History of the Israelites.
Jost evitou os tempos bíblicos, preferiu iniciar sua viagem com o reino de
Judea e também compilou um discurso histórico das diferentes comunidades
judias do mundo. Jost se deu conta de que os judeus de seu tempo não
formavam uma continuidade étnica. Intuiu que os israelitas de distintos
lugares eram diferentes. Daí que pensasse que não havia nada no mundo que
pudesse impedir a total assimilação dos judeus. Jost acreditava que no
interior do espírito ilustrado, tanto os alemães como os judeus dariam as
costas à opressiva instituição religiosa e formariam uma saudável nação
baseada num crescente sentido de pertinência geograficamente
orientado.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Embora Jost fosse
consciente do desenvolvimento do nacionalismo europeu, seus seguidores
judeus estavam bastante descontentes com sua otimista leitura liberal do
futuro judeu. "A partir do historiador Henrich Graetz, los historiadores
judeus começaram a desenhar a história do judaísmo como a de uma nação que
havia sido um ´reino', que foi expulsa ao ´exílio' e que se converteu em
um povo errante que terminaria por regressar a sua terra natal" [9].</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Para o falecido Moses
Hess o que definiria a forma de Europa seria mais uma luta racial que uma
luta de classes. Em consonância, sugeriu, valeria mais que os judeus
refletissem sobre sua herança cultural e sua origem étnica. Para Hess, o
conflito entre judeus e gentis era o produto da diferenciação racial, ou
seja, algo inevitável. O caminho ideológico que vai da orientação racista
pseudo-científica de Hess até o historicismo sionista é bastante óbvio. Se
os judeus formam uma entidade racial diferente (tal como diziam Hess,
Jabotinsky e outros), o melhor que podem fazer é dirigirem-se a sua pátria
natural, e esta não é outra que Yeretz Yisrael. Esta claro que o
raciocínio de Hess com respeito a uma continuidade racial carecia de base
científica. Com vistas a manter o emergente discurso fantasmático, era
necessário erguer um mecanismo orquestrado de negação para assegurar-se de
que alguns fatos embaraçosos não interferissem com a emergente criação
nacional.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"> </P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Sand sugere que o
mecanismo de negação foi algo orquestrado e muito bem planejado. A decisão
da Universidade Hebréia nos anos trinta de separar a História Judia e a
História Geral em dois departamentos diferentes foi algo mais que um
assunto de conveniência. O propósito que está na base desta divisão é
realçar a auto-realização judia. Para os universitários judeus, a condição
e a psique judias eram algo único que deveria ser estudado por separado.
Ao parecer, inclusive no interior do entorno acadêmico hebreu, os judeus,
sua história e a percepção de si mesmos têm reservado um status supremo.
Tal como Sand perspicazmente assinala, nos departamentos de Estudos Judeus
o investigador está disperso entre o mitológico e o científico, enquanto
que o mito mantém sua primazia, o que faz que frequentemente se trave em
um dilema provocado por "pequenos fatos tortuosos".</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"><STRONG>O novo
israelense, a Bíblia e a arqueologia</STRONG></P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Na Palestina, os novos
judeus, mais tarde israelenses, estavam determinados a recrutar o Antigo
Testamento e transformá-lo no código amalgamado do futuro judeu. A
"nacionalização" da Bíblia estava aí para implantar nos jovens judeus a
idéia de que são os descendentes diretos de seus grandes antepassados
antigos. Levando-se em conta que a nacionalização era um movimento
amplamente laico, se extirpou o significado espiritual e religioso da
Bíblia, que passou a ser considerada como um texto histórico que descrevia
uma cadeia real de acontecimentos no passado. Os judeus que haviam
conseguido matar a seu Deus aprenderam a crer em si mesmos. Massada,
Sansão e Bar Kochva se converteram em discursos suicidas. À luz de seus
heróicos antepassados, os judeus aprenderam a amar a si mesmos tanto como
odiar aos demais, exceto que desta vez possuíam a capacidade militar de
infligir uma dor real a seus vizinhos. Mais preocupante era o fato de que
em vez de uma entidade sobrenatural – ou seja, Deus – que lhes ordenava
invadir um território, levar a cabo um genocídio e roubar a "Terra
Prometida" a seus habitantes autóctones, em seu renascido projeto nacional
eram eles mesmos, Herzl, Jabotinsky, Weitzman, Ben Gurion, Sharon, Peres,
Barak, os que decidiram expulsar, destruir e matar. Em vez de Deus, eram
os judeus que matavam em nome do povo judeu. Fizeram-no com símbolos
judeus decorando seus aviões e seus tanques. Seguiram as ordens que lhes
davam na língua de seus antepassados recentemente restaurada.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">O surpreendente é que
Sand, que é sem dúvida alguma um lúcido historiador, não mencione que o
seqüestro sionista da Bíblia foi de fato uma desesperada resposta judia ao
jovem romanticismo alemão. No entanto, por mais ideológica e esteticamente
excitados que estivessem os filósofos, poetas, arquitetos e artistas
alemães pela Grécia pré-socrática, sabiam muito bem que eles não eram
exatamente filhos e filhas do helenismo. O nacionalista judeu deu passo
mais longe, integrou-se numa cadeia sangüínea fantasmática com seus
míticos antepassados ao pouco tempo de haver restaurado sua língua antiga.
De ser uma língua sagrada, o hebreu se havia convertido em uma língua
falada. O jovem romanticismo alemão nunca chegou tão longe.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Os intelectuais alemães
durante o séculoXIX eram também perfeitamente conscientes da distinção
entre Atenas e Jerusalém. Para eles, Atenas era o universal, o capítulo
épico da humanidade e o humanismo. Jerusalém era, pelo contrário, o grande
capítulo da barbárie tribal. Jerusalém era uma representação de um Deus
despiedado, banal, não universal e monoteísta, capaz de matar a anciões e
a lactantes. A era romântica alemã inicial nos legou Hegel, Nietzche,
Fichte y Heidegger e a uns quantos judeus que se odiavam a si mesmos,
entre os quais o mais importante foi Otto Weininger. Os jerusalenistas não
nos legaram nem um só pensador ideológico. Alguns acadêmicos judeus
alemães de segunda categoria trataram de predicar Jerusalém na êxedra
germânica, entre eles Herman Cohen, Franz Rosenzveig e Ernst Bloch.
Obviamente, não chegaram a se dar conta de que os românticos alemães
iniciais desprezavam as marcas de Jerusalém na cristandade. </P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Em seu esforço por
ressuscitar "Jerusalém", acudiu-se à arqueologia para que proporcionasse
uma base "científica" necessária ao epos sionista. A arqueologia estava aí
para unificar o tempo bíblico com o momento da reinstauração. É provável
que o momento mais surpreendente dessa estranha tendência ocorresse em
1982 com a "cerimônia do enterro militar" dos ossos de Shimon Bar Kochva,
um rebelde judeu que havia morrido 2000 anos antes. Dirigido pelo rabino
militar em chefe, procedeu-se ao enterro militar de uns quantos ossos
encontrados numa cova perto do Mar Morto. Na prática, os supostos restos
de um rebelde judeu do século I foram tratados como se fosse uma baixa do
exército israelense. Estava claro que a arqueologia tinha uma função
nacional, havia sido recrutada para consolidar o passado e o presente,
deixando fora o Galut, o exílio judeu.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">O surpreendente é que
não passou muito tempo antes de que as coisas dessem um giro completo.
Conforme a investigação arqueológica se foi independizando do dogma
sionista, a embaraçosa verdade saiu à luz. Era impossível demonstrar a
veracidade do relato bíblico com fatos forenses. Na verdade, a arqueologia
refuta a historicidade do argumento bíblico. As escavações revelaram este
incômodo fato. A Bíblia é um compêndio de inovadora literatura de
ficção.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Tal como Sand assinala,
a história bíblica primigênia está impregnada de filisteus, arameus e
camelos. O embaraçoso é que as escavações demostram que os filisteus não
apareceram na região antes do século XII a.C.; os arameus, um século
depois e os camelos não mostraram suas caras joviais antes do século VIII.
Estes fatos científicos colocaram os investigadores sionistas numa grave
confusão. Não obstante, para alguns acadêmicos não judeus, como Thomas
Thompson, estava bastante claro que a Bíblia é "um compêndio tardio de
literatura inovadora escrita por um talentoso teólogo" [10]. A Bíblia
parece ser um texto ideológico que estava aí para servir a uma causa
social e política.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">O pior é que no Sinai
não foi possível encontrar muitas provas que confirmassem a história do
lendário êxodo egípcio, em que uns três milhões de homens, mulheres e
crianças hebreus vagaram no deserto durante 40 anos sem deixar o menor
rasto. Nem sequer uma mísera Matzá, o pão ácimo judeu.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">A história do novo
reassentamento bíblico e do genocídio dos cananeus, que os israelitas
contemporâneos imitam com tanto êxito, é outro mito. Jericó, a cidade
fortificada que foi destruída a toque de trompetas com a intervenção
sobrenatural do altíssimo, era só um pequeno povoado durante o século XII
a.C.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Por mais que Israel
considere a si mesmo como a reativação do monumental reino de David e
Salomão, a escavação feita na velha cidade de Jerusalém durante os anos
setenta revelou que o reino de David não era mais que um pequeno
assentamento tribal. As provas que Yigal Yadim havia apresentado com
respeito ao rei Salomão foram refutadas mais tarde com estudos forenses
realizados com carbono 14. Estes incômodos fatos estão cientificamente
estabelecidos. A Bíblia é um relato de ficção e não existe base alguma
sobre a qual se possa basear qualquer gloriosa existência do povo hebreu
na Palestina em nenhum momento.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"><STRONG>Quem inventou
os judeus?</STRONG></P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"> Já desde o início
de seu texto, Sand faz perguntas cruciais muito relevantes: Quem são os
judeus? De onde vieram? Como é que em períodos históricos diferentes
aparecem em lugares muito diferentes e remotos?</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Embora a maioria dos
judeus contemporâneos esteja totalmente convencida de que seus
antepassados são os israelitas bíblicos, que foram brutalmente exilados
pelos romanos, é preciso dizer a verdade. Os judeus contemporâneos não têm
nada a ver com os aantigos israelitas, que nunca foram enviados ao exílio
porque tal expulsão nunca ocorreu. O exílio romano é outro mito judeu.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">"Comecei a procurar
estudos de investigação sobre o exílio", disse Sand numa entrevista
concedida ao Haaretz [11], "mas descobri com assombro que não existe
nenhuma literatura a respeito. A razão é que ninguém exilou o povo deste
país. Os romanos não exilaram gente e não poderiam tê-lo feito, mesmo se
tivessem desejado faze-lo. Careciam de trens e caminhões para deportar
populações inteiras. Este tipo de logística não existiu antes do século
XX. Meu livro nasceu, efetivamente, de uma constatação: da certeza de que
a sociedade judaica não foi dispersada nem exilada".</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Outrossim, à luz da
simples introspecção de Sand, a idéia do exílio judeu chega a ser
engraçada. Pode ser que o fato de pensar que a armada imperial romana se
dedicasse vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, a
transportar dificultosamente Moishe'le e Yanka'le até Córdoba e Toledo
sirva para que os judeus se sintam importantes e transportáveis, porém o
sentido comum sugere que os romanos tinham coisas mais importantes que
fazer.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Entretanto, muito mais
interessante é o resultado lógico: se o povo de Israel não foi expulso,
então os verdadeiros descendentes dos habitantes do reino de Judá devem
ser os palestinos.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">"Nenhuma população
permanece pura durante um período de milhares de anos", diz Sand [12].
"Porém as possibilidades de que os palestinos sejam descendentes do antigo
povo judaico são muito maiores que as de que você ou eu sejamos seus
descendentes. Os primeiros sionistas, até a Sublevação Árabe (1936 – 1939)
sabiam que não tinha havido exílio e que os palestinos eram os
descendentes dos habitantes do território. Sabiam que os camponeses não se
vão até que os expulsem. Inclusive Yitzhak Ben-Zvi, o segundo presidente
do Estado de Israel, escreveu em 1929 que "a maioria dos camponeses
não descendem dos conquistadores árabes, senão que dos camponeses judeus,
que eram numerosos e majoritários na construção do território".</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Em seu livro, Sand vai
ainda mais longe e sugere que até o Primeiro Levantamento Árabe (1929), os
denominados líderes sionistas esquerdistas tinham tendência a crer que os
camponeses palestinos, que são em realidade "judeus por sua origem", se
assimilariam no interior da emergente cultura hebréia e terminariam por se
unir ao movimento sionista. Ben Borochov acreditava que "um falach
(camponês palestino) se vestir-se como um judeu e comportar-se como um
judeu da classe trabalhadora, não se diferenciará em nada dos judeus".
Esta mesma idéia reapareceu no texto de Ben Gurion e Ben-Zvi em 1918.
Ambos líderes sionistas se deram conta de que a cultura palestina está
impregnada de marcas bíblicas, tanto do ponto de vista lingüístico como
geográfico (nomes de aldeias, povoados, rios e montanhas). Ben Gurion e
Ben-Zvi, pelo menos ao princípio, consideravam os palestinos nativos como
parentes étnicos que parmaneciam apegados à terra e eram irmãos
potenciais. Também consideravam o islã como uma amistosa "religião
democrática". Claramente, depois de 1936, tanto Ben Gurion como Ben-Zvi
diluíram seu entusiasmo "multicultural". No que diz respeito a Ben Gurion,
a limpeza étnica dos palestinos lhe pareceu muito mais atrativa.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"> Vale a pena fazer
a pergunta: se os palestinos são os autênticos judeus, quem são esses que
insistem em chamar-se a si mesmos judeus?</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"> A resposta de
Sand é bastante simples, mas está cheia de sentido. "O povo não se
disseminou, foi a religião judia a que se disseminou. O judaísmo era uma
religião de conversos. Contrariamente ao sentir popular, o judaísmo
inicial adorava converter aos demais." [13]</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"> É evidente que as
religiões monoteístas, ao serem menos tolerantes que as politeístas, têm
um ímpeto de expansão. O expansionismo judaico em seus primeiros dias não
só era similar ao cristianismo, senão que foi o expansionismo judaico que
plantou as sementes da disseminação no pensamento e na prática cristãs
iniciais. "Os hasmoneus", diz Sand [14], "foram os primeiros a contribuir
com um grande número de conversos à massa judia, e isso sob a influência
do helenismo. Foi esta tradição das conversões o que preparou o terreno
para a posterior disseminação da cristandade. Após a vitória da
cristandade no século IV, a tendência à conversão ao judaísmo se deteve no
mundo cristão e houve uma diminuição importante no número de judeus. É
provável que muitos dos judeus do entorno mediterrâneo se converteram em
cristãos. Mas então o judaísmo começou a penetrar outras regiões pagãs,
tais como o Yemen e a África do Norte. Se o judaísmo não houvesse
continuado seu avance naquele momento convertendo povos do mundo pagão,
teria continuado a ser uma religião completamente marginal, no caso da
haver sobrevivido."</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"> Os judeus da
Espanha, que cremos estar relacionados mediante laços de sangue com os
israelitas iniciais, parecem ser berberes convertidos. "Perguntei a mim
mesmo", diz Sand, "como foi que apareceram na Espanha umas comunidades
judias tão numerosas. Então vi que Tariq ibn Ziyad, o comandante supremo
dos muçulmanos que conquistaram a Espanha, era berbere, e que a maior
parte de seus soldados eram berberes. O reino berbere judeu de Dahlia
al-Kahima havia sido derrotado só 15 anos antes. E a verdade é que um
certo número de fontes cristãs dizem que muitos dos conquistadores da
Espanha eram judeus conversos. A fonte mais profunda da grande comunidade
judia da Espanha eram aqueles soldados berberes que se converteram ao
judaísmo."</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"> Como era de
esperar, Sand aprova a assunção amplamente aceita de que os kazários
judaizados constituíram as principais origens das comunidades judias da
Europa do Leste, que ele denomina a Nação Yiddish. Quando lhe perguntaram
como foi que chegaram a falar o yiddish, que é considerado como um dialeto
medieval alemão, ele respondeu: "Os judeus eram um povo que dependia da
burguesia alemã no Leste, assim que adotaram palavras alemãs."</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"> Em seu livro,
Sand oferece uma enumeração detalhada da saga kazária na história judia.
Explica o que foi que levou o reino kazário à conversão. Levando em conta
que o nacionalismo judeu está liderado em sua maior parte por uma elite
kazária, pode ser que devamos expandir nosso conhecimento íntimo deste
grupo político tão único e influente. A tradução da obra de Sand a outras
línguas é uma necessidade imediata (a tradução francesa está a ponto de
aparecer, tal como de siz em Are the Jews na invented people?, de Eric
Rouleau.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"> <STRONG>O que vem
a continuação?</STRONG></P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">O professor Sand nos
deixa com a inevitável conclusão: os judeus contemporâneos não têm uma
origem comum e sua origem semita é um mito. Os judeus não se originam na
Palestina de nenhum modo e, por tanto, seu denominado "retorno" à "terra
prometida" deve ser considerado como uma invasão executada por um clã
ideológico tribal.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">No entanto, apesar de
que os judeus não constituem uma raça, por alguma razão parecem ter uma
orientação racial. Deve-se assinalar que muitos judeus ainda consideram o
casamento misto como a maior ameaça. Além disso, apesar da modernização e
laicidade, a maioria dos que se identificam como judeus laicos continuam
sucumbindo ao ritual do sangue, a circuncisão, um procedimento religioso
único no qual um Mohel, o executor, chupa o sangue do circuncidado.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">No que diz respeito a
Sand, Israel deve converter-se em "um Estado de seus cidadãos". Assim como
Sand, eu também compartilho a mesma visão utópica futurista. Não obstante,
contrariamente a Sand, considero que o Estado judeu e os grupos de pressão
que o apóiam devem ser ideologicamente derrotados. A irmandade e a
reconciliação são alheias à visão do mundo tribal dos judeus e não cabem
no conceito de ressurgimento nacional judeu. Por mais terrível que soe,
antes de que os israelitas possam adotar uma noção moderna e universal da
vida civil, será necessário um processo de desjudeização.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Não há dúvida de que
Sand é um extraordinário intelectual, provavelmente o pensador esquerdista
israelense mais avançado. Representa a forma mais elevada de pensamento
que um israelense laico pode alcançar antes de retroceder ou incluso de
desertar ao lado palestino (o que é algo que ocorreu com uns poucos,
incluindo a mim). Ofri Ilani, o entrevistador de Haaretz, disse de Sand
que, contrariamente a outros "novos historiadores" que têm tratado socavar
as assunções da historiografia sionista, "Sand não se contenta com
retroceder a 1948 ou aos princípios do sionismo, senão que retrocede
milhares de anos". É assim, contrariamente aos "novos historiadores", que
"revelam" uma verdade que qualquer criança palestina conhece, ou seja, a
verdade de que estão sendo objeto de uma limpeza étnica, Sand erige um
corpus de obra e pensamento que busca a compreensão do significado do
nacionalismo judeu e da identidade judia. Essa é a essência verdadeira da
erudição. Mais que reunir fragmentos históricos esporádicos, Sand busca o
significado da história. Mais que um "novo historiador" que busca um novo
fragmento, é um autêntico historiador motivado por uma tarefa humanista.
Contrariamente a alguns dos historiadores judeus que contribuem ao
denominado discurso de esquerda, a credibilidade e o êxito de Sand se
baseiam mais em seus argumentos do que em seus antecedentes familiares.
Evita adornar seus argumentos com seus parentes que sobreviveram ao
holocausto. Ao ler os ferozes argumentos de Sand, deve-se admitir que o
sionismo, com todos os seus defeitos, conseguiu erigir no interior de si
mesmo um discurso orgulhoso e autônomo que é muito mais eloqüente e brutal
que a totalidade do movimento anti-sionista no mundo inteiro.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Se Sand tiver razão, e
estou convencido de que tem, os judeus não são uma raça e sim um coletivo
de muita gente amplamente seqüestrada por um movimento nacional
fantasmático tardio. Se os judeus não são uma raça, não forma um grupo
racial e não têm nada a ver com o semitismo, o anti-semitismo é,
categoricamente, um significante vazio. Claramente se refere a um
significante que não existe. Em outras palavras, nossa crítica do
nacionalismo judeu, dos grupos de pressão judeus e do poder judeu só se
podem conceber como uma crítica legítima de ideologia e de prática.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Repito novamente, não
estamos e nunca estivemos contra os judeus (o povo), nem contra o judaísmo
(a religião); estamos contra uma filosofia coletiva de claros interesses
globais. Alguns podem preferir chamar-la sionismo, mas eu prefiro não
fazê-lo. O sionismo é um significante demasiado estreito para compreender
a complexidade do nacionalismo judeu, sua brutalidade, sua ideologia e sua
prática. O nacionalismo judeu é um espírito e os espíritos não têm
fronteiras bem delimitadas. De fato, nenhum de nós sabe exatamente onde
termina a judeidade e onde começa o sionismo, da mesma maneira que não
sabemos onde terminam os interesses israelenses e onde começam os
interesses dos neocons.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">No que diz respeito à
causa Palestina, a mensagem é devastadora. Nossos irmãos e irmãs
palestinos estão na vanguarda de uma luta contra uma filosofia
devastadora. Mas está claro que não só os israelenses, aos quais se
enfrentam com valente pragmatismo, os que iniciam conflitos globais de
escala gigantesca. Se trata de uma prática tribal que busca a influência
nos corredores do poder e de superpoder. O American Jewish Committee busca
uma guerra contra o Irã. Só para situar-se no lado seguro, David Abrahams,
um "amigo laborista de Israel", doa dinheiro por delegação ao Partido
Laborista. Mais ou menos ao mesmo tempo, dois milhões de iraquianos morrem
numa guerra ilegal desenhada por alguém chamado Wolfowitz. Enquanto tudo
isto ocorre, milhões de palestinos passam fome em campos de concentração e
Gaza está à beira de uma crise humanitária. Enquanto isso ocorre, judeus
"anti-sionistas" e judeus de esquerda (incluindo Chomsky) insistem em
neutralizar as críticas contra o AIPAC, o grupo de pressão judeu e o poder
judeu de Mearcheimer y Walt [15].</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">É só Israel? É
realmente sionismo? Ou devemos admitir que é algo muito maior do que
podemos contemplar dentro das fronteiras intelectuais que impomos a nós
mesmos? Tal como andam as coisas, carecemos da coragem intelectual para
nos enfrentarmos ao projeto nacional judeu e a seus muitos mensageiros em
todo o mundo. Entretanto, como tudo é questão de inverter consciências, as
coisas vão mudar logo. De fato, este texto foi escrito para provar que já
estão mudando. Defender os palestinos é salvar o mundo, mas para fazê-lo
temos de ter suficiente coragem como para admitir que não se trata
meramente de uma batalha política. Não é só Israel, seu exército ou sua
dirigência; também não são Dershowitz, Foxman e suas ligas silenciadoras.
Trata-se de uma guerra contra um espírito canceroso que seqüestrou o
Ocidente e, ao menos no momento, o desviou de sua inclinação humanista e
de suas aspirações atenienses. Lutar contra um espírito é muito mais
difícil que lutar contra gente, precisamente porque talvez seja necessário
lutar primeiro contra suas marcas dentro de nós mesmos. Se quisermos lutar
contra Jerusalém, primeiro teremos que confrontar a Jerusalém que levamos
dentro. Pode ser que tenhamos que nos situar diante do espelho e olhar ao
redor. Pode ser que tenhamos que buscar rastos de empatia em nosso
interior, se é que ainda permanece algum.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Notas</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">[1] When And How The
Jewish People Was Invented?, Shlomo Sand, Resling 2008, p. 11.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">[2] <A
href="http://www.haaretz.com/hasen/spages/966952.html"
target=_blank>http://www.haaretz.com/hasen/spages/966952.html</A></P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">[3] When And How The
Jewish People Was Invented?, Shlomo Sand, Resling 2008, p. 31.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">[4] Ibid, p. 31.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">[5] Ibid, p. 42.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">[6] Ibid.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">[7] Ibid, p. 62.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">[8] Ibid.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">[9] <A
href="http://www.haaretz.com/hasen/spages/966952.html"
target=_blank>http://www.haaretz.com/hasen/spages/966952.html</A></P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">[10] When And How The
Jewish People Was Invented?, Shlomo Sand, Resling 2008, p. 117.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">[11] <A
href="http://www.haaretz.com/hasen/spages/966952.html"
target=_blank>http://www.haaretz.com/hasen/spages/966952.html</A></P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">[12] Ibid.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">[13] Ibid.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">[14] Ibid.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">[15] <A
href="http://www.lrb.co.uk/v28/n06/mear01_.html"
target=_blank>http://www.lrb.co.uk/v28/n06/mear01_.html</A></P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Fuente:</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"><A
style="TEXT-DECORATION: underline"
href="http://palestinethinktank.com/2008/09/02/gilad-atzmon-the-wandering-who/"
target=_blank>http://palestinethinktank.com/2008/09/02/gilad-atzmon-the-wandering-who/</A></P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal"> </P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">O ex-judeu Gilad Atzmon
é músico, escritor e ativista pró-palestino.</P>
<P style="MARGIN-BOTTOM: 0pt; LINE-HEIGHT: normal">Versão em português:
Jair de Souza,
Brasil.</P></TD></TR></TBODY></TABLE></SPAN></DIV><BR></BODY></HTML>