<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
<HTML XMLNS:O XMLNS:V XMLNS:W><HEAD><TITLE>Nova pagina 1</TITLE>
<META http-equiv=Content-Type content="text/html; charset=iso-8859-1">
<META content="MSHTML 6.00.2900.3132" name=GENERATOR>
<STYLE></STYLE>
</HEAD>
<BODY vLink=#ff0000 aLink=#0000ff link=#0000cc bgColor=#ffffff>
<DIV> </DIV>
<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P><BASE
href=http://www.espacoacademico.com.br/035/35priori.htm>
<STYLE fprolloverstyle>A:hover {
        FONT-WEIGHT: bold; COLOR: red
}
</STYLE>
<META content="MSHTML 6.00.2900.3132" name=GENERATOR>
<DIV><FONT face=Arial color=#ff0000></FONT> </DIV>
<DIV><FONT face=Arial color=#ff0000></FONT> </DIV>
<DIV><FONT face=Arial color=#ff0000>Hoje, dia 13 de dezembro de 2008, estamos
relembrando os 40 anos quando foi editado o Ato Institucional nº 5. Um golpe
dentro do golpe. Estavam abertas as portas para mais torturas, assassinatos,
desaparecimento, perda de quaisquer garantias de direitos
individuais ou coletivos. (O que já vinha sendo feito desde
1964)</FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV>
<DIV><FONT face=Arial color=#ff0000><STRONG>Decidimos passar à vocês 3 Cartas O
Berro no sentido de recuperar essa memória trágica da nossa vida de brasileiros.
Um povo que não possui memória está fadado a recebê-la repetidamente. Onde estão
nossos mortos e desaparecidos? Onde estão os arquivos dos torturadores que se
escondem atrás das FF.AA.?</STRONG></FONT></DIV>
<DIV><STRONG><FONT face=Arial color=#ff0000></FONT></STRONG> </DIV>
<DIV><STRONG><FONT face=Arial color=#ff0000>Serão 3 Cartas O BERRO. Este
primeiro, o segundo com a cronologia do golpe e, o terceiro dos nossos mortos e
desaparecidos (oficialmente).</FONT></STRONG></DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><STRONG style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; COLOR: red; FONT-FAMILY: Arial"><FONT size=3>1968 - ATO
INTITUCIONAL Nº 5 (AI-5)<O:P></O:P></FONT></SPAN></STRONG></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial"><O:P><FONT size=3> </FONT></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial"><O:P></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><V:SHAPETYPE
id=_x0000_t75 stroked="f" filled="f" path="m@4@5l@4@11@9@11@9@5xe"
o:preferrelative="t" o:spt="75" coordsize="21600,21600"><V:STROKE
joinstyle="miter"></V:STROKE><V:FORMULAS><V:F
eqn="if lineDrawn pixelLineWidth 0"></V:F><V:F eqn="sum @0 1 0"></V:F><V:F
eqn="sum 0 0 @1"></V:F><V:F eqn="prod @2 1 2"></V:F><V:F
eqn="prod @3 21600 pixelWidth"></V:F><V:F
eqn="prod @3 21600 pixelHeight"></V:F><V:F eqn="sum @0 0 1"></V:F><V:F
eqn="prod @6 1 2"></V:F><V:F eqn="prod @7 21600 pixelWidth"></V:F><V:F
eqn="sum @8 21600 0"></V:F><V:F eqn="prod @7 21600 pixelHeight"></V:F><V:F
eqn="sum @10 21600 0"></V:F></V:FORMULAS><V:PATH o:connecttype="rect"
gradientshapeok="t" o:extrusionok="f"></V:PATH><O:LOCK aspectratio="t"
v:ext="edit"></O:LOCK></V:SHAPETYPE><V:SHAPE id=_x0000_s1026
style="MARGIN-TOP: 1.3pt; Z-INDEX: 1; LEFT: 0px; MARGIN-LEFT: 0px; WIDTH: 169.35pt; POSITION: absolute; HEIGHT: 207pt; TEXT-ALIGN: left"
type="#_x0000_t75"><V:IMAGEDATA cropright="6585f" cropleft="3103f"
cropbottom="5461f" o:title=""
src="file:///C:\DOCUME~1\Fernando\CONFIG~1\Temp\msohtml1\01\clip_image001.png"></V:IMAGEDATA><W:WRAP
type="square"></W:WRAP></V:SHAPE><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial">No final de
1968, a ditadura enfrentava enorme isolamento. As manifestações estudantis
daquele ano haviam reduzido a quase zero o apoio do regime militar na classe
média. As greves de Osasco e de Contagem, bem como a articulação do Movimento
Intersindical contra o Arrocho, sinalizavam a retomada das lutas operárias,
enquanto a oposição política, agrupada na Frente Ampla e no MDB, tornava-se mais
crítica. <O:P></O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial"><O:P> </O:P></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial">O isolamento acabou favorecendo o crescimento, dentro
das Forças Armadas, da chamada “linha dura”, que passou a defender o fechamento
político completo. No segundo semestre de 1968, essa corrente, que no meio civil
era representada principalmente pelo ministro da Justiça, Luís Antônio da Gama e
Silva (1913-1979), passou à ofensiva. Argumentando que o deputado Márcio Moreira
Alves (MDB-GB) pronunciara um discurso ofensivo ao Exército, no qual, entre
outras coisas, convocava as jovens brasileiras a não namorar oficiais
pertencentes àquela corporação, exigiu da Câmara dos Deputados licença para que
ele fosse processado, o que, na prática, significava a cassação de seu mandato.
Diante da negativa dos parlamentares, o marechal Artur da Costa e Silva
(1899-1969) editou em 13 de dezembro de 1968 o Ato Institucional de número 5, ou
AI-5, simplesmente, que fechava temporariamente o Congresso Nacional, autorizava
o presidente da República a cassar mandatos e suspender direitos políticos,
suspendia indefinidamente o <EM style="mso-bidi-font-style: normal">hábeas
corpus</EM> e adotava uma série de outras medidas repressivas (O AI-5 só foi
revogado em 1979, no final do governo do general Ernesto Geisel).</SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial"></SPAN> </P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial">
<TABLE>
<TBODY>
<TR>
<TD class=aut style="TEXT-ALIGN: left"><FONT size=2><STRONG>FERNANDO
KITZINGER DANNEMANN</STRONG></FONT></TD></TR>
<TR>
<TD class=info style="TEXT-ALIGN: left">
<DIV><FONT size=2><STRONG>Publicado no Recanto das Letras
</STRONG></FONT></DIV>
<DIV><STRONG><FONT
size=2>==================================================================================================================================</FONT></STRONG></DIV>
<DIV><FONT size=2> músicas no
tempo da ditadura</FONT></DIV>
<DIV><FONT
size=2>
</FONT></DIV>
<DIV><FONT
size=2>
<IMG alt="" hspace=0 src="cid:007c01c95d44$e7a35490$0200a8c0@vcaixe"
align=baseline border=0></FONT></DIV>
<DIV> <A
href="http://www.youtube.com/v/81tYDkgy_kI&hl=es&fs=1"><FONT
color=#0000ff
size=2>http://www.youtube.com/v/81tYDkgy_kI&hl=es&fs=1</FONT></A></DIV></TD></TR></TBODY></TABLE></SPAN></P>
<P class=MsoNormal
style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-INDENT: 35.4pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-FAMILY: Arial"><O:P></O:P></SPAN><BR> </P></DIV>
<DIV><FONT face=Verdana color=#990000 size=1></FONT> </DIV>
<TABLE cellSpacing=0 width="100%" border=1>
<TBODY>
<TR>
<TD width="96%">
<P align=center><A href="http://www.espacoacademico.com.br/"><FONT
face=Verdana color=#0000ff
size=4>http://www.espacoacademico.com.br</FONT></A><FONT face=Verdana
color=#990000 size=1> </FONT> </P></TD></TR>
<TR>
<TD width="96%">
<TABLE cellSpacing=0 cellPadding=0 width="100%" border=0>
<CENTER></CENTER>
<TBODY>
<TR>
<CENTER>
<TD vAlign=top width="15%" background=../rayures-gris.gif
bgColor=#f0f0f0>
<P style="MARGIN: 0px 0px 3px"><B><FONT
face="Arial, Helvetica, sans-serif" size=2></FONT><FONT
face="Arial, Helvetica, sans-serif"><FONT
face=arial,helvetica,sans-serif size=2><IMG height=65
src="../autores/priori_a.jpg" width=70 border=0></FONT> </FONT><FONT
face="Arial, Helvetica, sans-serif" size=2></FONT><FONT
face=arial,helvetica,sans-serif size=2><FONT
face="Arial, Helvetica, sans-serif">Por </FONT>ANGELO
PRIORI</FONT></B>
<P style="MARGIN: 0px 0px 3px"><SPAN
style="FONT-SIZE: 8pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-size: 10.0pt; mso-ansi-language: PT-BR">Professor
do Departamento de História da UEM</SPAN><FONT
face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size=2><SPAN
class=texto18
style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 9.0pt">
</SPAN></FONT></P></TD>
<TD width="3%"></TD></CENTER>
<TD vAlign=top width="68%" rowSpan=3>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px"
align=left> </P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px"
align=center><B><FONT face=Verdana size=4>A Doutrina de Segurança
Nacional e o Manto dos Atos Institucionais durante a Ditadura
Militar Brasileira</FONT></B><FONT face=Verdana size=2><O:P>
</O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2> <O:P> </O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>No Brasil, o fim das liberdades democráticas, a
repressão e o terror como política de Estado, foram formuladas
através de uma bem arquitetada estrutura legislativa, que dava
sustentação ao regime militar. Devemos enfatizar que a ditadura
militar não foi resultado do acaso, de um acidente. Pelo contrário,
ela foi sendo estruturada conforme a democracia e a participação
política da população iam se ampliando. Não podemos negar que no
início dos anos 60 estava sendo configurada uma nova forma de ação,
através da organização popular, que questionava o arbítrio interno e
a dependência externa e exigia mudanças nas estruturas econômicas e
sociais, visando uma maior inclusão social da população pobre e
trabalhadora.<O:P> </O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>O grupo militar que tomou o poder em 1964 vinha
de uma tradição militar mais antiga, que remonta à participação do
Brasil na II Guerra. A participação do Brasil ao lado dos países
aliados, acabou sedimentando uma estreita vinculação dos oficiais
norte-americanos e militares brasileiros, como os generais Humberto
de Castelo Branco e Golbery Couto e Silva.<O:P> </O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Terminada a guerra, toda uma geração de
militares brasileiros passaram a freqüentar cursos militares
norte-americanos. Quando esses oficiais retornavam dos EUA, já
estavam profundamente influenciados por uma concepção de “defesa
nacional”. Tanto que alguns anos mais tarde vão criar a Escola
Superior de Guerra (ESG), vinculada ao Estado Maior das Forças
Armadas. Essa escola foi estruturada conforme sua similar
norte-americana <I style="mso-bidi-font-style: normal">National War
College</I>.<O:P> </O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Nos dez anos que vão de 1954 a 1964, a ESG
desenvolveu uma teoria de direita para intervenção no processo
político nacional. A partir de 1964, a ESG funcionaria também como
formadora de quadros para ocupar funções superiores nos sucessivos
governos (Brasil: Nunca Mais, 1985, p. 70).<O:P> </O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Foi dentro da ESG que se formulou os princípios
da Doutrina de Segurança Nacional e alguns dos seus subprodutos,
como por exemplo, o Serviço Nacional de Informações (SNI). Essa
doutrina, que vai virar lei em 1968, com a publicação do decreto-lei
no. 314/68, tinha como objetivo principal identificar e eliminar os
“inimigos internos”, ou seja, todos aqueles que questionavam e
criticavam o regime estabelecido. E é bom que se diga que “inimigo
interno” era antes de tudo, comunista. <O:P></O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Essa nova estrutura de poder e de controle
social se materializa com a publicação do Ato Institucional No. 1,
que subvertia a ordem jurídica até então estabelecida. No preâmbulo
do AI-1, instituído em 09 de abril de 1964, os militares já
enfatizavam essa nova realidade:<O:P> </O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px; MARGIN-LEFT: 20px"
align=left><FONT face=Verdana color=#808080 size=2><I><B>O ato
institucional que é hoje editado se destina a assegurar ao novo
governo a ser instituído os meios indispensáveis à ordem de
reconstrução econômica, financeira, política e moral do Brasil, de
maneira a poder enfrentar de modo direto e imediato os graves e
urgentes problemas de que dependem a restauração da ordem interna e
o prestígio internacional de nossa pátria.<O:P>
</O:P></B></I></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Com esse ato os militares não só ditavam novas
regras constitucionais, como impunha profundas remodelações no
sistema de segurança do Estado. Através do AI-1, foi
institucionalizado o sistema de eleição indireta para Presidente da
República, bem como dado poderes ao presidente para ditar nova
constituição, fechar o congresso, decretar estado de sítio, impor
investigação sumária aos funcionários públicos contratados ou
eleitos, abrir inquéritos e processos para apurar responsabilidades
pela prática de crime contra o Estado ou contra a ordem política e
social, suspender direitos políticos de cidadãos pelo prazo de dez
anos e cassar mandatos legislativos de deputados federais, estaduais
ou mesmo de vereadores.<O:P> </O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Durante a ditadura militar foram editados 17
atos institucionais. Mas entre eles, o mais polêmico e violento foi
o de Número 5. O AI-5, editado em 13 de dezembro de 1968, reedita os
princípios do AI-1, suspende o princípio do <I
style="mso-bidi-font-style: normal">habeas corpus</I> e institui de
forma clara e objetiva a tortura e a violência física contra os
opositores do regime.<O:P> </O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Na verdade o AI-5 simbolizou um forte ciclo de
repressão com amplos expurgos em órgãos políticos representativos,
universidades, redes de informação e no aparato burocrático do
Estado, acompanhados de manobras militares em larga escala, com
indiscriminado emprego da violência contra todas as classes.<O:P>
</O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Em tal contexto político, além de tudo, o
Congresso Nacional teve suas atividades suspensas por quase um ano,
fazendo companhia às assembléias estaduais e municipais que também
foram fechadas. Com as bases do Congresso enfraquecidas, a
facilidade encontrada para efetivar a publicação de atos
institucionais e de decretos-leis foi grande. Os decretos-lei, em
sua maioria, iniciaram um processo de regulamentação da economia
brasileira, procurando, em larga medida, torná-la atrativa para os
investidores estrangeiros através da concessão de incentivos fiscais
que facilitassem o desenvolvimento econômico da nação.<O:P>
</O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>O manto dos atos institucionais e a autoridade
absoluta dos militares serviriam como proteção e salvaguarda do
trabalho das forças repressivas, fossem quais fossem seus métodos de
ação. Só para ter uma idéia, durante o regime militar foram criados
vários órgãos de repressão, como o SNI, os DOI-CODIs, o CIEX, o
CENIMAR, a CISA, além do fortalecimento dos DOPS em todos os
Estados. Foram criados ainda os Inquéritos Policiais Militares
(IPMs), cujo objetivo era processar e criminalizar militantes e
políticos que lutavam contra o regime militar. Somente o projeto
Brasil: Nunca Mais (BNM) conseguiu reunir cópias de 717 IPMs, onde
foram processados mais de 20 mil pessoas. Muitos dos processos não
vieram à tona e estão ainda por ser verificados.<O:P>
</O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>O aparato repressivo estatal se constituía de
elementos que agiam de forma integrada: uma rede eficiente de
informação, representada essencialmente pelo SNI (Serviço Nacional
de Informação) criado pelo General Golbery do Couto e Silva e em
funcionamento desde 1964, responsabilizando-se por direcionar todas
as informações recebidas para o Poder Executivo; organizações que
encabeçavam as ações repressivas em nível local, como a DM (Divisão
Municipal de Polícia), coordenada pela DOPS que, por sua vez, se
encontrava sob a jurisdição da SESP (Secretaria Estadual de
Segurança Pública); e por instâncias das Forças Armadas como o CIEX
(Centro de Informação do Exército), CENIMAR (Centro de Informação da
Marinha) e CISA (Centro de Informação da Aeronáutica). Estes setores
contavam com a liberdade e autonomia para realizarem suas
atividades. Em São Paulo, no ano de 1969, criou-se a Operação
Bandeirantes (OBAN) que obtinha recursos financeiros do
empresariado. <O:P></O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Não era formalmente vinculada ao II Exército,
mas era composta com efetivos do Exército, Marinha, Aeronáutica,
Polícia Política Estadual, Departamento de Polícia Federal, Polícia
Civil, Força Pública e Guarda Civil (Brasil: Nunca Mais, 1985, p.
73).<O:P> </O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Servindo como molde e, sobretudo como um teste
que, segundo os militares deu certo na luta contra a subversão, a
OBAN gerou as condições, agora dentro de parâmetros formais, para a
implantação, em escala nacional, do Departamento de Operações
Internas - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI). Surgiu
em janeiro de 1970 e tinha o poder de usufruir, na área em que
estivesse instalado, dos efetivos das Forças Armadas ou das polícias
estaduais ou federal. No âmbito estadual, a Delegacia de Ordem
Política e Social (DOPS), também atuava em todos os níveis de
repressão: investigando, prendendo, interrogando, torturando e
matando.<O:P> </O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Uma das reflexões possíveis que tange a
especificidade do governo militar brasileiro, refere-se a forma como
o regime autoritário foi arquitetado no país. O regime foi
articulado por uma notável ambigüidade, pois mesmo no exercício de
um regime de exceção e essencialmente enfatizado por uma indelével
"lógica da suspeição", os dirigentes procuravam legitimá-lo e
caracterizá-lo como sendo um sistema de governo democrático. Do
primeiro general-presidente (Humberto de Alencar Castello Branco)
até o último (João Baptista de Oliveira Figueiredo) foi salientado,
principalmente, nos discursos de posse dirigidos ao povo brasileiro,
a adoção de ações e comportamentos em nome da defesa da democracia
no país. <O:P></O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Por outro lado, constatou-se, ao longo de vinte
e um anos de permanência dos militares no poder, que a existência de
uma administração democrática foi apenas fictícia, haja vista o
contundente papel repressor desempenhado pelos órgãos policiais e
jurídicos a fim de suplantar possíveis distúrbios sociais que
afetassem o andamento das atividades do Poder Executivo.<O:P>
</O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>O governo de Emílio Garrastazu Médici
(1969-1974) representou o período de maior repressão, de
arbitrariedade e de prepotência de todo o ciclo militar. Por outro
lado, o "milagre econômico", que se processou entre os anos de 1968
e 1973, estigmatizado, principalmente pelos grandiosos projetos
públicos e pelo acelerado crescimento econômico, diminuíram o
impacto causado pelas medidas de segurança utilizadas pelo governo.
Além do que, pela ação de um marketing eficiente e uma censura
forte, criou-se um clima de ufanismo em toda a nação, contribuindo,
em grande medida, para o fortalecimento da imagem do presidente que
angariou boa margem de prestígio, principalmente nas camadas
populares.<O:P> </O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Foi no governo de Médici e, com menor ênfase no
governo do General Ernesto Geisel (1974-1979), que os grupos
identificados com as guerrilhas urbana e rural foram sendo
progressivamente eliminados. A repressão desencadeada na época
atingiu centenas, talvez milhares de pessoas envolvidas com a luta
armada. <O:P></O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>No Brasil os números da ditadura não são exatos.
Depois de vinte anos do fim do governo militar, os acessos aos
arquivos secretos ainda são proibidos. Os organismos de segurança,
como o SNI ainda mantém seus arquivos fechados. Os únicos
disponíveis para pesquisa, somente em alguns Estados brasileiros,
são os arquivos do DOPS e os arquivos do projeto <I
style="mso-bidi-font-style: normal">Brasil Nunca Mais
(BNM).</I><O:P> </O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Aliás, essa é uma dívida que o Estado brasileiro
tem com os seus cidadãos. Abrir e tornar público todos os arquivos
da repressão da ditadura militar. A sociedade brasileira estabeleceu
uma memória densamente acrítica com relação à ditadura: exemplo
disso foi a anistia unilateral, tanto para os presos e torturados
como para os torturadores (mas isso é um tema vencido no Brasil). O
que mais deixa indignado a comunidade de pesquisadores e os
familiares das vítimas é que tanto o governo FHC, como o atual
governo Lula não resolveram essa questão dos arquivos. Pelo
contrário, FHC fez publicar e Lula confirmar um decreto colocando
mais dificuldades de acesso aos documentos chamados sigilosos e
confidenciais do período em tela. <O:P></O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Para finalizar, é importante frisar que a
memória desse período, de extrema repressão, onde as Forças Armadas
tiveram a sua auto-imagem de defensora da pátria abalada, é ainda
incômoda e imprecisa. É incômoda porque as novas descobertas sobre o
período (depoimentos de ex-militares, trabalhos das comissões de
direitos humanos, das comissões de familiares, dos grupos Tortura
Nunca Mais, além de descobertas de arquivos, como o “arquivo do
terror”, no Paraguai) desvenda com mais nitidez o terror que se
abateu sobre os dissidentes do regime. <O:P></O:P></FONT></P>
<P style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 10px" align=left><FONT
face=Verdana size=2>Isso faz com que, tanto a direita, como as
classes dominantes, procurem se imiscuir dessa herança, através de
discursos sobre a excepcionalidade do período e dos atos praticados.
Elas estão imbuídas de apagar o passado e promover o esquecimento
como a melhor forma da recuperação da harmonia nacional. Apagar da
memória os crimes cometidos pelas ditaduras é apagar da memória as
lutas desenvolvidas contra elas. Apagar da memória esse passado
traumático, indesejado, é querer impedir que a sociedade conheça o
arbítrio e a violência política instaurada pelas ditaduras. Em
contrapartida, os grupos de esquerda, os familiares e os ativistas
de direitos humanos tem desenvolvido uma importante ação no sentido
de construir uma memória que se contraponha à memória
oficial.</FONT> </P></TD>
<TD vAlign=top width="2%" background=035fundo.jpg bgColor=#ffffff
rowSpan=3> </TD>
<TD vAlign=bottom width="12%" background=035fundo.jpg rowSpan=3><A
href="mailto:aapriori@uem.br"><IMG height=30 src="../EMAIL7.GIF"
width=60 border=0> </A>
<P><A href="../index.htm"><IMG height=20 src="../seta011.gif"
width=50 border=0></A></P></TD></TR>
<TR>
<TD vAlign=top width="15%" background=../rayures-gris.gif
bgColor=#f0f0f0>
<TD width="3%">
<TR>
<TD vAlign=bottom width="15%" background=../rayures-gris.gif
bgColor=#f0f0f0>
<TD width="3%">
<TR>
<TD vAlign=bottom width="100%" background=../rayures-gris.gif
bgColor=#f0f0f0 colSpan=5>
<P align=center><A href="../a_priori32.htm"><IMG height=30
src="../arquivo.gif" width=149 border=0><FONT face=Verdana
color=#666666 size=1>clique e acesse todos os artigos
publicados...</FONT></A>
</P></TD></TR></TBODY></TABLE></TD></TR></TBODY></TABLE>
<DIV align=center>
<P style="MARGIN-TOP: 6px"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"
color=#990000 size=1><A
href="http://www.espacoacademico.com.br">http://www.espacoacademico.com.br</A> -
<U>Copyright © 2001-2004 - Todos os direitos reservados</U></FONT>
</P></DIV></BODY></HTML>