<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
<HTML><HEAD><TITLE>Nova pagina 1</TITLE>
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<DIV>&nbsp;</DIV>
<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO. 
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT>&nbsp;</DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT>&nbsp;</DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message ----- 
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A 
title=luizmdc@gmail.com href="mailto:luizmdc@gmail.com">luiz carlos manhães de 
carvalho</A> </DIV>
<DIV>&nbsp;</DIV></DIV>
<DIV><FONT size=5><STRONG>A grande dádiva de terras: Neocolonialismo por 
convite</STRONG></FONT> </DIV><FONT size=4></FONT>
<DIV align=right><FONT size=4><B>por James Petras </B></FONT></DIV><FONT 
size=4><BR>
<TABLE cellSpacing=0 cellPadding=0 width="100%" bgColor=#ffff80 border=0>
  <TBODY>
  <TR>
    <TD width="30%">&nbsp; </TD>
    <TD>
      <DIV align=right>"O contrato que a Daewoo Logistics da Coreia do Sul está 
      a negociar com o governo de Madagascar parece predatório... Os malgaxes 
      encaram-no como neocolonial... O povo malgaxe prepara-se para perder a 
      metade da sua terra arável". Editorial do <I>Financial Times, 
      </I>20/Novembro/2008 <BR><BR>"O Cambodja está em conversações com vários 
      governos asiáticos e do Médio Oriente para receber até US$3 mil milhões em 
      investimentos agrícolas em troca de milhões de hectares de concessões de 
      terra..." <I>Financial Times, </I>21/Novembro/2008 <BR><BR>"Estamos a 
      morrer de fome no meio de colheitas abundantes e exportações 
      florescentes!" Trabalhadores sem terra desempregados, Pará, Brasil (2003) 
      </DIV></TD></TR></TBODY></TABLE></FONT>
<P align=justify><FONT size=4><IMG alt=. 
src="http://www.resistir.info/petras/imagens/livre_comercio_60pc.jpg" 
align=right> A construção de impérios em estilo colonial está a ter uma enorme 
recuperação, e a maior parte dos colonialistas são recém-chegados, a abrirem o 
seu caminho depois dos predadores europeus e estado-unidenses bem estabelecidos. 
<BR><BR>Apoiados pelos seus governos e financiados com enormes lucros do 
comércio e do investimento, e ainda excedentes orçamentais, as potências 
económicas neocoloniais agora emergentes (emerging neo-colonial economic powers, 
ENEP) estão a adquirir o controle de vastas extensões de terras férteis de 
países pobres na África, Ásia e América Latina, através da intermediação de 
corruptos locais, em regimes de mercado livre. Milhões de hectares de terra 
foram concedidos – na maior parte dos casos sem encargos – as ENEP os quais, na 
maior parte, prometem investir milhões na infraestrutura para facilitar a 
transferência dos produtos da sua pilhagem agrícola para os seus próprios 
mercados internos e pagar o salário existente de menos de $1 dólar por dia aos 
empobrecidos camponeses locais. Projectos e acordos entre as ENEP regimes 
neocoloniais aquiescentes estão em curso a fim de expandir tomadas imperiais de 
terra com dezenas de milhões de hectares adicionais no futuro próximo. A grande 
transferência/liquidação de terra verifica-se num tempo e em lugares em que o 
número de camponeses sem terra está a aumentar, pequenos agricultores estão a 
ser deslocados à força pelo estado neocolonial e falidos através da dívida e da 
falta de crédito acessível. Milhões de camponeses sem terra e trabalhadores 
rurais organizados a lutarem por terra cultivável são criminalizados, 
reprimidos, assassinados ou encarcerados e suas famílias são enviadas para 
favelas urbanas infestadas de doenças. O contexto histórico, os actores 
económicos e os métodos da construção do império do agrobusiness apresenta 
semelhanças e diferenças com a construção do império no velho estilo de séculos 
passados. <BR><BR><B>Agro-exploração imperial no velho e no novo estilo 
</B><BR><BR>Durante os cinco séculos anteriores de dominação imperial a 
exploração e exportação de produtos agrícolas e minerais desempenhou um papel 
central no enriquecimento dos impérios euro-norte-americanos. Até o século XIX, 
plantações em grande escala e latifúndios, organizados em torno de alimentos 
básicos, repousavam sobre o trabalho forçado – escravos, servos contratados, 
semi-servos, arrendatários, trabalhadores migrantes sazonais e um conjunto de 
outras formas de trabalho (incluindo prisioneiros) ara acumular riqueza e lucros 
para os colonizadores, investidores do país de origem e tesourarias do estado 
imperial. <BR><BR>Os impérios agrícolas foram adquiridos através da conquista de 
povos indígenas, importação de escravos e servos contratados, a tomada à força e 
expropriação de terras comunais e a dominação através de oficiais coloniais. Em 
muitos casos, os dominadores coloniais incorporavam elites locais ('nobres', 
monarcas, chefes tribais e minorias favorecidas) como administradores e 
recrutavam os nativos empobrecidos e despojados para servirem como soldados 
coloniais dirigidos por oficiais brancos euro-americanos. <BR><BR>O 
agro-imperialismo estilo colonial passou a ser atacado pelos movimentos de 
libertação nacional com base de massa ao longo do século XIX e primeira metade 
do século XX, culminando no estabelecimento de regimes nacionais independentes 
por toda a África, Ásia (excepto a Palestina) e a América Latina. Desde o início 
do seu governo, os estados recém-independentes procuraram afastar-se das 
políticas de propriedade da terra e de exploração da era colonial. Uns poucos 
regimes radicais, socialistas e nacionalistas finalmente expropriaram, 
parcialmente ou inteiramente, os proprietários da terra estrangeiros, como foi o 
caso na China, Cuba, Indochina, Zimbabwe, Guiana, Angola, Índia e outros. Muitas 
destas 'expropriações' levaram a transferências de terra para a nova burguesia 
emergente pós-colonial, deixando a massa da força de trabalho rural sem terra ou 
confinada à terra comunal. Na maior parte dos casos a transição dos regimes 
colonial para o pós-colonial foi subscrita por uma pacto político que assegurava 
a continuação dos padrões coloniais de propriedade da terra, cultivo, marketing 
e relações de trabalho (descritos como um sistema agro-export neocolonial). Com 
poucas excepções, a maior parte dos governos fracassaram em mudar a sua 
dependência das culturas de exportação, diversificar mercados de exportação, 
desenvolver auto-suficiência alimentar ou financiar o assentamento do pobre 
rural em terras pública férteis não cultivadas. <BR><BR>Onde se verificou 
distribuição de terra, os regimes fracassaram em investir suficientemente nas 
novas formas de organização rural (agriculturas familiares, cooperativas ou 
'ejidos' comunais) ou em impor empresas do estado de grande escala controladas 
centralmente, as quais eram dirigidas de forma ineficiente, deixavam de 
proporcionar incentivos adequados aos produtores directos, e foram exploradas 
para financiar o desenvolvimento urbano-industrial. Em resultado disso, muitas 
fazendas estatais e cooperativas acabaram por ser desmanteladas. Na maior parte 
dos países grandes massas de pobres rurais continuaram sem terra e sujeitas às 
exigências de colectores locais de impostos, recrutadores militares e 
prestamistas de dinheiro usurários e foram expulsas por especuladores da terra, 
promotores imobiliários e responsáveis nacionais ou locais. <BR><BR><B>O 
neoliberalismo e a ascensão do novo agro-imperialismo </B><BR><BR>Emblemático do 
agro-imperialismo de novo estilo é a tomada pela Coreia do Sul da metade da 
terra arável de Madagascar (1,3 milhão de hectares) sob um arrendamento de 70-90 
anos na qual a Daewoo Logistics Corporation of South Korea espera nada pagar por 
um contrato para cultivar milho e óleo de palma para exportação. <A 
href="http://www.resistir.info/petras/petras_01dez08.html#notas"><B>[1]</B></A> 
No Cambodja, vários países agro-imperiais emergentes da Ásia e do Médio Oriente 
estão a 'negociar' (com subornos substanciais e ofertas lucrativas 'parcerias' a 
políticos locais) a tomada de milhões de hectares de terra fértil. <A 
href="http://www.resistir.info/petras/petras_01dez08.html#notas"><B>[2]</B></A> 
O âmbito e profundidade da nova expansão agro-imperial emergente dentro das 
zonas rurais empobrecidas de países asiáticos, africanos e latino-americanos 
ultrapassa de longe o do império colonial primitivo de antes do século XX. Um 
levantamento pormenorizado dos novos países agro-imperialistas e das colónias 
neo-coloniais foi compilado recentemente no sítio web do <A 
href="http://www.grain.org/front/" target=_new>GRAIN</A> <A 
href="http://www.resistir.info/petras/petras_01dez08.html#notas"><B>[3]</B></A> 
. <BR><BR>As forças condutoras da conquista agro-imperialista e da tomada de 
terras podem ser divididas em três blocos: <BR>1- Os novos ricos dos regimes 
petrolíferos árabes, sobretudo entre os Estados do Golfo (em parte, através dos 
seus 'fundos de riqueza soberanos'). <BR>2- Os novos países imperiais emergentes 
da Ásia (China, Índia, Coreia do Sul e Japão) e Israel <BR>3- Os antigos países 
imperiais (EUA e Europa), o Banco Mundial, bancos de investimento da Wall Street 
e outras variadas companhias de especuladores financeiros imperiais. 
<BR><BR>Cada um destes blocos agro-imperiais é organizado em torno de um dos 
três países 'líderes': Entre os estados imperiais do Golfo, a Arábia Saudita e o 
Kuwait; na Ásia, a China, Coreia e Japão são os principais apresadores de terra. 
Entre os predadores EUA-europeus-Banco Mundial há um vasto leque de firmas 
monopolistas agro-imperialistas a comprarem terras que vão desde a Goldman Sachs 
e Blackstone nos EUA até a Louis Dreyfuss na Holanda e o Deutschbank na 
Alemanha. Mais do que as várias centenas de milhares de hectares de terra arável 
que foram ou estão em processo de serem apropriadas pelos maiores proprietários 
capitalistas do mundo, trata-se sobretudo de uma das maiores concentrações de 
propriedade privada da terra na história da construção do império. <BR><BR>O 
processo de construção do agro-império opera em grande medida através de 
mecanismos políticos e financeiros, antecedidos em alguns casos por golpes 
militares, intervenções imperiais e campanhas de desestabilização para impor 
'parceiros' neocoloniais flexíveis ou, mais precisamente, colaboracionistas, 
dispostos a cooperar neste enorme apresamento imperial da terra. Uma vez 
estabelecidos, os regimes neocoloniais africanos-asiásticos-latino-americanos 
impõem uma agenda neoliberal, a qual inclui a cessação das terras de propriedade 
comunal, a promoção de estratégias agro-exportadoras, a repressão de quaisquer 
movimentos locais pela Reforma Agrária entre agricultores de subsistência e 
trabalhadores rurais sem terra que pedem a redistribuição de terras públicas e 
privadas desocupadas. As políticas de mercado livre dos regimes neocoloniais 
eliminam ou reduzem barreiras tarifárias sobre importações subsidiadas de 
alimentos dos EUA e da Europa. Estas políticas levam à bancarrota agricultores e 
camponeses locais, o que aumenta a quantidade de terra disponível para 
'arrendamento' ou a sua liquidação junto aos novos países agro-imperiais e 
multinacionais. Os militares e a polícia desempenham um papel chave na expulsão 
de agricultores empobrecidos, endividados e famélicos e para impedir invasores 
de ocuparem e produzirem alimentos em terra fértil para consumo local. 
<BR><BR>Uma vez instalados os regimes neocoloniais colaboradores e aplicadas as 
suas agendas de "mercado livre", o cenário está preparado para a entrada e a 
tomada de vastas extensões de terra pelos países agro-industriais e 
investidores. <BR><BR>Israel é a principal excepção a este padrão de conquista 
agro-imperial, pois confia na utilização maciça e contínua da força contra toda 
uma nação para despojar os agricultores palestinos e capturar território através 
de ocupantes coloniais armados – no estilo do primitivo imperialismo colonial 
euro-americano. <A 
href="http://www.resistir.info/petras/petras_01dez08.html#notas"><B>[4]</B></A> 
<BR><BR>Após a liquidação da terras segue-se um ou dois caminhos, ou uma 
combinação de ambos: Os países imperiais emergentes tomam a condução ou são 
solicitados pelo regime neocolonial a investirem no "desenvolvimento agrícola". 
Seguem-se "negociações" unilaterais nas quais quantias substanciais de dinheiro 
do tesouro imperial são despejadas em contas bancárias dos "parceiros" 
neocoloniais. Os acordos e os termos dos contratos são desiguais. As commodities 
alimentares e agrícolas são quase totalmente exportadas para os mercados 
internos do país agro-imperial, mesmo quando a população do "país hospedeiro" 
passa fome e está dependente de embarques alimentares de emergência das agências 
imperiais "humanitárias". O "desenvolvimento", incluindo promessas de 
investimento em grande escala, é em grande medida dirigido para a construção de 
estradas, transportes, portos e instalações de armazenagem a serem utilizadas 
exclusivamente para facilitar a transferência da produção agrícola para além mar 
por firmas agro-imperiais de grande escala. A maior parte da terra é tomada sem 
arrendamento ou sujeita a taxas "nominais", as quais vão para os bolsos da elite 
política ou são reciclados no mercado imobiliário urbano e importações de luxo 
para a rica elite local. Excepto para os parentes dos colaboracionistas ou os 
compadres dos dirigentes neocoloniais, quase todos os directores bem pagos, 
executivos superiores e equipe técnica vem dos países imperiais na tradição do 
passado colonial. Um exército de "nacionais de terceiros países" com baixos 
salários e educados entra geralmente como técnicos de nível médio e empregados 
administrativos – subvertendo completamente qualquer possibilidade de 
transferência de tecnologia vital ou qualificações para a população local. O 
principal e muito louvado "benefício" para o país neocolonial é o emprego de 
trabalhadores agrícolas manuais locais, que raramente são pagos acima de $1 a $2 
dólares por dia, são duramente reprimidos e negados ao direito de qualquer 
representação sindical independente. <BR><BR>Em contrapartida, as companhias e 
regimes agro-industriais recolhem lucros enormes, asseguram abastecimentos de 
alimentos a preços subsidiados, exercem influência política ou controle 
hegemónico sobre elites colaboradoras e estabelecem "cabeças de ponte" 
económicas para expandir os seus investimentos e facilitar a tomada estrangeira 
dos sectores financeiros, comerciais e de processamento locais. 
<BR><BR><B>Países alvo </B><BR><BR>Apesar de haver uma grande competição e 
sobreposição entre os países agro-imperiais na pilhagem dos países alvo, a 
tendência é para os regime petrolíferos imperiais árabe concentrarem-se em 
penetrar neocolonias no Sul e no Sudeste Asiático. Os países asiáticos chamados 
"Tigres económicos" concentram-se na África e América Latina. Ao passo que as 
multinacionais da Europa e dos EUA exploram os antigos países comunistas da 
Europa do Leste e antiga União Soviética bem como a América Latina e a África. 
<BR><BR>O Bahrain capturou terra no Paquistão, na Filipinas e no Sudão para 
abastecer-se de arroz. A China, provavelmente o mais dinâmico país agro-imperial 
de hoje, investiu na África, América Latina e Sudeste da Ásia para assegurar 
abastecimentos de soja a baixo custo (especialmente do Brasil), produção de ar 
roz em Cuba (5000 hectares), Birmânia, Camarões (10 mil hectares), Laos (100 mil 
hectares), Moçambique (com 10 mil chineses assentados como trabalhadores 
agrícolas), Filipinas (1,24 milhão de hectares) e Uganda. <BR><BR>Os Estados do 
Golfo estão a prever um fundo de mil milhões de dólares para financiar terras 
capturadas na África do Norte e ao sul do Saara. O Japão comprou 100 mil 
hectares de fazendas brasileiras para a soja e o milho. Suas corporações possuem 
12 milhões de hectares no Sudeste da Ásia e na América do Sul. O Kuwait capturou 
terra na Birmânia, Cambodja, Marrocos, Yemen, Egipto, Laos, Sudão e Uganda. O 
Qatar tomou campos de arroz no Cambodja e no Paquistão e de trigo, milho e 
sementes oleaginosas no Sudão, bem como terra no Vietname para cereais, fruta, 
vegetais e criação de gado. À Arábia Saudita foram "oferecidos" 500 mil hectares 
de campos de arroz na Indonésia e centenas de milhares de hectares de terra 
fértil na Etiópia e no Sudão. <BR><BR>O Banco Mundial (BM) tem desempenhado um 
papel importante na promoção da captura agro-imperial de terras, destinando 
US$1,4 mil milhões para financiar tomadas de "terras sub-utilizadas" por parte 
dos agro-negócios. O BM condiciona seus empréstimos a neocolonias, como a 
Ucrânia, à abertura de terras à exploração pelos investidores estrangeiros. <A 
href="http://www.resistir.info/petras/petras_01dez08.html#notas"><B>[5]</B></A> 
Aproveitando os regimes neoliberais de "centro-esquerda" na Argentina e no 
Brasil, investidores agro-imperiais dos EUA e da Europa compraram milhões de 
hectares de terras férteis e pastos para abastecer seus centros imperiais, 
enquanto milhões de camponeses sem terra e trabalhadores desempregados são 
deixados a ver os comboios carregados de carne, trigo e soja dirigirem-se para 
instalações portuárias controladas por multinacionais estrangeiras e para os 
mercados internos imperiais na Europa, Ásia e EUA. <BR><BR>Pelo menos dois 
países imperiais emergentes, Brasil e China, estão sujeitos a tomadas de terra 
imperiais pelos países imperiais mais "avançados" e tornaram-se "agentes" da 
colonização da agricultura. Multinacionais japonesas, europeias e 
norte-americanas exploram o Brasil mesmo quando colonizadores e agro-industriais 
brasileiros tomaram vastas faixas de terra junto às fronteiras do Paraguai, 
Uruguai e Bolívia. Um padrão semelhante ocorre na China onde terras agrícolas 
boas são exploradas por japoneses e capitalistas chineses de além mar ao mesmo 
tempo que a China está tomar terra fértil nos países mais pobres da África e do 
Sudeste da Ásia. <BR><BR><B>Consequências presentes e futuras do 
agro-imperialismo </B><BR><BR>A recolonização pelos estados imperialistas 
emergentes de enormes áreas de terras férteis dos países e regiões mais pobres 
da África, Ásia e América Latina está a resultar num aprofundamento da 
bipolarização de classe entre, por um lado, rentistas ricos de estados 
petrolíferos árabes, bilionários asiáticos, ricos colonizadores judeus 
financiados pelo estado e especuladores ocidentais e, por outro lado, centenas 
de milhões de camponeses famélicos, sem terra e despojados no Sudão, Madagascar, 
Etiópia, Cambodja, Palestina, Birmânia, China, Indonésia, Brasil, Filipinas, 
Paraguai e alhures. <BR><BR>O agro-imperialismo ainda está nas suas etapas 
iniciais – tomar posse de enormes extensões de terra, expropriar camponeses e 
explorar trabalhadores rurais sem terra como trabalhadores ao dia. A fase 
seguinte, que actualmente está a verificar-se, é ganhar o controle dos sistemas 
de transportes, da infraestrutura e dos sistemas de crédito, os quais acompanham 
o crescimento das culturas agrícolas de exportação. Ao monopolizar a 
infraestrutura, o crédito e os lucros das sementes, fertilizantes, indústrias de 
processamento, portagens e pagamentos de juros sobre empréstimos mais uma vez 
concentra-se de facto o controle imperial sobre a economia colonial e estende a 
influência local sobre políticos, governantes e colaboradores dentro das 
burocracias. <BR><BR>A estrutura de classe neocolonizada, especialmente em 
economias predominantemente agrícolas, estão a evoluir para um sistema de quatro 
camadas nas quais os capitalistas estrangeiros e o seu séquito estão no pináculo 
da elite representando menos de 1% da população. Na segunda camada, 
representando 10% da população, está a elite política local e os seus compadres 
e parentes assim como burocratas e oficiais militares bem colocados, os quais 
enriquecem-se através de parcerias ("joint ventures) com o neocolonizadores e 
através de subornos e capturas de terra. A classe média local representa quase 
20% e está em perigo constante de cair na pobreza face às crises económicas 
mundiais. Os camponeses despojados, trabalhadores rurais, refugiados rurais, os 
sem teto urbanos e camponeses endividados constituem a quarta camada da 
estrutura de classe com perto de 70% da população. <BR><BR>Dentro do modelo 
neocolonial emergente de agro-exportação, a "classe média" está a contrair-se e 
a mudar a sua composição. O número de agricultores familiares a produzirem para 
o mercado interno está a declinar frente às fazendas possuídas pelo estrangeiro 
com o apoio do estado a produzirem para os seus próprios "mercados internos". Em 
consequência, os vendedores do mercado e os pequenos retalhistas estão a ficar 
para trás, esmagados pelos grandes supermercados de propriedade estrangeira. A 
perda de emprego para produtores internos de bens e serviços agrícolas e a 
eliminação de um conjunto de intermediários "comerciais" entre a cidade e o 
campo está a aguçar a polarização de classe entre as camadas do topo e da base 
da estrutura de classe. A nova classe média colonial é reconfigurada para 
incluir um pequeno estrato de advogados, profissionais, publicitários e 
funcionários de baixo nível das firmas estrangeiras e forças de segurança 
públicas e privadas. O papel auxiliar da "nova classe média" na prestação de 
serviços ao poder económico e político colonial torna-a menos orientada para o 
país e mais colonial nas suas lealdades e perspectivas políticas, mais 
consumista "free market" no seu estilo de vida e mais propensa à aprovação de 
soluções internas repressivas (incluindo fascizantes) para inquietações rurais e 
urbanas e lutas populares pela justiça. <BR><BR>Neste momento, o maior 
constrangimento ao avanço do agro-imperialismo é o colapso económico do 
capitalismo mundial, o qual está a minar a "exportação de capitais". O súbito 
colapso dos preços das commodities está a tornar menos lucrativo investir em 
terras agrícolas além mar. A secagem do crédito está a minar o financiamento de 
grandiosas capturas de terra além mar. O declínio de 70% nos rendimentos do 
petróleo está a limitar os Fundos Soberanos do Médio Oriente e outros veículos 
de investimento das reservas de divisas dos países do Golfo. Por outro lado, o 
colapso dos preços agrícolas está a levar à bancarrota a elite dos 
agro-produtores africanos, asiáticos e latino-americanos, forçando a baixa dos 
preços da terra e proporcionando oportunidades para agro-investidores imperiais 
comprarem ainda mais terra fértil a preços de saldo. <BR><BR>A actual recessão 
capitalista mundial está a acrescentar milhões de trabalhadores rurais 
desempregados às centenas de milhões de camponeses despojados durante o período 
de expansão do boom de commodities agrícolas durante a primeira metade da 
presente década. Os custos do trabalho e da terra estão baratos, ao mesmo tempo 
que a procura efectiva do consumidor está em qued. Os agro-imperialistas podem 
empregar todos os trabalhadores rurais do Terceiro Mundo que quiserem a $1 dólar 
por dia ou menos, mas como podem eles comercializar os seus produtos e obter 
retornos que cubram os custos dos empréstimos, subornos, transporte, marketing, 
salários da elite, bonificações, bónus dos presidentes dos conselhos de 
administração e dividendos dos investidores quando a procura está em declínio? 
<BR><BR>Alguns agro-imperialistas podem aproveitar-se da recessão para comprar 
agora muito barato e procurar lucros a longo prazo quando a recuperação 
financiada pelo estado com muitos milhões de milhões <I>(trillions) </I>tiver 
efeito. Outros podem reduzir as suas capturas de terra ou mais provavelmente 
manter vastas extensões de terra valiosa fora da produção até que o "mercado" 
melhore – enquanto camponeses despojados morrem de fome às margens de campos 
inaproveitados. <BR><BR>Os novos agro-imperiais estão dependentes dos novos 
estados imperialistas quanto a recursos (dinheiro e tropas) para reforçar os 
gendarmes neocoloniais na repressão dos inevitáveis levantamentos dos milhares 
de milhões de pessoas despojadas, famélicas e marginalizadas no Sudão, Etiópia, 
Birmânica, Cambodja, Brasil, Paraguai, Filipinas, China e alhures. Está a acabar 
o tempo para negócios fáceis, transferências de propriedade e arrendamentos a 
longo prazo consumado por colaboradores neocoloniais e investidores e estados 
coloniais estrangeiros. Actualmente as guerras imperiais e as recessões 
económicas internas tanto nos países imperiais antigos como nos emergentes estão 
a drenar sistematicamente as suas economias e a testar a aceitação das suas 
populações ao sacrifício da construção do império colonial de novo estilo. Sem 
apoio militar e económico internacional, o estrato delgado de governantes 
neocoloniais dificilmente pode aguentar levantamentos em massa do campesinato 
destituído aliado à classe média a mover-se para baixo e às crescentes legiões 
de jovens desempregados educados na universidade. <BR><BR>A promessa de uma nova 
era de construção agro-imperial e de uma nova onda de estados imperiais 
emergentes pode ter vida curta. Ao invés disso pode haver uma nova de movimentos 
de libertação nacional com base rural e uma competição feroz entre os novos e os 
velhos estados imperiais a combaterem por recursos financeiros e económicos cada 
vez mais escassos. Enquanto o movimento de descida dos trabalhadores e 
empregados nos centros imperiais do Ocidente gira entre um e outro partido 
imperial (democrata/republicano, conservador/trabalhista) eles não desempenharão 
qualquer papel no futuro previsível. Quando e se se libertarem... podem 
voltar-se para uma direita nacionalista demagógica ou rumo a uma actualmente 
invisível (pelo menos nos EUA e na Europa) esquerda socialista "nacionalista 
patriótica". Em qualquer caso, a actual pilhagem neocolonial e a subsequente 
rebelião em massa começará em outros lugares com ou sem uma mudança nos EUA ou 
na Europa. <BR></FONT></P>
<DIV align=right><FONT size=4>01/Dezembro/2008 </FONT></DIV><FONT size=4><FONT 
size=-1><A name=notas></A>1- Financial Times, November 20, 2008 page 3. <BR>2- 
Financial Times, November 21, 2008 page 7. <BR>3- Stephen Lendman, "Another 
Israeli West Bank Land Grab Scheme", Counterpunch. October 10, 2008; <A 
href="http://Guardian.co.uk">Guardian.co.uk</A>, October 10, 2008. <BR>4- Ver 
GRAIN.org </FONT><BR><BR><B>O original encontra-se em <A 
href="http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&amp;aid=11231" 
target=_new>http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&amp;aid=11231</A> 
</B><BR><BR><B>Este artigo encontra-se em <A href="http://resistir.info/" 
target=_new>http://resistir.info/</A> . </B></FONT><FONT size=-2></FONT><BR 
clear=all><BR>-- <BR>Abraço<BR>Luiz<BR></BODY></HTML>