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<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=5>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO. 
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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src="http://200.169.228.51/arquivosCartaMaior/FOTO/9/foto_col_8594.jpg"> 
<P class=chapeu>DEBATE ABERTO</P>
<P class=titulo>AI-5, 40 anos e uma chance</P>
<P class=linhafina>Quando se observa uma clara tendência, na imprensa e em 
certos círculos acadêmicos, de recontar a história e absolver os seus algozes, 
não podemos deixar passar em branco o dia 13 de dezembro de 1968: data da edição 
do Ato Institucional nº 5.</P>
<P class=headline-link>Gilson Caroni Filho</P>
<P class=texto>Há quatro décadas, exatos doze dias antes do Natal, o país 
recebeu um anúncio sombrio que merece ser relembrado. O ano de 2008 foi pontuado 
por aniversários importantes como o do centenário da morte de Machado de Assis, 
os vinte anos da promulgação da "Constituição Cidadã" e os quarenta do movimento 
estudantil que, espalhando barricadas em diversos países, chamou para si a 
história e o devir. <BR><BR>Mas, quando se observa uma clara tendência, na 
imprensa e em certos círculos acadêmicos, de recontar a história e absolver os 
seus algozes, não podemos deixar passar em branco o dia 13 de dezembro de 1968: 
data da edição do Ato Institucional nº 5.<BR><BR>Amadurecimento de um projeto 
autoritário instalado desde abril de 1964, ele expressou muito mais a evolução 
na correlação de forças do regime militar do que, como querem muitos, uma 
resposta ao radicalismo do movimento estudantil ou à intensificação da luta 
armada por parte de organizações de esquerda.<BR><BR>Durante os dez anos de sua 
vigência ( 1968-1978) foi instrumento para centena de cassações, atingindo 273 
mandatos parlamentares, sendo 162 estaduais e 111 federais. Somente até o final 
do governo Médici (1969-1974), o AI-5 foi acionado 579 vezes, punindo 145 
funcionários públicos, 142 militares, 102 policiais, além de 28 funcionários do 
Poder Judiciário, de juízes a promotores. Para banir oposicionistas foi 
empregado 80 vezes. Antes de revogá-lo, no final de 1978, o general Geisel dele 
fez uso várias vezes.<BR><BR>O AI-5 trouxe com ele um tipo até então inédito de 
restrição aos direitos dos cidadãos: a suspensão da garantia do 
<I>habeas-corpus</I> nos casos de crimes políticos. Seu saldo foi bem mais 
devastador se considerarmos que as cassações de políticos em pleitos diretos 
representaram, entre 1964 e 1978, a cassação do voto de milhares de eleitores. 
Segundo a publicação " Retrato do Brasil " apenas da relação de deputados 
federais punidos, entre 1964e 1978, pode-se calcular, em números redondos, cerca 
de seis milhões de votos cassados”.<BR><BR>Embora não tendo sido o único, foi o 
principal instrumento jurídico do regime militar; a espinha dorsal de uma 
repressão organizada no âmbito interno do próprio Estado. Serviu como suporte ao 
aparato repressivo que, em suas ações contra a luta armada, torturou e matou 
militantes, além de haver seqüestrado e feito desaparecer pessoas. Vale repetir 
o que em 18 de novembro de 1987, escreveu o psicanalista Hélio 
Pellegrino.<BR><BR><I>“Tais comportamentos não são atos de guerra, mas crimes 
contra a humanidade. A violência da tortura não é a violência da guerra. Esta, 
embora detestável, não chega a destruir o chão ético que torna possível a vida e 
a morte-comunitária. Tortura é barbárie, pura e simples!"</I><BR><BR>Luis Inácio 
Lula da Silva é um símbolo. Ele e seu partido, por muito tempo, galvanizaram uma 
insatisfação geral, uma vontade de mudança e, mais ainda, uma vontade de 
participar da mudança. Por isso, está coberto de razão o ministro Paulo Vannuchi 
(Direitos Humanos) ao defender punição dos torturadores em nome da biografia do 
presidente. <BR><BR>No bojo de uma crise econômica que inevitavelmente afetará o 
país, será uma bela maneira de dizer às tendências autoritárias e fascistizantes 
que reaparecem no Judiciário e no Congresso que seu tempo histórico está 
esgotado. Não há mais espaço para reedição de Estados Policiais.<BR><BR>Ainda 
estamos a 22 dias do Natal.<BR><BR></P><BR>
<P class=linha-fina>Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades 
Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e 
colaborador do Observatório da Imprensa.</P></DIV></BODY></HTML>