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<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<P class=chapeu>DEBATE ABERTO</P>
<P class=titulo>Eles não amam a vida</P>
<P class=linhafina>Hoje assistimos algo absolutamente inédito e de extrema
irracionalidade: a guerra contra a Terra. Sempre se faziam guerras entre
exércitos, povos e nações. Agora, todos unidos, fazemos guerra contra Gaia: não
deixamos um momento sem agredi-la, explorá-la até entregar todo seu sangue.</P>
<P class=headline-link>Leonardo Boff</P>
<P class=texto>A busca de uma saída para a crise econômico-financeira mundial
está cercada de riscos. O primeiro é que os países ricos busquem soluções que
resolvam seus problemas, esquecendo do caráter interdependente de todas as
economias. A inclusão dos países emergentes pouco significou, pois suas
propostas mal foram consideradas. Prevaleceu ainda a lógica neoliberal que
garante a parte leonina aos ricos. <BR><BR>O segundo é perder de vista as demais
crises, a ecológica, a climática, a energética e a alimentar. Concentrar-se
apenas na questão econômica, sem considerar as outras, é jogar com a
insustentabilidade a médio prazo. Cabe recordar o que diz a Carta da Terra:
"nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão
interligados e juntos podemos forjar soluções includentes" (Preâmbulo).
<BR><BR>O terceiro risco, mais grave, consiste em apenas melhorar as regulações
existentes em vez de buscar alternativas, com a ilusão de que o velho paradigma
neoliberal teria ainda a capacidade de tornar criativo o caos atual. <BR><BR>O
problema não é a Terra. Ela pode continuar sem nós e continuará. A <I>magna
quaesto</I>, a questão maior, é o ser humano voraz e irresponsável que ama mais
a morte que a vida, mais o lucro que a cooperação, mais seu bem estar individual
que o bem geral de toda a comunidade de vida. Se os responsáveis pelas decisões
globais não considerarem a inter-retro-dependência de todas estas questões e não
forjarem uma coalizão de forças capaz de equacioná-las aí sim estaremos
literalmente perdidos.<BR><BR>Na verdade, se houvesse um mínimo de bom senso, a
solução do cataclismo econômico e dos principais problemas infra-estruturais da
humanidade seria encontrada. Basta proceder a um amplo e geral desarmamento já
que não há confrontos entre potências militares. A construção de armas,
propiciada pelo complexo industrial-militar, é a segunda maior fonte de lucro do
capital. O orçamento militar mundial é da ordem de um trilhão e cem bilhões de
dólares/ano. Já se gastaram somente no Iraque dois trilhões de dólares. Para
este ano, o governo norte-americano encomendou armas no valor de um trilhão e
meio de dólares.<BR><BR>Estudos de organismos de paz revelaram que com 24
bilhões de dólares/ano - apenas 2,6% do orçamento militar total - poder-se-ia
reduzir pela metade a fome do mundo. Com 12 bilhões - 1,3% do referido orçamento
- poder-se-ia garantir a saúde reprodutiva de todas as mulheres da
Terra.<BR><BR>Com grande coragem, o atual Presidente da Assembléia da ONU, o
padre nicaragüense Miguel d’Escoto, denunciava em seu discurso inaugural em
meados de outubro: existem aproximadamente 31.000 ogivas nucleares em depósitos,
13.000 distribuidas em vários lugares no mundo e 4.600 em estado de alerta
máximo, quer dizer, prontas para serem lançadas em poucos minutos.<BR><BR>A
força destrutiva destas armas é aproximadamente de 5.000 megatons, força que é
200.000 vezes mais avassaladora que a bomba lançada sobre Hiroshima. Somadas com
as armas químicas e biológicas, pode-se destruir por 25 formas diferentes toda a
espécie humana. Postular o desarmamento não é ingenuidade, é ser racional e
garantir a vida que ama a vida e que foge da morte. Aqui se ama a
morte.<BR><BR>Só este fato mostra que a atual humanidade é feita, em grande
parte, por gente irracional, violenta, obtusa, inimiga da vida e de si mesma. A
natureza da guerra moderna mudou substancialmente. Outrora "morria quem ia para
a guerra". Agora não, as principais vítimas são civis. De cada 100 mortos em
guerra, 7 são soldados, 93 são civis, dos quais 34, crianças. <BR><BR>Na guerra
do Iraque já morreram 650.00 civis e apenas cerca de 3.000 soldados aliados.
Hoje assistimos algo absolutamente inédito e de extrema irracionalidade: a
guerra contra a Terra. Sempre se faziam guerras entre exércitos, povos e nações.
Agora, todos unidos, fazemos guerra contra Gaia: não deixamos um momento sem
agredi-la, explorá-la até entregar todo seu sangue. E ainda invocamos a
legitimação divina para o nosso crime, pois cumprimos o mandato:
"multiplicai-vos, enchei e subjugai a Terra"(Gen 1,28).<BR><BR>Se assim é, para
onde vamos? Não para o reino da vida.<BR><BR><BR></P><BR>
<P class=linha-fina>Leonardo Boff é teólogo e escritor.</P></DIV></BODY></HTML>