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<HTML><HEAD><TITLE>Nova pagina 1</TITLE>
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<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO. 
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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align=baseline border=0><FONT face=Arial size=2>02/12/2008</FONT></DIV>
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src="http://200.169.228.51/arquivosCartaMaior/FOTO/2/foto_col_5589.jpg"> 
<P class=chapeu>DEBATE ABERTO</P>
<P class=titulo>Eles não amam a vida</P>
<P class=linhafina>Hoje assistimos algo absolutamente inédito e de extrema 
irracionalidade: a guerra contra a Terra. Sempre se faziam guerras entre 
exércitos, povos e nações. Agora, todos unidos, fazemos guerra contra Gaia: não 
deixamos um momento sem agredi-la, explorá-la até entregar todo seu sangue.</P>
<P class=headline-link>Leonardo Boff</P>
<P class=texto>A busca de uma saída para a crise econômico-financeira mundial 
está cercada de riscos. O primeiro é que os países ricos busquem soluções que 
resolvam seus problemas, esquecendo do caráter interdependente de todas as 
economias. A inclusão dos países emergentes pouco significou, pois suas 
propostas mal foram consideradas. Prevaleceu ainda a lógica neoliberal que 
garante a parte leonina aos ricos. <BR><BR>O segundo é perder de vista as demais 
crises, a ecológica, a climática, a energética e a alimentar. Concentrar-se 
apenas na questão econômica, sem considerar as outras, é jogar com a 
insustentabilidade a médio prazo. Cabe recordar o que diz a Carta da Terra: 
"nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão 
interligados e juntos podemos forjar soluções includentes" (Preâmbulo). 
<BR><BR>O terceiro risco, mais grave, consiste em apenas melhorar as regulações 
existentes em vez de buscar alternativas, com a ilusão de que o velho paradigma 
neoliberal teria ainda a capacidade de tornar criativo o caos atual. <BR><BR>O 
problema não é a Terra. Ela pode continuar sem nós e continuará. A <I>magna 
quaesto</I>, a questão maior, é o ser humano voraz e irresponsável que ama mais 
a morte que a vida, mais o lucro que a cooperação, mais seu bem estar individual 
que o bem geral de toda a comunidade de vida. Se os responsáveis pelas decisões 
globais não considerarem a inter-retro-dependência de todas estas questões e não 
forjarem uma coalizão de forças capaz de equacioná-las aí sim estaremos 
literalmente perdidos.<BR><BR>Na verdade, se houvesse um mínimo de bom senso, a 
solução do cataclismo econômico e dos principais problemas infra-estruturais da 
humanidade seria encontrada. Basta proceder a um amplo e geral desarmamento já 
que não há confrontos entre potências militares. A construção de armas, 
propiciada pelo complexo industrial-militar, é a segunda maior fonte de lucro do 
capital. O orçamento militar mundial é da ordem de um trilhão e cem bilhões de 
dólares/ano. Já se gastaram somente no Iraque dois trilhões de dólares. Para 
este ano, o governo norte-americano encomendou armas no valor de um trilhão e 
meio de dólares.<BR><BR>Estudos de organismos de paz revelaram que com 24 
bilhões de dólares/ano - apenas 2,6% do orçamento militar total - poder-se-ia 
reduzir pela metade a fome do mundo. Com 12 bilhões - 1,3% do referido orçamento 
- poder-se-ia garantir a saúde reprodutiva de todas as mulheres da 
Terra.<BR><BR>Com grande coragem, o atual Presidente da Assembléia da ONU, o 
padre nicaragüense Miguel d’Escoto, denunciava em seu discurso inaugural em 
meados de outubro: existem aproximadamente 31.000 ogivas nucleares em depósitos, 
13.000 distribuidas em vários lugares no mundo e 4.600 em estado de alerta 
máximo, quer dizer, prontas para serem lançadas em poucos minutos.<BR><BR>A 
força destrutiva destas armas é aproximadamente de 5.000 megatons, força que é 
200.000 vezes mais avassaladora que a bomba lançada sobre Hiroshima. Somadas com 
as armas químicas e biológicas, pode-se destruir por 25 formas diferentes toda a 
espécie humana. Postular o desarmamento não é ingenuidade, é ser racional e 
garantir a vida que ama a vida e que foge da morte. Aqui se ama a 
morte.<BR><BR>Só este fato mostra que a atual humanidade é feita, em grande 
parte, por gente irracional, violenta, obtusa, inimiga da vida e de si mesma. A 
natureza da guerra moderna mudou substancialmente. Outrora "morria quem ia para 
a guerra". Agora não, as principais vítimas são civis. De cada 100 mortos em 
guerra, 7 são soldados, 93 são civis, dos quais 34, crianças. <BR><BR>Na guerra 
do Iraque já morreram 650.00 civis e apenas cerca de 3.000 soldados aliados. 
Hoje assistimos algo absolutamente inédito e de extrema irracionalidade: a 
guerra contra a Terra. Sempre se faziam guerras entre exércitos, povos e nações. 
Agora, todos unidos, fazemos guerra contra Gaia: não deixamos um momento sem 
agredi-la, explorá-la até entregar todo seu sangue. E ainda invocamos a 
legitimação divina para o nosso crime, pois cumprimos o mandato: 
"multiplicai-vos, enchei e subjugai a Terra"(Gen 1,28).<BR><BR>Se assim é, para 
onde vamos? Não para o reino da vida.<BR><BR><BR></P><BR>
<P class=linha-fina>Leonardo Boff é teólogo e escritor.</P></DIV></BODY></HTML>