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<HTML xmlns:o = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" xmlns:st1 =
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<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT><BR></DIV>
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<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-FAMILY: Verdana"><o:p> </o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 7.5pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p><FONT
size=3> </FONT></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 12pt"><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 7.5pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p><FONT
size=3> </FONT></o:p></SPAN></B></P>
<P class=data1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN style="FONT-FAMILY: Verdana">26 DE
NOVEMBRO DE 2008 - 23h35<o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; mso-outline-level: 2"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 7pt; COLOR: red; FONT-FAMILY: Verdana; mso-font-kerning: 18.0pt"><FONT
size=3>A saga de Antônio Guilherme Ribas <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 12pt"><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 7.5pt; COLOR: red; FONT-FAMILY: Verdana"><BR></SPAN></B><FONT
size=3><B><SPAN style="FONT-SIZE: 7.5pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana">por
Augusto Buonicore*</SPAN></B><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 7.5pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p></o:p></SPAN></B></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="BACKGROUND: #efefef; MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4.5pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"><FONT size=3>“A quem
possa interessar: vamos em frente!” trecho final de uma carta de Guilherme
Ribas, escrita na cela do DOPS paulista em
22/09/1968.<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 7.5pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p><FONT
size=3> </FONT></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3><IMG
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v:shapes="_x0000_i1025"><o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>No dia
20 de setembro de 1946 nascia, na cidade de São <st1:PersonName
w:st="on">Paulo</st1:PersonName>, Antônio Guilherme Ribeiro Ribas. Ele era o
mais novo de quatro irmãos. Sua infância e juventude foram passadas nas ruas da
Vila Mariana. O seu pai, Walter Scheiba Pinto Ribas, havia participado da
Revolução Constitucionalista de 1932 e costumava dizer que “todo homem deveria
passar pelo menos por uma revolução”. Esta idéia se fixaria na cabeça de seus
dois filhos mais novos, Guilherme e Dalmo, que mais tarde ingressariam no
Partido Comunista do Brasil.<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>A mãe de
Guilherme, Benedita de Araújo – mais conhecida como Dona Yaya - tinha um alto
nível cultural: tocava piano, pintava e falava francês. Era bisneta do
Brigadeiro Manuel Rodrigues Jordão. O Brigadeiro, defensor da independência do
Brasil, era um dos homens mais ricos do Império e chegou a oferecer parte de sua
fortuna para reerguer o Banco do Brasil, quando da volta de Dom João VI para
Portugal. Mas, isso era coisa do passado para a família Ribas.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>Na
segunda metade da década de 1960, quando estudava no Colégio Estadual Brasílio
Machado, Guilherme começou a atuar no movimento secundarista. Eleito presidente
do grêmio, passou a ter uma ativa atuação junto às escolas da região,
incentivando a criação de grêmios onde eles ainda não existiam. Rapidamente,
devido às suas inúmeras qualidades, foi indicado para presidência da União
Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES). Isso ocorreu no XV Congresso
daquela entidade, realizado no Crusp em junho de 1967.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>O nome
de Guilherme unificou todas as correntes da esquerda estudantil, apesar de ter
relação com uma força política ainda com pouca expressão no movimento estudantil
paulista: o PCdoB. No entanto, existe uma polêmica sobre as razões que levaram a
tal indicação. Darcy Nogueira, liderança do Colégio Estadual Doutor Octávio
Mendes (CEDOM) e um de seus companheiros de diretoria, afirmou que Guilherme foi
indicado à presidência, justamente, por ser “o único apartidário com relevância
no movimento secundarista”. Dalmo, um dos irmãos de Guilherme, contudo, afirmou
que a sua militância comunista era anterior à realização do congresso da UPES.
Ele mesmo o teria recrutado entre 1966 e 1967. O erro dos seus companheiros de
diretoria era compreensível, pois a sua situação de militante comunista, além de
recente, era mantida no mais absoluto sigilo. Assim, facilmente o confundiriam
com uma liderança independente. <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>Naquela
mesma época Guilherme e Dalmo participaram de um curso político-militar,
ocorrido em São Vicente (SP) e comandado por Osvaldo Orlando da Costa (o
Osvaldão) e pelo jornalista Armando Gimenez. “Na casa estavam Lúcio Petit da
Silva, Jaime Petit da Silva, eu e meu irmão. Não era um grupo muito grande,
talvez umas 15 pessoas (...). Tinha também muita doutrinação, a parte
ideológica: como se comportar na prisão etc. Inclusive, o partido publicou um
livrinho de várias páginas: ‘Como se conduzir diante da repressão’. Isso era
muito estimulado, para se ter um comportamento correto diante da repressão. Mas,
mesmo assim, a gente morria de medo”, declarou Dalmo.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>Segundo
Darcy, a diretoria que Guilherme presidia “era um saco de gatos de partidos
políticos. Além de Ribas (...) havia o Massafumi da Dissidência na época; o
Marquinhos, ligado ao PCB, que depois encontrei com dificuldade de locomoção,
moído pela tortura; o Serginho do PCdoB (...); um colega, de cujo nome não me
lembro, filiado à Quarta Internacional trotskista; e eu de AP (Ação Popular).
Era uma diretoria formada por uma ampla coligação, e possivelmente pela pouca
idade de seus membros, sem disputas e cisões do movimento
universitário”.<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>O
movimento secundarista, embora mais unido, sentiu também os reflexos da divisão
da esquerda estudantil brasileira. Fernando Cardim de Carvalho, outro
ex-dirigente do CEDOM, apresentou o quadro das principais correntes que atuavam
nos colégios de São <st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName>. Escreveu
ele: “O CEDOM foi um dos colégios que mais se envolveu no movimento estudantil
em 1968. Só o extinto Colégio de Aplicação rivalizava conosco. O CEDOM estava
sob a influência da Ação Popular (AP), maoísta (nós dizíamos ‘de linha
chinesa’). O (Colégio de) Aplicação era de linha <st1:PersonName
w:st="on">cuba</st1:PersonName>na. O Grêmio deles era presidido, por, vejam só,
Pérsio Arida, e tinha gente como o Aloísio Mercadante”.<BR>Essas disputas
tiveram impacto na relação desses grêmios com o presidente da UPES. É o próprio
Fernando que contou um pouco sobre isso: “Durante o primeiro semestre as
relações não eram fáceis, porque os estudantes do CEDOM seguiam uma orientação
diversa daquele do grupo do qual Ribas fazia parte. No meio do segundo semestre,
porém, houve uma aproximação entre os dois grupos e passamos a reconhecer sua
liderança”. Possivelmente, os conflitos com os membros da Dissidência e da
POLOP-VPR tenham sido maiores e mais prolongados. Fernando, no site do CEDOM,
também falou sobre um comício relâmpago realizado no Largo da Penha no qual foi
o ‘segurança’ do presidente da UPES. O problema é que Ribas era maior e bem mais
forte do que ele: “Levando-se em conta que a principal função de segurança num
comício relâmpago é correr solidariamente, até que eu não era tão inadaptado
assim”.<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>José
Dirceu, que conheceu Guilherme nas assembléias do Crusp e nas manifestações de
rua, o descreveu como “um rapaz amigo, brincalhão, mas muito aguerrido, que
cultivava e se entusiasmava com o bom combate e a boa discussão”. Esta descrição
foi confirmada por Cardim numa entrevista dada à jornalista Amira Camargo:
“Ribas era uma pessoa extremamente simpática e bem humorada. Na verdade, a
simpatia pessoal dele compensava a baixa, na verdade baixíssima penetração de
seu grupo político no movimento secundarista de então. Alto, forte, de voz
forte, era um orador muito bom e convincente no papel de presidente da
UPES”.<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
size=3>Guilherme foi um dos porta-vozes do movimento estudantil naquele
tumultuado ano de 1968. Entrevistas com ele podem ser encontradas, inclusive, no
combativo “Correio da Manhã” do Rio de Janeiro. Na edição de 15 de agosto
afirmou que uma passeata que se realizaria três dias depois ocorreria “com ou
sem polícia”. No dia 3 de setembro, no mesmo jornal, disparou: “A ditadura no
dia 7 de setembro iria demonstrar sua força, ostentando o seu aparato de
repressão que serve para sustentar as classes privilegiadas. O povo não deverá
prestigiar esta manifestação dos ‘gorilas’ a serviço do imperialismo americano.
Dia 7 de setembro é o dia da Pátria e, portanto, um dia de luta pela liberdade e
para isso seria necessária a violência popular”. Por tudo isso, um atento
policial, infiltrado no movimento, escreveria aos seus chefes: “Ribas desempenha
na sua coletividade estudantil posição de destaque semelhante àquelas notadas da
parte de José Dirceu e Catarina Meloni nas áreas universitárias”. <BR>Como
Guilherme havia anunciado dias antes, os estudantes paulistas tentaram fazer uma
manifestação de protesto contra a ditadura em pleno desfile de Sete de Setembro.
Novamente, ele estava à frente dos seus companheiros. A sua missão era chegar à
frente do palanque, abrir uma bandeira brasileira e fazer uma manifestação de
protesto. Mas logo que começou a distribuir os panfletos foi preso, pois já
estava sendo monitorado pelos órgãos de repressão. A ousadia custou-lhe trinta e
quatro dias de prisão. <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
size=3>Estávamos às vésperas da abertura do famoso 30º Congresso da UNE, que se
realizaria em Ibiúna. As notícias que chegavam à direção do PCdoB não eram das
melhores. Mais de quatrocentos delegados se reunindo clandestinamente num
tranqüilo sítio no interior paulista parecia uma temeridade. Os dirigentes
comunistas discutiram se Guilherme deveria ir ou não. “Eu consultei o Diógenes
Arruda. Ele era muito duro, muito duro, e eu falei: ‘estou consultando para
saber se é correto mandar um companheiro que acabou de sair da cadeia pra uma
situação que é complicada’. Ele foi inflexível e disse: ‘prisão não foi feita
pra cachorro, se tiver que ser preso, que seja preso!’. Então dei a instrução. A
gente nunca discutia instrução e levamos a coisa pra frente”, declarou Dalmo
Ribas. <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
size=3> <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>De
Ibiúna ao Tiradentes<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
size=3> <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>Dois
dias depois de libertado lá estava Guilherme representando a UPES no congresso
da UNE. Era a crônica de uma morte anunciada. A polícia irrompeu violentamente
no evento e centenas de participantes foram presos. Augusto Petta, um dos
delegados, contou como foi essa segunda prisão: “Caminhamos vários quilômetros
até chegar a um gramado amplo em que nos ordenaram que sentássemos a fim de que
os comandantes da operação identificassem outras lideranças de expressão
nacional. Quando um dos do que comandavam a operação identificou o Presidente da
UPES Antonio Ribas disse mais ou menos o seguinte: ‘Você não tem jeito mesmo,
seu Ribas, foi preso entregando panfletos no Desfile de 7 de setembro (...) foi
solto na véspera desse Congresso da UNE. Hoje, três dias depois de ser solto, já
é preso novamente. Você é um caso perdido’”. De fato, felizmente, ele era um
caso perdido. No dia seguinte, os jornais estamparam a foto de Guilherme, ao
lado de José Dirceu, sendo transportados para o Presídio Tiradentes.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>Desta
vez a prisão seria mais longa. Ele foi acusado - ao lado de Dirceu, Palmeira e
Travassos – de ter sido um dos principais responsáveis pela realização do
congresso. Foram denominados “o grupo dos quatro”. A repressão não se deu nem ao
trabalho de explicar como Guilherme poderia organizar qualquer coisa estando na
prisão. Além do mais ele nem era universitário. Esse é mais um episódio daquilo
que o irreverente jornalista Sérgio Porto chamou de FEBEAPA (Festival de
Besteira que Assola o País). Guilherme foi condenado a um ano e seis meses de
prisão. <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>O novo
Habeas-Corpus impetrado – e que já havia servido para libertar a maior parte dos
presos de Ibiúna poucos dias antes – foi atropelado pela decretação do Ato
Institucional número 5, em 13 de dezembro de 1968. Guilherme e as principais
lideranças universitárias - como José Dirceu, Vladimir Palmeira e Luís Travassos
– continuariam presos. Ele fez uma verdadeira “via crucis” pelos cárceres da
ditadura: Presídio Tiradentes, Forte de Itaipu na Praia Grande, Delegacia de
Polícia da Vila Mariana, Quar<st1:PersonName w:st="on">tel</st1:PersonName> do
Batalhão de Caçadores do Município de São Vicente, Casa de Detenção de São
<st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName>, Quar<st1:PersonName
w:st="on">tel</st1:PersonName> de Quitaúna e, novamente, Presídio Tiradentes.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>Foram ao
todo 18 meses de prisão – ou seja, cumpriu a pena toda. <BR>Quando ocorreu o
seqüestro do embaixador norte-americano em setembro de 1969, Guilherme estava no
Presídio Tiradentes. Aqui, novamente, existe um ponto obscuro em sua
história. Dynéas Aguiar, um antigo dirigente nacional do PCdoB, afirmou
que a direção do Partido chegou a ser consultada sobre a inclusão do nome de
Guilherme Ribas na lista dos que deveriam ser libertados em troca do embaixador.
A decisão partidária foi a de não incluí-lo na lista, pois ele estava prestes a
ser libertado e logo poderia ser reintegrado à luta revolucionária no país. Esta
mesma versão foi confirmada pelo seu irmão.<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>O
<st1:PersonName w:st="on">professor</st1:PersonName> Daniel Aarão Reis disse se
lembrar – ainda que vagamente – deste episódio. Mas, <st1:PersonName
w:st="on">Paulo</st1:PersonName> de Tarso Venceslau – outro dos arquitetos do
seqüestro do embaixador - disse que isto não aconteceu. Declarou: “Durante a
elaboração da lista e até mesmo antes dela, o nome de Ribas não era cogitado
porque ele estava para ser solto a qualquer momento. Ninguém entendia porque
ainda se encontrava preso”. Seja lá como for, no final de 1969, Diógenes Arruda
e <st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName> de Tarso se juntaram ao
Guilherme numa das celas do Presídio Tiradentes. “A cela onde ficaram presos foi
a mesma na qual esteve Monteiro Lobato e por isso mesmo herdou o seu nome”,
esclareceu outro “hospede” involuntário do Tiradentes: o jornalista Alípio
Freire. <BR><st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName> de Tarso nos contou
um pouco da sua convivência com Guilherme: “Durante todo tempo que estivemos
presos mantivemos um bom relacionamento. Diferente foi o relacionamento com
Arrudão, sempre marcado por altos e baixos, porém com muito respeito”. Continuou
ele: “Na época, minha organização - ALN - tinha críticas ao PC do B, considerado
uma variante chinesa do reformismo soviético. (...) Como não sabia da iniciativa
<st1:PersonName w:st="on" ProductID="em Goiás e Sul">em Goiás e
Sul</st1:PersonName> do Pará, eu achava que o discurso de Arruda não passava de
retórica. Difícil foi ter de engolir que Ribas saiu da prisão e seguiu logo
depois para a área rural. Ninguém imaginava que aquilo pudesse acontecer”.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
size=3>Guilherme foi, finalmente, libertado em abril de 1970. Possivelmente
tenha sido o último preso de Ibiúna a sair do cárcere. Imediatamente, entrou na
clandestinidade. Primeiro foi para uma fazenda da família <st1:PersonName
w:st="on" ProductID="em Limeira (SP">em Limeira (SP</st1:PersonName>) e depois
seguiu para Duque de Caxias, baixada fluminense. Antes de embarcar para o seu
destino de guerrilheiro nas matas do Araguaia, fez uma última reunião com a
família. Naquela noite afirmou: “voltarei à frente de uma revolução ou não
voltarei”. <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
size=3> <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>Lutando
e morrendo no Araguaia<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
size=3> <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
size=3>Guilherme chegou à Xambioá no sul do Pará em outubro de 1970. José
Genoino, seu companheiro do movimento estudantil, que havia chegado alguns dias
antes, afirmou: “Com a chegada dele, veio à necessidade de abrir outra casa; não
havia condição nem era bom morar todo mundo na mesma casa. Ele já começou a
trabalhar em função de abrir um castanhal para nós (...) O castanhal ficava numa
zona deserta, onde se podia ter mais liberdade de movimento”. O local passou a
ficar conhecido como “Castanhal do Zé Ferreira”, nome pelo qual era conhecido na
região. <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
size=3>Guilherme passaria a compor o Destacamento B, comandado pelo legendário
Osvaldão. Cada destacamento, por sua vez, se dividiria em três agrupamentos
menores. Um deles seria dirigido pelo jovem guerrilheiro secundarista “Zé
Ferreira”. Mudaram-se para o castanhal – constituindo uma das bases
guerrilheiras -, além de Guilherme, o casal mineiro Idalísio Soares Aranha Filho
(Aparício), Walquíria Afonso Costa (Walk); o cearense Antônio Teodoro de Castro
(Raul), o carioca Ciro Flávio Salazar de Oliveira (Flávio) e o operário
paulista Manuel José Nurchis (Gilberto).<BR>Foi ali que o destacamento B,
contando com a presença de João Amazonas, comemorou a passagem do ano – entre
1971 e 1972. Glênio Sá, um dos guerrilheiros, descreveu a cena: “A programação
começou logo cedo com a preparação de uma emboscada (...) O resultado foi um
veado mateiro morto por Osvaldão para a nossa festa, que ia ter também polenta,
feijão, arroz, carne seca, caititu, palmito de babaçu e muito leite de
castanha-do-pará. Entramos no local da festa, o Osvaldão na frente com o
mateiro sobre os ombros, em fila indiana, cantando a Internacional. Foi
emocionante. Tio Cid (João Amazonas) quando ouviu o hino dos proletários saindo
de dentro da floresta cantado por um bando de homens armados virou um menino
traquinas, saltando no terreiro da casa (...) Cinco minutos para meia-noite nos
perfilamos com as armas empunhadas e saudamos a chegada do ano-novo com tiros
para o alto. Éramos vinte pessoas”. <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>O
Exército entrou na região no dia 12 de abril de 1972. O destacamento B só veio a
receber a notícia quatro dias depois. Naquele instante a frase que mais se ouvia
entre os guerrilheiros era: - Chegou à hora! Guilherme envolveu-se
<st1:PersonName w:st="on" ProductID="em alguns combates. Em">em alguns combates.
Em</st1:PersonName> julho de 1972, por exemplo, participou do grupo que tentava
restabelecer contato o destacamento C e acabou se encontrando com tropas
do Exército. Neste dia o médico <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="João Carlos">João Carlos</st1:PersonName> Haas Sobrinho (Juca) foi
baleado, mas sobreviveu. Idalísio não teve a mesma sorte. Perdeu-se do
grupo, foi encontrado e assassinado pela repressão.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
size=3>Guilherme morreu na terceira – e última - campanha militar contra os
guerrilheiros, iniciada em outubro de 1973. O relatório de Ângelo Arroyo, um dos
comandantes da guerrilha do Araguaia, afirma que ele foi visto pela última vez
num combate ocorrido em 29 de novembro de 1973. O seu grupo acampou para
descansar e foi surpreendido por tropas inimigas. No tiroteio que se seguiu
morreu Adriano Fonseca (Chico). Dois outros guerrilheiros, Jaime Petit e
Guilherme, desapareceram. Segundo o Dossiê do Exército, Guilherme teria morrido
em 19 de dezembro de 1973. Ou seja, quase 20 dias depois de ter sido visto pelos
seus companheiros.<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>Um
morador da região contou para o historiador Romualdo Pessoa o que sabia sobre a
morte de Guilherme: “O Zé Ferreira foi morto lá na Santa Cruz, esse eu não vi
(...) quem me contou foi um cabo, o cara chorou porque não queria fazer isso
(...) Ele matou foi no fogo cruzado”. No entanto, a distância entre o seu
desaparecimento em combate e o registro oficial de sua morte, indica que ele
pode ter sido aprisionado e depois executado. Prática adotada pelas Forças
Armadas naquela fase da luta contra a guerrilha.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>O corpo
do guerrilheiro jamais foi entregue à família nem ao menos foram reveladas as
condições de sua morte. José Dirceu, seu companheiro de movimento estudantil,
declarou: “Infelizmente, Antônio Ribas está na vergonhosa e dolorosa lista de
desaparecidos políticos, na verdade, morto pela ditadura. Deixou, porém, um
legado de luta, honra e persistência em nome da liberdade e da democracia,
frutos que, hoje, são colhidos por toda a nação”.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
size=3>Fontes<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
size=3>* Agradeço as informações sobre Antônio Guilherme Ribas fornecidas
por José Dalmo Ribas, <st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName> de Tarso
Venceslau, Alípio Freire, Fernando Cardim, José Dirceu, Ricardo Azevedo,
Romualdo Pessoa, Daniel Aarão Reis.<BR>* Agradeço também à jornalista Amira
Camargo por nos ceder a entrevista que fez com Fernando Cardim.<BR>* Os
depoimentos de Darcy Nogueira e Fernando Cardim sobre Guilherme e o movimento
secundarista em São <st1:PersonName w:st="on">Paulo</st1:PersonName> foram
extraídos do sítio do CEDOM.<BR>* “Dossiê sobre Ribas e auto de prisão” do
Deops. <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
size=3>Bibliografia<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT
size=3>* Arns, Dom Evaristo (prefácio) - Dossiê dos mortos e desaparecidos
políticos a partir de 1964, 1996, Governo do Estado de São <st1:PersonName
w:st="on">Paulo</st1:PersonName>, 1996.<BR>* Campos Filho, Romualdo –
Guerrilha do Araguaia: a esquerda <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="em armas, Ed. UFG">em armas, Ed. UFG</st1:PersonName>,
1997.<BR>* Coelho, Maria Francisca Pinheiro, José Genoino, escolhas
política, Centauro Editora, 2007.<BR>* Dória, Palmério e outros – A
Guerrilha do Araguaia – história imediata 1 – Ed. Alfa-Omega,
1978.<BR>* Paraná, Denise – Entre o sonho e o poder: a trajetória da
esquerda brasileira através da memória de José Genoino, Geração Editorial,
2006. <BR>* Petta, Augusto – “Congresso da UNE 68: quando a defesa de
teses acontece na cadeia”, in Sítio Vermelho. <BR>* Sá, Glênio – Relato de
um guerrilheiro, Ed. Anita Garibaldi, 1990<BR>* Silva, Eumano e Morais Taís
– Operação Araguaia: arquivos secretos da guerrilha, Geração Editorial,
2005<BR>* Vários - Guerrilha do Araguaia – Uma epopéia pela liberdade, Ed.
Anita Garibaldi.<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 7.5pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p><FONT
size=3> </FONT></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4.5pt; COLOR: #666666; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p><FONT
size=3> </FONT></o:p></SPAN></B></P>
<DIV class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4.5pt; COLOR: #666666; FONT-FAMILY: Verdana"><FONT size=3>
<HR align=center width="100%" SIZE=1>
</FONT></SPAN></B></DIV>
<P><IMG height=32 src="cid:007e01c95008$c47174a0$0200a8c0@vcaixe" width=32
align=left v:shapes="_x0000_s1026"><FONT size=3><STRONG><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: #666666; FONT-FAMILY: Verdana">*Augusto
Buonicore</SPAN></STRONG><B style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4pt; COLOR: #666666; FONT-FAMILY: Verdana">, Historiador,
mestre em ciência política pela Unicamp<o:p></o:p></SPAN></B></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><SPAN
style="FONT-SIZE: 4.5pt; COLOR: #666666; FONT-FAMILY: Verdana"><BR
style="mso-special-character: line-break" clear=all><o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B
style="mso-bidi-font-weight: normal"><o:p> </o:p></B></P></DIV>
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<P align=left><B><FONT face=georgia color=#ff0000 size=4>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>Lutam melhor os que têm belos
sonhos.........................................................../ Eles podem
até tirar minha vida, mas nunca minha liberdade................ Che Guevara
FONT></B>
<P></P></FONT></B>
<P></P></FONT></B></P></BODY></HTML>