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<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<P class=data>21/11/2008</P>
<P class=titulo><STRONG><FONT size=5>A crise da extrema
esquerda</FONT></STRONG></P>
<P class=corpo>Os resultados das eleições municipais vieram corroborar o que o
cenário político nacional já permitia ver: o esgotamento do impulso da extrema
esquerda, que tinha sido relançada no começo do governo Lula. A votação em torno
de 1% de dois dos seus três parlamentares, candidatos a prefeito em São Paulo e
no Rio de Janeiro, com votações significativamente menores do que as que tiveram
como candidatos a deputados, sem falar na diferença colossal em relação à
candidata à presidência, apenas dois anos antes – são a expressão eleitoral,
quantitativa, que se estendeu por praticamente todo o país, do esgotamento
prematuro de um projeto que se iniciou com uma lógica clara, mas esbarrou cedo
em limitações que o levam a um beco difícil, se não houver mudança de
rota.<BR><BR>A Carta aos Brasileiros, anunciando que o novo governo não iria
romper nenhum compromisso – nesse caso, com o capital financeiro, para bloquear
o ataque especulativo, medido pelo “risco Lula” -, a nomeação de Meirelles para
o Banco Central e a reforma da previdência como primeira do governo – desenharam
o quadro de decepção com o governo Lula, que levaria à saída do PT de setores de
esquerda. A orientação assumida pelo governo inicialmente, em que a presença
hegemônica de Palocci fazia primar os elementos de continuidade com o governo
FHC sobre os de mudança – estes recluídos basicamente na política externa
diferenciada e em setores localizados – e a reiteração de um governo
estritamente neoliberal davam uma imagem de um governo que era considerado pelos
que abandonavam o PT, como irreversivelmente perdido para a esquerda.<BR><BR>O
dilema para a esquerda era seguir a luta por um governo anti-neoliberal dentro
do PT e do governo ou sair para reagrupar forças e projetar a formação de uma
nova agrupação. Naquele momento se cogitou a constituição de um núcleo
socialista, dos que permaneciam e dos que saíam do PT, para discutir amplamente
os rumos a tomar. Não apenas cabia uma força à esquerda do PT, como se poderia
prever que ela seria engrossada por setores amplos, caso a orientação inicial do
governo se mantivesse.<BR><BR>Dois fatores vieram a alterar esse quadro. O
primeiro, a precipitação na fundação de um novo partido – o Psol -, com o
primeiro grupo que saiu do PT – em particular a tendência morenista – passando a
controlar as estruturas da nova agremiação. Isto não apenas estreitou
organizativamente o novo partido, como o levou a posições de ultra-esquerda,
responsáveis pelo seu isolamento e sectarização. A candidatura presidencial nas
eleições de 2006 agregou um outro elemento ao sectarismo, que já levaria a uma
posição de eqüidistância em relação ao governo Lula. O raciocínio predominante
foi o de que o governo era o melhor administrador do neoliberalismo, porque além
de mantê-lo e consolidá-lo, o fazia dividindo e confundindo a esquerda,
neutralizando a amplos setores do movimento de massas. Portanto deveria ser
derrotado e destruído, para que uma verdadeira esquerda pudesse surgir. O
governo Lula e o PT passaram a ser os inimigos fundamentais da nova
agrupação.<BR><BR>Esse elemento favoreceu a aliança – já desenhada no
Parlamento, mas consolidada na campanha eleitoral – com a direita – tanto com o
bloco tucano-pefelista, como com a mídia oligárquica -, na oposição ao governo e
à reeleição de Lula. A projeção midiática benevolente da imagem da candidata do
Psol lhe permitia ter mais votos do que os do seu partido, mas comprometia a
imagem do partido com uma campanha despolitizada e oportunista, em que a
caracterização do governo Lula não se diferenciava daquela feita na campanha do
“mensalão”. Como se poderia esperar, apesar de algumas resistências, a posição
no segundo turno foi a do voto nulo, isto é, daria igual para o novo partido a
vitória do neoliberal duro e puro Alckmin ou de Lula. (Se tornava linha nacional
oficial o que já se havia dado nas primeiras eleições em que o Psol participou,
as municipais, em que, por exemplo, em Porto Alegre, diante de Raul Pont e
Fogaça, no segundo turno, se afirmou que se tratava da nova direita contra a
velha direita e se decidiu pelo voto nulo.)<BR><BR>Uma combinação entre
sectarismo e oportunismo foi responsável pelo comprometimento da orientação
política do novo partido, que o levou a perder a possibilidade de formação de um
partido à esquerda do PT, que se aliasse a este nos pontos comuns e lutasse
contra nos temas de divergência. O sectarismo levou a que sindicatos saíssem da
CUT, sem conseguir se agrupar com outros, enfraquecendo a esquerda da CUT e se
dispersando no isolamento. Levou a que os parlamentares do Psol votassem contra
o governo em tudo – até mesmo na CPMF – e não apoiassem as políticas corretas do
governo – como a política internacional, entre outras. Esta se dá porque o
governo brasileiro tem estreita política de alianças com as principais
lideranças de esquerda no continente – como as de Cuba, Venezuela, Equador,
Bolívia -, que apóiam o governo Lula, o que desloca completamente posições de
ultra-esquerda – que se reproduzem de forma similar a dessa corrente no Brasil
nesses países -, deixando de atuar numa dimensão fundamental para a esquerda – a
integração continental.<BR><BR>Por outro, o governo Lula passou a outra etapa,
com a saída de vários de seus ministros, principalmente Palocci, conseguindo
retomar um ciclo expansivo da economia e desenvolvendo efetivas políticas de
distribuição de renda, ao mesmo tempo que recolocava o tema do desenvolvimento
como central – deslocando o da estabilidade, central para o governo FHC -,
avançando na recomposição do aparelho do Estado, melhorando substancialmente o
nível do emprego formal, diminuindo o desemprego, entre outros aspetos.
<BR><BR>A caracterização do governo Lula como expressão consolidada do
neoliberalismo, um governo cada vez mais afundado no neoliberalismo – reedição
de FHC, de Menem, de Carlos Andrés Perez, de Fujimori, de Sanchez de Losada – se
chocava com a realidade. <BR><BR>Economistas da extrema esquerda continuaram
brigando com a realidade, anunciando catástrofes iminentes, capitulações de toda
ordem, tentando resgatar sua equivocada previsão sobre os destinos irreversíveis
do governo, tentando reduzir o governo Lula a uma simples continuação do governo
FHC, reduzindo as políticas sociais a “assistencialismo”, mas foram
sistematicamente desmentidos pela realidade, que levou ao isolamento total dos
que pregam essas posições desencontradas com a realidade.<BR><BR>O isolamento
dessas posições se refletiu no resultado eleitoral, em que todas as correntes de
ultra-esquerda ficaram relegadas à intranscendência política, revelando como
estão afastadas da realidade, do sentimento geral do povo, dos problemas que
enfrenta o Brasil e a América Latina. As políticas sociais respondem em grande
parte pelos 80% de apoio do governo,rejeitado por apenas 8%. Para a direita
basta a afirmação do “asisistencialismo” do governo e da desqualificação do
povo, que se deixaria corromper por “alguns centavos”, mas a esquerda não pode
comprá-la, por reacionária e discriminatória contra os
pobres.<BR><BR>Confirmação desse isolamento e de perda de sensibilidade e
contato com a realidade é que não se vê nenhum tipo de balanço autocrítico,
sequer constatação de derrota da parte da extrema esquerda. Se afirma que se
fizeram boas campanhas, não importando os resultados, como se se tratassem de
pastores religiosos que pregam no deserto, com a consciência de que representam
uma palavra divina, que ainda não foi compreendida pelo povo. (Marx dizia que a
pequena burguesia sofre derrotas acachapantes, mas não se autocrítica, não
coloca em questão sua orientação, acredita apenas que o povo ainda não está
maduro para sua posições, definidas essencialmente como corretas, porque
corresponderiam a textos sagrados da teoria.)<BR><BR>Não fazer um balanço das
derrotas, não se dar conta do isolamento em que se encontram, da aliança tácita
com a direita e das transformações do governo Lula – junto com as da própria
realidade econômica e social do país –, da constatação do caráter contraditório
do governo Lula, que não deveria ser se inimigo fundamental revelariam a perda
de sensibilidade política, o que poderia significar um caminho sem volta para a
extrema esquerda. Seria uma pena, porque a esquerda brasileira precisa de uma
força mais radical, que se alie ao PT nas coincidências e lute nas divergências,
compondo um quadro mais amplo e representativo, combinando aliança a autonomia,
que faria bem à esquerda e ao Brasil. <BR></P>
<P class=autor>Postado por Emir Sader às 05:25</P></DIV></DIV></BODY></HTML>