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<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO. 
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<DIV>&nbsp;----- Original Message ----- 
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A 
title=larezo@gmail.com href="mailto:larezo@gmail.com">Laercio</A> </DIV>
<DIV id=noticia_data><FONT size=7>Meu nome é crise</FONT></DIV><BR>
<DIV id=noticia_fonte>Por <B>Frei Betto</B> - <I>Adital</I> - de São 
Paulo</DIV><BR>
<DIV id=HOTWordsTxt>
<DIV id=noticia_foto><IMG 
src="http://www.correiodobrasil.com.br/foto/politica/freibetto.jpg" 
border=0><BR><EM id=noticia_foto_legenda>Frei Betto é escritor</EM></DIV>
<P>Há tempos não se falava tanto de mim como agora. Tudo por causa de uma crise 
no sistema financeiro. A África anda, também há tempos, em crise crônica - de 
democracia, de alimentos, de recursos; quem fala disso? <BR><BR>Existe ameaça de 
crise do petróleo; governantes e empresários parecem em pânico frente à 
possibilidade de não poder alimentar 800 milhões de veículos automotores que 
rodam sobre a face da Terra.</P>
<P>No último ano, devido ao aumento do preço dos alimentos, o número de famintos 
crônicos subiu de 840 milhões para 950 milhões, segundo a FAO; mas quem se 
preocupa em alimentar miseráveis?</P>
<P>Meu nome deriva do grego krísis, discernir, escolher, distinguir - enfim, ter 
olhos críticos. Trago também familiaridade com o verbo acrisolar, purificar. Ao 
contrário do que supõe o senso comum, não sou, em si, negativa. Faço parte da 
evolução da natureza.</P>
<P>Houve uma crise cósmica quando uma velha estrela, paradoxalmente chamada 
supernova, explodiu há 5 bilhões de anos; seus cacos, arremessados pelo espaço, 
deram origem ao sistema solar. O sol é um pedaço de supernova dotado de calor 
próprio. A Terra e os demais planetas, cacos incandescentes que, aos poucos, se 
resfriaram. Daqui a 5 bilhões de anos o sol, agonizante, também verá sua 
obesidade dilatada até se esfacelar nos abismos siderais.</P>
<P>Todos nós, leitores, passamos pela crise da puberdade. Doeu ver-nos expulsos 
do reino da fantasia, a infância, para abraçar o da realidade! Nem todos, 
entretanto, fazem essa travessia sem riscos. Há <A 
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href="http://www.correiodobrasil.com.br/noticia.asp?c=146218#">adolescentes</A> 
de tal modo submersos na fantasia que, frente aos indícios da idade adulta, que 
consiste em encarar a realidade, preferem se refugiar nas drogas. E há adultos 
que, desprovidos do senso de ridículo, vivem em crise de 
adolescência.<WBR>..</P>
<P>Resulto da contradição inerente aos seres humanos. Não há quem não traga em 
si o seu oposto. Quantas vezes, no trânsito, o mais amável <A 
style="CURSOR: hand; COLOR: #006600; BORDER-BOTTOM: 1px dotted; TEXT-DECORATION: underline" 
href="http://www.correiodobrasil.com.br/noticia.asp?c=146218#">cidadão</A> 
arremessa o carro sobre a faixa de pedestres; a gentil donzela enfia a mão na 
buzina; o aplicado estudante acelera além da conveniência! Não é fácil conciliar 
o modo de pensar com o modo de agir.</P>
<P>Estou muito presente nas relações conjugais desprovidas de valores 
arraigados. Sobretudo quando a nudez de corpos não traduz a de espíritos e o 
não-dito prevalece sobre o dito. Felizmente muitos casais conseguem me superar 
através do diálogo, da terapia, da descoberta de que o amor é um exercício 
cotidiano de doação recíproca. O príncipe e a fada encantados habitam o ilusório 
castelo da imaginação.</P>
<P>Agora, assusto o cassino global da especulação financeira. Acreditou-se que o 
capitalismo fosse inabalável, sobretudo em sua versão neoliberal religiosamente 
apoiada em dogmas de fé: o livre mercado, a mão invisível, a capacidade de 
auto-regulação, a privatização do patrimônio <A 
style="CURSOR: hand; COLOR: #006600; BORDER-BOTTOM: 1px dotted; TEXT-DECORATION: underline" 
href="http://www.correiodobrasil.com.br/noticia.asp?c=146218#">público</A> 
etc.</P>
<P>Dezenove anos após fazer estremecer o socialismo europeu, eis-me a gerar 
inquietação ao mercado. A lógica do bem-estar não lida com o imprevisto, o 
fracasso, o inusitado, essas coisas que decorrem de minha presença. Os 
governantes se apressam em tentar acalmar os ânimos como a tripulação do 
Titanic, enquanto a água inundava a quilha, ordenou à orquestra prosseguir a 
música...</P>
<P>Tenho duas faces. Uma, traz às minhas vítimas desespero, medo, inquietação. 
Atinge aquelas pessoas que não acreditavam em minha existência ou me encaravam 
como se eu fosse uma bruxa - figura mitológica do passado que já não representa 
nenhuma ameaça.</P>
<P>Minha outra face, a positiva, é a que a águia conhece aos 40 anos: as penas 
estão velhas, as garras desgastadas, o bico trincado. Então ela se isola durante 
150 dias e arranca as penas, as garras, e quebra o bico. Espera, pacientemente, 
a renovação. Em seguida, voa saudável rumo a mais 30 anos de vida.</P>
<P>Sou presença frequente na experiência da fé. Muitos, ao passar de uma fé 
infantil à adulta, confundem o desmoronar da primeira com a inexistência da 
segunda; tornam-se ateus, indiferentes ou agnósticos. Não fazem a passagem do 
Deus "lá em cima" para o Deus "aqui dentro" do coração. Associam fé à culpa e 
não ao amor.</P>
<P>Acredito que este abalo na especulação financeira trará novos paradigmas à 
humanidade: menos consumismo e mais modéstia no padrão de vida; menos competição 
e mais solidariedade entre pessoas e empreendimentos; menos obsessão por 
dinheiro e mais por qualidade de vida.</P>
<P>Todas as vezes que irrompo na história ou na vida das pessoas, trago um 
recado: é hora de começar de novo. Quem puder entender, entenda.</P>
<P><STRONG>Frei Betto</STRONG> <EM>é escritor, autor de "Cartas da Prisão" 
(Agir), entre outros livros</EM></P></DIV></DIV></BODY></HTML>