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<HTML xmlns:st1 = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" xmlns:o =
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<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO.
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
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<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV>
<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT> </DIV>
<DIV style="FONT: 10pt arial">----- Original Message -----
<DIV style="BACKGROUND: #e4e4e4; font-color: black"><B>From:</B> <A
title=beatrice13@oi.com.br href="mailto:beatrice13@oi.com.br">Beatrice</A>
</DIV></DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV><FONT face=Arial><FONT size=5><STRONG>Stédile fala
sério</STRONG></FONT></DIV>
<DIV>
<DIV class=postsw><BR>Contundente entrevista de João Pedro Stédile, do MST no
Globo amazônia. Trata de questões essenciais. Não é preciso concordar com tudo
para perceber Stédile faz sérias e profundas denúncias e oferece alternativas,
que merecem debate.<BR><BR>Contundente entrevista de João Pedro Stédile, do MST,
no Globo amazônia. Trata de questões essenciais. Não é preciso concordar com
tudo para perceber que Stédile faz sérias e profundas denúncias e oferece
alternativas, que merecem debate.<BR><BR>Leia <A
href="http://www.walter-rodrigues.jor.br/img/stedile.amz.desmate.doc"
target=_blank>aqui.</A></DIV><BR>
<DIV class=inferior>Walter Rodrigues </DIV></FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Arial></FONT> </DIV>
<DIV><FONT face=Arial><A
href="http://www.walter-rodrigues.jor.br/default.asp">http://www.walter-rodrigues.jor.br/default.asp</A></FONT></DIV>
<DIV><FONT
face=Arial>_______________________________________________________________________</FONT></DIV>
<DIV><FONT face=Arial></FONT> </DIV>
<DIV>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><FONT size=5><B
style="mso-bidi-font-weight: normal">BLOGUE DO COLUNÃO </B>— <st1:PersonName
w:st="on" ProductID="Walter Rodrigues —">Walter Rodrigues <SPAN
class=revistascorpo>—</SPAN></st1:PersonName><SPAN class=revistascorpo>
</SPAN>8/11/2008</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 16pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Entrevista <st1:PersonName
w:st="on" ProductID="de João Pedro">de João Pedro</st1:PersonName> Stédile,
coordenador nacional do MST (Movimento dos Sem-Terra), ao portal “Globo
Amazônia”, <A href="http://www.globoamazonia.com/"><SPAN
style="COLOR: windowtext; TEXT-DECORATION: none; text-underline: none">http://www.globoamazonia.com</SPAN></A><o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><o:p><FONT
size=5> </FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><I
style="mso-bidi-font-style: normal"><FONT size=5>Durante esta semana,
integrantes do MST estão acampados na sede do Incra de Belém exigindo uma
mudança da política de reforma agrária na Amazônia. Qual é a proposta do MST
para essa mudança?<o:p></o:p></FONT></I></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=5>Não existe uma
política de desenvolvimento agrário ou fundiário para a Amazônia. Os
governos, seja estadual ou federal, estão aplicando a fórmula tão simples quanto
medíocre de apenas distribuir terras públicas em projetos de colonização. Não há
uma política efetiva nem planejamento. Os governos federal e estaduais
optaram pela distribuição de terras publicas porque não precisam enfrentar
o latifúndio e o agronegócio. Dessa forma, não têm desgaste econômico de
fazer a Reforma Agrária nem político com o enfrentamento da bancada ruralista.
Por outro lado, se transformam em estatísticas boas para propaganda. Ou seja,
são iniciativas oportunistas do governo. Um exemplo: apenas a superintendência
do Incra em Santarém teria "assentado" para efeito <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="de propaganda mais">de propaganda mais</st1:PersonName> de 50 mil
famílias. Esse número é superior aos seis anos de assentamentos do Governo Lula
somando todos os estados da região sul e sudeste </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=5></FONT> </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=5>É fácil prever que
na região de Santarém não tem 50 mil famílias. E mesmo que tenham loteado
as áreas, se trata de distribuição de terras públicas, onde deus e o diabo se
inscrevem no Incra e acabam recebendo título. Não existe um projeto nem uma
política de desenvolvimento para a região da Amazônia. As áreas onde há
posseiros não têm estrada, luz, escola ou hospital. Uma parte das famílias mais
pobres, sem apoio público e formas <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="de gerar renda">de gerar renda</st1:PersonName>, se obriga a desmatar
os 20% da área para retirar lenha ou produzir carvão para garantir a sua
sobrevivência. Com isso, acabam a mercê dos madeireiros, que se aproveitam dos
lotes serem legais e exploram a madeira existente em toda a área sem nenhum
controle. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=5></FONT> </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 10pt"><FONT size=5>Os colonos desses
projetos, às vezes, vendem as toras de árvores por preços ridículos; outras
vezes, em troca de tábuas para construírem suas casas ou simplesmente para que o
madeireiro abra uma estrada para conseguir ir até sua roça. Os colonos pobres
são utilizados como massa de manobra para amansar a terra e, atrás deles, vem os
madeireiros, os pecuaristas ou latifundiários da soja, que pressionam para
comprar suas terras. Com isso, concentra de novo a propriedade da terra, dentro
de um círculo vicioso. Está tudo errado.<BR><BR><st1:PersonName w:st="on"
ProductID="o MST"><I style="mso-bidi-font-style: normal">O
MST</I></st1:PersonName></FONT><FONT size=5><I
style="mso-bidi-font-style: normal"> afirma que defende um modelo de
assentamento que respeite o meioambiente e ao mesmo tempo não destrua a
floresta. Como funciona esse modelo?<BR></I><BR>Em primeiro lugar,
<st1:PersonName w:st="on" ProductID="o governo">o governo</st1:PersonName>
precisa acabar com projetos de colonização. Somos contra a distribuição de
terras públicas pelo Incra e os institutos estaduais para quem quer que seja.
Defendemos com os movimentos sociais da Amazônia a política do Desmatamento
Zero, junto com o Greenpeace e entidades da sociedade civil. A área atual
que já foi desmatada é suficiente para a produção de alimentos e para o
desenvolvimento da região. Portanto, devemos fazer um grande acordo nacional
para garantir nenhum desmatamento raso de qualquer área da Amazônia daqui pra
frente. <BR> <BR>Em segundo lugar, o acesso à terra às famílias de
trabalhadores rurais pobres que habitam a região deve ser garantido com a
desapropriação das grandes fazendas de pecuária que já foram desmatadas.
Veja por exemplo o caso do Banco Opportunity: <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="um banco">um banco</st1:PersonName> concentra 600 mil hectares de
terras no sul do Pará. Daria para assentar 10 mil famílias nessa área! Ou seja,
precisamos usar as áreas já degradas e desmatadas para fazer projetos de
assentamento, o que é diferente de projeto de colonização sobre áreas
públicas.<BR> <BR>Os projetos de assentamento precisam de um planejamento
para produzir alimentos, de acordo com a vocação agrícola da região, mas também
para a produção de leite e frutas e para a criação de pequenos animais.
Precisamos combinar a criação do assentamento com a instalação de pequenas e
médias agroindústrias cooperativadas para gerar mais renda aos assentados. Com
isso, será possível dar valor agregado, industrializar e conservar os alimentos,
que poderão ser transportados para regiões urbanas como Santarém, Belém, Manaus,
Porto Velho, Marabá, onde se concentra o mercado consumidor da região.
<BR> <BR>Além disso, em cada projeto é preciso construir uma agrovila,
melhorando as condições de vida dos assentados, <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="com luz">com luz</st1:PersonName> elétrica, escolas, hospitais, lazer
e estrada com segurança. Assim, termina a burrice do Estado brasileiro de
colocar famílias de colonos no meio do mato, como se fossem bichos,
inviabilizando seu desenvolvimento social e econômico e, depois de derrubada
parte da mata, sem condições <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="de gerar renda e">de gerar renda e</st1:PersonName> garantir a
sobrevivência, elas mudam para a cidade e deixam a terra amansada para grande
fazendeiro. Precisamos acabar com esse circulo vicioso na região com uma
política efetiva do Estado.<BR><BR><st1:PersonName w:st="on"
ProductID="o MST"><I style="mso-bidi-font-style: normal">O
MST</I></st1:PersonName></FONT><FONT size=5><I
style="mso-bidi-font-style: normal"> dá algum tipo de orientação aos assentados
no sentido de evitar que desmatem?<BR></I><BR>Claro. Lutamos por um outro modelo
de uso da terra e produção e (como expliquei acima) somos contra qualquer
desmatamento. No entanto, infelizmente, em muitas regiões, trabalhadores rurais
recebem essas terras em condições totalmente adversas, em locais afastados do
mercado consumidor e sem apoio público, e compreendemos que, para não morrerem
de fome, acabam desmatando. <BR><BR></FONT><FONT size=5><I
style="mso-bidi-font-style: normal">Por que <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="o MST">o MST</st1:PersonName> é contra a criação de um novo órgão
para a regularização fundiária na Amazônia, como propõe o ministro Mangabeira
Unger?<BR></I><BR>O desafio para a Amazônia
foi apresentado pelo próprio ministro: trata-se de ter uma política de
desenvolvimento e um re-ordenamento fundiário claro, que permita a todos terem
os títulos da propriedade. Mas para isso, não se precisa gastar tempo e dinheiro
<st1:PersonName w:st="on" ProductID="com um">com um</st1:PersonName> novo órgão,
mas ter uma decisão política, coordenar e articular as ações do Incra com os
institutos de terra estaduais e com o Ibama. Desconfiamos que a criação de um
novo órgão, como foi o GETAT, pode ser apenas uma política centralizadora para
facilitar a liberação de latifúndios para grandes grupos econômicos
<st1:PersonName w:st="on" ProductID="de forma mais">de forma
mais</st1:PersonName> rápida, como quer grandes empresas e especuladores.
</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=5>O problema não é de
órgão público, mas a ausência projeto para a região a partir de uma reflexão do
futuro do nosso país. Infelizmente, até agora, mesmo no governo Lula, predomina
para a região amazônica apenas o modelo de dominação do grande capital nacional
aliado com as transnacionais, que enxergam na Amazônia apenas uma grande reserva
de acumulação de capital. Para isso, empresas nacionais e estrangeiras como a
Companhia Vale e grandes bancos estão investindo bilhões em hidrelétricas,
siderúrgicas e em empreendimentos de exploração de minerais e extração de
madeira. Tudo isso vai enriquecer o capital internacional, enquanto
o povo da região seguirá passando necessidades. Basta ver que povoados a
<st1:metricconverter w:st="on" ProductID="60 km">60 km</st1:metricconverter> da
hidrelétrica de Tucuruí, a 2ª maior do mundo, ainda não têm luz elétrica. Isso
acontece porque o objetivo dessa obra é viabilizar a produção de alumínio para
exportação, não melhorar de vida do povo local.<BR><BR></FONT><FONT size=5><I
style="mso-bidi-font-style: normal">Há uma reclamação muito forte do setor
agropecuário sobre a exigência de manter 80% da mata preservada nas propriedades
rurais da Amazônia. Vocês concordam com essa porcentagem?<BR></I><BR>Isso é o
mínimo necessário. Os grandes grupos capitalistas brasileiros e
internacionais gostariam de desmatar tudo e, infelizmente, tanto fazendeiros
como empresas que atuam na Amazônia, se comportam como gigolôs da
natureza. Querem a exploração máxima, não importa as gerações futuras nem e a
Constituição brasileira, que determina que os recursos naturais pertencem ao
povo. Por isso, para impedir esse avanço sobre a floresta, defendemos o
Desmatamento Zero.<BR><BR>Assentados do norte de Mato Grosso se queixam de terem
lotes muito pequenos. Numa região como aquela, qual seria o tamanho adequado dos
lotes para que se pudesse garantir a subsistência de uma família e manter a
reserva legal? Que tipo de atividade os assentados deveriam desenvolver
lá?<BR><BR>O problema não é o tamanho do lote. Se conceder <st1:metricconverter
w:st="on" ProductID="50 hectares">50 hectares</st1:metricconverter>, vão querer
100, se der 100 vão querer 200; e os latifundiários acham 5 mil ou 10 mil ainda
pouco. O problema - como expliquei acima - é que precisamos de uma política de
desenvolvimento, na qual os trabalhadores rurais pobres e assentados possam
melhorar de vida e aumentar a renda com seu trabalho. Isso não depende
exclusivamente do tamanho do lote. Quem quer <st1:PersonName w:st="on"
ProductID="mais e mais">mais e mais</st1:PersonName> terra é porque sonha em
retirar madeira e ver se tem garimpo... Uma família pode viver muito bem com
<st1:metricconverter w:st="on" ProductID="15 hectares">15
hectares</st1:metricconverter> se tiver apoio público para desenvolver
atividades que geram renda, como a combinação do assentamento com uma
agroindústria.<BR><BR></FONT><FONT size=5><I
style="mso-bidi-font-style: normal">No ranking das maiores autuações ambientais
realizadas pelo Ibama desde 2006, publicada recentemente pelo Ministério do meio
Ambiente, o Incra aparece no topo da lista. Se defendendo, o órgão disse que não
é 'razoável' comparar assentados a grandes desmatadores. Qual a posição do MST
em relação à lista divulgada pelo Ministério do meio Ambiente?<BR></I><BR>A
“condenação” do Incra foi uma manipulação vergonhosa de técnicos mal
intencionados do Ibama, que entregaram a lista para o Ministro sem nenhum
critério. Depois, a imprensa manipulou mais ainda, apenas tentando colocar a
culpa nos assentados. Vários grandes jornais, que não entendem nada de
Amazônia, como o jornal O Globo do Rio Janeiro, colocaram <st1:PersonName
w:st="on" ProductID="em manchetes o MST">em manchetes o MST</st1:PersonName>
como campeão de desmatamento, apesar de nenhum daqueles projetos serem do nosso
movimento e termos esclarecido previamente isso à imprensa. Nenhuma das
áreas da lista advém de projeto de reforma agrária, mas de projetos de
colonização. Ou seja, dentro de uma política que beneficia latifundiário,
madeireiras e grandes empresas, não uma política de reforma agrária. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=5></FONT> </P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=5>A cobertura da
imprensa sobre esse caso demonstra a manipulação dos grandes monopólios da
informação, que usam seu poder para lutar contra a Reforma Agrária. Ninguém fez
manchete sobre os 600 mil hectares do Banco Opportunity, do sr <st1:PersonName
w:st="on" ProductID="Daniel Dantas">Daniel Dantas</st1:PersonName>, fazendo
desmatamento. Ninguém faz manchete dos desmatamentos da Vale e suas agressões do
meio ambiente para retirar mineiros, enviar para a China e depois depositar o
lucro na conta de acionistas no exterior. O povo brasileiro e, principalmente,
os povos da Amazônia só ficam com a destruição e com o desmatamento. Isso
ninguém fala. Infelizmente, o ministro do Meio Ambiente também se prestou a essa
manipulação.<BR><BR></FONT><FONT size=5><I style="mso-bidi-font-style: normal">O
senhor concorda com a idéia de que a reforma agrária no arco do desmatamento é
uma válvula de escape para a questão fundiária em áreas do Sul/Sudeste do país?
A reforma agrária na região é, de fato, viável?<BR></I><BR><st1:PersonName
w:st="on" ProductID="o governo">O governo</st1:PersonName> Lula repete a
política do governo FHC e usa os projetos de colonização, a distribuição de
terras públicas na Amazônia para criar estatísticas e "provar" que está fazendo
Reforma Agrária. Reforma Agrária é desconcentração da propriedade da
terra, com a divisão de grandes propriedades e distribuição aos pobres. Estamos
assistindo à maior concentração da propriedade da terra da história, desde
o último século. Ou seja, está em curso uma política real de
contra-reforma agrária. Isso está acontecendo em todas as regiões agrícolas do
país, em especial no centro-oeste e na Amazônia.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT
face=Arial></FONT> </P></DIV></BODY></HTML>