<!DOCTYPE HTML PUBLIC "-//W3C//DTD HTML 4.0 Transitional//EN">
<HTML><HEAD><TITLE>Nova pagina 1</TITLE>
<META http-equiv=Content-Type content="text/html; charset=windows-1252">
<META content="MSHTML 6.00.2900.3132" name=GENERATOR>
<STYLE></STYLE>
</HEAD>
<BODY bgColor=#ffffff>
<DIV>&nbsp;</DIV>
<P align=left><B><FONT face=forte color=#ff0000 size=6>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>CARTA O BERRO. 
..........repassem.</MARQUEE></FONT></B></P>
<META content="MSHTML 6.00.2900.3132" name=GENERATOR>
<STYLE></STYLE>

<DIV>&nbsp;</DIV><BR>
<DIV>&nbsp;</DIV>
<DIV>&nbsp;</DIV>
<DIV>
<DIV id=corpo>
<DIV id=topo>
<DIV id=logo><A 
href="http://www.cartamaior.com.br/templates/index.cfm?alterarHomeAtual=1" 
target=_top><IMG height=65 
src="http://www.cartamaior.com.br/templates/imagens/globe_rodando_172x65.gif" 
width=172 border=0></A></DIV>
<DIV id=banner><FONT face=Arial size=2></FONT><!-- <a href="http://www.pa.gov.br" target="_blank"><img src="http://www.cartamaior.com.br/arquivosCartaMaior/FOTO/43/foto_mat_21384.gif" border=0></a> -->
<SCRIPT language=JavaScript>
hoje = new Date()
numero_de_links = 2
segundos = hoje.getSeconds()
numero = segundos % numero_de_links
if (numero == 0)
document.write('<OBJECT classid=clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000"  codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,0,0" WIDTH="468" HEIGHT="60" id="banner_full" ALIGN=""><PARAM NAME=movie VALUE="BA468x60-2.swf"> <PARAM NAME=quality VALUE=high> <PARAM NAME=bgcolor VALUE=#FFFFFF> <EMBED src="BA468x60-2.swf" quality=high bgcolor=#FFFFFF  WIDTH="468" HEIGHT="60" NAME="banner_full" ALIGN="" TYPE="application/x-shockwave-flash" PLUGINSPAGE="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer"></EMBED></OBJECT>')

else
document.write('<OBJECT classid=clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000"  codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,0,0" WIDTH="468" HEIGHT="60" id="banner_full" ALIGN=""><PARAM NAME=movie VALUE="BA468x60.swf"> <PARAM NAME=quality VALUE=high> <PARAM NAME=bgcolor VALUE=#FFFFFF> <EMBED src="BA468x60.swf" quality=high bgcolor=#FFFFFF  WIDTH="468" HEIGHT="60" NAME="banner_full" ALIGN="" TYPE="application/x-shockwave-flash" PLUGINSPAGE="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer"></EMBED></OBJECT>')


</SCRIPT>
</EMBED></DIV>
<DIV id=data><A>Sábado, 25 de Outubro de 2008</A></DIV></DIV></DIV></DIV>
<DIV>&nbsp; 
<P class=chapeu>PAUL SINGER</P>
<P class=titulo>A relação entre as finanças e a economia da produção e do 
consumo</P>
<P class=linhafina>Para superar a crise financeira e impedir que ela lance a 
economia real em recessão, é essencial que o crédito seja restaurado, o que 
possivelmente exigirá uma intervenção efetiva do poder público nos bancos. Se os 
governos não fizerem isso, é provável que o dinheiro público injetado nos bancos 
seja entesourado, porque é o que todos os agentes privados fazem enquanto o 
pânico perdura.</P>
<P class=headline-link>Paul Singer</P>
<P class=texto><B>O mistério do interrelacionamento entre as finanças e a 
economia da produção e do consumo</B><BR><BR>É nos momentos de crise financeira 
que a opinião pública se volta a este tema: como se interrelacionam o mundo 
financeiro com suas vicissitudes especulativas e o mundo da produção e consumo 
de valores de uso. São dois mundos distintos: no primeiro circulam valores 
monetários denominados genericamente de ativos porque são créditos, a cada um 
dos quais corresponde um débito (ou passivo); no segundo circulam bens e 
serviços que satisfazem necessidades de seres humanos, que por isso se dispõem a 
pagar para adquiri-los. Estes bens e serviços são mercadorias – produtos do 
trabalho humano destinados à venda, à troca por dinheiro - e neste sentido 
também são valores monetários. A diferença entre ativos e mercadorias é que os 
primeiros são valores virtuais, isto é, não satisfazem qualquer necessidade 
diretamente, ao passo que os últimos são valores reais, prontos para serem 
utilizados ou consumidos.<BR><BR>As finanças prestam serviços à economia real: 
recebem em depósito a poupança de famílias e empresas (sem falar dos governos) e 
lhes oferecem empréstimos. Serviços financeiros são basicamente de intermediação 
entre famílias e empresas que têm poupanças e outras que necessitam de dinheiro. 
As finanças recolhem o dinheiro sobrante das primeiras e o emprestam às últimas. 
Mas, sua atividade principal é emprestar a governos e empresas para que possam 
fazer investimentos. Embora as compras a prazo dos consumidores sejam 
importantes – sobretudo o crédito hipotecário - a maior parte dos ativos se 
destina a financiar investimentos do poder público e das empresas capitalistas, 
sobretudo de grande porte.<BR><BR>Além disso, boa parte da poupança captada 
pelas finanças são delas mesmas. A atividade financeira expandiu-se 
acentuadamente nos últimos decênios de globalização e neo-liberalismo, 
usufruindo de lucros extraordinários, parte dos quais alimentam as remunerações 
milionárias dos altos executivos financeiros. Uma parte crescente do capital 
total da economia capitalista globalizada gira no mundo financeiro e nas fases 
de alta dos ciclos de conjuntura usufrui de inegável hipertrofia. <BR><BR>São 
muitas as modalidades de empréstimos praticados pelas finanças: depósitos 
bancários, títulos negociados em Bolsas de Valores, emissões de títulos por 
governos, grandes empresas, companhias de seguros (apólices), emissão de cartões 
de crédito e de débito e assim por diante. O que efetivamente importa é que os 
intermediários podem emprestar mais dinheiro do que captaram do público ou de 
outros intermediários. Eles podem fazer isso porque gozam de crédito por parte 
do público que aceita em pagamento os ativos avalizados por bancos. É assim que 
funcionam os cheques e os cartões eletrônicos: são ordens de pagamento que o 
cliente do banco emite para que determinadas dívidas, que ele faz junto a lojas, 
restaurantes etc., sejam pagas pelo seu banco. A grande maioria das transações 
dos agentes da economia real é liquidada por meio de instrumentos chamados meios 
de pagamento emitidos por bancos. Só transações de pouco valor são liquidadas 
por meio da moeda oficial emitida pela Autoridade Monetária, que pode ser o 
Banco Central ou o Tesouro do governo nacional.<BR><BR>Os bancos ganham dinheiro 
fazendo empréstimos, pelos quais cobram juros. Os serviços que prestam aos 
depositantes só lhes dão despesas. Os bancos precisam dos depósitos porque eles 
constituem o lastro dos empréstimos que fazem. O Banco Central exige que os 
bancos comerciais mantenham um encaixe mínimo que serve para cobrir os saques 
dos depositantes. Os prestatários (que recebem os empréstimos) sacam rapidamente 
os valores acrescentados aos seus saldos para pagar os fornecedores de 
equipamentos, instalações, matérias primas etc. que são os elementos materiais 
de seus investimentos. Os fornecedores, por sua vez, depositam imediatamente o 
dinheiro recebido em seus bancos, quando o dinheiro não é transferido 
diretamente para suas contas. O que significa que o dinheiro utilizado pelos 
agentes da economia real para liquidar transações entre eles circula 
incessantemente entre os bancos, ou seja, no âmbito financeiro. <BR><BR>Quando 
todos os bancos, no afã de ganhar mais, ampliam os empréstimos a agentes da 
economia real, os depósitos de todos eles aumentam. O efeito importante é sobre 
a economia real, que se expande na medida em que os investimentos crescem, o que 
ocasiona a ampliação do emprego, da produção e do consumo. A expansão da 
economia real se auto-alimenta na medida em que desempregados conseguem 
trabalho, os gastos do público aumentam, o que suscita mais investimentos, mais 
emprego e mais produção.<BR><BR><B>O ciclo de conjuntura</B><BR>A fase de alta 
do ciclo se origina mais frequentemente na economia real do que no âmbito 
financeiro. Ela é desencadeada geralmente por inovações tecnológicas de grande 
impacto sobre a produção e/ou consumo ou por mudanças institucionais, como a 
instauração de sistemas de previdência social, de assistência à saúde ou de 
transferência de rendimentos à população mais pobre. A realização de inovações 
tecnológicas exige investimentos vultosos, o que eleva as demandas de 
financiamento por parte das empresas. O mesmo se dá quando iniciativas 
governamentais de redistribuição de renda elevam os gastos de consumo de amplos 
setores da sociedade, o que também requer investimentos para ampliação da 
capacidade de produção dos bens e serviços consumidos por aqueles setores. 
<BR><BR>O crescimento da demanda por empréstimos normalmente evoca resposta 
favorável das finanças, que farejam oportunidades para bons negócios. É 
conhecida a tendência dos intermediários financeiros de agir como rebanhos: 
quando a alta cíclica da economia real acontece, todos os banqueiros se 
entusiasmam, convictos de que os riscos de que os empréstimos deixem de ser 
pagos tornaram-se insignificantes. Na medida em que as expectativas otimistas se 
revelam verdadeiras – os financiamentos são pagos pontualmente – o entusiasmo 
cresce até se tornar euforia. Microempresas, incapazes de oferecer garantias 
reais normalmente exigidas, acabam por receber empréstimos em função do seu 
potencial, representado algumas vezes por não muito mais do que uma boa 
idéia.<BR><BR>A euforia é contagiante. Ela pode ter começado na economia real e 
contaminado as finanças ou vice-versa. Seja como for, enquanto o potencial das 
inovações tecnológicas ou das mudanças institucionais não estiver esgotado, a 
fase de alta do ciclo se eleva cada vez mais, graças à interação simbiótica das 
finanças com a economia real. Até que ela bate num teto. Este pode ter por causa 
o esgotamento da capacidade de expansão da oferta de mercadorias, por falta de 
mão-de-obra ou de oferta de energia ou de capacidade de transporte e armazenagem 
ou de tudo isso em conjunto. <BR><BR>Outra origem do teto para a alta pode ser o 
esgotamento da necessidade das mercadorias cuja produção está em perene 
aceleração. Este foi o caso da bolha imobiliária, que está na origem da atual 
crise financeira. A demanda por habitação costuma ser grande, mas certamente não 
é infinita. A alta da atividade de construção tem elevado poder de irradiação 
por toda economia, na medida em que ela implica em procura crescente por 
material de construção, equipamentos e mão-de-obra, além de mobília, 
eletrodomésticos, objetos de decoração etc., etc.. Como a construção de casas e 
prédios é relativamente prolongada, quando o esgotamento da demanda se torna 
manifesto, a quantidade de construções em andamento está no auge. Interrompê-las 
pode ser extremamente custoso, mas levá-las a cabo implica em mais investimentos 
numa mercadoria que provavelmente se tornará invendável, a não ser por um preço 
muito abaixo do custo.<BR><BR>O estouro duma bolha imobiliária atinge em cheio 
as finanças porque imóveis são objetos privilegiados para a especulação, 
particularmente porque os investimentos parecem protegidos por elevada garantia 
material, qual seja, os próprios imóveis. Uma parte da intermediação financeira 
se especializa no financiamento hipotecário e quando a bolha atinge seu apogeu 
este setor atrai enorme quantidade de dinheiro, parte do qual é investida na 
especulação fundiária. Quando finalmente a oferta de residências ultrapassa a 
demanda solvável, o preço tanto dos terrenos como das construções despenca, 
acarretando grandes prejuízos não só aos investidores, mas também às 
instituições que os financiam. No caso da atual crise financeira, a 
peculiaridade é que, durante a alta, instituições financeiras fizeram 
empréstimos à população de baixa renda, que implicam riscos maiores do que os 
normais. Por isso os títulos de crédito destas operações recebem a classificação 
de subprime, o que significa algo como “abaixo dos melhores”. <BR><BR>Para poder 
vender estes títulos ao público sem deságio, as instituições os empacotaram com 
outros títulos de risco considerado menor, numa manobra conhecida como de 
diluição de riscos. A operação aparentemente foi um sucesso: títulos no valor de 
muitos bilhões de dólares foram incorporados às carteiras de ativos de numerosos 
bancos de investimento, não só dos Estados Unidos, mas também da Europa. Quando 
o ciclo imobiliário entrou em baixa, o preço das residências e o aluguel das 
mesmas sofreram forte queda, tornando desproporcionalmente onerosa a dívida 
assumida por milhões de famílias pobres. Em outras palavras, o prejuízo causado 
pelo estouro da bolha foi colocado sobre os ombros de quem menos podia 
suportá-lo. Os devedores deixaram de honrar suas dívidas, arriscando-se a perder 
suas casas e apartamentos, cada vez mais desvalorizados. Desta maneira o 
prejuízo bilionário da crise imobiliária voltou ao colo dos especuladores 
financeiros, que se mostraram igualmente incapazes de suportá-lo. Um grande 
banco estadunidense faliu e diversos outros foram provisoriamente estatizados, 
tanto na América do Norte como na Europa. <BR><BR><B>Crises que se originam no 
âmbito financeiro</B><BR>Há crises que se originam no próprio setor financeiro, 
sem envolver inicialmente a economia real. Uma crise deste tipo ocorreu em 2000, 
nos Estados Unidos, por ocasião da grande euforia ocasionada pela criação da 
Internet e a conseqüente revelação de suas inegáveis potencialidades. A criação 
de empresas de informática muito lucrativas e capazes de expansão fulminante 
provocou uma corrida nas Bolsas de Valores por ações de firmas em setores de 
alta tecnologia. As ações passaram a se valorizar cada vez mais, proporcionando 
ganhos milionários aos especuladores institucionais – fundos de investimento, 
fundos de pensão, companhias de seguro etc. – e também a um crescente número de 
pessoas físicas, que passaram a arriscar suas economias neste jogo. <BR><BR>O 
<I>Federal Reserve</I> – o banco central dos Estados Unidos – resolveu intervir 
para deter a bolha, certamente para limitar as perdas quando seu inevitável 
estouro tivesse lugar. Para tanto, o Federal Reserve começou a elevar 
paulatinamente a taxa oficial de juros, encarecendo deliberadamente o crédito em 
geral. Esta ação levou meses, até que a taxa de juros para investimento 
praticamente ‘sem risco’ chegasse a um patamar que levasse investidores a 
preferir aplicações a juros em lugar de comprar ações, cujo rendimento depende 
da lucratividade da firma que as emite. A partir deste momento o volume de 
recursos aplicados em ações começou a diminuir, o que fez com que os seus preços 
passassem a crescer cada vez menos. Subitamente, o humor dos especuladores mudou 
inteiramente e um número cada vez maior deles começou a vender suas ações, tendo 
em vista aplicar o dinheiro em outros ativos. O que causou uma débâcle nas 
Bolsas, não só dos EUA, mas também do resto do mundo, com queda vertical das 
cotações.<BR><BR>Os prejuízos dos intermediários financeiros foram enormes, com 
a perda de trilhões de dólares no valor das empresas. Ficou evidente que as 
cotações haviam atingido níveis muito maiores do que a lucratividade destas 
empresas justificaria. O Federal Reserve imediatamente inverteu sua política, 
passando a reduzir também paulatinamente a taxa de juros, para tentar evitar que 
a crise das bolsas afetasse a economia real. Mas, apesar da notável agilidade do 
<I>Federal Reserve</I>, a economia real estadunidense entrou em recessão. O 
<I>débâcle</I> dos mercados de ações ocasionou fortes perdas aos fundos, cujos 
investidores passaram a conter seus gastos, o mesmo acontecendo com os milhões 
de particulares que arriscaram suas economias no jogo especulativo. E o crédito 
mais restrito e caro também impediu que muitos investimentos planejados fossem 
executados.<BR><BR>A queda na demanda dos consumidores e na realização de 
investimentos causou uma queda na atividade econômica, que foi enfrentada pela 
Autoridade Monetária mediante injeções de dinheiro, que ajudaram a financiar o 
setor imobiliário. A recessão de 2000/2001, agravada pelo ataque às Torres 
Gêmeas de Nova Iorque, foi superada pela persistente alta dos preços dos imóveis 
e a expansão da atividade construtiva, que constitui o pano de fundo da crise 
financeira começada em 2007 e que atualmente (2008) começa a afetar a economia 
real estadunidense e européia. <BR><BR><B>O inter-relacionamento entre as 
finanças e a economia real</B><BR>Historicamente, as finanças modernas surgiram 
desde o século XIV, na Europa Ocidental para financiar os governos monárquicos, 
principalmente suas guerras e suas alianças matrimoniais. Em muitos países, os 
primeiros bancos eram oficiais, possuídos por autoridades nacionais ou locais. 
No Brasil, nosso primeiro banco foi criado por D.João VI no início do século XIX 
e permaneceu sob controle do governo imperial até a Proclamação da República, 
sendo a criação de bancos privados mal tolerada pelo poder público. <BR><BR>A 
conhecida propensão das finanças entrarem em crise, como vimos acima, provoca 
praticamente sempre uma forte intervenção estatal no setor, tendo em vista 
preservar a normalidade dos negócios financeiros e muitas vezes com o propósito 
explícito de proteger a economia real das emanações destrutivas da crise 
financeira. Em diversos países, todos os intermediários financeiros chegaram a 
ser estatizados e ficaram nesta condição por anos, até que algum governo 
resolveu reprivatizá-los..<BR><BR>Sem considerar o papel do Estado é impossível 
compreender o inter-relacionamento entre as finanças e a economia real. 
Atualmente, as finanças de cada país são constituídas majoritariamente por 
entidades privadas, mas sob controle e fiscalização do Banco Central. As 
finanças são quase sempre dominadas por um número reduzido de grandes entidades, 
que constituem complexos financeiros com atuação em quase todas modalidades 
financeiras, desde os bancos de varejo e os bancos de investimento atacadistas 
(que lidam apenas com grandes inversores) até as companhias de seguro, os fundos 
de investimentos, as companhias de cartões eletrônicos etc.. <BR><BR>Com o 
advento da globalização financeira, produto da abertura total da circulação dos 
capitais sobre as fronteiras nacionais de numerosos países, o poder do Estado 
nacional sobre as finanças foi consideravelmente erodido, porque se algum 
governo nacional vier a tomar medidas que contrariem os interesses das firmas 
financeiras privadas, ele se defrontaria imediatamente com forte fuga de 
capitais para paraísos fiscais, que lhes garantem liberdade total de ação a 
custo muito baixo. Para que os governos nacionais possam recuperar o controle 
sobre o capital financeiro, a primeira medida teria que ser o restabelecimento 
do controle sobre a movimentação internacional dos capitais privados.<BR><BR>A 
economia real também é dominada por um punhado de transnacionais de grande 
porte. Para não ter de se submeter aos complexos financeiros, estas firmas 
criaram seus próprios braços financeiros, semelhantes aos complexos financeiros 
independentes. As estruturas das finanças e da economia real se assemelham, 
sobretudo em seus aspectos oligopólicos e transnacionais. Mas, a economia real é 
muito mais diversificada e é composta por um número muito maior de 
empreendimentos de pequeno porte do que o setor financeiro. Por isso, na maior 
parte dos países, a intervenção do Estado na economia real é mais dispersa e 
muito mais diversificada, consistindo em geral na concessão de incentivos e 
imposição de proibições de atividades que violam a concorrência, os direitos dos 
trabalhadores ou a preservação de recursos naturais não renováveis.<BR><BR>A 
economia real é instável e imprevisível por causa da ausência de qualquer 
tentativa de coordenação da produção e do consumo, distribuídos hoje em dia por 
milhares de mercados distintos. Tentativas de coordenar as ações de todas as 
empresas de determinado setor são consideradas formação de cartel e portanto 
ameaças à competição, o que é punível por lei. Decisões devem ser tomadas 
isoladamente por cada empresa, para que a competição nos diversos mercados seja 
livre.<BR><BR>Para tornar a economia real mais estável e previsível a 
cartelização de determinados ramos deveria ser não só permitida, mas fomentada e 
controlada pelo poder público, para tornar as decisões estratégicas das empresas 
mutuamente congruentes e portanto mais eficazes. O controle público teria por 
objetivo impedir que o ganho de eficiência seja apoderado apenas pelo segmento 
mais forte, mas compartilhado com todas as empresas da cadeia produtiva e com os 
consumidores dos produtos.<BR><BR>A instabilidade e imprevisibilidade do mundo 
financeiro são, em certa medida, reflexos destas características da economia 
real. Mas, no mundo financeiro a imprevisibilidade é condição indispensável para 
que possa haver especulação, que constitui a razão de ser de parte considerável 
(Bolsas de Valores e de Mercadorias) deste mundo. Isso faz com que a 
instabilidade e a incerteza quanto ao futuro, nas finanças, sejam muito maiores 
do que na economia real. Os ativos com que lidam as finanças, são contratos a 
serem executados num futuro, que no capitalismo é inevitavelmente incerto. 
<BR><BR>Além disso, há outra diferença entre as finanças e a economia real que 
torna a instabilidade e imprevisibilidade muito maior no âmbito financeiro: é 
que este está sujeito a ondas de otimismo ou pessimismo que arrastam o conjunto 
de operadores numa ou noutra direção, maximizando ganhos e perdas sempre que o 
rebanho muda bruscamente de direção. A especulação na economia real se funda 
mais em informações específicas sobre determinados setores de produção e 
consumo. Por isso, a economia real é menos propensa a se lançar inteira em ondas 
de otimismo ou pessimismo, provocadas por apreciações apenas subjetivas. 
<BR><BR>A crise financeira, por tudo isso, pode ser considerada inevitável, pelo 
menos enquanto a desregulação das finanças permanecer em vigor. A crise faz com 
que a prestação de serviços financeiros à economia real se contraia cada vez 
mais até cessar ao todo, a partir do momento em que a crise alcança a maior 
parte dos bancos e demais intermediários. O trancamento das fontes de crédito 
obriga as empresas que não dispõem de reservas líquidas abundantes a suspender o 
pagamento de suas dívidas e se a crise se prolongar elas acabam por falir. Os 
rombos deixados pelas falidas arrastam suas credoras à inadimplência por sua 
vez. Desta maneira, a crise financeira contamina a economia real, podendo 
lançá-la em recessão em pouco tempo.<BR><BR><B>Então, o que 
fazer?</B><BR>Trata-se de circunscrever a crise financeira, num primeiro 
momento, para evitar que ela venha a paralisar a economia real. Uma eventual 
crise da economia real tem conseqüências sociais e políticas muito mais amplas 
porque ela começa por lançar no desemprego e logo mais na miséria uma parcela 
substancial da sociedade. Uma crise da economia real é muito mais difícil de 
reverter por medidas de Estado, porque não basta recuperar a confiança da 
população em determinadas instituições. Seria necessário criar novas atividades 
capazes de reinserir milhões de pessoas na economia mediante políticas de 
fomento e incentivo que somente poderão ser definidas por um processo prolongado 
de tentativa e erro. A grande crise de 1929 levou uma década para ser superada e 
mesmo assim graças ao “auxílio” de uma guerra mundial.<BR><BR>Como a crise da 
economia real não aconteceu ainda e tão pouco é fatal, partiremos do pressuposto 
de que é possível preveni-la desde que sejam adotadas políticas capazes de 
resolver em curto prazo a atual crise financeira e ao mesmo tempo lancem 
fundamentos de uma nova estrutura institucional capaz de evitar novas crises 
financeiras no futuro. Convém lembrar que o sistema monetário internacional 
implantado nos anos 1930, e consolidado e sistematizado na Conferência de 
Bretton Woods em 1944, livrou o mundo de crises financeiras internacionais por 
mais de 40 anos. <BR><BR>Ao contrário da política do governo de Bush, que se 
dispõe a resgatar os bancos falidos comprando seus créditos podres, e por isso 
sem valor, por preços que evitem a bancarrota gastando algo como 700 bilhões de 
dólares do erário público, o Estado deveria se apossar dos bancos falidos e só 
então reabilitá-los com recursos do tesouro. Se os governos não fizerem isso, é 
provável que o dinheiro público injetado nos bancos seja entesourado, porque é o 
que todos os agentes privados fazem enquanto o pânico perdura. Mas, para superar 
a crise financeira e impedir que ela lance a economia real em recessão, é 
essencial que o crédito seja restaurado, o que possivelmente exigirá uma 
intervenção efetiva do poder público nos bancos.<BR><BR>Uma vez superada a 
crise, uma reformulação em profundidade das finanças deveria ser pautada. Há 
bons argumentos a favor da estatização perene de todos os bancos que emitem os 
meios de pagamento do país, não só para preservar o meio circulante da 
especulação mas, sobretudo, para garantir os valores dos depositantes e fazer 
com que sejam aplicados onde são mais necessários do ponto de vista do interesse 
geral da sociedade. O que pode implicar numa governança participativa do novo 
sistema financeiro, com forte presença dos assalariados, trabalhadores da 
economia solidária, além dos setores empresariais de praxe. <BR><BR>Se as 
finanças fossem todas colocadas sob um comando unificado, elas poderiam 
controlar a economia real inteira, impondo-lhe diretrizes sobre o que e quanto 
produzir e consumir, de forma semelhante ao que foi feito nos países do 
‘socialismo real’ no afã de planejar centralmente todas as atividades 
econômicas. Este não é um modelo que permitiria a paulatina construção duma 
economia socialista autogestionária. Em lugar dele algo como um parlamento 
econômico, composto por representantes eleitos dos diferentes modos de produção 
– capitalismo, pequena produção de mercadorias, economia solidária, economia 
pública local, regional e nacional etc.. – certamente seria mais adequado. 
<BR><BR>Finalmente, o mercado de capitais teria de ser reformulado, tendo em 
vista não só coibir a especulação, mas também reconstruir os laços entre o 
investidor privado e o empreendimento em que ele é sócio. Neste sentido, seria 
necessário retirar a presente “liquidez” dos investimentos, que hoje podem ser 
colocados numa firma e retirados depois num piscar de olhos e quase sem custos. 
Entre as idéias que me ocorrem uma seria limitar o número de sócios de cada 
firma, de modo que seja possível a cada um participar efetivamente da 
administração da mesma, pelo menos na condição de membro duma assembléia de 
acionistas com influência real sobre a empresa. Só assim, propostas de cogestão 
de empresas por proprietários, empregados e representantes dos clientes p.ex. 
poderiam ser viáveis. <BR><BR>(*) <I>Paul Singer é economista, Secretário 
Nacional de Economia Solidária </I></P>
<P class=texto><BR>&nbsp;</P></DIV>
<META content="MSHTML 6.00.2900.2912" name=GENERATOR>
<STYLE></STYLE>

<DIV><FONT face=Arial size=2></FONT>&nbsp;</DIV>
<META content="Microsoft FrontPage 5.0" name=GENERATOR>
<META content=FrontPage.Editor.Document name=ProgId>
<P align=left><B><FONT face=georgia color=#ff0000 size=4>
<MARQUEE scrollAmount=20 scrollDelay=200 width=322>Lutam melhor os que têm belos 
sonhos............./......... Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, 
mas jamais conseguirão deter a primavera CHÊ GUEVARA</FONT></B>
<P></P></FONT></B></P></BODY></HTML>