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<BODY class=hmmessage bgColor=#ffffff>
<DIV> </DIV>
<DIV><BR></DIV>
<DIV><STRONG><FONT face=Forte color=#ff0000 size=7><FONT size=6>Carta O
Berro</FONT><FONT
size=3>..........................................................................................................repassem</FONT></FONT></STRONG></DIV>
<DIV><FONT face=Arial></FONT> </DIV>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: right"
align=right><SPAN
style="FONT-SIZE: 8pt; COLOR: red; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Para
a Revista Pro-Posições,<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: right"
align=right><SPAN
style="FONT-SIZE: 8pt; COLOR: red; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Departamento
de Educação<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: right"
align=right><SPAN
style="FONT-SIZE: 8pt; COLOR: red; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">da
Unicamp<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: right"
align=right><SPAN
style="FONT-SIZE: 8pt; COLOR: red; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Pedido
por Nana Albano<o:p></o:p></SPAN></P>
<H1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: right" align=right><STRONG><FONT
face=Arial color=#ff0000 size=2>Por Alípio Freire</FONT></STRONG></H1>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: right"
align=right><SPAN
style="FONT-SIZE: 8pt; COLOR: red; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">São
Paulo, agosto-setembro de 2008.</SPAN><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<H5 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="COLOR: black"><FONT size=6><FONT
face=Arial>Leituras e representações do ano de 1968 no Brasil – algumas
anotações<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></H5>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><SPAN style="FONT-FAMILY: Arial"><FONT size=3><FONT
color=#000000>Alípio Freire (*)<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 11pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial>Noivas de Maio – apenas <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial>um antecedente histórico.<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial>Ou, sua bisavó era a culpada<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>No Brasil, mães, tias e avós daqueles que em 1968 tinham por volta
de 18 anos (ou mais), costumavam casar, como acontecia pelo menos desde o século
19, no mês de maio. Era o que a Europa – e especialmente a França faziam. Assim,
copiavam dos figurinos franceses os modelos dos vestidos de noiva e, das
revistas vindas de Paris (a Cidade Luz que exportava Cultura, Costura e
Cosméticos) e outros centros do Hemisfério Norte, hábitos e costumes que, uma
vez incorporados, contribuíam para nos manter atualizados e acomodados na
situação de culturalmente colonizados. Para os noivos, a referência era Londres
– símbolo da elegância, da masculinidade e sobriedade, em que pesassem os Clubes
Privados de Cavalheiros. </FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial>Obviamente, essa condição de culturalmente dominados não era um
objetivo em si mesmo, mas um meio (como até hoje acontece) de absorver a
produção e valores dos países centrais do capitalismo. Assim, os casamentos das
faixas mais abastadas dinamizavam – além da indústria inglesa de louças e de
outros serviços de casa – a produção das tecelagens e indústrias francesas de
confecções e acessórios, consumindo suas sedas e rendas, lingerie, enxoval de
cama-banho-e-mesa, e outras manufaturas de tecidos e petrechos como as luvas,
bolsas de festas, sapatos, e todo um arsenal de perfumaria – dos extratos aos
sais de banho, sabonetes etc., produtos daquela estação, para não falarmos dos
vinhos e outras bebidas, ou nas mercadorias importadas pelos grandes atacadistas
de Marselha (ou Liverpool) que as redistribuíam para o resto do mundo. Além, é
claro, de colaborar para reproduzir de forma ampliada e manter um determinado
tipo de estrutura familiar, em nosso caso claramente patriarcal, suposta,
hipócrita e teatralmente monogâmica e monândrica.<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN></FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>O problema, porém, é que as noivas francesas casavam em maio, por
que este mês, no Hemisfério Norte, consiste no apogeu da primavera, quando o
frio acabou, o degelo já se fez, as plantas florescem, insetos, pássaros e
demais animais se acasalam, etc., ao mesmo tempo que se anuncia o verão – boa
temporada para férias e viagens. Este não era (e por enquanto, apesar das
mudanças climáticas, continua não sendo) o caso do Hemisfério Sul, que em maio
vive seu outono e as vésperas do inverno – detalhes áridos e absolutamente sem
qualquer sentido para as nossas Noivas de Maio e seus <I>partners</I> de altar e
tabelião. O importante era casar como e quando se fazia em Paris e, incluindo,
sempre que possível, uma lua-de-mel na capital das Luzes, com direito a uma
missa e comunhão na catedral de Notre Dame, além de uma noite na Ópera, uma
visita ao Louvre e uma foto na Torre Eiffel.</FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>Sem dúvida, como expressamos acima, a possibilidade desses ritos
de passagem completos se constituía em um direito (absolutamente não isonômico –
e, portanto, privilégio) das elites. Apesar disto, enquanto valor, enquanto
referência, era algo que cortava transversalmente e se fazia dominante no
conjunto da sociedade.</FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>Os anos se passaram, e o mito “Maio – o mês das noivas”, se não
foi de todo abandonado, pelo menos perdeu muito do seu espaço, seja graças à
reordenação do capital em termos internacionais e a emergência de novas
potências econômicas e políticas, seja por influência de valores e práticas
postos coletivamente em ação a partir de 1968. Ou, mais provavelmente, pela
interação desses dois fatores e outros mais.</FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial>Brasil, Maio de 68 – ou da <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial>insubordinação, a um novo <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial>parâmetro de subordinação<B><o:p></o:p></B></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>O fato é que, tempo-vai-tempo-vem, as “Noivas de Maio” acabaram
cedendo sua primazia no calendário das subordinações culturais às Luzes, ao
“Maio de 68”.</FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>Explicamos: embora em nosso país, os grandes e mais importantes
acontecimentos de 1968 tenham ocorrido a partir do final de junho e, sobretudo
no último trimestre daquele ano, grandes editoras, a grande mídia comercial,
muitas academias e outras instituições responsáveis pela reprodução ampliada da
ideologia dominante insistem em comemorar (por intenção e/ou ignorância), no
Brasil, o “Maio de 1968”. </FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>É outra vez Paris nas paradas. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Para nos determos apenas em dois episódios: na França, após uma
noite de barricadas, no dia 11 de maio de <SPAN style="COLOR: black">1968,
800</SPAN> mil estudantes e operários saem em passeata pelo Boulevard
Saint-Michel (Paris) e, no dia 20, uma greve geral de 20 milhões de
trabalhadores (a maior do Ocidente, pelo menos no pós 1945), aliada uma greve
geral estudantil param o país, obrigando o presidente, general Charles De
Gaulle, a se retirar para a Bélgica.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial>No Brasil, as manifestações nesse mês são absolutamente mais
modestas. O episódio mais marcante aconteceria no 1º de maio, quando uns poucos
milhares de trabalhadores de S. Paulo (a maioria dos quais ligados a oposições
sindicais) apedrejam o governador Abreu Sodré, <SPAN
style="COLOR: black; mso-bidi-font-style: italic">seus secretários de justiça,
Trabalho e Interior, o Chefe da Casa Militar, e demais autoridades que</SPAN>
faziam uma comemoração oficial do Dia Internacional do Trabalhador, na Praça da
Sé. O governador e sua corte abandonaram em fuga o palanque, tomado de assalto
pelos manifestantes que, em seguida, colocam fogo e saem em passeata de protesto
contra a ditadura. A passeata segue até a praça da República. No cruzamento das
avenidas São João e Ipiranga, militantes, improvisando um aríete com um caibro,
investem contra o City Bank, e quebram seus <SPAN style="COLOR: black">vidros.
<o:p></o:p></SPAN></FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="COLOR: black"><FONT face=Arial>Naquele dia 1º, houve também conflitos na
rua, prisões e feridos em Belo-Horizonte, quando a PM reprimiu com violência a
tentativa de transformar o comício em passeata. <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="COLOR: black"><FONT face=Arial> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="COLOR: black"><FONT face=Arial>Ao longo do mês, foram registradas algumas
escaramuças estudantis, as mais intensas das quais em Belo Horizonte (MG), mas
nada que se possa comparar ao que já se manifestara antes a partir do
assassinato do estudante Edson Luiz, no restaurante Calabouço, no Rio (28 de
março). Menos ainda o que se desenrolaria a partir do mês seguinte, com a
Sexta-Feira Feira Sangrenta (21 de junho), quando as forças policiais-militares
reprimiram violentamente os estudantes cariocas, provocando diversas mortes
(alguns jornais chegaram a falar em 27 manifestantes e um policial mortos), cujo
desdobramento foi a “Passeata dos Cem Mil”, no dia 26 de
junho.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="COLOR: black"><FONT face=Arial> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial>No Brasil, nem mesmo episódios mais “frugais”, como a eleição da
brasileira Martha Vasconcellos, Miss Universo, aconteceria em maio, mas dois
meses depois (13 de julho). <SPAN style="COLOR: black"><SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN><o:p></o:p></SPAN></FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="COLOR: black"><FONT face=Arial> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial>Seria risível a tentativa de comparação dos acontecimentos do mês de
maio na França (ou mesmo em outros países do Hemisfério Norte, como EUA, Itália
e Alemanha, ou ainda com o que acontecia no Vietnã e em todo o Sudeste
Asiático), caso não o estivéssemos fazendo apenas para realçar o grotesco dessa
nova “noiva-de-maio”. <SPAN style="COLOR: black">Ora, comparar o governador
Roberto de Abreu Sodré, ao presidente Charles De Gaulle – é por si só um
disparate, não importando o grau de afinidade que se possa eventualmente ter com
qualquer dos personagens.<o:p></o:p></SPAN></FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial>Enfim, como diria o cronista social carioca Zózimo, “pior que um novo
rico, somente um novíssimo rico”, ao que acrescentaria pressuroso seu colega
Ibrahim Sued: “Também, o que seria da vida sem o <U>supérfulo</U>?”
(sic).<B><SPAN style="COLOR: red"><o:p></o:p></SPAN></B></FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial><FONT
color=#000000>No quadro (cronologia) que publicamos (</FONT><B><SPAN
style="COLOR: red">ver pág. XXXXX</SPAN></B><FONT color=#000000>), selecionamos
uns poucos acontecimentos que tiveram lugar no Brasil, e que consideramos os
mais significativos daquele ano. Ali, percebe-se claramente que, em nosso país,
a “crise-68” se manifestará e se aprofundará a partir de outubro, chegando ao
seu ponto mais agudo no dia 13 de dezembro, com a decretação do Ato
Institucional Número Cinco – o AI-5.</FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial>Tomando a invasão do <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial>Crusp, enquanto objeto <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial>de análise e de reflexão<B><o:p></o:p></B></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>Poucos dias depois da decretação do AI-5, entre outras medidas do
regime, forças da repressão invadiram o Conjunto Residencial da Universidade de
São Paulo – Crusp, onde se alojavam estudantes universitários (homens e
mulheres) daquela instituição. Desde o primeiro semestre daquele ano, o bloco G
do Conjunto Residencial havia sido ocupado por estudantes – a construção do
bloco houvera sido concluída em janeiro ou fevereiro, mas o preço para ali morar
era inacessível aos jovens, e a nova unidade havia permanecido vazia até ser
tomada pelos estudantes.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Os residentes no Crusp não eram, em sua totalidade, militantes e,
menos ainda, engajados em organizações políticas clandestinas. Sem dúvida,
porém, em sua mais absoluta maioria se colocavam numa atitude crítica com
relação ao regime, ao qual se opunham por diversos e nuançados vieses, que
implicavam diferentes temas e motivações e, até mesmo, “graus”: isto é, muitos
(quem sabe, a maioria), não apenas buscavam colocar em xeque o regime, mas o
próprio sistema. Ou seja, para esses, não se tratava apenas de pôr fim à
ditadura, mas também destruir o próprio capitalismo, substituindo-o pelo
socialismo ou outro sistema de talhe popular. Para outros, o choque colocava-se
muito mais no plano das liberdades individuais.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Era no salão do Centro de Convivência (situado no bloco G do
Conjunto Residencial) onde aconteciam as grandes assembléias do movimento
estudantil de Sã<SPAN style="COLOR: black">o Paulo, animadas pelos grêmios e
centros acadêmicos da USP, além da União Nacional dos Estudantes – UNE, e União
Estadual de Estudantes de São Paulo – UEE-SP. O espaço também abrigava encontros
de outras entidades estudantis, inclusive secundaristas.</SPAN></FONT><B><SPAN
style="COLOR: red"><o:p></o:p></SPAN></B></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Ou seja, o Crusp era um importante centro de efervescência,
discussão e ação política. Por isto, na madrugada de 18 para 19 de dezembro, foi
invadido e saqueado por tropas formadas por efetivos tão jovens quanto os
estudantes que ali residiam. <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>Do butim recolhido, como era praxe, os repressores certamente
guardaram para si uma parte (insignificantes jóias, enfeites, peq1uenos objetos,
roupas, etc.). Outra parte, porém, tinha um destino já reservado pelos comandos:
uma grande exposição do “material subversivo apreendido”, que organizariam, logo
em seguida, no saguão dos Diários Associados (do senhor Assis Chateaubriand – o
Chatô), na rua 7 de Abril, no centro da capital paulista. </FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>A presença massiva de jovens em ambos lados dessa trincheira
(estudantes e repressores), por si só, já desqualifica uma leitura recorrente,
mais ou menos explícita (dependendo do autor), dos eventos de 1968 enquanto
resultado de um “choque geracional” – do que trataremos adiante. </FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>Por enquanto, interessa-nos fundamentalmente a grande exposição do
material apreendido.</FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>A mostra, no saguão da “Casa de Chatô”, como era conhecido o local
pelos jornalistas, foi inaugurada com pompa e circunstância, e foi objeto de
cobertura pela grande mídia de então, com direito a entradas (<I>inserts</I>) a
todo momento, nas televisões, como pequenos editoriais de propaganda, enquanto
durou a exposição, do mesmo modo e no mesmo estilo da campanha do “Dê ouro para
o bem do Brasil”, que teve lugar naquele mesmo <I>hall</I> logo depois do golpe
de 1964. Os tele-jornalistas Tico-Tico e Maurício Loureiro Gama – que já haviam
coberto campanhas anteriores desse mesmo estilo – viveriam ali novos dias de
glória, com suas entradas no ar a cada 20 minutos ou meia hora, ao vivo,
construindo a histeria dos telespectadores contra os “subversivos”, os
“comunistas”, “os sabotadores dos lares”, e uma postura incondicional de apoio à
“Revolução Democrática Redentora” (leia-se o golpe de 31 de março). </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<H2 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000><FONT face=Arial>O que mostrava e como
<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></H2>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>se organizava a exposição<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText2 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; COLOR: windowtext"><FONT face=Arial>Mas, o que iriam
expor de tão significativo e aterrorizador, e como iriam organizar essa
mostra?<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>O material apreendido foi classificado em três grandes blocos,
expostos amontoadamente na seguinte seqüência: armas; literatura; e subversão da
moral e dos bons costumes.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Ora, se qualquer estudante tinha alguma arma de fato em seu
apartamento, ou aqueles que tivessem documentos comprometedores (geralmente
textos de organizações clandestinas ou livros marxistas e assemelhados) o que
era mais que provável é que já houvessem se desfeito das primeiras e destruído
ou removido para outros locais os segundos, pelo menos desde o 13 de dezembro.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>De todo modo, a exposição se fez, sob a responsabilidade de um
curador certamente recrutado nos mais baixos escalões da Polícia – ou quem sabe,
pelo próprio coronel Jarbas Passarinho, um dos intelectuais do
regime.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>No setor das armas, expunha-se algumas centenas de facas
domésticas, canivetes e estiletes, além de pouco mais de meia dúzia
(literalmente) de garruchas de bucaneiros, peças geralmente do século 19, de um
ou dois tiros, objetos muito usados então para a decoração de ambientes, uma vez
que sua serventia para qualquer combate era nula e munição já não mais se
fabricava. Ornamentando tudo isto, em posição de destaque e bem visíveis, três
ou quatro pistolas automáticas, meia dúzia de revólveres calibre 32 e 38, e
talvez duas ou três winchesters (ou assemelhadas) com cara de coisa que foi
agregada, de última hora, e constituindo-se na cereja-do-bolo daquela coleção de
inutilidades militares. <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>No segundo setor, exibia-se a “farta literatura” subversiva. Na
ausência de significativo volume de documentos clandestinos mimeografados ou de
obras de Marx, Engels, Lênin, Guevara, Mao, Ho Chi Minh, Clausewitz, ou etc.
(comuns nas prateleiras de qualquer estudante engajado de então), tomavam seus
lugares malajambradas pilhas de livros, coroadas por títulos como “O vermelho e
o negro”, de Stendhal (1783-1842), “Manual de bombas hidráulicas”, além de
outras pérolas do gênero. Revistas estrangeiras, como “Les Temps Modernes”, “New
Left”, ou mesmo “Cahiers de Cinéma”, faziam boa vista, dado o mistério do que
ali estava escrito para a maioria, e como provas incontestes da “conspiração com
potências estrangeiras” – leituras induzidas ou explicitamente propostas pelos
<I>inserts</I> em TVs e rádios.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Por fim, no terceiro setor, a investida dos “subversivos/as”,
contra “as mais sagradas tradições cristãs do nosso povo”, e pela “destruição da
família”. Ou seja, amontoados de caixas de pílulas anticoncepcionais e
preservativos, a sinalizar a “devassidão” e “promiscuidade” que reinavam nos
alojamentos invadidos, onde “moças tinham experiências sexuais
pré-matrimoniais”, que sem dúvida alguma transgrediam “os limites do amplexo
mútuo”, aliciadas e orientadas por “cripto-comunistas financiados pelo ouro de
Moscou” (ou também Havana e Pequim), conforme rezava o jargão da guerra fria.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Ou, como já glosara Tom Zé, em sua “São São Paulo, meu amor”,
poucos meses antes:<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>“(...) Salvai-nos por caridade/<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>pecadoras invadiram/<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>todo o Centro da cidade/<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>armadas de ruge e batom/<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>dando vivas ao bom humor/<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>num atentado contra o pudor/<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>A família protegida/<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>O palavrão reprimido/<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>Um pregador que condena/<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>Uma bomba por quinzena
/(...)”<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<H2 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000><STRONG><FONT face=Arial>Naquele saguão, a síntese do
<o:p></o:p></FONT></STRONG></FONT></SPAN></H2>
<H2 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000><STRONG><FONT face=Arial>que pensavam os senhores do
<o:p></o:p></FONT></STRONG></FONT></SPAN></H2>
<H2 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><STRONG><FONT
color=#000000><FONT face=Arial>regime, e sua visão de mundo<SPAN
style="mso-spacerun: yes">
</SPAN><o:p></o:p></FONT></FONT></STRONG></SPAN></H2>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Obviamente não nos ativemos na descrição (ainda que breve) desse
evento, pelo que possa ter de bizarro. O que pretendemos mostrar é o sentido
mais geral do golpe de 1964 e em particular do AI-5, e como tudo isto batia de
frente com o chamado ideário de 1968. Naquele saguão estava exposta a síntese do
que pensavam os senhores (civis e militares) do regime, sua visão de mundo, e
qual a ordem – para além do político (<I>stricto sensu</I>) – pretendiam para a
sociedade. Cada um daqueles setores representava claramente uma esfera onde,
depois de destruídas as organizações populares e de trabalhadores logo após o 31
de março, e sufocadas e isoladas as experiências operárias de Contagem (MG) e
Osasco (SP), pretendiam continuar intervindo prioritariamente e com maior dureza
depois do AI-5. <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Ou seja, na exposição, os inimigos principais estavam bem claros e
hierarquizados:<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>No primeiro setor e antes de tudo, estavam representadas (ainda
que não apenas) as organizações da chamada luta armada (quase todas de matriz
marxista), que haviam intensificado suas ações nos centros urbanos naquele ano,
depois de ter sido experimentada a tentativa da guerrilha rural de Caparaó
(1966-1967) de viés dominantemente nacionalista e logo esmagada, e outras
iniciativas ainda anteriores de ações da chamada guerrilha urbana levadas a cabo
no Rio Grande do Sul, já em 1965, pelo grupo ligado a Jefferson Cardim.
</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>No segundo bloco, o saber, o estudo, o pensamento, a inteligência,
a capacidade crítica de desejar, querer e propor um outro mundo, um outro
sistema ou, pelo menos, um outro regime. Enfim, a liberdade de pensamento e sua
manifestação. Mas, como <SPAN style="COLOR: black">cunhou</SPAN> Millôr
Fernandes naqueles (e para aqueles) dias, “Livre pensar é só pensar”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Por fim, o terceiro universo dizia claramente da conservação dos
costumes, da condição da mulher na sociedade, “da tradição democrática,
ocidental e cristã”, etc. E não podia ser diferente: o golpe foi dado com a
mobilização, entre outras, da Liga das Senhoras Católicas; da TFP – Tradição
Família e Propriedade; da <I>Marcha da Família com Deus pela Liberdade</I>, e de
luminares da alta hierarquia da Igreja Católica, do padrão do bispo de
Diamantina, dom Geraldo Sigaud que, em entrevista em Roma (1970), frente a
perguntas sobre denúncias de torturas saiu-se com a célebre frase: “confissões
não se conseguem com bombons”.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>O fato é que essa mostra, não apenas dizia dos principais alvos a
serem destruídos a partir daquele momento como, sobretudo (pelo material exposto
e a forma como estava exposto) deixava transparente o grau de elaboração e o
patamar de sofisticação de onde partiam os senhores do poder para definir e
combater seus inimigos. Assim, tematizavam sem rebuços, como atribuição sua, a
disputa (pelas armas e todo tipo de violência próprias do Terror de Estado) da
política, das armas, do pensamento e dos costumes, cuja normatização tentarão
aprofundar. Ao fazer isto, transformam todas essas questões em questões de
Estado, de disputa de poder. Desse modo, o que já deixavam claro e propunham os
golpistas já antes do 31 de março, agora se aguça.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Ora, se é verdade que, naqueles tempos de guerra fria, todas as
questões tendiam rapidamente a se “politizar” e a assumir extremados contornos
ideológicos, no Brasil, a ditadura acentuou ainda mais essa tendência, levando-a
ao paroxismo e, portanto, ao estágio da morbidez: era igualmente suspeito e
acusado de subversão, o militante político clandestino; o que tentasse organizar
os trabalhadores e o povo; o pensador/escritor/artista que fugisse às normas do
<I>establishment</I>; o jovem de roupas “estranhas” e/ou cabeludo; a jovem que
pregasse e/ou exercesse livremente sua sexualidade antes do casamento, etc.,
ainda que as conseqüências, modo geral, costumassem ser bastante diferentes de
um para outro caso.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Com isto, o que queremos dizer é que não podemos falar de qualquer
aspecto da vida daqueles anos, num Brasil onde, aos olhos do poder, a micro-saia
era quase tão perigosa quanto se portar uma arma, sem tratarmos
<U>diretamente</U><B> </B>da questão da ditadura, da política, da disputa de
poder. Se, numa democracia (por mais limitada que seja), costumam ser muitas as
mediações e variáveis entre o comportamento cotidiano dos cidadãos e o poder de
Estado, naquele contexto do regime pós-golpe, tais mediações e variáveis tendiam
a zero, mesmo dizendo respeito a manifestações de distintas esferas e matrizes.
Isto se coloca ainda com mais intensidade para os acontecimentos ditos de 1968
(que em nosso país já amadureciam desde a década de 1950) quando todas essas
esferas estão fortemente radicalizadas em suas
manifestações.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Ou seja, em nosso país, discutir qualquer dos assuntos postos em
pauta por 1968, é discutir também o regime e, muitas vezes, o próprio sistema. E
é também, mesmo <I>a posteriori</I>, tomar partido.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Jovens estudantes da “classe média”<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>em ação..., ou um bando de jovens <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>“pequenos burgueses” radicalizados<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Um problema grave corta transversalmente as diversas
representações que se faz daqueles anos, especialmente 1968. Ele está
disseminado, seja em trabalhos ficcionais, seja em textos acadêmicos, ou mesmo
textos políticos de esquerda que acabam coincidindo com leituras e versões
oficiais da direita, ou mesmo com as perigosas reflexões dos extremistas
radicais de centro, que assolam o mundo com o seu “bom senso” de encomenda – ou
seja, um senso comum adornado por um palavrório
“científico-filosófico”.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>No caso, as leituras e versões oficiais da direita têm a intenção
e o objetivo muito claros de desqualificar politicamente a história daquele
período, fazendo com que aquelas manifestações/erupções não sejam apropriadas
enquanto parte da saga do povo brasileiro, questão que se agrava quando muitos
estudiosos e artistas (das várias áreas), mesmo sem perceber, fazem eco e
legitimam esse tipo de construção.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Trata-se da questão de classe dos protagonistas dos anos 1960,
onde se mesclam diversos “malentendidos”. O discurso hegemônico corrente nos
afirma que aqueles protagonistas eram, em sua maioria esmagadora – se não na sua
totalidade – “jovens estudantes da classe média”.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Em vez de tomarmos essa afirmação como dada, provada e consagrada,
detenhamo-nos na sua análise.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">“Classe
média” é uma expressão impressionista que, na melhor das hipóteses, pode nos
falar de determinadas faixas de renda, estabelecidas arbitrariamente a partir
dos objetivos (geralmente mercadológicos,</SPAN><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> mesmo que “mercado de votos”<SPAN style="COLOR: black">),
interesses e intenções do autor que dela se utilize. Afirmar que aqueles
sujeitos históricos pertenciam à “classe média” nada nos diz. Exceto se tal
expressão vier carregada de um juízo de valor pejorativo (estigmatizante) e/ou
se for tratado como sinônimo de “pequena burguesia”. Neste caso, trata-se de um
equívoco imperdoável, uma vez que esse último conceito, que tem outra matriz de
pensamento, é bem preciso e nos diz de relação de propriedade, nos diz do
pequeno proprietário de algum negócio que explora a mão de obra de um pequeno
contingente de trabalhadores (assalariados), apropriando-se, portanto, de parte
da mais valia por estes produzida. <o:p></o:p></SPAN></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Ora, esta não era a condição de classe da maioria esmagadora dos
protagonistas daquelas lutas que, na verdade, eram filhos de assalariados dos
mais diversos setores, e de chamados profissionais liberais. E não esqueçamos
que os próprios profissionais liberais naquele momento, pelo menos no Brasil,
estavam em processo de franca proletarização – resultado da acelerada
monopolização (e mesmo oligopolização) da nossa economia. Ou seja, profissões
que tradicionalmente eram exercidas na esfera da iniciativa privada através de
pequenos escritórios, consultórios, etc. (como médicos, engenheiros, advogados,
dentistas, contadores etc.), começam a deixar de existir enquanto tais, passando
a ser desenvolvidas fundamentalmente por assalariados dos grandes grupos
privados de saúde, engenharia, etc. Se é verdade que em centros menores, essa
proletarização acontece de modo mais lento, nos grandes centros elas já haviam
começado cerca de década antes e se acelerou nos anos da
ditadura.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Mais que isto, a grande maioria (a maioria esmagadora) dos
sujeitos dos acontecimentos daqueles anos (e nos referimos aqui, também, aos
estudantes) trabalhavam, eram assalariados. Não perceber isto, é não conseguir
perceber quem eram os protagonistas daquele período histórico, as bases
materiais de suas condições de classe, das suas necessidades objetivas
(incluídas aqui suas subjetividades), dos seus anseios, pensamentos e propostas
de mudanças.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Como já vimos acima, invocar a questão “choque geracional” para os
eventos daquele período é absolutamente descabido. É colocar a contradição
principal fora do seu lugar. Existiam jovens dos dois lados das trincheiras:
eram jovens os moradores do Crusp, como jovens eram os que compunham as tropas
que invadiram aquele conjunto residencial. Aliás, nos anos subseqüentes, à
exceção dos comandantes, delegados e altos escalões e oficialato, os
torturadores – os que punham a mão na massa, eram tão jovens quanto os
torturados. <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Aliás, apenas para avivar algumas memórias, lembramos que os
grandes dirigentes da Revolução Burguesa na França (1789) eram todos jovens –
bem como os de diversos outros processos revolucionários. E mais: uma vez que
completamos os 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil, não
devemos esquecer a idade de Napoleão I, quando botou para correr dona Maria: 37
anos. Quatro anos antes (aos 33 anos), depois de guerrear e anexar vários
países, já se havia autocoroado imperador na catedral de
Paris.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Poderia se tratar de uma tolice, de um problema menor, de uma
implicância nossa, rebatermos exaustivamente a questão de insistirem na condição
de jovens dos protagonistas dos anos 1960, caso tal qualificação não viesse
sempre acoplada à expressão “classe média” (que se metamorfoseia em seguida em
“pequenos burgueses”) e, por fim, à condição de “estudantes”, que tratamos logo
a seguir. <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Chamamos a atenção que essa reflexão que vimos fazendo, guardadas
as devidas especificidades locais, servem também para os acontecimentos daquele
ano (1968) em outros países, não apenas do nosso Continente, como também para os
Estados Unidos e Europa, especialmente para a França, ainda que não sejam esses
países, neste mome4nto e neste trabalho, objeto da nossa reflexão.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<H3 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000><FONT face=Arial>O que é um estudante
e<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></H3>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>que “metafísicas” envolve?<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Encerrando, vejamos a questão da maioria esmagadora dos
protagonistas daquele período histórico ser formada supostamente de estudantes.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Antes de tudo, afirmar que alguém é estudante, não significa nada,
além de se dizer que essa pessoa está matriculada em algum estabelecimento de
ensino – não implicando necessariamente sequer que tal pessoa freqüente com
assiduidade o tal estabelecimento. Ou seja, por si só não nos diz de uma
condição de classe e sequer de faixa de renda e, como já vimos, a maioria desses
estudantes que se engajaram (nos mais diversos níveis) nas lutas de 1968 e anos
imediatamente anteriores e seguintes, vinha de famílias de trabalhadores
assalariados, sendo que muitos deles eram igualmente assalariados. Lembramos
aqui que vivíamos tempos onde o mercado de trabalho ainda se expandia e que, os
indivíduos com um mínimo de especialização, facilmente eram absorvidos por esse
mercado.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Isto, porém, resolve apenas uma parte da questão que pretendemos
tratar. <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Um segundo aspecto, de grande importância, é entendermos que,
graças à política populista em curso até 1964, liderada pelo Partido Trabalhista
Brasileiro – PTB, e coadjuvada pelo Partido Comunista Brasileiro – PCB, o golpe
conseguiu rapidamente destruir todas as organizações de trabalhadores –
especialmente dos operários e camponeses. Sem sólidas organizações em seus
locais de trabalhos ou em seus bairros de moradia; aglutinados fundamental ou
exclusivamente em torno dos dirigentes/lideranças e das sedes dos seus
sindicatos e sedes de outros tipos de organizações; submetidos os sindicatos à
aprovação e reconhecimento do Ministério do Trabalho, e tendo suas finanças
geradas a partir do imposto sindical, recolhido pelo Ministério que o
redistribuía para os sindicatos; vivendo muitas das outras organizações dos
trabalhadores e do povo também na dependência de verbas do Estado para seu
funcionamento; foi suficiente para os golpistas ocupar as sedes dos sindicatos e
associações, cassar e/ou prender e/ou obrigar à clandestinidade as lideranças
sindicais (e de outros tipos de organizações de massa) mais combativas e, por
fim, fechar a torneira do imposto sindical e de outras verbas públicas, para ter
desarticulado, em poucos dias, todo o movimento dos operários, camponeses e
demais trabalhadores. É isto que cria o isolamento político dos partidos e
organizações de esquerda das chamadas massas, e não o inverso, como costuma nos
ser apresentado, que teria sido a política levada a cabo pelas novas
organizações surgidas no pós-64 que as isolou das massas. Ainda que as políticas
dessas organizações pudessem pecar – e efetivamente pecassem – em muitos pontos
(e às vezes gravemente), não se deveu a tais organizações o “isolamento das
massas”, nem elas o pretenderam, embora, enquanto conjunto, até meados dos anos
1970 não tenham conseguido elaborar estratégias e táticas capazes superar essa
situação (diga-se de passagem, com raríssimas exceções, a maioria foi destruída
antes de lograr esse sucesso).<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Assim, no quadro de destruição das organizações operárias,
camponesas e de trabalhadores em geral do pós 1964, e conseqüente isolamento da
esquerda, serão o movimento estudantil e outros setores urbanos os primeiros a
reorganizar e constituir alguma força capaz de manifestar seu repúdio ao novo
regime. Esses outros setores a que nos referimos, inserem-se sobretudo no
universo mais geral dos chamados “trabalhadores intelectuais”, como jornalistas,
escritores, diretores, atores e outros profissionais de teatro e cinema,
escritores, músicos e compositores, alguns setores do professorado (sobretudo
mas não apenas universitário), diversas categorias de trabalhadores do chamado
setor de serviços, etc.. Uma conseqüência disto é que as organizações políticas
de cunho partidário e de ação clandestina surgidas depois do golpe, crescerão,
nesse momento, fundamentalmente nesses setores, uma vez que o recrutamento de
quadros e militantes se dá no interior dos movimentos e não fora
deles.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Ou seja, do nosso ponto de vista, o mais correto seria entendermos
que esses sujeitos (que não foram os únicos, ainda que possam ter sido a maioria
e que ganhou visibilidade naquele momento) não se tratavam de
“jovens-estudantes-da-classe-média”, como pretende o cacoete (pois que não se
trata de estudo sério), mas de jovens trabalhadores, cuja grande maioria ainda
estudava, e outros eram profissionais do chamado setor de “trabalhadores
intelectuais” e dos serviços.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Os militares nacionalistas e<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>de esquerda, a classe operária, <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>e a intensificação da “luta armada”<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>Mas nem só de movimento estudantil e de “trabalhadores
intelectuais” viveram aqueles anos, em especial 1968.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Primeiro, trataremos de outro equívoco, que tem subjazido a muitas
das representações do período. Ao se classificar o golpe de 64, enquanto um
“golpe militar”, e o regime que implantou, como uma “ditadura militar”,
costuma-se obliterar o conteúdo de classe de ambos, ao mesmo tempo que se lhes
confere (ao golpe e ao regime que lhe sucedeu) um caráter estamental e/ou
corporativo. Isto tem levado a um raciocínio binário e maniqueísta. Na verdade,
tratou-se de um golpe da grande burguesia brasileira subsidiária do grande
capital internacional, das grandes empresas internacionais (sobretudo
estadunidenses) que aqui operavam (daí a importância e imprescindibilidade de
articulação com o governo e empresas de Washington), do latifúndio, dos
banqueiros, da “direita ideológica”, da grande maioria da então mais alta cúpula
da Igreja Católica (Estado do Vaticano), que tiveram como braço armado as forças
armadas, cuja cúpula (em sua maioria esmagadora) participou de toda a
conspiração, garantindo em seguida o novo regime. <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>O golpe foi dado por esse conjunto de classes e setores, contra um
programa de reformas de interesse popular, das quais se beneficiariam setores do
capital nacional, a classe trabalhadora e o povo.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Ora, se como já afirmamos um pouco antes, “discutir qualquer dos
assuntos postos em pauta por 1968, é discutir também o regime e, muitas vezes, o
próprio sistema”, é fundamental que se entenda o que se passava de fato. Ou
seja: impossível discutir aqueles anos – e 1968 – no Brasil, sem entender o que
acontecia na política (política = luta de classes), mesmo que a política no
sentido restrito não seja o objeto central da representação que se queira
construir.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Com o golpe civil-militar de 1964, milhares de militares foram
expulsos, cassados e/ou submetidos a Inquéritos Policiais Militares (os
famigerados IPMs). Sobretudo na Marinha e no Exército, os processos de
indenização de militares punidos no pós-64, na Comissão de Anistia do Ministério
da Justiça, somaram 15 mil. Desses milhares, depois de afastados das Forças
Armadas, nem todos foram para casa e arranjaram outra profissão. Muitos se
organizaram e prosseguiram em sua militância. Eram geralmente nacionalistas,
engajados nas reformas do Governo João Goulart, e outro tanto, socialistas de
diferentes matizes. <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Não foi por acaso que uma das primeiras manifestações de
enfrentamento armado do regime (a primeira de maior envergadura) foi o episódio
conhecido como a Guerrilha de Caparaó (1966-1967), animada e organizada por
setores nacionalistas, cujo contingente de participantes era formado quase
totalmente por militantes com origem no Exército e na Marinha, conforme já
citamos acima.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Caparaó acontece e é derrotada às vésperas de 68. Às portas de
68.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Outros dissidentes das forças armadas iriam se engajar em diversas
das novas organizações de esquerda que surgiram naqueles anos e que, mesmo na
clandestinidade, articulavam-se com as manifestações então em curso. Além disto,
havia também militares ligados ao PCB.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Por outro lado, durante os anos pós-golpe e em 1968, diversas
organizações operárias prosseguem seu trabalhos, enquanto outras são criadas. No
primeiro caso, temos, apenas como um exemplo, a Frente Nacional do Trabalho –
organizada por católicos de esquerda. No segundo, temos as oposições sindicais,
que se articulam por todo o Brasil, sendo a mais conhecida a oposição sindical
metalúrgica de São Paulo, animadas por marxistas e cristãos de esquerda. Ou
seja, a classe operária (e outros trabalhadores assalariados), depois das
intervenções dos governos pós-golpe também se
reorganizava.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>E é nesse movimento que eclodem, em 1968, as greves de Contagem
(MG) e de Osasco (SP). Se a primeira alcançou conquistas, apesar das ameaças e
intervenções do coronel-ministro do Trabalho Jarbas Passarinho, de posse da
experiência dessa, a de Osasco foi imediatamente sufocada pelo regime. O fato é
que essas greves também darão importantes quadros para as organizações políticas
clandestinas, armadas ou não.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<H2 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 14pt; COLOR: black; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
face=Arial>Esboços de algumas <o:p></o:p></FONT></SPAN></H2>
<H2 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 14pt; COLOR: black; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
face=Arial>conclusões e outras <o:p></o:p></FONT></SPAN></H2>
<H2 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 14pt; COLOR: black; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
face=Arial>tantas considerações<o:p></o:p></FONT></SPAN></H2>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">A
partir das questões acima levantadas, que contestam uma certa leitura sobre o
ano de 1968 em nosso país, contrapomos versão distinta para aqueles
acontecimentos.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">1.
Falar em “Maio de 68” em nosso país (ou comemorar essa data) é, na melhor das
hipóteses, uma tolice da mesma envergadura que o “ideal” das noivas-de-maio. Não
atende à realidade dos fatos. Na verdade, os meses mais importantes e intensos,
em nosso país, correspondem ao último trimestre daquele
ano.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">2.
Diferentemente do que se costuma repetir, são múltiplos os protagonistas
daqueles anos no Brasil, e sua simplificação enquanto “jovens estudantes de
classe média”, ou “jovens estudantes da pequena burguesia” além de não
corresponder à realidade (objetividade factual), e por isto mesmo, tem conduzido
a uma série de conclusões equivocadas, à construção de personagens de ficção
postiços, e a um não entendimento adequado daquele tempo e de seus
protagonistas. Além de tudo, essa caricaturização e estigmatização desses
protagonistas têm servido à construção de uma história oficial à direita que,
enxergando aqueles episódios como uma “estudantada”, os exclui da saga do povo
brasileiro, em busca de uma nova sociedade fundada na igualdade e
liberdade.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">3.
Entender o regime implantado no pós-64, como uma “ditadura militar” é esconder
seu caráter de classe, e não perceber que o golpe resultou da disputa e choque
entre dois projetos de país: um, em curso antes do 31 de março, que propunha um
desenvolvimento nacional fundado na distribuição de riquezas e numa política
internacional independente e que foi derrotado. O outro – o programa dos
golpistas – que pressupunha um desenvolvimento nacional fundado na concentração
de riquezas e numa política internacional subordinada aos interesses econômicos
do grande capital internacional, e atrelada politicamente aos desígnios dos EUA.
<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">4.
Que os acontecimentos, no Brasil, que dão corpo ao que se chama “movimento de
68”, ou simplesmente “68” só podem ser entendidos se pensados no contexto
específico da ditadura civil-militar aqui vigente, bem como da desorganização
das forças populares resultantes do populismo<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>que dominou a política até o 31 de
março.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>5. Que a não observância dessas questões que aqui levantamos (ou
pelo menos das polêmicas que elas sucitam) implicará, sempre, que a maioria das
representações e leituras (ficcionais ou não, e nas mais diversas linguagens)
dessa época – exceto algumas poucas memórias de militantes – ao partir de uma
leitura oficial, martelada pela grande mídia comercial e legitimada por alguns
trabalhos acadêmicos – acabem por centrar seus personagens numa vaga “classe
média”, sobre um fundo político absolutamente distorcido, e onde a classe
trabalhadora e o povo ficam eclipsados pela expressão estigmatizante de “classe
média”, e com raríssimas e geralmente breves alusões aos personagens oriundos
dos demais setores que não os “trabalhadores intelectuais” além, é claro, dos
“jovens estudantes pequeno-burgueses”. (**)</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: red; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<DIV
style="BORDER-RIGHT: medium none; PADDING-RIGHT: 0cm; BORDER-TOP: medium none; PADDING-LEFT: 0cm; PADDING-BOTTOM: 1pt; BORDER-LEFT: medium none; PADDING-TOP: 0cm; BORDER-BOTTOM: windowtext 0.75pt solid">
<P class=MsoNormal
style="BORDER-RIGHT: medium none; PADDING-RIGHT: 0cm; BORDER-TOP: medium none; PADDING-LEFT: 0cm; PADDING-BOTTOM: 0cm; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; BORDER-LEFT: medium none; PADDING-TOP: 0cm; BORDER-BOTTOM: medium none; TEXT-ALIGN: justify; mso-border-bottom-alt: solid windowtext .75pt; mso-padding-alt: 0cm 0cm 1.0pt 0cm"><SPAN
style="FONT-SIZE: 8pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P></DIV>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 8pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><U><SPAN style="COLOR: red; FONT-FAMILY: Arial"><FONT
size=3>QUADRO<o:p></o:p></FONT></SPAN></U></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 16pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 16pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">CRONOLOGIA
RESUMIDA DE ALGUNS DOS PRINCIPAIS ACONTECIMENTOS DE 1968 NO BRASIL, CONSTRUÍDA
NO SENTIDO DE ILUSTRAR ESTE TEXTO<o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 16pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center"
align=center><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 16pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><BR><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; COLOR: red; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Janeiro
e fevereiro<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Meses de verão, férias e carnaval no Brasil, não registram nada
digno de maior destaque.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>O único fato noticiado que se articula com os momentosos
acontecimentos desse ano, será em 8 de Fevereiro, quando têm início as ações
armadas urbanas no Brasil referentes a 1968 quando, segundo pesquisas iniciais,
devem ter ocorrido 23 ações desse tipo. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>No dia <B>8 de fevereiro</B> foi levada a</FONT></SPAN><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><FONT color=#000000> cabo pela Ala
Vermelha, a expropriação</FONT><STRONG><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; COLOR: blue">, </SPAN></STRONG><STRONG><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; COLOR: black">de</SPAN></STRONG><STRONG><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; COLOR: #993300"> </SPAN></STRONG><FONT
color=#000000>uma perua Kombi do Banco da Lavoura de Minas Gerais, em Mauá (SP)
que transportava dinheiro proveniente da Cia. Ultragás. Nesta ação foram
expropriados aproximadamente NCr$ 23.280,00, equivalentes a R$-141.308,43
(Valor em 1º de Abril de 2008). Um mês depois, o mesmo comando volta ao local e
repete a ação.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Além disto, podemos apenas citar o texto do coronel do Exército,
Meira Matos, publicado em <B>14 de fevereiro</B>, onde propõe o fechamento do
refeitório estudantil Calabouço, no Rio, que classifica de "um foco de
agitação". <SPAN style="COLOR: black">Registro cuja importância reside em suas
conseqüências: mês e meio depois, em 28 de março, a polícia invade o local e
assassina o estudante secundarista Edson Luís de Lima
Souto.</SPAN></FONT></SPAN><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial"><o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoHeading7 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#ff0000><FONT face=Arial>Março<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: blue; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">20
de Março <o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Bomba
explode no Consulado dos Estados Unidos em São Paulo. A ação foi realizada por
um Comando da Ação Libertadora Nacional – ALN.<B><o:p></o:p></B></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: #333399; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>28 de Março <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>O estudante paraense Edson Luís de Lima Souto, de 19 anos, é
assassinado pela polícia no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro, Brasil.
Secundarista e pobre, Edson estava almoçando no restaurante quando foi
mortalmente baleado. Ao contrário do que o governo publicou na época, Edson não
era líder estudantil nem participava de confrontos armados. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; COLOR: red; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; COLOR: red; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Abril<BR
style="mso-special-character: line-break"><BR
style="mso-special-character: line-break"><o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>1º de Abril<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>A diretoria clandestina da UNE decreta greve geral (quatro anos do
golpe). Manifestações estudantis são reprimidas em várias cidades. Choques
estudantes-PM. Morrem os estudantes João Agripino de Paula no Rio de Janeiro, e
Ivo Vieira em Goiânia. O Exército ocupa o Centro do
Rio.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>4 de Abril<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Portaria 177: Costa e Silva proíbe a Frente
Ampla.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>4 de Abril<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>PMs atacam missa de sétimo dia de Édson Luís. Cavalarianos sobem a
escada da Candelária, Rio; 600 prisões.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>14 de Abril<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>15 mil metalúrgicos de Contagem (MG), fazem greve e conquistam
aumento de 10%, fato inédito desde 1964.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>17 de Abril<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>No Brasil, 68 municípios passam a ser consideradas áreas de
segurança nacional, extinguindo-se, portanto, as eleições para prefeito nessas
cidades<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>20 de Abril<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>Atentado a bomba da direita destrói a entrada do edifício do
jornal O Estado de São Paulo. A bomba foi colocada por um grupo de direita
liderado por um sujeito chamado Sábato Dynotos. Durante muito tempo a bomba foi
atribuída à esquerda. De acordo com levantamentos iniciais, durante 1968 foram
realizado pelo menos oito atentados (alguns dos quais a bomba) pela
extrema-direita.</FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">26
de Abril <o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial><SPAN
style="COLOR: black">Comando da Vanguarda Popular Revolucionária – VPR, explode
carro bomba no quartel do 2º Exército, em São Paulo.</SPAN><SPAN
style="COLOR: #333399"><o:p></o:p></SPAN></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><BR><SPAN
style="COLOR: red">Maio<BR style="mso-special-character: line-break"><BR
style="mso-special-character: line-break"><o:p></o:p></SPAN></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>1º de Maio<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Trabalhadores de S. Paulo jogam pedras no governador Abreu Sodré,
tomam o palanque da Praça da Sé, colocam fogo e saem em passeata de protesto
contra a ditadura. A passeata segue até a praça da República. Ao cruzar a São
João com a Ipiranga, militantes, improvisando um aríete com um caibro, investem
contra os vidros do City Bank, que quebram.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>25 de Maio<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>O médico Euryclides Zerbini realiza em João Boiadeiro o primeiro
transplante cardíaco da América Latina.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoHeading8 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#ff0000><FONT face=Arial>Junho<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; COLOR: blue; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">5
de Junho <o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="COLOR: black"><FONT face=Arial>Criado alguns meses antes, em São Paulo, o
Comitê de Artistas, Jornalistas e Intelectuais em Geral contra a Censura e pela
Liberdade de Expressão e Manifestação, inaugura em São Paulo a Feira Paulista de
Opinião (mostra de artes plásticas, teatro, cinema e música) que itinerou por
diversos teatros, como Ruth Escobar, Arena, Oficina,
etc<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="COLOR: black"><FONT face=Arial> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">21
de Junho <o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="COLOR: black"><FONT face=Arial>Sexta-Feira Sangrenta – Em protesto contra
a repressão a estudantes em Belo Horizonte, os estudantes cariocas vão as ruas e
sofrem violenta repressão em escaramuças que duraram todo o dia. E que
resultaram diversas mortes (alguns jornais chegaram a falar em 27 manifestantes
e um policial mortos).<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">23
de Junho</SPAN></B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Estudantes
da USP ocupam a faculdade de Filosofia Ciências e Letras, na rua Maria
Antônia.<SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN>Ao longo do mês e a partir
de então, várias outras universidades seriam ocupadas em todo o
Brasil.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="COLOR: black"><BR><B><FONT face=Arial>26 de Junho
<o:p></o:p></FONT></B></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Passeata
dos Cem Mil. Em protesto contra a brutal Sexta-Feira Sangrenta no Rio.
Organizada por artistas, intelectuais, jornalistas, vários sindicatos e
associações, a organização União das Mães, religiosos e estudantes, a Passeata
dos 100 Mil lota a Av. Rio Branco e todo o Centro do Rio de Janeiro.
<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Protestos
são realizados em todo o país. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B><SPAN
style="COLOR: black"><FONT face=Arial>Junho <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Ainda
em junho, o grupo de extrema-direita liderado por Sábato Dynotos, em São Paulo
(SP) coloca uma bomba na Ponte de Ferro sobre o rio Tietê (por onde transitavam
os trens da Santos-Jundiaí), e fizeram explodir um carro-bomba em frente ao Dops
paulista, quebrando todas as vidraças do prédio. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><BR><SPAN
style="COLOR: red">Julho<BR style="mso-special-character: line-break"><BR
style="mso-special-character: line-break"></SPAN><o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>4 de Julho<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Passeata estudantil de 30 mil no Rio.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>5 de Julho<SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN><o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Proibidas as manifestações de rua. <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Mais de 300 mil estudantes protestam nas principais cidades do
país.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><BR><B><FONT
color=#000000>17 de Julho<SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN><o:p></o:p></FONT></B></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Greve em 6 metalúrgicas de Osasco, SP, com ocupação da Cobrasma.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>O ministro do Trabalho, coronel Jarbas Passarinho, ordena
intervenção no Sindicato. <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B><SPAN
style="COLOR: black"><FONT face=Arial>18 de Julho
<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Jornalistas,
artistas, intelectuais e estudantes organizam em São Paulo, Comitê de Apoio à
Greve de Osasco que organiza várias manifestações e outras ações de propaganda e
solidariedade aos grevistas. Sufocada dias depois a greve, vários mebros do
Comitê de Apoio foram detidos ou passaram a ser procurados.<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN></SPAN><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>18 de Julho<SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN><o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>O Comando de Caça aos Comunistas depreda o teatro Ruth Escobar
(São Paulo-SP) onde era apresentada a peça Roda Viva, de Chico Buarque, e
espanca vários artistas.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>20 de Julho<SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN><o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Sufocada a greve de Osasco, SP; os metalúrgicos são retirados da
Cobrasma com as mãos na cabeça, por carros blindados e metralhadoras do
Exército.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000><SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN><o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>22 de Julho<SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN><o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Atentado a bomba, da extrema direita, contra a sede da ABI -
Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de
Janeiro.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B><SPAN
style="COLOR: blue"><FONT face=Arial> <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B><SPAN
style="COLOR: black"><FONT face=Arial>Julho <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Ainda
no mês de julho um comando da Ação Libertadora Nacional toma e expropria Trem
Pagador na linha Santos-Jundiaí. </SPAN><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoHeading8 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#ff0000><FONT face=Arial>Agosto<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>29 de Agosto<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Forças da Polícia Militar e Polícia Federal invadem a Universidade
de Brasília.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoHeading9 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#ff0000><FONT face=Arial>Setembro<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">2
de Setembro<o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">A
propósito da invasão da Universidade de Brasília, o jornalista e deputado
federal Márcio Moreira Alves (MDB-GB) discursa no Congresso criticando a
ditadura, e em especial os militares. Em determinado momento, o deputado
conclamam as jovens moças que não aceitem dançar com cadetes ou outros militares
– o que será considerado posteriormente como um dos pontos altos da afronta
contra o regime.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN><o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B><SPAN
style="COLOR: black"><FONT face=Arial>7 de Setembro
<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Em
Goiânia, protesto de estudantes impedem o desfile militar de 7 setembro na
cidade.<SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN><B><o:p></o:p></B></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">13
de Setembro<o:p></o:p></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Os ministros militares taxam de "ofensiva" a fala do deputado
Márcio Moreira Alves, proferido no dia 2 de setembro.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000><SPAN style="mso-spacerun: yes"> </SPAN><SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN><o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>14 de Setembro<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Extrema-direita coloca bomba na livraria Civilização Brasileira.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><U><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></U></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><U><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></U></P>
<P class=MsoHeading9 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#ff0000><FONT face=Arial>Outubro<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><U><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></U></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>1º de Outubro<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Denúncia do Caso Parasar: plano de usar esta unidade da Força
Aérea Brasileira – FAB, no extermínio de oposicionistas.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>2 de Outubro<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>A rua Maria Antônia (São Paulo-SP), onde se situavam a
Universidade Mackenzie e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da
Universidade de São Paulo, é palco do conflito que ficou conhecido como “A
Batalha da Maria Antônia". A PM intervém, o secundarista José Guimarães é morto
por um tiro disparado pelo Comando de Caça aos Comunistas – CCC, alojado no alto
de um prédio do Mackenzie.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>8 de Outubro<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Dez mil canavieiros entram em greve em Cabo (PE).
<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000><SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN><o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>8 de Outubro <o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Grupo de direita seqüestra em São Paulo (SP) a atriz Norma
Benguel. <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>12 de Outubro<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>O governo pede à Câmara que casse Márcio Moreira Alves.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000><SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN><o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>12 de Outubro<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Comando da VPR executa em S. Paulo Charles Chandler, capitão do
Exército dos EUA acusado de ser agente da CIA. <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000><SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN><o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>12 de Outubro<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Presos cerca de 740 estudantes que participavam do 30º Congresso
da União Nacional dos Estudantes – UNE, reunido clandestinamente em Ibiúna (SP).
A UNE havia sido fechada e colocada na ilegalidade logo em seguida do golpe de
1964. <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>22 de Outubro<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Dia nacional de protesto contra a prisão dos estudantes no 30º
congresso da UNE. Passeatas estudantís em várias cidades.
<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000><SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN><o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>24 de Outubro<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#000000><FONT
face=Arial>Extrema-direita metralha em Recife (PE), a casa de D. Helder Câmara,
arcebispo de Recife e Olinda.<SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoHeading8 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT color=#ff0000><FONT
face=Arial><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Novembro</SPAN><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 10pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><o:p></o:p></SPAN></FONT></FONT></P>
<P class=MsoHeading8 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 10pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#ff0000><FONT face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>O mês de novembro é marcado pela visita da rainha Elizabeth 2ª da
Inglaterra e seu marido, o príncipe Phillip, ao Brasil. Uma série de medidas
repressivas, que vinham sendo anunciadas pelos mais altos escalões do regime,
foi adiada para quando partissem o casal britânico.</FONT></P>
<P class=MsoBodyText style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face=Arial
color=#000000>A grande mídia comercial, além das atividades pertinentes aos
visitantes, como a assinatura de acordos comerciais, inauguração da Feira da
Indústria Britânica e da nova sede do Museu de Arte de São Paulo – Masp, na
avenida Paulista, e as festas e galas, discutiu durante esse tempo as medidas
que seriam tomadas no mês seguinte, depois da partida da chefe de Estado e do
seu consorte.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoHeading8 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#ff0000><FONT face=Arial> <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT color=#000000><FONT
face="Times New Roman"> <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoHeading8 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN
style="FONT-WEIGHT: normal; FONT-SIZE: 14pt; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#ff0000><FONT face=Arial>Dezembro<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>2 de Dezembro<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Comando de Caça aos Comunistas – coloca bomba no Teatro Opinião,
Rio de Janeiro (GB).<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>13 de Dezembro<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>A Câmara dos Deputados, desafiando a ditadura, rejeita por 216
votos a 141, o pedido de licença para processar o deputado Márcio Moreira Alves.
À noite, o Ato Institucional nº 5 suprime todo resquício do estado de direito,
fecha o Congresso, e desencadeia nova onda de
cassações<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>18 para 19 de dezembro<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Invasão do CRUSP – Conjunto Residencial da Universidade de São
Paulo. Prisões e apreensão de material encontrado nos
apartamentos.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Dias depois, o material apreendido será exposto à visitação
pública no saguão dos Diários Associados.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>22 de Dezembro<SPAN style="mso-spacerun: yes">
</SPAN><o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>Denunciados pelo comentarista e locutor de TV Randal Juliano,
Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros músicos são presos na Boate Sucata, Rio de
Janeiro (GB).<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>30 de Dezembro<o:p></o:p></FONT></SPAN></B></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>O Governo publica sua primeira lista de cassações pós-AI-5,
encabeçada pelo deputado Márcio Moreira Alves.<SPAN
style="mso-spacerun: yes"> </SPAN><o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<DIV
style="BORDER-RIGHT: medium none; PADDING-RIGHT: 0cm; BORDER-TOP: medium none; PADDING-LEFT: 0cm; PADDING-BOTTOM: 1pt; BORDER-LEFT: medium none; PADDING-TOP: 0cm; BORDER-BOTTOM: windowtext 0.75pt solid">
<P class=MsoNormal
style="BORDER-RIGHT: medium none; PADDING-RIGHT: 0cm; BORDER-TOP: medium none; PADDING-LEFT: 0cm; PADDING-BOTTOM: 0cm; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; BORDER-LEFT: medium none; PADDING-TOP: 0cm; BORDER-BOTTOM: medium none; TEXT-ALIGN: justify; mso-border-bottom-alt: solid windowtext .75pt; mso-padding-alt: 0cm 0cm 1.0pt 0cm"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P></DIV>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><FONT
color=#000000><B><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Esta
cronologia foi realizada</SPAN></B><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> a partir
de dados pesquisados por: </SPAN></FONT><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: #444444; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 10.0pt">Danilo
Cerqueira César, Francielle Jordânia, Gustavo Moura Cavalcanti Mello e Leandro
de Oliveira Armelin (em São Paulo); e Lucrécia Batista, e Pedro Henrique Nunes
(no Rio de Janeiro)<o:p></o:p></SPAN></P>
<DIV
style="BORDER-RIGHT: medium none; PADDING-RIGHT: 0cm; BORDER-TOP: medium none; PADDING-LEFT: 0cm; PADDING-BOTTOM: 1pt; BORDER-LEFT: medium none; PADDING-TOP: 0cm; BORDER-BOTTOM: windowtext 0.75pt solid">
<P class=MsoNormal
style="BORDER-RIGHT: medium none; PADDING-RIGHT: 0cm; BORDER-TOP: medium none; PADDING-LEFT: 0cm; PADDING-BOTTOM: 0cm; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; BORDER-LEFT: medium none; PADDING-TOP: 0cm; BORDER-BOTTOM: medium none; TEXT-ALIGN: justify; mso-border-bottom-alt: solid windowtext .75pt; mso-padding-alt: 0cm 0cm 1.0pt 0cm"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: #444444; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P></DIV>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>(*) <B>Alípio Freire<o:p></o:p></B></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000>nascido em Salvador (BA) em 4 de novembro de 1945, vive em São
Paulo desde dezembro de 1961. É jornalista, escritor e artista
plástico.<o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">(**)
</SPAN><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">Parte
deste texto foi resumidamente publicada sob o título “Observações a respeito das
leituras sobre 1968”, na Revista Teoria & Debate, Edição Especial – ano 21 –
Maio de 2008 – Fundação Perseu Abramo.</SPAN><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt">
<o:p></o:p></SPAN></P>
<DIV
style="BORDER-RIGHT: medium none; PADDING-RIGHT: 0cm; BORDER-TOP: medium none; PADDING-LEFT: 0cm; PADDING-BOTTOM: 1pt; BORDER-LEFT: medium none; PADDING-TOP: 0cm; BORDER-BOTTOM: windowtext 0.75pt solid">
<P class=MsoNormal
style="BORDER-RIGHT: medium none; PADDING-RIGHT: 0cm; BORDER-TOP: medium none; PADDING-LEFT: 0cm; PADDING-BOTTOM: 0cm; MARGIN: 0cm 0cm 0pt; BORDER-LEFT: medium none; PADDING-TOP: 0cm; BORDER-BOTTOM: medium none; TEXT-ALIGN: justify; mso-border-bottom-alt: solid windowtext .75pt; mso-padding-alt: 0cm 0cm 1.0pt 0cm"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; COLOR: #444444; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 10.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P></DIV>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"><FONT
color=#000000> <o:p></o:p></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN
style="FONT-SIZE: 10pt; COLOR: black; FONT-FAMILY: Arial; mso-bidi-font-size: 12.0pt"> <o:p></o:p></SPAN></P><BR><BR> <BR>
<HR id=stopSpelling>
</BODY></HTML>